Elefanta pisoteia homem que apedrejava seu filhote recém-nascido

Foto: Epoch Times

Foto: Epoch Times

Sabia é a natureza, que deu aos animais formas de se defenderem das mais variadas, desde a coloração da pele, alcance das asas, instintos aguçados, garras afiadas, velocidade, mandíbulas poderosas, inteligência ímpar e tamanho avassalador.

No caso dessa mãe elefanta, a última característica foi fundamental ao agir em defesa de seu bebê contra a ameaça humana em forma de residentes de um vilarejo que tentavam atingir seu filho indefeso com pedras para afugentá-los.

Espremidos em ambientes menores e tendo seus habitats destruídos pela população humana ou para utilização em pecuária, os elefantes vão se dizimando pouco a pouco enquanto os conflitos com os humanos geralmente não terminam sem danos para a espécie como este último.

Pacíficos por natureza, esses animais só atacam se ameaçados, ou aos seus. Muito unidos, inteligentes e com enorme senso de família, os elefantes se unem quando uma ameaça coloca sua família ou seu bando em perigo. É a natureza desses animais prodigiosos e belos.

Foto: Daily Mail

Foto: Daily Mail

A elefanta mostrada no vídeo nada mais fazia do que tentar proteger seu frágil recém-nascido ao pisotear um homem até a morte depois de ser atingida por pedras jogadas de forma vil e covarde, por ele e seus comparsas.

Imagens fortes e pungentes mostraram a mãe lutando para fazer o bebê elefante ficar de pé e se afastar das pessoas, mas o bebê não consegue se manter firme. O vídeo foi gravado por moradores locais em Ajnashuli, Bengala Ocidental, na Índia, informa a VN Express.

Ela é vista levantando poeira com os pés, e passando pata dianteira no chão como um sinal de aviso para que ninguém se aproximasse, a elefanta adota uma postura protetiva ficando bem em frente a seu bebê, que ela tenta afastar e proteger dos espectadores.

A mãe também usa seus pés para marcar a área protegida – um aviso claro para ficar longe, demarcando limites.

A elefanta estava tentando levar seu filho para a floresta próxima depois de dar à luz perto de um lago seco próximo ao vilarejo palco do ocorrido.

Mas o animal ficou estressado com o ajuntamento da população e atacou a multidão quando os aldeões atiraram pedras com o intuito de espantá-la, segundo os relatos locais.

Ela matou Shailen Mahato, de 27 anos, durante sua atitude defensiva

Logo após o ataque, 10 outros elefantes apareceram na área, causando pânico entre os moradores aterrorizados. Os elefantes vieram em socorro da mãe que desesperada e sem poder mover seu filho de volta à floresta gritava acuada.

Imagens mostraram os locais sendo perseguidos em uma floresta por elefantes furiosos.

A elefanta ainda está vagando pela área, pois seu bebê ainda não está forte o suficiente para se mover para a floresta.

Guardas florestais cercaram a região e proibiram a entrada do público.

Autoridades do departamento florestal disseram que estão monitorando de perto a elefanta e não poderão devolvê-la ao seu habitat natural até que ela se acalme.

As mães elefantes são consideradas uma das melhores mães do reino animal. Elas têm o mais longo período de gestação entre os mamíferos – 22 meses e são muito protetoras em relação aos seus filhotes.

Foto: Mirror.uk

Foto: Mirror.uk

“Os elefantes são intensamente sociais e protetores, e as mães e tias se esforçam para proteger e nutrir seus filhotes”, disse Jan Vertefeuille, diretor sênior de Defesa e Conservação da Vida Selvagem do World Wildlife Fund, de acordo com a Geek.com.

Os elefantes dão à luz apenas uma vez em cada três ou quatro anos, e como eles geralmente dão à luz a um bebê apenas, é um grande investimento pré-natal em um elefantinho. Eles são ótimas mães porque os bebês vivem com suas mães por toda a vida, enquanto os machos deixam o rebanho na adolescência.

“As fêmeas jovens desempenham um papel importante como ‘tias’ para ajudar a criar os membros mais jovens do rebanho, desta forma elas adquirem bastante prática para quando tiveram seus próprios filhos”, disse Vertefeuille.

Os elefantes são os maiores vegetarianos do mundo e O’Connell-Rodwell disse que eles não atacam nenhum outro animal por comida, embora a comida seja o contexto da maioria de seus conflitos com o homem.

Governo considera proibição da total da caça para permitir recuperação das espécies

Foto: Armenian Mirror Spectator

Foto: Armenian Mirror Spectator

O governo da Armênia se reuniu na sexta feira última (10) e para discutir alguns debates importantes sobre a preservação da vida selvagem, já que anteriormente ja hia sido aprovada a apresentação de uma proposta sobre o cumprimento de uma multa de 100 milhões de dólares pela caça do leopardo caucasiano, espécie ameaçada de extinção.

Reforçando o movimento, o diretor do Serviço de Segurança Nacional, Arthur Vanetsyan, que estava presente, sugeriu impor uma proibição total de caça de 3 a 5 anos em todo o país.

“Vamos banir a caça por 3 a 5 anos na Armênia para que a população da vida selvagem seja restaurada. Vamos tomar essa iniciativa, proibir a caça em geral, e a proibição não é apenas por meio dessas leis que estamos adotando, mas também, por exemplo, pela proibição temporária de cartuchos de caça. Porque eles estão sendo usados por fora da lei”, disse Vanetsyan.

O primeiro-ministro Nikol Pashinyan pediu a um comitê para estudar a questão de forma abrangente.

