Morgan Freeman cria santuário de abelhas

Foto: Richard Shotwell | Invision |AP

Desde 2004,  0 ator de 81 anos se dedica a apicultura na tentativa de compensar as mortes em massa, conhecidas como desordem do colapso da colônia (CCD), nos últimos anos. Isso ocorre quando a maioria das operárias de repente desaparece e deixa para trás uma rainha, comida e enfermeiras, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental .

Para ofercer a melhor qualidade de vida aos insetos, Freeman importou 26 colméias de Arkansas, onde os insetos têm acesso a plantas com flores e água com açúcar.

“Eu nunca usei o chapéu da apicultura com minhas abelhas. Eles não me picaram ainda, como não estou tentando colher mel ou qualquer coisa, mas simplesmente as alimento … acho que elas entendem. ‘Ei, não incomode esse cara, ele tem água com açúcar aqui”, disse ele no “The Tonight Show Estrelando Jimmy Fallon.”

O Mel

Freeman não consome o mel das abelhas; seu santuário foi criado apenas para que elas vivam em segurança.

Assim como o ator, os veganos não usam o mel e optam por alternativas livres de crueldade, como o Bee Free Honee, que usa maçãs orgânicas e ajuda organizações sem fins lucrativos que apoiam as abelhas.

A importância das abelhas

Elas são responsáveis por 20 bilhões de dólares (cerca de 80 bilhões de reais) em polinização de culturas nos EUA, segundo a Federação Americana de Apicultura . Mas colônias são tratadas como commodities; a organização observa que dois terços são transportados por todo o país a cada ano para polinizar as plantações e produzir mel. As informações são do LiveKindly.

As abelhas nativas também são críticas para a polinização de culturas, mas suas populações estão em declínio, de acordo com The Conversation . Isso se deve, provavelmente, à exposição a pesticidas e à diminuição de fontes de alimento à medida que a terra é transformada em plantação de milho (a principal ração para o gado) e soja ou desenvolvimento comercial e residencial.

Laudo aponta que produto químico é causa da morte de abelhas em SC

Um laudo concluiu que a causa da morte de abelhas em três propriedades do estado de Santa Catarina é o produto químico fipronil. O secretário-adjunto estadual de Agricultura e Pesca, Ricardo Miotto, explica que a substância é encontrada tanto em agrotóxicos quanto em remédios veterinários para controle de insetos.

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A análise foi feita em quatro propriedades. Porém, na quarta não foi identificada a presença de produto químico ou de problemas sanitários. Investigações para descobrir a causa da morte neste caso estão sendo realizadas.

As propriedades que registraram mortes de abelhas estão localizadas nos municípios de Rio Negrinho, Canoinhas e Major Vieira. As informações são do portal G1.

Para descobrir se o friponil teve como origem um agrotóxico ou um remédio veterinário, dados estão sendo coletados por técnicos da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

Não há um número exato de quantas abelhas foram encontradas mortas. No entanto, de acordo com o chefe de Estudos Apícolas da Epagri, Ivanir Cella, entre 270 e 300 colmeias foram atingidas. Cada uma delas tinha entre 40 mil e 50 mil abelhas.

No estado, há 315 mil colmeias. “A secretaria está muito preocupada”, disse Miotto, que acredita as mortes foram casos isolados.

O secretário-adjunto disse ainda que técnicos da Cidasc e e da Epagri vão orientar os agricultores de propriedades próximas para que redobrem os cuidados ao usarem agrotóxicos e os apicultores que tenham outros animais nas propriedades para que tenham atenção ao aplicar remédios veterinários para controle de insetos.

Meio bilhão de abelhas são encontradas mortas em três meses no Brasil

Nos últimos três meses, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas por apicultores em quatro estados brasileiros, segundo levantamento da Agência Pública e do Repórter Brasil. Foram 400 milhões no Rio Grande do Sul, 7 milhões em São Paulo, 50 milhões em Santa Catarina e 45 milhões em Mato Grosso do Sul. As estimativas são de associações de apicultura, Secretarias de Agricultura e pesquisas feitas por universidades.

