Caçadores celebram e se parabenizam mutuamente após matar leão

Imagens recentemente divulgadas nas redes sociais mostram um grupo de caçadores se cumprimentando com “tapinhas nas costas” e elogiando um ao outro depois de caçar e matar um leão em conjunto.

O leão foi morto quase que imediatamente quando foi baleado à queima-roupa enquanto avançava em direção ao grupo de caçadores. O vídeo foi compartilhado pela namorada do primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e também ativista anti-caça Carrie Symonds.

Ela disse: “Desculpe por compartilhar um vídeo tão angustiante no #WorldLionDay (Dia do leão). Não há qualquer justificativa ou desculpa para tal crueldade. Acredita-se que existam apenas 20 mil leões deixados em liberdade. Nós precisamos agir”.

“Você pode imaginar os caçadores do vídeo lutando contra esses animais majestosos sem precisar se esconder atrás de uma rocha e sem precisar usar uma arma enorme?”

“Claro que não. É por isso que não é apenas cruel além de tudo que se possa imaginar, mas “tão covarde que assusta”.

As pessoas responderam ao vídeo, criticando o assassinato sem sentido do leão, que é classificado como uma espécie “vulnerável”.

Um usuário disse: “Qual é o sentido de matar um leão? Eu nunca entendi como se pode ter prazer em prejudicar ou matar animais apenas por diversão. Essas pessoas estão doentes”.

Outro disse que os caçadores representam uma “mancha em nossa sociedade” antes de os identificar como “psicopatas selvagens e bárbaros que matam belos animais por diversão”.

Foto: Twitter/James Melville

Foto: Twitter/James Melville

“Não há desculpa para a crueldade da caça ao troféu”.

“Mas como eu sempre digo, agora coloque-os desarmados e nus na savana e veja o que acontece. O justo é o justo, afinal”.

De acordo com o Daily Mirror, a agência ProStalk de Derek Stocker oferece aos ricos britânicos a chance de matar uma variedade de diferentes espécies africanas, incluindo babuínos, girafas, elefantes e macacos.

As pessoas podem caçar troféus na África do Sul, Namíbia e Zimbábue, com preços os variando de £ 47 (cerca de 225 reais) para macacos a £ 6,422 (em torno de 30 mil reais) para um hipopótamo.

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Governo permite que caçadores brasileiros comprem até 15 armas

Por David Arioch

Caçadores “devidamente registrados” também têm direito ao porte de trânsito (Foto: Getty Images)

Desde que o Decreto nº 9.785 foi publicado este mês no Diário Oficial da União, mudando as regras sobre armas, caçadores brasileiros passaram a ter o direito de comprar até 15 armas.

Segundo o decreto, caçadores registrados no Exército podem adquirir munições em quantidade superior ao limite permitido pelo Exército – desde que a solicitação seja feita por meio de requerimento.

Caçadores “devidamente registrados” também têm direito ao porte de trânsito. Ou seja, de transitar com armas de fogo do local onde as armas estão resguardadas até o ambiente onde as armas serão utilizadas.

O decreto, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelos ministros Sérgio Moro e Onyx Lorenzoni, define como caçador pessoa vinculada à entidade de caça que realiza “abate de animais conforme normas do Ibama”.

Decreto de Bolsonaro retira exigência de caçador comprovar necessidade para obter porte de arma

O decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) nesta terça-feira (7) retirou a exigência, prevista no Estatuto do Desarmamento para obter o direito ao porte de armas, de comprovar “efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física” para determinadas categorias, dentre elas, o colecionador ou o caçador com Certificado de Registro de Arma de Fogo expedido pelo Comando do Exército.