“Devemos optar por fazer algo assim porque essa ideia é muito boa e apropriada. Mas devemos olhar para este problema de forma abrangente. Vamos realizar um estudo especializado ”, disse ele.

“Embora – por outro lado – é legítima a preocupação com o assunto, porque as pessoas podem usar essas brechas na lei, e se elas forem armadas para as florestas, vão atirar em tudo que virem. É necessário realizar um estudo e ouvir a opinião de especialistas sobre esta questão ”, disse Pashinyan.

O ministro da Proteção da Natureza, Erik Grigoryan, disse que a situação atual na Armênia levou à destruição generalizada de animais e pássaros. “As pessoas atiram em tudo que se move. Há muitas omissões legislativas e também estamos considerando a possibilidade de impor uma restrição total à caça”, disse Grigoryan.

Durante consultas sobre esta questão com os colegas dos Emirados Árabes Unidos, o ministro disse que lá (EAU) eles consideram os veículos como uma ferramenta de caça também, e eles são confiscados junto com as armas em caso de violação da lei. Segundo o Grigoryan, se vários carros de caçadores forem confiscados, isso seria um sério incentivo para impedir a caça.

Segundo Erik Grigoryan atualmente cerca de 8 a 12 leopardos caucasianos apenas são registrados atualmente vivendo na Armênia. Os dados são do último monitoramento do Ministério do Meio Ambiente, alguns deles foram encontrados em áreas especialmente protegidas no sul do país e na província de Ararat. Ambientalistas dizem que o leopardo é um indicador de que a biodiversidade necessária é fornecida em áreas protegidas, daí a sua importância fundamental na preservação das espécies.

Desde 2002, o Ministério do Meio Ambiente da Armênia e sede armênia da WWF vêm implementando um programa para a preservação de leopardos caucasianos no país.

O principal objetivo do programa é aumentar a população de leopardos caucasianos, cabras bezoar (Capra aegagrus), muflões armênios (Ovis orientalis gmelini) e outras espécies ameaçadas de extinção.

Número de veganos e vegetarianos em casas de repouso quase triplica no Reino Unido

Por David Arioch

Roy (à direita) não vive em uma casa de repouso, mas se tornou popular em Staffordshire por realizar campanhas por mais refeições veganas em instituições que cuidam de idosos (Fotos: Apetito/Lancashire Post)

De acordo com a organização Vegetarian for Life (VFL), que oferece assistência a veganos e vegetarianos idosos no Reino Unido, o número de veganos e vegetarianos quase triplicou em casas de repouso nos últimos cinco anos – ultrapassando os sete mil.

Segundo Amanda Woodvine, da VFL, é ótimo que mais pessoas estejam escolhendo um estilo de vida vegano, mas isso mostra também que há muito trabalho a ser feito para garantir que haja opções adequadas de refeições e lanches para veganos em casas de repouso do Reino Unido.

“Pode ser assustador para a equipe de catering em casas de repouso planejar refeições se apenas um morador for vegano. Mas a VFL tem uma grande quantidade de recursos disponíveis para facilitar o máximo possível”, diz Amanda.

E acrescenta: “Há receitas em nosso site para refeições cotidianas e também para ocasiões especiais, como aniversários e churrascos. Também oferecemos oficinas de culinária com nossa equipe de chefs itinerantes.” O trabalho é voltado prioritariamente ao público idoso.

VFL parabeniza vegano de 98 anos

No ano passado, a Vegetarian for Life parabenizou o vegano Roy Burdin pelo seu aniversário de 98 anos. Ele se tornou vegano há mais de 30 anos e atribui a sua longevidade a uma alimentação simples e baseada em vegetais – principalmente um bom homus. Roy nunca comeu carne, mas só abdicou completamente do consumo de qualquer alimento ou produto de origem animal quando chegou aos 60 anos e aderiu ao veganismo.

A realidade da agricultura animal e industrial é a razão por trás do corte de todos os produtos de origem animal. “Eu estava bem nos meus 60 anos quando me tornei vegano. [Tornar-se vegano] era considerado um passo bastante avançado e muitas pessoas que eram [ovolacto]vegetarianas não conseguiam ver o sentido de abandonar os laticínios e assim por diante”, explica.

Roy não vive em uma casa de repouso, mas se tornou popular em Staffordshire por realizar campanhas para que as instituições que cuidam de idosos ofereçam refeições veganas.

Gripe suína africana vai causar a morte mais de 200 milhões de porcos, diz estudo

Foto: VegNews

Foto: VegNews

Instituição financeira, Rabobank, estima que 200 milhões de suínos vão morrer este ano na China devido à epidemia da gripe suína africana (FSA), o total representa aproximadamente um terço da população de suínos do país.

O vírus apareceu pela primeira vez no país em agosto e se tornou uma epidemia em dezembro, espalhando-se para outras regiões, como Camboja e Vietnã.

Mês passado, enquanto o governo chinês declarou que a ASF estava sob controle, os animais da região continuam a morrer (ou sendo mortos por precaução), levantando preocupações de que a indústria de carne suína chinesa possa entrar em colapso.

“Não tenho certeza se podemos dizer que a epidemia está sob controle porque sabemos quão complexa é a doença”, disse à CNN Vincent Martin, representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

“Temos experiência em outros países onde levamos anos para controlar essas doenças” Segundo informações do VegNews, este ano, os preços da carne suína devem aumentar para níveis recordes na região, uma vez que a demanda supera a oferta, e a borbulhante guerra comercial com os EUA significa que as importações chinesas do produto animal seriam muito dispendiosas.

