Bióloga e ativista Paula Brügger é exemplo de força, inspiração e amor pelos animais

Por Bruna Araújo

Foto: Arquivo pessoal

Bióloga, autora e ativista em defesa dos direitos animais, a colunista e consultora ambiental da ANDA, Paula Brügger, é, sem dúvida, um dos principais nomes do ativismo brasileiro quando se fala em proteção do meio ambiente e dos animais. Exemplo de uma mulher forte e a frente do seu tempo, Paula atuou como professora na Universidade Federal de Santa Catarina por quase 40 anos, escreveu dois livros, coordenou projetos premiados, colaborou em publicações estrangeiras e cursos de pós-graduação. Seu currículo é imenso, seu coração mais ainda.

Tutora de duas cadelinhas sem raça definida e mãe de um rapaz, aos 64 anos, ou como ela gosta de chamar, na idade “Beatles song” (em alusão à música “When I’m Sixty Four”, do quarteto inglês), a bióloga não pretende parar tão cedo. Em uma entrevista exclusiva à ANDA, Paula fala sobre sua infância, carreira, ideias e desejos para o futuro. Tente não perder o fôlego.

O início

O princípio era o verbo. O verbo amar. Desde jovem Paula acolhia em seu coração uma série de anseios e fabulações. Não existia hierarquia de ideias, mas em seu espírito, desde sempre, transparecia toda ânsia de libertação que guiaria sua vida. “Não me lembro de ter um único sonho. Acho que era um caleidoscópio deles. Mas, em termos de sensações imemoriais meu maior sonho talvez estivesse, desde muito cedo, ligado à liberdade. Lembro-me de alguns desenhos que fazia de animais, sempre correndo livres por verdes campos. Eles eram eu, de certa forma. Expressavam o que eu queria para mim e para um mundo que, na minha visão, seria perfeito”, disse.

O respeito à vida sempre esteve presente da vida de Paula Brügger. Quando criança, ela já engatinhava em seu entendimento sobre a senciência e o especismo. “Os animais mais próximos de mim foram os cães. Tive pouquíssimo contato com gatos até a vida adulta porque meus pais eram muito ‘cachorreiros’. Tive também contato com vários animais de fazenda, como galinhas, patos, bois e vacas, e um cavalo, em especial. Meus avós paternos tinham uma fazenda e meus avós maternos um sítio. Dessa forma, apesar de morar na cidade, estava sempre em um desses dois lugares”, revela.

Ela conta que uma experiência a marcou profundamente. “Uma vez ouvi uma conversa sobre um bezerro que seria sacrificado porque estava sem uma das patas. Minha lembrança era de alguém ter dito que um lobo-guará havia atacado o tal bezerro e arrancado uma de suas patas. Fiquei muito abalada, doente mesmo. Acho que tinha uns seis anos. Ao me verem chorar ‘um rio’, meus avós disseram que iam encomendar um sapatinho de madeira para colocar no lugar da pata perdida, e que o bezerro não seria mais morto. Acreditei na história e fiquei aliviada”, recorda.

A história do bezerrinho a acompanha desde então e lhe traz muitas reflexões. “Mais de uma década depois, conversando em família, me lembrei do fato e achei pouco plausível que o tal sapatinho, ou tamanco, como alguns chamaram na época, tivesse mesmo sido feito. E, claro, não foi. Meus avós já haviam falecido e meus pais não se lembravam direito daquele episódio que tanto tinha me amargurado. Mas, ao que parece, o bezerrinho tinha nascido com uma malformação. Não fora obra de lobo-guará algum. O fato é que foi sacrificado. Chorei de novo, uns doze anos depois. É interessante como os adultos mentem sistematicamente para as crianças. Tenho um pequeno texto na ANDA onde abordo essa e outras questões“, lembra.

