Animais marinhos são mais vulneráveis ao aumento da temperatura

Um estudo publicado na Nature concluiu que os animais marinhos são mais vulneráveis ao aumento da temperatura do que os terrestres. Para isso, a pesquisa combinou dados experimentais com modelagem, com o intuito de medir os efeitos das mudanças climáticas.

Foto: Pixabay

Devido à dificuldade em estimar e comparar a vulnerabilidade de espécies terrestres e marinhas, o assunto é motivo de contradição no meio científico. Por essa razão, o estudo utilizou uma metodologia complexa para alcançar um resultado. As informações são do portal Tempo.

Outras pesquisas indicam que espécies terrestres estão sobre maior risco por terem maior dificuldade de adaptação a novas condições climáticas e estarem expostas a maiores extremos de temperatura. Espécies marinhas, no entanto, podem ser mais afetadas devido ao fato de que a temperatura ambiente controla a sua distribuição geográfica, a disponibilidade de nutriente e de oxigênio no oceano.

O pesquisador Pinsky e seus colaboradores partiram da premissa de que cada espécie tem um intervalo de temperatura considerado seguro para garantir o funcionamento do organismo. Assim, os cientistas estabeleceram uma “margem de segurança térmica”, que nada mais é do que a diferença entre a máxima temperatura que um animal será submetido em um ambiente e a máxima temperatura que ele suporta sobreviver. Trata-se de um índice de estresse fisiológico animal que indica a vulnerabilidade de cada espécie.

Para o estudo, foram analisadas espécies de peixes ósseos, tubarões, moluscos, crustáceos, insetos, répteis e aranhas, por serem animais ectotérmicos que já são mais vulneráveis por dependerem de fatores externos e comportamentais para regulagem da temperatura interna. Os pesquisadores calcularam a “margem de segurança térmica” para 387 espécies, considerando ou não a presença de refúgios em elevadas temperaturas. Em terra, esses refúgios incluem microclimas gerados por sombras de pedras e árvores, já no oceano, são águas mais profundas e geladas.

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A pesquisa concluiu que os menores valores de “margem de segurança térmica” foram encontrados no oceano, o que indica que os animais marinhos são mais vulneráveis ao aumento da temperatura do que os terrestres. Porém, caso não hajam refúgios térmicos, as espécies terrestres passam a ser mais vulneráveis por ficarem completamente expostas à temperatura excessiva. Quando considerada a distribuição pelo globo, animais terrestres que vivem em latitudes médias (30º-60ºS) são mais vulneráveis. Já nos oceanos, as espécies equatoriais são as que sofrem mais com o aumento da temperatura.

Para os pesquisadores, fatores diversos podem agravar o aumento da vulnerabilidade termal tanto dos animais marinhos, quanto dos terrestres. Na água, as espécies apresentam maior sensibilidade ao aumento da temperatura e maiores taxas de colonização. Por essa razão, o desaparecimento e a “substituição” de espécies podem acontecer com mais velocidade. No caso dos animais terrestres, a fragmentação dos habitats e as mudanças no uso de terra geradas pela ocupação humana desordenada e o desmatamento são fatores que contribuem para a perda da fauna.

Projeto coloca humanos no lugar de animais marinhos vítimas do plástico

O fotógrafo Rúben Caeiro, de 23 anos, desenvolveu um projeto para tentar estimular a empatia e a compaixão nos seres humanos, colocando-os no lugar dos animais marinhos que sofrem com a contaminação do plástico nos oceanos. Denominado “CH2=CH2”, o projeto tem por base a premissa: “e se, em vez de animais marinhos, fôssemos nós, os seres humanos, a sofrer na pele, no corpo, os danos que resultam do contato com o plástico?”

Foto: Rúben Caeiro

De tudo que foi fotografado por Rúben, a imagem de uma tartaruga é uma das mais marcantes para o fotógrafo. “Ela estava deformada porque tinha um anel de plástico em torno do dorso”, conta, em entrevista ao portal Público.

