Bióloga e ativista Paula Brügger é exemplo de força, inspiração e amor pelos animais

Por Bruna Araújo

Foto: Arquivo pessoal

Bióloga, autora e ativista em defesa dos direitos animais, a colunista e consultora ambiental da ANDA, Paula Brügger, é, sem dúvida, um dos principais nomes do ativismo brasileiro quando se fala em proteção do meio ambiente e dos animais. Exemplo de uma mulher forte e a frente do seu tempo, Paula atuou como professora na Universidade Federal de Santa Catarina por quase 40 anos, escreveu dois livros, coordenou projetos premiados, colaborou em publicações estrangeiras e cursos de pós-graduação. Seu currículo é imenso, seu coração mais ainda.

Tutora de duas cadelinhas sem raça definida e mãe de um rapaz, aos 64 anos, ou como ela gosta de chamar, na idade “Beatles song” (em alusão à música “When I’m Sixty Four”, do quarteto inglês), a bióloga não pretende parar tão cedo. Em uma entrevista exclusiva à ANDA, Paula fala sobre sua infância, carreira, ideias e desejos para o futuro. Tente não perder o fôlego.

O início

O princípio era o verbo. O verbo amar. Desde jovem Paula acolhia em seu coração uma série de anseios e fabulações. Não existia hierarquia de ideias, mas em seu espírito, desde sempre, transparecia toda ânsia de libertação que guiaria sua vida. “Não me lembro de ter um único sonho. Acho que era um caleidoscópio deles. Mas, em termos de sensações imemoriais meu maior sonho talvez estivesse, desde muito cedo, ligado à liberdade. Lembro-me de alguns desenhos que fazia de animais, sempre correndo livres por verdes campos. Eles eram eu, de certa forma. Expressavam o que eu queria para mim e para um mundo que, na minha visão, seria perfeito”, disse.

O respeito à vida sempre esteve presente da vida de Paula Brügger. Quando criança, ela já engatinhava em seu entendimento sobre a senciência e o especismo. “Os animais mais próximos de mim foram os cães. Tive pouquíssimo contato com gatos até a vida adulta porque meus pais eram muito ‘cachorreiros’. Tive também contato com vários animais de fazenda, como galinhas, patos, bois e vacas, e um cavalo, em especial. Meus avós paternos tinham uma fazenda e meus avós maternos um sítio. Dessa forma, apesar de morar na cidade, estava sempre em um desses dois lugares”, revela.

Ela conta que uma experiência a marcou profundamente. “Uma vez ouvi uma conversa sobre um bezerro que seria sacrificado porque estava sem uma das patas. Minha lembrança era de alguém ter dito que um lobo-guará havia atacado o tal bezerro e arrancado uma de suas patas. Fiquei muito abalada, doente mesmo. Acho que tinha uns seis anos. Ao me verem chorar ‘um rio’, meus avós disseram que iam encomendar um sapatinho de madeira para colocar no lugar da pata perdida, e que o bezerro não seria mais morto. Acreditei na história e fiquei aliviada”, recorda.

A história do bezerrinho a acompanha desde então e lhe traz muitas reflexões. “Mais de uma década depois, conversando em família, me lembrei do fato e achei pouco plausível que o tal sapatinho, ou tamanco, como alguns chamaram na época, tivesse mesmo sido feito. E, claro, não foi. Meus avós já haviam falecido e meus pais não se lembravam direito daquele episódio que tanto tinha me amargurado. Mas, ao que parece, o bezerrinho tinha nascido com uma malformação. Não fora obra de lobo-guará algum. O fato é que foi sacrificado. Chorei de novo, uns doze anos depois. É interessante como os adultos mentem sistematicamente para as crianças. Tenho um pequeno texto na ANDA onde abordo essa e outras questões“, lembra.

