Governo brasileiro diz que começará a exportar bois vivos para a Malásia

Embarque de 27 mil bois em navio no Porto de Santos, SP. Foto: Reprodução/TV Tribuna

Como não se bastassem as recentes e tristes notícias que assolam o país, o Chanceler do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo, anunciou em sua conta pessoal no Twitter a abertura do mercado de exportação de bois vivos para a Malásia.

A lamentável notícia foi dada por uma nota conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Hoje, o Brasil vive umas de suas maiores tragédias ambientais. Dezenas de pessoas morreram e centenas ainda estão desaparecidas sob a lama de Brumadinho, incontáveis animais também perderam suas vidas pela ganância e irresponsabilidade humana.

Bois e vacas atolados foram mortos friamente a tiros pela polícia e, estranhamente, isso chocou a população. Grande parte destas pessoas, consome carne bovina e financia todas as torturas e crueldades a que esses animais são submetidos durante toda a vida em matadouros e em navios de exportação de carga viva, como estes que em breve partirão do Brasil levando dor e desespero a milhares de criaturas indefesas.

Foto: Renan Fiuza | G1

Amontoados em um ambiente sujo e quente, muitos não chegam ao seu destino. Fezes e urinas, quando retirados, são jogados em alto mais, assim como os cadáveres daqueles que não suportam a jornada. Os dejetos dessas animais têm impacto negativo para a vida marinha, contribuindo para a poluição dos oceanos e, consequentemente, com a morte de milhares de outros animais.

Com a declaração, Ernesto Araújo, se vangloria em dizer que o Brasil reforçará a posição “de um dos maiores líderes mundiais na exportação de proteína animal”.

Este é apenas mais um grande passo para trás dado pelo pais, que tem leis fracas e falhas de proteção animal e do meio ambiente, que explora e destrói a floresta Amazônica com ações criminosas sem precedentes.

A luta contra a exportação de cargas vivas

A polêmica sobre a terrível e cruel prática de exportar animais vivos foi um assusto muito discutido ano passado. Em fevereiro de 2018, mais de 20 mil bois foram transportados em um navio destinado à Turquia.

A embarcação chegou a ficar retida no porto, após intervenção de ativistas e entidades de proteção animal mas, infelizmente a liminar que proibia a partida do navio foi derrubada e eles se foram.

Foto: Divulgação

Após tamanha repercussão, uma lei municipal em Santos, proibindo o tráfego de veículos de transporte de carga viva pelas ruas da cidade, foi aprovada. Mas, em outubro do ano passado, por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou uma decisão individual do ministro Edson Fachin que suspendeu a lei.

 

 

 

 

 

Morremos com as abelhas

Foto: Pixabay

As abelhas estão sendo dizimadas por agrotóxicos, mas é ele que mantém o PIB do Brasil – diz a propaganda na TV.

O artigo é de Nilton Kasctin dos Santos, professor e promotor de Justiça de Catuípe, RS, publicado por Brasil de Fato, 09-01-2019.

A tragédia do extermínio de abelhas por agrotóxico em São José das Missões (RS) me conduz a uma indagação intrigante: vale a pena morrer pela bandeira do agronegócio? Pela soja, especialmente?

Vamos situar a questão. Por causa da propaganda intensa dos grandes produtores de soja e empresas que fabricam e vendem adubos químicos, agrotóxicos e sementes, a sociedade passou a acreditar que esse tipo de produção perversa de grãos para exportação é fundamental para a economia do País.

A sociedade inteira não vê a cor do dinheiro da produção de soja, mas tem certeza de que o Brasil vai quebrar se adotarmos uma forma de cultivo agrícola sem veneno. Isso se chama lavagem cerebral. Todos acreditam piamente que tem que ser assim, porque assim diz a propaganda do agronegócio.

As pessoas nunca se preocuparam com a comida da sua avó, mas agora se preocupam com a alimentação do povo chinês. O Brasil precisa alimentar o mundo, dizem em coro.

O sistema perverso de produção agrícola monocultural do Brasil, que destrói a vida planetária e enche o bolso de poucos fazendeiros e empresários do ramo, pode custar-nos a vida, mas não tem outro jeito, dizem as pessoas comuns. E as autoridades políticas também.

As abelhas estão sendo dizimadas por agrotóxicos, mas o agronegócio é o que mantém o PIB do Brasil, diz a propaganda da televisão. E a sociedade inteira. E por cima ainda é “tech”, “pop” e outras coisas que as pessoas gostam de ouvir, sem saber o que significam.