Como solução, várias empresas começaram a oferecer produtos alternativos, sem doenças ou crueldade contra os animais. O empreendedor David Yeung lançou o substituto de carne de porco vegana Omnipork em Hong Kong em junho de 2018 com a missão de reduzir a dependência da região de produtos derivados de porcos.

Ano passado, Yeung falou durante uma conferência em Cingapura sobre a catástrofe iminente que o aumento do consumo de carne causará, particularmente na Ásia – uma previsão sinistra do que está atualmente se concretizando na China.

A combinação de mudanças climáticas, insegurança alimentar e problemas de saúde pública significa que estamos em um momento muito crítico na história do planeta”, disse Yeung.

“Se não fizermos alguma coisa, vamos forçar os limites e ninguém sabe qual será o impacto disso. Se continuarmos a consumir da maneira que fazemos agora, a menos que algum milagre aconteça, nosso sistema alimentar e ecossistema estão fadados ao colapso”, conclui o empresário e ativista.

*Carne de porco à base de vegetais na China*

A nova marca Right Treat – criada pela cadeia de mercados vegetarianos Green Common, do fundador David Yeung – lançou este mês (maio) seu primeiro produto, a carne vegana Omnipork, em Hong Kong.

O empreendedor eco-consciente David Yeung – fundador da cadeia de supermercados vegetarianos Green Common, com sede em Hong Kong – desenvolveu a carne alternativa com a missão de desacelerar o crescente apetite da Ásia por carne de porco.

“A filosofia por trás do Right Treat é que acreditamos que é possível alcançar uma vitória de longo prazo entre o planeta, a humanidade e os animais”, disse Yeung à VegNews. “Não deve haver conflitos entre o prazer alimentar e o bem-estar pessoal. O consumo e o aproveitamento dessa geração não devem se tornar responsabilidade e sofrimento das gerações futuras e de outros seres”.

O Omnipork é feito com proteína de ervilha, soja não transgênica, cogumelos shiitake e arroz, e é 233% maior em cálcio e 53% maior em ferro do que carne de porco à base de animais. A nova carne vegana vai estrear em restaurantes selecionados – onde os chefs preparam pratos como bolinhos, carne de porco agridoce vegana e pratos de carne de porco assada – em Hong Kong a partir de junho, antes do lançamento do Green Common até o final deste ano.

Startup vegana se prepara para entrar no mercado de laticínios a base de vegetais

Foto: Livekindly

Foto: Livekindly

Impossible Foods – fabricante do sucesso de vendas, Impossible Burger, um hambúrguer vegano “que sangra”, que além de parecer, cozinhar ainda tem gosto de carne de origem animal – está pronta para enfrentar a indústria de laticínios.

No início deste mês, a empresa vegana levantou 300 milhões de dólares em uma rodada de financiamento repleta de estrelas. A arrecadação envolveu investimentos de várias celebridades, incluindo o rapper Jay-Z, o ator Ruby Rose, a tenista Serena Williams e a cantora Katy Perry.

A maior parte do dinheiro arrecadado irá para a expansão da linha de produtos de carne vegana da Impossible Foods e para a melhoria da receita do Impossible Burger 2.0; que a empresa admite que o hambúrguer é melhor que o original, mas a marca acredita que pode levá-lo ainda mais ao paladar da carne de origem animal.

Além da carne vegana, parte do financiamento também pode ser usada para criar uma variedade de produtos lácteos à base de vegetais ou cultivados em laboratório.

O diretor financeiro da Impossible Foods, David Lee, disse ao Food Navigator que “nossa plataforma de P & D é sobre descobertas fundamentais que vão além de apenas um produto, embora ainda não tenhamos divulgado um cronograma dos novos produtos que estão por vir”.

Ele continuou: “Temos uma plataforma completa de laticínios com nossas capacidades de P & D (pesquisa e desenvolvimento), mas nosso foco é comercializar nossos produtos alternativos a carne primeiro. Ainda não anunciamos o lançamento de nossos primeiros produtos lácteos, mas fique atento”.

A Food Navigator relata que não está claro qual caminho a marca vai tomar quando se trata de fazer queijo ou leite. No entanto, uma patente foi publicada em abril de 2015, indicando que a Impossible Foods usaria nozes e sementes para uma coleção de produtos lácteos (sem leite).

O boom do mercado de laticínios veganos

A Impossible Foods estaria se juntando a um mercado em franca expansão com leite vegano e produtos de queijo (livres de leite). À medida que mais e mais pessoas abandonam os laticínios – por motivos de bem-estar animal, ambientais e relacionados à saúde -, as alternativas à base de vegetais estão crescendo em popularidade em todo o mundo.

Nos EUA, 48% dos consumidores consideram o leite vegano uma compra básica. No Reino Unido, um estudo recente da Alpro revelou que metade dos consumidores de café regularmente optam pelo leite sem laticínios em um café. “Não estamos falando mais de uma oferta de nicho, baseada em vegetais, agora is produtos veganos atingiram com solidez o mainstream”, disse Abbie Hickman, chefe de marketing do café da Alpro UK.

O Papa John’s, Domino’s e Pizza Hut estão entre as principais cadeias de pizzas que adicionaram queijo vegano a seus cardápios em vários países nos últimos meses, provando que a demanda está subindo continuamente. No Reino Unido, o Papa John’s vendeu todo o estoque de queijo vegano nas primeiras 24 horas de disponibilidade.

