Esclarecimentos sobre Black e o Projeto GAP

Selma Mandruca*

Black (GAP)

Resisti muito em me manifestar através da internet sobre a questão envolvendo o chimpanzé Black, talvez por acreditar na máxima: “Não se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.”

No entanto, ao perceber que muitas pessoas, ao que parecem “de bem”, têm muitas dúvidas sobre tudo que tem sido falado e acabam sendo influenciadas por manipuladores, falsas notícias, argumentos mal colocados, decidi fazer alguns esclarecimentos.

O Projeto GAP – Grupo de Apoio aos Primatas é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, membro do Great Ape Project, que é um movimento mundial que luta pela defesa dos grandes primatas, procurando garantir-lhes os direitos básicos à vida, liberdade e não tortura.

No Brasil, desenvolvemos um trabalho de conscientização sobre a problemática mundial dos grandes primatas e sobre a importância da preservação destes seres tão especiais que são nossos parentes mais próximos. Apoiamos órgãos públicos em ações de fiscalização e trabalhamos em sintonia com diversas organizações do país e do mundo, seja para apoiar na destinação de animais, seja para buscar políticas públicas, lutar por legislação que ampare a causa animal e propor ações na Justiça em favor dos animais não humanos que dependem da nossa voz.

O projeto conta hoje com quatro Santuários Ecológicos afiliados (locais particulares que comungam dos ideais do GAP), que cuidam de aproximadamente 80 chimpanzés e centenas de outros animais provenientes de situações de maus tratos em circos, zoológicos e entretenimento em geral. Tais santuários são devidamente registrados no Ibama e Secretaria Estadual de Meio Ambiente na categoria de mantenedores de fauna silvestre (nome técnico dado pela legislação).

Há muitos anos iniciamos nossa luta pela retirada dos chimpanzés de circos, já que estes estavam em situação mais grave que os grandes primatas dos zoológicos. Vencedores desta batalha, agora podemos prosseguir no resgate dos chimpanzés que vivem em situação degradante em zoológicos, sofrendo com a exposição pública, com a solidão.

Vejam, além de seu habitat natural, nenhum outro local é ideal. Mas sabemos que, no momento, não podem voltar ao lugar de onde nunca deveriam ter sido retirados. Alguns já nasceram em cativeiro, outros não se adaptariam ao ambiente selvagem, temos também aqueles resgatados de experiências científicas, infectados. Isso sem falar no risco da caça e na destruição das florestas.

Os grandes primatas estão criticamente ameaçados de extinção e os que estão em cativeiro se convertem em importante reserva genética, mas entendemos que não temos mais o direito de transformá-los em objeto de entretenimento.

Nossa experiência com as dezenas de chimpanzés recebidos pelos santuários, nossos contatos com os santuários africanos, nos avalizam a poder falar sobre o que hoje de melhor pode ser oferecido aos grandes primatas cativos e isso é o SANTUÁRIO, onde eles são cuidados, aproximados e, mais do que tudo, podem desenvolver comportamento social da espécie, o que os mantém psicologicamente hígidos.

O Santuário dos Grandes Primatas de Sorocaba,  local para onde o Black foi destinado, a pedido das organizações que propuseram uma ação civil pública, é afiliado ao Projeto GAP. Existe há mais de 19 anos, dispõe de todas habilitações e autorizações legais e é constantemente fiscalizado pelos órgãos públicos ambientais estaduais e federais.

Recebe animais do Brasil todo e até de países vizinhos, como é o caso da chimpanzé Cecília, que veio de um zoológico da Argentina também por uma decisão judicial, assim como muitos outros que ali chegaram. Black não é uma exceção. Importante frisar que a transferência de Black contou inclusive com o apoio de uma organização internacional vinculada à ONU, o GRASP – GREAT APES SURVIVAL, da UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME.

O próprio Zoológico de Sorocaba já enviou definitivamente chimpanzés ao santuário. É o caso de Caco, em 2004. Considerado um chimpanzé problemático e irrecuperável por técnicos da área, no santuário, Caco  obteve uma melhora substancial em sua saúde mental e comportamento. O próprio Black e sua antiga companheira Rita foram enviadas de forma provisória ao santuário no passado. Logo, o próprio zoológico vê o Santuário dos Grandes Primatas como um local adequado para abrigar seus chimpanzés.

Todos os argumentos usados para persuadir as pessoas a se voltarem contra a decisão de enviar o Black ao Santuário de Sorocaba nada mais são do que os mesmos sempre usados por pessoas que têm seus interesses econômicos atingidos por ações das diversas entidades protetoras dos animais. Também é muito importante frisar que foram todos esclarecidos por uma fiscalização do Gaeco, grupo especial do Ministério Público Estadual, que contou com apoio das polícias civil, militar e ambiental, além peritos técnicos (inclusive do próprio Zoológico de Sorocaba) e foi embasada em minuciosa vistoria do local e análise de diversos documentos. A conclusão do Ministério Público, após ampla e minuciosa apuração, foi pelo arquivamento das denúncias, além do relatório AMPLAMENTE POSITIVO sobre todas as condições e o trabalho desenvolvido pelo Santuário (clique aqui para ler o relatório completo – Gaeco arquivamento).

À mesma conclusão chegou a Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Sorocaba em procedimento apuratório instaurado naquele órgão (clique aqui para detalhes – oficio 0238_2012).

Nesses relatórios, que integraram processos públicos, qualquer pessoa poderá obter respostas quanto à questões levantadas novamente com a transferência do Black como: I) alimentação, que inclui, a título de agrado, esporadicamente, algumas guloseimas; II) acordo firmado entre Ibama, Ministério Público Federal e o Santuário  para possibilitar a reprodução dos chimpanzés, mas não incentivá-la, sério dilema enfrentado pelo próprio Projeto, na medida em que o chimpanzé nascido, a princípio permanecerá cativo, mas por outro lado, como a experiência prática indica, confere ao grupo a oportunidade de estabelecer comportamento social complexo e relevante, de extrema importância ao bem estar; III) as atividades desenvolvidas pelas empresas do responsável pelo mantenedor e hoje secretário adjunto do Great Ape Project Pedro Ynterian.

Mas muito relevante é verificar como as pessoas interessadas em manter a troca de animais entre zoológicos e entre circos, são capazes de tentar sujar o nome e o trabalho de pessoas honestas, comprometidas com a conservação, preservação e fiscalização da fauna em geral.

Por fim, importante frisar que a retirada do Black aconteceu sem a necessidade de procedimento anestésico, ele está sendo muito receptivo com as veterinárias e tratadores, alimenta-se normalmente com frutas, verduras e legumes, já circula amplamente pelo recinto, podendo visualizar outros animais de maneira tranquila, sendo que sua adaptação com outros chimpanzés será feita de forma gradual e com toda segurança necessária; tendo, portanto, tudo para acontecer com sucesso.

