Abrigo de animais abandonados faz festa para arrecadar fundos

Foto: Facebook | Reprodução
Criado para ser um centro de cuidados com animais abandonados ou feridos, o Lar Vitório inaugurou ontem (23) um gatil. O espaço feito sob medida para oito felinos foi financiado pela idealizadora, a funcionária pública Aline Machado, 45 anos, que gastou o 13º salário para a construção. Essa é a tônica do abrigo, criado há cerca de um ano e que cuida, ainda, de 42 cães: disposição e voluntariado. Mas, para sobreviver, o espaço precisa de ajuda. O evento contou com lanches, bingo, rifa e bazar para arrecadar donativos.
A ideia era antiga, mas foi posta em prática por Aline e a auxiliar de enfermagem Sandra Graciele Alves, 32, após o resgate do cão Vitório, na Estrutural. O animal foi atropelado, sofreu uma fratura na coluna e foi desenganado por veterinários. As duas se conheceram na clínica onde ele foi operado. O diagnóstico era de que ele não voltaria mais a andar e precisaria ser virado de duas em duas horas para sobreviver. Uma precisaria da outra para garantir a recuperação do bicho.
Aline conta que sempre militou como protetora dos animais e fez diversos resgates. “Os veterinários consideraram a eutanásia, mas eu quis insistir. Mas para ele sobreviver, ele precisaria de cuidados que o meu trabalho como funcionária pública não permitiria. Estávamos no auge da crise financeira e a Sandra, que estava cuidando dele na clínica, foi demitida”, lembra Aline. A solução foi pôr o sonho de criar um abrigo em prática. “Eu pedi para a Sandra me ajudar. A gente fazia um abrigo da casa dela e eu daria uma ajuda de 1.000 reais.”
Graças à parceria, Vitório voltou a andar. Aline bancava o investimento, inicialmente, do próprio bolso, enquanto Sandra não só disponibilizava o espaço como dedicava quase 100% do próprio tempo para cuidar dos primeiros animais depois de Vitório. Com o boca a boca de amigos e ajuda de alguns voluntários, o abrigo cresceu e as amigas alugaram a residência ao lado, para abrigar os cachorros maiores e menos tolerantes a outros cães. “Precisamos de ajuda. Temos espaço, mas não temos dinheiro para aumentar o projeto. Não somos Organização Não Governamental e não temos nenhum tipo de isenção”, explica Aline.
Manutenção
O cuidado com os animais, que são tratados, alimentados, castrados e colocados para a adoção é de cerca de 6.700 reais por mês. Aline desembolsa cerca de 1.800 reais. A forma com que ela e Sandra encontraram para conseguir manter o espaço foi contar com o engajamento de quem ajuda a resgatar animais e os leva para o abrigo. É preciso se comprometer e ajudar nas contas. Quem se voluntaria assina contrato e paga de 200 a 300 reais por mês dependendo do estado de saúde do bicho. Depois, decide se vai levá-lo para casa ou se ele irá para outro lar.
“No começo, levamos alguns calotes. Algumas pessoas deixavam o animal e desapareciam. Um fator que nos fez pensar nesse modelo é que temos um número certo de animais que podemos cuidar. Algumas vezes, até buscamos o animal a pedido dos voluntários. Só não podemos resgatar cães com cinomose e gatos com Aids e câncer felino, que são doenças muito contagiosas e não temos estrutura para recebê-los”, detalha a protetora de animais. Para evitar surpresas, antes de levarem os animais para os abrigos, é preciso um exame de sangue.
Sandra se apaixonou pelo trabalho e toda a família dela se envolveu. Ela é mãe de uma menina de nove anos e um menino de seis, e conta que as crianças adoram o trato com os animais. “Eu era técnica de enfermagem e deixei a profissão para cuidar dos animais. Acho que é um trabalho que nos humaniza e meus filhos estão aprendendo com isso. Até mesmo meu marido se envolveu e leva animais para o veterinário quando não posso. Virou um trabalho em família. Todo dinheiro que entra, investimos para eles (os cães e gatos)”, conta.
O próximo projeto é investir em novas obras para os canis, para conseguir separar os animais por tamanho. Segundo Aline, se não conseguirem os recursos, ela custeará os trabalhos no fim do ano, com o próximo 13º.
Fonte: Correio Braziliense


























