Para proteger abelhas, EUA proíbem agrotóxicos liberados por Bolsonaro no Brasil

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) anunciou o cancelamento de 12 agrotóxicos da classe dos neonicotinóides no Registro Federal devido a danos às abelhas e outros insetos polinizadores. Dentre os venenos banidos, 7 deles continham os princípios ativos Imidacloprid, Azoxistrobina e Tiametoxam – os mesmos pertencentes a pesticidas liberados no Brasil pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Foto: Pixabay

A proibição dos agrotóxicos nos Estados Unidos faz parte de um acordo firmado em dezembro de 2018, após o Centro de Segurança Alimentar (CFS, na sigla em inglês) mover uma ação judicial pedindo o cancelamento dos venenos e ser constatada uma falha da EPA para proteger os polinizadores, que são gravemente afetados pelos agrotóxicos. É a primeira vez que a agência é obrigada a analisar os impactos dos agrotóxicos da classe dos neonicotinóides sob espécies ameaçadas de extinção. As informações são do portal oficial do Centro de Segurança Alimentar.

“O cancelamento desses agrotóxicos neonicotinóides é uma batalha duramente conquistada e um marco na direção certa”, disse George Kimbrell, Diretor Jurídico da CFS e principal conselheiro no caso. “Mas a guerra contra os agrotóxicos continua: continuaremos a lutar de forma diligente para proteger nosso planeta, as abelhas e o meio ambiente dessas e de outras toxinas perigosas semelhantes”, completou.

Os neonicotinóides são quimicamente relacionados à nicotina e interferem no sistema nervoso dos insetos, causando tremores, paralisia e até morte, mesmo quando usados em doses muito baixas. Ao contrário dos pesticidas tradicionais, os neonicotinóides – ou neônicos – são distribuídos por toda a planta, tornando-a inteiramente tóxica. Expostos ao veneno através do pólen, do néctar, da poeira, e das gotas de orvalho nas folhas das plantas e nos solos, as abelhas sofrem. Esse tipo de agrotóxico começou a ser usado de forma intensa em meados da década de 2000. No mesmo período, casos generalizados de mortes de abelhas começaram a ser registrados, já que esse veneno é 10 mil vezes mais tóxico para esses insetos do que qualquer outro agrotóxico.

Durante a aplicação, os neonicotinóides são colocados nas sementes e, após elas serem plantadas na terra, esse agrotóxico se espalha para além da plantação, podendo contaminar flores silvestres, solo e água. Além das abelhas, outros animais também são afetados pelo veneno, como pássaros e outras espécies silvestres.

Outros casos

Não é a primeira vez que o assunto é discutido nos Estados Unidos. Em 2017, a CFS ingressou com uma ação na Justiça contra a EPA, exigindo que as sementes com revestimento neônico não escapem mais da regulamentação. No ano seguinte, a CFS protocolou uma notificação na qual expressava a intenção de processar a administração Trump por reverter uma moratória sobre agrotóxicos neônicos e culturas geneticamente modificadas em refúgios de vida silvestre.

Recentemente, a CFS endossou a Lei de Proteção aos Refúgios, de 2019, que irá restabelecer a moratório sobre os refúgios de vida silvestre, e apoiou a Lei de Proteção dos Polinizadores da América, que exigiu que a EPA tomasse medidas imediatas para proteger os polinizadores dos neonicotinóides. Além disso, a CFS está pedindo proteção a quatro espécies de abelhas ao Estado da Califórnia. O pedido é para que esses insetos sejam adicionados à Lista de Espécies em Perigo do estado.

Outra ação recente da CFS foi o lançamento de um aplicativo gratuito, que recebeu o nome de “Wild Bee ID”, para capacitar jardineiros com o objetivo de incentivá-los a desenvolver um papel ativo na conservação das abelhas.

Além dos Estados Unidos, a União Europeia também proibiu três agrotóxicos neonicotinóides de serem utilizados em plantações após a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar expor preocupação sobre os prejuízos que esses venenos representam para os insetos polinizadores. A rança também proibiu o uso de dois agrotóxicos dessa classe em campos de cultivo e estufas.