“Não nos deixemos enganar: o plástico que está espalhado pelos oceanos não é, exclusivamente, um problema da fauna marítima. Os microplásticos já se tornaram, infelizmente, parte da nossa dieta e isso trará, mais cedo ou mais tarde, consequências cada vez mais graves para a saúde humana”, diz.

Foto: Rúben Caeiro

Em parceria com o abrigo programa Erasmus+, Rúben fez um ensaio fotográfico, com 50 retratos, que mostra seres humanos nas mesmas situações vividas pelos animais marinhos. O projeto ficará exposto, até o final de julho, na Escola de Tecnologias Inovação e Criação (ETIC), em Faro, cidade de Portugal.

“A intenção do projeto é alertar para este problema e para a necessidade urgente de refletirmos e tomarmos uma atitude. Eu já abandonei, em parte, o uso do plástico na minha vida, assim como as pessoas que estão em meu redor”, conclui o fotógrafo.

Confira outras fotografias do projeto:

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

homem tentando puxar o golfinho de volta para a água

Vídeo mostra homem tentando salvar golfinho encalhado na praia

Paul Gardiner, de 45 anos, avistou o animal se contorcendo em agonia enquanto corria perto de uma praia em Kleinemond, no Cabo Oriental da África do Sul.

homem tentando puxar o golfinho de volta para a água

Foto: Caters News Agency

Gardiner, que atualmente vive em Surrey e trabalha na Academia de Sobrevivência Bear Grylls, disse que só pensava no bem-estar do golfinho quando foi salvá-lo, embora a costa onde o animal estava encalhado fosse extremamente perigosa.

Após passar 90 minutos desesperadamente tentando levar o golfinho de volta para a água, os maiores esforços de Gardiner não foram suficientes visto que o animal infelizmente morreu de exaustão.

“Eu estava a cerca de seis quilômetros da minha corrida quando notei o golfinho encalhado na areia. O tempo estava muito tempestuoso, então presumi que foi o causou o infeliz acontecimento e achei que estava morto.”

“Mas quando subi e vi que ainda estava vivo, foi meu instinto natural ajudá-lo apesar dos perigos potenciais.

“Apenas 20% dos animais selvagens continuam a viver depois de encalhados na praia. Eu cresci em torno de animais, então fico facilmente ligado a eles. Eu fiquei muito emocionado quando não consegui, foi muito difícil ir embora.”

Rainer Schimpf, da AB Marine and Expert Tours, ouviu falar do caso infeliz e aplaudiu os esforços de Gardiner para salvar o golfinho.

Ele disse: “Paul fez o melhor que pôde, mas segurança para humanos é sempre o número um – ele teria colocado sua própria vida em perigo se tivesse nadado com o golfinho mais fundo na água.”

“Este vídeo mostra que existe uma conexão entre os golfinhos e os seres humanos e que podemos sempre tentar fazer o nosso melhor ajudando uns aos outros.”

Plásticos são encontrados em 100% dos animais marinhos mortos em praias

Um estudo com golfinhos, focas e baleias mortas nas praias britânicas encontrou plástico no sistema digestivo de cada um deles. Os cientistas examinaram 50 animais de 10 espécies diferentes e em todos eles foram encontradas partículas “microplásticas”, com menos de cinco milímetros de diâmetro, em seus estômagos e intestinos.

A grande maioria das partículas eram fibras sintéticas que podem ser de roupas ou redes de pesca, os outros eram fragmentos de peças originalmente maiores que poderiam ter vindo de embalagens de alimentos ou garrafas plásticas.

A pesquisadora chefe Sarah Nelms, da Universidade de Exeter, disse: “É chocante mas não surpreendente que todos os animais tenham ingerido plásticos”. As informações são do Daily Mail.

O número de partículas em cada animal atingiu a média de 5,5, sugerindo que elas eventualmente passam pelo sistema digestivo quando não são regurgitadas.