Paula Brügger explica ainda que o desejo de ser livre é intrínseco a sua própria existência. “Desde tenra idade o chamado ‘estado selvagem’ sempre me causou fascínio. Acho que essa identidade acabou influenciando a minha escolha profissional e o meu ‘estar’ no planeta. Também, por exemplo, apesar de sempre ter praticado vários esportes entre quatro paredes, até hoje, os que mais amo são aqueles de contato direto com a natureza. É somente nesse contato direto que ouvimos soar os ‘tambores da tribo’ (risos). No que tange aos animais, sempre tive muita sensibilidade. Mas a noção de direitos só veio muito depois, ao trilhar a trajetória acadêmica e ler os textos de alguns ícones como Tom Regan, Peter Singer e Gary Francione”, afirma.

Ela assevera que isso foi fundamental para a construção de sua consciência de mundo. “O bom da visão vanguardista de direitos animais é que ela não entra em conflito com a da mera sensibilidade, embora seja possível reconhecer direitos sem que se tenha sensibilidade. O oposto, entretanto, não é verdadeiro. Conheço diversas pessoas que têm, de fato, alguma sensibilidade para com os animais, mas não entendem (lógica ou emocionalmente) que isso não basta e que precisamos lhes garantir direitos. Penso que o especismo seletivo esteja no cerne dessa questão, ou seja, a inteligência emocional dessas pessoas é limitada, só consegue operar dentro de um determinado escopo de espécies e de atitudes (ou tratamento) dos animais. Para escapar dessa armadilha é preciso dar inteira razão ao filósofo Gary Francione que afirma que o importante não é o tratamento dos animais, mas o uso de animais. Em outras palavras, os animais não podem ser propriedades dos humanos. É muito pertinente traçar aqui uma analogia com a escravatura humana. É claro que para um escravo é muito melhor ser bem tratado, do que mal tratado. No entanto, o que havia (e ainda há!) de abominável e moralmente repugnante é a banalização da (monstruosa) instituição da propriedade em si”, acredita.

Missão

A bióloga define a evolução da sua carreira como “razão e emoção perfeitamente amalgamadas”. Ela afirma que sua trajetória acadêmica foi espelhada nas causas que defende. “Comecei como ambientalista e me tornei uma ambientalista-animalista (risos). Sigo firme, apesar dos pesares, por acreditar que ambas as causas sejam justas e extremamente urgentes. Lamento, porém, que o cenário tanto nacional quanto mundial seja tão sombrio, apesar de alguns avanços importantes. É preocupante constatar a cegueira que envolve a inexorável ligação entre diversas lutas ambientais e o nosso preconceito especista, como o eclipse da biodiversidade e as mudanças climáticas. Poderíamos discutir essas questões de forma integrada via legislação, políticas públicas, e projetos educacionais. Como disse, avanços há. Mas também temos muitos retrocessos de grande monta e abrangência. A questão é que não acredito que tenhamos mais do que uma década e meia para reverter os processos destrutivos que estão em curso. É de arrepiar a previsão de Isaac Newton de que o ‘fim do mundo’ será em 2060. A previsão científica para o ‘fim dos oceanos’ é para 2048. Assustador, não é?”, provoca.

O esforço e a resiliência são características de Paula Brügger e a sua trajetória profissional e acadêmica são provas disso. Ela possui especialização em Hidroecologia, mestrado em Educação e doutorado em Ciências Humanas. Ela também é autora dos livros ‘Educação ou adestramento ambiental?’, com três edições, e ‘Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente: animais, ética, dieta, saúde, paradigmas’. Criar e compartilhar conhecimento é sua paixão. “Passei 37 anos da minha vida na carreira docente, na UFSC. Comecei lá no início, na categoria ‘auxiliar’, até me aposentar há quatro meses, como ‘titular’. Durante esse período, fora o ensino, tive vários projetos de pesquisa e extensão, todos voltados para a questão ambiental, para a educação, ou para os direitos animais. Acho que o mais emblemático de todos – ou pelo menos o que foi mais longevo (15 anos) – foi o projeto de educação “Amigo Animal”, desenvolvido em parceria com as secretarias municipal e estadual de educação (Florianópolis e Estado de Santa Catarina) e com a DIBEA (Diretoria de Bem-Estar Animal)|Florianópolis. Participei ainda, como todo docente, de vários órgãos colegiados, comissões, etc”, resume.

