Cientistas criam plástico que pode ser reciclado infinitas vezes

Por Rafaela Damasceno

Na realidade atual, muitos plásticos não podem ser reciclados de maneira eficaz. Como consequência, são descartados indevidamente e acabam em aterros sanitários ou nos oceanos, onde representam uma séria ameaça ao meio ambiente e à vida marinha.

Um macaco segurando uma garrafa de plástico

Foto: Livekindly

Recentemente, pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos, encontraram o que parece ser a solução.

Eles projetaram uma nova forma de plástico, chamada polydiketoenamine (PDK). Ele se decompõe em nível molecular, pode ser desmontado e remontado de maneiras diferentes, com texturas e cores distintas. Esse processo pode ocorrer infinitas vezes, o que anima os cientistas com a possibilidade de ser devidamente reciclado, e não descartado na natureza.

“A maioria dos plásticos não foi feita para ser reciclada”, afirmou à Forbes o principal autor do projeto, Peter Christensen. “Nós descobrimos uma maneira de juntar o plástico levando em conta a reciclagem de uma perspectiva molecular”.

A poluição plástica é um dos maiores problemas da atualidade. Estima-se que, em 2050, haverá mais lixo plástico no mar do que peixes. Diversos países estão se movendo para tentar diminuir a poluição: o Panamá, recentemente, se tornou o primeiro país da América Central a banir as sacolas plásticas, e o Canadá declarou que irá impor uma proibição do uso único do material até 2021.

“Esse é o momento exato para pensar em projetar materiais e instalações de reciclagem para permitir a reutilização do plástico”, afirmou Brett Helms, o líder da equipe de pesquisa.

Os pesquisadores planejam incorporar materiais a base de plantas no PDK futuramente, tornando o novo plástico ainda mais sustentável.


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Humanidade esgota recursos naturais renováveis mais cedo do que em toda série histórica

Nesta segunda-feira (29), a humanidade atingiu o limite da exploração de recursos naturais que poderiam ser renovados sem prejudicar o meio ambiente. A data chegou três dias antes que em 2018 e mais rápido do que em toda a série histórica, medida desde 1970.

Foto: REUTERS/Bruno Kelly

O dado é de responsabilidade da Global Footprint Network, organização internacional pioneira no cálculo da pegada ecológica, que contabiliza a quantidade de recursos que são necessários para o consumo de cada indivíduo ou população.

Para manter o mesmo padrão de consumo atual, um único planeta não basta. Seria preciso ter 1,75 planeta Terra.

Esse esgotamento indica que, daqui para frente, todos os recursos explorados pelos humanos serão completamente perdidos, sem qualquer condição de renovação por parte da natureza. Dentre esses recursos estão: água, mineração, extração de petróleo e o plantio de alimentos com esgotamento do solo. O último, apesar de ser praticado pela agricultura, tem forte relação com a pecuária, visto que a maior parte dos grãos plantados em grandes plantações, geradoras de desmatamento extenso, são destinados à alimentação dos animais explorados e mortos para consumo.

Segundo estimativas da Global Footprint Network, 60% da pegada ecológica da humanidade está relacionada à emissão de carbono. As informações são do G1.

“Sublinhar que não podemos usar 1,75 Terras por muito tempo quando só temos uma é simplesmente reconhecer o contexto da existência humana”, disse Mathis Wackernagel, coinventor da Pegada Ecológica e fundador da Global Footprint Network.

Em 1970 o planeta entrou em déficit de recursos naturais. O que significa que, desde àquela época, a humanidade está consumindo recursos além da capacidade de regeneração do planeta. A situação, no entanto, tem piorado nos últimos 20 anos, com a data-limite chegando mais rapidamente.

“Os custos deste excesso estão se tornando cada vez mais evidentes em todo o mundo, sob a forma de desflorestação, erosão dos solos, perda de biodiversidade e acumulação de dióxido de carbono na atmosfera, levando a alterações climáticas e a secas, incêndios e furacões cada vez mais graves”, diz a organização.

Cálculo da pegada ecológica

O site Foot Print Calculator permite que você calcule o impacto que os seus hábitos diários têm sobre o planeta. Para isso, basta inserir no portal dados e informações sobre o quanto você consome de carne, se come comida processada, se seu alimento é produzido localmente, entre outras.


