Não há como escapar da contaminação por microplásticos

Foto: Paula Funell

Foto: Paula Funell

Por Cathleen O’Grady*

Os microplásticos estão tendo seu momento sob os holofotes, uma vez que o público está cada vez mais consciente de sua presença no ambiente ao nosso redor. Mas à medida que mais evidências de sua presença vêm à tona, fica mais claro que ainda não sabemos o quanto o problema é realmente grande ou nocivo. Uma enorme quantidade de pequenas partículas de plástico acaba no mar, mas pesquisas recentes também as encontraram em lagos e várzeas, e até mesmo na poluição do ar de grandes metrópoles.

Um novo artigo publicado na Nature Geoscience relata a descoberta de microplásticos em uma região que deveria ser primitiva: as montanhas dos Pireneus franceses. Os pesquisadores estimaram que as partículas poderiam ter viajado cerca de 95 quilômetros de distância, mas sugerem que os microplásticos poderiam viajar ainda mais longe com o vento – o que significa que até lugares relativamente intocados por humanos estão sendo poluídos por nossos plásticos.

O mistério do desparecimento do plástico

Todos os anos, milhões de toneladas de plástico são produzidas. Em 2016, esta quantidade foi estimada em cerca de 335 milhões de toneladas. Não temos ideia de onde a maior parte disso foi parar. Os montantes que são recuperados em usinas de reciclagem e aterros sanitários não correspondem ao que é realmente produzido. Alguns desses materiais permanecem em uso, às vezes por décadas, o que explica parte da discrepância. Estima-se que 10% deles acabam nos oceanos. Embora esses números ainda possam mudar com mais pesquisas, pois ainda há uma lacuna grande a ser preenchida com respostas.

Onde quer que o plástico esteja acabando sua jornada, sabemos que ele se desfaz com o tempo, se desintegrando em micropartículas com menos de 5 mm de tamanho, e algumas até quebrando em nanoescala a menos de um micrômetro (o micrômetro é uma unidade freqüentemente usada para mensurar bactérias e células – a cabeça do esperma humano tem cerca de 5 micrômetros de comprimento). O efeito que essas partículas terão em escala global à medida que continuam a se acumular não é nem remotamente entendido em sua totalidade.

A maior parte de se lidar com as conseqüências dessa questão é apenas entender onde todo esse plástico produzido acaba. Os Pirineus são o lugar ideal para avaliar até onde o material pode viajar, pois são escassamente povoados, de difícil acesso e sem atividade industrial ou agricultura em grande escala. Assim, por cinco meses, uma equipe de pesquisadores coletou amostras da estação meteorológica de Bernadouze, a 6 km da vila mais próxima. As amostras eram de “precipitação atmosférica” – qualquer coisa que caísse do céu, molhada ou seca, variando de poeira a chuva e neve.

O problema com os microplásticos estando (potencialmente) em toda parte é que a contaminação se torne uma preocupação. Fibras plásticas de roupas, recipientes e equipamentos poderiam hipoteticamente entrar nas amostras colhidas. Para evitar isso, os pesquisadores tomaram precauções, como usar roupas de algodão enquanto se aproximavam dos dispositivos de coleta de amostras, aproximando-se delas “contra o vento” e armazenando tudo em vidro. Eles também coletaram e processaram amostras “em branco” retiradas de contêineres fechados deixados no campo para checar se os plásticos encontrados nas amostras reais haviam realmente chegado até a atmosfera.

Os plásticos estão voando com o vento

Microplásticos foram encontrados em todas as amostras coletadas pelos pesquisadores – em média, 365 partículas por metro quadrado foram depositadas todos os dias. O tipo mais comum de plástico era o poliestireno, seguido pelo polietileno (o tipo de plástico usado em sacolas plásticas e embalagens descartáveis).

O número de partículas depositadas apresentou uma correlação forte com a velocidade do vento e mais partículas eram encontradas após ventos mais altos. A precipitação – tanto de vento quanto de neve – também estavam fortemente ligadas. Os pesquisadores analisaram as velocidades do vento e as direções que haviam sido registradas durante todo o estudo, e usaram isso para calcular a distância que partículas dos tamanhos que encontraram poderiam ter sido transportadas, estimando que os plásticos poderiam ter vindo de quase 100 quilômetros de distância.