Brasil e Estados Unidos lideram retrocessos ambientais, revela estudo

Um estudo realizado pela ONG Conservação Internacional concluiu que o Brasil e os Estados Unidos lidera uma tendência mundial de retrocessos ambientais. A pesquisa, que é a mais abrangente já feita neste segmento, foi feita por um grupo de cientistas de várias universidades estrangeiras. Para chegar no resultado apresentado, os pesquisadores analisaram todos os atos governamentais que resultaram em redução de metragem, diminuição de restrições ou extinções de áreas de proteção ambiental no mundo inteiro de 1892 a 2018. O resultado do estudo sai na edição desta sexta-feira (31) na revista científica “Science”.

(Foto: iStock.com / eppicphotography)

“Antes campeões em conservação global, Estados Unidos e Brasil estão agora liderando uma tendência mundial preocupante de grandes retrocessos na política ambiental, colocando em risco centenas de áreas protegidas”, afirmou uma nota publicada pela Associação Americana Para o Avanço da Ciência (AAAS – na sigla em inglês). “As mudanças regressivas buscam alterar ou remover legalmente o status de proteção e diminuir o tamanho das áreas de conservação natural”, completou.

O estudo analisou os 126 países do mundo e concluiu que 73 deles promulgaram 3.749 legislações que resultaram na extinção de 519.857 quilômetros quadrados de áreas protegidas – o que corresponde a um espaço maior que a Espanha – e no afrouxamento da proteção de 1.659.972 quilômetros quadrados – o equivalente a três vezes o tamanho da França.

Coautor do estudo, o biólogo e geocientista Bruno Coutinho, diretor de gestão do conhecimento da Conservação Internacional Brasil, considera que é importante reforçar que a existência de áreas protegidas “não representa a garantia, para sempre, de proteção legal da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos nelas gerados”.

A bióloga e cientista social Rachel Golden Kroner, da área de governança ambiental e impactos da ONG nos Estados Unidos e principal autora da pesquisa, lembrou ainda, em entrevista à BBC News Brasil, “que áreas protegidas não são para sempre”. “Elas podem ser e estão sendo revertidas por meio de afrouxamentos de restrições, limites de área reduzidas e extinções completas”, disse Kroner.

(Foto: luoman/Getty Images)

“A pesquisa mostrou que alterações na legislação ambiental dos países estudados podem comprometer a durabilidade e a eficácia das áreas protegidas, por recategorização, por redução de área ou por extinção completa”, reforçou Coutinho à BBC News Brasil.

Em 62% dos casos, o afrouxamento feito através de leis está ligado a práticas de extração de recursos e desenvolvimento industrial em grande escala, o que inclui obras de infraestrutura, mineração e agricultura de commodities.

Os pesquisadores indicam que seja realizado um debate estratégico entre os setores impactados e os que impactam as áreas protegidas e seus entornos, além da compreensão dos efeitos, o tratamento dos atos promulgados e a manutenção da efetividade das áreas protegidas.

Ainda de acordo com o estudo, 78% dos atos legislativos voltados para esta questão foram promulgados, em todo o mundo, do ano 2000 em diante. “As reversões legais para áreas protegidas parecem estar se acelerando”, explicou Kroner. “Respostas políticas são necessárias para salvaguardar os esforços de conservação”, acrescentou. Segundo a cientista, os processos devem ser “transparentes, baseados em evidências, participativos e responsáveis” e credores e doadores internacionais devem considerar essa questão na tomada de decisão sobre financiamentos.

O Brasil

No Brasil, 85 atos legislativos foram promulgados, entre 1900 e 2017, atingindo uma área de 114.856 quilômetros quadrados – o equivalente a praticamente metade do estado de São Paulo. “Destes, 60 ocorreram na Amazônia”, afirmou Coutinho. Mudanças na legislação fizeram a região amazônica perder pouco mais de 90 mil quilômetros quadrados de proteção.

