Empresário quer ajudar a garantir que grupo acusado de matar mais de mil onças pague por seus crimes

Por David Arioch

Letícia Filpi: “Entendemos que o acusado cometeu mil crimes ambientais, tendo em vista que, em cada caça e onça morta há conduta criminosa distinta, nos termos do artigo 69 do Código Penal” (Foto: Reprodução/PF)

O empresário e engenheiro José Corona Neto contratou recentemente o Grupo de Advocacia Animalista Voluntário de São Paulo (GAAV) para entrar com um pedido de habilitação para atuar como assistente de acusação no processo-crime contra o grupo acusado de matar mais de mil onças-pintadas no Acre.

A preocupação e motivação de Corona Neto veio após revelação dos resultados de uma série de investigações da Polícia Federal envolvendo uma rede de caçadores no Brasil.

A PF apurou que somente um dos acusados, e o mais antigo do grupo, o dentista Temístocles Barbosa Freire, praticava crime de caça ilegal desde 1987, sendo acusado de matar aproximadamente mil onças-pintadas em mais de 30 anos.

“Entendemos que o acusado cometeu mil crimes ambientais, tendo em vista que, em cada caça e onça morta há conduta criminosa distinta, nos termos do artigo 69 do Código Penal”, argumenta a advogada Letícia Filpi, do GAAV.

E reforça: “Assim, o acusado deve ser condenado pela crueldade praticada ao longo dos anos contra cada um desses seres sencientes, devendo-se somar as devidas penas.”

O Grupo de Advocacia Animalista protocolou hoje na 3ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Acre o pedido de participação no processo-crime que envolve não apenas Temístocles Barbosa Freire, mas também outros acusados de matarem de uma a três onças.

O processo lista os nomes Gilvan Souza Nunes, Sinézio Adriano de Oliveira Júnior, Gisleno José Oliveira de Araújo Sá, Manoel Alves de Oliveira, Sebastião Júnior de Oliveira Costa, Gílson Dória de Lucena Júnior, Reginaldo Ribeiro da Silva e Gersildo dos Santos Araújo. Além de onças, também são acusados de matarem ilegalmente catetos, capivaras e veados.

“O requerente, José Corona Neto, como membro da sociedade, tem legitimidade ativa para requerer participação no processo, já que os crimes praticados pelos acusados são crimes ambientais contra a fauna, que integram direitos difusos e coletivos”, explica Letícia Filpi.

E acrescenta: “Afinal, a matança de animais silvestres afeta o sistema como um todo, e atinge diretamente o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado previsto no artigo 225 da Constituição Federal.”

A intenção de Corona Neto e do GAAV, que consideram importante que os autores sejam devidamente responsabilizados em proporção à gravidade dos crimes, é abrir um precedente para que a sociedade civil seja mais participativa no processo jurídico, e que se engaje mais na luta contra a caça no Brasil.


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Casal de mergulhões adota patinho órfão

Por Rafaela Damasceno

Pesquisadores do The Loon Project (Projeto Mergulhão) foram até a cidade Long Lake, em Wisconsin, Estados Unidos, para observar os pássaros na água. Foi então que viram uma cena peculiar: uma fêmea mergulhão, ave aquática, nadando com um patinho em suas costas.

O patinho em cima do mergulhão

Foto: The Loon Project

Nenhum dos pesquisadores conheciam casos parecidos com este, mas conseguiram investigar e descobrir um pouco da história da família improvável.

Um casal de mergulhões teve seu próprio filhote, que infelizmente faleceu em pouco tempo. Com os instintos paternos fortes, o casal queria desesperadamente alguém para cuidar – foi então que encontraram o pequeno patinho órfão, e decidiram criá-lo como se fosse seu bebê biológico.

Patos costumam se apegar à primeira figura paternal que encontram, então o filhote não ofereceu nenhuma objeção ao ser adotado – pelo contrário, ele alegremente aceitou se tornar parte da nova família.

“Essa descoberta foi muito emocionante”, declarou Walter Piper, chefe do The Loon Project, ao The Dodo. “Este caso nos permite analisar a flexibilidade do comportamento dos mergulhões e do patinho”, explicou.

