Deputado Nelson Barbudo (PSL) quer proibir uso da palavra carne em referência a alimentos de origem vegetal

Por David Arioch

Segundo Barbudo, a palavra “carne” deve ser exclusivamente reservada a todos os tecidos comestíveis “de espécies de açougue” (Foto: Agência Câmara)

Na última terça-feira, o deputado Nelson Barbudo (PSL-MT) apresentou o projeto de lei 2876/2019, que prevê a proibição do uso da palavra carne em referência a alimentos de origem vegetal.

Segundo Barbudo, a palavra “carne” deve ser exclusivamente reservada a todos os tecidos comestíveis “de espécies de açougue, englobando as massas musculares, com ou sem base óssea, gorduras, miúdos, sangue e vísceras, podendo ser in natura ou processados”.

Por isso o deputado quer proibir o uso da palavra carne em embalagens, rótulos e publicidade de alimentos de origem não animal.

“A terminologia “carne” vem sendo utilizada de maneira equivocada pela grande mídia e pela população, de forma geral, em produtos como ‘carne de laboratório’, feita através de células-tronco de músculos de bovinos, ‘carne’, ‘picadinho’ e ‘filé’ de soja, originalmente a proteína texturizada do grão, ‘carne de jaca’, feita com a própria polpa da fruta (Artocarpus heterophyllus), entre diversos outros exemplos”, reclama Nelson Barbudo.

E acrescenta: “Além de criar uma concorrência dos produtos de origem vegetal com os de origem animal, o consumidor é induzido a crer que, ao adquirir um produto de origem vegetal, está ingerindo alimento similar à carne quando, na verdade, está ingerindo extratos, polpas de frutas e etc., que não possuem o mesmo caráter nutricional.”

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Brasil divulga menos de 30% das informações mais relevantes sobre a realidade da Amazônia

Por David Arioch

Entidade analisou 50 sites que fornecem ou deveriam fornecer informações sobre a Amazônia (Foto: Daniel Beltra/Greenpeace)

De acordo com informações do Instituto Centro de Vida, que avalia índices de transparência de dados ambientais sobre a Amazônia Legal, tanto por parte dos nove estados que compõem a área quanto do governo federal, os governos e órgãos públicos divulgam menos de 30% das informações mais relevantes sobre a realidade da Amazônia.

A organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) denuncia que somente 53% das solicitações de informações sobre a Amazônia Legal são respondidas dentro do prazo ou de maneira satisfatória – o que também é apontado como um grande indicativo da falta de transparência.

Segundo o Instituto Centro de Vida, para se chegar ao percentual de menos de 30% de transparência em relação à Amazônia, a entidade analisou 50 sites que fornecem ou deveriam fornecer informações sobre a Amazônia, além de 101 solicitações de informações por meio de sistema eletrônico.

O que também pesou no resultado não foi apenas a disponibilidade das informações, mas também a qualidade, já que a OSCIP também avalia o grau de detalhamento dos dados disponibilizados, o formato e o período de atualização.

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A área da Amazônia Legal é formada pelos estados do Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

The New York Times afirma que carnes e laticínios produzidos no Brasil são piores para o meio ambiente

Arco do desmatamento em benefício da agropecuária na região amazônica (Foto: Alberto César Araújo)

O jornal The New York Times publicou no final de semana uma reportagem especial e interativa destacando que carnes e laticínios produzidos no Brasil são piores para o meio ambiente em comparação aos produzidos nos Estados Unidos. A justificativa, referenciada por um estudo da Universidade de Oxford, é que a agropecuária brasileira ultrapassa a dos EUA em emissões de gases do efeito estufa.

Ainda assim, o NYT aponta que alimentos de origem animal como carnes e laticínios, independente de região ou país, juntos são responsáveis por 14,5% dos gases do efeito estufa gerados a cada ano – o que equivale às emissões de todos os carros, caminhões, aviões e navios do mundo todo.

Enquanto a carne tem a maior pegada climática por proteína, alimentos baseados em plantas têm o menor impacto. No ano passado, o estudo da Universidade Oxford publicado na revista Science calculou as emissões médias de gases de efeito estufa associadas a diferentes alimentos – reforçando e detalhando diferenças.

