Ciência cruel: pesquisadores provocam autismo em macacos para estudar tratamentos

Uma técnica de edição de genoma, aplicada em macacos por cientistas chineses e norte-americanos, fizeram com que os animais desenvolvessem uma mutação ligada ao autismo. Condenados a sofrer as consequências de serem forçados a ter uma síndrome, os macacos foram explorados pela ciência para o estudo de tratamentos médicos para humanos.

Foto: Reprodução/Pixabay

Após terem a mutação desenvolvida, os animais passaram a ter um comportamento semelhante ao dos humanos com autismo, acordando várias vezes à noite, apresentando dificuldade de relacionamento com outros macacos e promovendo atos repetitivos, o que demonstra sofrimento intenso. Após os animais serem submetidos a exames, ficou comprovado também que eles apresentaram uma atividade menor no thalamus, região do cérebro responsável por questões sensoriais e motoras.

O resultado do experimento cruel foi publicado na segunda-feira (12) na revista científica Nature. As informações são do portal G1.

Os pesquisadores explicaram que um dos genes que podem estar associados ao autismo é o Shank3 e que a proteína codificada por ele é encontrada na sinapses – isso é, na ligações entre os neurônios -, especialmente na parte do cérebro responsável pela coordenação motora, à motivação e ao comportamento.

Pesquisadores de centros de estudo chineses e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) usaram uma técnica chamada de CRISPR e localizaram a sequência do DNA que teria que ser modificada, para editá-la. Dessa forma, provocaram uma mutação no Shank3, fazendo com que os macacos tivessem a carga genética associada à síndrome.

Ratos também já foram vítimas deste tipo e experimento. No entanto, como eles não têm o córtex pré-frontal – região relacionada à concentração e à interpretação de sinais sociais – muito desenvolvido, como os primatas, os cientistas não obtiveram o resultado esperado.

Além de serem extremamente cruéis, tanto no caso dos macacos quanto dos ratos, os experimentos também são desnecessários e tendem a ser ineficientes. Os pesquisadores ainda não têm garantia de que eles levarão à descoberta de remédios seguros e eficazes.

Analisando apenas a eficácia dos testes científicos em animais, e não a questão ética, o médico Ray Greek chegou à conclusão de que eles são completamente dispensáveis. “A pesquisa científica com animais é uma falácia”, afirmou o especialista, em entrevista à revista Veja.


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Rodrigo Maia recebe manifesto contra a liberação da caça no Brasil

Por David Arioch

Entrega do manifesto fez parte do evento “Um Dia Animal!”, iniciativa do deputado Fred Costa (Patri-MG) (Foto: CFBio)

Ontem, um grupo formado por organizações da sociedade civil, parlamentares e artistas entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um manifesto contra a liberação da caça no Brasil.

Também foi entregue um abaixo-assinado com mais de 700 mil assinaturas contra a prática no país, além do resultado de uma pesquisa encomendada pela WWF-Brasil, que mostra que 93% da população brasileira é contra a caça.

A rejeição à caça é de 95% nas capitais e 91% em cidades do interior. Tratando-se de regiões, o percentual é de 94% no Sudeste, 93% no Sul, 92% no Norte e Centro-Oeste e 91% no Nordeste.

Atualmente há vários projetos que visam favorecer a caça e os caçadores no Brasil. De autoria do ex-deputado federal e atual chefe-ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o projeto de Lei (PL) 7136/2010 visa transferir aos municípios o poder de autorizar a caça de animais – prerrogativa que é do governo federal.

Já o Projeto de Lei Complementar (PLP) 436/2014, de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), quer tornar a caça e o “manejo de fauna” ações administrativas dos governos estaduais. Mendonça também é autor do PL 986/2015, que protege caçadores no que diz respeito à aquisição propriedade, posse, trânsito e uso de armas de fogo.

De autoria do ex-deputado federal Valdir Colatto (MDB-SC), e atual chefe do Serviço Florestal Brasileiro, o Projeto de Lei (PL) 6268/2016 é provavelmente o mais conhecido e prevê a liberação da caça em todo o país e ainda altera o Código de Caça brasileiro, editado em 1967.