Paula Brügger explica ainda que o desejo de ser livre é intrínseco a sua própria existência. “Desde tenra idade o chamado ‘estado selvagem’ sempre me causou fascínio. Acho que essa identidade acabou influenciando a minha escolha profissional e o meu ‘estar’ no planeta. Também, por exemplo, apesar de sempre ter praticado vários esportes entre quatro paredes, até hoje, os que mais amo são aqueles de contato direto com a natureza. É somente nesse contato direto que ouvimos soar os ‘tambores da tribo’ (risos). No que tange aos animais, sempre tive muita sensibilidade. Mas a noção de direitos só veio muito depois, ao trilhar a trajetória acadêmica e ler os textos de alguns ícones como Tom Regan, Peter Singer e Gary Francione”, afirma.

Ela assevera que isso foi fundamental para a construção de sua consciência de mundo. “O bom da visão vanguardista de direitos animais é que ela não entra em conflito com a da mera sensibilidade, embora seja possível reconhecer direitos sem que se tenha sensibilidade. O oposto, entretanto, não é verdadeiro. Conheço diversas pessoas que têm, de fato, alguma sensibilidade para com os animais, mas não entendem (lógica ou emocionalmente) que isso não basta e que precisamos lhes garantir direitos. Penso que o especismo seletivo esteja no cerne dessa questão, ou seja, a inteligência emocional dessas pessoas é limitada, só consegue operar dentro de um determinado escopo de espécies e de atitudes (ou tratamento) dos animais. Para escapar dessa armadilha é preciso dar inteira razão ao filósofo Gary Francione que afirma que o importante não é o tratamento dos animais, mas o uso de animais. Em outras palavras, os animais não podem ser propriedades dos humanos. É muito pertinente traçar aqui uma analogia com a escravatura humana. É claro que para um escravo é muito melhor ser bem tratado, do que mal tratado. No entanto, o que havia (e ainda há!) de abominável e moralmente repugnante é a banalização da (monstruosa) instituição da propriedade em si”, acredita.

Missão

A bióloga define a evolução da sua carreira como “razão e emoção perfeitamente amalgamadas”. Ela afirma que sua trajetória acadêmica foi espelhada nas causas que defende. “Comecei como ambientalista e me tornei uma ambientalista-animalista (risos). Sigo firme, apesar dos pesares, por acreditar que ambas as causas sejam justas e extremamente urgentes. Lamento, porém, que o cenário tanto nacional quanto mundial seja tão sombrio, apesar de alguns avanços importantes. É preocupante constatar a cegueira que envolve a inexorável ligação entre diversas lutas ambientais e o nosso preconceito especista, como o eclipse da biodiversidade e as mudanças climáticas. Poderíamos discutir essas questões de forma integrada via legislação, políticas públicas, e projetos educacionais. Como disse, avanços há. Mas também temos muitos retrocessos de grande monta e abrangência. A questão é que não acredito que tenhamos mais do que uma década e meia para reverter os processos destrutivos que estão em curso. É de arrepiar a previsão de Isaac Newton de que o ‘fim do mundo’ será em 2060. A previsão científica para o ‘fim dos oceanos’ é para 2048. Assustador, não é?”, provoca.

O esforço e a resiliência são características de Paula Brügger e a sua trajetória profissional e acadêmica são provas disso. Ela possui especialização em Hidroecologia, mestrado em Educação e doutorado em Ciências Humanas. Ela também é autora dos livros ‘Educação ou adestramento ambiental?’, com três edições, e ‘Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente: animais, ética, dieta, saúde, paradigmas’. Criar e compartilhar conhecimento é sua paixão. “Passei 37 anos da minha vida na carreira docente, na UFSC. Comecei lá no início, na categoria ‘auxiliar’, até me aposentar há quatro meses, como ‘titular’. Durante esse período, fora o ensino, tive vários projetos de pesquisa e extensão, todos voltados para a questão ambiental, para a educação, ou para os direitos animais. Acho que o mais emblemático de todos – ou pelo menos o que foi mais longevo (15 anos) – foi o projeto de educação “Amigo Animal”, desenvolvido em parceria com as secretarias municipal e estadual de educação (Florianópolis e Estado de Santa Catarina) e com a DIBEA (Diretoria de Bem-Estar Animal)|Florianópolis. Participei ainda, como todo docente, de vários órgãos colegiados, comissões, etc”, resume.