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Medellín combate calor com corredores verdes

Por David Arioch

“Quando tomamos a decisão de plantar os 30 corredores, nós nos concentramos nas áreas que não tinham mais espaços verdes” (Fotos: Divulgação)

Medellín, na Colômbia, assim como outras cidades, enfrenta o aumento das temperaturas e o impacto das ilhas de calor urbanas. Concreto e asfalto absorvem a energia do sol, irradiando calor e mantendo a cidade muito quente – mesmo depois que o sol se põe.

Para lidar com o aquecimento, as autoridades da cidade colombiana transformaram 18 ruas e 12 hidrovias em paraísos verdes. O projeto Green Corridors (Corredores Verdes) promoveu a arborização dessas rotas, o que permitiu reduzir o acúmulo de calor na infraestrutura urbana.

A iniciativa venceu este ano o Prêmio Ashden de Refrigeração Baseada na Natureza, que é apoiado pelo Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração, em parceria com a iniciativa Sustainable Energy for All.

“Quando tomamos a decisão de plantar os 30 corredores, nós nos concentramos nas áreas que não tinham mais espaços verdes”, conta o prefeito Federico Gutiérrez.

“Com essa intervenção, conseguimos reduzir a temperatura em mais de 2°C e os cidadãos já percebem essa diferença”, acrescenta Gutiérrez.

“O projeto Green Corridors é um excelente exemplo de como a sociedade civil, urbanistas e governo podem confiar na natureza para desenvolver um projeto urbano inteligente. O monitoramento será fundamental para demonstrar ainda mais os múltiplos benefícios dessa abordagem ao longo do tempo”, avalia Juan Bello, diretor do escritório da ONU Meio Ambiente na Colômbia.

Os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C. Na Itália, a cidade de Milão — que sofreu cortes de energia devido à demanda por ar condicionado durante a onda de calor do verão — planeja plantar 3 milhões de árvores até 2050. O objetivo é combater as ilhas de calor e aumentar a qualidade do ar.

Outra solução são os telhados verdes. Existem indícios de que, em cidades como Atenas, eles podem diminuir em até 66% a demanda por resfriamento artificial nos edifícios.

“Medellín e muitas outras cidades estão mostrando como podemos mitigar e nos adaptar à mudança climática graças a soluções renováveis”, diz Martina Otto, chefe da Unidade de Cidades da ONU Meio Ambiente.

“Se o mundo estiver empenhado em cumprir as metas do Acordo de Paris, as cidades terão que buscar arduamente a implementação de tais soluções.”

Estima-se que as emissões de gases do efeito estufa geradas pelo setor de refrigeração aumentem 90% até 2050 — na comparação com dados referentes a 2017. Daqui a cerca de 30 anos, a refrigeração dos ambientes vai consumir o mesmo volume de eletricidade já consumido atualmente por todos os setores e atividades humanas na China e na Índia.

“À medida que as temperaturas globais aumentam, as dificuldades para manter os ambientes frescos estão se tornando um problema de saúde urgente, com as cidades particularmente em risco”, alerta Dan Hamza-Goodacre, diretor-executivo do Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração.

“Um planejamento urbano inteligente pode desempenhar um papel crucial no fornecimento de soluções de refrigeração, como telhados verdes e corredores verdes ou padrões mais altos de projetos de edifícios, que melhoram a eficiência e o resfriamento passivo.”


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Evento internacional em Salvador vai discutir ações de combate às mudanças climáticas

Por David Arioch

Atualmente 195 países reconhecem as mudanças climáticas como um problema sério que exige grande redução das emissões de gases do efeito estufa | Foto: Pixabay

De 19 a 23 de agosto, o centro de eventos Salvador Hall será transformado em uma “Cidade do Clima” para sediar a Semana do Clima da América Latina e Caribe 2019 (LACCW), organizada para impulsionar a resposta da região à atual emergência climática.

Sediada pelo governo brasileiro, a Semana do Clima é organizada em parceria com organizações internacionais e regionais e por Salvador (BA).

As conclusões da LACCW irão alimentar os resultados da Cúpula sobre a Ação Climática organizada pelo secretário-geral da ONU em 23 de setembro em Nova Iorque com o objetivo final de impulsionar a ambição e acelerar a implementação do Acordo de Paris e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A agenda do evento está disponível online (clique aqui), apresentando um cronograma dinâmico de atividades que demonstrarão a crescente ambição climática em toda a região, desde discussões técnicas até diálogos temáticos. Atualmente 195 países reconhecem as mudanças climáticas como um problema sério que exige grande redução das emissões de gases do efeito estufa.

