Relatório revela que a civilização humana pode chegar ao fim em 2050

Foto: Maja Hitij/Getty Images

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A civilização humana como a conhecemos pode já ter entrado em suas últimas décadas, adverte um novo e preocupante relatório que analisa o provável futuro da habitabilidade do planeta.

Os impactos cada vez mais severos e graves da crise climática, combinados com a falta de ação para enfrentá-la, estão empurrando o planeta para uma situação cada vez mais caótica que pode sobrecarregar as sociedades em todo o mundo, afirmam os autores do relatório.

O artigo, produzido pelo think tank de Melbourne, o Breakthrough National Center for Climate Restoration, é apresentado pelo ex-chefe das Forças de Defesa Australianas e pelo almirante aposentado da Marinha australiana, Chris Barrie.

Em sua introdução, ele diz que os autores do relatório “revelaram a verdade nua e crua sobre a situação limite em que os humanos e o nosso planeta estão, apresentando um quadro perturbador da possibilidade real de que a vida humana na Terra possa estar em extinção, da maneira mais horrível, segundo o Independent.

O documento argumenta que “a mudança climática representa agora uma ameaça existencial de curto e médio prazo para a civilização humana”, e pede uma reavaliação na forma como os governos respondem a cenários climáticos estimados para levarem as projeções das piores possibilidades mais a sério.

O relatório também argumenta que os impactos nocivos da crise do clima, como a crescente escassez de alimentos e água, serão um catalisador das instabilidades sócio-políticas existentes para acelerar a desordem e o conflito nas próximas três décadas.

Para preparar-se para esse impacto, o relatório pede uma revisão na gestão de risco dos países “que precisa ser fundamentalmente diferente da prática convencional”.

“Ela (gestão de risco) teria que se concentrar nas possibilidades sem precedentes dos piores cenários possíveis, em vez de avaliar as probabilidades “do meio do caminho” com base na experiência histórica da humanidade”.

A pesquisa foi de autoria de David Spratt, diretor de pesquisa da Breakthrough, e Ian Dunlop, ex-executivo da indústria internacional de petróleo, gás e carvão, que trabalhou para a Royal Dutch Shell e foi presidente da Australian Coal Association.

O artigo oferece o que eles dizem ser um cenário plausível que fornece “um vislumbre de um mundo de caos total”.

Com base na falta de uma ação global significativa para extinguir rapidamente todas as emissões de gases de efeito estufa na próxima década, os autores esboçam um cenário em que as emissões globais atingem o pico em 2030.

Neste caso, usando vários estudos existentes, eles apresentam uma hipótese em que as temperaturas globais médias podem chegar a 3ºC acima dos níveis pré-industriais até 2050.

O efeito disso seria perceber o cenário “Terra pós efeito-estufa”, no qual o planeta estaria caminhando para pelo menos outro grau de aquecimento.

O gelo do mar em efeito reflexivo derreteria, aquecendo mais os oceanos e elevando os níveis do mar rapidamente. Haveria “perda generalizada de permafrost (pergelissolo, tipo de solo encontrado no Ártico) e seca com perda florestal (ressecamento das árvores até a morte) da Amazônia em larga escala”.

O artigo diz: “A desestabilização do Jet Stream (correntes de ar sinuosas, estreitas e de fluxo rápido nas atmosferas de alguns planetas, incluindo a Terra) afetou significativamente a intensidade e distribuição geográfica das monções da Ásia e da África Ocidental e, juntamente com a desaceleração adicional da corrente do Golfo, está interferindo nos sistemas de suporte à vida na Europa.

“A América do Norte sofrerá (neste cenário) de extremos climáticos devastadores, o que inclui incêndios florestais, ondas de calor, secas e inundações. As monções de verão na China teriam fracassado, e a água fluirá para os grandes rios da Ásia que serão severamente reduzidos pela perda de mais de um terço da camada de gelo do Himalaia.

“A perda glacial chegará a 70% nos Andes e a chuva no México e na América Central cairá pela metade.” Este cenário também colocaria o mundo no caminho para 5ºC de aquecimento até 2100.