“A maioria desses eventos, 42 deles, ocorreram após 2010 – grande parte em função de obras de infraestrutura”, disse Coutinho. “A causa mais prevalente foram decorrentes de autorizações de barragens de energia elétrica na Amazônia”, completou Kroner, que compilou dados que revelaram que o Brasil é responsável por 87% dos retrocessos em áreas protegidas da Amazônia, em um levantamento que abrange outros oito países amazônicos.

“Estamos assistindo a uma aceleração desses retrocessos no Brasil”, disse. “Oitenta e quatro por cento das reduções aprovadas ocorreram desde o ano 2000”, acrescentou.

(Foto: Pixabay)

Ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016, a bióloga e ambientalista Izabella Teixeira afirmou que sua gestão precisou alterar status de áreas protegidas para equilibrar interesses de diversas políticas públicas. Ela argumentou, no entanto, que essas alterações foram feitas sob compensações, considerando a biodiversidade.

“Muitas vezes isso aconteceu”, afirmou à BBC News Brasil. “Por interesses sociais, programas que precisavam ser implantados. Por outro lado, ampliamos ou compensamos a área, como aconteceu no Parque Nacional dos Campos Amazônicos”, completou. Uma medida provisória do governo Dilma Rousseff alterou o limite de seis unidades de proteção, em 2012, para construir hidrelétricas na Amazônia.

Para Teixeira, retrocessos ambientais podem ter diversas origens. “Precisaríamos identificar caso a caso para saber. Mas há natureza técnica, política e econômica. Do ponto de vista político, isso remete a uma situação de fragilidade e de não priorização da política ambiental. É muito comum que interesses econômicos sejam preponderantes a interesses da biodiversidade, mas isso é só um contexto: vejo como algo muito grave”, disse.

O geógrafo Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010 e atualmente é deputado estadual, classificou o cenário como “assustador”. “Reflete a força da bancada ruralista e a cumplicidade de vários governos estaduais”, afirmou Minc, em entrevista à BBC News Brasil.

“Entendo que as reduções têm sua principal origem no interesse econômico. Sobretudo da mineração e da pecuária. Também para obras e empreendimentos do agronegócio”, disse. “Ganhou força o grupo político mais conservador e reacionário que despreza e desqualifica os ganhos ambientais e prega abertamente a extinção de leis e parques que protegem a biodiversidade”, completou.

(Foto: Pixabay)

“Em nossa gestão no Ministério do Meio Ambiente, criamos ou ampliamos 54 mil quilômetros quadrados de parques e reservas extrativistas. Cada uma era uma guerra”, lembrou Minc, que disse ainda que um cabo de guerra existe entre os ministérios quando se trata de criar áreas protegidas. “Eu solicitei um estudo sobre os ganhos econômicos dos parques e reservas para o turismo, o extrativismo, a água e o clima. Mas os demais ministérios geralmente não consideram o ganho ambiental, social, de biodiversidade e até de água para a agricultura”, disse.

Para o jurista, historiador e diplomata Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, “não chega a surpreender que tenha havido redução significativa das áreas protegidas”. “Atribuo a tendência à pressão constante de interesses econômicos – madeireiros, de mineração, agropecuários, grileiros de terras públicas – e, em menor grau, à pressão social de trabalhadores sem-terra”, afirmou à BBC News Brasil.

“Manter as áreas protegidas nunca foi fácil em razão da enorme desigualdade existente entre os recursos de fiscalização e o poder de grupos econômicos regionais”, completou Ricupero.

O atual ministro do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Salles, foi questionado pela BBC News Brasil sobre quais medidas devem ser adotadas devido aos dados apresentados pelo estudo. O ministro, no entanto, não respondeu ao questionamento até a publicação desta reportagem.

Decisões atuais e o futuro

Para Ricupero, “o atual governo vem contribuindo para agravar o quadro pela posição pessoal e o exemplo altamente negativo do próprio presidente da República”.

“O sistemático desmantelamento do sistema já precário do Ibama e do ICMBio estimula maiores violações dos espaços ainda protegidos e desencoraja a ação dos fiscais. Isso sem mencionar os numerosos projetos em tramitação no Congresso, que terão certamente impacto igualmente destruidor”, disse.

