Estudantes vão às ruas em diversos países em atos contra o aquecimento global

Manifestações contra o aquecimento global foram realizadas por estudantes em diversos países nesta sexta-feira (15). O objetivo é pressionar os governos para que medidas favoráveis ao clima sejam colocadas em prática.

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

O protesto recebeu o nome de Fridays For Future (Sextas-feiras Pelo Futuro, em tradução livre). A iniciativa é da estudante Greta Thunberg, que passou a faltar às aulas todas as sextas-feiras desde setembro de 2018, em sua escola em Estocolmo, na Alemanha, para sentar em frente ao Parlamento da Suécia e protestar contra as mudanças climáticas.

A exigência dos estudantes é de que o Acordo de Paris, assinado por mais de 190 países, seja cumprido, com as metas para retardar o efeito do aquecimento global sendo colocadas em prática. As informações são do portal R7.

Os protestos estão sendo realizados na Europa, na Ásia, na África e no Brasil. Os alunos brasileiros têm atos marcados para acontecer no Rio de Janeiro e em Brasília.

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

As manifestações receberam o apoio de Cristina Figueres, funcionária da ONU (Organizações das Nações Unidas), que gerenciou o Acordo de Paris em 2015. Ao jornal The Guardian, ela afirmou que “chegou a hora de ouvir a voz dos jovens estudantes, que estão preocupados com o seu futuro”.

Os governos têm recebido há 30 anos advertências sobre a emissão de dióxido de carbono, que agrava o aquecimento global e que já atingiu níveis recordes nos dois últimos anos.

A ONU informou, através de um relatório publicado em outubro de 2018, que a humanidade tem até 2030 para impedir mudanças irreversíveis no clima e que há fortes indícios de que ocorra uma crise climática em 2040.

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

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Mais de mil atos pelo clima devem ser realizados no mundo nesta sexta-feira

Mais de 1,3 mil manifestações pelo clima estão programadas para esta sexta-feira (15) em todo o mundo. Na Alemanha, serão realizadas 150 delas. O Brasil será palco de 19 atos. Todos os protestos são realizados por estudantes de mais de cem países durante o horário de aula.

O movimento recebeu o nome de “Fridays For Future” (Sextas-feiras Para o Futuro, em tradução livre). O objetivo é combater as mudanças climáticas exigindo que os governos adotem práticas para salvar o clima do planeta. As informações são do portal DW.

De acordo com o porta-voz do movimento no estado alemão de Brandemburgo, Vincent Bartolain, “os preparativos estão avançados na Alemanha”. O jovem afirma que os estudantes estão “organizados em vários grupos locais, que planejam as manifestações, mas recebem material informativo da equipe nacional de organização”, ao se referir a flyers, adesivos e cartazes, produzidos com o mínimo de prejuízo ao meio ambiente, geralmente a partir de papel reciclado, nos quais são escritas palavras de ordem como “podemos aguentar faltas às aulas, mas não as mudanças climáticas!”, “ão, ão, ão, chega de carvão!”, ou ainda o slogan do movimento: “não há um planeta B!” e “marche agora ou nade depois!”.

Na Alemanha, uma campanha de doações foi feita para cobrir os custos de produção do material e de viagens. No entanto, segundo Bartolain, a maior parte das despesas é paga com os próprios recursos dos estudantes.

“Queremos fazer os políticos se mexerem”, responde Bartolain, que lembra que o desejo deles é de que algo realmente seja feito a favor da proteção climática na Alemanha, “para que não seja só da boca pra fora e empurrar com a barriga.”

Com 18 anos, Bartolain é membro do Partido Verde e candidato ao legislativo de Brandemburgo na eleição de setembro. Ele faz parte da mesma geração de jovens alemães que a ativista sueca pelo clima Greta Thunberg, de 16 anos. São conhecidos por serem mais engajados na luta política do que a geração anterior.

Greta se manifesta, há meses, todas às sextas-feiras a favor do clima perante o prédio do parlamento sueco. Portadora da síndrome de Asperger, ela foi incluída pela revista Time na lista dos 25 adolescentes mais influentes de 2018. E ela tem feito milhares de adolescentes em todo o mundo se inspirarem nela e seguir seu exemplo. Apenas na Alemanha já são 155 grupos locais, segundo o próprio movimento, que está presentes em todas as redes sociais, por meio das quais artigos, notícias, eventos e manifestações são divulgados.