Há também o PL 1019/2019, que cria o Estatuto dos CACs que, segundo o próprio autor, o deputado Alexandre Leite (DEM-SP), que este ano desarquivou o projeto de Valdir Colatto, de liberação da caça, tem a finalidade de regular o exercício das atividades de colecionamento, tiro desportivo e caça, “a fim de apaziguar as diferentes interpretações legais sobre o assunto e prevenir que caçadores, atiradores e colecionadores sejam presos indevidamente”.

Empresa líder de venda de carne se torna 100% vegana

Foto: Loud/Reprodução

Foto: Loud/Reprodução

A Vivera Foodgroup é uma das primeiras empresas de carnes do mundo a remover a carne de origem animal de sua linha de produtos trocando-a por alimentos à base de vegetais.

A empresa acaba de vender a Enkco, especializada em carnes congeladas e ultra congeladas, para o grupo holandês Van Loon. A Vivera Foodgroup agora tem apenas empresas veganas sob o seu nome, incluindo Vivera, Culifrost e Dutch Tofu Company.

A mudança que o abandono da venda de produtos de origem animal permitirá que a empresa se concentre nas “fortes oportunidades de crescimento” apresentadas pelo mercado de alimentos vegano da Europa, informou a Vivera em um comunicado à imprensa.

A empresa detém uma “forte posição de mercado” em grandes regiões da Europa e é um dos três maiores “players” do continente, graças à sua marca Vivera, que produz refeições à base de vegetais e carne vegana, como o bacon sem gordura.

Willem van Weede, CEO da Vivera, disse em um comunicado: “Somos uma das primeiras empresas do setor de carnes do mundo a dizer o adeus final à carne. De agora em diante, nos concentraremos apenas em alimentos à base de vegetais que estão realmente conquistando o mundo”.

Van Weede continuou: “Cada vez mais consumidores estão descobrindo que os produtos à base de plantas podem ser tão saborosos quanto a carne real e têm muitos benefícios para a saúde pessoal, o impacto ambiental e o bem-estar animal”.

O CEO acrescentou que ao livrar a carne, a Vivera Food Group poderá promover sua presença internacional.

A Vivera a comida vegana

No ano passado, a Vivera lançou o primeiro bife vegano comercialmente disponível no mundo em 400 supermercados Tesco. A criação sem carne é feita com ingredientes como soja e proteína de trigo, óleo de girassol e beterraba.

A primeira remessa de Vivera de 40 mil itens esgotou quase imediatamente. Gert Jan Gombert, gerente comercial da Vivera, disse que os bifes à base de vegetais estavam “voando das prateleiras do mercado”.

Mais de um milhão de bifes veganos foram comprados desde o lançamento.
A Vivera criou uma série de outros itens desde então, incluindo o Pulled Veggie, o Shawarma Kebab e o Veggie Quarter Pounder, em uma tentativa de tornar a alimentação baseada em vegetais mais acessível para o público.

“A Vivera acredita que a vida é melhor quando você come menos carne”, diz a empresa em seu site, acrescentando que seus produtos veganos fazem dela uma “escolha fácil: mais vida, menos carne”.

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Otto Alencar diz que o Brasil é o país mais irresponsável do mundo com o meio ambiente

Por David Arioch

“As futuras gerações vão precisar de água. Vai ser uma situação muito grave” | Foto: Divulgação

Na última terça-feira, durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente (CMA), e que fez parte da programação da campanha Junho Verde, o senador Otto Alencar (PSD-BA) disse que o Brasil é o país mais irresponsável do mundo com o meio ambiente.

“Quando vejo alguém querer dar condição de desmatamento de mais cinco milhões de hectares no Brasil, parece que esse povo não tem filho nem neto”, declarou.

E acrescentou: “Esse pessoal no futuro vai querer beber água de qualidade e em quantidade suficiente. As futuras gerações vão precisar de água. Vai ser uma situação muito grave.”

As declarações do senador surgiram durante discussão sobre as tentativas de flexibilização do Código Florestal, que além de propor mais relaxamento na legislação ambiental também prevê mais anistia para os desmatadores no Brasil. Exemplo é a Medida Provisória 867/2018, proposta pelo deputado Sergio Souza (MDB-PR).

O professor de agronomia Roberto José de Freitas, que participou da audiência, defendeu que é um erro os produtores rurais acharem que qualquer medida de redução de áreas de preservação ambiental pode ser benéfica.