Especialistas indicam que a principal causa das mortes são agrotóxicos à base de neonicotinoides e de Fipronil, produto que foi proibido na Europa há mais de uma década. Fatais para insetos, esses produtos se espalham pelo ambiente quando aplicados por meio de pulverização.

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Mais de 20% de todas as colmeias em Cruz Alta (RS) foram perdidas entre dezembro de 2018 e fevereiro deste ano, com cerca de 100 milhões de abelhas mortas. “Apareceram uns venenos muito bravos. Eles colocam de avião de manhã e à tarde as abelhas já começam a aparecer mortas”, relata o apicultor Salvador Gonçalves, presidente da Apicultores de Cruz Alta (Apicruz).

No Brasil, existem mais de 300 espécies de abelhas nativas. Cada uma é mais propícia para a polinização de determinadas culturas. A da Mamangaba, por exemplo, que é popularmente conhecida como abelhão, é a principal responsável por polinizar o maracujá. “O que aconteceria se esse inseto fosse extinto? Ou deixaríamos de consumir essas frutas, ou elas ficariam caríssimas, porque o trabalho de polinização para produzi-la teria que ser feito manualmente pelo ser humano”, explica Carmem Pires, pesquisadora da Embrapa e doutora em Ecologia de Insetos.

A pesquisadora explica que a presença de abelhas aumenta a safra até de lavouras que não são dependentes da ação direta dos polinizadores. “Na de soja, por exemplo, é identificado um aumento em 18% da produção. É importante destacar também o efeito em cadeia. As plantas precisam das abelhas para formar suas sementes e frutos, que são alimento de diversas aves, que por sua vez são a dieta alimentar de outros animais. A morte de abelhas afeta toda a cadeia alimentar”, diz.

Os agrotóxicos neonicotinoides, que se espalham por todas as partes da planta, e os venenos à base de Fipronil, que age nas células nervosas dos insetos e são aplicados através de pulverização aérea, são os principais inimigos das abelhas.

Na colmeia, as abelhas vivem em sociedades organizadas, nas quais cada inseto tem um papel. A abelha rainha é uma fêmea fértil que coloca os ovos. As abelhas operárias são responsáveis pela limpeza, coleta de néctar e pólen, alimentação das larvas, elaboração do mel e defesa do mel. Já os zangões são os machos que fecundam a rainha. Uma única colmeia pode abrigar até 100 mil abelhas.

A morte das abelhas por contato com agrotóxicos pode acontecer quando a operária sai para polinizar. Se ela não morre imediatamente e volta infectada para a colmeia, acaba contaminando as outras abelhas e o enxame morre em pouco mais de um dia.

Situação alarmante 

O Ibama afirma que não há dados oficiais sobre número de mortes de abelhas no Brasil. Os levantamentos são feitos por associações de apicultores e órgãos ligados à secretarias estaduais de Agricultura. O número de meio bilhão divulgado recentemente, porém, pode ser maior. Isso porque não é possível contabilizar as mortes de abelhas silvestres.

No Rio Grande Sul, dez municípios comunicaram à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural sobre casos de mortes de abelhas. São eles: Jaguari, Sant’Ana do Livramento, Alegrete, Santiago, Livramento, Bagé, Mata, Cruz Alta, Boa Vista do Cadeado, Santa Margarida. “O estado tem cerca de 463 mil colmeias. Dessas, cerca de 5 mil foram completamente perdidas. O prejuízo está em torno de 150 toneladas de mel”, conta Aldo Machado dos Santos, coordenador da Câmara Setorial de Apicultura gaúcha.

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Desde 2005, casos de mortandade de abelhas foram identificados, pela reportagem da Agência Pública, em pelo menos dez estados brasileiros: Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Especialista em sanidade das abelhas, o engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Aroni Sattler, que trabalha na área desde 1973, afirma que as mortes de enxames se tornaram mais comuns na última década. “Devido ao meu trabalho, sempre recebi amostras de abelhas para análises, e vim percebendo que cada vez mais não havia sinais de doenças nos insetos que explicassem mortandades tão agudas”, explica.

No ano passado, o engenheiro foi procurado pelo Bioensaios, um laboratório privado, para orientar um trabalho sobre coleta de amostras em casos de mortandade, que analisou 30 casos ocorridos no Rio Grande do Sul. Os resultados indicaram que cerca de 80% dos enxames ingeriram ou tiveram contato com Fipronil antes de sucumbir.

