Projeto resgata mais de 150 cachorros e gatos em aldeia indígena

O projeto Animais das Aldeias resgatou mais de 150 animais, entre cachorros e gatos, na aldeia indígena Rio Silveira, em Boraceia, na cidade de São Sebastião, no litoral de São Paulo. Todos os animais foram vermifugados, castrados e vacinados.

Foto: Arquivo Pessoal

Entre as doenças diagnosticadas nos animais está o tumor venéreo transmissível, que precisa de tratamento quimioterápico. O indicado é, também, castrar os demais animais para que a doença não se alastre. Foram registrados também três casos de cinomose, que estão em tratamento, e muitos animais com subnutrição e bicheira.

Um dos animais encontrado extremamente subnutrido, em estado de caquexia, foi a cadela Kaila. O animal apresentava tumores e tinha parte dos ossos da parte traseira exposto. O tutor da cadela afirmou que uma aranha havia a picado, gerando a ferida, que ficou aberta e deu origem à bicheira, que são larvas de mosca que comem a carne do animal vivo. As informações são do portal O Vale.

Grávida, Kaila sentia muita dor e, assustada, escondia-se no mato, dificultando os cuidados necessários, o que agravou o quadro de saúde dela. Diante da situação, os filhotes nasceram fracos e apenas um sobreviveu. Ele e a mãe foram resgatados pelo projeto e internados em uma clínica veterinária para receber tratamento intensivo. Após o período de recuperação, eles serão disponibilizados para adoção.

Outros animais que estão saudáveis, entre cachorros e gatos, já estão à procura de novos lares. Interessados em adotá-los devem entrar em contato com os voluntários do projeto através da página no Facebook ou do perfil no Instagram. 

Projeto social transforma a vida de animais de aldeias indígenas em SP

O projeto social “Animais das Aldeias”, idealizado pela fotógrafa Larissa Reis, de 30 anos, está transformando a vida de animais que vivem em aldeias indígenas do litoral de São Paulo.

Foto: Reprodução/Animais das Aldeias

“Como para os índios a situação já é complicada e faltam recursos para a própria população, eles priorizam seus alimentos. Os animais então se alimentam com restos de comida ou se viram caçando”, explica ao G1 a fotógrafa, que ao ajudar crianças indígenas percebeu que havia a necessidade fazer algo, também, pelos animais desses locais.

No início, a fotógrafa agia sozinha. Ela comprava mensalmente quatro sacos de 25 quilos de ração. “Foi complicado de início, mas eu precisava ajudar aqueles animais. Então percebi que, para uma ação efetiva, eu tinha que criar algo maior”, conta.

Larissa, que mora em Praia Grande, conta que alguns animais foram disponibilizados para adoção com consentimento dos índios, mas que o intuito do projeto não é tirá-los da aldeia. “Alguns nós doamos com o consentimento dos indígenas, de forma consciente, pela falta de recursos das aldeias para cuidar de todos”, diz.

Foto: Reprodução/Animais das Aldeias

A fotógrafa lembra que os medicamentos mais usados nas aldeias são para vermifugação, sarna e quimioterápicos. Produtos de higiene também são necessários. “Seria importante se tivéssemos pessoas que ajudassem mensalmente com doações, principalmente rações”, diz.

De acordo com Larissa, os animais que vivem nas aldeias foram abandonados nelas ou resgatados da rua pelos indígenas. “As aldeias viram desova. Muitas pessoas normalmente largam caixas de filhotes e cachorras idosas lá”, lamenta.

No momento, o grupo atende mais de 230 animais nas aldeias Rio Branco, em Itanhaém, Paranapuã, em São Vicente, e Rio Silveira, em Bertioga. Segundo a fotógrafa, a maior dificuldade do projeto é combater o tumor venéreo transmissível – câncer agressivo e degenerativo que atinge cachorros e gatos.

Foto: Reprodução/Animais das Aldeias

Para tratar a doença, os voluntários submetem os animais a quimioterapia semanalmente. “Em todas as aldeias os cães tem problemas dermatológicos. Quando há a necessidade de atendimento para animais silvestres, nós também ajudamos. Tirando os casos de tratamento quimioterápicos, visitamos as aldeias entre 21 e 28 dias”, explica.

O objetivo é expandir o projeto para todas as aldeias do litoral. Para que as ações sejam executadas, o grupo conta com ajuda de protetores de animais e veterinários voluntários. “Os profissionais tem um coração imenso e fazem um trabalho maravilhoso”, diz.

Foto: Reprodução/Animais das Aldeias

Além das ações com os animais, o grupo também conscientiza os índios sobre a importância de cuidar corretamente dos animais.

Nas aldeias de Itanhaém e São Vicente, todas as cadelas e gatas foram tratadas e castradas no período de maio a dezembro de 2018 – incluindo vacinação e vermifugação. O próximo passo é realizar essas ações em Bertioga.

“Todos nós fazemos isso por amor. Mudamos as vidas desses animais e proporcionamos para eles qualidade de vida. Podemos, algumas vezes, não conseguir salvar todos, mas aqueles que salvamos já faz a diferença. Não tem nada que pague isso”, conclui.