De acordo com o estudo, é necessário estar alerta às propostas em tramitação. “O estudo encontrou 60 eventos propostos, sendo metade deles na Amazônia”, disse Coutinho. Se aprovadas, as medidas prejudicariam 200 mil quilômetros quadrados de bioma – o que corresponde a uma área do tamanho do estado do Paraná.

“A tendência é só piorar, dada a posição do presidente e do atual ministro, e à maior força da bancada ruralista”, disse Minc. “A maior ameaça à biodiversidade é o projeto de lei que acabaria com a reserva legal, que pode ocasionar o maior desmatamento do planeta, da ordem de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, completou. A área citada por Minc equivale a dez vezes o tamanho da Inglaterra.

“Outros projetos de lei negam ao governo a iniciativa de criar parques ou demarcar terras indígenas. Há ainda os que liberam a caça, a lei do abate, até para espécies ameaçadas – que, segundo os autores, estariam ‘ameaçando os rebanhos nas fazendas'”, disse o ex-ministro. “Os projetos que esvaziam o licenciamento ambiental representam outra grave ameaça aos rios e florestas e à saúde da população”, acrescentou.

Para Coutinho, “reversões na regulamentação devem ser amplamente discutidas”. “Estamos sempre dispostos a estabelecer diálogos para o desenvolvimento sustentável com base em dados e boa informação científica”, disse.

“O que os dados mostram é que a proteção do capital natural – entendido aqui como a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos – pode ser grande aliada do desenvolvimento econômico e social, respeitando-se direitos e interesses de diversos setores da sociedade uma vez que todos são beneficiários dos serviços ecossistêmicos”, defendeu Coutinho. “A velocidade em que a biodiversidade vem sendo perdida pode comprometer a funcionalidade do sistema e consequentemente a humanidade no planeta”, concluiu.

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Cãozinho é encontrado com corpo coberto de piche em Barretos (SP)

Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Um cãozinho foi resgatado após ter seu corpo coberto de piche de asfalto na cidade de Barretos, no interior de São Paulo. O responsável pelo crime foi identificado como um homem de 49 anos que foi multado em R$ 3 mil por crime de maus-tratos contra animais. Durante seu depoimento à polícia, o acusado afirmou que tentava tratar um quadro de sarna do cachorro e não tinha intenção de maltratá-lo.

O cãozinho, agora carinhosamente chamado de Chocolate, foi resgatado pela protetora de animais Mirella Assef após a denúncia de um vizinho. Ele foi levado para uma clínica veterinária emergencialmente. Chocolate sentia tanta dor que para tomar banho para a retirada da substância tóxica ele precisou ser sedado com morfina para suportar o procedimento.

As luvas usadas para a retirada do piche da pele do cãozinho derreteram durante o procedimento. O momento foi registrado em um vídeo pela médica veterinária e enviada para a protetora. “O piche é um produto químico tão forte que chegou a derreter a luva durante o banho. Imagina isso na pele do cachorro?”, disse Mirella em entrevista ao G1.

Estima-se que o cãozinho tenha ficado com a substância no corpo por dois dias até ser resgatado. Além dos maus-tratos, Chocolate também não recebia alimento há muito tempo. Após ser sedado, o cãozinho vomitou ossos, pedaços de plástico e de alumínio usados em embalagens de quentinhas. Agora, Chocolate está internado sem previsão de alta.

O cãozinho ainda será submetido a exames e quando se recuperar será disponibilizado para adoção responsável. O suposto tutor do cão responderá pelo crime de maus-tratos contra animais e não poderá criar mais nenhum animal nos próximos cinco anos.

Governo brasileiro negocia ampliação da exportação de carne halal

Por David Arioch

Tereza Cristina com o ministro da Agricultura da Indonésia negociando ampliar as exportações de carne halal do Brasil (Fotos: Mapa/Save Movement)

A ministra da Agricultura Tereza Cristina se reuniu ontem com o ministro da Agricultura da Indonésia, Amran Sulaiman, para discutir a abertura do mercado de carnes brasileiras para o país asiático.

