Tartaruga e gaivota são encontradas com objetos presos ao corpo em SP

Em menos de uma semana, dois animais marinhos foram encontrados com objetos presos ao corpo na região da Baixada Santista, no litoral do estado de São Paulo. Os casos, relacionados a uma tartaruga-cabeçuda e uma gaivota, foram registrados pelo Instituto Biopesca.

Foto: Kaio Nunes/Instituto Biopesca

O médico veterinário Rodrigo Valle afirmou ao G1 que, recentemente, a tartaruga foi encontrada em Mongaguá, com uma corda presa na boca por um fio grosso, que se estendia até seu trato gastrointestinal, e que a gaivota estava em Peruíbe com uma linha de pesca enroscada em sua pata esquerda, já praticamente decepada. Após ser examinada, a ave teve que ser submetida a um procedimento de amputação da pata.

“Tivemos registros de muitos casos desse tipo de interação causada pelas ações humanas, tanto de animais marinhos com resíduos presos aos corpos, como de casos de animais que ingerem esses lixos descartados nos oceanos”, explica Valle, que é coordenador geral do Instituto Biopesca.

Os objetos, segundo Valle, podem levar o animal à morte ou provocar impactos que o deixem mais vulnerável a doenças. Destinar o lixo de maneira correta, por parte da administração pública, é uma das maneiras de combater esse problema, de acordo com o especialista.

“O mais importante ainda é a mudança na conscientização da sociedade. Não só em não descartar o lixo consumido no mar, separar ou reciclar, mas também em mudar a forma de consumo, já que o mercado se molda de acordo com o que o consumidor procura”, destaca.

Foto: Kaio Nunes/Instituto Biopesca

O coordenador do Instituto lembrou que a quantidade de lixo produzida pelos brasileiros é muito grande. “Temos que deixar de utilizar os descartáveis e ter consciência que esses impactos podem acarretar na extinção de espécies marinhas. A mudança deve partir, principalmente, da consciência de cada um”, finaliza.

Projeto de monitoramento

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é executado por instituições, dentre elas o Instituto Biopesca. O PMP-BS é realizado para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Foto: Kaio Nunes/Instituto Biopesca

O projeto avalia os impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, as tartarugas e os mamíferos marinhos por meio do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos, além da necropsia dos que são encontrados mortos.

O Trecho 8, entre Peruíbe e Praia Grande, é de responsabilidade do Instituto Biopesca. Para solicitar o resgate de golfinhos, tartarugas e aves marinhas, a orientação é de que a população ligue para os telefones 0800 642 3341 (horário comercial) ou (13) 99601-2570 (chamada a cobrar).


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Startup recebe mais US$ 10 mi para ampliar produção de alternativas à carne

Por David Arioch

A startup Good Catch Foods, dos Estados Unidos, anunciou esta semana que arrecadou mais dez milhões de dólares por meio das empresas de investimentos New Crop Capital e Stray Dog Capital para ampliar a produção de alternativas à carne e aos animais marinhos consumidos pela população. A empresa já havia arrecadado 9,2 milhões de dólares por meio da CPT Capital.

Alternativas ao atum, aos hambúrgueres de peixes e aos alimentos baseados em siri estão entre as apostas da Good Catch (Foto: Divulgação)

Com esses recursos, a Good Catch pretende abrir uma unidade de produção de 20 milhões de dólares em Ohio, nos Estados Unidos, com previsão de produção anual de 100 milhões de dólares em proteínas de origem vegetal.

“Estamos incrivelmente confiantes sobre o futuro da proteína baseada em vegetais”, disse o cofundador e CEO da Good Catch, Chris Kerr, à Forbes. A startup surgiu com o objetivo de mostrar que é possível oferecer boas opções alimentícias sem a necessidade de matar animais ou prejudicar o meio ambiente.

Alternativas ao atum, aos hambúrgueres de peixes e siri estão entre as apostas da Good Catch. A cofundadora da startup, Marci Zaroff, disse anteriormente ao PRNeswire que hoje em dia quando os consumidores buscam por fontes de nutrição, e principalmente de proteínas, eles encontram um campo minado de escolhas. Por isso, o melhor caminho são as alternativas baseadas em vegetais.