Considerada pelo jornal britânico The Guardian como a maior análise já feita sobre os efeitos da produção agrícola, a pesquisa intitulada “Reducing food’s environmental impacts through producers and consumers”, e realizada pela Universidade de Oxford, que reúne dados de quase 40 mil fazendas que produzem 40 produtos agrícolas em 119 países, informa ainda que 80% das áreas agrícolas do mundo são destinadas à criação de animais para consumo, o que é bastante prejudicial ao meio ambiente.

A reportagem do NYT também ressalta que alguns tipos de queijos podem ter impacto maior do que alguns tipos de carne – como a costeleta de cordeiro. Além disso, o que gera ainda mais preocupação, segundo a publicação, é que alguns especialistas acham que esses números podem subestimar o impacto do desmatamento associado à agropecuária, o que significa que pode ser ainda pior.

Porém há uma certa unanimidade em classificar os alimentos à base de plantas como mais benéficos ao meio ambiente do que qualquer dieta que contenha alimentos de origem animal. Para quem quer reduzir o seu impacto ambiental, o New York Times recomenda que comece cortando carnes e laticínios. A publicação também sugere o consumo de leguminosas em substituição às proteínas de origem animal.

Mercado de alimentos orgânicos cresce no Brasil

Segundo a Organis, o percentual de consumo de produtos orgânicos no Brasil é de 15% (Foto: Luiz Prado)

O mercado brasileiro de alimentos orgânicos faturou no ano passado R$ 4 bilhões, resultado 20% maior do que o registrado em 2017, segundo o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), que reúne cerca de 60 empresas do setor.

Já o mercado global de orgânicos, sob a liderança dos Estados Unidos, Alemanha, França e China, movimentou o volume recorde de US$ 97 bilhões, em 2017. O balanço foi feito pela Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam) e divulgado em fevereiro.

De acordo com a federação internacional estão identificados cerca de 3 milhões de produtores orgânicos em um universo de 181 países. E a agricultura orgânica cresceu em todos os continentes atingindo área recorde de 70 milhões de hectares, aproximadamente.

O Brasil é apontado na pesquisa como líder do mercado de orgânicos da América Latina. Contudo, quando se leva em consideração a extensão de terra destinada à agricultura orgânica, o país fica em terceiro lugar na região, depois da Argentina e do Uruguai, e em 12º no mundo.

Segundo a Organis, o percentual de consumo de produtos orgânicos no Brasil é de 15%. O Sul e o Centro-Oeste foram as regiões apontadas como maiores consumidoras de orgânicos no país e o Sudeste apresentou o menor percentual de consumo, 10%. Os dados são de 2017, quando foi divulgada a única pesquisa feita sobre a percepção do consumo de orgânicos no Brasil.

De acordo com o estudo, as verduras lideram entre os alimentos orgânicos mais consumidos no país, com destaque para alface, rúcula e brócolis. Na sequência estão as opções orgânicas de legumes, frutas (como banana e maçã) e cereais, como o arroz.

Brasil liderou desmatamento de florestas primárias no mundo em 2018

O Brasil liderou o desmatamento de florestas primárias – áreas com árvores antigas que não são fruto de replantio – no mundo em 2018, segundo um relatório do Global Forest Watch, atualizado pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

Foto: Getty Images

Em todo o mundo, cerca de 12 milhões de hectares de florestas tropicais desapareceram no ano passado, o equivalente a 30 campos de futebol por minuto. Só no Brasil, foram 1,3 milhão, tornando o país o que mais perdeu árvores em 2018. As informações são do portal BBC.

Segundo o levantamento, uma área de florestas primárias equivalente ao tamanho a Bélgica foi destruída no ano anterior. O Brasil e a Indonésia juntos foram responsáveis pelo desmatamento de 46% das florestas tropicais no mundo. Em 2002, o número foi ainda maior, com 71% de desmatamento gerado pelos dois países. A redução foi responsabilidade da Indonésia, com perda de floresta primária 40% menor no ano passado que o registrado entre 2002 e 2016.

Entre os anos de 2007 e 2015, o Brasil registrou 70% de queda no desmatamento. No entanto, entre 2016 e 2017 incêndios, muitos deles intencionais, fizeram o número de áreas desmatadas aumentar.