O Fridays For Future recebeu o apoio de 12 mil cientistas, por meio de uma carta assinada por eles, e também tem sido apoiado por organizações e associações. Para os cientistas, os estudantes têm motivações legítimas e bem fundamentadas, pois as medidas adotadas até o momento por governos do mundo todo para proteger o clima, a biodiversidade, as florestas, os oceanos, os mares e o solo são insuficientes e a hora de agir é agora.

Um dos cientistas, Volker Quaschning, da Escola Superior de Técnica e Economia de Berlim, afirmou que os políticos europeus que disseram que os jovens deveriam retornar às aulas não sabem do que falam. “E é por isso que nós estamos aqui. Nós somos os profissionais e podemos dizer: a nova geração está com a razão. E faltar aula também é um gesto de coragem”, disse Quaschning, que, assim como os demais cientistas, defende que as exigências dos alunos sejam atendidas.

No meio político, os estudantes têm recebido muitas críticas. A ministra da Educação, Anja Karliczek, e o ministro da Economia, Peter Altmaier, afirmaram que os protestos deveriam ser feitos fora do horário de aula. O presidente nacional do Partido Liberal (FDP), Christian Lindner, disse que os jovens não podem entender as implicações globais e as viabilidades técnicas e econômicas do combate ao aquecimento global. O partido populista de direita AfD chegou a falar em “abuso político de crianças”. A ministra do Meio Ambiente, Svenja Schulze, por sua vez, elogiou o engajamento dos alunos.

As críticas, porém, não vieram apenas dos políticos. Nas redes sociais, xingamentos estão sendo proferidos contra o movimento, que afirmou que irá acionar a Justiça contra quem fizer ameaças ao Fridays For Future e aos seus participantes.

Bartolain lembra que os jovens não irão desistir. “Estamos só no começo”, concluiu. Segundo ele, mais pessoas estão se unindo ao movimento e novos grupos locais estão se formando na Alemanha.

Estudantes da América se unem para deter a mudança climática

Nós, jovens da América, estamos fartos de décadas de inação sobre as mudanças climáticas. Na sexta-feira, 15 de março, jovens como nós nos Estados Unidos vão fazer uma greve escolar. Nós gritamos para chamar a atenção para os milhões de nossa geração que mais sofrerão as consequências do aumento da temperatura global, do aumento do nível dos mares e do clima extremo. Mas esta não é uma mensagem apenas para a América. É uma mensagem do mundo para o mundo, pois estudantes em dezenas de países em todos os continentes estarão juntos pela primeira vez.

Por décadas, a indústria de combustíveis fósseis bombeou as emissões de gases de efeito estufa em nossa atmosfera. Trinta anos atrás, o cientista climático James Hansen alertou o Congresso sobre a mudança climática. Agora, de acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas sobre o aumento da temperatura global, temos apenas 11 anos para evitar efeitos ainda piores da mudança climática. E é por isso que lutamos.

Nós lutamos para apoiar o Green New Deal. A indignação varreu os Estados Unidos sobre a legislação proposta. Alguns se recusam ao custo de fazer a transição do país para a energia renovável, enquanto outros reconhecem seu benefício muito maior para a sociedade como um todo. O Green New Deal é um investimento em nosso futuro – e o futuro de gerações além de nós – que proporcionará empregos, novas infraestruturas críticas e, o mais importante, a drástica redução das emissões de gases de efeito estufa essencial para limitar o aquecimento global. E é por isso que lutamos.

Para muitas pessoas, o New Deal Verde parece uma ideia radical e perigosa. Esse mesmo sentimento foi sentido em 1933, quando Franklin D. Roosevelt propôs o New Deal – uma legislação drástica creditada com o fim da Grande Depressão que ameaçou (e custou) muitas vidas neste país. Barões-ladrões, cidadãos comuns e muitos outros estavam enfurecidos com as políticas promulgadas pelo New Deal. Mas olhando para trás, como isso mudou os Estados Unidos, é impossível ignorar que o New Deal pôs fim ao pior desastre econômico da história, criando programas fundamentais como o Seguro Social e estabelecendo novas agências reguladoras, como a Securities and Exchange Commission.

