
Foto: South China Morning Post
O empresário de Hong Kong David Yeung está incentivando as pessoas a comer menos carne para ajudar a salvar o planeta. O problema é que muitas pessoas adoram carne, especialmente carne de porco.
Yeung acredita que há algo que possa convencê-los – um substituto de carne que, segundo ele, pareça, cheire e tenha o mesmo gosto da “coisa real”.
Os chefs começaram a usar o produto desenvolvido pelo empresário, o Omnipork, para preparar bolinhos de carne para sopa em Xangai, uma carne de porco alternativa com sabor agridoce, assim como macarrão, gyozas e almôndegas.
“De veganos a comedores de carne, profissionais a chefs caseiros, todos ficaram impressionados com a versatilidade, aplicabilidade e a facilidade de uso da Omnipork em todos os tipos de cozinha.
“Eles ressaltam o fato de que o produto lhes permite fazer alguns dos pratos caseiros mais comuns da Ásia”, diz Yeung, um dos investidores do empreendimento que levantou 2,5 milhões de dólares para desenvolver um substituto de carne de porco em 2016.
A carne de porco responde por quase 40% do consumo global de carne, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A China é atualmente o maior mercado de carne de porco do mundo, representando cerca de metade da demanda global, de acordo com um relatório de 2017 do DBS Bank.
A FAO projeta que países asiáticos como China, Filipinas, Tailândia e Vietnã continuarão a aumentar o consumo de carne de porco per capita.
O vegetarianismo já se estabeleceu há muito tempo na Ásia, e a “culinária do templo” apresenta carne vegana feita de glúten de trigo e preparada especialmente para se parecer com peixe, camarão e carne. Para muitos não-veganos ou não-vegetarianos que apreciam a carne de origem animal, no entanto, carne vegana é apenas carne falsa. Muitos nem tocam no prato.
Defensor do meio ambiente, Yeung, 42, co-fundador e CEO da empresa Green Monday (Segunda-feira Verde, na tradução livre), diz que seu produto substituto da carne de porco é feito com cogumelos shiitake, proteína de soja, proteína de ervilha e arroz, para obter uma textura e um sabor mais robustos.
Ele faz parte de uma nova onda de empreendedores e investidores da Ásia que estão em uma corrida de tecnologia X preço, para criar substitutos de carne capazes de convencer os consumidores a mudar para alternativas desenvolvidas com base em plantas.
Nos últimos seis anos, eles lançaram substitutos de carne, frango, porco e frutos do mar que podem ser transformados em tudo, de hambúrgueres a filé de peixe e arroz de frango Hainanese.
Seus esforços levam em conta as preocupações com segurança alimentar, meio ambiente, surtos de doenças em animais, como a gripe aviária e a peste suína africana, e questões sobre como alimentar a crescente população mundial.
Um relatório recente, publicado na revista médica The Lancet, diz que a adoção de uma alimentação com mais alimentos à base de vegetais e menos alimentos de origem animal “melhora a saúde e evitará danos potencialmente catastróficos ao planeta”.
Michelle Teodoro, analista de ciência alimentar e nutrição da empresa de pesquisa de mercado, Mintel, com sede em Londres, afirma que a tendência da carne à base de vegetais está acontecendo em um momento em que as pessoas também estão preocupadas com o impacto ambiental de criar e comer animais e com os maus-tratos aos animais criados na agricultura industrial.
“O mercado asiático, com sua imensa população e aumento crescente da classe média e por consequência do consumo de carne, tem investidores lambendo os lábios por antecipação ”, diz ela.
Para empresas que trabalham com os novos produtos de carne vegana, há muito dinheiro a ser feito.
O mercado global de substitutos de carne foi avaliado em 4,1 bilhões de dólares em 2017 e deve dobrar de valor para 7,5 bilhões até 2025, com a região da Ásia-Pacífico projetada para crescer à taxa mais alta em termos de valor (9,4%) de 2018 a 2025, de acordo com a Allied Market Research.
*Uma mãe vegetariana em Hong Kong*
A arquiteta paisagista Euphenia Wong iniciou sua página no Facebook “Hong Kong Vegetarian Mom” (Uma Mãe Vegetariana em Hong Kong, na tradução livre) com receitas vegetarianas e veganas e resenhas de restaurantes em 2013.
“Está moda se tornar vegetariano ou vegano”, diz ela. “As pessoas começaram a ter mais opções – elas se sentem extravagantes e modernas. Os restaurantes são tão bons também. É uma opção descolada”.
Wong era uma ávida consumidora de carne antes de dar à luz seu filho há seis anos. Ela conta que começou a comparar seu filho a filhotes de animais e que não suportava machucá-los, ela então parou de comer carne e mudou para uma dieta quase vegetariana.
“Tornei-me flexitariana não por religião, mas por saúde e compaixão pelos animais. Penso que tenho que protegê-los como protejo meu filho ”, diz ela.
Em sua opinião, os taiwaneses aperfeiçoaram a arte de produzir substitutos de carne a partir do tofu e do glúten de trigo, mas os americanos tiveram uma vantagem inicial na produção de substitutos de carne, pois eles são mais parecidos com carne real em sabor e aparência.
Impressionados pela atenção e aceitação que a proteína alternativa e a alimentação baseada em plantas têm recebido na Ásia, especialmente em Hong Kong e na China como um todo, especialistas e investidores atentos, enxergam a mudança o comportamento do consumidor como um fator consolidado e irreversível. O planeta e os animais agradecem.