A New Crop Capital tem se tornado uma das mais importantes firmas dos EUA na captação de recursos para empresas dedicadas ao mercado vegetariano e vegano. Além da preocupação com o meio ambiente e da oposição à exploração animal, outra razão para a Good Catch seguir por esse caminho é que a previsão é de que até 2050 as proteínas alternativas vão comandar pelo menos 1/3 do mercado global de proteínas.


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Orcas mantidas em cativeiro têm mais chances de morrerem jovens

Baleias orcas mantidas em cativeiro têm mais chances de adoecerem e morrerem jovens, indicou uma nova análise realizada por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e da Nova Zelândia. De acordo com os especialistas, o maior causador do fenômeno é o estresse a que esses animais são submetidos.

(FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

As orcas (Orcinus orca) são predadoras ágeis e muito inteligentes que podem ser encontradas no mundo todo. Além disso, são criaturas sociais complexas com sistemas familiares estruturados que dependem umas das outras para caçar e cuidar de seus filhotes. Mesmo assim, essa é a terceira espécie mais comumente mantida em parques e aquários marinhos em todo o mundo, passando anos e até décadas vivendo em cativeiro.

“Os defensores da manutenção de orcas em parques marinhos alegam que, porque todas as suas ‘necessidades’ são atendidas — não precisam viajar para encontrar comida porque lhes é dado, eliminando a ‘preocupação’ e os ‘riscos’ associados a um estilo de vida livre — que elas estão melhores do que as orcas livres. Mas isso é uma profunda descaracterização de quem são as orcas”, contou Lori Marino, uma das autoras do estudo, ao site IFL Science.

Manter esses animais presos resulta em níveis de estresse tão altos que algumas acabaram se tornando agressivas, o que resultou na fama de violência das orcas. Contudo, de acordo com a especialista, a espécie é bem tranquila: “Nunca houve um caso de uma orca livre ferir um humano no oceano; mas em cativeiro, existiram numerosos episódios com mortes e feridos. Essa hiperagressão ocorre em função de estarem em um tanque”, disse Marino. As orcas evoluíram ao longo de milhões de anos para realizar longas viagens e enfrentar os desafios de encontrar comida. Privá-las dessa atividade resulta em estresse crônico.

Fonte: Revista Galileu


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Tartarugas morrem em SC e hipótese de afogamento é cogitada

Três tartarugas foram encontradas mortas em Barra Velha, no estado de Santa Catarina. A suspeita é de que elas tenham ficado presas em uma rede de pesca, o que pode ter causado um afogamento. Os animais marinhos foram colocados em cima de um pedaço de madeira na areia da Praia das Pedras Brancas, conhecida popularmente como Praia da Barrinha.

Foto: Arquivo Pessoal

Os corpos foram localizados na segunda-feira (24). A pesca feita perto das rochas aumenta a chance desses animais ficarem presos nas redes e acabarem morrendo afogadas. As informações são do NSC Total.

A morte das tartarugas foi constatada por equipes da unidade de estabilização de animais marinhos da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que estiveram na praia. Da espécie verde, as duas mediam de 40 a 50 centímetros e tinham entre cinco e dez anos. Em fase juvenil, as tartarugas ainda estavam longe de entrar no período reprodutivo.

“Uma das hipóteses da causa da morte das tartarugas é o aprisionamento delas em rede de pesca ou captura acidental. Elas estavam com aspecto corporal bom e nenhuma evidência de doenças”, explica Jeferson Dick, coordenador da unidade de estabilização Univali.

Segundo ele, dificilmente animais com aparência saudável morrem devido a doenças, por isso a hipótese de afogamento é considerada. O estrangulamento das nadadeiras, ocasionado por linhas de pesca, também pôde ser visto nos corpos dos animais.

“Além das pesca, nós temos outros fenômenos que causam a morte, como a presença de lixo no mar. Atendemos tartarugas caquéticas que ingeriram lixo e não conseguem mais se alimentar direito, por exemplo”, ressalta o coordenador.

