Caça aos elefantes cresce em Botswana

Elefantes em Botsuana vistos do alto | Foto: guenterguni / Getty Image

Elefantes em Botsuana vistos do alto | Foto: guenterguni / Getty Image

Chapéu: Estudo confirma

Título: Caça aos elefantes cresce em Botswana

Olho: A análise foi feita com base em dados de cadáveres de elefantes recém-mortos por meio de um levantamento aéreo na região

Menos de dois meses depois de Botswana ter suspendido a proibição de caça aos elefantes, um novo estudo confirmou que a atividade está aumentando no país onde vivem cerca de um terço dos elefantes da savana africana.

O estudo, publicado na Current Biology, utilizou levantamentos aéreos para concluir que o número de cadáveres de elefantes recém-mortos aumentou em 593% entre 2014 e 2018 no norte do Botswana. Os autores do relatório confirmaram que 156 elefantes haviam sido caçados por marfim em 2018 com base em danos no crânio dos animais, e estimaram que pelo menos 385 foram caçados entre 2017 e 2018.

“O aumento no número de animais mortos são preocupantes porque podem prever futuros aumentos na caça e declínios nas populações de elefantes”, escreveram os autores Scott Schlossberg, Michael Chase e Robert Sutcliff, da Fundação Elephants Without Borders (Elefantes Sem Fronteiras, na tradução livre).

Ellen DeGeneres, que não esconde seu amor pelos paquidermes, também falou contra a proibição da caça, respondeu imediatamente ao estudo nas mídias sociais.

“Temos que defender elefantes, ou não haverá mais nada para defender”, ela twittou.

Embora o aumento na caça não tenha reduzido a população de elefantes do Botswana em geral, sua população caiu 16% em cinco áreas atingidas pela caça, enquanto aumentou em 10% nas áreas vizinhas. Os autores do relatório alertaram que a estabilidade da população dos animais pode mudar rapidamente:

A ONG Elefantes Sem Fronteiras também foi responsável por reportar pelo menos 87 elefantes caçados perto do santuário de Okavango no delta do rio Okavango, em setembro de 2018, enquanto realizavam pesquisas aéreas.

Esse número foi contestado pelo governo de Botswana, que chamou os dados da organização sem fins lucrativos de “falsos e enganosos”. Alegou que o grupo relatou apenas 53 elefantes mortos em julho e agosto, e que a maioria não foi caçada, mas morreu de causas naturais ou em conflitos com humanos.

O rigor do artigo da Current Biology, no entanto, reforça a descoberta de que a caça aumentou drasticamente no país há muito tempo considerado um refúgio para os elefantes.

Chase e sua equipe pesquisaram 36.300 milhas quadradas em um pequeno avião e fizeram visitas de helicópteros a 148 cadáveres de elefantes para confirmar se os animais foram caçados ou não, relatou o The New York Times. Eles descobriram que cerca de metade dos corpos tinham sido mortos recentemente e que todos eles haviam sido caçados. Cerca de 80% dos corpos com um ano ou mais de idade pertenciam a animais que foram caçados também.

“Aqueles cientistas e colegas que lançaram dúvidas sobre nossas descobertas iniciais, espero agora percebam que a ciência e as evidências que descrevemos em nosso artigo são realmente convincentes”, disse Chase ao The New York Times.

Outros cientistas falaram em apoio ao novo artigo.

“O trabalho foi excepcional em todos os sentidos”, disse Samuel Wasser, biólogo de conservação da Universidade de Washington, ao The New York Times. “Havia inúmeros recursos cuidadosamente e meticulosamente documentados. E eles também analisaram hipóteses alternativas, e nenhuma foi apoiada por dados”.

O diretor de pesquisa do Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais do Botsuana, Cyril Taolo, disse ao The New York Times por telefone que seu departamento “ainda estava analisando o artigo e apresentaria uma resposta”.

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Especialistas alertam que rinocerontes podem estar extintos em cinco anos

Foto: Neil Aldridge

Foto: Neil Aldridge

A divulgação recente de fotos pungentes, mostrando rinocerontes mutilados sendo resgatados na África, após caçadores terem cortado seus chifres – que a ignorância popular acredita serem “curadores de câncer” – tem levantado questões sobre a ameaça contínua que paira sobre essa espécie.

Nas imagens um rinoceronte pode ser visto com os olhos vendados, dentro de um contêiner, enquanto é levado para um centro de resgate depois de ter sido mutilado por caçadores ávidos por dinheiro, responsáveis por alimentar um comércio cruel que movimenta em torno de um bilhão de libras.

Em outra foto é possível ver uma ativista pelos direitos animais alimentando um bebê rinoceronte com uma mamadeira gigante improvisada. Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é vista protegendo seu filhote em outra imagem onde que os animais parecem estar em movimento.

Na década de 70, haviam milhares desses magníficos animais por toda a África, mas atualmente, os rinocerontes negros e brancos foram levados à beira da extinção pela caça implacável e cruel da espécie.

O fotógrafo conservacionista, Neil Aldridge, que atualmente mora em Bristol, na Inglaterra, mas cresceu na África do Sul, tem acompanhado a situação dos rinocerontes há anos e foi o responsável pelas fotos, reveladoras e tristes, tiradas na África do Sul e em Botsuana.

