Desmatamento na Amazônia em junho é 57% maior do que no mesmo período de 2018

O desmatamento na Amazônia em junho foi cerca de 57% maior do que o registrado no mesmo mês de 2018, segundo levantamento do Deter, sistema de alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Cerca 769 km² foram desmatados em junho deste ano. Em 2018, foram aproximadamente 488 km².

(Foto: Vinícius Mendonça)

Dois sistemas são usados pelo Inpe para monitorar o desmatamento. O Deter detecta mensalmente áreas maiores e não ocultas por nuvens comuns na Amazônia. Já o Prodes oferece um cenário mais preciso, com maior resolução, e é realizado de anualmente.

Uma análise parcial do Deter pela Imazon, que ainda está em processo, concluiu que ocorreu um aumento de cerca de 8% de desmatamento de agosto de 2018 a junho deste ano, quando comparado ao mesmo período anterior.

A menor taxa histórica de desmatamento da Amazônia foi registrada em 2012. Desse ano em diante, o desmate tem aumentado.

Considerando o período entre 2017 e 2018, foi registrada, no ano passado, o maior patamar de destruição da Amazônia da última década, com 7.900 km² desmatados – o que representa um crescimento de 14% em relação ao desmate registrado entre 2016 e 2017.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, afirmou ao jornal O Globo que o resultado do levantamento mostra que o discurso do governo de “combater a indústria de multas” e contrário à destruição legal de equipamentos utilizados por desmatadores favorece o desmatamento.

“Se você diz que vai tirar o governo das costas de quem quer produzir, estamos, na verdade, tirando o governo das costas de quem está cometendo crimes ambientais”, avalia Rittl.

Extinção do Fundo Amazônia

O Fundo Amazônia, programa de financiamento à proteção da maior floresta tropical do mundo, pode ser extinto. Foi isso o que afirmam os embaixadores da Noruega e da Alemanha. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também mencionou a possibilidade do fim do programa.

Na quarta-feira (3), Salles e os embaixadores Nils Martin Gunneng, da Noruega, e Georg Witschel, da Alemanha, se reuniram para discutir um impasse gerado por mudanças que o governo Bolsonaro tem promovido para alterar a administração do Fundo Amazônia.

A Alemanha e a Noruega se posicionaram contra à extinção dos comitês responsáveis pela gestão do fundo, que foi oficializada pelo governo na última semana.

Os governos dos dois países também já rejeitaram publicamente a proposta de Bolsonaro de usar parte dos recursos do fundo para a indenização de pessoas que moram em áreas pertencentes a unidades de conservação da Amazônia. Essa prática, atualmente, é proibida.

As insinuações feitas pelo governo brasileiro, sem qualquer prova apresentada, de que há indícios de irregularidades em contratos do fundo também foram repudiadas pelos europeus.

Recentemente, o governo alemão decidiu reter uma nova doação ao programa, no valor de 35 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 151 milhões. O país, que já repassou R$ 193 milhões ao Fundo Amazônia, decidiu não investir novamente no programa devido às propostas do governo Bolsonaro. Conforme divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, a doação será retida enquanto o presidente brasileiro não anunciar, de maneira clara, o que pretende fazer com os recursos destinados ao principal programa de combate ao desmatamento do Brasil.


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