Ela conta ainda que, mesmo em uma nova fase de vida, pretende se manter atuante. “Hoje minha ligação com a UFSC permanece viva junto a dois grupos de pesquisa: o Laboratório de Estudos Transdisciplinares (LET) e o Observatório de Justiça Ecológica (OJE), onde atuo como coordenadora junto com a professora Letícia Albuquerque, primeira docente no Brasil a oferecer uma disciplina de direitos animais. No âmbito do Observatório sempre estamos desenvolvendo atividades como cine-debates, discussões de textos em grupos, cursos de curta duração e encontros, como o III Encontro Catarinense de Direitos Animais, agora em agosto, todos gratuitos. Tenho participado também, como colaboradora, em disciplinas de graduação e pós-graduação o que para mim é um imenso prazer porque adoro uma sala de aula (risos)”, confessa.

Reconhecimento

Paula revela que o amor pelo aprendizado esteve presente desde os seus primeiros passos. “Acho que sempre fui meio C.D.F.(risos). Aos onze anos de idade tirei o primeiro lugar num concurso de redação no Rio de Janeiro. Depois, ao terminar o segundo grau, no Colégio Rio de Janeiro, e na Aliança Francesa recebi umas homenagens por bom desempenho, com premiações em livros, mas nem me lembro direito de detalhes. Acho que não tenho registro disso porque não dávamos muita importância (nem eu, nem meus pais) a essas coisas. Da parte deles, achavam que não fazíamos mais do que a obrigação (risos). O que tenho guardado é uma medalha de ‘Honra ao Mérito’ de quando me formei em Ciências Biológicas, na UFSC (1981), e depois um prêmio de ‘Exemplo Voluntário’, em 2006, por conta do projeto ‘Amigo Animal'”, destaca.

Ela conta também que recentemente recebeu duas premiações internacionais. “Em 2017 o livro ‘Impact of Meat Consumption on Health and Environmental Sustainability’, no qual sou co-autora ao lado dos renomados Robert Goodland e Jonathan Balcombe, recebeu o prêmio de melhor livro do ano, na categoria Best Sustainable Food Book. Agora em 2019, para minha surpresa, as editoras do livro ‘Social Marketing and its Influence on Animal Origin Food Product Consumption’, entraram em contato com os autores para anunciar a indicação de segundo lugar no International Book Awards, categoria Marketing and Advertising”, disse.

E completa: “Esse foi um genuíno honroso segundo lugar porque, como destacou uma das editoras, a premiação é conferida a publicações muito tradicionais e a nossa é bastante anti-mainstream. Ficamos muito felizes porque tanto a primeira premiação quanto essa última indicação evidenciam a impossibilidade de ignorar os temas em questão. No meu capítulo, intitulado It’s the speciesism, stupid! Animal Abolitionism, Environmentalism and the Mass Media, ressalto a importância do papel educador (ou deseducador) dos meios de comunicação na formação de valores no sentido lato. Precisamos de um novo paradigma para a construção de uma cultura não especista, compassiva com os animais, e responsável com o meio ambiente”.

Futuro

Paula Brügger afirma que não planeja parar de produzir e incentivar o conhecimento. Apesar de adorar ter tempo extra para praticar Kung fu Shao Lin do Norte e Windsurf. “Pretendo continuar atuando junto aos meus grupos de pesquisa na UFSC, mas também me agrada muito a ideia de ter mais tempo para ler (e escrever) e mais tempo para as pequenas coisas da vida que são vorazmente sugadas e destruídas pela sucessão alucinante de acontecimentos e demandas que caracterizam a vida estressante da maioria de nós hoje. Momentos simples, como apreciar a beleza singela de minúsculas flores selvagens que normalmente chamamos de ‘mato’, são cada vez mais caros para mim. Experimentar a sensação de ‘eternidade’ – de um ‘não-tempo’ – quando ficamos sentadas em silêncio, eu e minhas duas SRDs, é outro desses momentos felizes em nossos passeios diários”, reflete.