Alimentada pela demanda das classes médias cada vez mais ricas da China e do Vietnã, a caça aos rinocerontes por seus chifres tem crescido. Após cortado do corpo dos animais, o chifre é comercializado ilegalmente no mercado paralelo. Alguns compradores ignorantemente acreditam que o item possa curar o câncer, enquanto outros querem o objeto apenas para ostentar como símbolo de status social. Acredita-se que esse comércio gere em torno de 13 bilhões de libras por ano.

O Projeto Botsuana de Conservação aos Rinos advertiu que se a caça ao animal continuar no ritmo atual, eles estarão extintos até 2024.

Hora de um novo lar: Um rinoceronte branco é mostrado em um contêiner sendo resgatado em Botsuana. O animal compreensivelmente esta aterrorizado por seus salvadores humanos, sem perceber que esta sendo levado para um lugar seguro

Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é protege seu filhote | Foto: Neil Aldridge.

Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é protege seu filhote | Foto: Neil Aldridge

 

Jovem rinoceronte que teve o chifre cortado preparado para ser libertado : Foto: Neil Aldridge

Jovem rinoceronte que teve o chifre cortado preparado para ser libertado : Foto: Neil Aldridge

 

O que restou do chifre de um rinoceronte pode ser visto nesta foto que mostra a equipe de resgate, incluindo o diretor do RCB Map Ives (à direita), tentando ajudar o animal | Foto: Neil Aldridge

O que restou do chifre de um rinoceronte pode ser visto nesta foto que mostra a equipe de resgate, incluindo o diretor do RCB Map Ives (à direita), tentando ajudar o animal | Foto: Neil Aldridge

 

Voluntária alimenta um bebê rinoceronte em Botsuana. África do Sul e Quênia têm os níveis mais altos de caça à espécie, com 95% das mutilações e mortes ocorrendo nesses dois países em 2013 | Foto: Neil Aldridge

Voluntária alimenta um bebê rinoceronte em Botsuana. África do Sul e Quênia têm os níveis mais altos de caça à espécie, com 95% das mutilações e mortes ocorrendo nesses dois países em 2013 | Foto: Neil Aldridge

 

Chifres de rinoceronte podem crescer até mais de um metro de comprimento como mostrado na imagem. Cerca de três rinocerontes por dia são mortos por seus chifres | Foto: Neil Aldridge

Chifres de rinoceronte podem crescer até mais de um metro de comprimento como mostrado na imagem. Cerca de três rinocerontes por dia são mortos por seus chifres | Foto: Neil Aldrige

 

O quilo de chifre de rinoceronte pode chegar a valer 50 mil libras no mercado paralelo, tornando-se um dos produtos naturais mais valiosos do mundo - valendo mais do que ouro | Foto: Neil Aldridge

O quilo de chifre de rinoceronte pode chegar a valer 50 mil libras no mercado paralelo, tornando-se um dos produtos naturais mais valiosos do mundo – valendo mais do que ouro | Foto: Neil Aldridge

 

Um jovem rinoceronte branco mutilado é retratado em uma carroceria, vendado e parcialmente drogado após uma longa viagem da África do Sul, antes de ser libertado na natureza em Botsuana | Foto: David Aldridge

Um jovem rinoceronte branco mutilado é retratado em uma carroceria, vendado e parcialmente drogado após uma longa viagem da África do Sul, antes de ser libertado na natureza em Botsuana | Foto: David Aldridge

 

"Eu não vejo apenas uma história sobre rinocerontes, vejo uma história sobre pessoas, as melhores pessoas”, elogia o fotógrafo | Foto: Neil Aldridge

“Eu não vejo apenas uma história sobre rinocerontes, vejo uma história sobre pessoas, as melhores pessoas”, elogia o fotógrafo | Foto: Neil Aldridge

 

"Os sindicatos de caçadores são incrivelmente bem financiados, então para vencê-los precisamos apoiar esses grandes projetos", diz Aldridge | Foto: David Aldridge

“Os sindicatos de caçadores são incrivelmente bem financiados, então para vencê-los precisamos apoiar esses grandes projetos”, diz Aldridge | Foto: David Aldridge

 

Os olhos vendados e as drogas aliviam qualquer desconforto que os rinocerontes poderiam sentir quando são levados para tratamento e depois soltos na natureza | Foto: David Aldridge

Os olhos vendados e as drogas aliviam qualquer desconforto que os rinocerontes poderiam sentir quando são levados para tratamento e depois soltos na natureza | Foto: David Aldridge

 

Rinocerontes protegidos se alinham no cocho para tomar água no santuário | Foto: David Aldridge

Rinocerontes protegidos se alinham no cocho para tomar água no santuário | Foto: David Aldridge

 

Um rinoceronte protegido, com seus chifres totalmente intactos nas planícies onde fica projeto Botsuana da Rhino Conservation (RCB) | Foto: David Aldridge

Um rinoceronte protegido, com seus chifres totalmente intactos nas planícies onde fica projeto Botsuana da Rhino Conservation (RCB) | Foto: David Aldridge

 

Um impressionante close de um imenso rinoceronte. Aldridge conclui: "Quero que as pessoas saibam que existem pessoas dedicadas lutando por esses animais" | Foto: David Aldridge

Um impressionante close de um imenso rinoceronte. Aldridge conclui: “Quero que as pessoas saibam que existem pessoas dedicadas lutando por esses animais” | Foto: David Aldridge