Mais de 1,3 mil manifestações pelo clima estão programadas para esta sexta-feira (15) em todo o mundo. Na Alemanha, serão realizadas 150 delas. O Brasil será palco de 19 atos. Todos os protestos são realizados por estudantes de mais de cem países durante o horário de aula.

O movimento recebeu o nome de “Fridays For Future” (Sextas-feiras Para o Futuro, em tradução livre). O objetivo é combater as mudanças climáticas exigindo que os governos adotem práticas para salvar o clima do planeta. As informações são do portal DW.
De acordo com o porta-voz do movimento no estado alemão de Brandemburgo, Vincent Bartolain, “os preparativos estão avançados na Alemanha”. O jovem afirma que os estudantes estão “organizados em vários grupos locais, que planejam as manifestações, mas recebem material informativo da equipe nacional de organização”, ao se referir a flyers, adesivos e cartazes, produzidos com o mínimo de prejuízo ao meio ambiente, geralmente a partir de papel reciclado, nos quais são escritas palavras de ordem como “podemos aguentar faltas às aulas, mas não as mudanças climáticas!”, “ão, ão, ão, chega de carvão!”, ou ainda o slogan do movimento: “não há um planeta B!” e “marche agora ou nade depois!”.
Na Alemanha, uma campanha de doações foi feita para cobrir os custos de produção do material e de viagens. No entanto, segundo Bartolain, a maior parte das despesas é paga com os próprios recursos dos estudantes.
“Queremos fazer os políticos se mexerem”, responde Bartolain, que lembra que o desejo deles é de que algo realmente seja feito a favor da proteção climática na Alemanha, “para que não seja só da boca pra fora e empurrar com a barriga.”

Com 18 anos, Bartolain é membro do Partido Verde e candidato ao legislativo de Brandemburgo na eleição de setembro. Ele faz parte da mesma geração de jovens alemães que a ativista sueca pelo clima Greta Thunberg, de 16 anos. São conhecidos por serem mais engajados na luta política do que a geração anterior.
Greta se manifesta, há meses, todas às sextas-feiras a favor do clima perante o prédio do parlamento sueco. Portadora da síndrome de Asperger, ela foi incluída pela revista Time na lista dos 25 adolescentes mais influentes de 2018. E ela tem feito milhares de adolescentes em todo o mundo se inspirarem nela e seguir seu exemplo. Apenas na Alemanha já são 155 grupos locais, segundo o próprio movimento, que está presentes em todas as redes sociais, por meio das quais artigos, notícias, eventos e manifestações são divulgados.
O Fridays For Future recebeu o apoio de 12 mil cientistas, por meio de uma carta assinada por eles, e também tem sido apoiado por organizações e associações. Para os cientistas, os estudantes têm motivações legítimas e bem fundamentadas, pois as medidas adotadas até o momento por governos do mundo todo para proteger o clima, a biodiversidade, as florestas, os oceanos, os mares e o solo são insuficientes e a hora de agir é agora.
Um dos cientistas, Volker Quaschning, da Escola Superior de Técnica e Economia de Berlim, afirmou que os políticos europeus que disseram que os jovens deveriam retornar às aulas não sabem do que falam. “E é por isso que nós estamos aqui. Nós somos os profissionais e podemos dizer: a nova geração está com a razão. E faltar aula também é um gesto de coragem”, disse Quaschning, que, assim como os demais cientistas, defende que as exigências dos alunos sejam atendidas.

No meio político, os estudantes têm recebido muitas críticas. A ministra da Educação, Anja Karliczek, e o ministro da Economia, Peter Altmaier, afirmaram que os protestos deveriam ser feitos fora do horário de aula. O presidente nacional do Partido Liberal (FDP), Christian Lindner, disse que os jovens não podem entender as implicações globais e as viabilidades técnicas e econômicas do combate ao aquecimento global. O partido populista de direita AfD chegou a falar em “abuso político de crianças”. A ministra do Meio Ambiente, Svenja Schulze, por sua vez, elogiou o engajamento dos alunos.
As críticas, porém, não vieram apenas dos políticos. Nas redes sociais, xingamentos estão sendo proferidos contra o movimento, que afirmou que irá acionar a Justiça contra quem fizer ameaças ao Fridays For Future e aos seus participantes.
Bartolain lembra que os jovens não irão desistir. “Estamos só no começo”, concluiu. Segundo ele, mais pessoas estão se unindo ao movimento e novos grupos locais estão se formando na Alemanha.