“Ainda não sabemos exatamente quais efeitos que os microplásticos, ou da química neles presentes, podem ter sobre os mamíferos marinhos.”

Animais que morreram como resultado de doença infecciosa tiveram um número ligeiramente maior de partículas do que aqueles mortos por ferimentos ou outras causas.

O professor Brendan Godley, do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, disse que não foi possível tirar conclusões definitivas sobre essa descoberta.

Mas ele acrescentou: “Estamos nos primeiros estágios de compreensão desse poluente onipresente”.

“Os mamíferos marinhos são os sentinelas ideais dos nossos impactos no meio ambiente marinho, pois são geralmente longevos e muitos se alimentam no alto da cadeia alimentar.

“Nossas descobertas não são boas notícias.”

A equipe, cujos resultados aparecem na revista Scientific Reports, disse que bactérias, vírus e contaminantes carregados no plástico eram motivo de preocupação.

As espécies estudadas incluíam o golfinho-do-mato-branco, o golfinho-comum, o golfinho-comum, a foca-cinzenta, o boto, o foca-marinho, o cachalote pigmeu, o golfinho de Risso, o golfinho listrado e o golfinho de bico branco. A pesquisa foi apoiada pelo grupo Greenpeace.

“É preocupante que cada mamífero marinho testado tenha microplásticos em seu sistema digestivo e mostre a escala da poluição plástica em nossos mares”, disse Louise Edge, chefe da campanha de plásticos oceânicos do Greenpeace no Reino Unido

“Esta é mais uma evidência de que o governo e as grandes empresas precisam concentrar seus esforços na redução drástica do uso e desperdício de plásticos, para conter o fluxo de poluição em nossos rios e oceanos e na dentro da vida selvagem marinha.”

Um estudo diferente publicado no ano passado por cientistas da Universidade de Manchester encontrou altos níveis de microplásticos nos rios do Reino Unido e evidências de que grande parte deles seja levada em direção ao mar durante as inundações.

Os pesquisadores também  testaram sedimentos de rios em 40 locais em toda a Grande Manchester e encontraram microplásticos em todos eles, incluindo alguns “hotspots” urbanos que continham centenas de milhares de partículas de plástico por metro quadrado.

 

 

 

 

 

 

Pesca assombra com morte e mutilação quase 70 mil animais por dia no Brasil

© AP Photo / Jose Ingnacio

O descarte e a perda de equipamentos de pesca nos mares do mundo inteiro criam um fenômeno chamado de “pesca fantasma”, que assola quase 70 mil animais marinhos todos dias no Brasil. A Sputnik Brasil conversou com o biólogo João Almeida, da ONG Proteção Animal Mundial, cujo relatório lançou luz sobre o problema no país.

“A pesca fantasma é aquela pesca que é realizada por equipamentos de pesca como redes, linhas, cabos, boias que foram perdidos no oceano e uma vez perdidos continuam fazendo pesca sem nenhuma utilidade. E é um tipo de pesca que no fim das contas acaba gerando um grande nível de sofrimento animal e também impacto em mortes de várias espécies marinhas, tendo grande impacto aí em termos de bem-estar e conservação para as espécies dos nossos oceanos”, explica o biólogo João Almeida.

Almeida faz parte da ONG Proteção Animal Mundial, que lançou em dezembro passado o relatório “Maré Fantasma — Situação atual, desafios e soluções para a pesca fantasma no Brasil”, revelando que o problema está presente em 12 dos 17 estados da costa brasileira. Segundo a publicação, o primeiro diagnóstico nacional feito sobre a questão, o fenômeno afeta 69 mil animais todos os dias ao longo de toda a costa do país.

O biólogo explica que o problema do descarte irresponsável de materiais de pesca vai desde a pesca industrial até os pequenos pescadores. Essa situação é uma decorrência de uma falta de consciência ambiental, legislação específica, negligência governamental e também de conhecimento sobre os impactos causados pelo fenômeno.