Essa é uma “avaliação altamente simplificada”, observa a equipe – não leva em conta todas as diferentes variáveis atmosféricas que poderiam mudar os números. Com a evidência de que as partículas de poeira (que estão bem dentro da faixa dos tamanhos das partículas de plástico) podem viajar até 3.500 km, é possível que elas possam vir de uma distância ainda maior.

Uma pesquisa que analisa o tamanho das partículas de plástico que encontra mostra que há uma tendência das partículas ficarem mais finas ao longo do tempo. À medida que as partículas se tornam menores, aumenta sua capacidade de dispersão em toda parte. Os microplásticos já foram encontrados em todos os lugares, desde a água potável até o ar da cidade, e há evidências de partículas de plástico no fígado de peixes, sugerindo que eles poderiam passar pelos sistemas dos órgãos. Tudo isso deixa claro que a minúsculo poeira de plástico invisível está se tornando onipresente em nosso planeta. Estamos apenas começando a entender quais serão os efeitos disso.

*Traduzido por Eliane Arakaki

Dezenove hectares de floresta são desmatados por hora na Amazônia

O Brasil registrou recorde de desmatamento na Região Amazônica em 2018, superando os números registrados em toda a história do país. A situação, no entanto, só tem piorado. Se desde agosto a devastação atingia, em média, 52 hectares por dia, dados mais recentes indicam que os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, tendo sido registrada a destruição de 19 hectares de floresta por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Foto: VINICIUS MENDONCA – IBAMA

Em uma quinzena, 6.880 hectares de floresta preservada foram perdidos, o que equivale a quase 7 mil campos de futebol. O volume está próximo do desmatamento registrado na soma de todos os nove meses anteriores, entre agosto de 2018 e abril de 2019, quando 8.200 hectares foram destruídos. As informações são do O Estado de S. Paulo.

Levados ao governo, os dados foram confirmados. De acordo com dados do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que fiscaliza ações de desmatamento, uma das regiões mais devastadas é a Floresta do Jamanxim, que sofre, historicamente, com saques de madeira a partir da BR-163. A região perdeu 3.100 hectares. Os números do levantamento feito pelo Deter se referem ao desmatamento registrado em unidades de conservação, ou seja, florestas protegidas que são administradas e fiscalizadas por órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

As medições oficiais costumam ser feitas de agosto a julho do ano seguinte. No período encerrado em julho de 2018, 20.200 hectares de desmatamento foram registrado na região, batendo um recorde histórico. No ciclo atual, aberto em agosto de 2018 e levando em consideração os primeiros 15 dias de maio, o acumulado chega a 15 mil hectares, havendo a possibilidade de, ao final de julho de 2019, ser batido um novo recorde.

O ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, culpou os governos anteriores pelo desmatamento, ignorando as responsabilidades que o próprio governo tem sob o desmatamento, já que está no poder desde janeiro e poderia já ter tomado medidas favoráveis ao meio ambiente – mas fez o contrário, como provam os retrocessos cometidos na área ambiental em 100 dias de governo. O Ibama e o ICMBio, por sua vez, não responderam aos questionamentos feitos sobre o tema.

De acordo com técnicos do governo, o grande volume de desmatamento em duas semanas pode ter ligação com a meteorologia, isso porque, segundo eles, março e abril são meses muito chuvosos e a maior incidência de nuvens dificulta o uso de satélites. Com o final das chuvas, o céu se abre e a área captada aumenta. Porém, ainda de acordo com os técnicos, as taxas de devastação se referem exclusivamente ao desmatamento registrado em 2019 e a questão climática vale para os anos anteriores, que registraram números menores.

Fiscalização

Apesar da fiscalização continuar a ser realizada neste ano por agentes do Ibama e do ICMBio na Amazônia, dados obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que o número de multas diminuiu. O Ibama emitiu 850 multas entre 1º de janeiro e 15 de maio deste ano, 35% menos do que o registrado no mesmo período de 2018, quando 1.290 multas foram aplicadas. Já o ICMBio aplicou, entre 1º de janeiro e 15 de maio de 2019, 317 multas, praticamente metade do que foi aplicado no mesmo intervalo de 2018.

O MMA não comentou a redução. Ela pode, no entanto, ter relação com o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tem criticado regulamente o que ele chama de “indústria de multas”. Ambientalistas discordam do presidente e reforçam que as multas são aplicadas corretamente para punir crimes ambientais.