E apesar da área de floresta primária desmatada no Brasil em 2018 – 1,3 milhão de hectares – ter sido menor do que em 2017, o número ainda está acima da média histórica do país.

“Pode parecer tentador comemorar essa queda nos últimos dois anos, mas quando observamos os últimos 18 anos, fica claro que a tendência é de alta no desmatamento. Estamos longe de vencer essa batalha”, diz Frances Seymour, do World Resources Institute, que administra o Global Forest Watch.

O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registrou, na Amazônia, aumento de 13,7% de desmatamento entre agosto de 2017 e julho de 2018, em comparação aos 12 meses anteriores. O resultado é o pior em 10 anos.

Segundo o Global Forest Wacth, várias áreas desmatadas no ano passado ficam próximas ou dentro de territórios indígenas. Mais de 4 mil hectares foram perdidos na reserva Ituna Itata, onde vivem índios isolados, devido à exploração de madeira.

Com árvores que possuíam centenas e até milhares de anos de idade, os espaços desmatados são importantes para a manutenção da biodiversidade e abrigam animais silvestres, como onças, tigres, macacos e aves. A floresta também é essencial para o controle do aquecimento global, já que armazena dióxido de carbono, conforme lembra o relatório.

“Para cada hectare perdido, estamos um passo mais próximos dos desastrosos cenários projetados para o aquecimento global”, diz Frances Seymour.

Além dos dados sobre o Brasil e a Indonésia, o levantamento mostrou a realidade de países como a República Democrática do Congo, a Colômbia, a Bolívia e o Peru, que também tiveram aumento no desmatamento de florestas primárias desde 2002.

Na Colômbia, especialmente a partir de 2016, o aumento do desmatamento é visto como um reflexo do processo de paz do governo com as Farc, guerrilha que ocupava as florestas. Com o fim da luta armada, abriu-se espaço para a exploração econômica da Amazônia colombiana.

Outro país que apresentou resultados alarmantes foi Madagascar, com perda de 2% de florestas primárias, percentual maior do que qualquer outro país tropical.

“Não é incomum que a perda de áreas de floresta seja associada à morte, porque a cada ano centenas de pessoas são assassinadas tentando impedir a atividade ilegal de madeireiros e garimpeiros”, destaca ainda Frances Seymour.

Exemplo da Indonésia

O sucesso da Indonésia em diminuir o desmatamento no país mostram como as políticas públicas podem impactar positivamente na proteção do meio ambiente.

Além disso, um acordo firmado entre a Indonésia e a Noruega, com o objetivo de promover uma compensação pela redução de emissões, também pode ter colaborado para o país passar a desmatar menos.

“Nós estamos levando a política ambiental a sério. No nosso país, várias empresas foram punidas ou receberam alertas do governo, então estamos nos esforçando para garantir o cumprimento da lei”, diz Belinga Margono, do Ministério de Meio Ambiente da Indonésia.

Guia ensina a identificar mamíferos aquáticos do Brasil

A publicação mostra as principais diferenças físicas entre peixe-boi, baleias e golfinhos | Foto: Pixabay

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), acaba de lançar o Guia Ilustrado de Identificação de Cetáceos e Sirênios do Brasil.

A publicação mostra as principais diferenças físicas entre baleias, golfinhos e peixe-boi. No guia, o interessado encontrará os tipos de nadadeiras (dorsal, caudal, peitoral), as características da cabeça, o peso, as medidas, além de hábitos alimentares de cada espécie.

Segundo o guia, muitos mamíferos aquáticos ocorrem em áreas costeiras e fluviais e, por consequência, estão sujeitos a uma variedade de ameaças impostas por atividades antrópicas. As principais ameaças estão relacionadas ao crescimento desordenado ou irregular de atividades urbanas, pesqueiras, industriais, agrícolas e portuárias.

A publicação traz ainda o mapa de distribuição dos mamíferos aquáticos no Brasil. O objetivo é permitir que leigos, amantes da natureza e pessoas que trabalham próximo ao habitat dos animais (turistas, pescadores, mergulhadores, salva-vidas, estudantes e outros) possam identificar, de forma rápida e eficiente, os cetáceos e sirênios.

