Açougueiros oferecem alternativas à carne em resposta à demanda no Reino Unido

Por David Arioch

“Se eles estão olhando para a sua ingestão de carne e estão procurando algo diferente, então esta é uma ótima alternativa” (Foto: Divulgação)

O que até alguns anos atrás parecia improvável, hoje já é uma realidade cada vez mais comum. Em resposta à demanda, açougueiros no Reino Unido estão comercializando também alternativas à carne. Um exemplo é a Thurston Butchers, de Suffolk, que desde ontem (13) começou a estocar e oferecer os produtos da marca THIS, que diz criar “a alternativa à carne mais realista do mundo”.

Entre os produtos oferecidos pela empresa, e que têm atraído a atenção dos açougueiros, estão substitutos de bacon e de frango. “As pessoas provavelmente acham que é absurdo um açougueiro vender produtos veganos. Mas eu vejo isso como uma alternativa – nós realmente recebemos muitas solicitações de alternativas vegetarianas ou veganas de nossos clientes”, explica Alistair Angus, que comanda a Thurston Butchers.

Fundada por Andy Shovel e Pete Sharman, a THIS surgiu com o objetivo de incentivar o consumo de mais alimentos à base de plantas. “Fiquei francamente surpreso quando a Thurston Butchers entrou em contato. Não é todo dia que uma marca baseada em plantas consegue o endosso de tradicionalistas amantes da carne”, diz Andy Shovel.

“Se eles estão olhando para a sua ingestão de carne e estão procurando algo diferente, então esta é uma ótima alternativa”, justifica o açougueiro Alistair Angus. A THIS destaca que sua missão é conquistar principalmente os amantes da carne, e que seus produtos, que têm ervilha como um dos ingredientes principais, resultam de dois anos de pesquisa e desenvolvimento em parceria com especialistas em texturas e aromatizantes – mas sem o impacto ético ou ambiental da carne.

Os produtos da THIS já estão sendo comercializados em alguns açougues no Reino Unido e também na Holland & Barret, Ocado, Patty & Bun e Chilango.

De olho nos veganos, açougues canadenses comercializam “carnes vegetais”

A demanda por proteínas de origem vegetal está crescendo no Canadá, e assim como no Reino Unido, os açougues estão comercializando “carnes vegetais” – e não se trata de açougues veganos ou vegetarianos, mas de açougues convencionais mesmo.

Em vez de declarar guerra ao veganismo, como tem acontecido em algumas regiões do Reino Unido e da França, onde já ocorreram conflitos entre veganos e açougueiros, há quem prefira se adaptar a uma nova realidade. Exemplo disso é a Meridian Meats & Seafoods, que tem compartilhado em sua conta no Instagram as suas opções de “carnes vegetais” disponíveis em todos os seus açougues.

Ao Daily Hive, o presidente e CEO da Meridian Farm Market, Josh Penner, justificou que o papel deles é vender boa comida, que vá ao encontro dos valores pessoais dos clientes. “Eles nos dizem o que querem e estamos sempre ouvindo”, explica e acrescenta que as novas opções podem também conquistar o paladar de quem não é vegano nem vegetariano.

Essa mudança de comportamento no mercado canadense também foi estimulada recentemente pela última atualização do Guia Alimentar do Canadá, desenvolvido por médicos nutrólogos e nutricionistas.

No guia, o governo canadense qualifica oficialmente a “dieta vegana” ou “vegetariana estrita”, em referência a uma dieta sem alimentos ou ingredientes de origem animal, como saudável. Além disso, destaca a importância do consumo de vegetais e encoraja a drástica redução do consumo de alimentos de origem animal.


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Apresentador de programa rural diz que é ridículo criar lei em defesa dos animais

Por David Arioch

“Ou seja, João Batista, daqui a pouco, aquela bactéria que te incomoda, nas vias intestinais, pode ser objeto de tutela” | Foto: Divulgação

O apresentador do programa rural “Notícias Agrícolas”, do canal Terra Viva (TV Bandeirantes), João Batista Olivi, disse na semana passada que é ridículo criar lei em defesa dos animais, em referência ao controverso Projeto de Lei da Câmara (PLC) 27/2018, que classifica animais como “sujeitos de direitos despersonificados”, embora não especifique quais espécies se enquadram na criação do “regime jurídico especial” e como isso realmente pode beneficiá-los.