Em janeiro, o Ministério do Meio Ambiente colocou fim ao Departamento de Florestas e Combate ao Desmatamento, que funcionava dentro da pasta desde 2007, com 15 servidores. O órgão era ligado à Secretaria de Mudanças do Clima e Floresta, que também foi desmontada. Com o fim dela, os funcionários foram realocados. O caso também não foi comentado pelo MMA.

Antecessor de Salles rebate argumento

O argumento de Salles sobre os dados relacionados ao desmatamento registrado em 2019 foi rebatido pelo antecessor dele no Ministério do Meio Ambiente.

“Não há surpresa nessas informações. Há tristeza. Quando um governo resolve desmoralizar os agentes do Ibama, desmontar o ICMBio e acabar com as unidades de conservação, ele só está dando o sinal verde para o desmatamento”, disse Sarney Filho, hoje secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal. “Como diminuir os índices, se os instrumentos criados para combater esses crimes estão sendo desmontados pelo discurso e pela ação concreta do governo?”, completou.

Fila de multas

Multas que já tramitaram pela área técnica e administrativa e que já receberam justificativas dos autuados estão paradas no ICMBio. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, 254 autos de infração emitidos por agentes do órgão estão prontos para serem homologados pelo presidente do ICMBio, para que a cobrança dos valores seja feita.

Neste ano, a chefia do órgão não homologou nenhuma multa, conforme estabelece o regimento interno. As cobranças prontas para serem aplicadas já alcançam o valor de R$ R$ 146,2 milhões, que o órgão poderia receber. Ao ser procurado, o ICMBio não apresentou justificativas para a situação. Assim como o MMA, que também não se manifestou. Desde que assumiu o posto no ministério, Salles tem trocado todos os cargos de liderança do ICMBio e nomeado militares.

No mês passado, um decreto de 2008 foi alterado por Bolsonaro. O decreto dispunha sobre crimes ambientais e, com a mudança, passa a existir “núcleos de conciliação” para discutir as multas ambientais aplicadas pelos órgãos. A alteração também modifica o programa de conversão de multas em projetos de restauração florestal, que vinha sendo realizado pelo Ibama.

O governo justificou a mudança do decreto dizendo que “a conciliação deve ser estimulada pela administração pública federal ambiental (…) com vistas a encerrar os processos administrativos federais relativos à apuração de infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente”. Com a nova regra, o autuado poderá, após ser notificado da multa, participar de uma audiência de conciliação, caso queira, com dia e horário marcados, para discutir a aplicação da multa. Na prática, a ação diminui o número de multas aplicadas e abre margem para que mais crimes ambientais ocorram.

Bolsonaro foi multado em 2012 pelo Ibama por pescar em área protegida em Angra dos Reis (RJ). A multa nunca foi paga e, após ele se tornar presidente, foi anulada. O agente responsável por aplicar a penalidade também foi exonerado, sob ordem do presidente.

China anuncia construção de cidade com mais de 1 milhão de espécies de plantas

A China anunciou a construção do primeiro município florestal do planeta. Trata-se de uma cidade sustentável, que receberá o nome de “Forest City”, na qual serão plantadas mais de um milhão de espécies de plantas. O objetivo é combater danos ambientais.

Imagem: Stefano Boeri Architetti Milan/Reprodução

O projeto prevê a criação de uma cidade com mais de 175 hectares, que seja capaz de produzir a própria energia de forma autossustentável e que implemente medidas que evitem a poluição do ar. As informações são do portal Razões Para Acreditar.

O município está sendo construído no norte de Liuzhou, na região montanhosa de Guangxi, ao sul do país, e servirá de lar para até 30 mil pessoas. Na região, a população desfrutará de todos os serviços disponíveis em uma cidade normal, como escolas, hospitais, lojas, restaurantes, hotéis, entre outros.

Qualquer construção que for feita na cidade, desde edifícios até casas, deverão ter as fachadas repletas de plantas, para que seja possível melhorar a qualidade do ar, manter os ambientes mais frescos e criar uma espécie de isolamento acústico natural para inibir ruídos externos.

O objetivo é combater a poluição do ar através da absorção de CO2 – cerca de 10 mil toneladas por ano – e por meio da produção de oxigênio – aproximadamente 900 toneladas anuais.

Imagem: Stefano Boeri Architetti Milan/Reprodução

A cidade servirá ainda como habitat para diversas espécies de pássaros e pequenos animais, contribuindo com a biodiversidade local.

Para produzir energia, o plano é instalar painéis solares nos telhados dos imóveis, que farão a captação de energia renovável suficiente para levar luz à cidade.