Os filhotes de mergulhões e os filhotes de patos são criados de maneiras completamente diferentes, mas o patinho não demonstra se importar em se adaptar às atitudes de seus pais. Ele aprendeu a mergulhar até o fundo do lago em busca de comida, comportamento que a maioria de sua espécie não possui.  Os mergulhões e patos também se alimentam de comidas diferentes, mas ele parece estar feliz em se adaptar.

Os pesquisadores não sabem dizer se, ao crescer, ele permanecerá com os mergulhões ou se juntará aos de sua própria espécie. Por enquanto, eles apenas analisam o quanto a adoção mostra que a natureza é incrível, e permanecem animados com a perspectiva de continuar a analisar a família.


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TV Assembleia de Roraima produz documentário sobre vegetarianismo e veganismo

Por David Arioch

Filme aborda vegetarianismo e veganismo e suas diferenças, e destaca que ser vegano está muito além de uma opção alimentar (Imagem: Reprodução)

No mês passado, o documentário de média-metragem “Sem carne, Por Favor!” estreou na programação da TV Assembleia, de Roraima.

Exibido em três horários no último dia 24, o filme aborda vegetarianismo e veganismo e suas diferenças, e destaca que ser vegano está muito além de uma opção alimentar.

No decorrer das filmagens de “Sem Carne, Por Favor!”, que tem duração de 28 minutos, o jornalista Johann Barbosa, diretor do documentário, se surpreendeu com a profundidade do veganismo, e também com a grande diversidade de pratos que podem ser recriados sem ingredientes de origem animal.

A produção do documentário faz parte de uma proposta da TV Assembleia de se aprofundar em assuntos considerados de grande relevância na atualidade, segundo a coordenadora da TV Assembleia, Sônia Lúcia Nunes.


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Ursos pardos de Yellowstone entram novamente na lista de espécies ameaçadas

Por Rafaela Damasceno

A espécie Ursus arctos horribilis foi classificada novamente como ameaçada de extinção, pela instituição Fish and Wildlife Service, dos Estados Unidos. Os ursos costumam viver no Parque Nacional de Yellowstone, em Wyoming.

Um urso pardo na natureza

Foto: WIKIPEDIA COMMONS

Em 2017, houve uma proposta de remoção da espécie da lista de animais ameaçados, sob o pretexto de que a população havia aumentado. O deslistamento permitiria a caça dos ursos, após quatro décadas de proibição.

Ambientalistas e tribos indígenas nativas protestaram pelo cancelamento da decisão. A juíza Dana Christensen concordou, apontando a falta de dados científicos sobre o aumento da população.

A política republicana Liz Cheney discordou da decisão da juíza, dizendo que a reinclusão dos animais na lista foi causada por uma perseguição de ambientalistas radicais que esperam destruir o modo de vida americano.

Atualmente, cerca de 2 mil ursos pardos habitam 48 estados americanos. O parque de Yellowstone abriga 700, que são mortos por caçadores constantemente, segundo a Revista Galileu.


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Piloto vegano Lewis Hamilton tem sua melhor temporada em 12 anos

Por Rafaela Damasceno

O campeão vegano de Fórmula 1 (F1) e produtor executivo do documentário “The Game Changers”, Lewis Hamilton, está tendo sua melhor temporada em quase 13 anos. O atleta segue uma dieta vegetariana estrita.

Lewis Hamilton posando para uma propaganda da Puma

Foto: Puma

Cinco vezes campeão das corridas, Hamilton não começava uma temporada tão bem desde sua estreia. O atleta aderiu ao veganismo em 2017, depois de assistir ao documentário “What The Health” – que informa sobre os perigos do consumo de carne, incluindo doenças. Desde então, Hamilton vem dando declarações sobre como o veganismo impulsionou sua carreira.

Há regulamentos de peso para atletas da Fórmula 1. No começo do ano, o piloto escreveu em seu Instagram que teve que manter seu peso estagnado em 68kg por 12 anos, mas as regras mudaram esse ano e ele pôde engordar um pouco mais. “Estou agora com 78kg e mais feliz. Foi fácil ganhar peso, e fiz isso seguindo uma dieta baseada em vegetais”.

O piloto é produtor executivo do documentário “The Game Changers”, assim como Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger. O objetivo do filme é erradicar o mito de que atletas precisam consumir carne para estar no topo das competições.

Muitas pesquisas mostram que uma dieta baseada em vegetais é mais saudável para o corpo humano e mais sustentável para o meio ambiente. Diversos atletas também relataram melhor descanso e tempo de recuperação depois de cortarem os produtos de origem animal de suas alimentações.