A justificativa é bem simples – um ambiente bem preservado reduz problemas de doenças e pragas. “Quando ele conserva a água, ele é o primeiro beneficiário”, disse.

Durante a audiência também foram abordados pontos que podem contribuir para uma “economia verde”, incluindo mais investimentos em energia solar.

“Se a gente continuar emitindo gases de efeito estufa, vai ter mais uns 15 anos de vida como planeta. O sol é a grande resposta. É a fonte mais abundante, barata e limpa. É a matriz que mais gera emprego”, declarou o empresário do ramo de energia solar, Tiago Alves.


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Embalagens plásticas descartáveis de shampoo usadas em hotéis podem ser banidas por lei

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Se aprovada, a lei entrará em vigor em 2023 para hotéis com 50 quartos ou mais. Os estabelecimentos de hospedagem com menos de 50 quartos teriam até 2024 para substituir totalmente os pequenos produtos de plástico.

Este não é um conceito totalmente novo na indústria hoteleira. No ano passado, o InterContinental Hotels Group e o Marriott International começaram a substituir os artigos de higiene pessoal de plástico de uso único por recipientes maiores que são presos na parede.

A Marriott implementou essas mudanças em até 450 propriedades sob sua administração e focou especificamente em propriedades que atendem viajantes de negócios.

O esforço para minimizar o uso de plásticos de uso único aumentou significativamente nos últimos anos no mundo todo.

Em 2014, o estado americano da Califórnia tornou-se o primeiro a promulgar uma proibição de sacolas plásticas em grandes lojas de varejo. O governo também impôs um encargo mínimo de dez centavos de dólar para sacolas de papel recicladas e sacolas plásticas reutilizáveis em locais específicos. Este ano, outro estado americano, Nova York seguiu o exemplo com um mandato estadual semelhante. Só nos EUA, vários condados e cidades menores adotaram legislação semelhante.

Canudos de plástico também receberam muita atenção dos legisladores. Em 2018, Seattle se tornou a primeira cidade dos EUA a proibir totalmente o uso de canudos de plástico.

A mudança cultural para longe do uso de produtos plásticos descartáveis chega em um momento importante. Estima-se que a América do Norte, definida como Bermudas, Canadá e Estados Unidos pelo Banco Mundial, tenha produzido cerca de 35 milhões de toneladas de resíduos plásticos em 2016, tornando-se o terceiro maior produtor mundial de resíduos plásticos naquele ano.

Produtos plásticos descartáveis acabam no oceano poluindo o planeta. A ONU estimam que até 80% do lixo flutuante é plástico, resultando em enormes prejuízos para a vida selvagem. Aproximadamente 1 milhão de aves marinhas e 100 mil animais marinhos morrem a cada ano devido à ingestão de plástico.

Ainda assim, eliminar os pequenos produtos de higiene pessoal de plástico dos hotéis será uma mudança cultural significativa para os consumidores que já estão acostumados a esperar esses serviços quando viajam. Muitos consumidores já esperam encontrar os mini artigos de higiene fornecidos pelos hotéis e até colecionam os itens depois de uma viagem.

No entanto, os benefícios dessa proibição parecem superar em muito qualquer inconveniente para o consumidor. De acordo com a revista Lodging, a rede de hotéis Marriott estima que uma única propriedade com cerca de 140 quartos reduz o consumo de plástico em 250 libras de plástico por ano – ou em 23 mil garrafas plásticas.

O autor do projeto, o deputado Ash Kalra, espera que seus colegas legisladores também vejam o impacto significativo que esse projeto de lei pode ter.

Kalra disse à CALmatters: “Espero que meus colegas vejam isso como uma lei de senso comum que mais uma vez nos coloca como líderes quando se trata de tentar reduzir nosso consumo de plástico e líderes em questões do meio ambiente”.

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Projeto de lei defende pena de até seis anos de prisão para caçadores no Brasil

Por David Arioch

Com base em pesquisa encomendada pela WWF-Brasil, PL cita que rejeição à caça no Brasil é de 93% | Foto: Pixabay

Protocolado na Câmara dos Deputados na semana passada, o Projeto de Lei 3276/2019, de autoria do deputado Célio Studart (PV-CE), prevê pena de três a seis anos de prisão para quem caçar animais protegidos por lei no Brasil.