O responsável pelo projeto é o reconhecido escritório de arquitetura Stefano Boeri Architetti,. A expectativa é que Forest City seja inaugurada em 2020.

Níveis de CO2 alcançam o registro mais alto desde a evolução dos seres humanos

A queima de combustíveis fósseis continua sendo o maior produtor de CO2 | Foto: Getty Images

A queima de combustíveis fósseis continua sendo o maior produtor de CO2 | Foto: Getty Images

Os níveis dos gases de efeito estufa, o prejudicial dióxido de carbono atingiram um novo marco alarmante na mais antiga estação de medição do mundo, no Havaí (EUA).

O Observatório Mauna Loa, que mede as partes por milhão (ppm) de CO2 na atmosfera desde 1958, fez uma leitura de 415,26 ppm no ar em 11 de maio – considerada a maior concentração desde que os humanos evoluíram.

O Scripps Institution of Oceanography mede os níveis de CO2 diariamente em Mauna Loa. O observatório, no maior vulcão do Havaí, foi construído para testar a qualidade do ar nas ilhas remotas do Pacífico, porque está longe dos continentes e da poluição, e a área não tem vegetação, o que pode interferir nos resultados.

As leituras formam a curva de Keeling, que mostra o rápido aumento dos níveis de CO2 na atmosfera como resultado da atividade humana.

As leituras de 1958 mostraram que a concentração de CO2 era de 313 ppm em março de 1958, e que subiu para 400 ppm em maio de 2013.

O meteorologista Eric Holthouse retweetou as leituras de Mauna Loa e disse: “Esta é a primeira vez na história da humanidade que a atmosfera do nosso planeta teve mais de 415 ppm de CO2.

“Não apenas na história registrada, não apenas desde a invenção da agricultura, há 10 mil anos. Desde antes que os humanos modernos existissem, há milhões de anos atrás.

“Não conhecemos um planeta como este”.

Ralph Keeling, diretor do programa Scripps CO2, disse: “A taxa média de crescimento continua alta.

“O aumento do ano passado provavelmente será em torno de três partes por milhão, enquanto a média recente foi de 2,5 ppm”

Ele acrescentou: “É provável que estejamos vendo o efeito das condições suaves do El Niño além do uso contínuo de combustível fóssil”.

Estima-se que a última vez que as concentrações de CO2 foram tão altas foi durante a época média do Plioceno, 2,5 a 5 milhões de anos atrás.

Durante este período, as temperaturas globais foram 2-3ºC mais elevadas do que são hoje, os níveis do mar no mundo estavam pelo menos 25m mais altos e o gelo do mar no Árctico recuou e deu lugar às florestas, onde as temperaturas do verão atingiram os 15ºC.

O acordo climático de Paris, assinado pela maioria dos países em 2015, foi projetado para tentar limitar a elevação da temperatura global média a 1,5ºC acima do que era na era pré-industrial.

No entanto, o relatório do ano passado feito pelo corpo científico das Nações Unidas, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, alertou que a quantidade de CO2 e outros gases de efeito estufa que ainda estão sendo lançandos na atmosfera significa que estamos atualmente no caminho certo para exceder 1,5ºC de aquecimento entre 2030 e 2052 se as temperaturas continuarem a aumentar na taxa atual e até 3C até o final do século.

Assim que atingimos o aquecimento 2C, o relatório disse que o mundo se tornará um lugar profundamente diferente.

Não haverá quase nenhum recife de coral remanescente, o Ártico estará completamente livre de gelo durante o verão pelo menos uma vez por década, e um grande número de animais e plantas será extinto à medida que seu habitat se torna cada vez menor.

Ondas de calor devastadoras e incêndios florestais se tornarão mais freqüentes e poderão impossibilitar a permanência de algumas partes habitadas do mundo.
O impacto para os humanos será enorme, disse o relatório, particularmente em áreas já vulneráveis ao aumento do nível do mar, como as regiões costeiras baixas de Bangladesh e Vietnã, e territórios insulares como Kiribati e as Maldivas.

Volume de aguas em ascensão expulsarão milhões de suas casas, e o rendimento das colheitas cairá dramaticamente na África subsaariana, no sudeste asiático e nas Américas Central e do Sul.

O relatório concluiu que “limitar o aquecimento global a 1,5ºC exigiria mudanças rápidas, de longo alcance e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade”.