A ministra disse que o Brasil tem condições de suprir a demanda por proteína animal da Indonésia, que é um país bem mais populoso que o Brasil.

“É um país que tem 270 milhões de pessoas. Se você somar o Vietnã e Indonésia, teremos um mercado de quase 300 milhões de pessoas que podem consumir vários produtos do agro brasileiro”, disse Tereza Cristina, acrescentando que o Brasil tem condições de vender carne a preços mais baixos que a Austrália.

Como 87% da população da Indonésia se identifica como muçulmana, caso o país concorde em se abrir mais para o mercado de carnes brasileiras, as exportações devem atender aos preceitos do abate halal.

Nesse processo, o animal não passa por nenhum suposto procedimento de insensibilização e recebe um corte no pescoço em movimento de meia-lua, que culmina no corte dos três principais vasos – jugular, traqueia e esôfago.

Esse tipo de abate, assim como o kosher, tem feito parte de muitas discussões sobre “bem-estar animal” em diversos países. No início do ano, por exemplo, a região de Flandres, na Bélgica, aprovou a proibição de abates halal e kosher, sob a justificativa de que como os animais não são submetidos a nenhum método de insensibilização, o sofrimento é ainda mais evidente.

De acordo com Ali Saifi, diretor-executivo da Cdial Halal, empresa de referência em certificação halal, até 2020 o Brasil tem condições de ampliar as exportações de carne halal em pelo menos 60%. Atualmente o país exporta para 22 países de cultura predominante islâmica – o que representa mais de dois milhões de toneladas de carne halal.

Osasco (SP) inaugura o maior Hospital Veterinário Público do Brasil

Marcelo Silva, ou Marcelão como é conhecido no meio político, é o atual secretário de Meio Ambiente de Osasco (SP), ele está a frente da entrega do Hospital Veterinário da Zona Norte, que aconteceu na última semana.

Segundo o secretário, a entrega do local começou pela revitalização do espaço onde antes era apenas a CCZ. O espaço ganhou um novo paisagismo, a via que fica em frente foi revitalizada. “Nós demoramos um ano para deixar tudo perfeito, hoje nós temos um hospital veterinário fantástico na nossa cidade. Isso é histórico, ter um hospital como este para Osasco e para a região oeste é fantástico”, disse.

Foto: Reprodução / Correio Paulista

De acordo com Marcelo Silva, o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste (Cioeste) estuda participação no Hospital. “Eles estão se manifestando em poder nos ajudar aqui no município, como uma contrapartida para que as outras cidades possam utilizar o local. Nós somos referência. Já recebemos visitas de vários secretários municipais de outras cidades”, afirmou.

O Hospital Veterinário da Zona Norte de Osasco conta com oftalmologista, cardiologista, cirurgião geral e ortopédico. São seis consultórios, uma sala de enfermaria para cães e outra para gatos. Todas as cirurgias contam com um anestesista. Por dia é possível fazer até 15 cirurgias em três salas diferentes. O local conta com um equipamento de Raio-x de última geração, o aparelho de ultrassom também é um dos melhores do país e poucos locais tem um igual.

“O tutor poderá visualizar os exames do seu animal pela internet, ele também assistirá o animal na cirurgia”, contou. Além disso, um auditório para 150 pessoas estará à disposição de protetores de animais ou instituições ligadas à causa animal para que eles possam dar palestra ou promover algo relacionado aos animais. Caso precise de internação, o cão ou gato poderá ficar no local por tempo indeterminado.

Fabio Cardoso é um dos responsáveis pelo projeto do hospital e um dos profissionais mais respeitados da área. Na prefeitura de Osasco, ele é diretor do departamento de Fauna e Bem Estar Animal. “Desde o início do projeto, eu tinha um único objetivo, entregar o melhor hospital para a população. Hoje sem dúvida nenhuma, eu posso falar que nós temos o maior e melhor hospital veterinário do país. Aqui nós atendemos média e alta complexidade”, comemorou.

