Ciclista adota cadela e a leva em mochila nas costas para treinos com bicicleta
O ciclista Gabriel Rodrigues Pego, de 21 anos, adotou a cadela Yellow – que recebeu este nome por ter a pelagem amarela – em maio de 2017, quando saiu com amigos para andar de bicicleta na pista de mountain bike no bairro Alto da Riviera, na Zona Sul de São Paulo, e encontrou a filhote abandonada.

Foto: Fabio Tito/ G1
Yellow saiu de dentro de um caixote que estava na rua. Os amigos se encantaram com ela e passaram o dia brincando com a cadela. As informações são do portal G1.
“Ela se identificou bastante comigo, ficou ao meu lado o tempo todo, brincou, corria atrás das pedras que eu jogava. Eu creio que ela me escolheu, acredito muito nisso, que o cachorro que escolhe o tutor, não o contrário”, relembra Gabriel.
Ao anoitecer, os amigos foram embora. No entanto, Gabriel percorreu o caminho de volta para casa com a cadela no pensamento. “Fiquei com a consciência pesada de deixar um animal abandonado, não podia deixar um ser vivo lá. Voltei, encontrei-a, coloquei-a dentro da camisa e fui embora com a bicicleta. Foi quando percebi que ela gostava da sensação de vento no rosto”, conta.

Foto: Fabio Tito/ G1
Apesar de, inicialmente, o pai de Gabriel ter se mostrado resistente à ideia de adotar um cachorro, logo Yellow conquistou toda a família. “Meu pai era bem complicado nesse quesito, então eu disse que ela ficaria conosco só por uns dias, mas ela foi ficando, ficando e foi ganhando espaço e cativando toda a família. Ela é brincalhona e está sempre sorrindo, então se tornou o xodó lá em casa, principalmente do meu pai. Quando ele chega em casa nem fala comigo, vai direto nela”, diz.
Atleta amador de mountain bike, Gabriel decidiu levar Yellow nos treinos quando passou a participar de competições. “Ela gosta de adrenalina, de vento no rosto, gostava de ficar na janela do carro”, conta.
A princípio, ele levava a cadela dentro de uma mochila comum, que ele carregava nas costas. No entanto, logo ele percebeu que Yellow ficava desconfortável e, então, desenvolveu uma mochila adequada para ela.

Foto: Fabio Tito/ G1
“Fui a um designer de artefatos, fiz pesquisas, consultei a médica veterinária dela e cheguei a esse conceito final. Foram dois meses de teste. Aí o pessoal via na rua e começou a me perguntar, então criei uma empresa preocupada com o prazer do animal para comercializar as peças”, conta. Gabriel vendeu 23 mochilas nos primeiros dois dias de venda.
No entanto, não foi só a mochila que ele desenvolveu para Yellow, mas também um óculos de sol com proteção UV para proteger os olhos dela durante os passeios de bicicleta. O óculos foi projetado para cachorros.
“Ela virou minha companheira, eu a levo para tudo quanto é lugar. E ela faz muito sucesso no trânsito, o pessoal enlouquece, nos para”, conta Gabriel, que afirma que a cadela auxilia nos treinos de força com a bicicleta. “A gente treina junto, ou eu a levo no dia de treino específico para fazer força. Só ela pesa 11 quilos, mais 2 da mochila, são 13. Ajuda a fazer força! Eu brinco que ela e os cachorros do bairro que correm atrás de mim são meus técnicos”, diverte-se.

Foto: Fabio Tito/ G1
Na última competição que participou, na Copa São Paulo de Mountain Bike, em Santa Isabel, no interior do estado, Gabriel ficou em segundo lugar. “Foram 35 km com quase 800 metros de elevação. E a Yellow tem parte no meu troféu”, afirma.
O rapaz conta que teve a vida transformada pela cadela. “Ela mudou minha vida em todos os sentidos. A vida ganha mais cor. Chegar de um treino cansado e ver ela naquela euforia no portão, não tem dinheiro que paga. E ela é muito feliz também, você tem de ver quando pega a mochila, ela endoida quando falo que vamos passear”, relata.
Com a experiência de ter salvado a vida de Yellow, o ciclista passou não só a vender produtos para cachorros, como também a incentivar a adoção de animais abandonados.
“Eu acho que o pessoal costuma comprar cachorro e tem muito cachorro na rua querendo um lar e às vezes as pessoas não querem por não ter raça. É bacana dar chance a um animalzinho em situação de rua. Você muda a vida dele, mas ele vai mudar a sua vida também. É o amor mais puro e verdadeiro. Ele não exige nada em troca, não está preocupado com sua conta bancária e sua posição social. É o melhor amigo do homem, isso eu posso comprovar”, conclui.

Foto: Fabio Tito/ G1

