“Pelos sinais clínicos e pelo histórico apresentado pelos apicultores, percebemos que os agricultores da região misturavam o Fipronil no tanque junto com dessecantes desde o preparo do solo, passando pela fase vegetativa do cultivo e depois na hora da colheita. Se trata de um inseticida, e as abelhas são um tipo de inseto, por isso o ingrediente é bastante tóxico para elas”, detalha o engenheiro, que lembra que o contágio pode ter ocorrido até em insetos que não apresentam vestígio dos agrotóxicos. “Nos outros 20% é notado que a coleta das amostras não foi feita adequadamente, ou foi feita em um período muito longo após a mortandade, o que dificulta a identificação dos tóxicos”, completa.

“O impacto do uso desses agrotóxicos atinge um raio de 3 a 5 quilômetros das lavouras. Tudo no entorno desaparece”, afirma Sattler, que fez análises de abelhas mortas e emitiu 30 laudos que comprovam o contato dos insetos com pesticidas.

A falta de informação, segundo o engenheiro, também é um problema. “Há casos de mortandade que acontecem porque os agricultores utilizam o agrotóxico de modo errado, ou até mesmo, por falta de conhecimento, eles acham que a abelha prejudica a lavoura e passam veneno”, explica.

Há, segundo o coordenador da Câmara Setorial de Apicultura do Rio Grande do Sul, Aldo Machado, a necessidade de realizar uma ação de conscientização. “Precisamos de agrônomos nos campos, acompanhando essas aplicações, vendo se está sendo feito conforme a bula”, diz.

Sobre denúncias, Machado afirma que o canal indicado são as defensorias agrícolas ligadas às secretarias estaduais ou municipais, além da Polícia Militar Ambiental e a Polícia Civil. “O apicultor tem que vencer o medo e denunciar. Há dois anos, após um grande surto de casos no Rio Grande do Sul, fizemos um levantamento e só existiam dois registros de denúncia. Sabíamos que estava ocorrendo mais, mas sem denúncia não se torna oficial para o governo”, explica. Apenas no município de em Cruz Alta, segundo a Associação dos Apicultores de Cruz Alta (Apicruz), entre 2015 e 2016, cerca de 50 milhões de abelhas morreram. No último trimestre, a estimativa é de mais de 100 milhões.

Há dificuldades, porém, para identificar o culpado pela morte. “Em Cruz Alta, por exemplo, há diversos produtores de soja. Existe a dificuldade de provar quem colocou esse princípio ativo na lavoura. Em muitos casos, diversos produtores utilizam o agrotóxico, aí fica difícil encontrar um culpado para cada caso específico”, pontua.

A Lei Federal 7.802/89, conhecida como Lei dos Agrotóxicos, estabelece como responsáveis pela fiscalização os órgãos estaduais, que são às secretarias de Meio ambiente ou de Agricultura dos estados. A morte de abelha, neste contexto, configura crime ambiental, já que, segundo o artigo 56 da Lei de Crimes Ambientais, é crime “produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos”.

No entanto, há grande dificuldade, segundo o Ibama, para comprovar que a mortandade ocorreu pelo uso dos pesticidas em desacordo com instruções autorizadas no registro. “Quando isso fica comprovado – uso onde não devia, na quantidade que não devia, na época que não devia, usando equipamento que não devia e causando a mortalidade – aí se enquadra no artigo e se trata de crime ambiental”, informa o órgão.

Mortes em São Paulo

Entre 2014 e 2017, um mapeamento sobre os fatores que contribuem para morte de enxames, feito com a participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), contabilizaram a morte de 255 milhões de abelhas em 78 cidades.

Segundo o professor e pesquisador da Unesp Rio Claro Osmar Malaspina, que é um dos responsáveis pelo estudo,  os casos em São Paulo estão ocorrendo desde 2005. “Eles se acentuam a partir de 2012, e até aquele momento os apicultores não sabiam como, mas todas as abelhas passavam a morrer do nada e em menos de 24 horas. A grande suspeita era de agrotóxicos, mas até aquele momento não tínhamos uma análise para provar isso”, afirma.