O documento observa que os cientistas já alertaram que o aquecimento da 4°C é incompatível com uma comunidade global organizada, seria devastador para a maioria dos ecossistemas e tem uma alta probabilidade de não ser estável. O Banco Mundial disse que o planeta pode estar “além da adaptação” a tais condições.

“Mesmo para o 2°C do aquecimento, mais de um bilhão de pessoas podem precisar ser realocadas e em cenários de alto impacto, a escala de destruição está além da nossa capacidade de projeção, com uma alta probabilidade de civilização humana chegar ao fim”, afirma o estudo.

Os autores dizem que “o mundo está completamente despreparado para encarar, e menos ainda, lidar com as conseqüências de uma mudança climática catastrófica”, mas também apresentam recomendações políticas que poderiam ajudar a mitigar os piores efeitos.

“Para reduzir esse risco e proteger a civilização humana, uma enorme mobilização global de recursos é necessária na próxima década para construir um sistema industrial de emissões zero e preparar a restauração para um clima seguro.

“Isso seria semelhante em escala à mobilização emergencial realizada na Segunda Guerra Mundial”.

O almirante Barrie acrescentou: “Um futuro previsto no “juízo final” não é inevitável. Mas sem uma tomada de ação drástica e imediata, nossos prospectos são os piores. Nós devemos agir coletivamente. Precisamos de uma liderança forte e determinada no governo, nos negócios e em nossas comunidades para garantir um futuro sustentável para toda a humanidade”.

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Cerca de 17% dos animais marinhos podem desaparecer até 2100 devido à emissões de CO2

Uma avaliação internacional publicada, na terça-feira (11), na revista americana PNAS, alertou para a possibilidade de cerca de 17% dos animais marinhos desaparecerem até 2100, caso as emissões de CO2 sigam no ritmo atual.

O estudo avalia apenas o impacto dos efeitos do clima, sem incluir a pesca e a poluição. A perda de animais, segundo o levantamento, já começou. As informações são do Estado de Minas.

Foto: Pixabay

A avaliação foi feita por 35 pesquisadores de quatro continentes, agrupados no consórcio “FishMIP” (Fisheries and Marine Ecosystem Model Intercomparison Project), que avaliaram, de maneira global, os efeitos do aquecimento global nos animais marinhos.

Segundo os cientistas, caso as emissões de gases causadores do efeito estufa se mantiverem da forma como estão atualmente, a população de animais será reduzida em 17% até 2100, em relação à média registrada entre 1990 e 1999.

Para que a taxa de desaparecimento de animais fique em 5%, é preciso que o aquecimento global permaneça abaixo de 2ºC, segundo o estudo. Para cada grau de aquecimento acumulado, 5% adicional de biomassa animal pode ser perdida.

“Seja qual for a hipótese das emissões, a biomassa global dos animais marinhos vai cair, devido ao aumento da temperatura e ao retrocesso da produção primária”, diz a pesquisa.

Após, em 2015, vários países se comprometerem, em um acordo feito em Paris, a manter a temperatura mundial abaixo de 2ºC, em relação à era pré-industrial, as emissões e concentrações de gases causadores do efeito estufa atingiram um novo recorde mundial, em 2018, antecipando um cenário futuro de 4ºC a mais.

Os pesquisadores concluíram que o impacto nos animais marinhos será maior nas zonas temperadas e tropicais e que em muitas regiões polares, especialmente na Antártica, a biomassa marinha poderá aumentar.

“O futuro dos ecossistemas marinhos dependerá em grande parte da mudança climática”, resume Yunne-Jai Shin, biólogo do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD).

Onda de calor leva macacos à morte enquanto as temperaturas batem recordes na região

Foto: AFP

Foto: AFP

Um grupo de 15 macacos morreu de suspeita de insolação na Índia, vítimas das temperaturas escaldantes, que já duram mais de uma semana, atingem um número crescente de pessoas e animais, segundo a imprensa local.

Diversas áreas do país têm sofrido com o mormaço e o mal-estar causado pelas temperaturas que subiram para mais de 50°C no estado do Rajastão na Índia.