“Uma pauta ridícula, uma pauta absurda. Enfim, uma lâmpada, uma caneta, não são mais objetos”, comentou Olivi em tom debochado, destacando que se animais devem ter direitos, objetos também. Em uma comparação bastante desleal e desproporcional, já que animais não humanos são passíveis de dor e capazes de desenvolver relações sociais complexas, o apresentador contou com o endosso do advogado e vice-presidente da Associação Paulista de Imprensa, Antônio Fernando Pinheiro Pedro.

“Ou seja, João Batista, daqui a pouco, aquela bactéria que te incomoda, nas vias intestinais, pode ser objeto de tutela. Ou seja, o STF, que hoje cuida até do regime prisional do Lula, de repente poderá acatar um mandado de segurança do promotor da esquina para que você não tome purgante, porque afinal você vai acabar atingindo uma bactéria inocente”, declarou o advogado.

Um ponto a se considerar é que essas críticas parecem distantes da realidade do PLC, já que o projeto alvo de polêmica não deve promover mudanças práticas na situação dos animais. Inclusive o relator Randolfe Rodrigues (Rede-AP) acolheu emendas de senadores pedindo a exclusão de animais utilizados em “manifestações culturais” e também em “atividades agropecuárias”.

Ainda assim, e provavelmente para fazer sensacionalismo, o apresentador e o advogado preferiram apelar à ignorância dos espectadores:

“Imagine, nossa avó, que tantas vezes vi destroncar a cabeça de uma galinha para gente comer, fazer aquela famosa canja, imagine, a velhinha hoje seria presa, porque o militante ambientalista da esquina poderia ver ela destroncando o animal e dizer que ela não pode tratar a galinha desse jeito. Afinal, ela é um ser que tem direitos e que está inserido na Lei de Crimes Ambientais”, satirizou Antônio Fernando.

Na prática, não há nada no projeto que realmente justifique essa observação irrealista, já que animais continuarão sendo mortos, consumidos e comercializados como produtos. “É o suprassumo da desumanização da norma legal. Ou seja, o ser humano faz lei pra ele, porque quem faz lei pra natureza é Deus. Mas agora estamos nos descuidando de nós próprios para fazer lei pra natureza”, criticou o vice-presidente da Associação Paulista de Imprensa.

Ou seja, para Antônio Fernando, e se valendo de uma colocação religiosa que não cabe quando se fala em legislação em um Estado laico, o ser humano pode usar e abusar do meio ambiente, sem que para isso haja qualquer implicação sob as leis humanas. O quanto isso faz sentido em um mundo civilizado? Simplesmente não faz.

“E estabelecemos relações humanas com animais que nos servem, que nos mantêm vivos”, continuou o advogado. Bom, se há pessoas que continuam vivas e saudáveis mesmo sem matar ou consumir animais tal colocação generalizada também é irrealista.

Em síntese, o que João Batista Olivi e Antônio Fernando Pinheiro Pedro fazem ao longo de mais de 40 minutos de programa é dissimular a realidade da defesa animal apelando para recortes sensacionalistas que usam como exemplo de “prejudicados” pessoas que nem mesmo participam do agronegócio.

Eles querem convencer o espectador de que a defesa dos direitos animais ataca diretamente o “suposto direito da sua avó de matar uma galinha para fazer uma canja”. Eles não dizem que a honesta luta pela defesa dos direitos animais, que deve se estender a todos os tipos de exploração animal, se pauta principalmente na realidade massiva da exorbitante matança de bilhões de animais para consumo por ano – e sabemos que quem mais lucra nesse sistema são os grandes agropecuaristas e os grandes frigoríficos.

E fazem isso simplesmente porque não dá pra conscientizar ou sensibilizar o espectador mostrando que na realidade eles estão simplesmente defendendo os interesses do grande agronegócio, que beneficia personalidades que surgem demonizando a luta pelos direitos animais.