Sobre o futuro do país, a bióloga afirma que deseja muitas coisas. “Que pudéssemos voltar no relógio do tempo. Ou que as pessoas acordassem para a triste realidade que vivemos e tomassem as rédeas da história. Desejo que não se concretize o acordo EU-Mercosul, que promete aprofundar ainda mais o absurdo modo de produção de itens de baixo valor agregado e infinitas externalidades sociais e ambientais, além da total objetificação da vida dos animais não-humanos. Que pare o desmatamento. Que os ruralistas e outras bancadas retrógradas não sejam mais a principal força propulsora de uma legislação que afeta adversamente a todos, animais humanos ou não. Desejo que as pessoas pautem suas atitudes pela razão e não pelo ‘fígado’. Que, se não podem enxergar com o coração, que se rendam à ciência que mostra que os animais devem ser sujeitos de direitos e não coisas. Poderíamos começar por aqueles explorados e mortos para nos servir de alimento sem necessidade, aqueles que são comprovadamente sujeitos de suas vidas. Desejo muitas outras coisas”, anseia.

Homenagem

As contribuições de Paula à UFSC e à causa animal são memoráveis e isso será reforçado no III Encontro Catarinense de Direitos Animais. Evento realizado no dia 16 de agosto na UFSC. Promovido pelo observatório de Justiça Ecológica (OJE/UFSC) e pelo Programa de Pós-graduação em Direito (PPGD/UFSC), o encontro homenageará a professora Paula Brügger e abordará o tema “Abordagens emancipadoras antiespecistas”.

Para a bióloga, o evento é uma bela oportunidade de problematizar a questão dos direitos animais de uma perspectiva interdisciplinar. “Esse próximo encontro, terceiro de uma série, será mais um momento de congraçamento e de reflexões. É muito importante poder, de tempos em tempos, reunir pessoas de diferentes formações acadêmicas, mas cujo foco converge para os direitos animais. Esse evento, em particular, será ainda mais especial para mim, uma vez que serei homenageada por pares que tanto admiro não apenas como profissionais, mas também como seres humanos”, concluiu Paula.

Desmatamento na Amazônia em julho cresceu 278% em relação a 2018

O desmatamento da Amazônia em julho apresenta crescimento de 278% quando comparado ao mesmo mês de 2018. Foram 2.254,8 km² desmatados neste ano e 596,6 km² no ano passado. O desmate registrado em julho equivale a mais de um terço de todo o volume desmatado nos últimos 12 meses, de agosto de 2018 a julho de 2019, período em que 6.833 km² foram desmatados – o número é 33% maior do que o registrado nos 12 meses anteriores.

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) responsável por fiscalizar o desmatamento.

(Foto: Vinícius Mendonça)

Os dados levam em consideração apenas três categorias de corte de vegetação, como medida para evitar distorções. As categorias, identificadas pelo próprio governo como desmatamento efetivo, são: desmatamento com solo exposto, desmatamento com vegetação e mineração.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), conhecido por promover um desmonte na agenda ambiental, em parceria com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem atacado desde maio os dados divulgados pelo Inpe. Recentemente, Bolsonaro declarou que “maus brasileiros” divulgam números mentirosos sobre a Amazônia.

Os dados, no entanto, são verídicos, e o Inpe é um instituto renomado com credibilidade reconhecida. Além disso, não há “maus brasileiros” entre os que expõe o desmatamento da Amazônia. Pelo contrário, esses são os brasileiros realmente comprometidos com o Brasil e com as riquezas naturais do país. As verdades sobre os fatos, porém, não impediram que Ricardo Galvão fosse exonerado da chefia do órgão.

Para o lugar de Galvão, foi indicado o coronel da reserva da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião, que assume o cargo interinamente. Em entrevista à VEJA, o militar afirmou que o Inpe divulgará dados com antecedência ao governo – conforme Bolsonaro havia solicitado, numa tentativa de exigir que qualquer estatística passe pelo crivo presidencial.