Foto: Marcos Corrêa/PR

O direito ao porte é uma autorização para transportar a arma fora de casa. O decreto facilita o acesso ao porte para as seguintes categorias:

  • Instrutor de tiro ou armeiro credenciado pela Polícia Federal
  • Colecionador ou caçador com Certificado de Registro de Arma de Fogo expedido pelo Comando do Exército
  • Agente público, “inclusive inativo”, da área de segurança pública, da Agência Brasileira de Inteligência, da administração penitenciária, do sistema socioeducativo, desde que lotado nas unidades de internação, que exerça atividade com poder de polícia administrativa ou de correição em caráter permanente, ou que pertença aos órgãos policiais das assembleias legislativas dos Estados e da Câmara Legislativa do Distrito Federal
  • Detentor de mandato eletivo nos Poderes Executivo e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando no exercício do mandato
  • Advogado
  • Oficial de justiça
  • Dono de estabelecimento que comercialize armas de fogo ou de escolas de tiro ou dirigente de clubes de tiro
  • Residente em área rural
  • Profissional da imprensa que atue na cobertura policial
  • Conselheiro tutelar
  • Agente de trânsito
  • Motoristas de empresas e transportadores autônomos de cargas
  • Funcionários de empresas de segurança privada e de transporte de valores

Segundo o Estatuto do Desarmamento, para ter direito ao porte é preciso ter 25 anos, comprovar capacidade técnica e psicológica para uso de arma de fogo, não ter antecedentes criminais, nem estar respondendo a inquérito ou processo criminal, e ter residência certa e ocupação lícita. A comprovação de necessidade do porte também consta no Estatuto, mas foi alterada pelo decreto presidencial, que estabeleceu que essa comprovação será entendida como cumprida para determinadas categorias. As informações são do G1.

O texto do decreto também muda as regras sobre a importação de armas e o número de cartuchos que podem ser comprados.

Para Bruno Langeani, do Instituto Sou da Paz, o decreto contorna a limitação imposta pela lei do Estatuto do Desarmamento. “O presidente está legislando por decreto. Há projetos de lei em tramitação no Congresso para dar porte de armas para agente socioeducativo, oficial de Justiça… Se esses projetos estão lá e não foram aprovados, como pode o presidente, por decreto, passando por cima do Congresso, conceder porte de armas para essas categorias?”, questiona Langeani.

Conrado Gontijo, doutor em direito penal pela USP e professor de pós-graduação da Escola de Direito do Brasil (EDB), reitera o posicionamento de Langeani sobre o decreto contrariar a legislação.

“O pretendente ao porte deve demonstrar a necessidade que ele tem, na sua realidade de vida, de ter o porte da arma. O Estatuto do Desarmamento considera que deve haver um exame individualizado. Nesse ponto, eu acho que pode ver um questionamento sobre a legalidade do decreto. O decreto não pode contrariar aquilo que a lei diz”, afirma.

Ativistas pelos direitos animais e ambientalistas também criticam o decreto, devido ao risco que a facilitação ao acesso a armas por parte de caçadores representa para os animais silvestres. Nesta semana, artistas criaram uma campanha contra a medida. O foco da campanha é a defesa da vida selvagem.

Confira a íntegra do decreto clicando aqui.

Bolsonaro assina decreto que flexibiliza regras sobre uso de armas por caçadores

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou, na tarde desta terça-feira (7), um decreto que flexibiliza as regras para registro, posse, porte e comercialização de armas de fogo e munições para colecionadores, atiradores e caçadores, categorias conhecidas como CACs.

Foto: EVARISTO SA / AFP

O decreto coloca fim à restrição da importação de armas. Com a nova regra, os CACs poderão importar uma arma mesmo quando houver outra similar à venda no Brasil. Passa a ser autorizado também o transporte de armas carregadas com munições. Até o momento, só era permitido carregar o armamento no clube de tiro ou no local em que ele seria utilizado. As informações são do portal UOL.

A nova medida libera a compra de até 5 mil munições por ano por arma de uso permitido e mil para cada arma de uso restrito, ao invés de 50 cartuchos anuais. Moradores de áreas rurais agora terão a posse de arma de fogo, já existente na residência fixa, ampliada para todo o perímetro da propriedade.