Dar direitos aos animais abre brechas jurídicas que podem afetar a agropecuária from Notícias Agrícolas on Vimeo.


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Cem anos depois, antas estão retornando às floresta do RJ

Por David Arioch

Projeto vai pesquisar a capacidade de dispersão de sementes e ecologia espacial feita pelas antas | Foto: Pixabay

O Laboratório de Estudos e Conservação de Florestas (Lecf) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em parceria com o Laboratório de Ecologia e Conservação de Populações (Lecp) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Laboratório de Ecologia e Manejo de Animais Silvestres (Lemas) do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), com apoio da prefeitura do Rio de Janeiro, estão conduzindo um projeto de reintrodução de animais à natureza batizado de Refauna.

Extintos nas florestas do Rio de Janeiro há mais de 100 anos, os Tapirus terrestris, também chamados de antas, começaram a voltar à natureza graças a esse projeto. No último dia 8 de agosto, mais um casal da espécie foi solto na Reserva Ecológica de Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (Regua), região metropolitana do Rio de Janeiro.

Os animais soltos são equipados com um colar com GPS e rádio transmissor, brinco de identificação e microchip embaixo da pele, para que sejam monitorados. A partir dessa reintrodução, o projeto vai pesquisar a capacidade de dispersão de sementes e ecologia espacial feita pelas antas, com a expectativa de que elas dispersem para o Parque Estadual dos Três Picos e outras áreas florestadas na região.

Para saber mais sobre o projeto e acessar a reportagem na íntegra, visite a página do Jornal Metro, clique aqui.


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Ativistas publicam carta aberta e defendem que aprovação de PL não garante mais direitos aos animais

Por David Arioch

“Em termos práticos, os animais continuarão a ser comercializados (inclusive os cães e gatos), utilizados e tratados como coisas (objetos, bens) ambientais e, além disso, entendemos que reafirma a categoria de “coisas” às espécies não contempladas por este projeto de lei”

Ativistas dos direitos animais que defendem o abolicionismo animal elaboraram e publicaram hoje Carta Aberta que se apresenta como “um meio de conscientização às diversas camadas do movimento animalista sobre o momento institucional do país e a preocupação com o risco de retrocesso envolvendo conquistas legislativas e jurídicas para os animais não humanos”. A Carta Aberta critica diversos pontos do Projeto de Lei da Câmara nº 27/2018, de autoria do deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), que acrescenta dispositivo à Lei nº 9.605/1998 para dispor sobre a natureza jurídica dos animais não humanos, e pede o seu arquivamento. O PLC foi aprovado na semana passada no Senado e enviado para a Câmara dos Deputados após receber emendas.

Confira abaixo a Carta Aberta assinada pelo Saber Animal e movimento Nação Vegana Brasil: 

Os signatários desta carta aberta, Ativistas Animalistas, Defensoras e Defensores Abolicionistas, Advogadas e Advogados Animalistas, preocupados com a gravidade do momento histórico e institucional do país e, particularmente, com o possível e iminente retrocesso da Proteção Animal Brasileira aliado com o desmonte da Política Ambiental, vêm a público ponderar, advertir e assumir compromisso com a implementação da promessa constitucional de proteção à fauna e com a democracia brasileira na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

1. PONDERAMOS à todas e todos que a Proteção Animal Brasileira vem se desenvolvendo paulatinamente ao longo das últimas décadas a nível federal, estadual e municipal nos respectivos Poderes Legislativos e também na criação de jurisprudência nos Tribunais Superiores e decisões judiciais favoráveis à defesa dos animais nos órgãos do Poder Judiciário.

2. ADVERTIMOS que o ativismo em defesa dos animais se desenvolve em várias frentes simultaneamente, na esfera judicial e administrativa, bem como através de campanhas educativas promovidas por integrantes da Proteção Animal e por Organizações Não Governamentais em Defesa Animal e é assim que viemos construindo, contínua e gradualmente, o avanço do Direito Animal Brasileiro no território nacional.

