Conselho de Medicina Veterinária se posiciona sobre caso de animais mortos a tiros em MG

Diante da polêmica gerada pela decisão da Vale, de órgãos públicos e de médicos veterinários de atirar em animais para sacrificá-los em Brumadinho (MG), dias após o rompimento de uma barragem, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) decidiu se pronunciar sobre o assunto.

O Conselho disse entender que a situação é delicada, mas declarou apoio ao trabalho feito pelos médicos veterinários. Confira abaixo a nota do CFMV na íntegra:

Foto: Douglas Magno/AFP

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) informa que os médicos-veterinários da Comissão de Bem-Estar Animal, do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MG), estão acompanhando os trabalhos de resgate de animais em Brumadinho/MG, em função do rompimento da barragem do Córrego do Feijão.

Sob a supervisão de equipe veterinária, nesta segunda-feira (28/1), dois animais (um equino e um bovino), que estavam atolados há 4 dias em local de difícil acesso, tiveram de ser abatidos por meio de rifle sanitário.

Os animais encontravam-se em local sem condições de segurança para serem içados, presos em área que oferecia riscos aos socorristas e sem possibilidade de acesso para intervenção de outra técnica de eutanásia.

Com base na Resolução CFMV nº 1000/2012, a decisão da equipe envolvida foi estritamente técnica, uma vez que os animais já estavam debilitados, desidratados e em sofrimento.

De acordo com artigo 3º da Resolução 1000, a eutanásia pode ser indicada quando “o bem-estar do animal estiver comprometido de forma irreversível, sendo um meio de eliminar a dor ou o sofrimento dos animais, os quais não podem ser controlados por meio de analgésicos, de sedativos ou de outros tratamentos”.

E a norma ainda deixa claro, em seu artigo 10, que a escolha do método dependerá da espécie animal envolvida, da idade e do estado fisiológico dos animais, bem como dos meios disponíveis para a contenção.

Adicionalmente, a Resolução CFMV nº 1.236/2018 (art. 5º, XXIX, parágrafo 1º) excetua o abate e a eutanásia da condição de maus-tratos.

O CFMV entende que o momento é delicado, requer deliberação profissional complexa, envolve preceitos técnicos e éticos, não sendo uma decisão trivial, mesmo para médicos-veterinários experientes. No entanto, o CFMV reconhece e apoia o trabalho que vem sendo feito pela equipe do CRMV-MG, que segue comprometida com os protocolos e práticas de bem-estar animal. Os profissionais envolvidos possuem experiência em ocasiões de desastres ambientais e já atuaram, inclusive, no rompimento das barragens em Mariana e nas inundações do município de Rio Casca.

O Conselho alerta que os peritos oficiais estão coletando vestígios para apurar as causas do rompimento da barragem e, por isso, o acesso ao local está restrito às equipes previamente autorizadas. Para não interferir nas investigações, nem prejudicar a produção de provas, as autoridades pedem calma e paciência, pois as equipes de salvamento já estão empenhadas no resgate dos animais da melhor maneira possível e garantindo a segurança de todos.

Nota técnica da Comissão Nacional de Bem-Estar Animal do CFMV

Por convicção, inspiração cívica e comprometimento com o bem-estar dos animais envolvidos na catástrofe de Brumadinho (MG), os médicos-veterinários brasileiros em atividade no local, voluntários ou não, estão buscando minimizar os danos à saúde física e mental dos animais presentes na área do acidente.

Cabe frisar que todo médico-veterinário possui formação técnica para realizar o diagnóstico das condições de saúde dos animais e, em casos extremos, de acordo com as resoluções técnicas do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), proceder com o sacrifício humanitário ou com a eutanásia.

Ressalta-se que o método de escolha para o sacrifício passa também pelas condições em que o animal se encontra. Zonas de guerra, de acidentes de grandes magnitudes ou de catástrofes naturais muitas vezes são áreas cujas variáveis do ambiente não estão sob o controle do médico-veterinário. Assim sendo, e não havendo condições de segurança ou de acesso até o animal para remoção ou contenção química por anestésicos, o sacrifício com o uso de rifle é aceito.

Quando corretamente aplicado, por profissional apto e habilitado, o projétil produz dano cerebral grave e irreversível, induzindo o animal à imediata inconsciência e insensibilidade, eventos que antecedem e garantem morte rápida e indolor. Por ser uma técnica humanitária e por permitir mitigar de maneira rápida o sofrimento dos animais em zonas de catástrofes, este método é amplamente difundido e recomendado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), bem como pelo CFMV.

A decisão de sacrificar um animal não é algo fácil para nenhum profissional. Certamente é o momento mais difícil na vida de qualquer médico-veterinário. Possivelmente, os traumas produzidos em circunstâncias de sacrifício em massa e em áreas de catástrofes sejam similares aos traumas de guerra.

Sendo assim, neste momento, em que centenas de animais precisam de socorro e em que dezenas de veterinários estão assumindo para si esta responsabilidade, o que se espera da sociedade brasileira é o mais sincero apoio a cada um dos profissionais presentes hoje em Brumadinho (MG).

Conselho Federal de Medicina Veterinária

Caminhão que transportava mais de 200 porcos capota em estrada no Canadá

Um acidente de estrada entre um veículo e um caminhão transportando 239 porcos para o matadouro no distrito de Southern Interior da Colúmbia Britânica, no Canadá. Alguns porcos morreram no acidente e os sobreviventes ficaram sozinhos até a tarde. A polícia diz que eles estavam em cena até as 9 da manhã, e que três porcos foram mortos após o acidente ocorrido na sexta-feira, 4.

Não se sabe quantos porcos morreram, mas a RCMP disse que havia 239 porcos no transporte, com mais de 80 porcos em cada um dos três andares dentro do caminhão.

Enquanto dezenas dos porcos que sobreviveram foram colocados em um campo próximo, pelo menos seis porcos foram vistos deitados imóveis no segundo andar do trailer. Não está claro se eles estavam mortos.

Vários porcos que estavam no nível superior do trailer foram vistos espalhados na colina ao lado da cena do acidente, alguns ainda se contorcendo, outros empilhados e imóveis.

Pat Lawrence é dono da terra onde ocorreu o acidente. Ele disse que a polícia entrou em contato com ele às 1h da manhã, notificando-o de que um trailer atravessou a cerca e entrou em sua terra.

Lawrence disse ao Global News que ele passou o dia inteiro procurando os porcos, e que ele matou alguns por estarem feridos. Outra testemunha da cena disse que havia porcos mortos no local.

A polícia acrescentou que a empresa envolvida no transporte dos porcos foi informada do acidente. A polícia também disse que um oficial conduziu os porcos a um campo próximo, apesar de um cinegrafista da Global News ter notado porcos ainda no trailer mais tarde. A polícia acrescentou que era possível que alguns porcos estivessem imóveis ou tivessem voltado ao trailer.

Os relatórios dizem que o caminhão que transportava os porcos foi passado por outro veículo em uma linha dupla perto de um canto afiado que então virou atrás e cortou o caminhão. O motorista não ficou ferido e os porcos foram transferidos para outro caminhão no mesmo dia. O caminhão era originário de Taber, Alta, e estava a caminho de um matadouro em Chilliwack, Colúmbia Britânica.

São inúmeros e frequentes os casos de acidentes de transporte resultando na morte de animais. No sábado (05/01), um caminhão que transportava frangos foi incendiado por criminosos no Ceará. Os bandidos ordenaram que o motorista e o ajudante deixassem o veículo, então jogaram combustível e incendiaram o veículo e toda a carga, queimando vivos centenas de frangos.