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Ministra da Agricultura diz que mais agrotóxicos serão liberados para o Brasil ‘entrar na modernidade’

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que mais agrotóxicos serão liberados. Segundo ela, isso é necessário para o Brasil “entrar na modernidade”. Apenas em 2019 foram registrados 290 pesticidas. Esses venenos colocam a saúde da população em risco, além de contribuírem para a devastação do meio ambiente.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“A aprovação de mais produtos mostra mais eficiência. São produtos menos tóxicos. Temos que continuar aprovando mais. Vocês vão ver cada vez mais acontecer registros, para entrarmos na modernidade e termos produtos cada vez menos tóxicos”, afirmou a ministra em entrevista a jornalistas durante um café da manhã com professores, especialistas e representantes de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A reunião foi realizada para fazer um debate sobre os agrotóxicos, conforme informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Tereza admitiu que não existe risco zero “para nada”, mas que no caso dos pesticidas, os riscos são calculados e semelhantes aos de outros países. Disse ainda que dos 290 agrotóxicos liberados, sete são novos e o restante equivalente ou genérico a produtos que já eram usados no país. Há ainda, segundo a ministra, uma fila com mais de 2 mil pedidos de liberação de novos pesticidas. De acordo com Tereza, nenhum registro concedido este ano começou a tramitar em 2019.

A ministra afirmou também que há pesticidas que são usados aqui e proibidos na Europa porque os dois países “não têm a mesma cultura”. Ela alegou ainda que “nosso alimento é absolutamente seguro” e que “o consumidor brasileiro não está sendo impactado, a não ser pelo mau uso (de agrotóxicos)”.

No entanto, especialistas discordam da alegação da ministra e reforçam, com base em dados científicos, que os agrotóxicos adoecem as pessoas e destroem o meio ambiente. Casos de mortes, tanto de humanos quanto de animais, também ocorrem.

A coordenadora da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace, Marina Lacôrte, afirmou ao portal Brasil de Fato que “não existe agrotóxico que não apresente nenhum tipo de perigo”. O argumento de Lacôrte é confirmado pelo o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida.

“Nós imaginamos que não exista nenhum brasileiro que não saiba que os agrotóxicos são perigosos. O que existe é uma grande parcela da população que acredita que esse perigo é para os outros, não para ela. Acredita que é perigoso pra quem aplica [produtos na lavoura], pra quem mora no interior e também que, comprando parte da sua alimentação em feiras orgânicas, isso resolve o conjunto da sua alimentação. É uma visão ingênua, equivocada essa de acreditar que os limites são seguros pelo fato de existir algum controle em alguns produtos”, disse Melgarejo ao Brasil de Fato.

O especialista lembrou também que os efeitos negativos dos agrotóxicos se estendem para além do ambiente de produção agrícola. Isso porque, segundo ele, os restos desses produtos são canalizados para outros espaços.

“Não podemos desprezar, por exemplo, que todos nós bebemos água e que o veneno aplicado no interior termina chegando naquilo que a gente bebe porque ele contamina o solo, os rios, etc. Se a água está envenenada, esses resíduos [de agrotóxico] vão parar dentro do organismo humano porque todos nós somos formados também por água. É sempre importante esclarecer isso”, concluiu.


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Thomas Lovejoy: “Um dos maiores problemas [da Amazônia] é o desmatamento motivado por atividades agropecuárias”

Por David Arioch

“Se esse ciclo hidrológico se romper, poderá gerar um ponto de inflexão que resultará na conversão de partes da floresta tropical em savanas secas ou até mesmo em caatingas” (Foto: Divulgação/Birdlife)

Apelidado de “Padrinho da Biodiversidade”, o ambientalista e biólogo norte-americano Thomas Lovejoy trabalha na Amazônia há mais de 50 anos. Ele falou recentemente ao Banco Mundial sobre as pressões que a região enfrenta e os motivos para protegê-la, além de defender que a Amazônia precisa ser gerida como um sistema integrado e com decisões ponderadas e graduais.