“Grande parte do material de pesca que vai para os oceanos e fica perdido está relacionada a uma falta de consciência ambiental de quem realiza a pesca, e aí a gente pode incluir a indústria de pesca e também alguns pescadores tradicionais e artesanais”, ressalta o pesquisador.

A falta de conhecimento sobre o tema cria, segundo o pesquisador, uma necessidade de divulgação e educação geral para que haja maior cuidado com os materiais utilizados. Ele explica que, no entanto, isso não é suficiente, tendo em vista que a atividade no mar está sob o risco de diversas variáveis e é comum que decorra daí, também, a perda dos materiais que causam a pesca fantasma.

“Além da questão de consciência ambiental, a gente sabe que trabalhar no mar não é uma atividade fácil. O mar recorrentemente vira e entra em condições de difícil operação, então tem uma perda mesmo intrínseca ao fato do oceano ser um ambiente muitas vezes hostil para o trabalho”, lembra Almeida.

Mutilações e crueldade com os animais marinhos

A rede de pesca é provavelmente o material com maior nível de crueldade com os animais, explica o biólogo. Isso porque o equipamento é abrangente e arrasta tudo que estiver no caminho, fazendo uma “pesca inespecífica”, e afetando uma larga gama da diversidade da vida marinha.

Há dificuldades de estimativa de quantas espécias sofrem os impactos da pesca fantasma, mas o pesquisador cita casos de animais como as tartarugas, as baleias e os golfinhos, que precisam subir à superfície para respirar. Ele explica que além de mutilações, esses casos podem levar esses animais à morte por sufocamento.

Em outras situações, as mutilações causadas pelas redes podem fazer com o que os animais percam a capacidade de encontrar comida e morram em decorrência disso. Há também os animais que se emaranham nas redes e com isso atraem predadores que também ficam presos, em uma espécie de efeito cascata que chega a prender, inclusive, aves marinhas.

Segundo o biólogo, já há estudos que demonstram que entre determinadas espécies, o impacto da pesca fantasma chega a diminuir as populações em até 30%.

Estima-se que no mundo todo cerca de 640 mil toneladas de equipamentos de pesca sejam dispensadas anualmente. No Brasil a estimativa da ONG em que trabalha Almeida aponta para um descarte ou perda diária de 580 quilos desse tipo de ferramenta de trabalho. Animais como os tubarões, lagostas, pinguins e caranguejos estão entre as vítimas desse tipo de “lixo marinho”.

“O governo pode caminhar melhor na solução da pesca fantasma”

Almeida explica que os governos têm poucas iniciativas em relação ao problema e que há uma necessidade do aumento da atuação desse setor. É preciso, segundo ele, que haja um aumento de investimentos na estrutura de pesquisa para que se identifique com mais clareza o problema, apontando os locais mais críticos e as possibilidades de ação.

“Daí então definir estratégias para a remoção desses materiais, para trabalhar mais próximo dos moradores da região litorânea, dos atores da indústria, dos pescadores artesanais, para que estes, principalmente nas áreas críticas, contribuam fortemente para a mudança que é necessária”, apela o pesquisador.

Uma das ideias em voga é a implementação de certificação e auditorias para que os produtos de pescado vendidos ao consumidor final, encontrados nos supermercados, tenham selos ou identificações de pesca responsável. Dessa forma o consumidor poderia optar por produtos cuja produção abrace a consciência ambiental em relação aos oceanos e seus animais.

O biólogo também aponta que o consumidor pode escolher, por ora, diminuir seu consumo de pescado a fim de contribuir com o meio ambiente, que seria menos impactado pela pesca no formato atual.

“O governo pode caminhar melhor na solução da pesca fantasma. O Brasil ainda engatinha nesse sentido, a gente conseguiu identificar isso muito bem no relatório Maré Fantasma — muito poucos estados com estrutura dedicada especificamente para mapear o problema da pesca fantasma”, destaca o biólogo.