Os macacos morreram na floresta de Joshi Baba, no estado de Madhya Pradesh, onde o termômetro atingiu 46°C.

O policial florestal do distrito, P. N. Mishra, disse que os primatas teriam lutado com uma tropa rival pelo acesso a uma fonte de água.

“Isso é raro e estranho, já que os macacos herbívoros não são dados a tais conflitos”, disse Mishra à rede NDTV.

“Estamos investigando todas as possibilidades, incluindo a suspeita de conflito entre grupos de macacos por causa da água, o que levou à morte de 15 macacos de um grupo forte de 30 a 35 macacos que viviam nas cavernas”, disse Mishra.

“Certos grupos de macacos que são mais numerosos e dominam essa parte da região em particular podem ter afugentado o pequeno grupo que estava em busca de água”, disse Mishra.

Uma autópsia revelou que a insolação provavelmente causou as mortes.

Também foi relatado que os tigres estão se mudando das reservas florestais para as aldeias em busca de água, causando alertas e preocupação.

As temperaturas atingiram 50,3°C na cidade de Churu, no Rajastão, na semana passada, perto do recorde da Índia de 51°C graus.

A onda de calor expôs a queda dos níveis de água em reservatórios subterrâneos, uma série de mortes humanas também foi relatada.

No estado de Jharkhand, um homem esfaqueou seis pessoas depois que ele foi impedido de encher outros barris de água em um tanque público, informou a imprensa no sábado.

Na sexta-feira, um homem de 33 anos morreu após uma briga semelhante no estado de Tamil Nadu.

A península indiana sofreu uma drástica mudança nos padrões de precipitação (chuvas) na última década, marcada por frequentes secas, inundações e tempestades súbitas, especialistas aventam a possibilidade da mudança climática estar afetando o equilíbrio da região.

No estado de Uttar Pradesh, 26 pessoas morreram após tempestades de poeira, chuvas e relâmpagos que atingiram as planícies do norte na quinta-feira, disseram autoridades.

Kerala, no sul, recebeu uma pausa do calor no sábado, depois que as chuvas anuais de monção chegaram, mais de uma semana depois do esperado, causando desequilíbrio.

Tanto os agricultores do sul da Ásia como os animais da região dependem da estação de monções de quatro meses devido à falta de fontes alternativas de irrigação.

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Chefe da ONU defende fim dos subsídios aos combustíveis fósseis

Por David Arioch

Subsidiar combustíveis fósseis significa gastar o dinheiro de contribuintes para “impulsionar furacões, espalhar secas, derreter geleiras, branquear corais: destruir o mundo” (Foto: Getty Images)

“É necessário taxar a poluição, não as pessoas, e acabar com os subsídios para combustíveis fósseis”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no final do mês passado durante a Cúpula Mundial da Coalizão R20, uma organização ambiental apoiada pela ONU e fundada por Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia.

A ideia de subsidiar combustíveis fósseis como uma maneira de melhorar a vida das pessoas não poderia estar mais errada, disse o chefe da ONU na capital da Áustria, Viena. Subsidiar combustíveis fósseis significa gastar o dinheiro de contribuintes para “impulsionar furacões, espalhar secas, derreter geleiras, branquear corais: destruir o mundo”, declarou Guterres.

Ele pediu também a descarbonização de infraestruturas urbanas, uma pausa na construção de minas de carvão e a promoção de consumo e produção sustentáveis. “Em resumo, precisamos de uma economia verde, não de uma economia cinza.”

Financiar uma sociedade “pós-carbono”

Na preparação para a Cúpula da ONU sobre o Clima, em setembro, o secretário-geral encarregou o presidente da França, o primeiro-ministro da Jamaica e o emir do Catar de mobilizar apoio internacional para assegurar a meta de 100 bilhões de dólares.

O valor foi aceito por Estados-membros da ONU na Conferência de Paris sobre o Clima, em 2015, e é necessário para avançar medidas climáticas de mitigação e adaptação no mundo em desenvolvimento.