*Presidente do Projeto GAP – Brasil

Suprema Corte e animais não humanos: obscurantismo x modernidade

Foto: Pixabay

Como mostra a matéria da Folha de São Paulo intitulada “STF julga constitucional lei que assegura abate em cultos de matriz africana” (*), a nossa Corte Suprema ofereceu à sociedade  um triste  espetáculo de irracionalidades ao legalizar a extemporânea e hedionda prática de matança de inocentes em rituais religiosos. Primeiro, porque o STF oferece argumentações sem lastro ao afirmar, por exemplo, que “o abate nessas circunstâncias é feito sem crueldade” (???); e  que “a carne serve de alimento depois do culto” (**). Entretanto, o  pior equívoco desse discurso – que visa pretensamente à igualdade de direitos e à garantia da liberdade religiosa – é a pressuposição de que tal liberdade  não poder ser exercida sem matança o que, de forma totalmente  anacrônica, ratifica  o estatuto dos animais não humanos como propriedades ou objetos, a serviço da espécie Homo sapiens.

Segundo a matéria, o ministro Marco Aurélio destaca que, “a laicidade do estado não permite o menosprezo ou a supressão de rituais religiosos, especialmente no tocante a religiões minoritárias ou revestidas de profundo sentido histórico ou social, como as de matriz africana”. Todavia, cabe aqui a pergunta: como pode um estado laico permitir que seja desrespeitada a sua Carta Magna, bem como diversos outros diplomas legais que salvaguardam os animais de maus tratos – frutos de décadas de luta por um mundo mais justo para todos – em nome de uma irrestrita “liberdade religiosa”? Como pode esse estado laico dar passagem, ainda, à perpetuação da barbárie num momento histórico no qual abundam evidências científicas acerca da natureza senciente/consciente das vítimas de tal morticínio?

Racismo religioso????

Embora o STF negue tratamento privilegiado nesse caso, o que seria uma ofensa ao princípio da isonomia, o que esta em pauta é paradoxalmente isso, o privilégio. De acordo com a matéria, o ministro Fachin afirma que as religiões de matriz africana precisam de proteção especial do estado, por serem estigmatizadas devido à existência de um preconceito estrutural. Embora essa afirmação esteja corretíssima, a pergunta crucial é se essa proteção açambarca necessariamente o direito a práticas tipificadas como crimes. Lamentavelmente, como suposto “corolário” da negação de tal “direito”, alega-se racismo religioso.

Na matéria, o advogado Hédio Silva Júnior, falando em nome da União de Tendas da Umbanda e Candomblé do Brasil, reclama que “a vida da galinha da macumba vale mais do que as vidas de milhares de jovens negros que, segundo ele, não são objeto de comoção social. Entretanto, trata-se de uma falsa dicotomia, de uma pergunta enganosa que só pode desembocar em respostas equivocadas. Os vivissecionistas também são mestres em colocar pseudo dilemas entre a escolha de quem vive: um animal ou uma “criancinha”, como se esse fosse o cerne do problema. Muitos nativos da Ilha de Santa Catarina e do litoral catarinense também se insurgem contra a proibição da macabra farra do boi alegando perseguição contra a sua tradição cultural e outros argumentos espúrios.

Pão e circo

Uma galinha ou um jovem negro? Os jovens negros de periferias não serão empoderados por possuírem licenças para matar seres indefesos. Serão genuinamente empoderados quando tiverem acesso a boas escolas e tiverem perspectivas de vida, ao nascer, iguais às das demais classes sociais, sobretudo as que são hoje favorecidas por um processo social e histórico secular que promoveu a desigualdade e a injustiça.

Ainda na mesma matéria, o ministro Barroso assevera que não se trata de conceder privilégios, mas de assegurar os mesmos direitos (sic). Todavia, se num futuro próximo os tupinambás ou outros povos autóctones deste Brasil – também alvos permanentes de massacres étnicos e discriminações culturais – reivindicarem a legalização de sacrifícios humanos e outras práticas ancestrais, como o canibalismo, o que dirá o STF? Certamente se pronunciará pela proibição, alegando a não comensurabilidade/identidade/pertinência entre as práticas (humanos x “animais”).

Isso, contudo, só evidencia que o que está na mesa de discussão não é o racismo, mas outra forma de preconceito, o especismo. Para quem advoga o abolicionismo animal como parte da luta pela construção de um mundo melhor para tod@s, resta apenas concluir que, em vez de promover lutas que unificam diferentes grupos sociais em direção a um futuro comum mais justo, tanto os que advogam a chacina de seres indefesos, quanto o STF, brindam a todos com uma bela provisão de “pão e circo”.

É impressionante aquilatar como tem razão, lamentavelmente, o biólogo Richard Dawkins, em seu livro “The God Delusion”, quando defende a existência de um poder corruptor das religiões sobre o que é coerente e justo.

(*): https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/03/stf-julga-constitucional-lei-que-assegura-abate-em-cultos-de-matriz-africana.shtml;

(**): Já presenciei diversas vezes a exposição de cadáveres de animais, de diferentes espécies, apodrecendo a céu aberto em encruzilhadas, ou seja, em espaços públicos, acessíveis a crianças e pessoas que discordam dessas práticas.

 

Quando os fazendeiros se tornam veganos: a ciência por trás da mudança

Sivalingam Vasanthakumar planeja plantar hortaliças. Foto: Kumar’s Dosa Bar/SWNS

Há pouco tempo, um fazendeiro estava em seu caminho na estrada em direção ao matadouro quando decidiu dirigir seu trailler cheio de ovelhas por mais 320 km até um santuário de animais. Sivalingam Vasanthakumar, 60 anos, de Devon, agora planeja cultivar hortaliças.

Vasanthakumar não é o único agricultor a fazer esse tipo de inversão. Em 2017, Jay Wilde, da fazenda Bradley Nook, em Derbyshire, levou seus animais a um santuário e decidiu se tornar um agricultor vegano (o filme que conta essa história, 73 Cows (em português, 73 Vacas), foi indica-do a um prêmio da Bafta). Nos Estados Unidos, a instituição Free From Harm, em Illinois, reuniu histórias de muitos agricultores que tiveram esse tipo de epifania e resolveram se voltar para o veganismo.

Os agricultores sabem do que seu trabalho se trata quando começam a fazê-lo – então o que costuma causar uma reviravolta tão grande? “Trata-se de uma dissonância cognitiva básica”, diz a coach Fiona Buckland. Isso ocorre quando “a maneira como você está vivendo sua vida já não está totalmente alinhada com o modo como você se sente”, e os valores pessoais não estão alinhados com suas práticas.

A dissonância cognitiva ocorre quando a pessoa não consegue mais sustentar determinado mal-estar e isso a instiga a mudar. “É a razão pela qual alguém se senta à mesa e pensa: ‘Eu não posso mais fazer isso’, ou decide terminar um casamento”, diz Buckland. “A dissonância cognitiva é muito grande. É preciso haver um alinhamento das ideias”.