Em 2013, o projeto Colmeia Viva teve início. Com um telefone 0800 para denúncias, o projeto conta com o patrocínio de empresas produtoras de agrotóxicos. “Após a análise, entregamos um laudo para cada criador, que era público. E ele poderia usá-lo para entrar com ação na Justiça”, explica.

No ano passado, o relatório do mapeamento foi lançado com conclusões direcionadas à criação de um plano de ação nacional para boas práticas na aplicação de agrotóxicos. A iniciativa contou com 222 atendimentos a apicultores, com 107 visitas ao campo. Em 88 dos casos, abelhas foram coletadas para análise na relação dos insetos com agrotóxicos. Em 59 deles, o resultado foi positivo para resíduos de pesticidas. Em 27, a suspeita é o uso do agrotóxico tenha sido feita fora da lavoura onde fica a colmeia e em 21 o uso incorreto teria ocorrido dentro da própria residência – 11 foram causados por produtos à base de neonicotinoides e 10 à base de Fipronil. Um trabalho educativo também foi feito com agricultores.

“Nos últimos meses estamos percebendo uma queda nas ocorrências de mortandade, mas ainda temos que esperar mais alguns anos para fazer um novo estudo que confirme isso e nos mostre os motivos”, explica. Nos últimos dois meses, as mortes em colmeias reduziram para aproximadamente 25.

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Devido às mortandades, o Ibama iniciou a reavaliação de ingredientes químicos usados em plantações em 2012. O órgão tem avaliado o neonicotinoides Imidacloprid e os neonicotinoides Clotianidina e o Tiametoxam. Em seguida, serão iniciados os testes com o Fipronil.

Em julho de 2012, o Ibama proibiu a pulverização aérea do ingrediente ativo Imidacloprid e determinou que todos os produtos deveriam conter o seguinte aviso na embalagem: “este produto é tóxico para abelhas. A aplicação aérea NÃO É PERMITIDA. Não aplique este produto em época de floração, nem imediatamente antes do florescimento ou quando for observada visitação de abelhas na cultura. O descumprimento dessas determinações constitui crime ambiental, sujeito a penalidades”. No entanto, na época, o Ministério da Agricultura alegou que a aplicação aérea do produto era necessária e, três meses depois, ficou autorizada a pulverização para culturas de arroz, cana-de-açúcar, soja, trigo e algodão.

Devido à reavaliação dos agrotóxicos mais nocivos às abelhas, o Ibama criou em 2015 um Grupo Técnico de Trabalho para debater procedimentos que podem ser adotados para proteger esses insetos. As reuniões do grupo são bimestrais e contam com 13 participantes do setor acadêmico, da Embrapa, da Indústria e também do Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é propor uma avaliação obrigatória de risco de agrotóxicos para abelhas, mas não há previsão para isso.

Diante desse cenário, o Ministério Público Federal iniciou procedimentos para cobrar respostas sobre as mortes das abelhas em cinco procuradorias estaduais: no Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, segundo a Procuradoria-Geral da República.

Uma ação civil pública tramita na 9ª Vara Federal de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, ajuizada em 2017 contra o Ibama. O objetivo da ação é obrigar a autarquia a concluir, no prazo de seis meses, o processo de reavaliação da substância Imidacloprid. O Ibama, porém, diz ter dificuldades para conclusão do processo nesse prazo e afirma que está construindo protocolos de testes, por se tratar de avaliações inéditas no país. Para realizar as reavaliações, o Ibama mantém uma equipe com três biólogos, um químico e um zootecnista.

Legislação para salvar as abelhas

Alguns países têm adotado leis para proteger zangões, rainhas e operárias. A União Europeia proibiu o Fipronil há mais de dez anos. Na França, ele foi proibido em 2004, quando cerca de 40$ das abelhas criadas por apicultores morreram. Em 2013, os neonicotinoides tiveram os registros congelados por dois anos e em 2018 foram banidos.

Nos Estados Unidos, um relatório do Departamento de Agricultura americano (USDA) concluiu que quase um terço das abelhas de colônias do país morreram durante o inverno de 2012/2013. Diante disso, no ano seguinte, o uso de neonicotinoides em áreas de vida selvagem foi proibido pelo então presidente americano Barack Obama.