O presidente também estabeleceu a regra que torna a declaração de efetiva necessidade para o uso da arma de fogo um documento presumidamente verdadeiro e apto para concessão da posse.

O porte de arma também passa a ser vinculado à pessoa e não mais à arma. A mudança, segundo o governo, faz com que o cidadão não precise mais tirar um porte para cada arma que possui, bastando apresentar o porte e o Certificado de Registro de Arma de Fogo válido – que terá validade de 10 anos, assim como quaisquer documentos relativos à posse ou ao porte de arma.

O processo de transferência de propriedade de uma arma de fogo também foi simplificado. De acordo com a Casa Civil, a transferência será autorizada quando o comprador preencher todos os requisitos para portar ou possuir uma arma, sem outras exigências.

Estabelecimentos credenciados pelo Comando do Exército passam a ter autorização para vender armas, munições e acessórios. O decreto também coloca fim à limitação da quantidade e da qualidade do que instituições de segurança pública podem comprar e passa a garantir o porte de arma a praças das Forças Armadas com pelos menos 10 anos de serviço, assim como garante também as condições do porte a militares inativos.

A nova medida estabelece ainda a presunção de que as categorias citadas no artigo 6º da Lei 10.826 preenchem o requisito da defesa pessoal para requerer o porte pessoal e simplifica processos como a comunicação de forças de segurança pública ao Comando do Exército sobre a quantidade e a qualidade das armas, munições e acessórios a serem comprados, o recebimento e utilização de munições apreendidas e a autorização tácita de pedidos não apreciados por órgãos públicos após o vencimento do prazo nos termos da MP da Liberdade Econômica (881).

Nota da Redação: por facilitar o acesso a armas, o decreto é um retrocesso do ponto de vista social, ambiental e ético. No que se refere aos animais, ao permitir que caçadores consigam comprar armas mais facilmente, o presidente colabora para o aumento da prática da caça, que não só causa sofrimento aos animais e tira suas vidas, como também aumenta a ameaça de extinção das espécies. 

Decreto de Bolsonaro acabará com restrição à importação de armas para caçadores

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) deve assinar hoje, terça-feira (7), um decreto que acabará com a restrição à importação de armas por parte de colecionadores, atirados e caçadores, conhecidos como CACs.

(Foto: Pixabay)

Atualmente, a lei impede que os CACs importem uma arma quando existe no mercado brasileiro uma similar. O decreto permitirá que as armas sejam compradas no exterior até mesmo nesses casos, segundo informações do O Globo.

A empresa brasileira Taurus, fabricante de armas, era a maior beneficiada da restrição. No entanto, a pressão feita por aliados do Bolsonaro, críticos da regra que restringia a importação de armas, fez com que o presidente decidisse publicar o decreto.

No último domingo (5), Bolsonaro afirmou que iria acabar com o “monopólio”, mas não disse exatamente o que faria.

O decreto deve facilitar ainda a emissão de guia de transporte para os colecionadores, atiradores e caçadores. Atualmente, é permitido apenas que uma arma carregada seja transportada do local de guarda até o clube de tiro onde será realizado um treino ou uma competição.

A assinatura do decreto está prevista para às 16h, em evento solene no Palácio do Planalto.

Repúdio à medida

O decreto de Bolsonaro foi alvo de muitas críticas. Em entrevista à revista Fórum, Welliton Caixeta Maciel, professor de Antropologia do Direito e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que o maior número de armas nas mãos da população não necessariamente refletirá numa segurança pública mais efetiva e pode implicar em mais violência.

“Pesquisas apontam que quanto mais armas, maior a possibilidade das pessoas cometerem crimes interpessoais, feminicídios, entre outros”, disse.

Ativistas pelos direitos animais também repudiaram a medida. Na segunda-feira (6), artistas lançaram uma campanha por meio da qual se posicionaram contra o decreto. O objetivo é lutar pela proteção das espécies de animais silvestres que ficarão ameaçadas a partir da assinatura do documento.

