Pássaro morre estrangulado por corda de balão

Foto: News4/Reprodução

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A praia de Sandbridge Beach no estado de Virginia (EUA) é onde Liz Romero Kibiloski caminha duas milhas todos os dias ao nascer do sol.

“Este é o meu presente, esta é a minha maneira de retribuir”, afirmou.

Seus passeios não são apenas de caminhadas relaxantes e imersão no ar salgado do oceano; cada passo serve a um propósito mais profundo.

“Eu costumo pegar alguns sacos de lixo pelo caminho, os turistas deixam muito para trás”, disse ela.

Plástico é geralmente o que Romero-Kibiloski procura no chão e coleta todos os dias.

“Eu acho plástico, tecido, tudo – até pequenos pedaços de micro plásticos que as aves podem comer”, explicou ela.

Mas no dia seguinte ao Dia das Mães e também um fim de semana cheio de formaturas, ela encontrou muito mais do que apenas plástico.

“A primeira coisa que vi foram três balões enormes”, disse ela. “Então logo depois eu encontrei um ganso-patola do norte (Morus bassanus). Ele tinha uma fita de balão enrolada em seu pescoço e estava morto”.

Essa ave marinha é a maior entre as espécies da família de gansos e é nativa da costa do Oceano Atlântico. Elas se reproduzem na Europa ocidental e na América do Norte. A espécie é listada na Red List da IUCN em um status antes do vulnerável: least concern (menor preocupação).

Um membro da vida selvagem que morreu estrangulado pelos restos esfarrapados de um balão que alguém na intenção de celebrar uma data especial soltou como forma de recordação.

“Fiquei triste ao pensar que alguém soltou o balão imaginando que de alguma forma ele estava indo para o céu, como homenagem ao dia das mães, mas sem sonhar que algo tão belo poderia prejudicar e matar a vida selvagem”, afirmou Lisa.

“É realmente fácil para animais selvagens e animais domésticos confundir balões com comida, é algo que pode ficar preso em suas gargantas”, disse Mike Lawson, da Virginia Beach SPCA.

Ambientalistas afirmam que os balões podem levar anos para se decompor, viajando centenas ou milhares de quilômetros, depois voltando para a terra e causando estragos na vida selvagem.

“Todos somos presenteados com este belo planeta. Não há outro planeta e nem um plano b, e há outras maneiras de lembrar uma data especial, torna-la inesquecível ou homenagear alguém. Experimente criar um cata-vento, plantar um jardim ou dedicar um banco a esta pessoa ou data”, disse Romero.

Lisa encontrou 11 balões na segunda-feira de manhã e espera que eles sejam os últimos que ela venha a encontrar.

As aves, junto com outras espécies, muitas delas marinhas, já são altamente ameaçadas pelos resíduos e lixo plástico que termina no oceano todos os anos. Iludidas pelas cores fortes, elas acabam comendo esses resíduos ou usando para fazer ninhos e alimentar seus filhotes.

Muitas morrem de fome, por não conseguirem se alimentar uma vez que o plástico preenche totalmente seu estômago e não é digerível. Outras morrem envenenadas ou intoxicadas.

Não são raros os casos de baleias, tartarugas e golfinhos que chegam mortos às praias por conta de material plástico em seu estômago.

Não bastasse isso ainda há a ameaça dos balões soltos aos milhares em comemorações e festas que representam uma fonte de perigo constante aos pássaros e fazem novas vítimas cotidianamente.

Golfinho é sacrificado após engolir balão e sacos plásticos

Autoridades de conservação da natureza tiveram de induzir morte de golfinho fêmea por seu sofrimento.

Foto: Source Images

A necrópsia de um golfinho fêmea encontrada encalhada na costa da praia de Fort Myers, na Flórida, revela um punhado de sacos plásticos e um pedaço de balão que estavam em seu estômago.

Ao ser encontrado na terça-feira passada (23), os trabalhadores de resgate tentaram salvar a vida do animal, mas ela estava tão magra e em péssimas condições de vida que as autoridades permitiram que sua morte fosse induzida, considerando ser a melhor ação a ser tomada.

Na sexta (26), a Fish and Wildlife Conservation Commission (FWC) publicou fotos sobre os itens encontrados no estômago do animal. Ainda que autoridades apontam para as descobertas como “significativas”, eles dizem que a causa da doença e do encalhe do golfinho ainda são incertas.

“Há mais fatores para se considerar, como doença subjacente, enfermidades, separação maternal, antes que a causa possa ser determinada”, o instituto escreveu, complementando que os dejetos encontrados estão sendo analisados.

Ainda assim, a postagem do FWC diz que a presença do plástico em mais um caso de encalhe “destaca para a necessidade de reduzirmos o uso único de plástico, e para não jogarmos balões no meio ambiente”.

Relatos de mamíferos marinhos encontrados presos com plástico em seus estômagos estão se tornando assustadoramente comuns.

Em março, uma filhote de baleia grávida morreu morta na costa da Itália com 22,2 Kg de plástico no estômago, incluindo sacos de lixo, redes e linhas de pesca e um saco de fluído de máquina de lavar roupa.

No mesmo mês, uma baleia encalhada encontrada morta na costa das Filipinas tinha 40 Kg de plástico em seu estômago, incluindo muitos sacos plásticos. E em novembro do ano passado, uma baleia morta que apareceu em um parque nacional na Indonésia tinha 13 Kg de lixo plástico no estômago, incluindo chinelos, dezenas de sacas e mais de 100 copos.

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