Hamilton creditou parte de seu sucesso nas corridas ao veganismo. “O desempenho é tudo e isso começa com o combustível ideal”, escreveu em seu Facebook, mês passado, fazendo uma analogia ao combustível que move os carros e à comida, que move o corpo humano. “Se nós queremos nos sentir bem, termos mais energia e darmos o nosso melhor, precisamos ter o combustível perfeito em nossos corpos”.

O lançamento do documentário “The Game Changers” está previsto para o dia 16 de setembro, nos cinemas.


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Guardas-florestais: heróis invisíveis da conservação da vida selvagem

Por David Arioch

“Os guardas-florestais também estão contribuindo com a construção ambiental da paz”, acrescenta Refisch (Foto: Reprodução/Facebook)

Você sabia que o número de gorilas das montanhas dobrou nos últimos 30 anos graças à proteção efetiva dos seus habitats por guardas-florestais?

“Existem muitos ângulos pelos quais podemos olhar para o importante trabalho dos guardas-florestais e ecológicos”, afirma Johannes Refisch, coordenador da Parceria pela Sobrevivência dos Grandes Primatas, do Programa da ONU para o Meio Ambiente.

“Os gorilhas das montanhas são um exemplo fantástico: nenhum gorila sequer foi morto nos últimos dez anos.”

Em novembro de 2018, a União Internacional para a Conservação da Natureza declarou que o gorila da montanha não seria mais considerado “criticamente em perigo”. A espécie foi reclassificada como “em perigo”, devido aos esforços de conservação.

“Contudo, não devemos esquecer o importante trabalho dos guardas-florestais em ‘parques (em situação) de conflito’ na República Democrática do Congo — Garama, Virunga, Maiko e Kahuzi-Biega”, aponta Refisch.

“O parque de Virunga, sozinho, perdeu 200 guardas-florestais em 20 anos.”

O Dia Mundial dos Guardas-Florestais, uma iniciativa da Federação Internacional dos Guardas-Florestais, é observado em 31 de julho para celebrar o trabalho que esses profissionais empreendem para proteger os tesouros naturais do planeta. A data lembra os guardiões do meio ambiente que foram mortos em serviço.

“Os guardas-florestais também estão contribuindo com a construção ambiental da paz”, acrescenta Refisch.

“Existe uma variedade de exemplos na África em que a gestão dos recursos naturais baseada na comunidade, combinada a uma proteção efetiva pelos guardas ecológicos, reduziu o conflito entre humanos e a vida selvagem. O trabalho da Associação das Terras do Norte do Quênia é um exemplo muito bom.”

As comunidades estão na linha de frente da conservação da vida selvagem. E elas precisam assumir o seu lugar de direito na economia da biodiversidade. Essa questão foi tema de destaque na Cúpula da Economia da Vida Selvagem Africana, realizada recentemente no Zimbábue.

“O comércio ilegal da vida selvagem beneficia muito poucos (indivíduos), mas fere tantos outros”, alerta a chefe da ONU Meio Ambiente para Vida Selvagem, Doreen Robinson.

“As evidências são claras: quando as comunidades e os guardas-florestais trabalham juntos, com o apoio dos governos e das organizações internacionais, podemos proteger a vida selvagem e garantir que os que suportam os custos de viver com a vida selvagem sejam capazes de colher os maiores benefícios.”

Em algumas regiões do mundo, os guardas-florestais estão usando equipamentos melhores para proteger o meio ambiente. Tecnologias modernas permitem a esses guardiões da natureza detectar a caça ilegal à noite e notificar atividades suspeitas para centros de controle em tempo real. Assim, contramedidas rápidas podem ser tomadas.

Governos africanos estão ampliando as suas políticas anticaça e alcançaram recentemente várias conquistas na conservação da vida selvagem.

As autoridades do Quênia, por exemplo, estão separando 300 hectares para a conservação do bongo da montanha, considerado criticamente em perigo. O Serviço da Vida Silvestre do país africano e parceiros vão criar zonas de proteção intensiva, mantidas por uma força permanente de segurança, que realizará patrulhas diárias, além de atividades anticaça e mapeamento de armadilhas.