A mudança é sempre difícil, mas não deve ser temida ou evitada. Mesmo para seus críticos, o New Deal de Roosevelt acabou se saindo muito bem. Os Estados Unidos lideraram a economia mundial ao longo das muitas décadas desde então. As mudanças propostas no Green New Deal ajudarão a garantir que toda a nossa espécie tenha a oportunidade de prosperar nas próximas décadas (e séculos). Como o New Deal original foi para o declínio da economia dos EUA, o Green New Deal é para o nosso clima em mudança. E é por isso que lutamos.

Os argumentos populares contra o Green New Deal incluem alegações absurdas de que proibirá aviões, hambúrgueres e flatulência de vacas – afirmações que estão espalhadas até mesmo por alguns dos líderes mais poderosos de nossa nação, como o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell. Embora essas alegações extravagantes sejam claramente falsas, elas revelam uma verdade maior aparente nas populações americanas e mundiais: em vez de agir contra a ameaça iminente da mudança climática, nossos líderes fazem jogos políticos. Porque os adultos não levarão o nosso futuro a sério, nós, os jovens, somos forçados a isso. E é por isso que lutamos.

Os sintomas alarmantes do Denialismo Climático – uma condição séria que afeta tanto os corredores do governo quanto a população em geral – marcam nossas atuais e históricas encruzilhadas de ação do tipo “faça-ou-quebra” na mudança climática. Embora haja muitas razões para essa aflição – como a dificuldade em compreender o conceito abstrato de um clima globalmente alterado ou a paralisia diante de uma catástrofe ambiental avassaladora – o principal modo de contágio do Denialismo Climático envolve mentiras de políticos, grandes corporações e interesses de grupos. As pessoas no poder, como o senador McConnell e os irmãos Koch, usaram dinheiro e poder para mudar estrategicamente a narrativa sobre a mudança climática e espalhar mentiras que permitem a si e a outros beneficiários da indústria de combustíveis fósseis manter as fortunas que construíram com a queima de combustíveis fósseis e a degradação do meio ambiente.

O atual presidente dos Estados Unidos é um negador radical da mudança climática. O presidente Trump abandonou o histórico Acordo de Paris e twitta repetidamente sobre os fenômenos climáticos que ele alega de alguma forma refutar a existência da mudança climática – apesar do fato de que sua própria administração relatou os fatos da mudança climática e seu impacto nos Estados Unidos .

Também estamos preocupados que os principais democratas demonstrem sua própria falta de urgência sobre a ameaça existencial da mudança climática. A rejeição da senadora californiana Dianne Feinstein a um grupo de estudantes que visitava seu escritório para implorar seu apoio ao Green New Deal foi muito perturbador para nós, jovens. Feinstein não terá que enfrentar as consequências de sua falta de ação nas mudanças climáticas. Ela sugeriu que as crianças um dia concorressem pelo próprio Senado se desejassem aprovar uma legislação climática agressiva.

Infelizmente, isso pode não ser uma opção para nós, se ela e outros democratas, como a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, continuarem a desconsiderar os pedidos da nossa geração. Confrontados com políticos de ambos os lados do corredor que menosprezam e nos ignoram, somos forçados a tomar uma posição e estamos fazendo isso juntos em uma escala global. E é por isso que lutamos.

Nós lutamos porque nossos líderes mundiais não reconheceram, priorizaram ou abordaram adequadamente a crise climática. Nós lutamos porque as comunidades marginalizadas em toda a nossa nação – especialmente comunidades de cor e comunidades de baixa renda – já são desproporcionalmente impactadas pelas mudanças climáticas. Nós lutamos porque, se a ordem social for interrompida por nossa recusa em frequentar a escola, os adultos influentes serão forçados a tomar nota, enfrentar a urgência da crise climática e promulgar mudanças. Com o nosso futuro em jogo, exigimos uma ação legislativa radical – agora – para combater as mudanças climáticas e seus inúmeros efeitos prejudiciais sobre o povo americano.

Nós lutamos pelo Green New Deal, por uma transição justa e justa para uma economia 100% renovável, e para parar a criação de novas infraestruturas de combustíveis fósseis.

Os autores são os principais organizadores do US Youth Climate Strike , parte de um movimento estudantil global inspirado pelas greves semanais da escola Greta Thunberg, ativista climática de 16 anos na Suécia e em outros países europeus.

 

Por Maddy Fernands, Isra Hirsi, Haven Coleman e Alexandria Villaseñor
Fonte: The Bulletin

Desmatamento impede o alcance das metas globais contra a mudança climática

Foto: Pixabay

A conclusão foi feita por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe e da Universidade de Edimburgo.