Investidores precisam parar de “financiar a poluição, ampliar empreendimentos verdes e aumentar empréstimos para soluções de baixa emissão de carbono”, insistiu, acrescentando que o setor privado e comunidades de investimentos precisam apoiar uma “agenda climática ousada e ambiciosa”, à medida que ações climáticas não são boas apenas para pessoas e para o planeta, mas também podem ser boas para os negócios.

“Lado positivo da nuvem ameaçadora”

Relembrando sua recente viagem a Tuvalu, um Estado insular no Pacífico Sul que corre o risco de ser inundado pelos crescentes níveis dos oceanos, Guterres destacou o fato de que “raramente um dia se passa” sem notícias de outro desastre, como enchentes, secas, incêndios florestais e tempestades extremas.

No entanto, há um “lado positivo da nuvem ameaçadora”, porque, embora a situação atual seja extremamente séria, a mudança para uma economia verde irá render benefícios profundos para as sociedades do mundo todo, com ar e água mais limpos, menos poluição e uma agricultura livre de produtos químicos.


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Príncipe Charles tenta convencer Trump sobre a importância de agir contra as mudanças climáticas

Donald Trump resistiu à defesa do Príncipe Charles de que é preciso agir ainda mais contra as mudanças climáticas (Fotos: Getty)

Donald Trump resistiu à defesa do Príncipe Charles de que é preciso agir ainda mais contra as mudanças climáticas (Fotos: Getty)

Por David Arioch

Hoje, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Príncipe Charles passou a maior parte do tempo tentando convencê-lo sobre os perigos das mudanças climáticas, segundo o jornal britânico The Guardian.

No decorrer do encontro em Londres com duração de 90 minutos, o príncipe ressaltou que hoje em dia uma das suas principais preocupações é o aquecimento global, e que é preciso agir contra as mudanças climáticas.

Trump defendeu que os Estados Unidos não têm culpa disso, mas sim países como China, Rússia e Índia, além de outras nações.

“Eles não têm um ar muito bom, a água não é muito boa e há uma sensação de poluição. Se você vai a determinadas cidades, você nem consegue respirar, e agora esse ar está subindo. Eles não assumem a responsabilidade”, disse durante participação no programa Good Morning Britain, da iTV, em entrevista ao jornalista Piers Morgan.

“Ele realmente está por dentro das mudanças climáticas, e eu acho ótimo. Ele quer que as futuras gerações tenham um bom clima, em oposição a um desastre, e eu concordo”, disse Donald Trump em referência ao encontro com o Príncipe Charles.

Por outro lado, o presidente disse que não acha que os EUA têm que fazer mais do que já têm feito em relação às mudanças climáticas, e defendeu que os Estados Unidos têm um dos melhores climas, “segundo todas as estatísticas”.

Questionado se reconhece os estudos científicos sobre as mudanças climáticas, Donald Trump disse que acredita que “há uma mudança no clima”, e lembrou que antes a mudança climática era chamada de aquecimento global, mas que, segundo ele, como não estava atraindo a atenção houve uma mudança.

O presidente dos EUA não pareceu muito à vontade falando sobre o assunto e quando Morgan perguntou se o Príncipe Charles conseguiu convencê-lo a dar mais importância ao assunto, ele desconversou e disse apenas que o que o comoveu foi a paixão do príncipe pelo futuro das próximas gerações.

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Para cientistas, impacto humano no aquecimento global é consenso

A pesquisa científica relacionada à influência das atividades humanas no aumento da concentração de CO2 na atmosfera é “robusta” mundialmente, permitindo projeções climáticas em nível regional e global. Segundo informações da Agência Senado, esta foi a tônica da fala de alguns cientistas brasileiros vinculados a organismos que se debruçam em pesquisas sobre o fenômeno do aquecimento global, durante audiência conjunta das Comissões de Relações Exteriores (CRE) e do Meio Ambiente (CMA) na quinta-feira (30).

— É importante ressaltarmos que esta é uma área de investigação muito ativa mundialmente. A cada semana são publicados pelo menos quatro ou cinco papers de impacto internacional. Só nos últimos seis meses, foram divulgados trabalhos de pesquisas coletando esforços de quase três mil cientistas, todos apontando questões preocupantes quanto à sustentabilidade ambiental no que tange às atividades humanas.