Para gerir a atividade humana no entorno dos habitats do bongo, a instituição, o Serviço Florestal do Quênia e outras organizações vão trabalhar com associações de comunidades das florestas e com comunidades de acolhimento para conter práticas ilegais e melhorar estratégias sustentáveis, afirma a Conservação da Vida Selvagem do Monte Quênia.

Na Tanzânia, as populações de elefantes e rinocerontes aumentaram após uma dura repressão à caça.

Em Uganda, uma nova lei sobre a vida selvagem prevê multas pesadas e prisão por tempo considerável para atividades ilícitas. A legislação também fortalece o papel das comunidades no apoio à gestão da vida selvagem e no uso sustentável dos seus benefícios.


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Mais de 500 baleias morrem na caçada anual das Ilhas Faroe

Por Rafaela Damasceno

As Ilhas Faroe, na Dinamarca, estão na metade de seu massacre de baleias. Durante os meses mais quentes de cada ano, os habitantes da região matam centenas de baleias para estocar a carne e a gordura para o inverno.

O mar tingido de vermelho pelo sangue, enquanto as pessoas olham e os cadáveres são colocados na praia

Foto: ANDRIJA ILIC/AFP/Getty

Segundo o The Mirror, 23 baleias-piloto (incluindo uma grávida) foram recentemente levadas por um barco até a costa, onde foram mortas. As águas do mar passaram de um azul bonito para o vermelho sangue.

A instituição Sea Shepherd UK, que luta pela conservação da vida marinha, acredita que esta é a décima caça nas Ilhas Faroe apenas este ano. O total de baleias mortas na região em 2019 chegou a 536.

Para os habitantes das ilhas dinamarquesas, as caças são como um evento (chamadas de grinds pelos moradores), e a Sea Shepherd UK declarou sua preocupação sobre o que eles chamam de tradição estar se tornando um espetáculo.

“As ilhas Faroe costumam falar da tradição e do respeito demonstrado às baleias-piloto. Vídeos e fotografias da 10° edição de 2019 mostram que isso não é verdade”, afirmou um porta-voz da instituição. As imagens divulgadas mostram crianças brincando com os corpos, turistas tirando fotos e famílias rindo entre o massacre.

O porta-voz acrescentou que a instituição acredita que a caça é cruel e brutal. As baleias são capturadas de maneira exaustiva e muitas vezes mortas lentamente. A Sea Shepherd UK também se preocupa com o impacto que as caças causam à população de baleias-piloto.

Um relatório publicado no ano passado chamado Pequenos Cetáceos, Grandes Problemas, do Animal Welfare Institute (Instituto do Bem-Estar Animal), informou que o governo das Ilhas Faroe não estabelece limites para a captura de nenhuma espécie e há poucos estudos científicos sobre a quantidade de baleias existentes na região, o que levanta preocupações em relação às caças.


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Dezenas de ativistas protestam contra o transporte de bois vivos na Nova Zelândia

Por Rafaela Damasceno

Cerca de 50 ativistas em defesa dos direitos animais da Nova Zelândia estão protestando contra o envio de quase 5.500 bois vivos para a China. A ONG Save Animals from Exploitation (Salve Animais da Exploração ou SAFE, na sigla em inglês) está organizando os protestos no porto da cidade Napier. Ela alega que essa é a maior exportação de bois vivos em dois anos.

Ativistas protestando com cartazes

Foto: rnz.co.nz

Apesar do governo neozelandês ter ordenado uma revisão da exportação dos animais vivos em junho, o navio estava programado para deixar o porto por volta do meio dia do último domingo (4).

Mona Oliver, coordenadora das campanhas da SAFE, afirmou que todas as exportações devem ser suspensas enquanto essa revisão estiver em andamento. Segundo ela, a China tem padrões de bem-estar animal inferiores aos da Nova Zelândia, e lá provavelmente os bois serão enviados para fazendas industriais e mortos de maneira cruel.

“Até a revisão ser concluída, o Ministério das Indústrias Primárias (MPI) deve avaliar os pedidos de exportação e aprovar os aceitáveis, considerando que não houve mudança na lei”, declarou Chris Rodwell, diretor da saúde e bem-estar animal do MPI.

O Ministério também exigirá que o exportador relate como estão os animais por um mês depois que chegarem até à China.