“Poucas pessoas sabem que a Amazônia produz cerca de metade de suas próprias chuvas, além de levá-las até o sul da Argentina, contribuindo para a produção agrícola. Se esse ciclo hidrológico se romper, poderá gerar um ponto de inflexão que resultará na conversão de partes da floresta tropical em savanas secas ou até mesmo em caatingas, além de afetar negativamente as chuvas e a agricultura em toda a América do Sul”, declarou.

Lovejoy e o cientista climático Carlos Nobre, autor de estudo que revelou no ano passado que o total da área desmatada na Amazônia já chegou a um milhão de quilômetros quadrados, defendem que esse ponto de inflexão está muito próximo e que as secas de 2005, 2010 e 2016 já são os primeiros sinais dessa mudança

“Infelizmente, a pressão sobre a Amazônia está cada vez maior. Os lugares de maior risco são o sul e o sudeste [regiões do Pará, Mato Grosso e Rondônia], mas também há pressões surgindo em novos locais. Um dos maiores problemas é o desmatamento motivado por atividades agropecuárias”, declarou o biólogo norte-americano.

E acrescentou: “O desenvolvimento da infraestrutura também é uma grande ameaça, especialmente se alguns projetos continuarem do jeito que estão. Precisamos pensar em alternativas e trabalhar com os governos estaduais para criar modelos de desenvolvimento sustentável que preservem a floresta.”

Thomas Lovejoy defende que o futuro da Amazônia está no desenvolvimento de bioeconomias sustentáveis, na importância dos agricultores serem remunerados por atividades que protegem a floresta:

“Cidades sustentáveis também são essenciais, mas exigem um planejamento cuidadoso e criativo. As atividades econômicas em Manaus, por exemplo, usam em grande parte materiais não provenientes da floresta. Precisamos iniciar um diálogo sobre o que as cidades devem fazer para trazer benefícios reais para as suas populações, com muito menos impacto sobre as florestas.”

Segundo o ambientalista, a infraestrutura de baixo impacto é outra solução. E cita como excelente exemplo a elevação das rodovias na região da Mata Atlântica.

“A linha de transmissão projetada entre Manaus e Roraima não teria um impacto tão forte se o projeto atual (em linha reta) fosse alterado e seguisse a rodovia já existente no local, evitando novos desmatamentos e transtornos para os povos indígenas. Da mesma forma, precisamos pensar em como produzir energia não fóssil a partir de barragens hidroelétricas de forma a preservar os fluxos de sedimentos e os trajetos de espécies migratórias como os grandes bagres, cujo ciclo de vida se estende desde o estuário até as cabeceiras.”


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Políticas de proteção aos animais serão discutidas na Alep este mês

Por David Arioch

A iniciativa é do deputado Goura (PDT), da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais (Foto: Acervo/Alep)

No dia 20, das 9h às 12h, vai ser realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba, a Audiência Pública Sobre Políticas de Proteção aos Animais, que discute o que precisa ser feito no âmbito das políticas públicas para melhorar a situação dos animais.

Protetores de animais e ativistas pedem que residentes em Curitiba, ou pessoas que se preocupam com a causa animal e que estejam na cidade na data, participem da audiência que pode influenciar os rumos da proteção animal no Paraná. A iniciativa é do deputado Goura (PDT), da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais.

Localização

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) fica na Praça Nossa Senhora de Salete, s/n – Centro Cívico.


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Cadela é resgatada após cair em rede de esgoto em Criciúma (SC)

Uma cadela foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros após cair em uma rede de esgoto em Criciúma, em Santa Catarina. O acidente aconteceu nesta terça-feira (6), no bairro Santa Bárbara.

Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

O animal vive em situação de rua, mas recebe cuidados de funcionários de uma empresa localizada na região. As informações são do portal Engeplus.

De acordo com o bombeiro Rafael Alves, os funcionários chegaram para trabalhar e perceberam que vários cachorros estavam latindo em direção à rede de esgoto. Ao verificarem o que estava acontecendo, eles encontraram a cadela caída na rede de esgoto.