Mesmo decisões aparentemente precipitadas – como mudar o destino no meio de uma jornada, como fez Vasanthakumar– “se infiltram em nosso inconsciente” por semanas, meses ou anos. “Talvez ele tenha levado a si mesmo ao matadouro muitas vezes”, acrescenta Buckland com ironia. Ela descreve o redirecionamento de Vasanthakumar como “um momento de solução criativa para seus problemas”: aqui estão algumas ovelhas que gostaria de manter vivas, aqui está um santuário que as receberá.

Stephen Palmer, membro da Sociedade Britânica de Psicologia, afirma que, apesar de o ano ter começado há pouco tempo, tais decisões podem ser o resultado das promessas de janeiro. A meia-idade, diz ele, é uma época clássica em que as pessoas “buscam um novo propósito e significado”. No entanto, muitas vezes essas reflexões não ocorrem quando os humanos param para refletir, mas enquanto enchem a máquina de lavar roupa ou estão na fila do supermercado.

“Sua perspectiva de vida pode dar um salto repentino”, explica o psicólogo Mike Hughesman. Uma pessoa que estava acostumada com o que faz de repente percebe que não quer mais fazer aquilo. (O próprio Hughesman foi vegetariano por um período, quando não conseguia encarar o fato de estar comendo algo senciente.)

“As pessoas precisam pensar mais, e não serem atropeladas por sua rotina. Se algo não parece certo, pare e pense”, diz ele. “Às vezes você tem de se fazer essas perguntas cruciais.”

Um cachorro é para a vida, não apenas para o jantar

Jasper, um cão de terapia residente, encontra a imprensa na Biblioteca de Direito Lui Che Woo no Campus do Centenário Pok Fu Lam | Foto: Jonathan Wong

Numa cidade cosmopolita como Hong Kong onde nosso foco pode rapidamente recair sobre a construção de uma carreira de sucesso, ter uma florescente vida social ou talvez até possuir uma propriedade, também é importante que estimulemos nosso próprio bem estar emocional.

Para muitos, companheiros podem preencher esse buraco e não necessariamente precisa ser outra pessoa. Para alguns, cães são melhores companheiros porque o vínculo é simples e direto.

Esses amigos de quatro patas podem reduzir o estresse, combater a solidão, fazer-nos rir e no geral são bons para nossa saúde mental. Um cão nos dará seu amor e sua lealdade incondicionalmente e sempre seremos sua prioridade.

Em diversas partes do mundo cães são classificados legalmente como animais de suporte emocional e têm sido globalmente reconhecido que cães podem prover significantes benefícios aos humanos como companheiros porque eles podem ajudar as pessoas a nutrir conexões emocionais, aliviar ansiedade e outros pensamentos negativos em tempos de crise.

Existem até evidências que mostram que animais de suporte podem ajudar a melhorar a saúde de pacientes e é por isso que frequentemente vemos cães de terapia visitando hospitais ou centros de saúde para ajudar a promover a cura e recuperação.

Muitos de nós sabemos quão importantes são os cães em nossas vidas, mas poucos se certificam que esse fato da vida seja ouvido em toda parte.

Contudo algo extraordinário tomou conta durante o recente encontro Two Sessions em Beijing, os debates entre os dois principais corpos políticos da China – o Conferencia Consultiva Política do Povo Chinês (Chinese People’s Political Consultative Conference , CPPCC) e o Congresso Nacional do Povo (National People’s Congress , NPC).

Durante uma dessas reuniões paralelas, Guo Changgang, membro do CPPCC e também diretor do Instituto de Estudos Globais da Universidade de Shangai, apresentou uma proposta legislativa para classificar cães como animais de companhia para elevar o status destes para então dá-los a proteção apropriada contra o abuso e a crueldade. Isso também lhes daria proteção legal contra o abate para alimentação.

Guo também acredita que na era da globalização a ação de um país sobre proteção animal afetará diretamente a imagem na comunidade internacional. E como a comunidade internacional geralmente considera cães como os melhores amigos do homem, seria altamente desejável ver a China fazendo a coisa certa que é dar aos cães o status de animais de companhia.

Mês passado, uma empresária chinesa, Yang Fenglan, apelidada de Rainha do Marfim, foi sentenciada a 15 anos de prisão pela corte da Tanzânia por sua participação no tráfico de presas da caça de mais de 400 elefantes.

Após sua sentença, o Ministro das Relações Exteriores da China emitiu uma declaração dizendo que o país sempre deu grande importância à proteção de animais e plantas selvagens ameaçadas de extinção.

Apesar de ter sido um passo na direção certa, ainda temos muito trabalho a ser feito a respeito da proteção animal na China, especialmente quando se trata de cachorros.
Um exemplo flagrante é o Festival de Carne de Cachorro de Yulin onde 100.000 cães são comidos anualmente.

Como a segunda maior economia mundial, a China tem uma enorme responsabilidade ao desempenhar um papel de liderança na formação de valores globais e elevar o nível de promoção dos direitos animais e da proteção animal.

De acordo com Guo, aproximadamente 70% dos animais consumidos anualmente no país são animais domésticos roubados. E um dos métodos mais comuns para caçá-los é atirar com dardos envenenados. Segue sem dizermos que este é um fato, esta carne de cachorro pode não ser segura para o consumo humano.

O último movimento de Guo é só o primeiro de vários passos para a mudança da lei que classifica os cães como animais de companhia na China. Em tempo, nós poderíamos pegar a sugestão de Guo e ajudar a mudar a percepção geral da visão de que os cães não são só animais de estimação ou propriedade, mas entidades vivas como membros da família ou nossos companheiros de uma vida.

O resultado ideal seria se a China classificasse legalmente os cães como animais de companhia. Ao fazer isso, o país não só demonstraria seu compromisso irrevogável com a proteção dos cães, mas que também respeitaria toda forma de vida senciente.

Isso seria mais adequado a uma superpotência global que quer continuar exercendo incontestável influência no cenário mundial.

Essa mudança de atitude do governo sobre o bem-estar animal também seria um exemplo para seus cidadãos. Isso não quer dizer que a China se tornará a líder dos direitos dos animais a qualquer momento, mas certamente é um passo em direção a um mundo melhor para nossos amigos de quatro patas.

*Luisa Tam é editora sênior do South China Morning Post

Este artigo apareceu na edição impressa do South China Morning Post como: Um mundo melhor para os animais se os cães fossem reconhecidos como companheiros.

Todos contra a caça!

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Breve histórico da proteção à fauna nativa

A fauna nativa brasileira tem sido protegida legalmente da caça há mais de 50 anos, quando a Lei Federal n° 5.197, de 3 de janeiro de 19671 revogou o Decreto-Lei no. 5.894 de 20 de outubro de 1943, o antigo Código de Caça. Em seu Artigo 1º, a Lei 5.197/1967 estabeleceu que “os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha”.