Para ter acesso ao Guia Ilustrado de Identificação de Cetáceos e Sirênios do Brasil, clique aqui.

Chega ao Brasil medicação específica para tratar câncer em cães

Foto: Pixabay

O mês de abril é marcado pelo Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado no último dia 08. A data foi criada pela União Internacional de Controle do Câncer (UICC) com objetivo de conscientizar a população global sobre a segunda principal causa de morte em seres humanos. No entanto, essa doença silenciosa, que se caracteriza pelo crescimento desordenado de células, também afeta os animais, principalmente cães.

Dados apontam que em países desenvolvidos o câncer é a principal causa de morte em cachorros. No Brasil, não há dados concretos, mas tudo aponta que as estimativas caminham para a mesma direção e um dos principais fatores associados é o aumento da longevidade dos animais. Vacinas, rações de boa qualidade e tratamentos alternativos aumentaram a expectativa de vida dos cães, que com a idade mais avançada sofrem com a redução da capacidade imunológica.

As causas podem ser muitas e inclusive combinação de fatores como mutações genéticas, poluição, exposição ao fumo e dietas. Há teorias também que associam o câncer em animais a fatores emocionais como medo, estresse e luto. Entender o porquê da doença não é fácil e após receber o disgnóstico, muitos tutores se sentem perdidos e ansiosos para o futuro. Tumores, exames, quimioterapia, cirurgias e uma gama de medicações e tratamentos passam a fazer parte da rotina de cães e tutores afetados pela doença.

Um estudo realizado no Reino Unido aponta que um a cada quatro cães pode desenvolver câncer. Não há dados oficiais no Brasil, mas entre os tipos de tumores diagnosticados com mais frequência estão os mamários, hematopoiéticos (linfomas e leucemias) e de pele (mastocitoma). Segundo informações do Estadão, também há crescimento de registros de tumores hepáticos, de bexiga e pulmonares. Estudos na área crescem e com eles a maior precisão e rapidez de diagnóstico, permitindo que o tratamento tenha mais chance de eficácia.

Além dos tratamentos padrões, que na maioria das vezes são vistos com desconfiança devido aos efeitos colaterais danosos e intensos, agora cães e tutores têm um novo aliado. O medicamento Palladia teve sua venda liberada no Brasil e significa um grande avanço para a medicina veterinária no país. O fármaco é atualmente a única terapia antiangiogênica e antiproliferativa especificamente desenvolvida para o tratamento do câncer em cães.

Uma das grandes vantagens do medicamento é seu menor índice de efeitos colaterais em relação à quimioterapia. O Palladia inibe a tirosina quinase bloqueando a atividade de vários receptores em células cancerosas e vasos sanguíneos. É indicado para o tratamento de cães com mastocitomas cutâneos recorrentes (de graus II ou III). Ele também se mostrou eficiente em pacientes em estágio terminal, que ganharam sobrevida de até seis meses.

O tratamento à base de Palladia não é associado à cura, e sim a uma maior expectativa e melhor qualidade de vida. O fármaco é distribuído pela multinacional Pfizer.

Outras alternativas

Muitos tutores buscam outras formas de tratar seus cãezinhos com câncer motivando a crescente procura por tratamentos holísticos, alternativos e naturais. O caso mais conhecido no país, registrado em SP, e noticiado exclusivamente pela ANDA, é o da cadelinha Luna. Diagnosticada em 2017 com um mieloma múltiplo, câncer raríssimo na medula óssea, a cachorrinha foi submetida a um tratamento multidisciplinar envolvendo dietas balanceadas e um tratamento hemopático à base da planta viscum album.

Luna não só teve todos os sintomas regredidos, como foi considerada curada. Sendo o primeiro caso na história da Medicina Veterinária em todo o mundo. O caso da cachorrinha chamou atenção de vários países e em breve mudará a literatura veterinária. Relembre lendo aqui.