O local funciona das 8h às 17h de segunda a sexta, para passar em consulta é necessário chegar antes para pegar uma senha, já os atendimentos emergenciais são atendidos na hora. “A limpeza do local e o atendimento são de primeiro mundo. Uma coisa que nós priorizamos aqui é o acolhimento. Nós queremos dar o melhor atendimento”, afirmou o diretor da prefeitura de Osasco.

Ainda de acordo com Fabio Cardoso, os animais que passarem pelo local receberão chips. “Nós fizemos uma compra de 22.500 microchips, isso é mais ou menos 30% da população animal da cidade, essa iniciativa é para cadastrar os tutores e seus animais, para que possamos diminuir o número de animais abandonados na cidade. Se pegarmos um animal abandonado ou que sofreu maus-tratos, o tutor será multado”, explicou. Além disso, o hospital terá cartão pet. “Nos próximos 40 dias nós teremos o cartão que terá todo o histórico do animal, parecido com o cartão do SUS, o tutor do animal também poderá acessar todo o histórico e exames do seu animalzinho”, completou.

Fonte: Correio Paulista

Seis novas espécies de tamanduás são descobertas no Brasil

De pelagem curta e sedosa, com coloração amarelo-dourada, o tamanduaí (Cyclopes didactylus) é a menor e mais rara espécie de tamanduá do mundo. O pequeno habitante das florestas tropicais do continente americano mede cerca de 15 centímetros e pesa até 250 gramas. De hábitos noturnos, se alimenta de formigas e cupins.

Descrito pela primeira vez em 1758, o tamanduaí, tamanduá-anão ou tamanduá-seda, nomes pelos quais também é conhecido, habita florestas da América Central e do Sul.

Foto: Conexão Planeta

No Brasil, até então, só era conhecida a espécie Cyclopes didactylus, com ocorrências no Nordeste brasileiro, única entre os tamanduaís.

Agora, um grupo de brasileiros, liderado pela pesquisadora Flávia Miranda, acaba de anunciar a descoberta de seis novas espécies de tamanduaí no Brasil, duas delas endêmicas daqui, ou seja, só existem em nosso país e em nenhum outro lugar do mundo.

O artigo sobre a descoberta foi publicado no último dia 11 de dezembro, na publicação científica Zoological Journal of The Linnear Society.

Há doze anos Flávia estuda estas espécies, que são observadas em regiões da Mata Atlântica e da Amazônia. Durante todo este tempo, foram realizadas diversas expedições e coletadas amostras de animais do Pará, Pernambuco e Amazônia e, também, México e Bolívia.

Por meio de estudos taxonômicos, que analisaram características físicas como coloração e tamanho em mais de 280 espécimes, além de 33 amostras genéticas, que passaram por testes minuciosos, foram identificadas as seis novas espécies, pertencentes ao gênero Cyclopes: C. ida; C. dorsalis; C. catellus; C. thomasi; C. rufus e C. xinguensis.

Segundo a pesquisadora, o próximo passo é mapear os lugares exatos de ocorrência desses animais. “Com o mapeamento seguro e exato, será possível identificar qual é o nível de preservação dessas espécies, se alguma delas encontra-se sobre o risco de extinção e traçar estratégias de conservação, estimulando também o cuidado e o zelo pelos locais onde são encontradas”, explica a coordenadora do projeto.

Flávia Miranda é zoóloga e coordenadora da ONG Projeto Tamanduá, organização sem fins lucrativos que trabalha em prol da preservação não somente dos tamanduás, mas também de tatus e preguiças.

Em novembro, em entrevista ao Conexão Planeta, a pesquisadora já havia comentado sobre a descoberta, que em breve, seria divulgada.

A pesquisa que resultou no artigo publicado na Zoological Journal of The Linnear, contou com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). “Tão importante quanto a descoberta dessas espécies, é ressaltar o trabalho de todas as pessoas envolvidas no processo, que foram muitas ao longo destes 10 anos dedicados ao estudo”, destaca Flávia.