As inscrições para a Semana do Clima da América Latina e Caribe estão abertas aqui.

Todas as informações de logística sobre o LACCW, incluindo detalhes sobre o Salvador Hall, estão disponíveis em inglês, espanhol e português aqui.

Oportunidades de demonstração de ações na região

Em paralelo à agenda de eventos, atores climáticos de toda a região são convidados a demonstrar soluções climáticas inovadoras através das seguintes possibilidades de engajamento:

Side Events (Eventos Paralelos) dão a oportunidade às organizações para conduzir uma sessão sobre temas alinhados com a agenda de 2019 do LACCW. O prazo para se inscrever vai até o dia 14 de julho.

Action Hub (Hub de Ação) proporciona uma plataforma para demonstração de ideias e soluções climáticas inovadoras com duração de 15 a 30 minutos em um palco no centro do espaço de exibição. O prazo para se inscrever vai até o dia 21 de julho.

Exhibition Booths (Estandes de Exposição) oferecem oportunidades às organizações para apresentar seus trabalhos durante o LACCW. O prazo para inscrição através de parceiros comerciais vai até o dia 11 de agosto.

Esquina do Conhecimento (Knowledge Corner) proporciona às organizações não governamentais, organizações juvenis e também instituições de educação a possibilidade de exibir seus trabalhos em um estande compartilhado. O prazo para a inscrição vai até o dia 21 de julho. Organizações interessadas podem se inscrever aqui.


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Mudança climática e desmatamento podem cortar Amazônia pela metade em 2050

Por David Arioch

O resultado sinistro vem de uma análise da distribuição atual de mais de 10 mil espécies arbóreas (Foto: Think Stock)

De acordo com o Observatório do Clima, a combinação entre desmatamento e mudança climática pode reconfigurar radicalmente o mapa da Amazônia em 2050. Um estudo publicado na segunda-feira (24) por pesquisadores do Brasil e da Holanda indica que esses dois fatores podem cortar a maior floresta tropical do mundo ao meio, com uma imensa porção a sudeste reduzida a fragmentos. A riqueza total de espécies de árvore pode cair em 58%, com quase metade delas sob algum grau de ameaça de extinção.

O resultado sinistro vem de uma análise da distribuição atual de mais de 10 mil espécies arbóreas, cruzada com modelos de projeção de desmatamento e com dois cenários dos modelos climáticos do IPCC, o painel do clima das Nações Unidas. Os resultados estão num artigo científico no periódico Nature Climate Change.

O grupo liderado pelo cientista ambiental Vítor Gomes, da Universidade Federal do Pará, mostrou que, embora o desmatamento seja hoje a maior causa da perda de habitat na Amazônia, nas próximas décadas ele deverá ser suplantado pela crise do clima.

No meio deste século, as motosserras e os tratores podem causar perdas de 19% (no melhor cenário) a 36% (no pior) na riqueza de espécies da Amazônia, enquanto a mudança climática causaria reduções de 31% a 37%. “O resultado nos surpreendeu”, contou o pesquisador paraense ao OC.

A explicação para isso reside na ubiquidade do clima. “O desmatamento está concentrado em determinadas faixas e seu impacto no oeste e no norte da Amazônia é menor”, afirmou Gomes. “O clima, por outro lado, age em toda a floresta, alterando a precipitação e a temperatura.”

Quando isso acontece, a área de distribuição ideal de uma espécie muda. Em geral, as criaturas impactadas pelo clima migram em busca de locais mais adequados. No caso da Amazônia, os climas mais adequados daqui a 35 ou 40 anos poderão estar a mais de 300 km das zonas de distribuição atuais das espécies.

O problema, claro, é que árvores são lentas para migrar. “A gente sempre brinca que elas não vão subir num ônibus e dizer, ‘tchau, pessoal, vamos para um lugar melhor’”, diz Gomes.

Durante os períodos secos do Holoceno, período geológico iniciado 12 mil anos atrás, comunidades de árvores da Amazônia também precisaram migrar. Isso ocorreu a uma taxa de menos de 100 quilômetros em três mil anos. Ou seja, a perspectiva de deslocamento de 300 quilômetros em 35 ou 40 anos simplesmente não existe.