O projeto, que aumenta a pena em caso de desrespeito à legislação que proíbe a caça de animais, defende alteração da Lei nº 5.197, de 1967. Segundo Studart, a lei já prevê como
crime o desrespeito às normas de vedação à caça, porém a pena é muito baixa, o que permite que “aqueles que praticam esses atos sanguinários não permaneçam atrás das grades”.

Para fundamentar a defesa do projeto, o deputado cita como referência a mais recente pesquisa Ibope encomendada pela organização WWF-Brasil, que apontou que 93% da população brasileira não é a favor da caça.

É importante destacar que no Brasil, mesmo quando o caçador é autuado em flagrante depois de matar animal protegido por lei, ele não é preso porque, segundo o artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais (9605/1998), trata-se de um crime de “menor potencial ofensivo”. Além disso, sempre são estabelecidas penas alternativas à prisão, o que pode servir como um estímulo aos crimes contra animais.


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Uso de maconha com fins veterinários é aprovado pela Câmara Alta da Califórnia

Por David Arioch

Maconha medicinal é uma aliada no tratamento de artrite em animais (Acervo: Walkndogs)

De acordo com informações da agência Associated Press (AP), no final do mês passado a Câmara Alta da Assembleia Legislativa da Califórnia aprovou por unanimidade projeto de lei que prevê o uso de maconha com fins veterinários, desde que prescrito por profissional da área. Agora o PL segue para votação na Câmara Baixa da AL.

A ideia de criar um projeto de lei garantindo o direito de os médicos veterinários prescreverem maconha medicinal no tratamento de animais surgiu porque alguns profissionais, que já defendiam a utilização, estavam tendo problemas com o Conselho de Medicina Veterinária.

A justificativa para o uso é que o canabidiol é considerado seguro no tratamento de artrite e outros problemas de saúde.


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Ator Alec Baldwin pede ao SeaWorld que pare com a crueldade contra os golfinhos

Foto: Pinterest

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O ator Alec Baldwin está pedindo ao SeaWorld que pare com o tratamento cruel que o parque dispensa aos golfinhos. A estrela dos filmes “Boss Baby” e “30 Rock” fez o pedido durante a reunião anual on-line do parque aquático.

“Minha pergunta é essa”, disse Baldwin. “Quando o SeaWorld deixará de permitir que os treinadores usem golfinhos em espetáculos de circo, disfarçados de entretenimento, que demonstram crueldade absurda, como andar em suas costas e de pé sobre seus rostos?”.

Baldwin refere-se a um recente relatório do grupo de defesa dos direitos animais da ONG PETA que encontrou feridas abertas e “cicatrizes extensas” nos mamíferos marinhos, “mas os treinadores ainda os utilizam como pranchas de surf, subindo em suas costas e ficando de pé em seus rostos em shows humilhantes em estilo dos circos”, disse Baldwin.

“Permitir que os treinadores ‘surfem’ nas costas dos golfinhos ou ‘pisem’ em seus rostos coloca sua saúde e bem-estar em risco. Os golfinhos não deixam naturalmente os humanos fazerem essas coisas. Este tratamento cruel não oferece absolutamente nenhum valor educacional ao público. Também envia uma mensagem prejudicial às crianças sobre o tratamento aceitável aos animais”.

O movimento do ator vem logo em seguida ao Canadá ter aprovado uma legislação no início desta semana, proibindo o cativeiro de baleias e golfinhos. A proibição impede que os parques marinhos, como o SeaWorld, usem os animais para fins de entretenimento.

Os maus tratos do SeaWorld aos mamíferos marinhos

“É inaceitável que golfinhos inteligentes e sensíveis estejam sendo usados como pranchas de surfe e plataformas de lançamento em óculos do SeaWorld”, disse Tracy Reiman, vice-presidente da PETA, em comunicado. “A PETA e o Sr. Baldwin estão exigindo que os treinadores do SeaWorld tirem os pés das costas e dos rostos desses animais”.

O SeaWorld tem tido queda nas vendas de entradas enfrentado protestos públicos desde que o filme “Blackfish”, de 2013, expôs os maus tratos do parque marinho às baleias orcas em cativeiro.