Encontro anual de caçadores selvagens revela os horrores da prática

Alguns países insistem em ignorar toda a destruição e crueldade que a caça causa aos animais e ao planeta.  A indiferença e a frieza do homem em relação a tudo isso lamentável.

Infelizmente, no último final de semana, o Safari Club International realizou novamente sua convenção anual de matança implacável de animais indefesos, incluindo espécies ameaçadas com armas, arcos e flechas para o chamado “esporte”.

O desprezível encontro acontece em Reno, Nevada, nos Estados Unidos.

Segundo a World Animal News, a convenção com imagens assustadoras, lembrou o encontro do ano passado, em Las Vegas que incluiu: exibições intermináveis ​​de animais mortos ameaçados, deploravelmente considerados “troféus” por alguns; uma grande variedade de armas e munições facilmente acessíveis; casacos de pele com os rostos e pés de animais ainda presos; e empresas que equipam “caçadores” com “oportunidades” patéticas para matar espécies ameaçadas e em extinção por quantias obscenas de dinheiro. Homens, mulheres e, crianças participaram de todo o horror.

“Depois de entrar na Convenção Internacional do Safari Club em Las Vegas no ano passado, a sensação de choque e ansiedade foi esmagadora”.

“A glorificação de matar algumas das espécies mais belas do mundo estava em exibição de uma maneira tão chocante e cruel que precisamos fazer algo para acabar com essa farsa de uma vez por todas ”, disse a presidente e fundadora da Peace 4 Animals and WAN , Katie Cleary.

“Quando olhamos em volta para a enorme multidão de 20.000 participantes, não poderíamos deixar de nos perguntar se estávamos em um planeta diferente e qual era o método para essa loucura”.

Foto: World Animal News

“Algumas das espécies mais ameaçadas do planeta estavam em exibição, juntamente com outras que são listadas como espécies vulneráveis ​​e no Apêndice I da CITES, tais como: leopardos da neve, elefantes, rinocerontes e outros como leopardos africanos, ursos polares, lobos, leões africanos. Muitas outras espécies impressionantes que foram mortas sem sentido, também foram recheadas e expostas, outras eram réplicas realistas”, acrescentou Cleary.

“Existem aqueles que alegam, falsamente, que a caça é para “conservação”, o que claramente não é a razão pela qual muitos sub-humanos na Convenção Internacional do Safari Club caçam. É, infelizmente, para pessoas doentes “emoção” e “esporte”, que deve terminar”.

Carrie LeBlanc, diretora executiva da CompassionWorks International, escreveu na página da organização falando sobre o Rally Mundial contra o Troféu de Caça 2019  – IRA:

Foto: World Animal News

“Os caçadores de troféus dizem que se importam com a conservação. Pergunte a qualquer um deles se eles vão gastar os US $ 50 mil de uma expedição de extermínio, renunciar à caça e doar o dinheiro diretamente para os esforços legítimos de conservação. Quando eles negarem, você terá uma compreensão completa do quanto os caçadores de troféus realmente se importam com a conservação”.

A luta ativista

Muitas cidades e países ao redor do mundo estão se posicionando contra a caça de troféus internacionais e nacionais, juntando-se aos comícios:  Buffalo, Nova York, em 20 de janeiro; Houston, Texas, de 25 a 27 de janeiro; Bloemfontein, África do Sul, em 26 de janeiro; Portland, Oregon , em 23 de fevereiro; e Toronto, no Canadá, em março.

Em 2015, a morte do leão Cecil, de 13 anos, causou indignação mundial e defensores dos animais prometeram nunca esquecer e nunca parar de lutar por justiça para todos os animais que tiveram suas preciosas vidas interrompidas por indivíduos ricos e egoístas que consideram matar animais “divertidos”.

Cecil teve praticamente toda a sua vida monitorada por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que estudavam a conservação de leões no Zimbábue.