Almeida destaca que São Paulo e Santa Catarina são os estados cujo trabalho nesse sentido se encontra em estado mais avançado, porém os outros estados ainda precisam de mais investimentos. Para João Almeida, só assim será possível criar um “grande diagnóstico nacional”, que vai subsidiar futuramente a elaboração de políticas públicas.

Primeiras ações desenham futuro melhor

Por outro lado, o Brasil tem demonstrado interesse em levar adiante a questão. Almeida destaca que, em 2018, pela primeira vez foi realizada no Brasil a reunião da Comissão Baleeira Internacional, na qual o país liderou uma inédita resolução contra a pesca fantasma.

“E o que significa essa vitória liderada pelo Brasil? Significa que de agora em diante a Comissão Baleeira Internacional vai precisar despender recursos financeiros e de equipe, de seus pesquisadores, para trabalhar no combate à pesca fantasma e reduzir o impacto desse tipo de pesca sobre as diferentes espécies de baleia ao redor do mundo”, comemora o pesquisador.

A exemplo da Comissão Baleeira Internacional e da própria Proteção Animal Mundial, João Almeida destaca o papel de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), que através da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), tem também apoiado o debate e ações de combate à pesca fantasma.

“Recentemente a gente teve um trabalho interessante de engajamento da ONU na agenda, que foi que, em julho, teve uma reunião da FAO, mais especificamente de seu comitê que discute a pesca. Nessa reunião, realizada em Roma, em julho [de 2018], nessa reunião, foi colocada para votação a proposta de que, daqui para frente, todos os materiais de pesca, como redes, cabos, linhas, já saiam da indústria com uma etiqueta em que seja possível registrar os dados do proprietário do equipamento de pesca e também que esses equipamentos já saiam das indústrias que os produzem com a marcação do tipo GPS”, informa o biólogo João Almeida.

A resolução da FAO foi aprovada durante a reunião e agora cabe à ONU trabalhar junto aos países para que a medida contra a pesca fantasma se torne parte da legislação mundo afora, e também da consciência dos cidadãos e das empresas.

Fonte: Sputnik

Litoral do PR vai ganhar “hospital marinho” para animais resgatados

Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Após cerca de 20 anos, os animais marinhos resgatados vivos nas praias do Paraná serão reabilitados em uma nova estrutura, maior e mais moderna, antes de retornarem ao mar. O Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CRD) do Projeto de Monitoramento de Praias Bacia de Santos (PMP-BS) está em fase final de construção junto ao Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (CEM-UFPR) e deve ficar pronto ainda esse ano para receber tartarugas, golfinhos, lobos-marinhos, pinguins e outros animais que costumam aparecer na orla paranaense.

Os 800 metros quadrados da nova área ficam em Pontal do Sul, anexos ao edifício da universidade em Pontal do Paraná. A estrutura, uma espécie de hospital marinho, é inteira de contêineres e conta com piscinas e recintos modernos, além de laboratórios de análise três vezes maiores do que os atuais. Outra parte importante da estrutura é a sala de educação ambiental, que será usada para receber estudantes de escolas da região para aprenderem sobre a importância da fauna do litoral.

A nova estrutura é motivo de alegria para os pesquisadores do CEM-UFPR, que desde 2015 atuam em uma residência alugada também na região de Pontal do Sul. O novo hospital será capaz de receber aproximadamente 120 animais: 100 pinguins, 10 aves voadoras, um golfinho, um lobo-marinho e 10 tartarugas marinhas, além de atender emergências ambientais que possam ocorrer na região. “Já chegamos a deixar de atender animais por falta de estrutura, mas agora isso não deverá mais acontecer”, comemora a bióloga Camila Domit, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação do CEM-UFPR, que é a responsável institucional da UFPR pelas questões técnico-científicas da obra.