Ela conta ainda que, mesmo em uma nova fase de vida, pretende se manter atuante. “Hoje minha ligação com a UFSC permanece viva junto a dois grupos de pesquisa: o Laboratório de Estudos Transdisciplinares (LET) e o Observatório de Justiça Ecológica (OJE), onde atuo como coordenadora junto com a professora Letícia Albuquerque, primeira docente no Brasil a oferecer uma disciplina de direitos animais. No âmbito do Observatório sempre estamos desenvolvendo atividades como cine-debates, discussões de textos em grupos, cursos de curta duração e encontros, como o III Encontro Catarinense de Direitos Animais, agora em agosto, todos gratuitos. Tenho participado também, como colaboradora, em disciplinas de graduação e pós-graduação o que para mim é um imenso prazer porque adoro uma sala de aula (risos)”, confessa.

Reconhecimento

Paula revela que o amor pelo aprendizado esteve presente desde os seus primeiros passos. “Acho que sempre fui meio C.D.F.(risos). Aos onze anos de idade tirei o primeiro lugar num concurso de redação no Rio de Janeiro. Depois, ao terminar o segundo grau, no Colégio Rio de Janeiro, e na Aliança Francesa recebi umas homenagens por bom desempenho, com premiações em livros, mas nem me lembro direito de detalhes. Acho que não tenho registro disso porque não dávamos muita importância (nem eu, nem meus pais) a essas coisas. Da parte deles, achavam que não fazíamos mais do que a obrigação (risos). O que tenho guardado é uma medalha de ‘Honra ao Mérito’ de quando me formei em Ciências Biológicas, na UFSC (1981), e depois um prêmio de ‘Exemplo Voluntário’, em 2006, por conta do projeto ‘Amigo Animal'”, destaca.

Ela conta também que recentemente recebeu duas premiações internacionais. “Em 2017 o livro ‘Impact of Meat Consumption on Health and Environmental Sustainability’, no qual sou co-autora ao lado dos renomados Robert Goodland e Jonathan Balcombe, recebeu o prêmio de melhor livro do ano, na categoria Best Sustainable Food Book. Agora em 2019, para minha surpresa, as editoras do livro ‘Social Marketing and its Influence on Animal Origin Food Product Consumption’, entraram em contato com os autores para anunciar a indicação de segundo lugar no International Book Awards, categoria Marketing and Advertising”, disse.

E completa: “Esse foi um genuíno honroso segundo lugar porque, como destacou uma das editoras, a premiação é conferida a publicações muito tradicionais e a nossa é bastante anti-mainstream. Ficamos muito felizes porque tanto a primeira premiação quanto essa última indicação evidenciam a impossibilidade de ignorar os temas em questão. No meu capítulo, intitulado It’s the speciesism, stupid! Animal Abolitionism, Environmentalism and the Mass Media, ressalto a importância do papel educador (ou deseducador) dos meios de comunicação na formação de valores no sentido lato. Precisamos de um novo paradigma para a construção de uma cultura não especista, compassiva com os animais, e responsável com o meio ambiente”.

Futuro

Paula Brügger afirma que não planeja parar de produzir e incentivar o conhecimento. Apesar de adorar ter tempo extra para praticar Kung fu Shao Lin do Norte e Windsurf. “Pretendo continuar atuando junto aos meus grupos de pesquisa na UFSC, mas também me agrada muito a ideia de ter mais tempo para ler (e escrever) e mais tempo para as pequenas coisas da vida que são vorazmente sugadas e destruídas pela sucessão alucinante de acontecimentos e demandas que caracterizam a vida estressante da maioria de nós hoje. Momentos simples, como apreciar a beleza singela de minúsculas flores selvagens que normalmente chamamos de ‘mato’, são cada vez mais caros para mim. Experimentar a sensação de ‘eternidade’ – de um ‘não-tempo’ – quando ficamos sentadas em silêncio, eu e minhas duas SRDs, é outro desses momentos felizes em nossos passeios diários”, reflete.