Dick lamentou a morte de tartarugas tão jovens. “Elas teriam uma longa história de vida, é sempre um dano enorme perder esses animais ainda jovens, extinguindo a chance de reprodução e assim perpetuar a espécie”, diz.

A tartaruga verde, segundo o especialista, é uma espécie ameaçada de extinção. E casos como o registrado em Barra Velha, costumam ser registrados com muitos outros animais em fase juvenil.

No caso daqueles que são resgatados com vida, um processo de reabilitação é realizado por membros do grupo de estabilização, seguindo protocolos para, por exemplo, reverter situações de afogamento. Até que estejam totalmente recuperadas e prontas para retornar à natureza, as tartarugas permanecem em tanques na unidade.

Quando já estão saudáveis, elas são transferidas para o Projeto Tamar, em Florianópolis, para que sejam soltas no habitat. Durante todo esse processo, as tartarugas recebem anilhas com numerações diferentes que ajudam na pesquisa e na conservação das espécies.


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Ameaçados pela ação humana, oceanos geram a maior parte do oxigênio respirado

Os oceanos são de extrema importância para a natureza e, também, para a humanidade. Isso porque eles são responsáveis pela maior parte do oxigênio respirado, além de absorverem grandes quantidades de emissões de dióxido de carbono e serem economicamente necessários para países que dependem, por exemplo, do turismo.

No último dia 8 de junho comemorou-se o “Dia Mundial dos Oceanos”, criado pela ONU durante a ECO-92 ou “Cúpula da Terra”, no Rio de Janeiro, em 1992. Apesar da data, segundo a editora da revista Ecotour News, Vininha F. Carvalho, ter como objetivo “promover uma reflexão sobre a importância do oceano para a Terra, celebrar a vida marítima e criar uma consciência sobre a proteção da vida nos oceanos”, os mares continuam sob a ameaçada promovida pela ação humana, que explora e destrói recursos naturais e contamina as águas com resíduos sólidos.

Foto: Pixabay

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, 19% do PIB vem de atividades que dependem dos oceanos, como petróleo, lazer e turismo. “Esses números também trazem um alerta voltado à proteção desse ambiente”, salienta Vininha ao portal Terra.

A ameaça que os oceanos sofrem é de extrema gravidade. Segundo um estudo apresentado durante a 46ª edição do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, até 2050 haverá mais plástico do que peixes nos mares. Até esse mesmo ano, 99% das aves marinhas também terão detritos plásticos no organismo, segundo outra pesquisa publicada em 2018 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Segundo pesquisadores, atualmente 90% desses animais já sofrem com a poluição do meio ambiente.

Diante da gravidade da situação, a ONU classificou o período entre 2021 e 2030 como a Década Internacional da Oceanografia para o Desenvolvimento Sustentável – a Década dos Oceanos. A classificação tem o objetivo de ampliar a cooperação internacional em pesquisa para promover a proteção dos oceanos e a gestão dos recursos naturais de zonas costeiras.

Pesquisadores alertam que oito milhões de toneladas de plástico estão sendo despejados no mar anualmente em todo mundo, o que representa um dano praticamente irreversível, já que o plástico demora cerca de 400 anos para se decompor.

O problema é tamanho que minúsculas partículas, de plástico e de outros tipos de lixo, podem estar escondidas nos oceanos. Elas são tão pequenas que não podem ser captadas por análises convencionais, mas são ingeridas por animais marinhos, o que pode coloca-los em risco.

Segundo uma lista dos maiores responsáveis pelo despejo de resíduos, feita por pesquisadores da Associação Educacional do Mar de Woods Hole, do Estado norte-americano de Massachussetts, as 20 nações que mais descartam lixo seriam responsáveis por 83% do plástico mal gerenciado que pode chegar aos mares.

O topo da lista é ocupado pela China, que produz mais de um milhão de toneladas de dejetos. Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que isso tem relação com o tamanho da população do país e a dimensão de sua região costeira.

De acordo com os pesquisadores, a quantidade de dejetos lançados anualmente nos mares pode alcançar, até 2025, 17,5 milhões de toneladas, com 155 milhões de toneladas chegando aos oceanos até a data. Para o Banco Mundial, o patamar máximo de lixo produzido no mundo será atingido em 2100.