Para a equipe do centro, a mudança representa não apenas um aumento da capacidade de atendimento, mas a possibilidade de trazer mais qualidade ao tratamento dos animais. “A gente está lidando com vidas o tempo todo e infelizmente muitas vezes com a morte também. Então é muito mais do que um trabalho mecânico e demanda de uma boa estrutura de apoio”, diz Camila.

No novo centro de reabilitação, os animais passam por tratamentos similares aos que humanos recebem. Como exames de ultrassonografia, por exemplo. Haverá também apoio de clínicas para exames de raio-x para avaliar não só fraturas, mas principalmente detectar se há plásticos e outros tipos de lixo no sistema digestivo dos animais — uma das principais causas de morte das espécies marinhas, em especial as tartarugas. No centro também poderão ser aplicados antibióticos e anti-inflamatórios, além de outros atendimentos veterinários como nebulização, o equivalente à inalação, só que feita em uma incubadora ao invés de máscara.

“Os princípios dos tratamentos são os mesmos que usamos em pessoas, o que muda de espécie para espécie é apenas a dosagem do medicamento”, explica Carolina de Souza Jorge, 38 anos, uma das médicas veterinárias do PMP-BS

Carolina trabalha há 12 anos com animais marinhos – desde a época da faculdade, quando se envolveu com projetos para auxiliar tartarugas marinhas. De lá para cá, a médica veterinária já teve a alegria de recuperar muitos animais, mas também sofreu muito com os que não resistiram. “É bem difícil quando isso acontece, porque muitas vezes perdemos o animal por ter comido lixo. Ou seja, vemos que nós mesmos, humanos, é que causamos aquele sofrimento”, relata. Por outro lado, a satisfação de ver algum bicho que chegou debilitado sair do centro de reabilitação com a saúde é a maior gratificação do trabalho, concordam Camila e Carolina.

Alimentação

Junto com uma equipe do PMP-BS, Carolina também cuida da parte de alimentação dos bichos, que têm papinhas preparadas no próprio local. Cada espécie recebe um tipo de comida — o que faz com que algumas vezes os biólogos tenham de ir até a praia procurar siris para alimentar tartarugas, por exemplo. Também são oferecidos peixes às espécies como lobos-marinhos e pinguins, geralmente congelados, vindos de fornecedores mais distantes.

Quando os animais já estão na fase final da reabilitação, eles precisam treinar a caça para voltarem ao mar. Neste caso, o momento da comida vira também o de se exercitar nas piscinas de água salgada do centro. “Pedimos para pescadores da região buscarem peixes vivos que são colocados na água como forma de exercitar o animal”, explica a veterinária.

Assim como em um hospital, a quantidade de comida distribuída no centro varia de acordo com o número de animais internados. Costuma girar em torno de 4 quilos por dia. Por isso, a cozinha do novo edifício, maior e mais adequada, será de grande ajuda para a equipe.

No novo CRD, até mesmo a água salgada em que os animais nadam poderá receber um tratamento mais adequado. Reservatórios que chegam a 30 mil litros estão espalhados pela planta do hospital, aptos a passarem por processos de purificação. “A gente vai usar água doce e salgá-la aqui, tirando todos os microorganismos e bactérias para garantir que não há risco de contaminação de animais que já estão com a imunidade baixa”, explica Camila.

A obra faz parte do PMP-BS, atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. O projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. No litoral paranaense é executado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação CEM-UFPR.

Fonte: Gazeta do Povo

Ação humana é uma das principais causas de morte de animais marinhos em AL

A interferência humana e a poluição são, segundo biólogos, as principais responsáveis pela morte de quase dois mil animais marinhos, muitos deles ameaçados de extinção, no litoral de Alagoas em 2018. Entre as ações realizadas pela sociedade que ameaçam os animais está a pesca.

