Elefantes órfãos ganham vida nova graças ao orfanato que os acolhe e reabilita

Quando Enkesha foi encontrada em Masai Mara, no Quênia, em 2017, a tromba do elefante bebê havia sido quase cortada pela armadilha de arame que ficou enrolada em volta dela.

A elefantinha estava com dor intensa e em risco de perder o membro tão necessário para sua alimentação e a sobrevivência.

Ela foi submetida a uma operação de três horas e muitos cuidados posteriores, mas, dois anos depois, a tromba da filhote se recuperou bem. Quando a equipe de reportagem da CNN a viu no orfanato de elefantes da Sheldrick Wildlife Trust, em março de 2019, ela está com o resto do pequeno grupo – não medindo mais que quatro pés de altura – atravessando o mato e puxando a folhagem com suas trombas ágeis.

Foto: NBC News

Foto: NBC News

A armadilha que colocou em perigo a Enkesha é uma das mais de 150 mil ameaças removidas pela ONG desde que a entidade formou sua primeira equipe de remoção de armadilhas em 1999, como parte de seu trabalho contínuo para a proteção e conservação de habitats silvestres e selvagens no Quênia.

O orfanato de elefantes no Parque Nacional de Nairobi é o mais famoso dos nove programas da entidade. Fundado em 1977, foi a primeira organização do mundo a conseguir criar órfãos dependentes do leite de mamadeira e reintegrá-los de volta à natureza.

Como criar um elefante

“Com a ajuda do berçário que temos aqui, criamos mais de 244 elefantes”, disse Angela Sheldrick, diretora executiva da entidade, à CNN. Elefantes órfãos em consequência da caça, destruição de habitats e conflitos entre humanos e animais selvagens são resgatados pelas equipes de resgate e mantidos pelos cuidadores do orfanato.

“Quando você pega um filhote de elefante para criar, é um projeto de longo prazo”, explica ela, porque “suas vidas refletem as nossas próprias”. Um elefante de um ano é tão vulnerável e necessitado de cuidados quanto uma criança humana.

Foto: Siyabona

Foto: Siyabona

“Atualmente, temos 93 elefantes dependentes do leite de mamadeira”, diz ela. “Eles ficam conosco aqui no berçário nos primeiros três anos de vida. Depois que envelhecem, eles precisam de exposição aos grupos selvagens, porque no fim das contas, todo elefante que criamos volta para vida selvagem. Nós apenas os conduzimos pelos anos difíceis em que eles ainda dependem do leite”.

Leva tempo e paciência para ensiná-los a viver de forma independente. Diz Sheldrick. “Como nossos próprios filhos, eles não voam do ninho rapidamente. Eles precisam ter essa confiança.” O processo leva cerca de cinco anos, mas os ex-alunos do berçário estão florescendo. Existem agora cerca de 150 órfãos reabilitados, com 30 filhotes conhecidos vivendo por sua conta já.

O orfanato também “criou a mão” 17 rinocerontes. Um dos moradores mais populares do local é Maxwell, um rinoceronte que nasceu cego e depois foi rejeitado por sua mãe. Ele está em seu berçário que também sua “casa definitiva” desde 2007.

Alegres e divertidos

A entidade foi fundada há mais de 40 anos pela mãe de Angela, Daphne Sheldrick, em memória de seu falecido marido, o conservacionista David Sheldrick. Daphne faleceu no ano passado, enquanto a fundação é gerida por Angela desde 2001.

“Minha mãe foi uma pioneira, ela foi a primeira pessoa no mundo a criar um elefante bebê”, diz Sheldrick. “Foi difícil. Não se tinha a Internet; não se tinha o benefício de alguém ter feito isso antes. É impressionante o quão longe chegamos”.

Foto: National Geografic

Foto: National Geografic

O cuidador de confiança de Angela, Edwin Lusichi, está no berçario há 20 anos. Ele disse à CNN que trabalhar com elefantes é “importante, alegre e divertido, e você se sente relaxado ao lado deles”.

“É lamentável que o motivo deles terem ficado órfãos sejam os seres humanos”, acrescenta Edwin.

É nossa responsabilidade cuidar de nossos semelhantes, pelo o nosso planeta e para o futuro. “Nossos jovens nunca poderão vê-los se não os protegermos agora”, diz ele.

Nunca se esqueça

A fundação é aberta ao público por uma hora por dia, para que os visitantes possam conhecer os elefantes e aprender sobre as ameaças que a espécie enfrenta.

Órfãos podem ser adotados a partir de 50 dólares por ano e seus “pais” adotivos podem desfrutar de uma hora extra de visitas à noite.

Lusichi liderou o tour na noite que a reportagem da CNN visitou o local, apresentando os 21 elefantes, dois rinocerontes e uma girafa que residem no terreno da ONG.

Os elefantes adultos seguem em frente com suas vidas novas no Parque Nacional Tsavo East, o maior parque nacional do Quênia, mas o vínculo com aqueles que os criaram não está perdido.

“Eles nunca esquecem a bondade e o amor de que foram alvo e querem voltar”, diz Sheldrick.

“Os elefantes do sexo masculino menos que os demais pois eles viajam grandes distâncias e se tornam mais independentes – mas os grupos femininos são todos unidades familiares unidas. Eles nunca esquecem aqueles que os criaram”.