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Peixe-boi Paty se prepara para retornar à natureza

Por David Arioch

A fêmea com quatro anos e nove meses foi levada, entre os dias 29 e 30 de julho, para o cativeiro de aclimatação em Porto de Pedras, em Alagoas (Foto: Michelly Gadelha)

De acordo com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o peixe-boi Paty está se preparando para voltar para casa. A fêmea com quatro anos e nove meses foi levada, entre os dias 29 e 30 de julho, para o cativeiro de aclimatação em Porto de Pedras, em Alagoas, na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais.

Lá, ela será preparada para a soltura, devendo se adaptar às variações das marés, interagir com outros animais do manguezal e receber alimentação natural. Paty é o primeiro encalhe de filhote vivo de peixe-boi em Alagoas, ocorrido em outubro de 2014, na praia de Pratagy em Maceió. Durante os anos de permanência no cativeiro, o animal se desenvolveu bem e hoje tem 2,48 metros de comprimento, pesando 317 quilos.

Na época, o peixe-boi foi resgatado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) e pelo Instituto Biota de Conservação, e foi transportado para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres – CRAS/ICMBio em Itamaracá (PE). As equipes ainda tentaram encontrar a mãe do filhote recém-nascido, mas ela não foi localizada.

Segundo a coordenadora-substituta do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene) e responsável pelas ações de conservação do peixe-boi marinho, Iara Sommer, é uma fêmea com comportamento bastante sociável com as outras fêmeas, contudo, mantém uma postura arisca quando se sente ameaçada, demonstrando que, apesar do tempo em cativeiro, apresenta características positivas para um animal que em breve será reintroduzido.

O transporte do peixe-boi Paty da base avançada do Cepene até o cativeiro natural em Porto de Pedras, na APA Costa dos Corais, foi realizado por via terrestre utilizando um caminhão munck, em uma piscina forrada com colchões umedecidos. A ação teve início na segunda às 23h30, com a retirada do animal do recinto, estabilização na piscina e formação do comboio com seis veículos, incluindo dois batedores e o caminhão.

O trajeto durou mais de cinco horas e durante todo o período o animal teve sua temperatura, frequência cardíaca e comportamento monitorados por uma equipe composta pela veterinária Michelly Gadelha, biólogos e tratadores.


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Ex-funcionário de matadouro que se tornou vegano fala sobre os horrores que viveu no trabalho

Foto: Tras Los Muros

Foto: Tras Los Muros

O australiano Craig Whitney teve uma infância comum em meio aos animais como muitos outros meninos que vivem no campo no país. Seu pai era um agricultor de terceira geração que vivia em Bonalbo, NSW (New South Wales).

“É comum as crianças seguirem seus pais ao redor da fazenda. Aprender como eles fazem as coisas e ficar ao seu lado”, disse ele ao Plant Based News.

Aos quatro anos, Whitney já havia testemunhado cães sendo baleados na frente dele e vacas e bois sendo marcados, castrados e “deschifrados”. “Isso meio que se tornou uma parte normal da minha vida”, ele admitiu. Quando ficou mais velho, seu pai começou a discutir com Whitney a responsabilidade de cuidar da fazenda como um fazendeiro de quarta geração.

Um padrão comum

Esse padrão parece ser comum demais para muitos agricultores australianos hoje em dia.

De acordo com a Australian Farms Association: A maioria das fazendas na Austrália ainda são empresas familiares e há fazendas que foram passadas para a família por gerações”.

Whitney conseguiu escapar dessa pressão quando entrou no mundo de assistência social devido a complicações em sua família.

Matadouro de animais

Ao completar 19 anos, Whitney foi convencido por alguns amigos para se juntar a eles e ir trabalhar em um matadouro no oeste de NSW. Na época, ele precisava de trabalho e a ideia de “trabalhar com amigos” parecia atraente.

“Minha primeira função foi trabalhar como um ‘garoto de chão’ limpando o chão do matadouro”, diz Whitney. Ele admite que trabalhar neste papel era de alto risco em relação à segurança.

Foto: L214 éthique et animaux

Foto: L214 éthique et animaux

“Passei a maior parte do tempo me esquivando de corpos enquanto tentava limpar o chão de todo aquele sangue. Antes de morrer as vacas tinham suas patas traseiras acorrentadas e a garganta cortada. Elas se moviam, agonizando bem próximo de mim”.

Rastro de sangue

Whitney lembra-se de ter sido chamado várias vezes para limpar a sujeira de “vacas tendo de contrações nervosas enquanto estavam presas por correntes”.