Albatroz morto por ingerir plástico (Foto: Chris Jordan)

O Instituto Biota de Conservação registrou, em sete meses, o número de 1.742 animais encalhados, vivos ou mortos. A interação humana, segundo a instituição, é um dos fatores que mais contribuiu para isso. Foram encontrados 1.487 tartarugas marinhas de várias espécies, 224 aves, como fragatas ou pardelas e 31 mamíferos, sendo golfinhos ou baleias.

“A gente tem encontrado animais com interação com pesca, com resíduo antrópico, como plástico, e alguns, embora a gente não consiga identificar a causa da morte, pela situação do litoral e dados globais, a gente consegue saber que a morte tem interferência humana”, explicou ao G1 a coordenadora de pesca do Biota, Waltyane Bonfim.

Os profissionais da instituição encontraram com os animais lixo, látex, plástico, redes e cordas de pesca, e até mesmo uma tecla de computador.

Os índices de animais encontrados com lixo no organismo em algumas regiões do Brasil ficam entre 60% e 100%, de acordo com o coordenador de Laboratório de Biologia da Marinha da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Robson Santos.

“Todo o descarte irregular de lixo, seja ele feito em qualquer lugar, mesmo não sendo descartado diretamente na praia, de algum modo, ele acaba chegando até o mar, seja pela chuva ou rio. É importante a preocupação pelo descarte adequado, ou seja, separando reciclado, que volte para o ciclo de produção e não alcançar o mar e ser ingerido”, disse Santos.

Por que minha resolução de ano novo é falar sobre o sofrimento dos peixes

“Mas você pode comer peixe, certo?” Muitos vegetarianos e veganos têm sido questionados sobre essa questão bem intencionada e isso revela uma verdade importante: quando se trata de especismo, quanto mais uma criatura se parece e age como um humano, mais fácil é para a maioria dos humanos apreciá-la.

um peixe morto sangrando enquanto um homem o manipula numa mesa

Foto: Compassion in World Farming

Pequenas criaturas que vivem na água de alguma forma parecem menos importantes que grandes criaturas que vivem na terra, como nós.

Então, para os peixes fica particularmente difícil – não respirando como nós ou se movendo como nós, fica mais difícil de nos identificarmos.

Hipocrisia

Eu notei isso em mim ao longo dos anos. Quando criança, eu me enfurecia com os matadouros, falava sobre a vivissecção e falava contra a caça às raposas. Meu horror visceral foi instigado por pensamentos de vacas em matadouros e gatos em laboratórios e raposas em pedaços. Tenho certeza de que me importo com peixes e mamíferos marinhos, mas não me lembro de me sentir do mesmo jeito.

Eu me lembro de achar a hipocrisia das outras pessoas estranha. Amigos de escola ficaram orgulhosos quando o atum em seus sanduíches era ‘dolphin-friendly’ – que significa que foi capturado usando métodos que também não matavam golfinhos. Isso é ótimo, eu diria, mas e os atuns?

Um sujeito usou um distintivo de ‘Salve a Baleia’ mas comeu peixe com batatas fritas toda sexta-feira pela noite. O duplo padrão parecia tão gritante para mim. Um outro amigo que adorava os seus cães de estimação, no entanto, gabou-se de ter “pegado” – isto é, matado – peixes no fim de semana.

Eu não conseguia entender minha cabeça. Eu nunca tinha ouvido falar de especismo na época. Eu apenas assumi que eu era um esquisito. Ser vegano em 2018 – especialmente com o acesso à internet – é uma caminhada no parque em comparação com aqueles dias, confie em mim.

Mesmo agora, noto alguns padrões duplos sobre peixes. Há pessoas que fazem campanhas contra o abuso de peixes no SeaWorld e ainda comem peixe de fazendas intensivas. Estes lugares terríveis matam peixes em condições muito piores do que o SeaWorld.

Depois, há as pessoas que dizem que devemos parar de usar tanto plástico, porque isso prejudica os peixes… Embora eles mordam a carne desses peixes.