O filme acompanha a história de Tilikum, uma baleia orca ligada a três mortes de treinadores estimuladas pelo que os especialistas acreditam ser uma psicose causada por seu cativeiro. Mas o filme também destacou outras questões, incluindo a separação das mães orcas de seus bebês e os freqüentes ataques estimulados pelo confinamento.

Esta não é a primeira vez que Baldwin fala em favor dos mamíferos marinhos. Em 2013, a celebridade e também pai de cinco filhos pediu ao Macy’s para retirar o enorme balão flutuante do SeaWorld de sua parada do Dia de Ação de Graças.

Ele também pediu recentemente que sua cidade natal Massapequa, em Nova York (EUA), evitasse que outro parque de mamíferos marinhos, o SeaQuest, abrisse uma filial no local.

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Black, nosso irmão chimpanzé

Por Jorge Alberto de Oliveira Marum*

Black (GAP)

Tem causado polêmica a transferência do chimpanzé Black do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros para o Santuário de Grandes Primatas. A medida foi determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em decisão liminar expedida no âmbito de uma ação civil pública ajuizada por duas ONGs ligadas à defesa dos direitos dos animais. O argumento é o de que Black é idoso e vivia solitário no zoológico, que não é um local adequado para acolher chimpanzés.

Houve protestos contra a transferência, alegando que Black estava bem cuidado e adaptado no Zoológico, onde mora há 40 anos, sendo um símbolo do Zoológico e muito querido da população.

Primeiramente, é importante registrar que a decisão é provisória, podendo ser alterada a qualquer momento, desde que se verifique algum problema de adaptação do Black ao seu novo lar. Além disso, o processo segue, com amplo debate entre as partes, produção de laudos técnicos e possibilidade de recursos, até decisão final em última instância.

O Ministério Público, designado pela Constituição Federal como protetor dos animais contra crueldade e maus-tratos, participa do processo por meio da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, cabendo-lhe, no caso, zelar pelo bem-estar de Black e para que as decisões judiciais sempre o beneficiem.

Nesse sentido, no dia 6 de maio acompanhamos os trabalhos de transferência de Black do Zoológico para o Santuário. Tudo transcorreu sem incidentes, com os técnicos de ambas as instituições trabalhando em harmonia. Havia o temor de que o stress da mudança pudesse afetar a saúde de Black, porém logo nos primeiros dias recebemos notícias alentadoras de que ele estava calmo, saudável e se alimentando bem.

No dia 24 de maio, pela manhã, visitamos o Santuário. Também estava presente a ativista Luísa Mell, acompanhada de um biólogo de seu instituto. Pudemos verificar que Black estava tranquilo, bem tratado, com alimentação de boa qualidade, acolhido num recinto de alvenaria limpo e espaçoso e com acesso a uma ampla área verde.

Por enquanto, Black está em quarentena, conforme exige o protocolo, mas em breve ele poderá se integrar com outros chimpanzés, como é da natureza da espécie — e, talvez, até encontrar uma companheira. A principal candidata é Margarete, com quem ele já teve um romance há alguns anos, quando ficou temporariamente hospedado no Santuário.

A tranquilidade de Black só foi perturbada quando, ao receber alimentação do tratador, pessoas se aglomeraram para observar e filmar a cena, momento em que ficou agitado e chegou a ter diarreia.

No mesmo dia, à tarde, uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente esteve no local e foi impedida de entrar, o que gerou repercussões na mídia e nas redes sociais. Responsáveis pelo estabelecimento argumentaram que a visita ocorreu sem aviso prévio, num horário em que os funcionários especializados e o administrador estavam ausentes. A Sema, por sua vez, alegou a existência de um acordo pelo qual seu pessoal poderia visitar Black a qualquer momento e sem aviso. A visita acabou reagendada e já ocorreu, sem incidentes, exceto pelo fato de que Black, novamente, ficou agitado e teve diarreia — o que, para nós, reforça a percepção de que visitas o incomodam, a ponto de ele sofrer sintomas psicossomáticos.

Em razão disso, no dia 7 de junho a Promotoria realizou uma reunião entre as partes, ficando acertado um protocolo de visitas a fim de que possa haver o devido acompanhamento da adaptação de Black com o mínimo de desconforto para ele.