A falta de tratamento de lixo é responsável por aumentar à chegada do plástico aos oceanos, material que não pode ser retirado do fundo dos mares devido à profundidade média de 4,2 mil metros dos oceanos.

“A melhor forma é evitar que o plástico chegue aos oceanos, por isto a conscientização torna-se a melhor solução”, conclui Vininha.


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Cerca de 17% dos animais marinhos podem desaparecer até 2100 devido à emissões de CO2

Uma avaliação internacional publicada, na terça-feira (11), na revista americana PNAS, alertou para a possibilidade de cerca de 17% dos animais marinhos desaparecerem até 2100, caso as emissões de CO2 sigam no ritmo atual.

O estudo avalia apenas o impacto dos efeitos do clima, sem incluir a pesca e a poluição. A perda de animais, segundo o levantamento, já começou. As informações são do Estado de Minas.

Foto: Pixabay

A avaliação foi feita por 35 pesquisadores de quatro continentes, agrupados no consórcio “FishMIP” (Fisheries and Marine Ecosystem Model Intercomparison Project), que avaliaram, de maneira global, os efeitos do aquecimento global nos animais marinhos.

Segundo os cientistas, caso as emissões de gases causadores do efeito estufa se mantiverem da forma como estão atualmente, a população de animais será reduzida em 17% até 2100, em relação à média registrada entre 1990 e 1999.

Para que a taxa de desaparecimento de animais fique em 5%, é preciso que o aquecimento global permaneça abaixo de 2ºC, segundo o estudo. Para cada grau de aquecimento acumulado, 5% adicional de biomassa animal pode ser perdida.

“Seja qual for a hipótese das emissões, a biomassa global dos animais marinhos vai cair, devido ao aumento da temperatura e ao retrocesso da produção primária”, diz a pesquisa.

Após, em 2015, vários países se comprometerem, em um acordo feito em Paris, a manter a temperatura mundial abaixo de 2ºC, em relação à era pré-industrial, as emissões e concentrações de gases causadores do efeito estufa atingiram um novo recorde mundial, em 2018, antecipando um cenário futuro de 4ºC a mais.

Os pesquisadores concluíram que o impacto nos animais marinhos será maior nas zonas temperadas e tropicais e que em muitas regiões polares, especialmente na Antártica, a biomassa marinha poderá aumentar.

“O futuro dos ecossistemas marinhos dependerá em grande parte da mudança climática”, resume Yunne-Jai Shin, biólogo do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD).

Dia Mundial do Meio Ambiente: aumento da devastação ambiental é alarmante

O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, foi criado em 1972 pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Na data, ONGs lançam, todos os anos, manifestos e medidas para alertar sobre a necessidade de preservação do meio ambiente. No mesmo dia é celebrado também O Dia da Ecologia.

(Foto: iStock.com / eppicphotography)

A exploração irresponsável e gananciosa dos recursos naturais tem causado devastação em todo o mundo. No Brasil, o cenário está se tornando cada vez mais preocupante. Dados indicaram que os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, com 19 hectares de floresta amazônica sendo destruídos por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Além disso, um estudo feito pela ONG Conservação Ambiental concluiu que o Brasil e os Estados Unidos lideram uma tendência mundial de retrocessos ambientais. De acordo com o levantamento, 85 atos legislativos foram promulgados no Brasil, entre 1900 e 2017, atingindo uma área de 114.856 quilômetros quadrados de floresta – o equivalente a praticamente metade do estado de São Paulo. Desses, 60 afetaram a Amazônia, região que perdeu mais de 90 mil quilômetros quadrados de proteção devido a mudanças legislativas.

O Brasil, ainda de acordo com o estudo, é responsável por 87% dos retrocessos em áreas protegidas da Amazônia, em um levantamento que abrange outros oito países amazônicos.

Ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016, a bióloga e ambientalista Izabella Teixeira explica que retrocessos ambientais podem ter diversas origens. “Precisaríamos identificar caso a caso para saber. Mas há natureza técnica, política e econômica. Do ponto de vista político, isso remete a uma situação de fragilidade e de não priorização da política ambiental. É muito comum que interesses econômicos sejam preponderantes a interesses da biodiversidade, mas isso é só um contexto: vejo como algo muito grave”, disse Teixeira, em entrevista à BBC News Brasil.