Bolsonaro anuncia decreto favorecendo caçadores, atiradores e colecionadores de armas

Foto: Bolsonaro/Facebook

Foto: Bolsonaro/Facebook

Em uma declaração feita ao vivo de seu Facebook, na noite de quinta feira última (11), o presidente Jair Bolsonaro afirmou ter um decreto pronto sobre as atividades de colecionadores de armas, atiradores esportivos e caçadores, os chamados CACs:

“Vai dar o que falar também. Está prontinho um decreto sobre os CACs. O que é CAC? Colecionador, atirador e caçador. Ouvimos gente na ponta da linha, essas pessoas, ouvimos gente do Exército, [ouvimos] Polícia Federal. Lógico, já houve choque de conflitos, mas democraticamente eu decidi por vocês. O decreto deve sair na semana que vem”.

A declaração representa motivo de preocupação não só para os movimentos ligados à conservação da biodiversidade e contrários à liberação da caça como para todos os defensores dos direitos animais.

O presidente disse ainda que convidará parlamentares integrantes da bancada da segurança pública para o evento de assinatura do decreto no Palácio do Planalto e ressaltou que a medida vai “facilitar e muito” a vida de colecionadores, atiradores e caçadores.

Não foram fornecidos mais detalhes sobre o decreto, o que abre espaço para especulações e apreensão. Já existe um projeto de lei considerado pró-caça que “cria o Estatuto dos CACs, para dispor sobre o exercício das atividades de colecionamento, de tiro desportivo e de caça, em todo o território nacional”, o que deixa margem para a crença de que a declaração do presidente possa ter alguma novidade não divulgada de início e de impacto considerável em relação ao assunto que não estaria presente no projeto de lei 1.019/2019, conhecido como PL Pró-caça.

O PL pró-caça é o 1.019/2019, de autoria do deputado federal Alexandre Leite (DEM/SP). Na proposta do parlamentar, “é direito de todo cidadão brasileiro o exercício das atividades de colecionamento, de tiro desportivo e de caça, de acordo com o disposto nesta Lei e em seus regulamentos” (artigo 3º).

Somando-se a isso há ainda há o fato preocupante de que na campanha em 2018, circulou um vídeo em que Bolsonaro se dizia favorável à caça esportiva para um integrante da Associação Nacional de Caça e Conservação (ANCC). Posteriormente o atual presidente negou ser favorável à caça, alegando que o vídeo foi editado, pois na gravação completa ele estaria falando “somente” de abate de javalis.

Foto: WIKIMEDIA COMMONS

Foto: WIKIMEDIA COMMONS

O que não o isenta do mal-estar causado pela declaração, uma vez que os javalis são tão dignos do direito â vida como qualquer outro animal.

Mas sociedade está reagindo e não pretende aceitar a tudo calada: em 26 de março foi divulgado o Manifesto Contra a Liberação da Caça no Brasil, o texto é uma iniciativa do coletivo de ambientalistas e pesquisadores Aliança Pró Biodiversidade (APB) que elaborou um manifesto contra as tentativas de tornar a caça comercial e esportiva práticas legalizadas no Brasil.

O manifesto já conta com 400 signatários até o momento.

Foto: Vinicius Ribeiro/YouTube

Foto: Vinicius Ribeiro/YouTube

Proibida no Brasil desde 1967, as iniciativas a favor da liberação da caça não param de crescer a sombra do atual governo. Atualmente, quatro projetos de lei pró-caça estão tramitando na Câmara dos Deputados.

A caça nada mais é que é um extermínio de vidas de seres indefesos de forma covarde e predatória por humanos prepotentes. Os animais ficam expostos e ao bel prazer de caçadores armados têm suas vidas arrebatas e seus corpos expostos como motivo de orgulho e vaidade.

Acreditar e apoiar a diversão ao custo da vida de outro ser é um ato cruel e irresponsável que sinaliza de forma clara e inequívoca a que rumo se dirige nossa sociedade.

Lutemos para que esse triste retrato de nosso tempo, que representa um retrocesso, não se consolide.

Clique aqui para conhecer o manifesto “A SOCIEDADE REAGE: NÃO À LIBERAÇÃO DA CAÇA NO BRASIL! “

Extinção de aves no Brasil é preocupante

Ararinha-azul desapareceu da natureza e hoje só pode ser encontrada em cativeiro (Foto: Patrick Pleul/AFP)

Quatro espécies brasileiras estão entre as oito aves declaradas extintas no mundo ao longo desta década, de acordo com um levantamento da BirdLife International. A instituição aponta ainda que uma quinta espécie, a emblemática ararinha-azul, desapareceu da natureza, sendo encontrada apenas em cativeiro.