Vencedor do Lush Prize enfatiza que testes em animais não trazem resultados confiáveis

Por David Arioch

Renato com a professora Marize Valadares no dia da premiação do Lush Prize: “Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana” (Foto: Divulgação)

Vencedor do prêmio internacional Lush Prize, que premia as melhores iniciativas de substituição aos testes em animais em pesquisas toxicológicas, o pesquisador Renato Ivan de Ávila nasceu em Goiânia e tem a Universidade Federal de Goiás (UFG) como norte da sua formação profissional.

Após a graduação em farmácia, se especializou em farmacologia clínica, concluiu mestrado em ciências farmacêuticas e doutorado em ciências da saúde – parte conduzido na Lund University, da Suécia.

Mas foi antes, em 2008, que despertou o interesse pela pesquisa científica, quando foi introduzido a um projeto de iniciação científica. Ávila conta que a responsável foi a professora Marize Campos Valadares, que o orientou durante a iniciação científica até a finalização do doutorado.

“Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana”, revela.

Após a graduação, Renato trabalhou no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Goiás (LACEN-GO), onde adquiriu experiência como professor da Residência Multiprofissional da Secretaria da Saúde de Goiás.

“Ano passado, fui professor temporário de toxicologia para alunos de graduação em farmácia na UFG e também em disciplina de biossegurança para diferentes cursos – farmácia, direito, engenharias, medicina, biomedicina, veterinária etc”, informa.

Hoje, considerando a atual conjuntura política, Renato de Ávila não vê boas oportunidades para continuar no Brasil. Por isso tomou a decisão de trabalhar, a partir de junho, na empresa sueca de biotecnologia SenzaGen, em parceria com a Lund University.

Em entrevista ao VEGAZETA, o pesquisador fala sobre o interesse em buscar alternativas aos testes em animais, premiações e o futuro da pesquisa toxicológica, entre outros assuntos. Confira:

Como surgiu o interesse por desenvolver uma alternativa aos testes em animais? Trabalho que você já tem desenvolvido há dez anos.

Nesses 10 anos, a minha área de pesquisa é a Toxicologia, uma ciência que procura investigar os efeitos danosos que substâncias químicas ou misturas possam causar no organismo humano. Apesar de ser uma área de estudo antiga, veio de um grupo de pesquisa que reconhece que a Toxicologia, assim como outras partes da ciência, ainda usa protocolos obsoletos envolvendo animais.

São obsoletos, uma vez que causam dor e sofrimento desnecessário aos animais e são modelos que falham, ou seja, não trazem resultados confiáveis. Como dizem pesquisadores de referência na nossa área, “o homem não é um camundongo de 70 kg” e, por isso, há diferenças entre o organismo do homem e de outros animais.

Nessa perspectiva, meu desafio é desenvolver modelos inovadores, sem animais, que imitem melhor o organismo humano na busca de respostas sobre o que pode ser tóxico ou não, seja um medicamento, um cosmético ou um agrotóxico, por exemplo.

 Então o projeto é bem mais amplo do que criar uma alternativa para a substituição dos testes sem animais na indústria cosmética?

É mais amplo. Meu projeto é voltado para investigar se alguma substância ou produto pode ocasionar alergias severas quando em contato com a pele (esse evento é clinicamente conhecido como dermatites alérgicas de contato).

Nesse sentido, toda substância ou produto que, de forma intencional (ex.: cosmético) ou não (ex.: agrotóxico), possa entrar em contato com a pele deve ter a resposta para a seguinte pergunta: tem potencial ou não para promover alergias na pele? Essa é uma pergunta que fabricantes de cosméticos, medicamentos, agrotóxicos, dentre outros, devem investigar para solicitar a venda do seu produto em algum país.

Com o meu trabalho, propus uma estratégia eficaz, sustentável e livre de animais de laboratório e até com capacidade preditiva superior aos modelos animais historicamente usados para avaliar o potencial alergênico de produtos. No Brasil, é uma área de extrema carência e por isso necessitamos de autonomia tecnológica.

Para isso, é fundamental investimento em Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (PD&I) para adequar os modelos inovadores atuais às nossas necessidades regulatórias e científicas. Com isso, meu projeto veio a contribuir para o fortalecimento das bases científicas e tecnológicas para a implementação e desenvolvimento de experimentação sustentável in vitro (sem animais de laboratório) no Brasil.

Os modelos historicamente usados para a avaliação toxicológica de alergenicidade envolvem o uso de camundongos e porquinhos-da-índia. Para se ter uma ideia, a literatura mostra que o desempenho desses ensaios animais em relação aos dados humanos é de 72%.

Meus resultados, usando técnicas 100% livre de animais de laboratório, alcançaram um desempenho superior a 90% e, a depender do ensaio, um valor máximo de 100%. Assim, evidencia-se a superioridade preditiva das tecnologias in vitro quando comparadas com os protocolos que usam animais de laboratório.

 Vocês levaram quanto tempo para desenvolver uma estratégia de testes, baseado no mapa molecular do processo alérgico, capaz de determinar se uma substância causa ou não alergia? E como esse trabalho foi desenvolvido?

Essa busca foi longa, durante os quatro anos do meu doutorado. O mapa molecular dos principais eventos celulares e bioquímicos do processo alérgico foi publicado pela Organisation for the Economic Co-operation and Development (OECD) em 2012, portanto algo bem recente. Em cima desse conhecimento, estabelecemos métodos inovadores que avaliam se um produto ou substância tem a capacidade de reagir com as proteínas da pele e promover alterações nas células da pele que culminem para o desenvolvimento de alergias.

Assim, utilizamos proteínas sintéticas e células humanas cultivadas em laboratório, entre elas queratinócitos, uma das células mais presentes na pele, e células dendríticas que são responsáveis por processar e identificar substâncias alergênicas no organismo.