3. ADVERTIMOS que tal avanço traduz-se nas inúmeras legislações protetivas espalhadas Brasil afora e também em decisões judiciais das mais altas Cortes do país, a exemplo do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal da crueldade intrínseca da vaquejada na ADI 4983 CE e nas rinhas de galo (ADIs nº 1856 RJ e nº 2514 SC), a exemplo da proibição da farra do boi (RE 153.531 SC) e até mesmo, mais recentemente, o reconhecimento pela 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça de que os animais de companhia ou de estimação são seres sencientes (REsp 1713167 SP), além de outras decisões monocráticas que concederam guarda compartilhada.

4. ADVERTIMOS que o entendimento de parte dos juristas conservadores de que os animais estariam na categoria de “bens móveis” no atual Código Civil (e já não expressamente como “coisas” conforme a antiga redação de 1916) NÃO é impedimento para a garantia dos avanços arduamente conquistados na Proteção Animal, tampouco obstáculo para a efetiva aplicação de todo o arcabouço jurídico protetivo vigente na prática judiciária, a exemplo dos julgamentos aqui mencionados.

5. ENFATIZAMOS que todo o repertório legislativo que dá suporte à Proteção Animal Brasileira (âmbitos federal, estaduais e municipais) já considera os animais como seres sensíveis e passíveis de sofrimento, jamais os tendo considerado como coisas, portanto já são titulares de direitos.

6. ADVERTIMOS que também perante o Poder Judiciário há muito os animais não são tratados como coisas, seja devido a possibilidade de tutela jurisdicional para ações criminais (maus-tratos e crueldade), seja devido aos resultados favoráveis em ações civis oriundas de relações privadas, a exemplo da guarda compartilhada e direito de visita à animais domésticos em caso de separação conjugal.

7. ADVERTIMOS que a senciência animal já se faz implícita na Constituição da República ao proteger a fauna na redação do artigo 225, parágrafo 1º e inciso VII (direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e não submissão à crueldade), assim como também está presente em legislações esparsas (Lei Federal nº 9.605/98, Decreto-Lei nº 24.645/34, Lei Federal nº 5.197/67), dentre outras inúmeras leis estaduais e municipais que tutelam os animais.

8. ADVERTIMOS que o Projeto de Lei nº 27/18 não altera o Código Civil Brasileiro (conforme inicialmente dispunha a sua redação original no PL nº 6.799/2013) para reconhecer que “animal não é coisa” na esteira do que vem acontecendo em legislações estrangeiras, mas altera a lei penal ambiental (Lei Federal nº 9.605/98 que protege os animais dos maus-tratos) no artigo que trata da fiscalização ambiental (art. 79-B) em um desmonte da legislação de proteção animal com reflexos em todo o país, em consonância com o retrocesso ambiental em curso e em sintonia com as declaradas investidas do Governo Federal no sentido de liberação e legalização da caça esportiva de animais silvestres, fato de amplo conhecimento público.

9. ADVERTIMOS que, na hipótese de sanção do Projeto de Lei nº 27/18, não está automaticamente reconhecido a quaisquer espécies de animais o alcance a novos direitos, além dos já existentes nas legislações protetivas em vigor. Em termos práticos, os animais continuarão a ser comercializados (inclusive os cães e gatos), utilizados e tratados como coisas (objetos, bens) ambientais e, além disso, entendemos que reafirma a categoria de “coisas” às espécies não contempladas por este projeto de lei.

10. SALIENTAMOS que a justificativa apresentada no Projeto de Lei nº 27/18 é a de “afastar a ideia utilitarista dos animais” e não o utilitarismo em si (o uso propriamente dito dos animais), ou seja, o Projeto de Lei nº 27/18 não tem a intenção de afastar a objetificação dos animais. Logo, a afirmação de que os animais passariam à condição de titulares de direitos é, por dedução, incongruente. Os animais já possuem proteção e tutela do Estado e, portanto, o Projeto de Lei nº 27/18, em sendo aprovado, não terá eficácia prática protetiva e nem concederá novos direitos aos animais.

11. ADVERTIMOS que o Projeto de Lei nº 27/18, não tendo nenhuma eficácia prática que possa beneficiar, de fato, os animais, acabou por se desviar completamente de seus propósitos, transformando-se em uma manobra astuta da bancada ruralista para incrementar políticas de retrocesso na proteção animal e ambiental.