Estamos loucos. A ponto de morrer pela causa do agronegócio. Sim, porque se as abelhas desaparecerem, como já desapareceram ao redor da lavoura desse plantador de soja, toda a espécie humana será extinta. Em apenas quatro anos, diz a ciência. Acontece que são esses insetos que polinizam as flores de quase todos os alimentos vegetais que consumimos. Sem abelhas, não tem milho, soja, feijão, trigo, aveia, frutas etc.

Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), apenas um plantador de soja, com apenas uma aplicação de veneno, causou a morte de 12 milhões de abelhas. A conta está errada. A Emater contabilizou só as abelhas mortas das duzentas caixas de produção de mel. Mas morreram todos os enxames de abelhas de ferrão existentes nas matas ao redor, num raio mínimo de seis quilômetros (área de voo das abelhas). Também morreram marimbondos, vespas, mamangavas, cigarrinhas, besouros, joaninhas e pulgões. Detalhe: nenhum desses bichos estraga soja; eles só se alimentam de néctar ou de seiva das plantas.

E morreram também as abelhas sem ferrão, como jataís, mirins, mandaçaias, irapuás, manduris, uruçus e muitas outras espécies.

Morreram em seus ninhos nos matos, a maioria sem ter visitado a lavoura envenenada, bastando que alguns insetos tenham levado pólen em suas patinhas ou néctar na vesícula melífera. Uma microgota levada por meia dúzia de abelhas contamina e mata toda a colmeia.

Então, pode colocar na conta funesta desse agricultor, não 12 milhões de vidas animais, mas bilhões e bilhões de seres preciosos para a nossa vida.

Estou falando de uma localidade pequena onde foram criminosamente aplicados agrotóxicos para insetos em uma pequena plantação de soja. Imagine o que está acontecendo por todo esse imenso território brasileiro, completamente tomado de soja.

É de chorar. Dá tristeza de verdade. Mas o mais triste é saber que isso parece ser apenas o começo. Porque o Presidente Bolsonaro garantiu aos ruralistas, em campanha, que, quando eleito, iria acabar de vez com a “indústria” das multas ambientais e simplificar a legislação no que interessa ao agronegócio, incluindo, obviamente, a liberação rápida de mais agrotóxicos.

Leonardo DiCaprio faz o #10YearChallenge com imagens da Amazônia

O ator e ativista Leonardo DiCaprio usou o #10YearChallenge para fazer um alerta sobre o desmatamento no Brasil.

Foto: Reprodução | Instragram

O ator comparou imagens aéreas da Floresta Amazônica. “Rondônia, no Brasil, originalmente tinha mais de 200 mil km² de floresta, mas se tornou um dos locais mais desmatados da Amazônia”, diz a legenda em inglês.

Além de DiCaprio, outros famosos estão aproveitando o desafio para chamar atenção do público. No Brasil, por exemplo, Anitta e Leandra Leal usaram a brincadeira para falar sério.

Foto: Reprodução | Instragram

Foto: Reprodução | Instragram

Conforme já noticiado pela ANDA, o desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes as de cerrado, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.

O alerta foi feito em um editorial publicado na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.

O desafio para se conter o comércio tráfico de aves no Brasil

O Brasil tornou-se o primeiro país da América do Sul a proibir, por lei, o comércio de animais silvestres. Isto aconteceu em 1967, e foi o jeito que o governo da época encontrou para romper o abuso depois de décadas de exploração intensiva que causou a extinção de muitas espécies, sobretudo de aves.

Foto: Pixabay

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, um único comerciante londrino importou 400 mil beija-flores e 360 mil outras aves do Brasil. Em 1932, cerca de 25 mil beija-flores foram caçados no Estado do Pará e enviados para a Itália para enfeitar caixas de chocolate.

Centenas de milhares de aves vivas foram depois exportadas como animais domésticos em toda a América do Sul após meados da década de 1950, depois que as conexões das companhias aéreas comerciais, principalmente através de Miami, estavam regularmente disponíveis.

O Brasil tornou-se o primeiro país da América do Sul a proibir, por lei, o comércio de animais silvestres. — Foto: Unsplash

Bem, mas isto é história, e está bem contada no novo estudo sobre comércio de aves da América Latina produzido pela ONG Traffic, que trabalha no contexto da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável com apoio do WWF. O relatório é extenso, chama-se “Bird’s-eye view: Lessons from 50 years of bird trade regulation & conservation in Amazon countries” (“Vista Aérea: Lições dos 50 anos de regulamentação e conservação do comércio de aves nos países da Amazônia”, em tradução livre) e traz um panorama sobre o comércio de aves no Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname e as ameaças à conservação representada pelo excessivo comércio internacional de espécies.