O ser humano já emite cerca de 40 bilhões de toneladas por ano de dióxido de carbono (CO2) (Arte: Getty)

A experiência indica que é improvável que três mil cientistas estejam equivocados em suas investigações, e apenas dois ou três estejam corretos — afirmou Paulo Artaxo, físico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que também colabora junto ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU.

A manifestação de Artaxo se deu devido a indagações de internautas, e também de alguns senadores, quanto a posições manifestadas por grupos de cientistas de diversos países que renegam a interpretação de que as atividades humanas possam colaborar para alterações climáticas profundas no planeta. Chamados de “negacionistas” durante audiência na quinta-feira, dois deles, o climatologista Luiz Carlos Molion e o geógrafo Ricardo Felício, participaram de audiência conjunta da CRE e da CMA na terça-feira (28).

Críticas aos negacionistas

O astrogeofísico Gylvan Meira, que colaborou com o IPCC até 2015, alertou que especialmente nos EUA — país que mais abriga negacionistas no mundo — esta vertente de cientistas tradicionalmente é ligada ao lobby de poderosos setores industriais, como o do petróleo.

O que não impede os EUA de serem, por outro lado, a nação mais avançada nas pesquisas científicas tratando do impacto humano para o acúmulo de CO2 na atmosfera, e de ser onde mais organizações e empresas já adotam medidas mitigadoras concretas, aliadas a um pujante engajamento social, de acordo com Meira.

Os pesquisadores presentes à audiência ainda reiteraram que os trabalhos dos negacionistas apresentam fortes lacunas em relação ao rigor cientifico. Pediram aos internautas que consultem a Plataforma Lattes, onde, segundo eles, torna-se claro que a produção desta vertente no Brasil é “muito inferior” à tese predominante. Por fim, ainda afirmaram ser “público e notório” o vínculo de alguns negacionistas no país com o lobby do agronegócio.

Consenso mundial

Meira ressaltou ser um consenso mundial já há décadas, por meio de investigações em laboratório no âmbito da mecânica quântica, que as partículas de CO2 absorvem os raios infravermelhos. E é justamente a concentração destes gases na atmosfera, em grande medida emitidos por atividades humanas, um dos responsáveis pelo agravamento do efeito estufa, impedindo que o calor seja devolvido ao espaço.

Artaxo informou que hoje o ser humano já emite cerca de 40 bilhões de toneladas por ano de dióxido de carbono (CO2). Meira ainda enfatizou que estes gases permanecem na atmosfera, gerando efeitos por décadas.

Os pesquisadores também mostraram inúmeros gráficos e tabelas atestando que a concentração do CO2 tem crescido de forma consistente desde a Revolução Industrial (século 18), com sazonais períodos de declínio, e apresenta hoje seus índices mais altos. E seria justamente o recrudescimento da poluição ambiental, a partir da década de 1960, o principal responsável por um franco período de aquecimento global verificado desde então, segundo Artaxo.

Inclusão social

O biólogo Gustavo Luedemann, doutor em ecofisiologia vegetal pela Universidade Técnica de Munique (Alemanha) e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lembrou que o IPCC controla um fundo de U$ 100 bilhões voltado ao financiamento de ações de mitigação aos danos ambientais.

Para ele, esta apresenta-se como uma oportunidade para que o Brasil incremente seu modelo econômico visando uma lógica mais sustentável, fomentando por exemplo ações de manejo florestal, que no seu entender, podem incluir sócio-economicamente regiões inteiras do país ainda marcadas por alarmantes índices de miséria e pobreza.

Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) criticou algumas diretrizes que percebe como “preocupantes” do governo, sobre a gestão do Fundo Amazônia. Este fundo, mantido principalmente pela Noruega, destina cerca de R$ 2 bilhões por ano para programas voltados à preservação ambiental na região.

O senador lembrou que centenas de ações com esta finalidade estão paralisadas na Amazônia, enquanto o governo manifesta sua intenção de utilizar estes recursos para pagar indenizações a fazendeiros, “em sua maioria grileiros de terra”, segundo Randolfe.