12. ENFATIZAMOS ainda que, devido aos inúmeros retrocessos ambientais que se avizinham neste momento político e institucional do país, a afirmação de que os animais possuem natureza jurídica “sui generis” (natureza “própria de seu gênero” em termos bastante vagos e imprecisos, conforme redação do Projeto de Lei nº 27/18), possivelmente abrirá um precedente extremamente perigoso na hipótese de sua sanção, na medida em que se abrirão portas para eventuais leis posteriores em prejuízo da proteção animal, com repercussões desastrosas no âmbito judicial e administrativo.

13. ADVERTIMOS que a redação constante no Projeto de Lei nº 27/18 de que somente alguns animais são seres sencientes e portanto, só estes merecedores de tutela do Estado, viola frontalmente a Constituição da República, promove o verdadeiro desmonte de todas as leis protetivas federais, estaduais e municipais e, por fim, enterra de vez a jurisprudência do STF que vinha sendo sedimentada no sentido da proteção animal (exceção ao julgamento do RE 494601 RS – sacrifício religioso), bem como viola a Declaração Universal dos Direitos dos Animais proclamada pela Unesco em 1978, indo na contramão dos estatutos jurídicos estrangeiros que não faz distinção de categorias e espécies de animais em evidente retrocesso jurídico em prejuízo da fauna.

14. ENFATIZAMOS que, com a sanção do Projeto de Lei nº 27/18, os cães e os gatos não adquirem absolutamente nenhum direito e proteção adicional além dos já existentes (vedação à crueldade e proteção legal quando sofrem maus-tratos), permanecendo na condição de “coisas” porque comercializáveis, reforçando exatamente aquilo que intenciona combater em sua justificação: a ideia utilitarista.

15. ADVERTIMOS que, além da inexistência de qualquer avanço ou eficácia prática na legislação e tutela protetiva brasileira, o Projeto de Lei nº 27/18, se aprovado, promoverá um colossal retrocesso na Proteção Animal Brasileira e, no nosso entender, prejudicará o desenvolvimento embrionário dos Direitos dos Animais no Brasil de modo que toda a fauna não contemplada estará absolutamente desamparada da proteção estatal e sem possibilidade de amparo jurisdicional, à mercê do pior.

16. ALERTAMOS que, com a aprovação do Projeto de Lei nº 27/18 por um Congresso Nacional eminentemente ruralista, os animais utilizados nas chamadas manifestações culturais terão sua “natureza jurídica” reafirmada como “coisas” de forma inexorável, eis que expressamente desabrigados da possibilidade de tutela jurisdicional, em flagrante processo de aprofundamento da ideia nefasta inserida na Constituição Federal pela Emenda Constitucional 96, cuja apreciação da constitucionalidade permanece ainda sob julgamento (ADI 5.728 e ADI 5.772). As portas do Judiciário se fecharão definitivamente para a defesa e proteção dos animais mais vulnerabilizados.

17. FRISAMOS e ADVERTIMOS ainda que o momento político atual não é o da conquista de novos direitos, mas o de impedimento de mais retrocessos que afrontam a Constituição da República, de modo a preservar os mínimos avanços conquistados pela Proteção Animal Brasileira junto às instituições do Estado.

Ante o exposto, SOLICITAMOS publicamente ao Excelentíssimo Senhor Deputado Federal Ricardo Izar (PP-SP) a RETIRADA DE PROPOSIÇÃO do Projeto de Lei da Câmara de nº 27/2018 no uso de sua prerrogativa parlamentar, com fundamento no artigo 104 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, por não implementar ou viabilizar nenhum direito que produza eficácia imediata que possa ser somado aos já existentes em toda a Legislação Protetiva Nacional e por seu absoluto desvirtuamento no decurso de sua tramitação, trazendo risco de retrocessos gravíssimos para a Proteção Animal Brasileira e para o sistema protetivo constitucional.