Uma parte das minhas análises foi conduzida na Lund University, sob a orientação da professora Malin Lindstedt. Em seu grupo de pesquisa, tive a oportunidade de ser treinado em uma tecnologia inovadora, chamada GARD (Genomic Allergen Rapid Detection), baseada no conhecimento dos 200 genes humanos que são alterados por substâncias alergênicas.

Esse ensaio foi desenvolvido pelo grupo da professora Malin e hoje é um produto comercial disponível para indústrias e pesquisas que adotam práticas tecnológicas inovadoras livres do sofrimento animal.

De onde veio o investimento para a pesquisa e quantas pessoas participaram do projeto?

Contou com investimento de diferentes instituições e entidades. No Brasil, contou com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE) da UFG, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). No nível internacional, o prêmio “Lush Prize” também foi investido no projeto, juntamente com o apoio da Swedish Foundation for Strategic Research e da Faculdade de Engenharia (LTH) da Lund University.

Contei com a participação de uma equipe multiprofissional, de diferentes backgrounds, entre farmacêuticos, químicos, odontólogos e engenheiros, entre eles: Danillo F. M. C. Veloso, Gabriel C. Teixeira, Thaisângela L. Rodrigues, Tim Lindberg, Malin Lindstedt, Simone G. Fonseca, Eliana M. Lima, Marize C. Valadares.

Você foi bolsista do Ciência Sem Fronteiras, certo? Seria possível desenvolver esse trabalho sem o programa?

Realizei parte do meu doutorado (nove meses) na Lund University com investimento do Ciência Sem Fronteira. Foi uma experiência muito relevante, tanto a nível profissional como pessoal. Pude ser treinado em técnicas inovadoras e tive contato com importantes pesquisadores da minha área.

Pude desenvolver parte da minha pesquisa lá, aumentando o impacto do meu trabalho. Aprendi bastante e pude repassar o conhecimento para o meu grupo de pesquisa e alunos. Morar em outro país também me permitiu crescimento pessoal e também tive uma troca cultural bastante interessante, uma vez que a cidade onde morei era uma cidade universitária.

Além de ser uma das 100 melhores universidades do mundo, a Lund University tem um processo de internacionalização do ensino e pesquisa muito interessante, e recebi anualmente alunos de todos os lugares do mundo. Então foi uma troca muito rica de experiências e conhecimentos.

Como você analisa a atual situação do Brasil em relação a cortes de investimentos em pesquisa científica e educação?

Pra mim, é muito frustrante o cenário atual. Passamos por cortes nos últimos quatro anos, mas nada tão preocupante havia sido visto como agora. Para se ter uma ideia, o atual presidente havia prometido para 2019 o menor orçamento dos últimos 14 anos para o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Em março desse ano, propôs o bloqueio de 42% desse orçamento – o que já era pouco, tornou-se escasso. Sem falar no bloqueio de investimentos impostos ao MEC. As consequências disso são diversas, como atraso tecnológico e perda dos jovens pesquisadores brasileiros para outras nações.

Precisamos de prioridades para o Brasil. Nossos governantes têm que entender que não há desenvolvimento econômico sustentável se não há educação de boa qualidade. Não há possibilidades de um país alcançar autonomia tecnológica se não há investimento em PD&I. Essa receita foi – e ainda é – adotada por diversas potências tecnológicas mundiais, entre elas EUA, Suécia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão etc.

Renato, o prêmio de 10 mil libras do Lush Prize foi de grande ajuda no projeto?

O meu projeto já estava sendo desenvolvido quando ganhei o prêmio. Contudo, estávamos com a possibilidade de o projeto não ser finalizado pela falta de investimento. O Lush Prize permitiu que eu finalizasse minha pesquisa.

O que é preciso agora para ampliar a penetração dessa alternativa aos testes em animais no meio comercial?

O projeto foi realizado com técnicas in vitro, sendo que algumas já estão disponíveis em nível comercial. Contudo, tem sido estabelecido que apenas uma técnica in vitro não pode substituir o modelo animal – mas a integração de duas ou mais técnicas sim.

Nesse sentido, a inovação do trabalho foi investigar a forma em integrar diferentes técnicas e determinar sua aplicabilidade para produtos acabados, ou seja, para aquele cosmético ou medicamento comprado pelo consumidor. Assim, conseguimos identificar quais técnicas funcionam melhor, que são superiores aos testes animais, quando associadas em uma estratégia de testes in vitro.

Associado a isso, precisamos que a legislação acompanhe esse ganho tecnológico. Precisamos que as agências regulatórias, como a Anvisa, aceitem ensaios in vitro para avaliação toxicológica de produtos e substâncias químicas. Isso tem sido feito recentemente no Brasil, quando o Concea [Conselho Nacional de Experimentação Animal] reconheceu em 2014 a aplicabilidade dos métodos alternativos à experimentação animal. A partir de então, a Anvisa também passou a reconhecer esse ganho em 2015.

Além disso, precisam-se ter recursos humanos capacitados nas práticas inovadoras livres de animais. Nesse sentido, o grupo de pesquisa por meio do qual desenvolvi toda minha formação, o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In/UFG), coordenado pela professora Marize, faz treinamentos periódicos para alunos, pesquisadores, profissionais da indústria e da área regulatória. Com esse trabalho importante na disseminação de métodos livres de animais no Brasil, nosso grupo ganhou o segundo Lush Prize, dessa vez na categoria Training, ano passado.