Para lembrar a importância desses insetos, foi criado o Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio. Para defendê-las, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), criou o Código Internacional de Conduta para o Manejo de Pesticidas. A organização lembra, no entanto, que as abelhas continuarão em risco enquanto os agrotóxicos não forem reduzidos.

“Não podemos continuar nos concentrando em aumentar a produção e a produtividade com base no uso generalizado de pesticidas e produtos químicos que ameaçam os cultivos e os polinizadores”, alertou o diretor-geral da agência da ONU, José Graziano da Silva.

As abelhas são os principais polinizadores da maioria dos ecossistemas do planeta. No Brasil, das 141 espécies de plantas cultivadas para a alimentação de humanos e animais, cerca de 60% dependem em certo grau das abelhas. De acordo com a FAO, 75% dos cultivos voltados para a alimentação da população no mundo precisam das abelhas.

Estudo indica declínio crítico de abelhas e borboletas

A população de diversas espécies de borboletas está em declínio, além de abelhas e libélulas — Foto: Pixabay

Uma nova análise científica sobre o número de insetos no mundo sugere que 40% das espécies estão experimentando uma “dramática taxa de declínio” e podem desaparecer. Entre elas, abelhas, formigas e besouros, que estão desaparecendo oito vezes mais rápido que espécies de mamíferos, pássaros e répteis. Já outras espécies, como moscas domésticas e baratas, devem crescer em número.

Vários outros estudos realizados nos últimos anos já demonstraram que populações de algumas espécies de insetos, como abelhas, sofreram um grande declínio, principalmente nas economias desenvolvidas. A diferença dessa nova pesquisa é ter uma abordagem mais ampla sobre os insetos em geral. Publicado no periódico científico Biological Conservation, o artigo faz uma revisão de 73 estudos publicados nos últimos 13 anos em todo o mundo.

Os pesquisadores descobriram que o declínio nas populações de insetos vistos em quase todas as regiões do planeta pode levar à extinção de 40% dos insetos nas próximas décadas. Um terço das espécies está classificada como ameaçada de extinção.

“O principal fator é a perda de habitat, devido às práticas agrícolas, urbanização e desmatamento”, afirma o principal autor do estudo, Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sydney.

“Em segundo lugar, está o aumento no uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura ao redor do mundo, com poluentes químicos de todos os tipos. Em terceiro lugar, temos fatores biológicos, como espécies invasoras e patógenos. Quarto, mudanças climáticas, particularmente em áreas tropicais, onde se sabe que os impactos são maiores.”

Os insetos representam a maioria dos seres vivos que habitam a terra e oferecem benefícios para muitas outras espécies, incluindo humanos. Fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos; polinizam em torno de 75% das plantações no mundo; reabastecem os solos e mantêm o número de pragas sob controle.

Os riscos da redução do número de insetos

Entre destaques apontados pelo estudo estão o recente e rápido declínio de insetos voadores na Alemanha e a dizimação da população de insetos em florestas tropicais de Porto Rico, ligados ao aumento da temperatura global.

Outros especialistas dizem que as descobertas são preocupantes. “Não se trata apenas de abelhas, ou de polinização ou alimentação humana. O declínio (no número de insetos) também impacta besouros que reciclam resíduos e libélulas que dão início à vida em rios e lagoas”, diz Matt Shardlow, do grupo ativista britânico Buglife.

“Está ficando cada vez mais claro que a ecologia do nosso planeta está em risco e que é preciso um esforço global e intenso para deter e reverter essas tendências terríveis. Permitir a erradicação lenta da vida dos insetos não é uma opção racional”.

Os autores do estudo ainda estão preocupados com o impacto do declínio dos insetos ao longo da cadeia de produção de comida. Já que muitas espécies de pássaros, répteis e peixes têm nos insetos sua principal fonte alimentar, é possível que essas espécies também acabem sendo eliminadas.

Baratas e moscas podem proliferar

Embora muitas espécies de insetos estejam experimentando uma redução, o estudo também descobriu que um menor número de espécies podem se adaptar às mudanças e proliferar.