“Os planos de países individuais para realizar essas mudanças permanecem vagos, quase certamente insuficientes e improváveis de serem implementados na íntegra”, afirma o estudo.

Em dezembro de 2015, 195 países adotaram o primeiro acordo climático universal, juridicamente vinculativo, para frear as mudanças climáticas, limitando o aquecimento global abaixo de 2° C.

De acordo com o Plant Based News, o principal autor do estudo, Calym Brown, disse : “Na maioria dos casos, pouco progresso foi feito, muitas vezes, a situação piorou nos últimos três anos.

“Muitos dos planos de mitigação no sistema de terras eram irrealistas e agora ameaçam tornar inatingível a meta de Paris”.

Estima-se também que 15% de todas as emissões de gases de efeito estufa sejam resultado do desmatamento.

No Brasil

Enquanto diversos países da Europa direcionam seus esforços na luta contra o aquecimento global, o Brasil parece andar para trás e a cada dia destrói ainda mais sua biodiversidade.

O desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes as de cerrado, mas degradadas, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.

O alerta foi feito em um editorial publicado na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Foto: Hebert Rondon | Ibama

“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a

Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.

Adolescentes convencem a União Europeia a gastar mais de 1 trilhão de dólares com o meio ambiente

Greta Thunberg. Foto: Francois Mori

Thunberg se dirigiu à Comissão Europeia afirmando que adultos e líderes não estão agindo rápido o suficiente para frear a catástrofe da mudança climática mundial.

“Nos últimos anos, muitas vezes eu acreditava que os jovens não queriam chamar a atenção para eventos importantes”, disse o presidente da Comissão Européia, Jean-Claude Junker, impressionado com o discurso e a paixão do adolescente pela causa.

“Eu estou errado. Eles de fato aceitam o desafio”.

Thunberg clamou a estudantes de todo o mundo que se posicionarem contra a mudança climática, fazendo uma greve escolar para alertar governos de todo o mundo sobre a urgência do assunto.

Foto: LiveKindly

Semana passada, mais de 10 mil estudantes belgas deixaram a escola para protestar contra o aquecimento global. No Reino Unido, milhares de estudantes protestaram do lado de fora de Westminster pelo mesmo motivo.

Alguns criticaram os protestos, incluindo a primeira-ministra britânica Theresa May. Já o líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn, disse que era “inspirador ver os estudantes fazendo suas vozes serem ouvidas”.

 

Foto: Nick Ansell / PA

A UE ouviu o recado de Thunberg e propôs um 1,3 trilhão de dólares para combater a mudança climática nos próximos sete anos.

“Precisamos focar cada centímetro do nosso ser na mudança climática”, disse Thunberg em seu discurso. “Porque se falharmos, todas as nossas conquistas e progressos serão em vão”.

Ela continuou: “Tudo o que restará do legado dos nossos líderes políticos será o maior fracasso da história humana e eles serão lembrados como os maiores vilões. Eles escolheram não ouvir e não agir”.

A agricultura já foi apontada como umas das atividades mais prejudiciais ao planeta. Produzir e consumir alimentos de origem animal traz impactos direto nas questões climáticas. Além de oferecer riscos para a saúde das pessoas, a prática é cruel com os animais. A transição para a energia renovável e uma drástica redução na agricultura animal precisa acontecer urgentemente.

Governos em toda a Europa já recomendam comer mais alimentos à base de vegetais e menos carne para salvar o meio ambiente.

Aquecimento global trará verão com tempestades e poluição, diz estudo

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) concluiu que o aquecimento global fará com que o verão tenha tempestades e poluição. De acordo com o estudo, a poluição está se mantendo por mais tempo nas cidades e as tempestades de verão estão ficando mais fortes.

A elevação do nível, as inundações catastróficas, as ondas devastadoras de valor e os furacões sem precedentes são resultados do aquecimento global. Segundo os pesquisadores, até mesmo os aspectos mais mundanos do clima estão sendo afetados por danos causados pelo homem à natureza, podendo gerar danos às pessoas e às propriedades. As informações são da agência de notícias Bloomberg.

