
Amarela foi vítima de um crime cruel e hediondo | Foto: Arquivo pessoal
A cadelinha Amarela tem cerca de 10 anos. Sua triste história começou há muito tempo, quando ela apareceu no Centro Pioneiro em Atenção Psicossocial (AJJE) da cidade de Franco da Rocha, Região Metropolitana de São Paulo.
Diversos cães e gatos também foram abandonados e viviam no local. À própria sorte, esses animais sobreviveram graças a ajuda das protetoras Leia Moreira e Vanusa Louro. Incansáveis, ela custearam através da realização de bazares, importâncias que custearam a alimentação e castração de cerca de 300 animais.
Felizmente, muitos animais tiveram a sorte de ser adotados e descobriram o que é um lar de verdade. No entanto, outros permaneceram no local esperando a mesma oportunidade. Entre eles, estava Amarela, uma cadelinha idosa e sem raça definida que foi vítima de um dos crimes mais bárbaros e cruéis que o ser humano pode cometer.
A cadelinha foi covardemente vítima de sucessivos estupros dentro das dependências do AJJE. Em um primeiro momento, ela foi encontrada por Leia, que realizava uma visita de rotina e acompanhamento, amarrada e com sangramento anal e vaginal. Próximo a cadela foi encontrado indícios de uma ejaculação. As protetoras cobraram um posicionamento da diretoria da instituição que se limitou a informar que poderia ter sido um paciente do local.
Sem provas, as protetoras sabiam que seria difícil fazer justiça para Amarela, mas o acaso deu uma contribuição. Em uma das visitas de rotina para verificar se os animais estavam com ração, a protetora Leia flagrou um funcionário do local que aparentava estar alcoilizado tentado atrair a cachorrinha com ração para um quartinho que fica nas dependências do AJJE. Ao ver Leia, Amarela se desvencilhou do criminoso e correu em direção à protetora como se pedisse ajuda. A presença de evidências deu fôlego a uma investigação. As protetoras registraram um boletim de ocorrência eletrônico e a Corregedoria da Saúde abriu um pedido de sindicância para a apuração do episódio.
Até o momento, a algoz de Amarela não teve a identidade revelada, mas a repercussão do caso trouxe um impacto positivo para a vida da cadelinha. Ela foi adotada por uma protetora que se comoveu com o caso e temeu pela vida da cachorra. Amarela finalmente terá um lar de verdade. “Será o fim definitivo do sofrimento. Lá ela receberá carinho, amor, e tudo mais que uma família pode proporcionar”, disse Vanusa Louro.

Amarela agora será carinhosamente chamada de Vitória | Foto: Arquivo pessoal
O pior já passou, mas a cadelinha ainda tem uma longa caminhada de recuperação. Além receber cuidados para os abusos físicos, Amarela também precisará transpor obstáculos e traumas psicológicos. Apesar de ser uma cadelinha doce e muito amável, ela não esconde seu medo e desconfiança do ser humano, principalmente com pessoas do sexo masculino.
Para Amarela é um final feliz, mas a luta das protetoras continua. Esforços estão sendo concentrados para salvar os animais que ainda vivem no local. Muito ainda precisa ser feito. Oito cães ainda estão à espera de adoção. Eles serão encaminhados para um abrigo que só aceitou recebê-los com uma condição: seis sacos mensais de ração e exames que comprovem que nenhum dos animais possui cinomose.

Agora, as protetoras tentam impedir que mais animais sejam vítimas de abuso | Foto: Arquivo pessoal
Uma veterinária generosamente realizará os exames a um preço baixo. A estimativa é que os cães sejam realocados até a próxima quarta (23). Para que isso se conclua, as protetoras pedem que voluntários e simpatizantes da causa animal apadrinhem os animais para ajudar a custear os exames e a alimentação. Para saber como ajudar ou adotar os cãezinhos, que já estão vacinados, vermifugados e castrados, basta entrar em contato com a Vanusa através do telefone (WhatsApp): 11 97281-0940.
Veja abaixo os cãezinhos que esperam por uma chance:




Fotos: Arquivo pessoal