“Espécies de insetos que são pragas e se reproduzem rápido provavelmente irão prosperar, seja devido ao clima mais quente, seja devido à redução de seus inimigos naturais, que se reproduzem mais lentamente”, afirma Dave Goulson, da Universidade de Sussex.

Segundo Goulson, espécies como moscas domésticas e baratas podem ser capazes de viver confortavelmente em ambientes humanos, além de terem desenvolvido resistência a pesticidas.

“É plausível que nós vejamos uma proliferação de insetos que são pragas, mas que percamos todos os insetos maravilhosos de que gostamos, como abelhas, moscas de flores, borboletas e besouros”.

O que podemos fazer a respeito?

Apesar dos resultados do estudo serem alarmantes, Goulson explica que todos podem tomar ações para ajudar a reverter esse quadro. Por exemplo, comprar comida orgânica e tornar os jardins mais amigáveis aos insetos, sem o uso de pesticidas.

Além disso, é preciso fazer mais pesquisas, já que 99% da evidência do declínio de insetos vêm da Europa e da América do Norte, com poucas pesquisas na África e América do Sul.

Se um grande número de insetos desaparecer, diz Goulson, eles provavelmente serão substituídos por outras espécies. Mas esse é um processo de milhões de anos. “O que não é um consolo para a próxima geração, infelizmente”.

Fonte: G1

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Agrotóxico usado nas plantações de soja é responsável por 80% das mortes de abelhas no RS

Cerca de 80% dos casos de morte de abelhas foram causados pela ingestão ou contato com o inseticida fipronil, comumente usado em plantações de soja. O estudo foi realizado pelo engenheiro agrônomo Aroni Sattler da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Foto: Aldo Machado

Em 2018, a parceria entre Sattler, que também é professor da faculdade de Agronomia da UFRGS, e um laboratório do setor privado examinou 30 episódios no estado. O estudo conduzido pelo professor revelou um índice próximo ao do projeto Colmeia Viva. Entre 2014 e 2017, o projeto analisou cerca de 200 ocorrências. Das quase 60 em que foi detectado o ingrediente ativo, o fipronil representa 70%.

“É um problema que vem se agravando de dois anos para cá, e não tem ninguém fiscalizando. O Ministério Público não está se mexendo, o governo também não”, diz Aldo Machado, coordenador da Câmara Setorial de Apicultura do Rio Grande do Sul.

Segundo Machado, nos últimos meses foram registrados casos de extermínio de colmeias nos municípios de Alegrete, Bagé, Caçapava do Sul, Cruz Alta, Frederico Westphalen, Santana do Livramento, Santiago e São José das Missões.

O coordenador Machado afirma que produtos à base de fipronil são usados na fase de floração da cultura da soja. Ele diz que as abelhas visitam as plantações para polinizar as flores e entram em contato com o produto, o que causa sua morte imediata. “O produto mata por contato e ingestão. Qualquer outro inseto que encoste nessa abelha morre também”.

Para Machado, os produtores de soja estão aplicando fipronil juntamente com dessecantes com o intuito de economizar diesel e mão de obra. “O correto seria aplicar os dois produtos separadamente, para que não haja fipronil nas lavouras quando as abelhas forem atrás das flores”, diz.

Na cidade de Santiago (RS), estima-se o extermínio de 200 colmeias, diz Machado. “O presidente do Sindicato de Cruz Alta me contou que cerca de 1 mil colmeias devem ser perdidas só no município”.

Pelo mundo

Pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, afirmaram que o fipronil foi o responsável pela morte de milhares de abelhas na França, entre 1994 e 1998, visto que o casos começaram um ano após o lançamento do produto. Em 2017, órgãos reguladores da União Europeia proibiram o uso do fipronil em plantações.

Na Cidade do Cabo, na África do Sul, o fipronil causou a morte de mais de um milhão de abelhas em 2018. As suspeitas, na época, eram de que uma vinícola local teria usado o produto para se livrar de formigas.

Perigo para o planeta

Esse atentado à população de abelhas pode proporcionar um sério risco à sobrevivência de todas as espécies no planeta. Sem a polinização das abelhas, teríamos uma alteração de todo o ecossistema da Terra, ocasionando uma catástrofe mundial.

