Estudante faz bolsas sustentáveis com sacos de ração e doa renda para a causa animal

O estudante de serviço social Wallace “Pala-Pala”, de 35 anos, reutiliza embalagens de ração para fabricar bolsas sustentáveis. O dinheiro arrecadado com a venda dos produtos é revertido em compras de remédios e alimentação para animais que vivem em situação de rua nas regiões de Bangu e Padre Miguel, no Rio de Janeiro.

Foto: Instagram / @wpalapala

Wallace integra um grupo que distribui sopa para pessoas em situação de rua e ração para animais abandonados. Manter o projeto, no entanto, começou a ficar difícil. Por isso, ele decidiu criar o “Sustentacão”, como é chamado o projeto de confecção de bolsas sustentáveis.

“Vendo os moradores de rua, percebi como seria importante levar alimento para os anjinhos de quatro patas que também estão em situação de rua”, explicou ao portal Razões Para Acreditar.

O projeto foi iniciado recentemente. Como já tinha conhecimento sobre costura, Wallace decidiu começar a fabricar as bolsas inicialmente para que a noiva dele as usasse no lugar das sacolas plásticas na hora de ir ao mercado, poupando o meio ambiente, já que as sacolas não costumam ter a destinação correta e acabam chegando à natureza, colocando a vida de animais silvestres em risco.

“Faço as bolsas na máquina industrial com os sacos de ração vazios e viés. As pessoas reagiram de maneira positiva e quem sabe essa ideia se espalhe e outras ONGs e projetos possam se sustentar assim também, ajudando os animais e o meio ambiente”, afirmou.

Wallace aceita doação de sacos de ração, linhas e até mesmo de mão de obra. “Toda ajuda é muito bem-vinda. Quem quiser doar saco de ração vazio é só falar que vamos buscar. Vai ajudar muito!”, disse.

As bolsas custam, em média, R$ 15 e podem ser compradas através do Instagram @wpalapala.


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Morre cachorro baleado durante operação policial no Rio de Janeiro

O cachorro que foi baleado durante uma operação da Polícia Militar na comunidade da Vila Aliança, em Bangu, no Rio de Janeiro, morreu nesta sexta-feira (29). Moradores afirmam que o responsável por atirar no animal foi um policial que se irritou após outro cachorro latir.

Guilherme, como era chamado o cão, chegou a ser levado à Fazenda Modelo, onde foi operado na quarta-feira (27) e recebeu uma transfusão de sangue. Apesar disso, ele não resistiu aos ferimentos. As informações são do G1.

Foto: Arquivo pessoal / Morador da Vila Aliança

De acordo com a veterinária Dahyam Vieira, da Prefeitura do Rio, que fez o primeiro atendimento ao animal, contou que ele foi socorrido pelo próprio tutor.

“Ele tinha perdido muito sangue. O sinistro aconteceu às 8h e ele chegou no posto por volta das 10h. Já tinha perdido bastante sangue quando chegou para a gente”, disse a veterinária.

Dahyam afirmou que foi necessário amputar uma das patas do cachorro porque o osso estava destruído e o animal continuava a perder sangue, motivo que fez com que fosse necessária uma transfusão sanguínea.

“Uma clínica forneceu uma bolsa e a gente conseguiu um cachorro doador”, disse Dahyam.

O presidente da Comissão de Defesa Dos Animais da Câmara Municipal do Rio, Luiz Carlos Ramos Filho, pediu que as investigações sobre o caso sejam feitas com rigor.

“É uma crueldade que precisa ser investigada e rigorosamente punida, para que não se repita”, lamentou vereador Luiz Carlos Ramos filho.

Testemunhas afirmam que se protegiam de um tiroteio em um ponto de kombis, onde dois cães conhecidos na comunidade costumam ficar: Guilherme e Orelha. Ao ver um policial abordar abruptamente os rapazes, Orelha teria latido. Por isso, o policial se irritou e efetuou um disparo, que acertou Guilherme.

Moradores de comunidade acusam policial de atirar em cachorro no RJ

Moradores da comunidade de Vila Aliança, em Bangu, no Rio de Janeiro, acusam um policial do Bope pelo tiro dado contra um cachorro. Testemunhas afirmam que se protegiam de um tiroteio em um ponto de kombis, onde dois cães conhecidos na comunidade costumam ficar: Guilherme e Orelha. Ao ver um policial abordar abruptamente os rapazes, Orelha teria latido. Por isso, o policial se irritou e efetuou um disparo, que acertou Guilherme. O animal sobreviveu, mas teve uma pata amputada.

Foto: Arquivo pessoal / Morador da Vila Aliança

Um vídeo registrou o cão ferido, à espera de atendimento. Ele foi socorrido por um morador, que preferiu não se identificar e afirmou que por muito pouco Guilherme não morreu. Ele é amigo do tutor do cachorro e passou o dia cuidando dele.

O socorro ao animal só foi possível, segundo o morador, graças à mobilização da comunidade, que reuniram recursos e levaram o cão até à Fazenda Modelo, em Guaratiba, onde ele recebeu os cuidados necessários. As informações são do portal Extra.

“O Guilherme é conhecido na comunidade. O pessoal que trabalha no ponto das kombis o adotou quando era pequeno. Ele fica ali e a gente dá ração, fez uma casinha pra ele, dá tudo, e ele mora ali. Eu trabalho perto, então passo ali todo dia, conheço todo mundo, estou acostumado. Na hora do fato, eu estava presente e vi tudo”, disse o morador.