(Foto: Pixabay)

“É possível ligar as observações que as pessoas estão fazendo em breves escalas de tempo a respeito dos fenômenos climáticos a mudanças na situação climática média”, disse o principal autor do estudo, Charles Gertler, estudante de pós-graduação do Departamento de Ciências Terrestres, Atmosféricas e Planetárias do MIT. “Para ser mais claro, isto é a mudança climática e sua impressão digital nos eventos climáticos”, completou.

O problema tem relação com o modo que a mudança da estrutura de alor da atmosfera, que está relacionada ao aquecimento global, impulsiona enormes sistemas climáticos nas regiões em que a maioria das pessoas vive. No alto da atmosfera, os ciclones extratropicais são alimentados pela mistura de ar quente e frio. Eles são a força por trás das nevascas, tempestades e tormentadas com raios. Os ventos provocados por eles sopram a poluição do ar para longe nas cidades após dias de verão com nevoeiro e fumaça. No sul, eles mantêm o movimento de fortes tempestades. Isso, no entanto, está mudando atualmente. Isso porque a circulação desses enormes sistemas climáticos estão enfraquecendo e o resultado são municípios cobertos por poluição por dias e regiões inteiras mais vulneráveis a repentinas tempestades torrenciais.

“O clima do verão não está ventilando as cidades americanas no mesmo ritmo de antigamente”, disse Gertler.

Para que os ciclones extratropicais aconteçam, é necessário que haja diferença de temperatura entre as latitudes sul e norte. Essa diferença, porém, está diminuindo com o aquecimento do Ártico, que tem ocorrido duas vezes mais rápido que a média global – isso tem reestruturado gradualmente o clima no hemisfério.

O estudo, publicado na revista acadêmica Proceedings of the National Academy of Sciences, concluiu ainda que os ciclones extratropicais mais fracos podem estar contribuindo também para que as ondas de calor se prolonguem. Os pesquisadores usaram dados de temperatura e de precipitações que remontam a 1979, quando o monitoramento por satélite teve início. A energia disponível para esses sistemas caiu 6% durante os meses de calor no hemisfério norte, uma taxa “próxima do extremo do que diferentes modelos climáticos simulam para as últimas décadas”, segundo os pesquisadores.

De acordo com o estudo, os ciclones estão empurrando a energia disponível para as tempestades em suas extremidades e a quantidade dessa energia para tempestades com raios está “aumentando a uma taxa bastante significativa” de 13%, o que pode torná-las mais fortes, segundo Gertler. Essa mudança está associada à umidade adicional na atmosfera e tem gerado mais chuvas com rajadas curtas e intensas.

A poluição do ar é a sexta principal causa de morte no mundo. Ela tem matado mais do que o álcool, a insuficiência renal e o excesso de sal.

Dia Internacional do Urso Polar: 30% da espécie pode desaparecer em 35 anos

Hoje, 27 de fevereiro, comemora-se o Dia Internacional do Urso Polar. A data foi criada para alertar a sociedade e os governos sobre o perigo da extinção da espécie. De acordo com a União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), 30% da população de ursos polares pode desaparecer em um período de 35 anos. A espécie integra a Lista Vermelha da IUCN, na qual está classificada como “em situação de vulnerabilidade”.

Foto: Pixabay

A instituição alerta que a mudança climática não só aumenta o risco de extinção de determinadas espécies, como os ursos polares, mas também contribui para o crescimento da possibilidade de conflitos entre a vida selvagem e seres humanos. Isso porque a mudança climática destrói o habitat dos animais, que, sem abrigo e alimento, buscam novos recursos para que possam sobreviver. Com isso, eles se aproximam dos locais onde vivem humanos.

O verão é o período mais importante para a alimentação do urso polar, que neste período se alimenta de grandes quantidades de gordura com o intuito de gerar uma reserva necessária para os meses mais frios do ano. No entanto, o derretimento de geleiras ocasionado pelo aquecimento global tem reduzido as áreas de caça desses animais, dificultando a alimentação. Caso o derretimento prossiga no ritmo atual, sem que seja freado, em 2040 poderá não haver mais gelo marinho no verão para os ursos.

Conflitos com humanos

Em 2006, a primeira “patrulha de proteção ao urso polar” foi enviada à Chukotka, na Rússia, para afastar ursos de locais onde vivem humanos, mas sem feri-los ou matá-los. A intenção era evitar conflitos entre os animais e os humanos. Atualmente, a WWF continua apoiando equipes que fazem trabalhos semelhantes no Alasca, no Canadá, na Groenlândia e na Rússia.