Fonte: Conexão Planeta

Projeto de lei quer tornar obrigatório o socorro a animais atropelados no Brasil

Por David Arioch

O argumento de Sabino é que muitos animais, domesticados ou silvestres, poderiam ser salvos se recebessem socorro em tempo hábil (Foto: SunnyS/Fotolia)

De autoria do deputado Celso Sabino (PSDB-BA), o Projeto de Lei 1362/19 quer tornar obrigatório o socorro a animais atropelados. A matéria do PL também prevê alteração no Código de Trânsito Brasileiro, que versa apenas sobre seres humanos enquanto vítimas.

O argumento de Sabino é que muitos animais, domesticados ou silvestres, poderiam ser salvos se recebessem socorro em tempo hábil. Com a aprovação do PL 1362/19, quem atropelar um animal terá de pagar multa, “caso não constitua elemento de crime mais grave”.

O deputado aponta que há casos em que a vítima pode ser um animal silvestre e, temendo pela própria segurança, o condutor resolve não fazer nada. No entanto, ele destaca que é responsabilidade do condutor entrar em contato com autoridades que possam fazer algo a respeito, também evitando mais acidentes no mesmo local.

O projeto de lei elaborado em março deve ser encaminhado em breve para as Comissões de Viação e Transportes; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Constituição e Justiça e de Cidadania.

475 milhões de animais mortos nas estradas brasileiras em 2018

Aproximadamente 475 milhões de animais foram mortos nas estradas brasileiras em 2018. A estimativa do atropelômetro do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) é de que 15 animais silvestres foram mortos por segundo, chegando a 1,3 milhão de mortes por dia. Os maiores índices de atropelamentos se concentram em rodovias federais de pista simples.

A região Sudeste responde pelo maior número de mortes de animais por atropelamento, seguida pelas regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Cerca de 430 milhões de vítimas são animais de pequeno porte. Os de médio porte correspondem a 40 milhões e os de grande porte a cinco milhões, segundo o CBEE.

No domingo tem manifestação pelo fim do comércio de animais em vários estados

Por David Arioch

No Brasil, há mais de 30 milhões de animais abandonados (Foto: iStock)

No domingo vão ocorrer manifestações pelo fim do comércio de animais em vários estados brasileiros. Enquanto há quem prefira comprar cães, só no Brasil mais de 30 milhões de animais não têm um lar. Segundo o movimento Nação Vegana Brasil, é preciso criar uma cultura de respeito aos animais não humanos, e isso inclui não ser negligente em relação à realidade do abandono animal em todo o país.

Locais e cidades onde já foram confirmadas manifestações:

Mercado Central em Belo Horizonte (MG) a partir das 9h

Praça Santo Andrade em Curitiba (PR) a partir das 15h

Praia do Arpoador no Rio de Janeiro (RJ) a partir das 15h

Masp em São Paulo (SP) a partir das 12h

Praça Peixoto Gomide em Itapetininga (SP) a partir das 10h

Pista do Campolim em Sorocaba (SP) a partir das 10h

Hambúrguer e filés de peixe veganos chegam ao Brasil

Foto: VegNews

Foto: VegNews

A marca brasileira de alimentos veganos Superbom recentemente lançou um hambúrguer “que sangra” como o produto de origem animal e filés de peixe já prontos para a seção de congelados de supermercados no Brasil.

O Hambúrguer Gourmet – que é feito de proteína de ervilha e é isento de glúten e soja – tem um aroma, sabor e textura semelhantes aos hambúrgueres tradicionais.

“Para garantir o máximo de benefícios para os consumidores, desenvolvemos uma fórmula com alto teor de proteína – 15g de proteína por hambúrguer – suculência, fibra alimentar, vitaminas A, B12 e B9 e minerais como ferro e zinco”, Cristina Ferriera Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Superbom, disse ao site Food Navigator-Latam.

O maior desafio da empresa ao formular o hambúrguer foi conseguir uma textura comparável a um hambúrguer tradicional feito à base de animais, e a companhia conta que levou quase um ano para acertar. Os novos filés de peixe vegano do Superbom também são feitos com proteína de ervilha.