Já hoje o desmatamento vem causando impactos graves na diversidade de espécies. Estima-se que a Pan-Amazônia, ou seja, o bioma em todos os seus nove países, já tenha perdido 11% de sua cobertura.

Isso causou uma perda de 7% no habitat das espécies. Para 2050, a projeção com políticas de controle de desmatamento mostra 21% de redução da floresta (e 19% na diversidade); sem controle, isso vai a 40% (e 36% de perda de diversidade).

Para a mudança climática foram considerados dois cenários: o melhor, o qual o Acordo de Paris é cumprido e o mundo esquenta menos de 2oC, causa uma perda de 31% na diversidade de espécies na Amazônia; no pior, no qual não se faz nada, esse número sobe para 37%.

Quando se somam os dois efeitos, a Amazônia literalmente quebra. Uma linha diagonal de nordeste a sudoeste passa a dividir o bioma a partir do leste do Amapá. Os maiores remanescentes de floresta permanecerão na porção noroeste.

Toda a metade sudeste consistirá de matas altamente fragmentadas, e o que sobrar estará praticamente confinado a áreas protegidas e terras indígenas. No pior cenário de desmatamento somado com o pior cenário de mudança do clima, a riqueza de espécies declinaria 65% e 22% delas estariam criticamente ameaçadas de extinção.

Ima Vieira, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi e coautora do estudo, afirma que a situação pode ser ainda pior: o trabalho, afinal, não considera os potenciais efeitos do projeto de lei do Senado 2362/2019, de autoria de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro.

O texto propõe simplesmente o fim da reserva legal nas propriedades rurais, o que autorizaria o desmatamento de 89 milhões de hectares na Amazônia. “O valor é 30 vezes maior do que prevê o pior cenário de desmatamento usado neste estudo”, afirma. “Se já ficamos assustados com os resultados dessa pesquisa, imaginem o que pode vir pela frente com esse nível de retrocesso ambiental?”

Para evitar um desastre maior do que o que o estudo já aponta, afirma a cientista, “a rede de proteção da floresta amazônica deve sempre considerar as áreas protegidas e as reservas legais, que são complementares na proteção da biodiversidade”.

As áreas protegidas, vale lembrar, também estão sob cerco, com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo-SP), propondo a revisão de 334 unidades de conservação federais e considerando reduzir 67 delas alegadamente a pedido do Ministério da Infraestrutura.


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Paraná será o primeiro estado do Brasil a gerar energia a partir de esgoto e lixo

Por David Arioch

A usina deve gerar 2,8 megawatts de eletricidade, o suficiente para começar abastecendo cerca de duas mil residências no Paraná (Foto: Getty)

O Paraná será o primeiro estado do Brasil a produzir bioenergia a partir de esgoto e lixo orgânico. A usina deve gerar 2,8 megawatts de eletricidade, o suficiente para começar abastecendo cerca de duas mil residências no Paraná.

O projeto está sendo colocado em prática pela companhia CS Bioenergia, que conseguiu licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para a geração de biogás e biofertilizante por meio de matérias-primas obtidas junto às estações de tratamento de esgoto e coleta de lixo.

A estimativa inicial é de aproveitamento de mil metros cúbicos de esgoto e 300 toneladas de lixo orgânico dos aterros.

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Representantes da agropecuária sugerem autolicenciamento ambiental para o setor

Por David Arioch

Nilvo Silva afirmou que o impacto ambiental deve ser sempre medido a partir do tipo de determinada atividade produtiva e do contexto local do empreendimento (Foto: Jim Wickens/Ecostorm)

Segundo informações desta semana da Agência Câmara, um grupo de trabalho coordenado pelo deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) quer consolidar uma proposta de lei geral de licenciamento ambiental.

A iniciativa surgiu depois que iniciativas que visavam a dispensa de licenciamento para o setor agropecuário perdeu força diante de decisões contrárias do Supremo Tribunal Federal (STF) em Tocantins e Santa Catarina.

Ainda assim, o consultor em meio ambiente da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), Rodrigo Justus, disse que o setor não pode ser submetido aos mesmos critérios de licenciamento ambiental aplicado às indústrias.

Justus alegou que isso pode fazer com que muitos produtores rurais sejam enquadrados na Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) por falta de licença, e apontou como solução o autolicenciamento ambiental, ou seja, um licenciamento automático. A ideia agradou e foi defendida por outros representantes do setor.