Esses fatos têm servido para aprendermos mais sobre esses seres tão especiais que são os chimpanzés. A biologia evolutiva demonstra que eles são os primatas mais próximos do ser humano. Ambos descendem de um ancestral comum e possuem 99% de genes idênticos, podendo até receber transfusões de sangue reciprocamente. Os chimpanzés possuem inteligência equivalente à de uma criança humana de 4 anos e são considerados seres “sencientes”, por terem consciência de si e de seus sentimentos. Eles formam grupos, fazem planos e têm relações sociais complexas e muito parecidas com as dos seres humanos.

São esses, aliás, os motivos pelos quais se considera que zoológicos não são locais adequados para abrigar chimpanzés. Não há, no processo em curso, qualquer acusação de maus-tratos contra o Zoológico Quinzinho de Barros, patrimônio de Sorocaba e referência no Brasil. O Santuário seria um local melhor porque não é aberto à visitação pública e propicia a socialização dos chimpanzés numa ampla área.

Em caso semelhante, ocorrido em Mendoza, na Argentina, a chimpanzé Cecília foi considerada um “sujeito de direitos não humano” e obteve um inédito habeas corpus da justiça local, sendo transferida para o mesmo Santuário que hoje abriga Black.

O ideal, em nossa opinião, seria que o desfecho do caso Black seguisse o exemplo de Mendoza, no qual houve acordo entre a ong autora da ação e a prefeitura local, possibilitando o encerramento amigável do processo. Afinal, depois de 10 anos de trabalho no circo e 40 no zoológico, Black merece gozar da justa aposentadoria!

*Promotor de Justiça do Meio Ambiente de Sorocaba


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Movimento mobiliza população mundial contra exportação de animais vivos

A ONG Compassion in World Farming está liderando, pelo terceiro ano consecutivo, um movimento internacional para mobilizar a população mundial em torno do Dia Internacional contra a Exportação de Gado Vivo, celebrado nesta sexta-feira (14). O intuito da data é conscientizar as pessoas acerca do sofrimento dos animais exportados.

Em 2017, 30 países participaram do movimento. Ano passado, o Brasil também aderiu à ação, que envolveu 33 nações. Neste ano, 41 países foram mobilizados e irão realizar manifestações. Coordenados pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, em parceria com entidades de várias cidades, os protestos brasileiros começaram na quinta-fera (13) e serão realizados até o domingo (16). Doze cidades estão participando. As informações são da Agência Brasil.

Bois mantidos em condição insalubre no navio NADA (Foto: Magda Regina)

De acordo com a diretora de Educação do Fórum, a geógrafa Elizabeth MacGregor, embora existam legislações que determinem que os animais exportados recebam tratamento humanitário, “a questão do bem-estar animal é zero”. Além disso, segundo ela, essa exportação é negativa do ponto de vista econômico, já que representa apenas 1% do que é produzido pela pecuária brasileira para consumo humano. De acordo com MacGregor, todos os países importadores também importam carne embalada.

A geógrafa lembrou ainda que, por não ser taxada, a exportação de boi vivo não gera riqueza para o Brasil. “O couro vai de graça” para o importador, disse MacGregor, que reforçou também que essa atividade não gera emprego no Brasil, mas nos países compradores, como a Turquia e o Líbano. Além disso, esses país, comentou a geógrafa, não utilizam práticas de bem-estar animal, o que faz com que os animais sejam mortos de maneira cruel.

O problema, porém, é ainda maior, já que “ambientalmente é péssimo”. Isso porque o transporte costuma ser feito em navios reformados ou adaptados, de péssima qualidade, sem condições mínimas de higiene, sem alimentação e hidratação adequada para os animais, sem assistência veterinária, impondo aos animais uma viagem longa e exaustiva, na qual eles são sujeitos a intempéries climatológicas, com urina e fezes provocando a proligeração de doenças. Em ambientes superlotados, esses animais também não têm espaço sequer para deitar e descansar durante o percurso, que pode levar semanas. “Vão cheios de outras substâncias que afetam o meio ambiente”, disse MacGregor.