Uma voz para os peixes

Olhando para trás, lembro-me de uma vez que falei pelas criaturas aquáticas. Eu tinha 12 anos e minha tia me levara para um parque aquático. Depois que um funcionário orgulhosamente conseguiu que os golfinhos fizessem uma série de truques, ele perguntou se alguém tinha alguma dúvida. Eu levantei minha mão e rasguei ele, seu trabalho e todo o parque aquático em pedaços. Ainda me lembro do rosto da minha tia.

A defesa vegana como um todo é muito focada em animais terrestres: nos concentramos nos animais mortos por sua carne, seu leite, seus ovos ou suas peles. Raramente os peixes. Sou tão culpado quanto qualquer um porque escrevi dezenas de artigos sobre abuso de animais para o The Guardian e outros jornais, mas apenas um sobre peixes.

O sofrimento dos peixes

Suas experiências são horríveis. Os peixes que são apanhados nas redes de arrasto são frequentemente esmagados até à morte sob o peso de outros peixes. Seus olhos saem de suas órbitas. Se eles sobreviverem, eles serão deixados sufocados lentamente ou serão estripados com uma faca enquanto ainda estiverem conscientes.

Os peixes das fazendas industriais geralmente são cortados através das brânquias e deixados para sangrar até a morte, eletrocutados em um banho de água, ou têm sua cabeça esmagada bruscamente por um instrumento.

Os pescadores dizem que o peixe não sente dor, mas isso foi refutado. O professor Donald Broom, um conselheiro científico do governo, disse: “A literatura científica é bastante clara. Anatomicamente, fisiologicamente e biologicamente, o sistema de dor em peixes é virtualmente o mesmo que em aves e mamíferos”.

Especialistas descobriram que as lagostas podem sentir mais dor do que os humanos. Eles dizem que as lagostas, que podem viver até 100 anos na natureza, são “animais incrivelmente inteligentes”. No entanto, os frequentadores de restaurantes geralmente não pensam em pegar uma em um tanque e pedir que ela seja fervida viva.

Peixes não são idiotas

A ideia de que os peixes são estúpidos é estúpida por si só. Pesquisadores mostraram que, ao contrário da lenda, os peixinhos dourados têm mais tempo de ‘atenção sustentada’ do que os humanos. Alguns peixes atraem parceiros em potencial cantando para eles ou criando arte. Mergulhadores contam histórias lindas de peixes individuais com os quais fizeram amizade.

Sylvia Earle, uma importante bióloga marinha, disse: “Eles são tão bons, tão curiosos. Você sabe, os peixes são sensíveis, têm personalidades, se machucam quando são feridos”.

Estas são as criaturas que matamos em uma escala inimaginável. A indústria pesqueira mede as perdas em toneladas em vez de vidas individuais. A captura global de peixes selvagens é de cerca de 90 milhões de toneladas, com mais 42 milhões de toneladas provenientes de pisciculturas. Trilhões de vidas.

Podemos não lamentar os bacalhaus e arincas da mesma forma que fazemos com vacas, ovelhas e porcos. Podemos sentir de maneira diferente. Mas cada um de nós pode falar do nosso jeito.

É por isso que minha resolução de ano novo é colocar o peixe no centro das atenções. É hora de fazer mais do que usar um casaco da Sea Shepherd – embora, assim como tantos veganos, eu tenha um desses.

Depois que Franz Kafka foi vegetariano, ele viu alguns peixes e pensou: “Agora, finalmente, posso olhar para vocês em paz, não como mais vocês.”

Isso é lindo. Todo vegano pode se identificar. Mas essa paz não seria ainda mais feliz se, além de não comê-los, lhes emprestássemos também a nossa voz?

Chas Newkey-Burden é um jornalista e escritor vegano. Ele escreveu 29 livros, incluindo biografias de Taylor Swift, Adele e Amy Whinehouse. Atualmente ele escreve para o The Guardian, The Daily Telegraph, The Independent e outros jornais.