Além disso, a Constituição Federal de 05 de outubro de 19882 corroborou com a lei de proteção contra a caça, determinando em seu Artigo no. 225 que o Estado deve “VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”.

Finalmente, a Lei Federal no. 9605 de 12 de fevereiro de 19983 estabeleceu como crime contra a fauna, em seu Artigo 29, “Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”.

Ameaça contra a biodiversidade

Mesmo com todo o arcabouço legal de proteção à fauna nativa no Brasil, uma série de tentativas recentes a favor da caça tem ameaçado a biodiversidade brasileira. Em resposta, vários setores da sociedade começaram a se mobilizar no início de 2017 para fazer resistência e oposição a este conjunto de projetos de lei, apresentados por vários deputados federais a partir de 2014 e direcionados para a caça de animais silvestres (da fauna nativa brasileira), bem como a sustação das Listas Nacionais de Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção.

Dois movimentos, o Movimento Todos Contra Caça (Figura 01) e a Aliança Pró Biodiversidade – APB (Figura 02), foram formados para esta finalidade, aglutinando técnicos e pesquisadores das ciências naturais (Biologia e Medicina Veterinária, principalmente), associações ambientalistas e de defesa dos animais, artistas e formadores de opinião.

O dia 31 de janeiro de 2019 representou um grande alento para estes dois movimentos e uma esperança para minimizar os grandes impactos à nossa fauna e biodiversidade como um todo, caso estes projetos acima citados sejam aprovados no Congresso.

Arquivamento dos projetos de lei a favor da caça

Conforme previsto no Artigo no 105 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, ao final de uma legislatura e início de outra (ciclo de quatro anos de mandato dos deputados), todos os projetos de lei – exceto poucas exceções elencadas no corpo do art.) são automaticamente arquivados. Entre estes se enquadram os projetos extremamente impactantes para a biodiversidade brasileira, que citamos:

1) Projeto de Lei (PL) nº 6.268/20164, de autoria do ex-deputado Valdir Colatto (MDB/SC), atual chefe do Serviço Florestal Brasileiro (que transferido do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura), que regulamenta (LIBERA) a caça de animais silvestres no Brasil e autoriza a implantação das fazendas de caça (art. 15);

2) Projeto de Lei Complementar (PLC) da Câmara nº 436/20145, de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB/SC), que modifica a Lei Complementar nº 140/2011, para incluir a CAÇA de animais silvestres como uma mera decisão administrativa de cada um dos 26 Estados e do Distrito Federal;

3) Três Projetos de Decretos Legislativos (PDC) de Sustação de Atos Normativos do Poder Executivo: 01. PDC 03/20156 do ex-deputado Nilson Leitão (PSDB/MT), 02. PDC 36/20157 do deputado Alceu Moreira (MDB/RS) e 3. PDC 427/20168 do ex-deputado Valdir Colatto (MDB/SC), que revogam as três Listas Nacionais de Plantas e de Fauna Ameaçadas de Extinção, ambas apresentadas em Portarias do Ministério do Meio Ambiente (MMA 4439, 44410 e 44511), em dezembro de 2014.

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Trâmite atual dos projetos de lei a favor da caça

No entanto, esta é apenas uma trégua na luta pela conservação da biodiversidade e contra a regulamentação da caça aos animais silvestres no Brasil. Isto, porque, o parágrafo único do Artigo no 105 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados determina que “a proposição poderá ser DESARQUIVADA mediante requerimento do Autor, ou Autores, dentro dos primeiros cento e oitenta dias da primeira sessão legislativa ordinária da legislatura subsequente, retomando a tramitação desde o estágio em que se encontrava.” Ou seja, temos seis meses em que devemos monitorar as páginas sociais dos citados deputados autores dos PLs e o site da Câmara, para verificar quais deles irá ter a coragem de prestar o DESSERVIÇO à ciência da conservação nacional e solicitar o DESARQUIVAMENTO das propostas.

Deve ser notado que há riscos distintos com o processo de desarquivamento. No Projeto de Lei (PL) 6.268/2016, por exemplo, teoricamente seria menor, pois seu autor não foi reeleito para o mandato 2019-2022. Mas a ele temos apensado o Projeto de Lei (PL) 7.129/2017, de autoria do deputado Alexandre Leite (DEM/SP), que foi reeleito. Se o deputado solicitar o desarquivamento de seu PL, pode ser que o Projeto de Lei (PL) 6.268/2016 também seja desarquivado em conjunto. Os Projetos de Decretos Legislativos (PDC) 3/2015 e 427/2016 também tem menos riscos, pois seus autores (ex-deputados Nilson Leitão e Valdir Colatto não foram reeleitos em 2018).
Por sua vez, O Projeto de Lei Complementar (PLP) 436/2014 deve ter atenção prioritária, pois está tramitando na terceira e última das Comissões da Câmara, Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), e o deputado Alceu Moreira (MDB/RS) que é o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA, que abriga os autodenominados “ruralistas”) deverá dar seu Parecer de RELATOR ao PLP em breve propiciando que ficará apto a ser votado pelos deputados da CCJC, caso ele seja desarquivado pelo deputado Rogério Peninha Mendonça). Se aprovado na CCJC o PLP 436/2014 vai para votação em plenário da Câmara e, caso seja ali aprovado, seguirá para apreciação no Senado.

Como alertado, o risco da aprovação deste Projeto de Lei Complementar (PLP) é enorme. Se hoje a decisão de elaborar e sancionar uma norma legal para autorizar a caça de um animal é de competência única do poder executivo federal, com a vigência desta nova lei, a decisão passa a ser individual e específica, por mero ATO ADMINISTRATIVO do poder executivo de cada Estado da Federação e o Distrito Federal.

Em recente consulta a assessores da Câmara dos Deputados, houve a confirmação de que somente o autor do Projeto de Lei (PL) poderia desarquivá-lo. No entanto, outro parlamentar poderia apresentar a mesma proposta (ou similar) como sua, o que seguiria o curso inicial de tramitação por todo o processo legislativo. Além disso, não há prazo para desarquivamento, que poderia ser feito em qualquer momento, mesmo contrariando o Regimento Interno da Câmara de Deputados.

Ainda, o deputado Alceu Moreira pode não continuar como relator da PLP 436 na CCJC. Para que continue, teria de se candidatar à nova composição da CCJC e ser o presidente desta (de modo a se indicar como relator), ou entrar em acordo com o novo presidente da Comissão para continuar o relator da PLP. Realmente, o deputado Alexandre Leite poderia reavivar o seu PL apensado e o do ex-deputado Valdir Colatto ser desarquivado junto, com tudo ficando como antes. A única diferença seria a ausência do ex-deputado nas comissões para defender o seu próprio PL.

O que fazer agora?