A geobotânica Mercedes Bustamante também criticou o governo de Jair Bolsonaro. Para ela, tem sido adotada uma política de desmonte na área da gestão ambiental.

Fonte: Vegazeta


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ONU defende que uso sustentável dos recursos florestais é uma solução para lidar com as mudanças climáticas

Por David Arioch

Florestas atuam como sumidouros de carbono e podem remover poluentes da atmosfera | Foto: Pixabay

Segundo a ONU, o uso sustentável de recursos ajuda a melhorar o estado das florestas e habitats e, por extensão, assegura a segurança econômica e alimentar das comunidades locais. Além disso, as florestas atuam como sumidouros de carbono e podem remover poluentes da atmosfera.

Isso as torna uma ferramenta altamente versátil para combater a poluição do ar e mitigar as mudanças climáticas. Todos os anos, elas absorvem um terço do dióxido de carbono liberado pela queima de combustíveis fósseis em todo o mundo.

Melhorar a qualidade do ar continua a ser uma das prioridades, de acordo com a ONU Meio Ambiente, considerando que as centrais elétricas emitem quantidades estratosféricas de dióxido de carbono por ano. Os custos diretos da poluição do ar para a saúde podem ser medidos em bilhões e até trilhões de dólares.

Juntamente com a necessidade de mudar para fontes de energia limpa, as florestas são aliadas efetivas e naturais na luta por um ar mais limpo — e essenciais para garantir um futuro sustentável para as comunidades que dependem delas.

Cerca de 80% da população do mundo em desenvolvimento utiliza recursos florestais não madeireiros para necessidades nutricionais e de saúde, segundo a Fundação Connecting Natural Values ​​and People.

Apenas a rebelião pode evitar um apocalipse ecológico

"A catástrofe aflige as pessoas agora e, ao contrário dos mais ricos que podem entrar em desespero, elas são forçadas a responder de maneiras práticas | Foto: Guillem Sartorio/AFP/Getty Images

“A catástrofe aflige as pessoas agora e, ao contrário dos mais ricos que podem entrar em desespero, elas são forçadas a responder de maneiras práticas | Foto: Guillem Sartorio/AFP/Getty Images

Por George Monbiot*

Se a raça humana tivesse se esforçado tanto para evitar a catástrofe ambiental quanto inventa desculpas pela sua falta de ação, a questão já estaria resolvida. Em diversos locais pelo mundo, há pessoas envolvidas em tentativas furiosas de se defender do desafio moral que o assunto representa.

A desculpa mais comum atualmente é a seguinte: “Aposto que os manifestantes têm telefones/viajam de férias/usam sapatos de couro”. Em outras palavras, não vamos ouvir ninguém a não ser que viva nu em um barril, subsistindo apenas em águas sujas. Claro que se você está vivendo nu em um barril, vamos dispensá-lo também, porque você é um hippie esquisito. Ou seja, todos os mensageiros e toda mensagem que eles carregam são desqualificados com base em impureza ou pureza por quem realmente tem o poder de fazer alguma coisa.

À medida que a crise ambiental ganha velocidade, e com movimentos de protesto como YouthStrike4Climate e Extinction Rebellion tornam mais difícil não ver o que enfrentamos, as pessoas descobrem meios mais inventivos de fechar os olhos e negar a responsabilidade. Subjacente a essas desculpas está uma crença profundamente arraigada de que, se realmente estivermos em apuros, alguém em algum lugar virá em nosso socorro: “eles” não deixarão isso acontecer. Mas não há eles, apenas nós.

A classe política, como qualquer um que acompanhou seu progresso nos últimos três anos, pode certamente ver agora: é caótica, pouco disposta e, isolada e estrategicamente incapaz de enfrentar crises de curto prazo, muito menos uma vasta situação existencial. No entanto, prevalece uma ingenuidade generalizada e intencional: a crença de que votar é a única ação política necessária para mudar um sistema. A menos que seja acompanhado pelo poder concentrado de protesto – articulando demandas precisas e criando espaço no qual novas facções políticas possam crescer – a votação, embora essencial, permanece um instrumento contundente e fraco.