Sobre o futuro do país, a bióloga afirma que deseja muitas coisas. “Que pudéssemos voltar no relógio do tempo. Ou que as pessoas acordassem para a triste realidade que vivemos e tomassem as rédeas da história. Desejo que não se concretize o acordo EU-Mercosul, que promete aprofundar ainda mais o absurdo modo de produção de itens de baixo valor agregado e infinitas externalidades sociais e ambientais, além da total objetificação da vida dos animais não-humanos. Que pare o desmatamento. Que os ruralistas e outras bancadas retrógradas não sejam mais a principal força propulsora de uma legislação que afeta adversamente a todos, animais humanos ou não. Desejo que as pessoas pautem suas atitudes pela razão e não pelo ‘fígado’. Que, se não podem enxergar com o coração, que se rendam à ciência que mostra que os animais devem ser sujeitos de direitos e não coisas. Poderíamos começar por aqueles explorados e mortos para nos servir de alimento sem necessidade, aqueles que são comprovadamente sujeitos de suas vidas. Desejo muitas outras coisas”, anseia.

Homenagem

As contribuições de Paula à UFSC e à causa animal são memoráveis e isso será reforçado no III Encontro Catarinense de Direitos Animais. Evento realizado no dia 16 de agosto na UFSC. Promovido pelo observatório de Justiça Ecológica (OJE/UFSC) e pelo Programa de Pós-graduação em Direito (PPGD/UFSC), o encontro homenageará a professora Paula Brügger e abordará o tema “Abordagens emancipadoras antiespecistas”.

Para a bióloga, o evento é uma bela oportunidade de problematizar a questão dos direitos animais de uma perspectiva interdisciplinar. “Esse próximo encontro, terceiro de uma série, será mais um momento de congraçamento e de reflexões. É muito importante poder, de tempos em tempos, reunir pessoas de diferentes formações acadêmicas, mas cujo foco converge para os direitos animais. Esse evento, em particular, será ainda mais especial para mim, uma vez que serei homenageada por pares que tanto admiro não apenas como profissionais, mas também como seres humanos”, concluiu Paula.

Uma das maiores águas-vivas que habitam o oceano é vista na Inglaterra

Uma água-viva gigante, da espécie água-viva-barril (Rhizostoma pulmo), foi encontrada no litoral de Falmouth, em Cornualha, na Inglaterra. Trata-se de uma das maiores espécies de água-viva existentes no oceano.

Imagem: Dan Abbott/Wild Ocean Weekregistr

Do tamanho de uma pessoa adulta, a água-viva foi vista pela bióloga e mergulhadora britânica Lizzie Daly durante a gravação de um programa da BBC para vida selvagem.

O encontro da mergulhadora com o animal marinho foi descrito por ela como “de tirar o fôlego”. Lizzie publicou uma foto, nas redes sociais, na qual aparece ao lado da água-viva. A presença da mergulhadora na imagem faz com que seja mais fácil reconhecer o porte do animal ao compará-lo ao tamanho da bióloga.

“Que experiência inesquecível. Eu sei que a água-viva barril fica muito grande, mas eu nunca vi nada parecido antes”, disse Lizzie, que classificou a experiência como a melhor que ela já teve.

Apesar de ser uma das maiores águas-vivas encontradas no oceano, a água-viva-barril não costuma ultrapassar um metro de extensão, nem pesar mais de 25 quilos.


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Brasileira receberá prêmio por propor soluções para reduzir atropelamento de animais

A bióloga brasileira Fernanda Abra, de 33 anos, que em dez deles tem trabalhado em prol dos animais, percorrendo vias do Brasil e propondo soluções para reduzir o atropelamento de animais nas estradas, está entre os vencedores do prêmio Future for Nature. A cerimônia de premiação será realizada na próxima sexta-feira (3), em Amsterdã, na Holanda.

O prêmio homenageia jovens pesquisadores que trabalham pela proteção de animais e plantas. Fernanda, uma das pessoas escolhidas pela Fundação Future for Nature, irá falar, durante a cerimônia, sobre a lamentável postura do Brasil, que apesar de ter a maior biodiversidade do mundo, planeja seu crescimento sem protegê-la.