Exposto este cenário, as duas frentes contra a caça pedem a sua ajuda para que envie um e-mail ou uma mensagem para os telefones e as redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, e os respectivos sites) dos citados deputados acima solicitando que: “Senhor deputado federal, na qualidade de eleitor(a) preocupado(a) com a conservação da biodiversidade brasileira e contra a regulamentação da caça no Brasil, solicito que V.Exa. NÃO DESARQUIVE o projeto de lei (citar o respectivo projeto de autoria do deputado em questão), ora arquivado de acordo com artigo 105 do Regimento Interno da Câmara. Atenciosamente …assinar seu nome”

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Endereços dos deputados para ser enviada a mensagem acima:

1) Deputado ROGÉRIO PENINHA MENDONÇA (autor do PLP 436/2014)
E-mail: dep.rogeriopeninhamendonca@camara.leg.br
Tel.: (61) 3215-5656 Câmara e (48) 3225-6117 Escritório Regional
Facebook: https://www.facebook.com/deputadopeninha
Twitter: @deputadopeninha
Instagram: https://www.instagram.com/deputadopeninha/

2) Deputado ALCEU MOREIRA (Relator do PLP 436/2014 na CCJC e autor do PDC 36/2015): https://www.facebook.com/depalceumoreira/
Twitter: @depalceumoreira. Tel.: (61) 3215-5238

3) Deputado ALEXANDRE LEITE (autor do PDC 36/2015, que está apensado ao PL 6.268/2016 do ex-deputado Colatto):
https://www.facebook.com/AlexandreLeiteSP/
Twitter: @lexandreleite
E-mail: dep.alexandreleite@camara.leg.br
Tel.: (61) 3215-3841

*Sobre os autores:

Alexander Welker Biondo, MV, MSc, PhD. Disciplinas de Zoonoses e Medicina Veterinária do Coletivo do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. abiondo@ufpr.br

Paulo Pizzi, Biólogo, Especialista. Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais. Integrante da Aliança Pró-Biodiversidade – APB. pizzi@maternatura.org.br

*Artigo originalmente publicado na Revista Clínica Veterinária.

 

Por que o Irã está oprimindo cães e seus tutores?

Uma série de notícias me chamou a atenção na semana passada, uma vez que indicam crescente hostilidade em relação aos tutores de cães domésticos no Irã.

A primeira foi abordada em reportagens da mídia nacional pela Reuters, Fox News e outros. Ela falou sobre as medidas tomadas pelo chefe de polícia de Teerã, Hossein Rahimi, que teria dito: “Recebemos a permissão do Ministério Público de Teerã e tomaremos medidas contra pessoas que passeiem com cães em locais públicos, como parques”. Ele prosseguiu afirmando que “é proibido conduzir cães em carros e, se isso acontecer, ações políticas sérias serão tomadas contra os proprietários dos carros”.

Esta é uma continuação de ações opressivas e abusivas contra cães e seus tutores desde 1979, quando o Irã se tornou um Estado islâmico. Por exemplo, em 2016 houve reclamações de que as autoridades estavam aparecendo nas casas de tutores de cães, alegando que eles eram de uma unidade veterinária e que esses cães precisavam de vacinação. Os cães foram levados, ostensivamente com o propósito de vacinação e nunca mais foram vistos.

Foto: Pixabay

A segunda notícia foi um relatório mais local envolvendo Sam Taylor, uma residente de Burnaby, British Columbia, que é um município próximo a Vancouver, Canadá, onde eu moro. Ela adotou um cachorro do tipo maltês do Irã. Quando o filhote tinha 40 dias, alguém jogou ácido no rosto do animal e feriu gravemente. A polícia recusou-se a procurar e processar o agressor animais alegando que manter e cuidar de cães é haram (proibido) porque, de acordo com os sunitas do Irã, líderes religiosos, os cães são impuros.

A verdade é que as crenças islâmicas sobre os cães às vezes são confusas e contraditórias. A maioria dos juristas muçulmanos sunitas e xiitas considera que os cães são ritualmente impuros, mas essas crenças não são unânimes. Os juristas da Escola Sunita Maliki discordam da ideia de que os cães são impuros, e os da Escola Sunita Hanafi são ainda mais favoráveis, permitindo o comércio e o cuidado de cães sem consequências religiosas. No entanto, todas essas opiniões são baseadas, não no próprio Alcorão, mas no Hadith, que são comentários, análises e interpretações do Alcorão. São estes Hadith que sugerem que ser tocado por um cão é ser poluído e requer um ato de purificação.

Se olharmos diretamente para o próprio Alcorão, os cachorros são mencionados cinco vezes e nunca são descritos como sujos. Na verdade, o grupo mais longo de passagens, incluindo um cachorro, é bastante positivo e está relacionado à história dos Sete Dormentes. Como diz a crônica, durante o curto reinado do imperador romano Décio, por volta de 250 dC, os não-crentes da religião apoiada pelo Estado foram sistematicamente perseguidos. Na cidade de Éfeso (agora no oeste da Turquia), sete fiéis muçulmanos fugiram para uma caverna no monte Coelius. O cão de deles seguiu-os em sua jornada. Uma vez na caverna, alguns dos homens temiam que o cachorro – Kitmir pelo nome – pudesse latir e revelar seu esconderijo, e tentaram afastá-lo. Neste ponto, Deus concedeu ao cão o dom da fala, e ele disse: “Eu amo aqueles que são queridos para Deus. Vá dormir e eu vou guardar você”. Então os homens foram dormir enquanto Kitmir ficou de guarda.

Foto: Pixabay

Quando Decius soube que refugiados religiosos estavam escondidos em algumas das cavernas locais, ele ordenou que todas as entradas fossem lacradas com pedra. Kitmir manteve sua vigília, mesmo enquanto a caverna estava sendo fechada, e certificou-se de que ninguém perturbasse os dormentes. Os homens foram esquecidos e dormiram por 309 anos. Quando finalmente foram acordados por trabalhadores que escavavam uma parte da montanha, o cão finalmente se mexeu e permitiu que suas almas retornassem ao mundo, que agora estava seguro para sua fé. Segundo a tradição muçulmana, o cão Kitmir foi admitido no paraíso após a sua morte. Certamente um animal impuro não seria admitido lá.

Os juristas religiosos que olham para o Hadith para justificar sua hostilidade em relação aos cães, muitas vezes notam que Mohammed uma vez emitiu a ordem para “matar todos os cães”. Este comando do profeta resultou de um incidente histórico, onde o governador de Medina estava preocupado com o número de cães abandonados invadindo a cidade, particularmente por causa da ameaça da raiva e talvez outras doenças que foram espalhadas pelos cães que procuravam comida no lixo. A princípio, Mohammed assumiu a posição inflexível de que todos os cães deviam ser exterminados e, assim, emitiram seu comando. Em reflexão, no entanto, ele mitigou seu decreto, por duas razões principais. O primeiro era religioso: caninos constituíam uma raça de criaturas de Allah, e Aquele que criou a raça deveria ser o único a ditar que deveria ser removido da terra.