Segundo ele, uma intensa troca de tiros ocorria entre os traficantes da comunidade e os policiais do Bope por volta de umas 8h10 da manhã. “A essa hora, todos estão saindo para trabalhar. O pessoal que trabalha nas kombis foi se abrigar onde o cachorro estava, e recuamos para a parede. Nisso — foi tudo muito rápido — chegaram por volta de uns cinco ou seis policiais do Bope. Um deles já chegou enquadrando todo mundo, pedindo para todo mundo encostar na parede, e o outro veio atrás para fazer o apoio”, contou.

Foto: Arquivo pessoal / Morador da Vila Aliança

O morador lembra que os cachorros vivem no local há dois anos e fazem companhia para as pessoas que trabalham com as kombis. “Como os policiais estavam nos coagindo, um deles, o Orelha, latiu. Ele só latiu. Ele não avançou, não mordeu, não fez nada com o policial, somente latiu. Por ele latir, o policial se irritou e atirou na primeira coisa que viu na frente, que foi o outro cãozinho, o Guilherme. Deu um tiro nele e saiu andando como se nada tivesse acontecido”, afirmou.

“O PM ainda saiu falando que o Guilherme era cachorro de rua, que não tinha tutor. O outro policial que vinha atrás atrás viu o rastro de sangue e perguntou se alguém tinha sido baleado. Respondemos para ele: ‘não, foi o seu companheiro que baleou um cachorro’. Esse policial colocou até a mão na cabeça e falou “pô, por que ele fez isso?”, se lamentando, né? Porque é uma vida, ele fez isso do nada. Foi quando o cachorro, baleado, correu, atravessou a rua, e caiu na grama”, completou.

Os moradores da comunidade, então, arrastaram o cachorro e começaram a fazer uma vaquinha para ajudá-lo. “Já havia passado 1h30 do momento em que ele foi atingido, estávamos tentando o transporte e a arrecadação de dinheiro para fazer cirurgia, porque é tudo bem caro. Foi aí que tivemos a ideia de trazer aqui para a Fazenda Modelo, em Guaratiba”, disse. “Chegamos aqui e fomos imediatamente muito bem recebidos, a equipe pegou o cachorro muito rápido e parou tudo para atendê-lo porque realmente era muito grave, um tiro de 762 num cachorro. Quando a cirurgia acabou, houve outro problema: ele precisava de uma transfusão de sangue, mas não tinha nem o sangue nem a bolsa”, acrescentou.

A transfusão feita no cachorro foi a primeira da história da Fazenda Modelo, segundo a equipe do local. Os profissionais são altamente qualificados, mas não têm o costume de realizar transfusões na unidade. “É até uma ideia para a Prefeitura, colocar um suporte para eles, que são referência no Rio de Janeiro em tratamento de animal”, sugeriu o morador.

“A gente teve que agitar, cada um de um lado, e conseguiu fazer. A equipe toda se comoveu: um foi comprar a bolsa e outros foram procurar um cachorro saudável que pudesse doar sangue. Todos se mobilizaram e conseguimos. Eles nos deram todo o suporte. Deram fralda, alimento, remédio, e voltaremos amanhã para pegar mais remédio. Ele ficou mais algumas horas lá, recebeu a transfusão e teve alta. Está tudo bem com ele”, disse.

Foto: Arquivo pessoal / Morador da Vila Aliança

O morador se indignou com o que aconteceu com o animal e disse ter registrado os fatos. “Eu registrei tudo que pude porque isso porque tem que ser divulgado. Isso não é uma coisa que acontece no nosso cotidiano, é muito atípico. Fiz vídeo dele na mesa de cirurgia, fotos na transfusão, relatei tudo para poder passar isso para vocês. O que todo mundo fez foi salvar uma vida. Eu queria colocar meu rosto, falar mesmo. Mas, infelizmente, onde eu vivo, isso é impossível. Eu tenho família, vocês sabem como é. Represália existe. Mas o que todo mundo fez hoje vai ser eterno”, concluiu.

O caso gerou revolta na comunidade e também entre internautas, após divulgação do vídeo. “Eu ia retuitar um vídeo mas pouparei. Um cachorro foi baleado por policiais. Meu medo é esse… o meu é um fofoqueiro que fica na janela latindo pra todo mundo. Tenho muito medo de fazerem essa maldade com meu bebê”, comentou uma mulher.

“Até cachorro sendo baleado!”, indignou-se um rapaz. “Que absurdo, agora só falta dizer que o cachorro estava latindo para avisar que tinha polícia na favela”, ironizou uma mulher.

O outro lado

A Polícia Militar afirmou, por meio de nota, que por volta das 15h policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) estavam atuando na comunidade Vila Aliança, em Bangu, nesta quarta-feira (27), e que ainda não havia balanço da operação.

Um vídeo do cachorro ferido foi enviado à corporação, com relatos dos moradores, pela reportagem do jornal Extra. A PM, no entanto, não comentou o caso.

A página Onde Tem Tiroteio (OTT-RJ) registrou disparos na comunidade às 10h30 e às 12h40. Na madrugada de quarta-feira, de acordo com a polícia, duas pessoas morreram durante um tiroteio com policiais do 14º BPM (Bangu) e um fuzil, uma granada e um radiotransmissor foram apreendidos e encaminhados para a 35ª DP (Campo Grande).