Derretimento da Antártica é seis vezes maior do que há 40 anos

Um dos mais abrangentes estudos sobre mudanças climáticas na Antártica, feito pela Nasa, concluiu que o derretimento de gelo no continente é seis vezes maior do que era há 40 anos. Para a elaboração da pesquisa, foram usadas fotos aéreas, dados de satélites e modelos climáticos da década de 1970 em todas as regiões da Antártica.

Foto: Pixabayde olho

O derretimento do gelo já elevou o nível do mar no local em 1,4 centímetro desde 1979. Caso a situação se mantenha desta forma, o aquecimento poderá ser responsável por um aumento ainda maior futuramente. As informações são do O Globo.

Entre 1979 e 1990, segundo o estudo, o continente perdeu, em média, aproximadamente 40 bilhões de toneladas de gelo por ano. Entre 2009 e 2017, foram perdidas cerca de 252 bilhões de toneladas por ano, o que fez com que o nível dos mares subisse 3,6 milímetros a cada década.

“Nós estamos falando apenas da ponta do iceberg. Enquanto a massa de gelo da Antártica continuar a derreter, o nível do oceano deverá aumentar vários metros nos próximos séculos”, disse Eric Rigton, professor da Universidade da Califórnia, em Irvine, e autor do estudo publicado na Nature Geoscience.

A pesquisa permitiu ainda entender a confusão que levou alguns céticos das mudanças climáticas a acreditarem que o gelo da Antártica estaria aumentando, ao invés de diminuindo, como mostraram os pesquisadores. A confusão se deu devido a alguns estudos anteriores que sugeriram que a cobertura de gelo tem aumentado no leste do continente com rapidez suficiente para anular as perdas da região oeste mais visíveis, especialmente na extensão do gelo marinho. A última pesquisa indica uma contribuição significante para o aumento do nível do mar por parte de uma perda de gelo no leste do continente, mas recomenda a execução de outros estudos sobre os fatores que geram esse impacto.

“A área da Terra Wilkies, no leste da Antártica, sempre foi, no geral, um importante participante na perda de massas, mesmo nos anos 1980, como a nossa pesquisa mostrou. Essa região é provavelmente mais sensível ao clima do que tradicionalmente se supõe e isso é importante saber, uma vez que tem mais gelo do que o oeste e a península da Antártica juntos”, diz Rignot.

De acordo com os pesquisadores, não foi encontrada nenhuma mudança significativa na queda de neve no continente, mas foi constatado que o aquecimento do mar tem impulsionado uma perda de gelo acelerada, aumentando as taxas de derretimento das geleiras ao redor das bordas dos continentes.

“Na medida em que o aquecimento do clima e o esgotamento do ozônio enviam mais calor para esses setores, eles seguirão contribuindo para o aumento do nível do mar na Antártica nas próximas décadas”, explica.

Mineradora coage governo a enfraquecer medidas de preservação ambiental

Especialistas afirmam que aprovação faz parte de jogo político, e entram em desacordo com recomendações feitas por autoridades ambientais.

Foto: Colin Murty

Mineradora multinacional persuadiu o governo australiano a pular um requerimento que exigia as provas de que o projeto, destinado à uma cidade no interior do oeste da Austrália, não apresentaria riscos de extinção para nenhuma espécie que vive ali.

A canadense Cameco argumentou em novembro de 2017 que as condições propostas pelo governo para o projeto Yeelirrie seriam “complicadas demais para atender”.

O projeto foi aprovado no dia 10 de abril, um dia antes das eleições federais australianas, apresentando uma lista de diferentes condições relacionadas à proteção de espécies.

Grupos de conservação ambiental afirmam que a aprovação foi parte de um jogo político, e, que, ainda por cima entra em desacordo com as recomendações feitas pela WA Environmental Protection Authority.

De acordo com o grupo, a mina seria bloqueada por apresentar risco a 140 espécies subterrâneas de estigobiontes e troglóbios – pequenos animais que vivem em águas subterrâneas e em bolhas de ar no lençol freático.

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Mia Pepper, especialista do WA Conservation Council, diz que a mudança de condições mostrou às mineradoras uma influência desproporcional no processo de aprovação do setor ambiental.

Ela declara que uma clara condição de impedir a extinção de mais espécies foi substituída por requisitos confusos, alternando a obrigação de proteger os demais animais da empresa para o governo.