Estudiosos islâmicos observam que algumas lendas dizem que o próprio profeta realmente possuía um ou mais salukis que ele usava para caçar. De fato, uma passagem no Alcorão diz especificamente que qualquer presa que seja pega por cães durante uma caçada pode ser comida. Nenhuma purificação, além da menção do nome de Allah, é necessária. Então, de fato, Mohamed anulou sua decisão inicial contra a raça canina.

Talvez uma das contradições mais reveladoras da ideia de que os cães são impuros vem de outra passagem do Alcorão. Diz que uma prostituta notou um cachorro perto de um poço. Estava sofrendo de sede e estava perto da morte. Ela tirou o sapato, mergulhou-o no poço e permitiu que o cachorro bebesse a água dele. Por causa desse ato de bondade, Mohamed a absolveu de todos os seus pecados e permitiu que ela entrasse no paraíso. Acho difícil imaginar que, se ele realmente sentisse que todos os cães eram maus, impuros e deviam ser mortos, ele abençoaria aquela mulher por salvar uma vida que ele havia condenado.

Imagem: Psychological Enterprises Ltd

Estudiosos sugerem que pode haver uma razão histórica para a antipatia do Islã em relação aos cães. O Islã não era uma religião indígena no Oriente Médio e, portanto, foi importado para o Irã. A religião dominante que se interpunha no caminho do Islã era o zoroastrismo, que foi bem sucedido e teve muitos adeptos na região. Os cães eram valorizados pelos zoroastristas e tratados com grande afeição e reverência. Se você observar a maneira como a história funciona, é comum que os deuses da antiga religião sejam convertidos nos demônios da nova religião. Mary Boyce, uma erudita britânica do Zoroastrismo, escreveu: “Outro meio de perturbar os zoroastristas era atormentar os cães. O Islã primitivo não sabia nada da hostilidade muçulmana agora difundida ao cão como um animal imundo.

Parece que o atual surto de hostilidade contra os cães pode, na verdade, ter uma motivação mais secular e política. Para entender isso basta olhar para uma fatwa (regra religiosa) emitida pelo Grande Aiatolá Naser Makarem Shirazi na qual ele disse: “A amizade com cães é uma imitação cega do Ocidente”. Então, talvez a política, em vez da religião, esteja por trás da contínua a opressão de cães e seus tutore no Irã.

Artigo publicado por: Psychology Today

Autor: Stanley Coren, Ph.D., FRSC., professor de psicologia na University of British Columbia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

legumes

Empresas devem apoiar os veganos durante o ano inteiro

Janeiro costuma ser o mês em que experimentamos coisas novas e tentamos nos abster de velhos hábitos. Tudo começou com as resoluções de ano novo. Então as pessoas começaram a tentar o “Dry January”, renunciando ao álcool durante todo o mês para compensar o excesso de bebida no Natal.

legumes

Foto: Getty Images

O conceito evoluiu e agora temos o “Veganuary”, onde as pessoas se desafiam a aderir a uma dieta vegana durante todo o mês.

Enquanto você provavelmente já ouviu falar do Veganuary em anos anteriores, o movimento se tornou recentemente um negócio muito maior. Ele ganhou muito mais visibilidade este ano – principalmente porque tantas marcas decidiram repentinamente entrar na onda vegana.

Pizza Hut e McDonalds adicionaram opções veganas aos seus menus. A Marks and Spencer lançou a Plant Kitchen, sua linha de produtos veganos.

E, claro, a Gregg’s lançou o famoso rolo de salsicha vegano que dividiu o mundo nas redes sociais.

Alguns adoraram o produto. Outros (em especial, o apresentador de televisão Piers Morgan) ficaram indignados com sua existência – a decisão de Morgan de criticá-lo em rede nacional durante o horário nobre certamente ajudou a aumentar a demanda pelo rolo de salsicha. A polêmica valeu a pena para a Gregg’s: o preço de suas ações subiu quase um quarto desde o início do ano.

As principais marcas estão finalmente atendendo à crescente população vegana do Reino Unido, o que certamente é uma maravilha em termos de escolha do consumidor, mas por que demorou tanto? Ou, para inverter a questão, por que tantas marcas decidiram que 2019 será o ano do veganismo?

Você tem que se perguntar se, com tantas marcas de repente tentando gerar lucro com o Veganuary, isso se tornou simplesmente um exercício cínico de marketing, que reduz o veganismo a apenas outra tendência de consumo.

Afinal, o veganismo é muito mais do que apenas uma escolha alimentar. É um estilo de vida e um conjunto de crenças profundamente arraigadas. Olhe para a controvérsia em torno da cadeia de supermercados britânica Waitrose no ano passado, quando o editor de sua revista, William Sitwell, disse a uma jornalista freelance que ela deveria escrever sobre “matar veganos, um por um”. Sitwell teve que deixar seu cargo, depois que o supermercado levou um grande processo de relações públicas.

De fato, em breve pode ser um crime discriminar os veganos dessa maneira, já que o veganismo provavelmente se tornará uma característica protegida como religião ou orientação sexual.

Um tribunal trabalhista em março decidirá se o veganismo é uma “crença filosófica” protegida por lei, com base no caso de Jordi Casamitjana, que afirma que seu empregador o demitiu porque ele era um autoproclamado “vegetariano ético”. Um pouco ironicamente, ele foi contratado pela League Against Cruel Sports – uma organização em prol do bem-estar animal.

Então, isso explica por que as marcas estão seguindo a onda do Veganuary? Eles estão tentando ampliar sua gama de produtos para evitar que aparentem “discriminar” seus clientes veganos?

Ou isso é um movimento friamente comercial? Atualmente há mais veganos no Reino Unido do que nunca – o número de membros da Vegan Society aumentou 24% de 2017 a 2018 – e muitas pessoas estão tentando reduzir o consumo de carne e produtos lácteos, aumentando a demanda por alternativas livres de crueldade animal.

Isso ocorre porque o veganismo está na intersecção de duas tendências crescentes, ambas as quais estão repletas de oportunidades de marketing: a preocupação com o meio ambiente e com o bem-estar.

A tendência do bem-estar cresceu enormemente nos últimos anos. O recente artigo de Jessie Hewitson no The Times expôs algumas das maneiras peculiares como as pessoas tentam viver de forma mais saudável, desde o uso de HumanChargers e a medição dos níveis de pH da urina até a ingestão de “carvão ativado”.

Os consumidores estão igualmente mais conscientes do seu impacto ambiental. O veganismo não é mais apenas sobre o bem-estar animal – muitas pessoas provavelmente se inscreveram no Veganuary este mês para tentar reduzir sua pegada de carbono.

Mas enquanto o veganismo é considerado uma dieta ambientalmente mais sustentável – a Carbon Trust, empresa que ajuda os governos a reduzirem suas emissões de carbono, afirma que a carne vegana da Quorn tem uma pegada de carbono até 13 vezes menor do que a carne bovina – algumas empresas ainda não admitem que importar abacates e vegetais exóticos do exterior para atender a este público é realmente mais sustentável do que vender carne de origem local.

