Karanganyar se torna o primeiro distrito indonésio a proibir a carne de cachorro

A administração de Karanganyar na Indonésia anunciou na última segunda-feira (27) que iria fechar todas as 21 barracas de carne de cachorro em todo o distrito, que fica em Surakarta, na ilha de Java.

Cada barraca mata de dois a três cães para consumo por dia, de acordo com dados da indústria agrícola do distrito, com a proibição serão poupadas as vidas de quase 1.900 cães por mês. A administração de Karanganyar ajudará aqueles que dependem do comércio de carne de cachorro com a transição de renda para novas linhas de trabalho.

O comércio de carne de cachorro na Indonésia

O governo indonésio prometeu acabar com o comércio de carne de cachorro em agosto passado, em um movimento apoiado por celebridades como Ricky Gervais, Simon Cowell e Cameron Diaz. No entanto, nenhuma ação foi tomada desde então.

O número de indonésios que consomem carne de cachorro é uma minoria – apenas 7%, de acordo com a organização sem fins lucrativos Dog Meat Free Indonesia. Em novembro passado, uma petição assinada por mais de um milhão de pessoas pedindo o fim do comércio foi submetida ao governo.

A decisão de Karanganyar foi elogiada pelas ONGs que atuam em defesa dos direitos animais Dog Meat Free Indonesia e Animal Friends Jogja.

A fonte local de notícias, Jakarta Globe, informa que a decisão foi tomada por causa da preocupação com a saúde humana. H. Juliyatmono, chefe do distrito de Karanganyar, disse: “A fim de evitar várias doenças causadas pela carne de cachorro, fecharemos todas as barracas de carne de cachorro em Karanganyar, com efeito imediato”.

De acordo com a Dog Meat Free Indonésia, milhões de cães são capturados e transportados pela Indonésia todos os anos. Investigações em todo o país mostram que doenças como a raiva correm soltas no comércio de carne de cachorro do país. A morte humana por raiva tem sido associada ao consumo de carne de cães infectados.

Uma investigação recente revelou que 13.700 cães com história de vacinação desconhecida são capturados ou roubados todos os meses apenas em Java. A província de Java Ocidental é considerada um centro de abastecimento para toda a nação.

O método de captura e transporte tem sido criticado por muitos por ser absurdamente desumano. Muitos dos cães capturados são animais domésticos de família ou animais capturados das ruas ou comunidades rurais.

Os cães têm suas bocas amarradas, dificultando a respiração, e são amontoados em gaiolas superlotadas onde mal conseguem se mover. Os pobres animais são então transportados por longas distâncias para mercados, matadouros e restaurantes. Muitos morrem de asfixia, desidratação ou insolação antes de chegar.

Juliyatmono acrescentou: “A sobrevivência humana deve ser o foco do nosso desenvolvimento. As pessoas têm que viver em harmonia com Deus e com os seres vivos, incluindo todos os animais”.

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Homem é preso após manter cão preso em apartamento durante um ano

Um homem foi preso, na terça-feira (25), em Balneário Camboriú (SC), após manter um cachorro, da raça labrador, preso em um apartamento. Testemunhas afirmam que o animal não saía do imóvel há um ano.

Foto: Reprodução / Diarinho

O caso foi descoberto após uma denúncia de maus-tratos. Agentes da Guarda Municipal estiveram no apartamento, na avenida Atlântica, e resgataram o cachorro. As informações são do portal Diarinho.

O cão foi encontrado quase sem pelos, com uma doença de pele causada por uma possível dermatite crônica. Um veterinário da prefeitura esteve no local e examinou o cachorro.

O tutor do labrador foi encaminhado para a delegacia, onde foi enquadrado no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, que prevê detenção de até um ano para casos de maus-tratos, além de multa.

Resgatado, o cachorro foi encaminhado para uma clínica veterinária e ficará sob a guarda de um tutor provisório até o término de uma ação judicial que determinará seu destino final.