A eliminação desses animais também é considerada preocupante porque as aves desempenham importante papel no equilíbrio dos ecossistemas. Em pesquisa realizada ao longo de oito anos, a ararinha-azul, a arara-azul-pequena, o caburé-de-pernambuco, o limpa-folha-do-nordeste e o gritador-do-nordeste tiveram seu status de conservação revisado pela BirdLife International.

A ONG recomendou no ano passado que as espécies fossem acrescentadas à lista de extinções presumidas ou confirmadas, elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). “A gente está empobrecendo o planeta, mas não foi da noite pro dia”, lamenta Pedro Develey, ornitólogo e diretor-executivo da SAVE Brasil, instituição que representa a BirdLife no país.

Para o especialista, o fim das espécies brasileiras é o resultado de anos de degradação do meio ambiente e consequente destruição do habitat natural dessas aves, sobretudo na Mata Atlântica da região Nordeste.

Em todo o Brasil, o bioma — que cobria 15% do território nacional — sofreu perdas de 1,9 milhão de hectares no período 1985-2017, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. A extensão de floresta destruída equivale à área total do estado de Sergipe. A mesma organização estima que restaram apenas 12,4% das florestas originais do bioma no país.

O caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) era uma pequena espécie de coruja, com tamanho em torno de 10 cm, endêmica desse tipo de vegetação tropical úmida, bem como do estado que lhe dava nome.

Situação semelhante era a do limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), encontrado apenas em dois lugares em todo o planeta — o município de Murici (AL) e a Reserva Frei Caneca, em Jaqueira (PE). Nas duas localidades, também em trechos de Mata Atlântica, o animal foi avistado pela última vez em 2007 e 2011, respectivamente. O gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) também era endêmico das duas regiões.

Em menos de um mês, quatro matadouros foram fechados no Brasil

Matadouros em Santa Cruz do Capibaribe (PE) e Nossa Senhora das Dores (SE) foram fechados recentemente (Fotos: Ministério Público de Pernambuco e Sergipe)

Em menos de um mês, quatro matadouros foram fechados no Brasil após denúncias do Ministério Público. Os abatedouros se situavam em Nossa Senhora das Dores (SE), Siriri (SE), Santa Cruz do Capibaribe (PE) e Itacoatiara (AM).

Atê o mês passado, no matadouro de Nossa Senhora das Dores os animais eram abatidos no concreto do estacionamento. No matadouro de Siriri, os bovinos, além de maltratados antes do abate, eram mortos à marretadas.

Realidade parecida foi testemunhada e denunciada pelo Ministério Público em Santa Cruz do Capibaribe, onde caprinos, ovinos e suínos eram abatidos com o uso de marretas. O local também apresentava precárias condições de higiene.

Além da realidade dos animais, a Segunda Promotoria de Justiça Cível de Santa Cruz do Capibaribe declarou que a situação do matadouro demonstrou alto e elevado risco de contaminação.

“Há consequente perigo de contaminação da população que consome tal tipo de carne, sujeita a contrair doenças graves, infectocontagiosas, por bactérias, vermes e resíduos de antibióticos e [esteroides] anabolizantes, que podem matar, provocar câncer, tuberculose e alterações hormonais, além de vários outros prejuízos à saúde”, frisou o promotor Carlos Eugênio do Rego Barros Quintas Lopes.

Em Itacoatiara, a 270 km de Manaus, um matadouro foi fechado por más condições de higiene e por maus-tratos aos animais. O espaço também era utilizado para a realização de “brigas de galo”. Além disso, o Ministério Público denunciou que havia esteroides anabolizantes no local.

O MP e a Polícia Civil recolheram porcos e 50 galos. Três homens que eram responsáveis pelo matadouro foram encaminhados à delegacia e indiciados por crimes ambientais e maus-tratos.

“O lugar não tem condição de higiene nenhuma, há proliferação de insetos, bichos. A carne que sai deste abatedouro é altamente imprópria para o consumo”, destacou a promotora do Ministério Público do Amazonas, Tânia Azevedo.