Diante da situação, os colaboradores da empresa acionaram o Corpo de Bombeiros, que conseguiu resgatar a cadela em segurança. Cinco militares, sendo um comunitário, participaram do resgate.

Após ser salva, a cadela foi entregue aos funcionários. Ela sofreu um ferimento em uma das patas.

Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros


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Cadela grávida perde filhotes e supera luto ao adotar um cão órfão

Uma cadela resgatada grávida da rua enfrentou um difícil processo de luto ao perder seus filhotes, que morreram devido a uma infecção generalizada. No entanto, o desfecho da história, que tinha tudo para ser triste, sofreu uma transformação quando um filhote órfão foi apresentado à cadela. O caso aconteceu em Nova York, nos Estados Unidos.

Foto: Reprodução/Halfway There Rescue

O resgate da cadela foi feito por fiscais do Controle de Animais de Nova York, que a levaram até o abrigo da Halfway There Rescue, uma ONG de proteção animal. No local, ela foi colocada em um quarto aconchegante e recebeu bastante comida. No entanto, nem todo o conforto e carinho que teve na entidade foram suficientes diante da dor de perceber que seus filhotes haviam morrido. As informações são do portal We Love Animals.

Sem conseguir lidar com a perda, Daya, como passou a ser chamada, começou a acolher brinquedos e meias como se esses objetos fossem seus filhos. Ao perceberem a gravidade da situação, voluntários do abrigo tiveram a ideia de levar até a cadela um filhote de cachorro órfão, que havia perdido a mãe recentemente.

Foto: Reprodução/Halfway There Rescue

A decisão dos membros da Halfway There Rescue não poderia ter sido mais acertada e Daya adotou Raisin imediatamente. Os dois adoraram a companhia um do outro e formaram um bonito laço de afeto.

Como não queria separá-los, a ONG doou os dois cães para uma mesma família. No entanto, após crescer, Raisin foi levado para outra casa. Daya, porém, soube lidar bem com a separação, provavelmente porque percebeu que Raisin já era adulto.

Atualmente, a cadela vive cercada de amor em uma família que, além de ter tutores que a amam, tem outro cachorro com o qual ela brinca e se diverte diariamente.

Foto: Reprodução/Halfway There Rescue


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Campanha arrecada fundos para levar elefanta explorada por circo para santuário

Ramba foi explorada por anos para entretenimento humano. Forçada a suportar viagens intermináveis, presa a correntes e sendo obrigada a aprender truques anti-naturais, ela viveu uma vida miserável durante o período em que esteve em um circo no Chile. O destino dela, no entanto, mudou quando o Ibama aprovou a licença e autorizou o processo de transporte da elefanta para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB). Mas, para que isso aconteça, recursos precisam ser arrecadados.

Ramba tem 52 anos e vive atualmente no Chile (Foto: SEB/Divulgação)

A elefanta de 52 anos atualmente vive no zoológico do Parque Safari em Rancagua, no Chile. De acordo com informações publicadas no site oficial da campanha de arrecadação de fundos em prol do transporte do animal até o santuário no Mato Grosso, Ramba, “além de sofrer com os invernos rigorosos no Chile, é uma elefanta solitária, possui abcessos recorrentes na pata dianteira e tem comprometimento renal e hepático, necessitando de dieta e suplementação adequados. Seu recinto no zoológico Parque Safári é inadequado, e, como agravante, em função de ampliações que estão sendo realizadas, a passagem de água natural para o recinto de Ramba foi cortada”.

No santuário, Ramba terá Maia e Rana como companheiras. A terceira elefanta que vivia no local, Guida, morreu em junho deste ano. As informações são do G1.

Ramba foi confiscada do circo ‘Los Tachuelas’ em 1997 pelo Serviço Agrícola e Pecuário do Chile (SAG) após ser vítima de abusos. O animal, porém, permaneceu sob a tutela do circo até 2012, após a ONG chilena Ecopolis conseguir uma permissão para remover a elefanta do local. A entidade, então, entrou em contato com o Parque Safari, que aceitou recebê-la. Sob coordenação de Scott e Katherine Blais, atuais diretores do SEB, Ramba foi levada ao zoológico.