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Projeto de Flávio Bolsonaro pede fim da reserva florestal obrigatória em propriedades rurais

Por David Arioch

Flávio Bolsonaro sustenta que a exigência de reserva legal atrapalha o trabalho dos produtores rurais que querem expandir suas atividades agropecuárias nos estados da Amazônia Legal | Foto: Agência Senado

Enquanto pesquisadores discutem cada vez mais sobre o impacto da agropecuária no desmatamento no Brasil, está tramitando no Senado um projeto dos senadores Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e Marcio Bittar (MDB-AC), que propõe o fim da reserva florestal obrigatória, área que não pode ser desmatada por produtores rurais, como forma de favorecer a expansão da agropecuária nos estados da Amazônia Legal.

O Projeto de Lei (PL) 2.362/2019 pede exclusão de todo o capítulo que trata da reserva legal no Código Florestal. No último dia 11, o relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), deu parecer favorável à proposta.

A justificativa dos autores, de acordo com a Agência Senado, é que “a reserva legal impede a expansão do agronegócio”, e que as exigências do Código Florestal estão atrapalhando o trabalho dos produtores rurais que querem expandir suas atividades agropecuárias nos estados da Amazônia Legal.

Flávio Bolsonaro e Marcio Bittar afirmam que “hoje a ecologia radical, fundamentalista e irracional está impedindo o desenvolvimento e abrandando a concorrência”. E apontam que com a expansão da agropecuária haverá muito mais geração de empregos e contribuição para o desenvolvimento do país.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA), senador Fabiano Contarato (Rede-ES) se opõe à medida e lembrou, segundo a Agência Senado, que a legislação que existe hoje em defesa da reserva legal foi construída com a participação da sociedade.

“Nossas leis e políticas públicas na área ambiental são resultado de décadas de esforços de sucessivos governos que, desde os anos 1960 até recentemente, vinham buscando criar as condições institucionais para assegurar a todos os brasileiros o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”, argumentou

E acrescentou: “Essas leis e políticas foram construídas dialogando com o Congresso Nacional, empresários, cientistas, trabalhadores e ambientalistas e têm grande potencial de promover dois dos grandes objetivos que a sociedade brasileira almeja: desenvolvimento econômico e social e conservação do meio ambiente.”


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Cachorro vítima de incêndio dorme ao lado de veterinária após resgate

Divulgação

Um cachorro de oito anos de idade foi resgatado gravemente ferido após um incêndio atingir a casa onde ele morava nos Estados Unidos. O que a família dele não esperava era que o fato trágico, que quase tirou a vida do animal, iria fazer com que ele encontrasse uma profissional que decidou tanto amor e cuidados a ele a ponto de dormir ao seu lado dentro de uma baia de um hospital veterinário.

Taka, como é chamado o animal, estava em um alpendre no momento do incêndio. A família dele tentou salvá-lo, mas não conseguiu chegar a tempo para retirá-lo do local. Milagrosamente, ele conseguiu fugir e correu pela rua, sendo resgatado por um vizinho, que o levou para o Care More Animal Hospital, na Geórgia.

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“Ele tinha queimaduras ao redor dos olhos, boca, orelhas, barriga”, disse Emily Martin, veterinária do Care More Animal Hospital. “Nós realmente não sabíamos o quão grave seus ferimentos eram, tudo porque inicialmente a nossa maior preocupação eram os ferimentos causados pela inalação da fumaça”, completou. Os olhos de Taka também estavam gravemente feridos, o que fez com que ele ficasse cego. As informações são do The Dodo.

Com problemas respiratórios, o cachorro teve que ser transferido para a clínica da Universidade da Geórgia, onde ele pôde contar com o auxílio de uma máquina de oxigênio. No entanto, após alguns dias de tratamento, ele apresentou melhora e retornou ao Care More Animal Hospital.

