Morre elefanta que vivia em santuário após ser explorada por circo durante décadas

Guida tomando banho no Santuário de Elefantes Brasil (Foto: Divulgação/SEB)
Guida, uma elefanta de 47 anos que vivia há dois anos e oito meses no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, morreu nesta segunda-feira (24). A notícia da morte foi divulgada pelo santuário, através das redes sociais, na terça-feira (25). “Nossa grandona, nossa agradecida Guida, que deveria viver para sempre, aparentemente tinha outros planos”, escreveu o SEB.
De acordo com o que foi noticiado, Guida estava bem e a morte súbita surpreendeu os membros do santuário. “Nunca é fácil perder um elefante, mas quando não há sinais e sua luz ainda brilha tão forte, é mais difícil aceitar. Sabemos dos danos que anos de cativeiro podem causar, mas não estávamos preparados para perdê-la”, disse. Guida foi explorada para entretenimento humano por 40 anos, período em que viveu em um circo e sofreu maus-tratos.
O SEB descreveu ainda a forma como reagiram os outros elefantes que estavam acostumados a conviver com Guida. “Enquanto escrevemos, Maia está ao seu lado. Ela caminhou até Guida, um tanto hesitante a princípio, aparentemente insegura do que tinha diante dela. Inicialmente manteve sua tromba distante, cheirando-a vagarosamente e depois a afastando. Depois de alguns momentos tocando e cheirando Guida, conseguiu entender o que aconteceu”, afirmou.
“Maia ficou quieta, mas também desorientada. Sentimos que deveríamos distraí-la. Demos a ela um pouco mais de feno (ela encontra conforto na comida) e decidimos deixa-la sozinha com sua irmã para processar e sentir o que deveria sentir”, completou.
Outra elefanta que viveu com Guida e que esteve perto do corpo dela após a morte foi Rana. Segundo o santuário, ela passou muito tempo perto da cerca onde Guida estava. “Com sua tromba cheirava em sua direção, sabia claramente que algo estava errado. Hoje de manhã permaneceu próxima ao galpão, cheia de luz como sempre, emitindo alguns chiados durante o café da manhã. Ela não está na área onde Guida se encontra, não temos certeza se irá até ela, mas o espaço está aberto, caso resolva ir. Não a forçaremos, ela sabe que Guida está lá..”, disse.

Rana (à direita), Guida (centro) e Maia (à esquerda) se tornaram companheiras no santuário (Foto: Divulgação/SEB)
Não se sabe o que motivou a morte da elefanta, mas o santuário investiga se os anos de maus-tratos sofridos no circo podem ter contribuído para isso. Guida foi encontrada, de acordo com o SEB, “presa em um lugar que não deveria estar”, em um trilha estreita. “Ela simplesmente não conseguia levantar sua pata para a frente da outra. Guida é a nossa menina que sempre escolheu seguir os caminhos mais difíceis, esta dificuldade não era comum. Não sabemos porque sentiu que estava presa, mas a ajudamos sair, alargando um pouquinho o caminho com varas e a encorajamos com palavras, e, assim, saiu da trilha”, contou.
Em seguida, Guida deu um ou dois passos, apoiou-se sobre um monte de terra, descansou e, após mais alguns passos, deitou no chão. “Aplicamos soro intravenoso, a medicamos, tiramos amostras de sangue com a esperança de que descansasse um pouco. Mas após algum tempo, sua respiração começou a oscilar até que simplesmente parou de respirar. Ela se foi silenciosamente e em paz. Não esperávamos que ela se fosse”, relatou o santuário.
A morte da elefanta abalou os membros do santuário, que sofrem não só por sua partida, mas por se preocuparem com Maia, fiel companheira de Guida.
“Impossível imaginar que Guida não estará mais lá quando formos cuidar das meninas. Muito difícil aceitar que seus trombeteios infantis do dia anterior foram os últimos que ouvimos. É devastador olhar para Maia e saber que ela perdeu sua melhor amiga, somente após alguns anos de tê-la realmente encontrado. É impossível olhar para Maia e não chorar”, escreveu.
No entanto, o santuário admitiu que, apesar do sofrimento, esse processo deve ajudar Maia a se abrir a outros elefantes e a crescer emocionalmente. “Já vimos isso acontecer antes”, disse.

Guida e Maia viveram em cativeiro por 40 anos, sendo exploradas em espetáculos circenses (Foto: Antônio Carlos Banavita)
“Um santuário ajuda os elefantes a se abrir emocionalmente para que lindas mudanças ocorram, mas também os torna vulneráveis a dor. Esperamos que Maia se abra e permita que Rana a ajude com suas lutas e mostre que ela tem outra amiga em quem se apoiar. Sabemos quantos de vocês se apaixonaram por ela e a ajudaram a sentir um amor incondicional que, até então, não conhecia”, escreveu o santuário, que, por fim, despediu-se de Guida, desejando que ela viajasse em paz para o céu dos elefantes.
“Você se foi de mansinho, assim como quando chegou para enfeitar nossas vidas com sua alegria e sua luz. Nos perdoe por não termos te encontrado antes, seu tempo aqui foi curto demais. Você é parte deste Santuário, de cada pedacinho desta terra, terra dos elefantes! Vai… mas te imploramos, nunca se esqueça de nós!”, finalizou.
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