A elefanta foi explorada e maltratada por um circo (Foto: SEB/Divulgação)

Apesar de Ramba ter começado a ser explorada, na década de 1980, em espetáculos circenses na Argentina, ela ficou conhecida como a última elefante de circo do Chile, país onde chegou em 1995.

Transporte

Ramba será levada do Parque Safári ao Santuário de Elefantes Brasil por meio de transporte aéreo e terrestre. Como o zoológico está localizado atrás da Cordilheira dos Andes, a elefanta será transportada, dentro de uma caixa, por um avião.

Recursos arrecadados por campanha pagarão transporte de elefanta do Chile ao Brasil (Foto: SEB/Divulgação)

Para que a viagem seja o mais tranquila possível, a caixa será colocada no local onde Ramba vive atualmente para que ela se acostume a ficar dentro dela. Antes da transferência, alimentos serão oferecidos dentro da caixa para atrair a elefanta, que poderá entrar e sair dela quando quiser. Não se sabe exatamente quando tempo levará para que o animal se adapte à caixa. Guida e Maia levaram apenas três dias, mas cada elefante é único e tem seu próprio tempo.

No dia da transferência do zoológico para o santuário, um guindaste fará o içamento da caixa, que será colocada em uma carreta de transporte para ser levada até o aeroporto de Santiago, percorrendo cerca de 97 km. Ao chegar no local, Ramba embarcará com destino ao Brasil. Após a chegada ao país, ela será colocada em um caminhão que a transportará até o SEB, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Todo o transporte será feito sob escolta.


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Cantor Aaron Carter é acusado de tentar vender cachorro após adotá-lo

O cantor Aaron Carter foi acusado de tentar vender um cachorro adotado por ele em Los Angeles, nos Estados Unidos. A denúncia foi feita após Carter falar sobre o assunto durante uma transmissão ao vivo em rede social.

Foto: Reprodução/Instagram/@lancasteranimalslaco

“Esse é meu novo amigo. Mas, por sinal, se eu não puder ficar com ele, vou dá-lo. Ele tem dez meses e está sendo vendido por US$ 3,5 mil (R$ 13 mil, na cotação atual). Então, se alguém quiser dar um lar ao meu buldogue inglês, eu o resgatei e estou procurando um lar para ele”, afirmou o cantor.

Após ser criticado, Carter negou que estivesse vendendo o animal. Ele afirmou que é uma “pessoa boa que merece respeito” e que “tudo não passava de uma brincadeira”. As informações são do Correio do Povo.

“Encontro muitos cães e acho lares para eles. Eu tenho uma casa e ganho mais de US$ 3 milhões [o equivalente a R$ 11,8 milhões] por ano. Eu não preciso vender cães para conseguir dinheiro. E não tentem difamar meu nome, porque vou me defender na Justiça”, disse.

O abrigo que doou o cachorro para o artista afirmou que apura o caso.


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Feridos e debilitados, cães são encontrados sem comida e água no Paraná

Três cachorros, sendo um macho e duas fêmeas da raça pit bull, foram resgatados pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) após serem encontrados em situação de maus-tratos no bairro Boqueirão, em Curitiba. Um homem de 48 anos foi detido.

Foto: Reprodução/XV Curitiba

Na casa, as fêmeas eram mantidas presas em um canil insalubre, sem água e comida. O macho estava amarrado a uma corrente, também faminto e com sede, e com ferimentos abertos pelo corpo.

Todos os animais estavam visivelmente debilitados e não recebiam os cuidados necessários. As informações são do portal XV Curitiba.

Levado à delegacia, o tutor dos animais assinou um temo circunstanciado de ocorrência. Ele responderá pelo crime de maus-tratos a animais e, se for condenado, poderá ser punido com até um ano de detenção, além de multa.

A condenação, no entanto, tende a ser revertida em prestação de serviços comunitários por se tratar de um crime considerado pelo ordenamento jurídico como de menor potencial ofensivo.


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