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A história do cachorro, no entanto, não é feita apenas de tristezas. Isso porque, diante de toda dificuldade vivenciada, Taka passou a receber, também, muito amor. Toda a equipe do hospital se dedicou a ele, mas Emily, em especial, apaixonou-se pelo cão.

“Eu tento tratar meus pacientes da mesma forma, mas o caso dele me deixou um pouco mais sensibilizada”, disse. “Quando ele entrou, ele estava gritando de dor… mas se acalmou no momento em a gente se sentou com ele e a cantamos para ele”, acrescentou.

Devido à fragidilidade de Taka, a veterinária conversou com a família dele, que concordou em entregá-lo aos cuidados dela. Por estar responsável pelo animal, Emily acabou levando-o para sua casa em uma noite, para que ele não ficasse sozinho no hospital.

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“Eu ficava acordada com ele a noite toda em minha casa, então no dia seguinte estávamos exaustos”, disse.

Ao chegar na clínica no dia seguinte, exausta, Emily rastejou para dentro da baia de Taka e dormiu ao lado dele. A imagem comoveu os colegas de trabalho da veterinária, que decidiram registrar o fato através de uma fotografia.

Segundo Emily, apesar de todas as dificuldades que tem vivido, Taka é um cão extremamente gentil.

“Ele não tem nem um pedacinho de maldade em seu corpo”, afirmou. “Muitas vezes, quando os animais estão com dor, eles começam a morder só porque estão com dores, mas ele não tentou morder ninguém uma só vez”, concluiu.

Embora não se saiba ainda quais serão as consequências das queimaduras, a equipe veterinária está otimista, especialmente porque o animal já come e faz suas necessidades fisiológicas sem precisar de ajuda.

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“Ele está definitivamente com muita dor, e não está definitivamente fora de perigo, mas estamos esperançosos de que tudo vai ficar bem”, contou Emily. “Ele gosta de esfregar a barriga e adora comida, então está que nem um porquinho. Ele também gosta de abraços”, completou.

Devido ao laço criado entre ela e o cachorro, a veterinária tem cogitado a possibilidade de adotá-lo. No entanto, Emily já tutela cinco cães e é mãe de um bebê de sete meses e, por isso, admite que a casa dela não seria o melhor lugar para Taka, já que ele precisará de muitos cuidados individuais. No entanto, se for para o cão ser adotado por outra pessoa, Emily se comprometeu a encontrar o melhor lar para ele.

“Ele passou por algo tão traumático e doloroso, e ainda assim não desiste. Ele é tão resistente”, finalizou.


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Tartarugas morrem em SC e hipótese de afogamento é cogitada

Três tartarugas foram encontradas mortas em Barra Velha, no estado de Santa Catarina. A suspeita é de que elas tenham ficado presas em uma rede de pesca, o que pode ter causado um afogamento. Os animais marinhos foram colocados em cima de um pedaço de madeira na areia da Praia das Pedras Brancas, conhecida popularmente como Praia da Barrinha.

Foto: Arquivo Pessoal

Os corpos foram localizados na segunda-feira (24). A pesca feita perto das rochas aumenta a chance desses animais ficarem presos nas redes e acabarem morrendo afogadas. As informações são do NSC Total.

A morte das tartarugas foi constatada por equipes da unidade de estabilização de animais marinhos da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que estiveram na praia. Da espécie verde, as duas mediam de 40 a 50 centímetros e tinham entre cinco e dez anos. Em fase juvenil, as tartarugas ainda estavam longe de entrar no período reprodutivo.

“Uma das hipóteses da causa da morte das tartarugas é o aprisionamento delas em rede de pesca ou captura acidental. Elas estavam com aspecto corporal bom e nenhuma evidência de doenças”, explica Jeferson Dick, coordenador da unidade de estabilização Univali.

Segundo ele, dificilmente animais com aparência saudável morrem devido a doenças, por isso a hipótese de afogamento é considerada. O estrangulamento das nadadeiras, ocasionado por linhas de pesca, também pôde ser visto nos corpos dos animais.