(Foto: AP Photo/NOAA Pacific Islands Fisheries Science Center)

Para o geógrafo Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010 e atualmente é deputado estadual, o cenário, que ele considera assustador, “reflete a força da bancada ruralista e a cumplicidade de vários governos estaduais”.

O jurista, historiador e diplomata Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, reforça que “o atual governo vem contribuindo para agravar o quadro pela posição pessoal e o exemplo altamente negativo do próprio presidente da República”.

“O sistemático desmantelamento do sistema já precário do Ibama e do ICMBio estimula maiores violações dos espaços ainda protegidos e desencoraja a ação dos fiscais. Isso sem mencionar os numerosos projetos em tramitação no Congresso, que terão certamente impacto igualmente destruidor”, disse Ricupero à BBC.

O desmatamento, no entanto, não é o único problema que tem afetado o meio ambiente no mundo. A poluição, especialmente aquela causada pelo plástico, tem devastado ecossistemas e tirado a vida de animais, principalmente os marinhos. No oceano Pacífico, entre a costa do estado norte-americano da Califórnia e o Havaí, 80 mil toneladas de plástico compõe um “ilha de lixo” de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. As consequências dessa quantidade extrema de plásticos nos oceanos, caso ações para reverter esse cenário não sejam executadas, são graves: segundo um estudo feito pelo Fórum Econômico Mundial de Davos em parceria com a fundação da navegadora Ellen MacArthur e a consultoria McKinsey, os oceanos terão mais plástico do que peixes até 2050. A pesquisa concluiu que a proporção de toneladas de plástico por toneladas de peixes era de uma para cinco em 2014, será de uma para três em 2025 e vai ultrapassar uma para uma em 2050.

(Foto: Pixource/Pixabay)

A poluição do ar também é considerada alarmante e será tema, inclusive, da conferência internacional do Dia Mundial do Meio Ambiente, sediada pela China e promovida pela Organização das Nações Unidas no quadro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. O objetivo é incentivar governos, indústrias, comunidades e indivíduos a usar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em todo o mundo, já que a poluição tem gerado cerca de 7 milhões de mortes humanas e afetado, também, os animais.

“A China será uma grande anfitriã global das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente em 2019. O país demonstrou liderança no combate à poluição do ar internamente e, agora, pode ajudar a estimular outras partes do mundo a agirem. A poluição do ar é um desafio global e urgente que afeta a todos. A China irá, agora, liderar o impulso e estimular a ação global para salvar milhões de vidas”, declarou Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, ao portal Nações Unidas Brasil.


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Maior aquário do Sul do país começa a ser construído em Santa Catarina

As obras do maior aquário do Sul do Brasil foram iniciadas em Balneário Camboriú, no estado de Santa Catarina. A previsão de entrega do local, que irá aprisionar centenas de animais, é para outubro de 2019.

Foto: Abre Olho Notícias

O aquário gigante aprisionará mais de 250 espécies originárias de todo o mundo, incluindo animais nativos dos Estados Unidos, da África e da Ásia.

O local terá 2,2 mil metros quadrados e contará com 25 tanques. O projeto está sendo executado pela empresa Oceanic Atrativos Turísticos, segundo informações do portal Abre Olho Notícias.

Crueldade

Aprisionar animais em tanques de água para explorá-los para entretenimento humano, expondo-os ao público com o único intuito de obter lucro, é uma prática extremamente cruel e antiética.

Animais marinhos devem ter resguardado o direito de viver em seus habitats, desfrutando da vida em liberdade, sem que sejam tratados como objetos em exposição.

Uma petição foi criada pela ACAPRA – Associação Catarinense de Proteção aos Animaisa, com o objetivo de conscientizar a população e o poder público sobre o confinamento e exploração de animais em cativeiro. Para assinar clique aqui.