“Uma licença por adesão e compromisso, em que o produtor vai assumir uma listagem de obrigações em relação a agrotóxicos, adubos, saúde do trabalhador, resíduos sólidos etc. Se fiscalizada e constatada a não veracidade dessa declaração, ele será punido. É uma forma de evitar uma ilegalização em massa”, declarou.

Outra sugestão da CNA, segundo a Agência Câmara, é que o licenciamento ambiental do setor seja feito por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) criado pelo Código Florestal (Lei 12.651/12) para regularizar as propriedades no campo. A ideia foi criticada pela diretora do Instituto O Direito por um Planeta Verde, Cristina Freitas.

“Sob o ponto de vista jurídico, isso não é propriamente um licenciamento ambiental. É um mero cadastro. O licenciamento ambiental pressupõe uma análise técnica, muitas vezes multidisciplinar, levada a efeito pelo órgão ambiental. Na verdade, o que é preciso, de fato, é uma celeridade na análise desses licenciamentos.”

Pesquisador da Fundação Getúlio Vargas e ex-diretor de licenciamento do Ibama, Nilvo Silva afirmou que o impacto ambiental deve ser sempre medido a partir do tipo de determinada atividade produtiva e do contexto local do empreendimento. Para Silva, o texto em análise pelo grupo de trabalho desconsidera esse aspecto locacional:

“A questão das características de onde o empreendimento está sendo proposto está fora dessa proposta, o que fragiliza bastante.”


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Xingu registra desmatamento recorde com 13 milhões de árvores derrubadas

Um monitoramento feito pela Rede Xingu +, que recebeu o nome de Sirad X, concluiu que 13.865 hectares foram desmatados na região do Xingu que pertence ao estado do Mato Grosso. Desses, 78% foram destruídos ilegalmente, o que corresponde a 11 mil hectares ou aproximadamente 13 milhões de árvores.

“O alto percentual de desmatamento ilícito expressa a ineficácia dos instrumentos existentes de combate ao crime ambiental. Esse quadro pode piorar com a chegada da estação da seca, quando os números de desmatamento tendem a crescer”, alerta Ricardo Abad, especialista em sensoriamento remoto do Instituto Socioambiental (ISA).

Há municípios do estado de Mato Grosso, como Canarana, Cláudia, Gaúcha do Norte, Peixoto de Azevedo e Querência, que a taxa de desmatamento feito na ilegalidade atingiu 100% durante o período analisado. Na cidade de Feliz Natal, 68% de mata foi desmatada ilegalmente, mas o município foi o que mais desmatou em área: 1.572 hectares. As informações são do portal oficial do Instituto Socioambiental.

Ao ser questionada sobre os motivos que levam ao desmatamento ilegal, Ana Valdiones, analista do Instituto Centro de Vida (ICV), afirmou que “a percepção do risco que é muito baixa”. Segundo o ICV, 85% do desmatamento na parte amazônica do Mato Grosso, no ano de 2018, foi realizado de forma ilegal. As altas taxas são explicadas, também, pela morosidade no processo de regularização ambiental e pela falta de políticas públicas estaduais, segundo Valdiones. “No geral a ilegalidade continua presente. Sempre foi e continua presente”, lamentou.

Outros dados, apresentados pela Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (SEMA-MT), indicam que 98% das áreas desmatadas entre 2015 e 2016 no estado não tinham autorização para o desmate e que, entre 2016 e 2017, a taxa foi de 94%. Até o fechamento da reportagem, a SEMA não se pronunciou sobre o caso.

Apesar dos altos números relacionados a desmatamento ilegal, as autuações feitas pelo Ibama caíram 35% quando comparadas ao período de janeiro a maio de 2018.

No mês de março, foi registrado um aumento de 461% no desmatamento feito em Unidades de Conservação na bacia do Xingu, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. A Floresta Nacional (Flona) de Altamira, de jurisdição federal, foi alvo de um aumento de 550% no desmatamento em abril, com o desmate de 242 hectares devido a garimpo ilegal.

“É preocupante que, em um momento em que o desmatamento ilegal avança, a atuação do instituto fiscalizador seja reduzida. A fiscalização e responsabilização são etapas essenciais no combate às atividades ilegais”, comentou Abad.