O físico e ganhador do prêmio Nobel, Albert Einstein constatou que “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”

Morremos com as abelhas

Foto: Pixabay

As abelhas estão sendo dizimadas por agrotóxicos, mas é ele que mantém o PIB do Brasil – diz a propaganda na TV.

O artigo é de Nilton Kasctin dos Santos, professor e promotor de Justiça de Catuípe, RS, publicado por Brasil de Fato, 09-01-2019.

A tragédia do extermínio de abelhas por agrotóxico em São José das Missões (RS) me conduz a uma indagação intrigante: vale a pena morrer pela bandeira do agronegócio? Pela soja, especialmente?

Vamos situar a questão. Por causa da propaganda intensa dos grandes produtores de soja e empresas que fabricam e vendem adubos químicos, agrotóxicos e sementes, a sociedade passou a acreditar que esse tipo de produção perversa de grãos para exportação é fundamental para a economia do País.

A sociedade inteira não vê a cor do dinheiro da produção de soja, mas tem certeza de que o Brasil vai quebrar se adotarmos uma forma de cultivo agrícola sem veneno. Isso se chama lavagem cerebral. Todos acreditam piamente que tem que ser assim, porque assim diz a propaganda do agronegócio.

As pessoas nunca se preocuparam com a comida da sua avó, mas agora se preocupam com a alimentação do povo chinês. O Brasil precisa alimentar o mundo, dizem em coro.

O sistema perverso de produção agrícola monocultural do Brasil, que destrói a vida planetária e enche o bolso de poucos fazendeiros e empresários do ramo, pode custar-nos a vida, mas não tem outro jeito, dizem as pessoas comuns. E as autoridades políticas também.

As abelhas estão sendo dizimadas por agrotóxicos, mas o agronegócio é o que mantém o PIB do Brasil, diz a propaganda da televisão. E a sociedade inteira. E por cima ainda é “tech”, “pop” e outras coisas que as pessoas gostam de ouvir, sem saber o que significam.

Estamos loucos. A ponto de morrer pela causa do agronegócio. Sim, porque se as abelhas desaparecerem, como já desapareceram ao redor da lavoura desse plantador de soja, toda a espécie humana será extinta. Em apenas quatro anos, diz a ciência. Acontece que são esses insetos que polinizam as flores de quase todos os alimentos vegetais que consumimos. Sem abelhas, não tem milho, soja, feijão, trigo, aveia, frutas etc.

Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), apenas um plantador de soja, com apenas uma aplicação de veneno, causou a morte de 12 milhões de abelhas. A conta está errada. A Emater contabilizou só as abelhas mortas das duzentas caixas de produção de mel. Mas morreram todos os enxames de abelhas de ferrão existentes nas matas ao redor, num raio mínimo de seis quilômetros (área de voo das abelhas). Também morreram marimbondos, vespas, mamangavas, cigarrinhas, besouros, joaninhas e pulgões. Detalhe: nenhum desses bichos estraga soja; eles só se alimentam de néctar ou de seiva das plantas.

E morreram também as abelhas sem ferrão, como jataís, mirins, mandaçaias, irapuás, manduris, uruçus e muitas outras espécies.

Morreram em seus ninhos nos matos, a maioria sem ter visitado a lavoura envenenada, bastando que alguns insetos tenham levado pólen em suas patinhas ou néctar na vesícula melífera. Uma microgota levada por meia dúzia de abelhas contamina e mata toda a colmeia.

Então, pode colocar na conta funesta desse agricultor, não 12 milhões de vidas animais, mas bilhões e bilhões de seres preciosos para a nossa vida.

Estou falando de uma localidade pequena onde foram criminosamente aplicados agrotóxicos para insetos em uma pequena plantação de soja. Imagine o que está acontecendo por todo esse imenso território brasileiro, completamente tomado de soja.

É de chorar. Dá tristeza de verdade. Mas o mais triste é saber que isso parece ser apenas o começo. Porque o Presidente Bolsonaro garantiu aos ruralistas, em campanha, que, quando eleito, iria acabar de vez com a “indústria” das multas ambientais e simplificar a legislação no que interessa ao agronegócio, incluindo, obviamente, a liberação rápida de mais agrotóxicos.