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Brasil se nega a assinar acordo global da ONU para conter uso de plástico

O governo brasileiro se negou a assinar um acordo global, proposto pela ONU, para tentar conter o problema dos plásticos na natureza. Ambientalistas consideraram a decisão uma contradição, já que, antes, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deu prioridade ao combate ao lixo marinho com a criação do Plano de Ação Nacional de Combate ao Lixo no Mar, para o qual seriam investidos R$ 40 milhões.

Plástico afeta animais e prejudica o meio ambiente (Foto: John Cancalosi/ National Geographic)

Em entrevista ao Blog da Amelia Gonzalez, do G1, a gerente do Programa Marinho e Mata Atlântica do WWF Brasil, Anna Carolina Lobo, confirmou que o Brasil, junto dos Estados Unidos e de outros cinco países, optou por não estar no grupo dos 187 que apoiaram o acordo da ONU para diminuir a produção de plástico de uso único, para fomentar pesquisas que visem descobrir alternativas e para realizar estudos científicos sobre reciclagem.

O Brasil e os Estados Unidos estão entre os cinco países que mais produzem lixo plástico. Além deles, a China, a Índia e a Indonésia também integram essa lista. Segundo a ONU, “a poluição proveniente do lixo plástico atingiu proporções epidêmicas com uma estimativa de 100 milhões de toneladas de plástico encontradas atualmente nos oceanos”.

Apesar de ser um dos maiores produtores de lixo plástico, em março, durante uma reunião sobre meio ambiente, realizada pela ONU em Nairóbi, no Quênia, o Brasil apresentou um forte posicionamento ao lado dos Estados Unidos, que tem sido contra acordos globais em prol da natureza. A atitude do governo brasileiro foi desaprovada por ambientalistas e ocorreu apenas uma semana após o lançamento do Plano Nacional, que foi apresentado na cidade de Santos (SP).

Há dez dias, um novo retrocesso: o Brasil se posicionou contra um acordo conseguido em Genebra, na Suíça, denominado “Planeta Limpo, Pessoas Saudáveis: Boa Gestão de Produtos Químicos e Resíduos”.

“É inacreditável, uma grande contradição. Foi uma surpresa para nós, porque no início do governo havia uma determinação em cuidar do tema lixo marinho. O Brasil fez um movimento de aproximação dos Estados Unidos por conta da OCDE, que agora anuncia que vai priorizar a entrada da Argentina e da Rússia”, diz Anna Carolina Lobo.

Tartaruga fica presa à rede de plástico (Foto: Jordi Chias/ National Geographic)

O Brasil terá uma nova chance de corrigir sua postura retrógrada em relação ao meio ambiente em setembro, em uma nova reunião da ONU. Devido a esse novo encontro global, uma petição dirigida aos líderes mundiais, para que definam metas rigorosas para acabar com o despejo de plástico nos oceanos até 2030, já está sendo divulgada na internet.

“Desde 2015, quando foi descoberta uma tartaruga cujo corpo ficou com forma de ampulheta porque ficou presa a um plástico do tipo usado em latas de cerveja as pessoas começaram a ter sua atenção voltada para o problema. Na verdade, todo mundo que consome animais marinhos, por exemplo, está consumindo plástico”, diz Anna Carolina Lobo.

“O plástico é o lixo número um encontrado no Oceano Atlântico aqui no Brasil. Baleias, golfinhos e tartarugas morrem aos montes, todos os anos. Eles nadam até a praia para morrer e, quando se abre o estômago deles, está coberto de plástico. Sem contar que isso não ajuda o turismo. Em São Paulo, já existe legislação contra as sacolas plásticas em supermercados, por isso fica mais difícil entender a posição do Brasil no acordo conseguido em Genebra”, acrescenta.

Segundo a ambientalista, o plástico é, atualmente, um problema global. “Oitenta por cento dos plásticos que estão nos oceanos são produzidos em terra, mas depois, pelas correntes marinhas, eles acabam chegando em todos os cantos do mundo. Na semana que passou, anunciaram que foi encontrado plástico na parte mais funda do oceano, e há um tempo encontraram plástico na Antártida. O plástico chegou em todos os cantos do planeta. Por isso, para se conseguir solucionar o problema, é preciso ter um acordo global, não adianta um país fazer e todos os outros não fazerem nada”, diz Lobo.