“Além das pesca, nós temos outros fenômenos que causam a morte, como a presença de lixo no mar. Atendemos tartarugas caquéticas que ingeriram lixo e não conseguem mais se alimentar direito, por exemplo”, ressalta o coordenador.

Dick lamentou a morte de tartarugas tão jovens. “Elas teriam uma longa história de vida, é sempre um dano enorme perder esses animais ainda jovens, extinguindo a chance de reprodução e assim perpetuar a espécie”, diz.

A tartaruga verde, segundo o especialista, é uma espécie ameaçada de extinção. E casos como o registrado em Barra Velha, costumam ser registrados com muitos outros animais em fase juvenil.

No caso daqueles que são resgatados com vida, um processo de reabilitação é realizado por membros do grupo de estabilização, seguindo protocolos para, por exemplo, reverter situações de afogamento. Até que estejam totalmente recuperadas e prontas para retornar à natureza, as tartarugas permanecem em tanques na unidade.

Quando já estão saudáveis, elas são transferidas para o Projeto Tamar, em Florianópolis, para que sejam soltas no habitat. Durante todo esse processo, as tartarugas recebem anilhas com numerações diferentes que ajudam na pesquisa e na conservação das espécies.


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Ativistas resgatam 249 vacas e bezerros após fechamento de grande fazenda leiteira

Por David Arioch

Animais foram resgatados da Big Island Dairy, uma das maiores fazendas leiteiras do Havaí (Foto: Lava Flow/Divulgação)

Depois que a Big Island Dairy, uma das maiores fazendas leiteiras do Havaí, encerrou atividades, ativistas da rede em defesa dos animais Lava Flow começaram a negociar o resgate dos animais remanescentes. Embora fosse praticamente impossível conseguir abrigo para todos os animais que viviam na propriedade, os ativistas já resgataram 249 vacas e bezerros desde que a Big Island Dairy encerrou formalmente seus negócios em Ookala em fevereiro.

Para garantir que os animais não fossem abatidos ou enviados para outra fazenda leiteira, a Lava Flow fez um acordo com a Big Island Dairy para pagar 100 dólares por cada bezerro e 350 dólares por cada vaca. Como havia 2,6 mil animais na propriedade, o grupo criou uma campanha de financiamento coletivo no GoFundMe para resgatar os animais. Eles já arrecadaram 51 mil dólares de uma meta de 65 mil.

O motivo do fechamento da Big Island Dairy foi um processo por despejar quase oito milhões de galões de resíduos líquidos nos canais locais nos meses de maio e agosto de 2018. Considerando a multa, as condições econômicas da empresa e as exigências regulatórias, a companhia achou melhor encerrar as atividades.


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Mulher é presa após amarrar focinho de cadela com elástico de cabelo

Foto: Reprodução/Facebook

Uma mulher foi presa na última semana em Utah, nos Estados Unidos, após amarrar o focinho de uma cadela com um elástico de cabelo para impedir que ela latisse à noite.

Shadow, como é chamado o filhote, sofreu graves danos faciais e precisará ser submetido à cirurgia. A pequena cadela foi resgatada pela ONG Zoo Celestial.

Alexis Callen, tutora da cadela, admitiu o crime, mas alegou que deixou o focinho do animal amarrado por 48 horas. A ONG, no entanto, acredita que, devido à gravidade do ferimento, o filhote tenha ficado com o focinho amarrado por cerca de duas semanas.

O caso foi descoberto após Alexis publicar um pedido de ajuda em rede social, alegando que não tinha condições financeiras de ajudar sua cadela, que estava ferida.


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Morte força elefantas a se despedirem após 40 anos de exploração em circo

Após a elefanta Guida morrer, na segunda-feira (24), no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT), iniciou-se um processo de despedida entre ela e Maia, que a acompanhou por décadas. As duas foram exploradas durante 40 anos por um circo e há dois anos e oito meses viviam no santuário. O SEB é o único lugar destinado à conservação de elefantes na América Latina.