Valdiones afirma que é preciso haver mais transparência nos dados sobre desmatamento ilegal e a promoção de iniciativas de adequação ambiental no estado. “A transparência, aliada ao uso e produção de informações a partir desses dados públicos, deixa claro quem é quem. Fica claro quem tem passivo [ambiental]”, apontou.

As áreas protegidas da região também estão em risco. Em março e abril, o desmatamento na bacia do Xingu aumentou em 156%, quando comparado aos dois primeiros meses do ano. Foram desmatados 21.495 hectares. Desse total, 19% ocorreu em áreas protegidas, isso é, terras indígenas e unidades de conservação.

A biodiversidade do Xingu, que tem uma área de 51 milhões de hectares, com 31 terras indígenas e 21 unidades de conservação, é singular e de grande importância. No entanto, o avanço do desmatamento, da grilagem, do garimpo, do roubo de madeira e da contaminação da flora por agrotóxicos ameaça a região, que abrange mais de 60 municípios do Pará e do Mato Grosso.

Desmatamento no Rio Grande do Sul

O desmatamento não se restringe ao Mato Grosso. No Sul, o pampa gaúcho está ameaçado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coletados por dois satélites, mostram que, em 2016, 43,7% da vegetação nativa foi desmatada e apenas 47,3% foi preservada. Os outros 9% representam a hidrografia da região.

Um dos seis biomas brasileiros, o pampa é restrito ao Rio Grande do Sul. E de acordo com Daniel Hanke, professor da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), que conduz uma pesquisa sobre o tema, a biodiversidade da região é imensa.

“Ao modificar um sistema que estava em equilíbrio, com os organismos trabalhando todos juntos, destruindo a vegetação, retira-se o alimento de muitos animais e o refúgio de várias espécies com funções ecológicas específicas”, explicou Hanke.

O estudo do Inpe ainda não aponta a causa do desmatamento. Hanke, no entanto, afirma que, enquanto a plantação de arroz está estabilizada e a de milho tem decrescido, o plantio de soja vem ganhando espaço. O grão é majoritariamente produzido no Brasil para alimentar animais explorados e mortos para consumo humano.

“Quando se suprime a vegetação para introduzir uma monocultura de soja, não se troca só uma planta por outra. O que se troca é um sistema que evoluiu ecologicamente para o equilíbrio por uma única vegetação”, explicou o pesquisador.

O levantamento do Inpe mostrou ainda que a maior área preserva pertence à Área de Proteção Ambiental (APA) Ibirapuitã, que foi criada em 1992 por meio de decreto federal. Outras porções preservadas, em meio a áreas desmatadas, também foram registradas.

“Essas ilhas no meio de um mar de soja aumentam a fragilidade do pampa porque a supressão começa pelas bordas. Um campo nativo de 20 hectares é menos resistente à pressão lateral do que um campo nativo de mil hectares”, comentou Hanke.

Com o desmatamento, novas estradas entre os campos são criadas. Nelas, circulam caminhões que espalham sementes do capim-annoni, que é considerado uma praga. O crescimento desse tipo de planta era controlado, no passado, por animais gigantes da pré-história, que foram extintos. Cerca de oito mil anos após a extinção deles, bois e cavalos foram trazidos ao Brasil pelos colonizadores, conforme explicam os pesquisadores Rafael Cabral Cruz, da Unipampa, e Demétrio Luis Guadagnin, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no trabalho Uma Pequena História Ambiental do Pampa, de 2010.

De acordo com Ranke, a vegetação do pampa e os bois convivem em equilíbrio, ao contrário do que acontece na Amazônia, em que grandes áreas são desmatadas para a criação de bois que, depois, serão mortos para consumo. “No pampa, não há efeitos negativos na presença desse animal. Pelo contrário, ela é desejável”, disse Hanke.

No entanto, ultimamente tem sido registrada uma queda no número de bois no pampa, o que reforça a percepção de que a soja tem tomado conta do bioma.


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Governo quer utilizar Fundo Amazônia para indenizar fazendeiros

Por David Arioch

Ricardo Salles quer modificar normas do Fundo Amazônia para que os recursos sejam destinados a indenizar fazendeiros por desapropriações de terras em áreas de proteção ambiental (Fotos: MMA/Greenpeace)

Esta semana, os senadores Jader Barbalho (MDB-PA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) criticaram no Congresso a intenção do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de modificar normas do Fundo Amazônia para que os recursos sejam destinados a indenizar fazendeiros por desapropriações de terras em áreas de proteção ambiental.