“A solução pode ser colocar em segurança os recursos de fácil acesso, como os resíduos orgânicos que atraem os ursos, e o desenvolvimento de técnicas de dissuasão em casos específicos de ursos que frequentam assiduamente os lugares habitados”, explicou Isabella Pratesi, diretora de Conservação da WWF Itália.

Na Groenlândia, a equipe tem tentado tornar as aldeias habitadas por humanos menos atraentes para os ursos. No aterro de Ittoqqortoormiit foram ativados sensores infravermelhos e térmicos que detectam a presença de diversas espécies, sendo capaz de distinguir cães de ursos, e encaminha mensagens de alerta para o celular de um dos membros da patrulha.

Atualmente, a população de ursos polares é estimada entre 22 mil e 31 mil animais, sendo que 60% deles vivem no Canadá.

Austrália vai plantar um bilhão de árvores para combater aquecimento global

Para cumprir as metas climáticas estabelecidas pelo Acordo de Paris e colaborar com o combate ao aquecimento global, a Austrália anunciou que irá plantar um bilhão de árvores. O projeto será executado até 2050.

(Foto: Pixabay)

A medida pode remover mais de 16 milhões de toneladas de gases do efeito estufa por ano e é vista como um exemplo para muitos outros países que não estão cumprindo o acordo.

De acordo com um estudo feito pela ETH Zurich, na Suíça, uma ampla campanha de plantio de árvores em todo o mundo poderia reduzir significativamente os índices de dióxido de carbono na atmosfera, podendo anular até uma década de emissões.

O pesquisador Thomas Crowther, da ETH Zurich, afirma que as árvores são “nossa arma mais poderosa na luta contra as mudanças climáticas”.

Crowther e seus colegas pesquisadores consideram que a Terra conseguiria suportar o plantio de 1,2 trilhão de árvores, em parques, bosques e terras abandonadas de todo o planeta. Essa meta, caso alcançada, superaria qualquer outro método de combate às mudanças climáticas.

“É uma coisa bonita porque todos podem se envolver”, disse Crowther ao The Independent. “As árvores literalmente tornam as pessoas mais felizes em ambientes urbanos, melhoram a qualidade do ar, a qualidade da água, a qualidade dos alimentos, o serviço ecossistêmico, é uma coisa tão fácil e possível”, finalizou.

Tigres de bengala podem ser completamente extintos em 50 anos

Foto: Pixabay

Segundo os cientistas, os Sundarbans – a última fortaleza costeira do tigre de Bengala e a maior floresta de mangue do mundo, abrangendo mais de 10.000 quilômetros quadrados – pode ser destruída pelas mudanças climáticas e pelo aumento do nível do mar nos próximos 50 anos.

“Menos de 4 mil tigres de bengala estão vivos hoje”, disse Bill Laurance, professor da Universidade James Cook, na Austrália.

“Esse é um número realmente baixo para o maior felino do mundo, que costumava ser muito mais abundante, mas hoje está principalmente confinado a pequenas áreas da Índia e Bangladesh”, disse Laurance.

“O mais aterrorizante é que nossas análises sugerem que os habitats dos tigres nos Sundarbans desaparecerão totalmente em 2070”, disse Sharif Mukul, professor assistente da Universidade Independente de Bangladesh.

Os pesquisadores usaram simulações de computador para avaliar a adequação futura da região de Sundarbans de baixa altitude para tigres e suas espécies de presas, usando estimativas gerais de tendências climáticas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima.

As análises incluíram fatores como eventos climáticos extremos e aumento do nível do mar.

“Além da mudança climática, os Sundarbans estão sob pressão crescente de empreendimentos industriais, novas estradas e maior caça ilegal”, disse Laurance.

“Os tigres estão sofrendo um duplo golpe – maior invasão humana, por um lado, e piora do clima e aumentos associados do nível do mar, por outro”, disse ele. As informações são do Economic Times.

Outro alerta

Recentemente, a organização britânica “Born Free” afirmou que a caça e a destruição de seu habitat causaram o desaparecimento de 96% da população de tigres nos últimos cem anos.

“Dentro deste ecossistema extraordinário, os tigres mais do que nunca precisam de nossa intervenção devido a inúmeras ameaças, principalmente conflitos entre humanos e animais selvagens,” disse Howard Jones, CEO da Born Free, com sede em Horsham, no condado de Sussex, Inglaterra.