E não apenas a sustentabilidade desse último empurrão para o veganismo está em dúvida, os consumidores não têm muita certeza de que essa nova gama de produtos seja realmente feita em condições veganas.

Veja o que aconteceu com a Marks e Spencer quando a empresa tentou tirar proveito do Veganuary.

“A M&S foi criticada por avisar em letras pequenas que os produtos de sua nova linha vegana ‘não são adequados para pessoas com intolerância à produtos derivados de leite ou ovos’. Os produtos ‘veganos’ vinham de fábricas que utilizavam produtos de origem animal, incluindo ovos ou leite,” alerta Amelia Boothman, diretora de marca e estratégia de inovação na agência 1HQ. “Alguns consumidores usaram suas mídias sociais para reclamar dos rótulos veganos enganosos.”

Portanto, tentar lucrar com uma tendência pode sair pela culatra.

Há um risco de que o veganismo esteja sendo reduzido a mais uma moda passageira, da qual muitas celebridades estão se aproveitando: os músicos Jay-Z e Beyoncé “desafiaram” seus fãs neste mês a se tornarem veganos por 22 dias e lançaram um site com planos de refeição e dicas.

Por um lado, com certeza, eles estão incentivando as pessoas a experimentarem o veganismo, mas, por outro, é mais uma oportunidade para que eles desenvolvam sua marca pessoal.

Embora eu tenha certeza de que muitos vegetarianos e veganos receberão uma maior variedade de opções em seus restaurantes e supermercados locais, não esqueçamos que, fundamentalmente, as marcas estão tentando transformar a ética e a moralidade do veganismo em mais uma commodity para lucrar.

Os varejistas de alimentos estão tentando nos fazer comprar seus produtos, comercializando e lucrando com a tendência vegana sem respeitar verdadeiramente seus ideais.

Todos nós podemos admitir que muitas vezes quebramos nossas resoluções de ano novo logo depois de defini-las. Quando chegarmos ao final do Veganuary, talvez as marcas possam fazer outra resolução e se comprometerem a apoiar seus clientes veganos durante todo o ano – mesmo se as vendas diminuírem após o fim do Veganuary.

Morremos com as abelhas

Foto: Pixabay

As abelhas estão sendo dizimadas por agrotóxicos, mas é ele que mantém o PIB do Brasil – diz a propaganda na TV.

O artigo é de Nilton Kasctin dos Santos, professor e promotor de Justiça de Catuípe, RS, publicado por Brasil de Fato, 09-01-2019.

A tragédia do extermínio de abelhas por agrotóxico em São José das Missões (RS) me conduz a uma indagação intrigante: vale a pena morrer pela bandeira do agronegócio? Pela soja, especialmente?

Vamos situar a questão. Por causa da propaganda intensa dos grandes produtores de soja e empresas que fabricam e vendem adubos químicos, agrotóxicos e sementes, a sociedade passou a acreditar que esse tipo de produção perversa de grãos para exportação é fundamental para a economia do País.

A sociedade inteira não vê a cor do dinheiro da produção de soja, mas tem certeza de que o Brasil vai quebrar se adotarmos uma forma de cultivo agrícola sem veneno. Isso se chama lavagem cerebral. Todos acreditam piamente que tem que ser assim, porque assim diz a propaganda do agronegócio.

As pessoas nunca se preocuparam com a comida da sua avó, mas agora se preocupam com a alimentação do povo chinês. O Brasil precisa alimentar o mundo, dizem em coro.

O sistema perverso de produção agrícola monocultural do Brasil, que destrói a vida planetária e enche o bolso de poucos fazendeiros e empresários do ramo, pode custar-nos a vida, mas não tem outro jeito, dizem as pessoas comuns. E as autoridades políticas também.

As abelhas estão sendo dizimadas por agrotóxicos, mas o agronegócio é o que mantém o PIB do Brasil, diz a propaganda da televisão. E a sociedade inteira. E por cima ainda é “tech”, “pop” e outras coisas que as pessoas gostam de ouvir, sem saber o que significam.

Estamos loucos. A ponto de morrer pela causa do agronegócio. Sim, porque se as abelhas desaparecerem, como já desapareceram ao redor da lavoura desse plantador de soja, toda a espécie humana será extinta. Em apenas quatro anos, diz a ciência. Acontece que são esses insetos que polinizam as flores de quase todos os alimentos vegetais que consumimos. Sem abelhas, não tem milho, soja, feijão, trigo, aveia, frutas etc.

Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), apenas um plantador de soja, com apenas uma aplicação de veneno, causou a morte de 12 milhões de abelhas. A conta está errada. A Emater contabilizou só as abelhas mortas das duzentas caixas de produção de mel. Mas morreram todos os enxames de abelhas de ferrão existentes nas matas ao redor, num raio mínimo de seis quilômetros (área de voo das abelhas). Também morreram marimbondos, vespas, mamangavas, cigarrinhas, besouros, joaninhas e pulgões. Detalhe: nenhum desses bichos estraga soja; eles só se alimentam de néctar ou de seiva das plantas.

E morreram também as abelhas sem ferrão, como jataís, mirins, mandaçaias, irapuás, manduris, uruçus e muitas outras espécies.

Morreram em seus ninhos nos matos, a maioria sem ter visitado a lavoura envenenada, bastando que alguns insetos tenham levado pólen em suas patinhas ou néctar na vesícula melífera. Uma microgota levada por meia dúzia de abelhas contamina e mata toda a colmeia.

Então, pode colocar na conta funesta desse agricultor, não 12 milhões de vidas animais, mas bilhões e bilhões de seres preciosos para a nossa vida.

Estou falando de uma localidade pequena onde foram criminosamente aplicados agrotóxicos para insetos em uma pequena plantação de soja. Imagine o que está acontecendo por todo esse imenso território brasileiro, completamente tomado de soja.

É de chorar. Dá tristeza de verdade. Mas o mais triste é saber que isso parece ser apenas o começo. Porque o Presidente Bolsonaro garantiu aos ruralistas, em campanha, que, quando eleito, iria acabar de vez com a “indústria” das multas ambientais e simplificar a legislação no que interessa ao agronegócio, incluindo, obviamente, a liberação rápida de mais agrotóxicos.

pratos de comida vegana

Nunca houve uma época melhor para ser vegano

Uma década atrás, quando decidi me tornar vegana por razões éticas, a palavra “decadente” era uma que você nunca teria usado para descrever a comida disponível. Mais frequente se encaixava no estereótipo sem graça de lentilhas, quinoa e tofu, com a ocasional salsicha vegana de Linda McCartney para animar as coisas. Agora, pergunte a um vegano o que eles comeram na noite passada e é provável que digam qualquer coisa, desde pizza coberta com “queijo” derretido até “frango” frito crocante ou burritos feitos de jaca. O estilo de vida vegano explodiu de verdade, introduzindo alimentos excitantes, coloridos e indulgentes, quer você seja vegano ou não.

pratos de comida vegana

Foto: The Guardian

Quando lancei o meu pop-up, o Club Mexicana, em 2012, quis desafiar a percepção entediante do veganismo de grão-de-bico e semente de chia. Inspirada por minhas viagens nos EUA, onde a comida vegana é inovadora e deliciosa, eu quis provar que ser vegano não significa perder nada.

