Ibama rejeita análise e libera leilão de petróleo próximo a Abrolhos (BA)

Marina C. Vinhal

O presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, rejeitou as análises técnicas feitas pela equipe do próprio órgão e autorizou o leilão de sete blocos de petróleo em regiões de alta sensibilidade, incluindo áreas do pré-sal, que foram incluídas na 16.ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Os técnicos do Ibama concluíram que quatro blocos localizados na bacia Camamu-Almada, na Bahia, ficam entre os municípios de Salvador e de Ilhéus. Segundo a revista Exame, em caso de derramamento de óleo, o material pode atingir “todo o litoral sul da Bahia e a costa do Espírito Santo, incluindo o complexo de Abrolhos”.

A região que pode ser atingida tem 32 mil km² de água rasa, com recifes de coral e manguezais. Um vazamento comprometeria a fauna e flora local, incluindo o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, onde vivem espécies endêmicas. Dentre os animais que sofreriam com uma possível crime ambiental, estão aves, tartarugas e baleias.

Sobre outros três blocos localizados nas bacias de Jacuípe e Sergipe-Alagoas, os técnicos afirmaram que os estudos ainda não foram concluídos e orientaram que se aguardasse um detalhamento para levar as áreas a leilão. O presidente do Ibama, porém, concluiu que a ausência de estudos “não se configura como fundamento técnico para a negativa de se levar blocos a leilão” e disse que há normas que dispensam a conclusão da análise dos técnicos. “Meu despacho é expresso no acatamento das indicações técnicas da equipe quando do licenciamento”, afirmou.

O leilão irá ofertar 36 blocos nas bacias marítimas de Pernambuco-Paraíba, Jacuípe, Camamu-Almada, Campos e Santos, com um total de 29,3 mil km² de área.

À reportagem da revista Exame, Bim negou ter ignorado as recomendações dos técnicos sobre o risco de vazamento de óleo em uma das regiões com maior biodiversidade do Oceano Atlântico e afirmou que a regra do leilão, previsto para outubro, é igual a de outras áreas licitadas. A revista, no entanto, teve acesso a dois documentos, um deles é a análise técnica e o outro é o parecer do presidente, no qual ele rejeita a orientação dos técnicos.

A decisão do presidente do Ibama de não atender ao recomendado pelo parecer técnico aconteceu após o órgão ser questionado pelo Ministério do Meio Ambiente, que o pressionou para que a autorização para o leilão ocorresse, conforme descobriu a reportagem da Exame. Bim, no entanto, nega ter recebido qualquer orientação para manter a oferta dos blocos de petróleo.

Apesar dos técnicos do Ibama não terem poder de excluir áreas em leilões, a análise documental produzida por eles é importante porque sinaliza a complexidade da situação. Por essa razão, normalmente o órgão tende a seguir as orientações dos técnicos – o que, porém, não aconteceu desta vez.

A análise ambiental feita antes das rodadas de licitações da ANP é realizada desde 2004, seguindo resolução do Conselho Nacional de Pesquisa Energética, formado por membros do governo.

Ufba investiga aparecimento de gatos mortos nos campi de Salvador (BA)

Foto: Pixabay

Sete gatos foram encontrados mortos nos campi da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador (BA). Cadáveres de três animais foram submetidos a um exame de necropsia. Segundo os resultados, dois gatos supostamente morreram devido à intoxicação de uma substância que foi misturada à ração e no terceiro animal foram encontrados indícios de politraumatismo, que pode ter sido causado por ataques de cães ou outros animais.

A Ufba, em nota, informou que foi aberto um processo administrativo para apurar as mortes. A instituição não confirmou a quantidade de gatos encontrados sem vida, mas disse que os corpos foram encontrados em diversos postos dos campi e que a universidade tomará as medidas cabíveis após a conclusão da investigação, que está sob a responsabilidade da Coordenação de Meio Ambiente (CMA) da Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura da instituição, segundo informações do G1.

Outro caso

Em março deste ano, um cachina de gatos também foi registrada no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Protetores dos grupos Projeto Luta e União de Amigos para Animais em Risco (Lunaar) denunciaram a morte de pelo menos seis gatos, inclusive uma gata grávida, no campus da instituição. Os animais apresentavam sintomas de envenenamento. Alguns dias após os primeiros gatos terem sido encontrados mortos, dois filhotes de capivara também foram encontrados sem vida no mesmo local.

Divulgação

A UFMT afirmou em nota que abrirá um processo investigativo para apurar a morte dos animais. Veja abaixo na íntegra:

“A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) repudia quaisquer atos de maus tratos aos animais, que se configuram crimes, com pena de detenção e multa previstas em lei, e devem ser denunciados às autoridades competentes. As denúncias recebidas pela UFMT são transformadas em processo e, a partir do empenho de suas unidades administrativas, apuradas.

A Universidade também discute a temática, visando a promover conscientização e reduzir as ocorrências de violência, de qualquer espécie, contra animais. Como foi o caso da realização da palestra “Manejo de animais abandonados em campi universitários: o que fazer?”, ministrada por especialista convidado pela UFMT, que teve por objetivo ampliar a discussão e envolver a sociedade em geral nessa luta que é de todos. O referido evento foi resultado de grande mobilização da comunidade universitária, incluindo a Administração, o Hospital Veterinário (Hovet) da Faculdade de Medicina Veterinária, entidades e militantes de defesa dos animais.

A UFMT segue aberta ao diálogo com todos os setores – poder público, comunidade acadêmica e entidades não-governamentais – para buscar soluções para o abandono de animais no Campus de Cuiabá, uma vez que, além de um problema de responsabilidade social, é de saúde pública. Além disso, a Instituição pede a colaboração de todos para denunciar os maus-tratos.”

Tartaruga é achada morta em praia de Ilhéus (BA)

Tartaruga foi encontrada morta em praia de Ilhéus — Foto: Juliana Viana/Arquivo Pessoal

Uma tartaruga foi encontrada morta perto de uma cabana na praia dos Milionários, no município de Ilhéus, sul da Bahia. Segundo o Projeto A-Mar, ONG que trabalha na conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos na região, foi o quinto animal da espécie achado morto na região, em 2019.

Conforme a ONG, mais de 150 tartarugas foram encontradas mortas na região em 2018. A causa da morte da maioria foi a ingestão de plásticos.

De acordo com o Projeto A-Mar, a tartaruga era da espécie verde e tinha 62 centímetros de casco, e foi achada por moradores da região. Ela estava bastante magra e desidratada. Representantes da ONG acreditam que a morte da tartaruga achada nesta quarta também tenha sido provocada por ingestão de plástico.

O Projeto A-Mar informou que um voluntário esteve no local para enterrar a tartaruga.

Fonte: G1