Você recebeu dois prêmios internacionais como jovem pesquisador. O projeto foi o mesmo ou tem alguma diferença?

Para a premiação, submeti a primeira parte do meu trabalho, realizado totalmente no Brasil, aqui na UFG. Nessa primeira parte, realizei melhoramentos de uma técnica existente. Esses refinamentos permitiram que a técnica se tornasse mais barata, com o uso de menos solventes orgânicos (portanto, uma técnica ambientalmente correta) e com aplicabilidade para identificar substâncias que se tornam alergênicas quando expostas a luz solar (o que é muito importante para países de alta incidência solar como o Brasil). E tudo isso sem o uso de animais. Esses dados foram publicados em um periódico muito importante da minha área [https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0887233317300875?via%3Dihub].

O investimento recebido com o Lush Prize foi fundamental para a finalização da segunda parte do projeto. Essa parte envolveu um trabalho mais desafiador do ponto de vista técnico-científico, em que estabelecemos uma estratégia integrada de testes para avaliação do potencial alergênico de “misturas da vida real” (ou seja, de produtos acabados na forma que chega ao consumidor, como o cosmético e o medicamento disponível na prateleira).

Além disso, esse trabalho teve um impacto na necessidade de estabelecer políticas públicas de saúde que garantam a qualidade de produtos cosméticos: detectamos casos de adulteração e falsificação de tinturas naturais de cabelo contendo henna com uma substância sintética altamente alergênica e que estudos mostram um potencial de promover câncer, chamada para-fenilenodiamina (PPD).

Nossas análises utilizando a estratégia de ensaios mostraram que esses produtos adulterados apresentam um risco aumentado para o consumidor, uma vez que apresentam o potencial maior em desencadear dermatites alérgicas. Os dados dessa pesquisa foram recentemente publicados em um jornal de alto impacto [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/cod.13294].

 Como você analisa a realidade nacional e internacional de pesquisas nessa área? Acredita o banimento dos testes em animais no mundo pode ser uma realidade próxima?

A legislação brasileira a respeito de métodos substitutivos à experimentação animal é recente. Somente em 2008 foi aprovada a Lei Arouca que legisla sobre a experimentação com animais e incentiva a adoção de métodos substitutivos aos animais de laboratório.

Em 2014, tivemos um marco regulatório com o reconhecimento de métodos alternativos pelo Concea e, mais tarde, pela Anvisa. Além disso, os grupos de pesquisa e indústrias vêm se estruturando para se adequarem a essa necessidade. Outros países, como aqueles da União Europeia, já estão bem à frente e inclusive são exemplos para o Brasil.

Apesar de ser um movimento recente no Brasil, temos obtidos ganhos de forma bem progressista. Por exemplo, conforme estabelecido na Resolução do Concea nº 18/2014, em setembro de 2019, estabelecerá o prazo final para que o Brasil faça a substituição dos tradicionais métodos animais de avaliação de alguns parâmetros toxicológicos por métodos inovadores.

Por exemplo, o tradicional ensaio de avaliação de irritação ocular, chamado Teste de Draize, não será mais permitido no Brasil para qualquer produto, seja cosmético, medicamento ou agrotóxico. O Teste de Draize é um exemplo de protocolo animal obsoleto: é um teste que foi desenvolvido por volta de 1944 e que consiste em aplicar um produto no olho de coelhos vivos e verificar alterações oculares indicativas de irritação.

Apesar de ser um método antigo, nunca passou por acreditação científica, e mesmo assim vem sendo historicamente aceito pelas agências regulatórias do mundo todo. Hoje, como temos métodos superiores livres de dor e sofrimento animal e que imitam melhor as condições fisiológicas do organismo humano, esse ensaio finalmente poderá ser banido no Brasil para qualquer tipo de produto – e não apenas para cosméticos como ocorre na União Europeia, por exemplo.

Então a sociedade está caminhando para práticas inovadoras e humanizadas. E isso tem sido fruto dos investimentos realizados que permitem que a Ciência avance – e a sociedade também.

Vaquinha resgatada conhece o amor após ser adotada por família

Carly Henry

Foto: Carly Henry

A vaquinha de apenas duas semanas estava doente e faminto quando foi resgatada. Confiscada durante uma investigação de negligência e maus-tratos contra animais, ela precisava de um novo lar.

Quando Carly Henry ouviu falar dela, ela achou que a vaquinha era perfeita. “Eu estava pronta para adotá-la”, Henry disse ao The Dodo. “Eu realmente queria a companhia de uma vaca! Eu ouvi pessoas dizerem que o amor de uma vaca é a melhor coisa que podemos experimentar”.

Henry dirige Carly’s Critter Camp, um santuário de animais próximo de Austin, Texas (EUA). Ela já salvou todos os tipos de animais que vivem hoje em sua fazenda, mas este bezerro do sexo feminino, sendo tão jovem, exigiria cuidados atenciosos e constantes.

Foto: Carly Henry

Foto: Carly Henry

A bebê vaca precisaria morar na casa de Carly ao lado do santuário, com os cães, gatos e o marido dela.

Então essa parte ia demandar um pouco de trabalho de convencimento. “O que é mais uma criatura de quatro patas em necessidade afinal, certo?”, conjecturou Carly.

“Eu disse ao meu marido: ‘Ei, olha só para esse bebê lind'”, disse Carly. “Mostrei a ele uma foto da vaquinha toda coberta com cobertores no lar temporário. Eu disse: “Eu realmente quero trazê-la para cá e dar mamadeira pra ela!”