“Eu acho que público, e o departamento do governo, devem esperar que as empresas providenciem evidências de que nenhuma espécie será extinta”, afirma Pepper. “A atitude da indústria de mineração, acerca da fauna subterrânea, tem sido fraca. Sejam eles pequenos, ou bonitinhos e fofinhos indivíduos, nós devemos proteger a todos. Quem somos nós para decidir?”

Brasil liderou desmatamento de florestas primárias no mundo em 2018

O Brasil liderou o desmatamento de florestas primárias – áreas com árvores antigas que não são fruto de replantio – no mundo em 2018, segundo um relatório do Global Forest Watch, atualizado pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

Foto: Getty Images

Em todo o mundo, cerca de 12 milhões de hectares de florestas tropicais desapareceram no ano passado, o equivalente a 30 campos de futebol por minuto. Só no Brasil, foram 1,3 milhão, tornando o país o que mais perdeu árvores em 2018. As informações são do portal BBC.

Segundo o levantamento, uma área de florestas primárias equivalente ao tamanho a Bélgica foi destruída no ano anterior. O Brasil e a Indonésia juntos foram responsáveis pelo desmatamento de 46% das florestas tropicais no mundo. Em 2002, o número foi ainda maior, com 71% de desmatamento gerado pelos dois países. A redução foi responsabilidade da Indonésia, com perda de floresta primária 40% menor no ano passado que o registrado entre 2002 e 2016.

Entre os anos de 2007 e 2015, o Brasil registrou 70% de queda no desmatamento. No entanto, entre 2016 e 2017 incêndios, muitos deles intencionais, fizeram o número de áreas desmatadas aumentar.

E apesar da área de floresta primária desmatada no Brasil em 2018 – 1,3 milhão de hectares – ter sido menor do que em 2017, o número ainda está acima da média histórica do país.

“Pode parecer tentador comemorar essa queda nos últimos dois anos, mas quando observamos os últimos 18 anos, fica claro que a tendência é de alta no desmatamento. Estamos longe de vencer essa batalha”, diz Frances Seymour, do World Resources Institute, que administra o Global Forest Watch.

O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registrou, na Amazônia, aumento de 13,7% de desmatamento entre agosto de 2017 e julho de 2018, em comparação aos 12 meses anteriores. O resultado é o pior em 10 anos.

Segundo o Global Forest Wacth, várias áreas desmatadas no ano passado ficam próximas ou dentro de territórios indígenas. Mais de 4 mil hectares foram perdidos na reserva Ituna Itata, onde vivem índios isolados, devido à exploração de madeira.

Com árvores que possuíam centenas e até milhares de anos de idade, os espaços desmatados são importantes para a manutenção da biodiversidade e abrigam animais silvestres, como onças, tigres, macacos e aves. A floresta também é essencial para o controle do aquecimento global, já que armazena dióxido de carbono, conforme lembra o relatório.

“Para cada hectare perdido, estamos um passo mais próximos dos desastrosos cenários projetados para o aquecimento global”, diz Frances Seymour.

Além dos dados sobre o Brasil e a Indonésia, o levantamento mostrou a realidade de países como a República Democrática do Congo, a Colômbia, a Bolívia e o Peru, que também tiveram aumento no desmatamento de florestas primárias desde 2002.

Na Colômbia, especialmente a partir de 2016, o aumento do desmatamento é visto como um reflexo do processo de paz do governo com as Farc, guerrilha que ocupava as florestas. Com o fim da luta armada, abriu-se espaço para a exploração econômica da Amazônia colombiana.

Outro país que apresentou resultados alarmantes foi Madagascar, com perda de 2% de florestas primárias, percentual maior do que qualquer outro país tropical.

“Não é incomum que a perda de áreas de floresta seja associada à morte, porque a cada ano centenas de pessoas são assassinadas tentando impedir a atividade ilegal de madeireiros e garimpeiros”, destaca ainda Frances Seymour.

Exemplo da Indonésia

O sucesso da Indonésia em diminuir o desmatamento no país mostram como as políticas públicas podem impactar positivamente na proteção do meio ambiente.

Além disso, um acordo firmado entre a Indonésia e a Noruega, com o objetivo de promover uma compensação pela redução de emissões, também pode ter colaborado para o país passar a desmatar menos.

“Nós estamos levando a política ambiental a sério. No nosso país, várias empresas foram punidas ou receberam alertas do governo, então estamos nos esforçando para garantir o cumprimento da lei”, diz Belinga Margono, do Ministério de Meio Ambiente da Indonésia.

