
Infelizmente, volta e meia, a imprensa e as redes sociais repercutem algum caso chocante de maus-tratos a animais. Em dezembro passado, um cão morreu após ser espancado pelo segurança de um hipermercado em Osasco (SP). As cenas chocantes, registrada por câmeras de segurança e de celular, viraram provas comprobatórias do sofrimento de um animal indefeso em suas últimas horas de vida.
Mas se por um lado bater em um animal até que morra soa como um crime evidente, há outros comportamentos nocivos que são considerados “brincadeiras” ou “coisa de criança”. Nesta semana, a ativista da causa animal Luisa Mell deu início a uma campanha nas redes sociais para eliminar um participante do Big Brother Brasil 19, o Maycon.
Na noite de sábado (19), em conversa com outros brothers, Maycon soltou: “Já viu gato? Você coloca um adesivo do lado aqui no gato e ele fica andando assim… Nunca fez isso? Já amarrou bombinha no rabo dele?”. Diante da resposta negativa dos participantes, afirmou que eles “não tiveram infância”.
Luisa publicou o trecho do vídeo com a declaração do mineiro no Instagram com a mensagem: “Inacreditável! Isso não é coisa de criança, isso é crueldade. Vamos tirá-lo?”. A mensagem teve apoio de outros famosos, como a humorista Tatá Werneck.
Questão de educação
A pedagoga Rosélia Botelho, também uma defensora da causa animal, admite que, no passado, o respeito aos animais domésticos era menor e, portanto, maldades com cães, gatos e mesmo animais de criação como porcos e galinhas, podiam ser entendidos como “traquinagens”. Hoje, porém, “essa desculpa” não cabe mais.
“Houve uma gigantesca evolução de costumes nas últimas três ou quatro décadas. Hoje, temos muito mais respeito pelos animais domésticos e pelos demais, tanto que o tema veganismo nunca foi tão debatido como hoje. Portanto, é inaceitável que se perpetue a ideia de que se pode explodir bombinha o rabo do gato, jogar água quente em cães que estão copulando e coisas do gênero. Isso é crime”, diz.
Para Rosélia, evitar que essas práticas se perpetuem faz parte do processo educativo da criança.
“Cabe aos pais orientar e vigiar a relação entre crianças e animais. Isso vai desde ensinar o ‘não atire o pau no gato’, até o ensinar o pequeno a fazer carinho no animal, dar banho ou levá-lo junto ao veterinário. A criança precisa saber que o animal sente dor e é um ser senciente (capaz de sensações e sentimentos de forma consciente).
‘O Diário de Erasmo’
Uma possibilidade é também explicar o ponto de vista do animal, criando, assim, uma maior empatia da criança e adolescente pelo respeito e espaço do animal. Essa é a proposta do livro “O Diário do Erasmo”, de Robson Cuer. Apaixonado por animais, ele produziu uma história encantadora, permitindo que pais interajam com seus filhos, e também ensinem sobre o bem-estar animal.
Narrado segundo ponto de vista do cãozinho Erasmo, um filhote sem raça definida e ainda muito novinho para conhecer o mundo, os leitores, jovens e adultos, poderão se emocionar (e aprender) com as aventuras que o cachorrinho irá passar.
Como denunciar maus-tratos
São Paulo e Campinas
– É possível fazer a denúncia pela internet, na Delegacia Eletrônica de Proteção Animal. É necessário identificar-se para fazer a denúncia, mas o sigilo dos dados será preservado se o denunciante quiser. Também é possível registrar a ocorrência pelo 0800 600 642.
Brasília
– O Batalhão Ambiental pode acionado pelo 190 ou pelo celular (61) 99351-5736
Rio de Janeiro
– O Disque Denúncia recebe as denúncias de maus tratos contra animais, além de qualquer crime contra o meio ambiente, através da Linha Verde. A população pode ligar para (21) 2253 1177 e 0300 253 1177 (custo de ligação local) ou fazer a denúncia através do aplicativo de celular “Disque Denúncia RJ”.
Fonte: Destak