Carly disse que o marido pensou sobre isso por um minuto, olhou para ela e respondeu: “Oh meu Deus, você é louca, mas tudo bem, vamos lá!”

Foto: Carly Henry

Foto: Carly Henry

Ela estava muito excitada e ansiosa. A diretora do santuário entrou em contato com o responsável pelo lar temporário que também ajudou no resgate da vaquinha e, em janeiro, fez todos os preparativos para a adoção.

Carly a chamou de Tulipa e, assim que chegou, o marido dela foi conquistado. “Ele a amava”, disse Carly. “Nós estávamos todos apaixonados em menos de 30 segundos. Ela estava nos beijando e amando com todo o seu coração. Logo percebemos que ela adorava que coçássemos e esfregássemos a parte de trás de suas orelhas.

Tulipa se deu bem com todos os outros animais da casa, se encaixando perfeitamente na família de Carly, e ela se sentiu em casa – tirando uma soneca nas camas dos cachorros.

Foto: Carly Henry

Foto: Carly Henry

“Desde o início, ela veio para dentro de casa, explorar, e ela escolheu dormir direito conosco em nosso quarto”, disse Carly.

Tulipa experimentou cada uma das camas de cachorro da casa, e muitas vezes ficou tão a vontade que se aconchegou no meio dos cães.

O marido de Carly estava bastante entretido com o ajuste instantâneo da vaquinha na vida doméstica da família. Ele gravou um vídeo de Tulipa sendo acariciada enquanto descansa em uma das camas e você pode ouvir o tom divertido em sua voz: “Apenas um bebê no nosso quarto”.

Foto: Carly Henry

Foto: Carly Henry

Como Tulipa amava as camas dos cães, Carly comprou para ela sua própria cama de cachorro, só que bem maior que as demais. “Levou um minuto e ela descobriu que era dela, e pendurou as patas da frente do lado da caminha”, disse Henry.

Com o passar dos meses, Carly continuou a dar mamadeira à Tulipa e a oferecer muito amor e carinho para a vaquinha órfã. Quando ela foi resgatada de sua primeira casa, Tulipa estava doente, com pneumonia – mas agora ela estava ficando cada vez mais forte a cada dia que passava. “Ela está crescendo”, disse Carly.

Agora a tutora está tirando a mamadeira dela, mas Tulipa ainda lembra quando é hora de comer. “Ela quer ser alimentada a cada poucas horas. Eu sei porque eu a ouço mugindo. Eu estou na agenda desta vaca“, disse divertidamente Carly.

Foto: Carly Henry

Foto: Carly Henry

Tulipa tornou-se a estrela social da fazenda. Ela fez amizade com todos os outros animais resgatados.

E Tulipa fica bastante animada quando grupos de crianças visitam o santuário.

“Ela é tão boa com as crianças”, disse Carly. “Eles amam tocá-la, abraçá-la. Algumas crianças até ajudaram a dar mamadeira quando ela era mais jovem, Tulipa é a coisa mais fofa de todas”.

Então, o que Carly pensa agora sobre o que as pessoas lhe disseram antes de adotar o Tulipa – que “o amor de uma vaca é a melhor coisa de todas”?

Foto: Carly Henry

Foto: Carly Henry

“Oh meu Deus, é verdade”, disse ela. Eu também a amo demais. Ela esta maior, ela esta muito mais saudável agora. Eu estava tão preocupado com ela quando ela chegou aqui pela primeira vez. Eu a amo mais do que as palavras podem dizer”.

E amor cura dos dois lados: humanos e animais.

Centros de recebimento de animais fechados devido a corte orçamentário voltam a funcionar

Os dois Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, localizados em Juiz de Fora e Montes Claros, no estado de Minas Gerais, que foram fechados recentemente devido a um corte orçamentário promovido pelo governo, voltaram a funcionar, conforme garantiu o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

(Foto: Pixabay / Ilustrativa)

O Ministério garantiu que vai repassar recursos para a manutenção dos cargos dos tratadores das unidades que sofreriam o corte. As informações foram repassadas pela assessoria de comunicação do Ibama de Minas Gerais.

Diante da promessa do MMA, a Superintendente Substituta do Ibama em Minas Gerais, Polyana Faria Pereira, determinou a retomada imediata das atividades de recebimento de animais.

A retomada do serviço beneficia os animais e o meio ambiente, que seriam prejudicados com o fechamento das unidades.

Usina de energia solar em forma de panda quer ajudar a combater as mudanças climáticas

Por David Arioch

Divulgação

Inaugurada na China há dois anos, uma usina de energia solar tem atraído bastante atenção desde então. O motivo é que, juntos, os painéis solares têm a forma de um gigante urso panda.

A iniciativa é da China Merchants New Energy Groups, considerada uma das maiores operadoras de energia limpa do país, segundo a Business Insider.

Fundada em uma propriedade de 248 hectares, a usina da CMNE, que quer ajudar a combater as mudanças climáticas, pretende produzir 3,2 bilhões de quilowatts-hora de energia solar ao longo de 25 anos.

A meta é contribuir para reduzir a utilização de milhões de toneladas de carvão, além de promover redução nas emissões de carbono de 2,74 milhões de toneladas.

Idealizado por Ada Li Yan-tung, o projeto também é apontado como uma forma de atrair os mais jovens e inspirá-los a se envolverem em questões sobre as mudanças climáticas.