Nós, Ativistas, Defensoras e Defensores Animalistas, CONVIDAMOS todas e todos à reflexão das questões apontadas e ASSUMIMOS o compromisso cívico de alertar todas e todos os integrantes da Proteção Animal Brasileira, Ativistas, Defensoras e Defensores Animalistas e simpatizantes da Causa Animal acerca do delicado momento político no Brasil e de defender os mínimos avanços conquistados pela Proteção Animal em todo o país e agasalhados na Constituição da República de 1988.

Brasil, 12 de agosto de 2019.

Movimento Nação Vegana Brasil

Saber Animal


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Deputado questiona Ministério da Agricultura sobre aprovação de agrotóxicos que exterminam abelhas

Por David Arioch

“O sulfoxaflor está presente em seis dos sete agrotóxicos novos aprovados para registro pelo Mapa em julho” | Pixabay

No último dia 7, o deputado federal Jesus Sérgio (PDT-AC), enviou um requerimento ao Ministério da Agricultura pedindo esclarecimentos sobre a aprovação e registro de novos agrotóxicos que favorecem o extermínio de abelhas.

A iniciativa veio após publicação no Diário Oficial da União de 22 de julho de que mais 51 agrotóxicos foram aprovados para uso em todo o Brasil. Do total, 44 genéricos e com princípios ativos já autorizados e sete novos – um herbicida e seis inseticidas. Estes contêm o ingrediente ativo sulfoxaflor, utilizado no controle de mosca-branca, pulgão e psilídeo.

No entanto, o sulfoxaflor é apontado como responsável pelo extermínio de até 54% da população global de abelhas, segundo estudo da Universidade de Londres. “32% dos produtos que tiveram registro aprovados pelo Ministério da Agricultura este ano e que estão sendo usados nas lavouras em todo o país, são proibidos nos países da União Europeia. E 18 desses produtos são considerados altamente tóxicos”, enfatiza o deputado.

De acordo com Jesus Sérgio, insetos importantes para o ecossistema e até mesmo para a agricultura – já que naturalmente realizam a polinização das plantas – como as abelhas, mamangavas e outros besouros estão sendo mortos pelo uso excessivo de agrotóxicos.

“No primeiro trimestre deste ano de 2019, o sulfoxaflor, aprovado para comercialização no Brasil, causou a morte de 500 milhões de abelhas em quatro estados brasileiros quando estava em fase de testes. O sulfoxaflor está presente em seis dos sete agrotóxicos novos aprovados para registro pelo Mapa em julho”, reforça.

E acrescenta: “Os números mostram que o Ministério da Agricultura vem aprovando registros de agrotóxicos num ritmo acelerado esse ano, maior que em muitos anos anteriores [foram 290 registros em 2019]. Vidas humanas, de animais e insetos importantes para o equilíbrio do meio ambiente e até da produção agrícola, é o preço que o Brasil está pagando para aumentar o lucro dos grandes produtores rurais.”


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Impossible Whopper pode conter vestígios de carne

Por David Arioch

Após polêmica, empresa afirma em site que o “Impossible Whopper é preparado no mesmo equipamento usado para produtos que contêm soja.” (Foto: Divulgação)

Depois de anunciar o lançamento nacional do Impossible Whopper, o Burger King se viu em uma polêmica. Embora a rede de fast food jamais tenha classificado o novo Whopper como vegetariano, a empresa anunciou em todas as suas campanhas promocionais que o produto é 100% livre de carne e totalmente baseado em plantas – considerando que a alternativa ao hambúrguer é baseada em proteína de soja e de batata.

Porém depois que os consumidores se deram conta de que no próprio site da empresa constava que o recheio do Whopper, baseado no Impossible Burger, era preparado onde são feitos os hambúrgueres de carne bovina e frango – o que significa que é bem provável que o Whopper à base de vegetais conte com vestígios de carne, a empresa fez uma alteração no site na semana passada, informando que o “Impossible Whopper é preparado no mesmo equipamento usado para produtos que contêm soja.”

Agora se isso está realmente sendo aplicado e em todas as filiais que oferecem a mais recente opção sem ingredientes de origem animal ninguém pode provar. Segundo o jornal britânico The Mirror, um ex-funcionário confidenciou que pode acontecer dos “hambúrgueres vegetarianos ficarem encharcados em sucos de carne”. Os consumidores continuam questionando e criticando a empresa nas redes sociais, crentes de que provavelmente já consumiram o Impossible Whopper com vestígios de carne.