Guida, caída ao chão, já morta, e Maia ao seu lado, despedindo-se (Foto: SEB)

Segundo estimativas do santuário, Guida e Maia têm entre 45 e 47 anos. A suspeita do SEB é de que elas tenham vindo para o Brasil após serem traficadas da Tailândia para serem exploradas em espetáculos circenses. As informações são da BBC News Brasil.

“Elas chegaram ao Brasil ainda filhotes. Existe um método que chamam de sensibilização, no qual dizem que o quanto antes tirar o elefante da mãe, mais fácil será para que ele se torne submisso. Esses animais costumam ser espancados para obedecer ordens”, conta um dos diretores do santuário, o biólogo Daniel Moura.

A exploração de animais em circos é ilegal no Brasil em 12 estados. Um projeto de lei federal, em tramitação há anos na Câmara dos Deputados, pretende proibir a prática em todo o Brasil. A medida, no entanto, segue sem prazo para ser colocada em votação.

Maia e Guida se tornaram amigas inseparáveis (Foto: SEB)

Na época em que eram exploradas para entretenimento humano, Maia e Guida chegavam a viajar acorrentadas e amontoadas em um trailer com mais dois camelos. Elas foram retiradas de um circo na Bahia em 2010, em uma ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). De lá, foram encaminhadas para um sítio em Paraguaçu (MG), onde viveram acorrentadas por longos seis anos.

Quando viviam no sítio, as elefantas tinham uma relação turbulenta. Para que não brigassem, eram mantidas afastadas. Segundo especialistas, isso acontecia devido ao estresse gerado pela falta de espaço no local, que dificultava o convívio entre os animais.

Depois de tanto sofrimento, as elefantas asiáticas finalmente puderam passar a ter uma vida boa. Em outubro de 2016, elas percorreram 1,6 mil quilômetros, dentro de contêineres, para serem levadas de Minas Gerais ao Mato Grosso. As duas foram as primeiras moradoras do SEB, um local de 1,1 mil hectares que antigamente era usado para abrigar bois explorados para consumo humano e que hoje é a casa de elefantes resgatados. A manutenção do santuário é feita por meio de doações vindas do exterior e do Brasil.

Os problemas de convivência entre as elefantas se findaram assim que elas chegaram ao santuário. No local, que não é aberto ao público para evitar incômodo aos animais, elas se tornaram grandes amigas.

Maia e Guida eram exploradas e maltratadas em circo (Foto: Reprodução / YouTube)

A qualidade de vida proporcionada pelo SEB fez com que Maia perdesse o título de “garota má” e se mostrasse um animal mais dócil. Guida, que chegou no local abaixo do peso, ganhou 400 quilos no primeiro ano em que viveu na fazenda. A tristeza que ela tinha deu lugar a um animal brincalhão e desbravador, que passou a conhecer a natureza, direito que lhe foi tirado por tantos anos.

No santuário, as duas tinham 29 hectares adaptados para que pudessem circular com o apoio necessário da mata. Neles, elas passeavam durante todo o dia. No espaço destinado a elas, há área médica, tanques de água e setor de alimentação.

De acordo com especialistas, Maia já está próxima da velhice, assim como Guida também estava. Isso porque, apesar de elefantes serem considerados idosos a partir dos 60 anos, a expectativa de vida daqueles que são forçados a viver em cativeiro é menor, entrando na velhice aos 50 anos.

Embora as duas tivessem muita coisas em comum, havia também diferenças. Maia costuma fazer movimentos bruscos e involuntários, o que faz com que seja considerada levemente desajeitada. A elefanta é também um pouco exigente com comida. Guida, por sua vez, era mais tranquila e costumava comer sempre três folhas de uma árvore, duas de outra e uma de palmeira. “Ela é uma dama”, diziam aqueles que conviviam com Guida.