Percebi que a alegria da comida mexicana não se origina da carne, mas os sabores ousados ​​e fortes criados por salsas e picles – a carne é apenas uma transportadora para esses sabores. Tentamos ser os mais criativos possíveis com nossos pratos, que incluem tacos com baja “tofish” – tofu-peixe – e broa de milho assada com torta de nozes, iogurte de soja defumado, pera em conserva e tomate defumado. Quando começamos a atingir clubes de jantar, muitas pessoas nem perceberam que a comida era vegana, o que era a minha intenção.

Nos últimos anos, os ingredientes veganos evoluíram rapidamente, o que ajudou a culinária vegana a se tornar tão excitante quanto é agora. O queijo vegano costumava ser terrível, mas agora você pode comprar de tudo, desde queijo azul vegano e camembert, cheddar e até ricota – todos tão picantes e decadentemente cremosos como o queijo real. No Club Mexicana, servimos palitos de mussarela vegana fritos feitos com óleo de coco, que são crocantes por fora e úmidos no meio.

As pessoas também muitas vezes erroneamente assumem que se tornar vegano significará privar-se de sobremesas e guloseimas saborosas, mas isso também não é mais o caso. O prato mais apelativo que oferecemos é o sorvete frito com molho de chocolate – ele realmente não fica mais apelativo do que isso.

Mais e mais restaurantes estão oferecendo menus veganos inovadores. Os supermercados agora oferecem uma incrível variedade de alimentos veganos que estão se expandindo o tempo todo. Marcas como a Ben & Jerry’s estão constantemente lançando novos produtos veganos que estão causando um burburinho do lado de fora, assim como no mundo vegano.

Nunca houve um momento melhor para ser vegano ou apenas para introduzir mais alternativas à base de vegetais em sua dieta diária. Com tantas cores, texturas e sabores surpreendentes, você nunca sentirá que está se privando da comida que você ama.

porcos enjaulados

Veganos não devem se preocupar em parecer ‘extremos’, é a exploração animal que é extrema

Imagine que você está se afogando em uma piscina cercada de pessoas. Você grita e faz o que puder para conseguir ajuda? Ou você, educadamente e conscientemente, levanta a mão, esperando que alguém perceba?

porcos enjaulados

Foto: We Animals

E se uma criança cair no trilho do trem e um trem estiver chegando? Você grita, acena e tenta parar o maquinista? Ou você se preocupa que as pessoas possam pensar que você está exagerando?

Situações extremas

Situações extremas exigem respostas extremas. Quando há uma situação urgente – tal como uma ameaça à vida – normalmente iremos mais além e faremos tudo o que for preciso. Nós deixamos a nossa vaidade de lado e paramos de nos preocupar com o que as pessoas vão pensar de nós. E embora pareça óbvio dizer isso, ainda vejo muitos veganos preocupados com o fato de parecerem “extremos demais” se falarem abertamente sobre a matança de 70 bilhões de animais terrestres a cada ano, e sobre as incontáveis mortes dos ​​peixes e outras criaturas marinhas.

Houve um tempo em que recebi alguns tapinhas nas costas por não ser como “aqueles” veganos. Amigos me disseram que eu era “legal” porque eu não “enchia o saco” sobre o assunto. E isso me incomodou porque eu sabia o que eles realmente estavam dizendo: “Minha consciência não está sendo perturbada, então eu posso continuar a comer carne sem me sentir mal”.

Bem, logo me tornei como “aqueles” veganos. Eu redescobri minha paixão pelo ativismo, por levantar questões e fazer barulho – e angariar fundos para os santuários de animais, que eu considero tão importantes. Eu também tenho escrito algumas exposições de impacto para jornais nacionais, destacando o que realmente acontece nas indústrias de carne e laticínios, além de fazer campanhas.

O “tipo certo” de vegano?

Teria sido mais fácil aceitar elogios de comedores de animais por ser o “tipo certo” de vegano, mas nunca quis levar uma vida fácil. Eu prefiro dizer a verdade – e isso está fadado a desestabilizar algumas consciências quando nossa espécie está fazendo coisas realmente horríveis.

Estamos no meio de uma situação muito extrema. Cada vez mais nos últimos 100 anos, nossa espécie mecanizou a reprodução e a matança de nossos primos animais. Agora eles venderão as asas de uma ave por apenas alguns centavos. Uma perna de um filhote de ovelha. Porcos inteiros cortados em partes. Bilhões de animais que só conheciam a vida em sua gaiola, até chegarem ao matadouro. Fazendas de laticínios onde o leite das vacas é roubado. Fábricas de ovos onde as galinhas são exploradas como máquinas.

Claro que parece extremo. O que está acontecendo é extremo. Se não parece extremo, você está menosprezando fatos.

Silenciados

Nós não devemos deixar que as pessoas nos silenciem. Tomemos por exemplo o termo “floco de neve”. Em alguns círculos, no momento em que alguém sugere uma abordagem mais compassiva para qualquer coisa, um cafajeste sempre aparece para chamá-lo de “floco de neve”. E agora há “fake news” também. Se você revelar um fato desconfortável em 2019, algum idiota vai gritar “fake news” para você.

As pessoas que gritam “floco de neve”, “fake news” ou “vegano extremista” estão fazendo isso para tentar acabar com você. Eles esperam que você fique quieto da próxima vez. E é uma estratégia eficaz em nossa era de autoconsciência sobre nossa imagem, quando parece que as pessoas estão cada vez mais obcecadas com elas mesmas e com sua “marca pessoal”.

Mas vou dizer de novo: situações extremas exigem respostas extremas. Enquanto bilhões de animais estão sendo escravizados, abusados ​​e explorados, não devemos ter medo de perturbar o status quo. Quando as mulheres conseguiriam o direito ao voto se tivessem sido “educadas” e pedido licença antes de falar?

Deixe as pessoas nos chamarem do que quiserem. É sobre levá-las a pensar mais sobre os animais que elas comem e a ética envolvida nisso, o que eles pensam de nós não importa.

Então eu digo: ignore os insultos e continue dizendo a verdade. Tenha fatos e links para compartilhar. Não importa se você é rotulado como extremista por simplesmente dizer a verdade. Só importa que você continue!

Chas Newkey-Burden é um jornalista e escritor vegano. Ele escreveu 29 livros, incluindo biografias de Taylor Swift, Adele e Amy Whinehouse. Atualmente ele escreve para o The Guardian, The Daily Telegraph, The Independent e outros jornais.