De acordo com a diretora do Fórum, a exportação de animais vivos não é boa para o Brasil, “tanto na questão econômica, como na questão da imagem do país que, no momento, parece estar sendo deixada de lado”. A questão, na opinião da ONG, é econômica. Mais de 700 mil animais vivos foram exportados em 2018, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o que gerou receita de US$ 470 milhões para o Brasil. Esse valor, porém, representa só 7% da receita proveniente da exportação de carne e derivados, que ultrapassa US$ 6 bilhões anuais.

Boi com corpo coberto por fezes e urina dentro do navio NADA (Foto: Magda Regina)

Dentre os países contrários a essa prática, a maior parte está na Europa. Isso, segundo MacGregor, deve-se ao conhecimento. A diretora da ONG lembra que a ciência já comprovou que todo animal vertebrado é senciente, ou seja, consegue sentir dor, física e psicológica. “Têm capacidade cognitiva, então raciocinam, têm sentimentos e desde a década de 1970, a ciência do bem-estar animal usa parâmetros científicos e objetivos para analisar tecnicamente como os animais estão sendo tratados”, disse. Segundo ela, esse conhecimento ainda é heterogêneo, “como tudo no mundo”.

Sobre o movimento internacional, a diretora contou que os 41 países participantes estão localizados em todos os continentes. “O movimento é global mesmo”, explicou. Na Europa, também é defendida a redução das horas de transporte terrestre dos animais. “Mas o pior é essa exportação”, segundo MacGregor.

O movimento teve início em Londres, na Inglaterra, em 2017. Trata-se de uma iniciativa da  ONG ‘Compassion in World Farming’, em parceria com a ONG ‘World Wide Fund for Nature’ (WWF), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Todas essas organizações reforçam o impacto negativo da pecuária e lembram que, dentre as atividades humanas, ela é a que causa prejudica o meio ambiente – considerando desde o desmatamento até a poluição de mares, lagos e oceanos. A diretora do Fórum explicou que a flatulência dos bois é gás metano – afirmação que é confirmada por estudos.

“Tem todo um embasamento técnico e de órgãos internacionais, não só de ONGs”, disse. MacGregor comentou também que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já se pronunciou sobre o impacto da pecuária na natureza. “O Brasil tem mais boi do que gente”, afirmou. A questão, segundo MacGregor, “é seríssima em todo o mundo”.

Graxaria do navio NADA (Foto: Magda Regina)

Diretora do Fórum, a médica veterinária Vânia Nunes disse ainda que os maus-tratos se iniciam no transporte das fazendas para os portos, que já é “extremamente estressante para os animais”. Além disso, Nunes salientou que muitos animais morrem nos navios, durante as longas viagens de exportação, por não resistirem às péssimas condições as quais são submetidos. Os corpos, triturados, são jogados no mar, assim como toneladas de fezes e urina produzidas diariamente, poluindo o meio ambiente.

Na quinta-feira (13), foram realizados protestos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (MG). Para esta sexta-feira (14), há atos marcados em Brasília, Salvador (BA) e Sorocaba (SP). No sábado (15), as manifestações serão realizadas em Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Belém (PA) e Indaiatuba (SP). O encerramento está marcado para domingo (16), em Lajeado (RS).

ANDA move ações contra exportação de animais

A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) entrou com duas ações contra a exportação de animais. A primeira, feita em conjunto com a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA), solicitou a interrupção das operações no porto de Santos com base nas implicações ambientais e nos crimes de maus-tratos registrados durante o embarque feito pelo porto em dezembro de 2017.

O pedido das entidades foi aceito pelo desembargador Luis Fernando Nishi, que determinou a suspensão imediata das operações no porto no final de janeiro deste ano. Dias depois, entretanto, a liminar foi derrubada por um recurso impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU) e o navio seguiu viagem.

A segunda ação, movida exclusivamente pela ANDA, foi contra os embarques de animais vivos no porto de São Sebastião. Devido à existência de outras duas ações contra tais operações no porto que tinham como foco os maus-tratos contra os animais, a ANDA optou por usar o enfoque ambiental como fundamento para se opor à exportação de animais vivos em São Sebastião.

Após a ação ter extraviado, a ONG impetrou um mandado de segurança solicitando o julgamento da liminar. O mandado foi deferido pelo juiz Dr. Guilherme Kischner que, em abril, suspendeu temporariamente os embarques no porto.


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