Para o presidente do SEB, o norte-americano Scott Blais, a relação das elefantas era extremamente positiva.

“Elas eram praticamente inseparáveis e celebravam suas vidas dentro do santuário, emitindo alguns trombeteios de alegria”, comenta.

Rana (meio) passou a viver com Maia e Guida no ano passado (Foto: Patrícia Santos)

As duas, no entanto, não eram as únicas a viver no santuário, que em dezembro de 2018 recebeu a elefanta asiática Rana, que também sofreu maus-tratos em circos por décadas e que se tornou companheira de Guida e de Maia.

Atualmente, o SEB trabalha para levar para a fazenda outros elefantes vítimas de exploração e maus-tratos, advindos do Brasil e de outros países da América Latina, mas ainda não há prazo para que isso ocorra.

“Estamos resolvendo as questões burocráticas, que levam tempo”, justifica Daniel Moura.

A despedida

Guida morreu logo após ficar presa em um das trilhas que fazia no santuário. Os veterinários a auxiliaram e ficaram surpresos com o cansaço e a fraqueza do animal, que sempre foi considerado forte e que costumava desbravar diversas áreas do SEB.

Após ser auxiliada para sair da trilha, Guida deitou no chão, momento em que os profissionais fizeram a aplicação de soro intravenoso nela, a medicaram e colheram amostras de sangue.

“Após algum tempo, a respiração dela começou a oscilar até que simplesmente parou de respirar”, relata a americana Kat Blais, vice-presidente do santuário.

Sem demonstrar qualquer sinal de que pudesse estar sentindo dores, Guida morreu, de maneira silenciosa. “Ela se foi em paz. Não esperávamos que ela se fosse”, relata Kat.

Maia (à esquerda) e Guida (à direita) (Foto: SEB)

Scott, que há mais de trinta anos trabalha com elefantes, acredita que as décadas de maus-tratos colaboraram para fragilizar a saúde de Guida. “Tragicamente, os danos cumulativos causados pela negligência do cativeiro podem criar impactos devastadores e inesperados na vida dos elefantes”, afirma.

“Impossível imaginar que Guida não estará mais lá quando formos cuidar das meninas. Muito difícil aceitar que seus trombeteios infantis do dia anterior foram os últimos que ouvimos”, lamenta Kat.

Ao ver a companheira morta, Maia se aproximou, hesitante, e em um primeiro momento manteve a tromba distante do corpo de Guida. Em seguida, cheirou lentamente a amiga e de distanciou.

“Após alguns momentos tocando e cheirando Guida, ela conseguiu entender o que aconteceu”, afirma a vice-presidente do SEB.

“Esse processo [de luto] será particularmente difícil para a Maia. Ela precisará de tempo para se adaptar. Não há dúvida de que ela e todo nós carregaremos, em nossos corações, a alegria pura e plena que a Guida dividiu com todos que tiveram a chance de conhecê-la”, diz Scott.

A partida de Guida deixou Maia calada e desorientada. Em respeito a dor da elefanta, os veterinários a deixaram sozinha por um tempo na companhia de Guida. Rana assistiu a cena, de longe e em silêncio.

“É devastador olhar para Maia e saber que ela perdeu sua melhor amiga poucos anos depois de ter, realmente, a encontrado”, lamenta Kat.

Durante a madrugada de terça-feira (25), Maia se manteve perto de Guida e, no decorrer do dia, várias vezes observou o corpo, em silêncio. Assim como Rana que, igualmente silenciosa, aproximou-se de Guida em diversos momentos.

As elefantas criaram forte vínculo de amizade (Foto: SEB)

“Permitimos que elas ficassem com Guida durante a noite, tendo o tempo necessário para prestar suas homenagens e se despedirem dela. É comum que elefantes honrem a morte dos membros de sua família”, afirma Scott.