Vacas chutando ao agonizar após terem a garganta cortada são comuns e em fevereiro deste ano um homem foi hospitalizado na Alemanha com ferimentos graves na face após uma vaca chutá-lo no rosto devido a um impulso nervoso após ser morta. Em um comunicado, a polícia disse que a vaca foi “morta de acordo com os regulamentos da indústria”.

Alguns dos piores momentos durante os anos de trabalho de Whitney, foram quando “as vacas escaparam da “caixa de contenção”, uma vez que sua garganta já havia sido cortada.

“Eles corriam tomadas de adrenalina e medo deixando um rastro de sangue e tinham que ser baleadas”. Whitney admitiu que, de vez em quando, quando uma vaca não tinha “a garganta cortada corretamente”, ela ficava totalmente consciente durante a “hemorragia” e sangrava até a morte.

Trabalhando rápido

Durante seu tempo no trabalho, Whitney foi frequentemente forçado a trabalhar mais rápido do que o normal para atender a cota diária necessária. “Com a seca acontecendo agora (na Austrália), tenho certeza de que estaria a todo vapor. Há mais demanda do que suprimento, então é só matar o máximo de animais o mais rápido possível (para maximizar) o lucro”.

Foto: Flanderstoday

Foto: Flanderstoday

“Sempre houve acidentes em todos os matadouros em que trabalhei. Houve muitas vezes em que quase perdi meus próprios dedos. Entre os operadores de serra, tem um ditado que diz: “sempre conte os dedos.”

O mais surpreendente é que Whitney testemunhou um colega de trabalho perdendo a mão inteira seguindo as práticas padrão da indústria.

Trabalho perigoso

Parece que estes não são casos isolados de trabalhadores gravemente feridos. Em 2010, um imigrante indiano de 34 anos, Sarel Singh, foi decapitado enquanto trabalhava em um matadouro de frangos em Melbourne.

De acordo com o Daily Mail: “O Sr. Singh foi morto instantaneamente ao ser sugado por uma máquina num movimento rápido depois de ser ordenado a limpar novamente uma área de embalamento”.

Andy Meddick abordou este incidente em um discurso no Parlamento este ano representando o partido Animal Justice (Justiça Animal). “Os trabalhadores foram obrigados a voltar ao trabalho apenas algumas horas depois que o sangue de Sarel Singh foi limpado do maquinário”, disse ele.

Whitney admite: “Senti-me muito mal no início. Mas era um trabalho e eu precisava de dinheiro. Estava pagando meu aluguel na época. Depois de um tempo eu me acostumei e admiti para a mim mesmo o quanto me sentia horrorizado”.

Porta de entrada para a Austrália

De acordo com Whitney, a maioria dos seus grupos de trabalho eram chineses, indianos ou sudaneses e estavam em 457 – Trabalho Temporário (Visto Qualificado).

“Os grupos de trabalho eram migrantes em busca de uma vida melhor na Austrália”, disse ele. “É uma porta de entrada para entrar no pais” (aceitar o trabalho em matadouros e conseguir o visto de trabalho).

De acordo com Whitney, a indústria está sempre à procura de mais trabalhadores. “Sempre há trabalho nos matadouros, a industria sempre esteve e estará em busca de mais trabalhadores. Procure em um matadouro na Austrália e você encontrará trabalho”.

Parando para sempre

Em 2013, Whitney largou a indústria de carne para sempre: “As pessoas não vão a público falar sobre isso. Conseguem outro emprego e deixam a indústria de carne e isso é o fim do assunto. A indústria pode vir atrás de mim por expor tudo como eu fiz. Levou um tempo para que eu conseguisse falar a respeito”.

Em 2018, Whitney tornou-se vegana depois de ter um colapso mental e sofrer de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD).

Quando ele conheceu alguns ativistas dos direitos dos animais, sua vida melhorou. Em um post no Instagram recente, ele escreveu: “É com isso que eu sonho agora. Ativistas libertando animais e libertando-os da escravidão. Melhor do que pesadelos de bebês preciosos tendo suas gargantas cortadas pelo vício do consumidor”.

Whitney concluiu: “Se você conhece alguém que trabalha na indústria da carne, incentive-os a falar e buscar ajuda. A melhor maneira de ajudar os trabalhadores de matadouros é parar de apoiar indústrias que exploram animais, cortando carne, ovos e laticínios”.

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