O acordo conseguido em Genebra, em uma reunião que durou duas semanas, foi uma emenda à Convenção de Basileia, de 1989 e trata do Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e seu Depósito. Os países que assinaram o acordo concordaram em restringir os embarques, para os países mais pobres, de resíduos plásticos que apresentam dificuldade para serem reciclados. O acordo foi feito sob uma estrutura juridicamente vinculante, isso é, passível de multa.

Baleia com plástico no estômago foi encontrada morta na Sicília, região da Itália (Foto: Reprodução/Facebook/Greenpeace)

O tema começou a gerar preocupação depois que a China, segundo reportagem do “The Guardian”, parou de aceitar a reciclagem dos Estados Unidos, gerando um acúmulo de resíduos plásticos que são encaminhados para países em desenvolvimento. Aldeias na Indonésia, Tailândia e Malásia “se transformaram em lixões ao longo de um ano”, segundo a Aliança Global para Alternativas à Incineração (Gaia, na sigla em inglês).

“Países exportadores – incluindo os Estados Unidos – terão agora de obter o consentimento de nações que recebam resíduos plásticos contaminados, mistos ou não recicláveis. Atualmente, os Estados Unidos e outros países podem enviar resíduos plásticos de baixa qualidade para entidades privadas em países em desenvolvimento sem obter a aprovação de seus governos”, diz a reportagem. Por não fazerem parte da Convenção de Basileia, os EUA não emitiram voto sobre essa decisão.

A reunião em Genebra foi coordenada por Rolph Payet, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnud). O resultado do evento, segundo ele, foi histórico. “As negociações foram muito além do esperado. Agora os países terão que monitorar para onde os resíduos de plástico vão quando saem de suas fronteiras”, disse.

Para que o acordo funcione, porém, é necessário que as empresas invistam em pesquisas sobre a produção de alternativas ao plástico de uso único, como sacolas e embalagens.

Poluição gerada por plástico leva cada vez mais animais marinhos à morte

O plástico tem tirado a vida de animais marinhos com cada vez mais frequência. Nos Estados Unidos, recentemente um golfinho fêmea foi encontrado morto com dois sacos de plástico e um fragmento de balão no estômago, segundo o Instituto de Pesquisa de Peixes e Animais Selvagens da Comissão de Conservação da Vida Selvagem.

Baleia cachalote morta por lixo plástico na Sicília (Crédito: Greenpeace Itália)

Na segunda-feira (15), um exame de necrópsia concluiu que outro golfinho, encontrado também em Fort Myers Beach, tinha dois metros de uma mangueira de plástico de 24 polegadas, com bocal e braçadeira de metal, no estômago. O objetivo aparenta ser um equipamento de camping.

Na Itália, uma baleia cachalote foi encontrada morta na praia de Cefalu, segundo o Greenpeace, na última semana. Ela tinha sacos e outros objetos de plástico no estômago. As informações são da revista Planeta.

“Estas são as lulas que a baleia comeu – e isso é tudo plástico”, narra em um vídeo Carmelo Isgro, funcionário do museu de história natural da Universidade de Messina. “O plástico provavelmente criou um bloco que não deixou a comida entrar. É muito provável que seja a causa da morte. Não encontramos sinais que possam indicar outra possível razão.” Segundo ele, a baleia era uma fêmea tão jovem que “seus dentes ainda não saíram”. A estimativa é de que ela tinha sete anos, o que não representa nem 10% do que as cachalotes geralmente vivem – 70 a 80 anos.

Golfinho encontrado morto na Flórida (Crédito: Especial para o News-Press)

Essa, no entanto, não foi a última cachalote a morrer recentemente devido ao plástico. Em abril, uma baleia da espécie, que estava grávida, morreu em Sardenha. Ela tinha 22 kg de plástico no estômago. Nos três meses anteriores, outros três casos foram registrados.

Diante do cenário alarmante, o Greenpeace e o Blue Dream Project iniciarão um projeto de monitoramento dos níveis de poluição de plástico no mar, que irá durar três semanas. O foco será o Mar Tirreno, na costa oeste da Itália.

Mangueira encontrada no estômago do animal (Crédito: Especial para o News-Press)