A mídia, com poucas exceções, é declaradamente hostil ao assunto. Mesmo quando as emissoras cobrem essas questões, elas evitam cuidadosamente qualquer menção ao poder, falando sobre o colapso ambiental como se ele fosse movido por forças passivas e misteriosas e propondo correções microscópicas para problemas estruturais vastos. A série Blue Planet Live da BBC exemplificou bem essa tendência.

Aqueles que governam a nação e moldam o discurso público não podem ser confiados com a preservação da vida na Terra. Não há autoridade benigna nos preservando de danos. Ninguém esta vindo para nos salvar. Nenhum de nós pode justificadamente evitar o chamado para nos unirmos em prol de nossa salvação.

Protesto em Londres contra a moda descartável e ao desperdício de materiais | Foto: Yui Mok/PA

Protesto em Londres contra a moda descartável e ao desperdício de materiais | Foto: Yui Mok/PA

Eu vejo o desespero como outro tipo de recusa. Ao ignorar as calamidades que um dia poderiam nos afligir, nós as disfarçamos e as distanciamos, convertendo escolhas concretas num pavor indecifrável. Podemos nos livrar da responsabilidade moral alegando que já é tarde demais para agir, mas ao fazê-lo condenamos os outros à destituição ou à morte. A catástrofe aflige as pessoas agora e, ao contrário daquelas que vivem na riqueza e ainda podem se dar ao luxo de mergulhar em desespero, outras são forçadas a reagir de maneira prática. Em Moçambique, Zimbábue e Malauí, que foram devastados pelo Ciclone Idai, na Síria, Líbia e Iêmen, onde o caos climático contribuiu para a guerra civil, na Guatemala, Honduras e El Salvador, onde a quebra da safra, a seca e o colapso da pesca tiraram as pessoas de suas casas, o desespero não é uma opção. Nossa falta de ação os forçou a agir, pois eles tem que lidar com circunstâncias terríveis causadas principalmente pelo consumo do mundo dos ricos. Os cristãos estão certos: o desespero é um pecado.

Como o autor Jeremy Lent aponta em um ensaio recente, com certeza já é quase tarde demais para salvar algumas das grandes maravilhas do mundo, como os recifes de corais e as borboletas-monarca. Também pode ser tarde demais para impedir que muitas das pessoas mais vulneráveis no planeta percam suas casas. Mas, ele argumenta, a cada incremento de aquecimento global, a cada aumento no consumo de recursos materiais, teremos que aceitar perdas ainda maiores, muitas das quais ainda podem ser evitadas através de transformações radicais.

Toda transformação não-linear da história pegou as pessoas de surpresa. Como Alexei Yurchak explica em seu livro sobre o colapso da União Soviética – Tudo era Eterno, Até Não Fica Mais – os sistemas parecem imutáveis até que de repente se desintegram. Assim que o fazem, a desintegração parece retrospectivamente inevitável. Nosso sistema – caracterizado pelo crescimento econômico perpétuo em um planeta que não está crescendo – inevitavelmente implodirá. A única questão é se a transformação é planejada ou não planejada. Nossa tarefa é garantir que seja planejada e rápida. Precisamos conceber e construir um novo sistema baseado no princípio de que toda geração, em todo lugar, tem o mesmo direito de desfrutar da riqueza natural.

Isso é menos assustador do que poderíamos imaginar. Como revela a pesquisa histórica de Erica Chenoweth, para que um movimento de massa pacífico seja bem-sucedido, um máximo de 3,5% da população precisa se mobilizar. Os seres humanos são mamíferos ultra-sociais, estão subliminarmente conscientes, todo o tempo, das mudanças nas correntes sociais. Quando percebemos que o status quo mudou, mudamos repentinamente de uma base de estado de ser para outro. Quando uma porcentagem de apenas 3,5% de pessoas comprometidas, mudam e manifestam essa união à demanda por um novo sistema, a avalanche social que se segue se torna irresistível. Desistir antes de chegarmos a esse limiar é pior do que o desespero: é derrotismo.