Reserva onde Bolsonaro quer criar “Cancún” é pequena e abriga animais

A Estação Ecológica de Tamoios, localizada entre os municípios de Angra dos Reis e Paraty, no Rio de Janeiro, é um local pequeno, onde vivem muitos animais. A região é foco do desejo de Jair Bolsonaro (PSL) de criar uma “Cancún” no Brasil, explorando a área com o turismo e colocando a fauna e a flora em risco. A Estação Ecológica Tamoios reúne apenas 29 ilhas, em um raio de 1 km, e representa apenas 5,69% de toda a Baía da Ilha Grande, o que a torna bastante pequena. Atualmente, o local tem restrições para pesca, mergulho recreacional, fundeio (ancoragem) e visitação pública. O trânsito de embarcações também é proibido.

Estação Ecológica de Tamoios (Foto: Divulgação/UOL)

No local, o ambiente terrestre é predominantemente de mata atlântica. A região abriga golfinhos, baleias, pinguins, focas, lobos-marinhos e peixes, como badejos, garoupas, robalos, meros e chernes. Atualmente, pesquisas de universidades federais, estaduais e privadas, para a conservação, e atividades de educação ambiental e monitoramento da biodiversidade são realizadas na estação. As informações são do UOL.

Um dos projetos desenvolvidos na estação é o de monitoramento de golfinhos, feito pelo Instituto Boto Cinza. Através dele, foi possível descobrir que os golfinhos da Baía de Ilha Grande não se relacionam com os golfinhos da Baía de Sepetiba, o que, segundo o coordenador do instituto, Leonardo Flach, permite fortalecer medidas protetivas para impedir a extinção de espécies.

Flach é contra a proposta da “Cancún brasileira” de Bolsonaro, que teria que revogar um decreto de proteção ambiental de 1990, de autoria do então presidente José Sarney (MDB), para conseguir executá-la. Para ele, manter a estação significa preservar a diversidade marinha e garantir atividades extrativistas.

“Na região é possível observar grupos com 200 golfinhos. Alguns como o pintado do Atlântico só vão lá para se alimentar e vão embora, o que mostra como a região é rica”, disse.

Botos cinza são monitorados na estação (Foto: Leo Flach)

No entanto, além de ser protegida pelo decreto, a Tamoios atende a um dispositivo legal que estabelece que todas as usinas nucleares devem ser localizadas em áreas delimitadas como estações ecológicas. Na região, funcionam as urinas de energia Angra 1 e 2, que começaram a operar em 1985 e 2001, respectivamente. O decreto que delimita áreas protegidas veio logo após a instalação da primeira usina.

Segundo o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Claudio Belmonte, por razões de segurança, não devem ser permitidas ocupações nessas áreas.

“A estação foi uma forma de criar uma área de proteção no entorno da usina nuclear, evitando a ocupação e a construção de moradias. Em qualquer espaço de radiação, você precisa de uma certa área que não esteja ocupada, porque sempre existe risco de vazamento. A criação da estação também é uma forma de minimizar esse perigo para a comunidade”, explicou.

Com o intuito de garantir a segurança marinha na região da Baía de Ilha Grande, a pesquisadora do Instituto de Biologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Maria Teresa Menezes Széchy realiza o monitoramento da influência de um líquido oriundo do resfriamento dos condensadores da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto nas águas da região.

Bolsonaro é multado após pescar em área protegida em Angra dos Reis (Foto: 25.jan.2012/ Divulgação)

“Para se detectar e quantificar a influência deste fator, devem existir locais de controles na baía, que sirvam de comparação. Estes locais não devem sofrer influências de outros distúrbios, para não mascarar resultados nem provocar interpretações erradas”, disse a pesquisadora.

Bolsonaro recebe multa

Jair Bolsonaro foi multado em R$ 10 mil, e 2012, após pescar em área protegida. Depois de eleito, ele conseguiu anular a multa – que jamais foi paga. Três meses depois, mandou exonerar o servidor do Ibama que o flagrou pescando e aplicou a multa.

No início de maio, o presidente disse que quer autorizar a prática de caça submarina em Angra dos Reis. “Hoje em dia o que sobrou para mim foi a caça submarina. Pretendo implementá-la ali na região de Angra. Lá é uma estação ecológica demarcada por decreto presidencial. Estamos estudando nesse sentido, né, revogar isso aí e abrir aquela área para fazer um turismo, realmente, que o Brasil merece. A iniciativa privada vai investir ali naquela região, e quem sabe nós tenhamos uma Cancún aqui na baía de Angra brevemente”, disse na época.

“A estação ecológica de Tamoios não preserva absolutamente nada e faz com que uma área rica, que pode trazer bilhões [de reais] por ano para o turismo, está parada por falta de uma visão mais objetiva, mais progressista disso daí”, complementou.

José Olímpio Augusto Morelli, fiscal do Ibama que foi exonerado após multar Bolsonaro

Pessoas que trabalham na região consideram as declarações de Bolsonaro vingativas. Uma delas é o biólogo marinho João Vital, que atua como voluntário na Estação Ecológica de Tamoios.

“Ele mostra que não tem conhecimento de nada quando fala que a estação não produz. Eu vejo como uma guerra de caneta. Foi multado e agora quer se vingar. Eu digo isso ainda sendo eleitor do PSL, para mostrar que não é uma crítica política. É um fato. Ele quis pescar numa região proibida, foi multado e agora quer mudar tudo na região”, afirmou.

Segundo o professor Belmonte, a discussão sobre a revogação do decreto deve ser feita no Congresso Nacional. No entanto, ele considera que revogá-lo seria um equívoco. “Não vejo como retirar a proteção do local para promover turismo em uma área onde há operação de usina nuclear. Não vejo como isso pode se tornar realidade em curto prazo. A região sofre com sérios problemas de infraestruturas”, concluiu.