Criado em 2008, o Fundo Amazônia recebe por ano dois bilhões de reais de doações da Noruega e da Alemanha. Segundo Barbalho e Rodrigues, os recursos geridos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não podem ter outra destinação que não seja a preservação da Amazônia.

Barbalho declarou que os recursos devem continuar sendo utilizados em ações de prevenção, monitoramento, combate ao desmatamento e promoção da conservação e do uso sustentável da floresta amazônica.

“Se o governo alterar as regras e promover o uso indevido do Fundo Amazônia, poderá, inclusive, levar o Brasil a perder a credibilidade internacional e gerar prejuízos econômicos”, declarou Jader Barbalho.

Já Randolfe Rodrigues disse que centenas de ações com finalidade de preservação ambiental estão paralisadas na Amazônia enquanto o governo pensa em utilizar recursos do Fundo Amazônia para indenizar fazendeiros. “Em sua maioria grileiros de terras”, criticou o senador.

Barbalho também enfatizou que a destinação para compensação de fazendeiros é mais injustificável ainda porque o governo já tem um fundo de compensação por obras públicas de um bilhão de reais, e para ser usado exatamente em regularização fundiária.

“Não há necessidade de utilizar recursos do Fundo Amazônia para desapropriação de terras”, argumentou o senador no plenário na quarta-feira.

Por enquanto, as regras do Fundo Amazônia não permitem o uso de recursos com a finalidade desejada pelo ministro do Meio Ambiente. No entanto, o governo pode criar um decreto que altera essas normas.


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Como a África se tornou líder mundial na eliminação de resíduos plásticos

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

A África está liderando o caminho para a eliminação de resíduos plásticos por meio de várias proibições ao uso de sacos e sacolas plásticas em todo o continente, incluindo países como Tanzânia e Quênia.

A Tanzânia implementou a primeira etapa de sua proibição de sacolas plásticas em 2017, que proibia a fabricação e a “distribuição no país” de sacolas plásticas de qualquer tipo.

A segunda fase, que entrará em vigor em 1º de junho, limita o uso de sacolas plásticas para os turistas. Em um comunicado divulgado em 16 de maio, o governo da Tanzânia estendeu a proibição original aos turistas, alegando que “um balcão especial será designado em todos os pontos de entrada para a entrega de sacolas plásticas que os visitantes possam trazer para a Tanzânia”.

A proibição reconhece a necessidade de sacolas plásticas, por enquanto, em alguns cenários, como por exemplo nas indústrias médica, industrial, de construção e agrícola, bem como por razões sanitárias e de gestão de resíduos.

Sacos “Ziploc” usados para transportar produtos de higiene pessoal através da segurança do aeroporto também estão isentos da proibição, desde que os viajantes os levem de volta para casa.

África livre de plástico

A Tanzânia não é o único país africano a introduzir tal proibição. Mais de 30 países africanos adotaram proibições semelhantes, principalmente na África subsaariana, de acordo com a National Geographic.

O Quênia teve um sucesso diversificado com sua proibição, implementada em 2017. O país introduziu as mais severas punições, com os culpados enfrentando “até 38 mil dólares em multas ou quatro anos de prisão”.

No entanto, o governo não considerou alternativas à medidas, levando aos chamados “cartéis de sacolas”, grupos que negociavam e traziam sacolas plásticas de países vizinhos. A National Geographic também informou que o cumprimento da proibição não podia ser considerado totalmente confiável.

“A proibição teve que ser drástica e dura, caso contrário, os quenianos a teriam ignorado”, disse o ativista Walibia à publicação. Embora novas tentativas de ampliar a proibição não tenham sido bem-sucedidas, o país está ciente de sua responsabilidade em fazer mais.

Geoffrey Wahungu, diretor-geral da Autoridade Nacional de Meio Ambiente do Quênia, disse: “Todos estão observando o Quênia agora por causa do passo ousado que demos. Nós não estamos olhando para trás”.

Ruanda também está trabalhando duro na questão ambiental. O objetivo é ser o primeiro país livre de plástico e seus esforços estão sendo reconhecidos.

Quartz informou que as Nações Unidas nomearam a capital Kigali como a cidade mais limpa do continente africano, “graças em parte à proibição de plástico não biodegradável em 2008”.