Foto: Reprodução / DW Brasil

“Isso é muito visível quando a gente fala da expansão da rede de transporte. O Brasil tem a quarta maior malha rodoviária do mundo, mas que não vem acompanhada de inovações técnicas que respeitem o patrimônio natural”, disse a bióloga, em entrevista à Deutsche Welle Brasil.

“Essa expansão é uma ameaça que vai crescer exponencialmente nas próximas décadas nos países ricos em biodiversidade. O trabalho da Fernanda Abra antecipa essa ameaça e, baseado numa ciência sólida, fornece evidências e soluções concretas”, justifica o comitê, que escolheu a bióloga como uma entre três vencedores da edição de 2019.

Contabilizar o número de animais mortos em rodovias faz parte do trabalho de Fernanda. Dentre as estradas observadas por ela, está a MS-40, que liga os municípios de Campo Grande e Santa Rita do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Fundação Ipê, 289 animais morreram na pista no primeiro semestre do ano passado. Entre as vítimas, está a anta, animal ameaçado de extinção.

Diante desse cenário, a bióloga se uniu à Fundação para mover uma ação civil pública contra o estado do Mato Grosso do Sul. “As condicionantes do licenciamento não foram cumpridas. Não foi feito estudo de fauna ou ações para evitar atropelamentos. Os animais morrem e podem causar grandes acidentes e prejudicar a saúde das pessoas”, disse.

A criação de pontos de passagem, medida adotada em algumas rodovias brasileiras, é parte da solução para o problema, segundo a bióloga. Através desses pontos, os animais conseguem cruzar as estradas em segurança.

“No Brasil, a legislação permite que a pessoa que sofre dano nas estradas num acidente com animais na pista, por exemplo, seja indenizada. As administradoras das rodovias preferem pagar ou prevenir?”, questionou. De acordo com Fernanda, medidas de combate ao atropelamento de animais têm retorno rápido.

Entre 2003 e 2013, 28 mil acidentes com animais foram registrados apenas no estado de São Paulo, segundo a Polícia Militar Rodoviária. De acordo com um estudo feito por Fernanda, 38 mil mamíferos de médio e grande porte morrem por ano nas rodovias pavimentadas paulistas. Os dados fazem parte da pesquisa de doutorado da bióloga, que está em fase final e foi feita com base em modelagem computacional e registros de casos para tentar prever locais de atropelamento em estradas paulistas, segundo variáveis ambientais. O objetivo é, com os resultados, salvar a vida de animais e motoristas.

Foto: Reprodução / DW Brasil

“Todo esse esforço é para promover uma mudança de cultura no país, fazer com que administradores de rodovias entendam que é importante integrar a dinâmica de fauna ao planejamento das estradas”, afirmou. “É possível reduzir o impacto. É o que vemos no nosso monitoramento. Cada animal que usa uma passagem de fauna é motivo de comemoração”, completou Fernanda.

Além de participar da cerimônia de premiação na Holanda, a bióloga receberá 50 mil euros da Fundação Future for Nature. Ao voltar para o Brasil, ela afirma que irá aplicar o dinheiro no custeio do treinamento de pessoas que trabalham com engenharia nas estradas, agências de meio ambiente e de transporte pelo país.

“Existe um despreparo de órgãos públicos, que precisam ser mais rígidos e oferecer um roteiro às empresas que constroem as rodovias”, explicou.

A bióloga Patricia Medici, que trabalha na conservação das antas, foi a primeira brasileira a ganhar o prêmio em dinheiro, em 2008. “A contribuição financeira permitiu que o trabalho fosse expandido num novo bioma, o Pantanal”, relembrou.

Toda a atenção recebida na época também ajudou a conscientizar a população brasileira sobre a importância da preservação das antas. “Ganhar o prêmio foi um respaldo de confiança por parte da comunidade científica, um reconhecimento de que fazíamos um trabalho com uma abordagem científica sólida”, pontuou.

Atualmente, Patricia está à frente da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), que trabalha com pesquisa científica, programas de educação ambiental e capacitações em prol da conservação das antas.