Hoje, a Rebelião de Extinção toma as ruas ao redor do mundo em defesa dos nossos sistemas de suporte à vida. Por meio de uma ação ousada, disruptiva e não-violenta, força nossa situação ambiental à agenda política. Quem são essas pessoas? Outro tipo de “eles”, que poderia nos resgatar de nossas loucuras? O sucesso dessa mobilização depende de nós. Só atingirá o limiar crítico se muitos de nós deixarem de lado a negação e o desespero e se unirem a esse movimento exuberante e proliferante. O tempo para desculpas acabou. A luta para derrubar nosso sistema de negação da vida começou.

*Traduzido por Eliane Arakaki

Jornalista Maurizio Giuliano defende que mitigar mudanças climáticas é essencial para a paz

Por David Arioch

Mas outros desafios são as mudanças climáticas e os desastres associados a riscos naturais que estão frequentemente ligados às mudanças climáticas” (Foto: PA Images)

No último dia 7, durante a 1ª Plenária do Fórum Mundial pela Paz, realizado pela organização Together for Peace na Universidade Veiga de Almeida (UVA), no Rio de Janeiro, o diretor do Centro de Informação da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Brasil, Maurizio Giuliano, convidou mais de 100 universitários a refletirem sobre a relação entre a paz e as mudanças climáticas.

“A paz é a eliminação de qualquer conflito. Mas sem debelar as mudanças climáticas e sem desenvolvimento, a paz pode ser muito mais difícil de se conseguir. E inversamente, só a paz permite que possamos — entre países democráticos — avançar na Agenda 2030 [para o Desenvolvimento Sustentável] e preservar a espécie humana””, declarou.

Segundo Giuliano, a paz é uma questão de justiça, mas, acima de tudo, é uma necessidade para a sobrevivência. “Temos neste momento uma quantidade enorme de guerras, conflitos, situações de violência e deslocamento forçado, situações de gravidade extrema. A ameaça nuclear que caracterizou os últimos 75 anos ainda persiste”, enfatizou.

E acrescentou: “Mas outros desafios são as mudanças climáticas e os desastres associados a riscos naturais que estão frequentemente ligados às mudanças climáticas”.

Giuliano também explicou aos estudantes as razões de utilizar o termo “desastres associados a risco natural” no lugar de “desastres naturais”. “O que causa um desastre não é necessariamente e apenas o fenômeno natural em si. Um terremoto de mesma escala pode passar pouco percebido no Japão e matar milhares de pessoas em um país em desenvolvimento”.

FAO sugere introdução de refeições vegetarianas para ajudar a combater as mudanças climáticas

Por David Arioch

Foto: Pixabay

Ontem a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou algumas sugestões que podem ser adotadas por qualquer pessoa que queira minimizar a contribuição às mudanças climáticas.

Segundo a FAO, condições imprevisíveis estão dificultando a produção dos alimentos necessários para uma população em crescimento, mas ressalta que ainda há tempo para agir. “É aqui que todo indivíduo tem o poder de fazer a diferença”, de acordo com a organização.

A primeira sugestão é adotar uma dieta mais sustentável, com a introdução de refeições vegetarianas em que a carne seja substituída por alimentos que demandam menos recursos naturais no processo de produção. Exemplos são as leguminosas como feijões, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico.

“Mais recursos naturais são usados ​​para produzir carne, especialmente a água. Milhões de hectares de floresta tropical também são cortados e queimados para transformar terras em pastagens e campos para o gado”, justifica a FAO, em referência a ações que favorecem o aquecimento global.

A organização recomenda comprar apenas o que precisamos, fazendo uma lista e criando planos de refeições para evitar compras por impulso: “Quando você joga fora sua comida, você está desperdiçando os recursos hídricos que foram gerados. Por exemplo, são necessários 50 litros de água para produzir uma laranja!”

Outra sugestão diz respeito à valorização dos produtores locais – agricultores familiares e pequenas empresas:

“Você também ajuda a combater a poluição, reduzindo as distâncias de entrega de caminhões e outros veículos. A mudança climática está colocando em risco os meios de subsistência de milhões de agricultores. Sem eles, não teríamos comida em nossos pratos. As escolhas que fazemos hoje são vitais para um futuro seguro para a alimentação.”