Comissão de Meio Ambiente aprova proibição do uso de canudos e sacolas plásticas

Por David Arioch

De acordo com o Banco Mundial, Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Projeto de Lei do Senado (PLS 263/2018), que prevê proibição do uso de canudos e sacolas plásticas, além de microplásticos em cosméticos, foi aprovado ontem pela Comissão de Meio Ambiente (CMA).

O PL é resultado de uma sugestão legislativa feita por Rodrigo Padula de Oliveira no portal e-Cidadania, e contou com 20 mil apoiadores. De acordo com a Agência Senado, o projeto recebeu pedido de urgência e agora segue para votação em Plenário.

Segundo matéria do PL, ficam proibidas a fabricação, importação, distribuição e venda de sacolas plásticas para guardar e transportar mercadorias, além de utensílios plásticos descartáveis para consumo de alimentos e bebidas – como é o caso dos canudos. A exceção é para as sacolas e utensílios descartáveis feitos com material integralmente biodegradável.

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, com produção anual de 11,3 milhões de toneladas. Desse total, apenas 1,28% é reciclado. O plástico derivado do petróleo pode levar mais de 300 anos para se decompor contra o plástico biodegradável que requer 30 a 180 dias.

Além disso, o descarte incorreto provoca a poluição do solo e da água, além da morte de animais por engasgamento ou enroscamento. Os microplásticos contidos nos cosméticos também demoram para se degradar e se acumulam nos rios e oceanos – gerando impacto no ciclo de vida e na cadeia alimentar dos animais.

Conforme informações da Agência Senado, o relatório do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), favorável à proposta, lido na reunião pelo senador Confúcio Moura (MDB-RO), menciona a situação de animais marinhos mortos por ingestão de plásticos. As tartarugas marinhas, por exemplo, são os animais mais ameaçados no Brasil por esse tipo de contaminação.

O relator do projeto destacou que substituir o plástico petroquímico pelo biodegradável de origem renovável resultará na redução do plástico encaminhado a aterros sanitários e no encurtamento do ciclo de vida do produto.

Agricultura orgânica é chave para alimentar o mundo, dizem os cientistas

Foto: Fernando Dias/ Divulgação

Foto: Fernando Dias/ Divulgação

Pesquisadores da Universidade Estadual de Washington concluíram que alimentar a população global, em constantemente crescendo, com metas de sustentabilidade em mente é possível.

A equipe de estudiosos realizou uma revisão de centenas de estudos publicados que fornece evidências de que a agricultura orgânica pode produzir rendimentos suficientes, ser lucrativa para os agricultores, proteger e melhorar o meio ambiente e ser mais segura para os trabalhadores agrícolas.

O estudo de revisão, intitulado “Agricultura Orgânica no Século 21”, é apresentado como matéria de capa da edição de fevereiro da revista Nature Plants e é de autoria de John Reganold, professor de ciência do solo e agroecologista e do doutorando Jonathan Wachter, segundo informações do Science Daily.

É o primeiro estudo desse tipo a analisar 40 anos de ciência comparando a agricultura orgânica e a convencional entre os quatro objetivos de sustentabilidade identificados pela Academia Nacional de Ciências: produtividade, economia, meio ambiente e bem-estar comunitário.

“Centenas de estudos científicos mostram agora que a agricultura orgânica deve desempenhar um papel na alimentação do mundo”, disse Reganold, principal autor do estudo. “Trinta anos atrás, havia apenas alguns poucos estudos comparando a agricultura orgânica com a convencional. Nos últimos 15 anos, esse tipo de estudo disparou”.

A produção orgânica atualmente representa apenas um por cento de todas as terras usadas para agricultura no mundo, apesar do rápido crescimento nas últimas duas décadas.

Foto: Nossa Causa/ Divulgação

Foto: Nossa Causa/ Divulgação

Os críticos argumentam há muito tempo que a agricultura orgânica é ineficiente, exigindo mais terras para produzir a mesma quantidade de alimentos. O artigo de revisão descreve casos em que os resultados do cultivo orgânico podem ser superiores aos métodos convencionais de cultivo.

“Em condições severas de seca, que devem aumentar com a mudança climática, as fazendas orgânicas têm o potencial de produzir excelentes colheitas por causa da maior capacidade de retenção de água dos solos organicamente cultivados”, disse Reganold.