‘Berçário’ de aves nasce em piscinão de Campinas (SP)

A presença de uma nascente transformou o piscinão da Avenida Norte-Sul, em Campinas, em um berçário de aves migratórias. As espécies encontraram no espaço um ambiente rico em alimentos e com características favoráveis para reprodução. A presença desses animais tem encantado os campineiros que passam pela região todos os dias ou que trabalham nas imediações.

Leandro Torres/AAN

Para zoóloga do Departamento de Bem Estar Animal (Dpbea) da Prefeitura de Campinas, Eliana Ferraz, o motivo principal da aparição dos pássaros está diretamente ligado a grande urbanização das cidades. Ela explica que, cada vez mais, inúmeras espécies estão perdendo seus habitats em razão da prática do desmatamento  e da falta de preocupação das pessoas com a preservação desses espaços.
“A redução das áreas verdes é um problema mundial e que está causando um desequilíbrio imenso para os animais, que estão migrando para outras regiões em busca de alimentos e de um local para sobreviver”, comentou.
No caso da bacia de contenção da Norte-Sul, confluência entre as avenidas Orosimbo Maia e a Júlio Prestes, é possível encontrar inúmeras espécies diferentes convivendo juntas, como o pernilongo-de-costa-branca e o maçaricão. Algumas outras espécies ainda chamam a atenção por serem típicas da região do Pantanal, como o tapicuru: uma ave que tem o hábito de caminhar lentamente por lagos rasos e, com o bico, ficar sondando a lama em busca de alimentos como crustáceos e moluscos. “No Pantanal é muito comum essa ave se reproduzir em colônias, mas aqui em Campinas, eles estão fazendo o ninho no chão ou em áreas abertas, porque estão protegidos pelo espaço que possui características semelhantes à de um vale”, disse.
Eliana afirmou ainda que a região escolhida pelos animais para reprodução não é à toa. “Tem um assoreamento que cresceu junto com a vegetação. O espaço conta ainda com água razoavelmente rasa, o que permite com que espécies como o tapicuru, caminhem por ela em busca de alimentos”, ressaltou. O trecho conta com um manancial formado pelos córregos Proença e Serafim, que depois formam o Ribeirão Anhumas.
Preservação
Apesar de a história dos pássaros exóticos do piscinão chamar atenção, Eliana explica que a preservação deste e de outros espaços com vegetação segue sendo o único meio possível de garantir a preservação de espécies como pernilongo-de-costa-branca, o maçaricão e o tapicuru. “É importante preservar o meio ambiente e as nascentes, para que os animais possam continuar procriando, já que eles, em sua grande maioria, têm essa capacidade de se adaptar ao ambiente urbano, se encontrarem condições mínimas de sobrevivência”, comentou
Fonte: Correio Popular

Justiça determina realização de estudo de impacto para turismo de observação de baleias embarcado

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região acatou um pedido do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB), feito por meio de ação judicial, e determinou, nesta terça-feira (30), que seja feito um estudo de impacto e um processo de licenciamento ambiental para o turismo de observação de baleias embarcado no Berçário das Baleias Franca, em Santa Catarina.

Foto: Reprodução / Projeto Berçário Livre

Esta forma de turismo está suspensa pela Justiça desde 2013 para garantir a segurança dos turistas e proteger as baleias. Um documento apresentado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na ação movida pelo ISSB, embasou a suspensão. No documento, constava o relato de uma operadora de turismo, por meio do qual ela admite que os motores dos barcos não podem ser desligados por questão de segurança, mesmo com a aproximação das baleias, já que o avistamento embarcado é visto na zona de arrebentação das ondas. Além disso, o ruído dos motores nas enseadas pequenas e rasas ocasiona poluição acústica, o que afeta a comunicação entre mãe e filhote e prejudica a visão biosonar das baleias, fazendo que elas mudem de comportamento. Nessas condições, os riscos de acidentes entre embarcações e baleias aumenta. As informações são do site oficial da campanha Berçário Livre.

A suspensão protegeu as baleias e os turistas e não trouxe prejuízos econômicos para a região. Isso porque, em 2015, o SEBRAE começou a investir no turismo de observação de baleias por terra, com a captação de empresários locais, que recebem os turistas. Guias para acompanhar as pessoas nos passeios também foram formados pelo SEBRAE. Com a criação da Rede Tob Terra, que oferece três roteiros turísticos para avistar baleias, o projeto alcançou sucesso.

Foto: Reprodução / Projeto Berçário Livre

Em 2015, a Associação Catarinense de Proteção aos Animais (ACAPRA) lançou a campanha Berçário Livre! para exigir o direito das baleias à maternidade em seu próprio berçário. Diversas denúncias relevaram fontes de molestamento ao berçário, como a duplicação do Porto de Imbituba, helicópteros, jet skis e redes de pesca. Além da ACAPRA, outros grupos se uniram para proteger as baleias, como o coletivo Não ao Turismo Embarcado e SOS Baleia Franca.

A ACAPRA, que atuou como amicus curiae na ação do ISSB, está organizando um documento para requerer o reconhecimento do Berçário das Baleias Franca em Santa Catarina como sítio sagrado, devido a sua importância ecológica, cultural e espiritual.

A ACAPRA está preparando um documento para requerer o reconhecimento do Berçário das Baleias Franca em Santa Catarina como sítio sagrado, diante de sua importância ecológica, cultural e espiritual para diversas comunidades ao longo dos séculos.