A presença de Maia ao lado do corpo se estendeu durante a madrugada de quarta-feira (26). Ela apenas se afastou com a chegada de uma equipe de patologistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que esteve no local para realizar a necropsia do corpo. As causas da morte serão investigadas por especialistas, mas não há previsão para liberação dos resultados dos exames.

De acordo com representantes do SEB, não há suspeitas sobre o que motivou a morte de Guida. “Ela estava muito bem dias antes. O falecimento dela foi uma surpresa. O que imaginamos é que há impacto do período em que ela sofreu maus-tratos e exploração”, diz Daniel Moura.

O corpo da elefanta foi enterrado em uma área do santuário.


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Suécia ganha escola vegana em Solna

Por David Arioch

“Quando os estudantes deixam a escola, esperamos que eles se transformem em pessoas livres e responsáveis que podem fazer a diferença” | Pixabay

Recentemente a Suécia ganhou uma escola vegana em Solna. A Hagaskolan, que atende 185 alunos com faixa etária de 9 a 15 anos, se baseia na Pedagogia Waldorf, que, além da transmissão de conhecimento, prioriza o desenvolvimento integral dos estudantes, também considerando o cultivo do intelecto e da sensibilidade.

A escola já existia em Estocolmo, mas ainda não defendia uma filosofia de vida vegana. Com a transição, a instituição passou a oferecer um cardápio livre de ingredientes de origem animal e a estimular o respeito pelo meio ambiente e também pelos animais não humanos.

Os alunos têm uma disciplina dedicada à sustentabilidade e saúde, além de aulas de teatro e música. E no ano que vem deverão ganhar uma disciplina específica de ética.

Segundo a diretora da escola, Veronica Blixt Myrsell, a Hagaskolan oferece um ambiente familiar e seguro e quem visita a instituição reconhece uma atmosfera bastante calorosa. “Quando os estudantes deixam a escola, esperamos que eles se transformem em pessoas livres e responsáveis que podem fazer a diferença”, enfatiza.

No Brasil, entre as instituições de ensino que promovem o veganismo está a escola Movimento Infância In Natura, sediada na Tijuca, no Rio de Janeiro, que atende crianças com faixa etária de um a seis anos, e também preza pelo respeito aos animais e ao meio ambiente, além de oferecer uma proposta pedagógica mais humanizada. A instituição surgiu da necessidade de dois casais que não encontravam uma alternativa satisfatória que acolhesse seus filhos enquanto trabalhavam.

Outro exemplo é a Nativa Escola, considerada a primeira escola vegana do Brasil, que também defende tanto o respeito à vida humana quanto não humana. Fundada no Aeroclube, em João Pessoa, na Paraíba, e de frente para o mar, a instituição que recebe crianças de um a seis anos conta com turmas de educação infantil divididas em três ciclos multisseriados. Como cada criança possui um desenvolvimento cognitivo, psicológico e social diferente, elas passam por uma análise antes de serem admitidas ou irem de um ciclo para o outro.


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Boi que seria morto para consumo após cair em buraco é resgatado e tem a vida salva

Divulgação

Um boi que caiu em um buraco em uma obra paralisada foi resgatado por uma ONG após pessoas sugerirem que ele fosse morto para consumo humano. O caso aconteceu no bairro Bela Vista, em Conselheiro Lafaiete, no estado de Minas Gerais.

O animal se acidentou no último domingo (23) ao cair em um buraco de mais de dois metros de profundidade. As informações são do Portal Lafaiete.

Resgatado pelo Corpo de Bombeiros, o boi foi transportado na segunda-feira (24) pela Associação Lafaietense de Proteção aos Animais (ALPA), com auxílio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). A entidade também conseguiu que o animal fosse examinado e medicado.

De acordo com o veterinário que examinou o boi, ele deve se recuperar em breve. Levado para um local seguro, o animal ainda está fraco, mas já se alimenta sozinho.

O caso foi registrado em uma delegacia e, caso o tutor do boi apareça, ele terá que arcar com todas as despesas médicas e de transporte do animal.


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