No entanto, mesmo quando os rendimentos forem menores, a agricultura orgânica ainda é mais lucrativa para os agricultores pois os consumidores estão dispostos a pagar mais. Preços mais altos podem ser justificados como forma de compensar os agricultores por fornecer serviços ecossistêmicos e evitar danos ambientais ou custos externos.

Numerosos estudos na revisão também comprovam os benefícios ambientais da produção orgânica. No geral, fazendas orgânicas tendem a armazenar mais carbono do solo, têm melhor qualidade do solo e reduzem a erosão do solo.

A agricultura orgânica também cria menos poluição no solo e na água e reduz as emissões de gases de efeito estufa. Além de ser mais eficiente em termos energéticos porque não depende de fertilizantes sintéticos ou pesticidas.

Foto: Organicsnet/Reprodução

Foto: Organicsnet/Reprodução

O modo de produção também está associado à maior biodiversidade de plantas, animais, insetos e micróbios, bem como à diversidade genética. A biodiversidade aumenta os serviços que a natureza oferece, como a polinização, e melhora a capacidade dos sistemas agrícolas de se adaptarem às mudanças de condições.

Reganold disse que alimentar o mundo não é apenas uma questão de produção elevada, mas também requer o exame do desperdício de alimentos e a distribuição da comida.

“Se você analisar a produção de calorias per capita, estamos produzindo comida mais do que suficiente para 7 bilhões de pessoas agora, mas desperdiçamos de 30% a 40% disso”, disse Reganold. “Não é apenas uma questão de produzir o suficiente, mas tornar a agricultura ambientalmente correta e garantir que a comida chegue àqueles que precisam dela”.

Reganold e Wachter sugerem que nenhum tipo de agricultura pode alimentar o mundo. Em vez disso, o que é necessário é um equilíbrio de sistemas, “uma mistura de orgânicos e outros sistemas agrícolas inovadores, incluindo sistemas agroflorestais, agricultura integrada, agricultura de conservação, culturas mistas e sistemas ainda a serem descobertos”.

Reganold e Wachter recomendam mudanças nas políticas para lidar com as barreiras que impedem a expansão da agricultura orgânica. Tais obstáculos incluem os custos da transição para a certificação orgânica, falta de acesso a mão-de-obra e mercados, e falta de infraestrutura apropriada para armazenar e transportar alimentos. Ferramentas legais e financeiras são necessárias para incentivar a adoção de práticas agrícolas inovadoras e sustentáveis.

Espécies de café são ameaçadas pela mudança climática

O aquecimento global e o desmatamento estão ameaçando os oceanos, as florestas, os animais e, recentemente, foi descoberto que também afetam a maioria das espécies de café silvestre do mundo, incluindo a arábica.

Foto: : Joaquin Sarmiento | AFP

Uma nova pesquisa revelou que pelo menos 60% das espécies de café silvestres estão em risco de extinção e a mudança climática fará com que elas sejam ainda mais ameaçadas.

Com o aumento da temperatura global já apresentando riscos para os cafeicultores dos trópicos, os resultados de dois estudos publicados esta semana devem servir como advertência para produtores e apreciadores dos grãos em todos os lugares, disse Aaron P. Davis, líder sênior de pesquisa no Royal Botanic Gardens da Inglaterra, o autor dos estudos.

“Devemos nos preocupar com a perda de qualquer espécie por muitas razões, mas para o café especificamente e acho que devemos lembrar que a xícara à nossa frente veio originalmente de uma fonte selvagem”, disse ele.

Os estudos de Davis, publicados esta semana nos periódicos Science Advances e Global Change Biology, avaliaram os riscos para o café silvestre. Foram avaliadas 124 espécies selvagens e pelo menos 60% delas já estão em risco de extinção, mesmo antes de considerar os efeitos de um mundo em aquecimento.

Foto: Per-Anders Pettersson

O outro estudo aplicou projeções climáticas à espécie arábica silvestre da qual a maior parte do café cultivado é derivado, e o quadro ficou perigoso: a planta deixou de ser considerada uma espécie de “preocupação mínima” para “ameaçada de extinção”. Restrições de dados impediram os pesquisadores de aplicar modelos climáticos a todas as outras espécies, mas Davis disse que isso quase certamente pioraria a perspectiva.

“Achamos que nosso ‘pelo menos 60%’ é conservador, infelizmente”, disse ele, observando que as outras principais ameaças também podem ser agravadas pela mudança climática. “Todas essas coisas estão muito interligadas”.