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Pirarucu é capturado na Amazônia para produção de botas nos EUA

Por David Arioch

Ao longo de nove meses, a doutoranda em ciência da conservação na Universidade de Adelaide, na Austrália, Sarah Heinrich, apurou 154 anúncios no Ebay envolvendo venda de couro de pirarucu.

A matéria-prima é originária do Brasil e diz respeito a 2,8 mil animais que têm seu couro visado pelo mercado de fabricação de botas nos EUA. A realidade pouco conhecida deu origem a um artigo intitulado “Of Cowboys, Fish, and Pangolins”, publicado por Sarah em junho no periódico acadêmico Conservation Science and Practice.

Segundo a autora, todo o couro de pirarucu que ela encontrou sendo comercializado na internet é baseado em peixes capturados no Brasil. Ela explica que o estudo tem o propósito de alertar para a possibilidade de o pirarucu voltar a ser uma espécie ameaçada de extinção.

Em junho, no mês em que a pesquisa foi publicada, durante operação contra pesca e caça ilegais no Mato Grosso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu 500 toneladas de peixes. Só de pirarucu capturados ilegalmente foram 224 quilos.

De acordo com a organização WWF Brasil, com o aumento da pesca comercial na Amazônia nas últimas décadas, os peixes vêm sofrendo pressão cada vez mais intensa. Isso gera impacto nas populações das principais espécies, como o pirarucu.

“A espécie corre risco de extinção devido à pesca predatória praticada ao longo de muitos anos. A reprodução natural do peixe é insuficiente para repor o número de pirarucus pescados. A exploração não sustentável fez com que o Ibama criasse em 2004 uma Instrução Normativa que regulamenta a pesca do pirarucu na Amazônia, proibindo-a em alguns meses do ano e estabelecendo tamanhos mínimos para pesca e comercialização da espécie”, informa a WWF Brasil.


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Vegano é rejeitado pela Marinha na Nova Zelândia

Por David Arioch

“Você não acha que em 2019 a Força de Defesa da Nova Zelândia deveria se voltar para o futuro?” (Foto: NZ Navy)

Este mês um homem foi rejeitado pela Marinha da Nova Zelândia após declarar que é vegano. Jack Burns, que tinha a intenção de atuar como paramédico, disse que ficou desapontado com a decisão, segundo informações do Newshub.

“Achei estranho não olharem minha personalidade ou minhas habilidades. Eles apenas deram atenção ao que eu como”, disse Burns, acrescentando que sua dieta baseada em vegetais o deixou em excelente forma física.

E acrescentou: “Tenho mais energia, estou em forma e forte. Já foi provado pela literatura acadêmica e por meio de atletas veganos que alguém pode tanto ser saudável quanto prosperar em uma dieta vegana.”

Um porta-voz da Marinha disse a Newshub que veganos não podem ser aceitos porque as Forças Armadas da Nova Zelândia não podem garantir comida adequada em treinamento e situações adversas.

“É necessário que os membros da NZDF sejam capazes de se adaptarem a ambientes hostis sem fácil acesso ao atendimento de necessidades dietéticas específicas”, argumentou.

“Aqueles que têm escolhas alimentares específicas devem estar dispostos a consumir opções alternativas (ou seja, produtos de origem animal) se sua dieta não puder ser suprida. No entanto, fornecemos tantas opções quanto possível para vegetarianos em bases e acampamentos, e em alguns pacotes de ração militar em campo.”

A justificativa foi criticada por Burns: “A Força de Defesa está na vanguarda da liderança e da inovação, e eles precisam se educar em relação aos estereótipos sobre a alimentação baseada em vegetais. Quando penso em quanto dinheiro a Força de Defesa tem, não é pedir muito. Não é mais caro preparar uma refeição baseada em vegetais. Você não acha que em 2019 a Força de Defesa da Nova Zelândia deveria se voltar para o futuro?”.