“É impossível imaginar um mundo sem tigres. A menos que façamos algo agora, as consequências podem ser terríveis.”

“Precisamos urgentemente de apoio para a nossa iniciativa ‘Living with Tigers’, para que possamos encorajar a convivência pacífica entre humanos e animais através da educação e envolvendo a comunidade local em várias iniciativas únicas para melhorar seus meios de subsistência.”

A Born Free afirma que 85% de todos os conflitos entre tigres e humanos ocorrem quando as pessoas se aventuram na floresta e se intrometem no território da vida selvagem.

O desenvolvimento e a invasão de áreas urbanas no habitat dos tigres é um grande problema a ser enfrentado, pois as áreas florestais são essenciais para a sobrevivência da espécie. Existem vastos corredores que permitem aos animais migrar pelas áreas de seu habitat, e a perda destes provavelmente causaria um colapso desastroso e irreparável na população de tigres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A infertilidade de animais machos causada pelo calor pode resultar em extinção

Desde a década de 1980, cada vez mais ondas de calor frequentes e intensas contribuíram para mais mortes do que qualquer outro evento climático extremo.

Foto: Pixabay

Os registros de eventos extremos e mudanças climáticas são difundidas no mundo natural, onde as populações estão apresentando respostas de estresse. Um deles, em um mundo mais quente é uma mudança de escala, onde a distribuição de uma espécie se move para altitudes mais elevadas ou migra para os polos.

Uma revisão de centenas de estudos encontrou uma mudança média de 17 km para o polo norte e 11 metros para cima a cada década. No entanto, se as mudanças de temperatura são muito intensas ou levam as espécies a becos sem saída geográficos, as extinções locais ocorrem no calor.

Em 2003, 80% dos estudos relevantes encontraram consequências de um mundo mais quente entre numerosas espécies, de gramíneas a árvores e moluscos a mamíferos. As informações são do Independent.

Alguns migraram, alguns mudaram de cor, alguns alteraram seus corpos e alguns mudaram seus tempos de ciclo de vida. Uma revisão recente de mais de 100 estudos descobriu que de 8 a 50 por cento de todas as espécies serão ameaçadas pelas mudanças climáticas.

Atualmente, temos um conhecimento perturbadoramente limitado de quais características biológicas são sensíveis às mudanças climáticas e, portanto, responsáveis ​​pelas extinções locais.

No entanto, um potencial candidato é a reprodução masculina, porque uma série de estudos médicos e agrícolas em animais de sangue quente mostraram que a infertilidade masculina ocorre durante o estresse térmico.

Foto: Pixabay

Isso ocorre apesar do fato de que ectotherms – organismos que dependem de calor em seu ambiente para manter uma temperatura corporal adequada – compreendem a maior parte da biodiversidade. Surpreendentemente, quase 25% de todas as espécies ecotérmicas são consideradas besouros.

O besouro da farinha vermelha (Tribolium castaneum) é um ectotérmico que  pode ir de ovo a adulto em um mês a 30°C.

As fêmeas podem armazenar espermatozóides masculinos em órgãos especializados chamados espermateca e precisam apenas de 4% de uma única ejaculação para poderem produzir descendentes por até 150 dias.

Foi descoberto que as temperaturas da onda de calor 42°C cortaram pela metade o número de descendentes que os machos poderiam produzir em relação aos 30ºC, com alguns machos não produzindo nenhum espermatozóide maduro no armazenamento das fêmeas, sofrendo também danos causados ​​pelas ondas de calor.

No entanto, a produção reprodutiva de pares em que apenas as fêmeas resistiram a uma onda de calor de cinco dias foi semelhante em todas as temperaturas.

Quando expomos machos a duas ondas de calor, com 10 dias de diferença, a produção de descendentes era inferior a 1% da dos machos não aquecidos.

Isto sugere que ondas de calor sucessivas podem agravar o dano das anteriores. O dano à longevidade dos descendentes e à fertilidade masculina foi outro efeito que foi agravado por sucessivas gerações, e poderia levar a declínios populacionais em espiral.

Saber quais aspectos da biologia as temperaturas mais altas poderiam comprometer é essencial para entender como a mudança climática afeta a natureza. Espera-se que este novo conhecimento possa ajudar a prever quais espécies são mais vulneráveis, permitindo que os conservacionistas se preparem para o problema à frente.