
Filhote sendo atendido pelo veterinário | Foto: Pearl Video
Um filhote de cachorro da raça poodle ficou seriamente machucado após seu dono aparentemente usar um elástico apertado, dando várias voltas em torno de seu focinho, para impedir que ele latisse.
O cão de aproximadamente 40 dias de idade, foi abandonado com o focinho todo amarrado em uma estrada no norte da China até ser encontrado por uma pessoa que o resgatou e compartilhou a história nas mídias sociais.
O anel de borracha estava tão apertado ao redor da boca do cão que chegou a cortar sua pele gerando sangramento, segundo informações do veterinário que atendeu e cuidou do filhote.
“O tutor poderia até não querer ficar com o cachorro mas daí a machucá-lo e deixá-lo pra morrer é uma covardia sem explicação” disse o salvador do filhote ao site de notícias Pearl.
O poodle foi adotado por seu resgatante e está se recuperando da terrível provação.
A identidade do tutor do cão permanece desconhecida.
O incidente ocorreu na cidade de Liaoyang, na província de Liaoning, norte da China. A situação atraiu a atenção do público depois que um político e acadêmico chinês pediu ao governo, semana passada, que criasse uma lei para proteger cães domésticos .
Guo Changgang, reitor do Instituto de Estudos Internacionais de Xangai, da Universidade de Xangai, disse que a China precisa estabelecer uma lei relevante para proteger os animais domésticos, especialmente os cães, o mais rápido possível.
O reitor apresentou a proposta ao governo central na última terça-feira, em Pequim, durante a reunião política mais importante do país, conhecida como Two Sessions (Duas Sessões, na tradução livre).
Guo, que era um representante local na reunião, disse que os cães são amigos da humanidade e muito leais a seus donos, sejam os tutores residentes civis, policiais ou membros de equipes de resgate.
“Portanto, cães domésticos não são produtos e sim criaturas capazes de fornecer um forte apoio emocional”, argumentou o estudioso.
Embora a China possua uma legislação que proteja a vida selvagem terrestre e aquática do pais, atualmente não há leis que protejam o bem-estar animal, nem impeçam a crueldade contra os animais domésticos.
Denúncias relatam que os chineses tutores de animais domésticos em Chengdu foram flagrados levando os cães a um veterinário não licenciado para remover as cordas vocais dos animais, procedimento efetuado em plena rua, para evitar os latidos dos animais.
Antes da proposta de Guo, ativistas pelos direitos animais e especialistas jurídicos na China já haviam apresentado dois projetos de lei às autoridades do país em uma tentativa de pôr um fim à crueldade contra os animais no país. Ambas as leis ainda estão pendentes de aprovação.
Estima-se que entre 10 e 20 milhões de cães são abatidos pela carne na China anualmente. Segundo a estatal chinesa Wenhui News, cerca de 70% deles são animais domésticos roubados.
Criminosos costumam usar dardos venenosos para roubar ou matar cães domésticos, mas poucos são presos e punidos, em parte devido à falta de leis de proteção animal.
O cruel festival anual Yulin Dog Meat ainda acontece todos os anos no solstício de verão, apesar do protesto de celebridades e ativistas pelos direitos animais em todo o mundo.
Muitos outros animais de pequeno porte estão sujeitos à crueldade na China todos os dias.
No início do ano passado, um golden retriever foi espancado até a morte por um policial em plena rua na frente de pessoas em estado de choque, incluindo crianças, na cidade de Changsha.
Imagens que circularam na internet mostravam o cachorro sendo acorrentado ao acostamento de uma estrada e espancado repetidamente por um policial com um pedaço de madeira.
O departamento de polícia local afirmou que o policial estava cumprindo seu dever de impedir que os cidadãos fossem feridos pelo cão “fora de controle”.
O oficial foi posteriormente detido por cinco dias.