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Uma das maiores cooperativas do Brasil está pulverizando agrotóxicos com o uso de drones

Por David Arioch

Com um plano de voo delimitado, a Coopercitrus diz que o aparelho libera defensivos somente nas plantas afetadas por pragas e ervas daninhas (Foto: Coopercitrus)

Uma das maiores cooperativas do Brasil, a Coopercitrus, que possui 60 filiais em São Paulo, Minas Gerais e Goiás, somando 35 mil associados, está pulverizando agrotóxicos com o uso de drones.

O anúncio foi feito no último dia 1º durante o Fórum de Modelos Financeiros para o Agronegócio, em Bebedouro (SP), e a iniciativa foi elogiada pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. Segundo a cooperativa, as lavouras são mapeadas via drones, satélites e outras tecnologias, permitindo identificar falhas em locais de difícil acesso à plantação.

Em seguida, os drones são utilizados para pulverizar agroquímicos nas plantações. Com um plano de voo delimitado, a Coopercitrus diz que o aparelho libera defensivos somente nas plantas afetadas por pragas e ervas daninhas.

Sobre a iniciativa, a cooperativa argumenta que a técnica reduz custo da produção e diminui uso de insumos e defensivos agrícolas, além de aumentar a produtividade. Até o final de julho a Coopercitrus já havia colocado em prática o uso de drones na aplicação de agrotóxicos em mil hectares de plantação de cana-de-açúcar.

Mapa defende uso de drones na aplicação de agrotóxicos

O uso de drones no agronegócio é defendido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) como uma “tecnologia que pode substituir o pulverizador costal e que possibilita aplicação mais segura, eficiente e econômica”.

Além disso, o Mapa argumenta que agora em todo o país será possível aplicar agrotóxicos em áreas onde aviões agrícolas não são capazes de alcançar, assim como as máquinas agrícolas.

A iniciativa é resultado de uma demanda de representantes do agronegócio, e o compromisso do governo em atendê-la foi firmado em julho em Campinas (SP).


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Empresa denunciada por crueldade contra frangos no Reino Unido pertence à JBS

Por David Arioch

As primeiras denúncias contra a Moy Park este ano surgiram por iniciativa da organização Animal Equality (Imagem: Reprodução)

Em junho, a britânica Moy Park, fornecedora das grandes redes de supermercados Tesco e Sainsbury’s, foi denunciada por crueldade contra frangos no Reino Unido. Já no mês passado, a mesma empresa se viu em outra polêmica quando os jornais ingleses divulgaram que milhares de frangos estavam morrendo de calor em seus aviários.

No entanto, o que não foi divulgado nas duas ocasiões é que a Moy Park é uma empresa que pertence à Pilgrim’s Pride, dos Estados Unidos, uma subsidiária da brasileira JBS, que detém 78% de participação na empresa.

As primeiras denúncias contra a Moy Park este ano surgiram por iniciativa da organização Animal Equality, que conduziu uma investigação ao longo de dois meses. O resultado desse trabalho foi compilado em um vídeo que mostra frangos extremamente jovens debilitados e agonizando até morrer em grandes galpões.

As imagens revelam animais incapazes de ficarem em pé em decorrência de graves ferimentos. Carcaças de aves também foram deixadas por dias juntas de outros animais que seriam abatidos. “Nos deparamos com pintinhos quase mortos, lutando para respirar com apenas dois dias de vida”, enfatizou a Animal Equality.

Já em julho, milhares de frangos foram encontrados mortos e amontoados do lado de fora dos barracões da Moy Park. Como noticiado pelo jornal britânico Lincolnite, os animais morreram durante uma onda de calor. Os funcionários da Moy Park alegaram que tentaram fazer de tudo, mas que não havia mais nada a ser feito.

“Esse clima louco fez isso com eles, por favor, não transforme isso em algo ruim”, pediu um dos funcionários ao jornalista Connor Creaghan. Os frangos comercializados pela Moy Park têm certificação da Red Tractor, que supostamente garante que os produtos sejam “rastreáveis, seguros e produzidos com cuidado”.

Um porta-voz da Moy Park disse que a empresa tem uma política de tolerância zero em relação a qualquer coisa que coloque em risco à saúde e o bem-estar dos animais, e que estão avaliando tudo que foi denunciado no vídeo.


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