“O filé de peixe vegano é um item inovador porque há poucos alimentos veganos que simulam a carne de peixe no mercado brasileiro”, disse David Oliveira, Diretor de Marketing da Superbom. “Portanto, temos boas expectativas de receptividade dos consumidores com essa novidade.”

Semelhante às tendências em outras partes do mundo, a popularidade e a disponibilidade de hambúrgueres veganos inovadores estão crescendo no Brasil. Neste mês, a startup Fazenda Futuro começou a distribuir o Futuro Burger vegano – feito com a ajuda de inteligência artificial – em lojas e restaurantes no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Prejuízos para o meio ambiente causados pelo Brasil

O jornal The New York Times publicou uma reportagem especial e interativa destacando que carnes e laticínios produzidos no Brasil são piores para o meio ambiente em comparação aos produzidos nos Estados Unidos. A justificativa, referenciada por um estudo da Universidade de Oxford, é que a agropecuária brasileira ultrapassa a dos EUA em emissões de gases do efeito estufa.

Ainda assim, o NYT aponta que alimentos de origem animal como carnes e laticínios, independente de região ou país, juntos são responsáveis por 14,5% dos gases do efeito estufa gerados a cada ano – o que equivale às emissões de todos os carros, caminhões, aviões e navios do mundo todo.

Enquanto a carne tem a maior pegada climática por proteína, alimentos baseados em plantas têm o menor impacto. No ano passado, o estudo da Universidade Oxford publicado na revista Science calculou as emissões médias de gases de efeito estufa associadas a diferentes alimentos – reforçando e detalhando diferenças.

Considerada pelo jornal britânico The Guardian como a maior análise já feita sobre os efeitos da produção agrícola, a pesquisa intitulada “Reducing food’s environmental impacts through producers and consumers”, e realizada pela Universidade de Oxford, que reúne dados de quase 40 mil fazendas que produzem 40 produtos agrícolas em 119 países, informa ainda que 80% das áreas agrícolas do mundo são destinadas à criação de animais para consumo, o que é bastante prejudicial ao meio ambiente.

A reportagem do NYT também ressalta que alguns tipos de queijos podem ter impacto maior do que alguns tipos de carne – como a costeleta de cordeiro. Além disso, o que gera ainda mais preocupação, segundo a publicação, é que alguns especialistas acham que esses números podem subestimar o impacto do desmatamento associado à agropecuária, o que significa que pode ser ainda pior.

Porém há uma certa unanimidade em classificar os alimentos à base de plantas como mais benéficos ao meio ambiente do que qualquer dieta que contenha alimentos de origem animal. Para quem quer reduzir o seu impacto ambiental, o New York Times recomenda que comece cortando carnes e laticínios. A publicação também sugere o consumo de leguminosas em substituição às proteínas de origem animal.

Apenas 17% dos brasileiros que tutelam cães adotam animais abandonados

Por David Arioch

Segundo a Proteção Animal Mundial, 8% dos entrevistados no Brasil não veem problema em envenenar cães abandonados (Foto: Getty Images)

De acordo com uma pesquisa realizada pela organização Proteção Animal Mundial, apenas 17% dos brasileiros que tutelam cães adotam animais abandonados nas ruas, embora 47% dos entrevistados dizem que se preocupam com a questão do abandono.

O relatório faz parte da campanha “A vida é melhor com cães” que, além de apresentar um retrato da relação entre seres humanos e cachorros, também revela a importância de mudanças sobre a percepção que as pessoas têm dos animais e suas necessidades.

Segundo a Proteção Animal Mundial, 8% dos entrevistados no Brasil não veem problema em envenenar cães abandonados. Já o percentual de pessoas que afirmam ter ajudado cães em situação de abandono é de 49%.

“O abandono causa muito sofrimento. Sozinhos nas ruas, eles passam fome, adoecem, são atropelados, envenenados e ficam vulneráveis a todo tipo de violência”, enfatiza a organização.

E acrescenta: “A maioria não consegue sobreviver por muito tempo. Em torno de 75% dos filhotes abandonados morrem antes de completar seis meses de idade.” Há uma estimativa de que no Brasil o número de cães e gatos abandonados ultrapassa os 30 milhões.