De 30 a 35 mil aves são confiscadas anualmente, diz o estudo. — Foto: Unsplash

A boa notícia para o Brasil é que temos uma lei — e que, por causa dela, aquele abuso cometido no passado deu uma estancada. Um turismo com base em observação de pássaros no Brasil, Equador e Colômbia dá incentivo econômico e força para coibir os predadores. Mas, assim como há lei, há quem transgrida a lei. E o comércio clandestino de aves é, hoje, um enorme desafio para se manter nossas espécies — ou, pelo menos, o que restou delas.

O estudo mostra que, em média, 30 a 35 mil aves são confiscadas anualmente, muitas delas destinadas a “competições de canto de pássaros”, onde os espectadores apostam dinheiro nos resultados de quantas músicas ou frases um pássaro cantará em um determinado período de tempo. Para nossa sorte — de pessoas que se sentem felizes em ouvir cantos de pássaros sem precisar engaiolá-los — este número não variou significativamente nos últimos 15 anos. Assim mesmo, diz o estudo, a indústria que produz gaiolas, alimentos e outros requisitos para a manutenção de aves no Brasil é um negócio multimilionário que gera cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos. Há sempre alguém que se beneficia.

A indústria que produz gaiolas, alimentos e outros requisitos para a manutenção de aves no Brasil é um negócio multimilionário. — Foto: Pixabay

Autor do estudo, o especialista Ortiz-von Halle afirma que o comércio ilegal internacional de aves sul-americanas foi reduzido ao seu nível mais baixo em décadas. No entanto, isso aconteceu “principalmente porque as espécies de aves mais procuradas pelos colecionadores já existem na maioria dos países consumidores”. Ou seja, a exploração foi tanta que tem espécies nativas que deixaram de ser.

“As complexidades do comércio de aves têm sido subestimadas. Para garantir um futuro para as espécies cada vez mais ameaçadas da região, precisamos de estratégias integradas que busquem urgentemente impedir ou reverter a destruição de habitats e melhorar a fiscalização, complementados com incentivos econômicos para a geração local de renda através do turismo e uso sustentável dos recursos naturais. Isso oferece o melhor caminho para a notável avifauna da América do Sul”, disse ele.

A Lei de Proteção à Fauna, assinada no regime militar no dia 3 de janeiro de 1967, o que mudou o status da vida selvagem, pelo menos perante a lei. — Foto: Unsplash

Para entender melhor o que ele quer dizer com “complexidades”, vamos à história que Ortiz Von-Halle conta — cenas de antes da lei que coibiu o abuso e que podem ilustrar a trajetória dos desafios que temos ainda hoje:

Até o Canal de Panamá ser aberto, em 1914, todos os navios que retornavam para a costa leste dos EUA ou Europa, do lado do Pacífico da América do Norte e do Sul, paravam nos portos brasileiros. Isto facilitou o envio de muitas mercadorias, incluindo aves vivas, penas e suas peles secas, e levou milhares de papagaios, tucanos e primatas de muitas espécies para Nova York e para o mercado europeu.

Só em 1964, numa única fazenda do Amapá, 60 mil patos foram mortos. — Foto: Unsplash

Com a ajuda do ornitólogo Helmut Sick, que tem mais de 200 trabalhos publicados sobre o tema, o autor do estudo descobriu que, só em 1964 — e numa única fazenda no Amapá —, 60 mil patos foram mortos. Entre 1930 e 1940, fotos guardadas pelo especialista mostram caçadores fazendo pose ao lado de centenas de carcaças de uma espécie de pato que era característica de Londrina e que hoje não existe mais. Por volta de 1914, na região do Rio Negro, um comerciante empregou 80 homens com o objetivo de caçar e matar garças. Tudo isso abastecia o mercado de penas e peles nos séculos XIX e XX: para um quilo de plumas, 300 mil teriam que ser mortos.

Durante a Primeira Guerra Mundial, foram importados 400 mil beija-flores e 360 mil outras espécies de aves.

E veio a Lei de Proteção à Fauna, assinada no regime militar no dia 3 de janeiro de 1967, o que mudou o status da vida selvagem, pelo menos perante a lei.

“… Não pode ser considerado um direito do cidadão, ou negligenciado indulgentemente, a destruição de elementos vitais do equilíbrio biológico. A caça pode ser permitida como esporte, mas nunca como fonte barata para uma indústria extrativa. A vida selvagem é mais do que o patrimônio do Estado: é um elemento para o bem-estar dos homens e da biosfera ”, diz o texto da lei.

Durante a Primeira Guerra Mundial, foram importados 400 mil beija-flores e 360 mil outras espécies de aves. — Foto: Pixabay

Foi com a Constituição de 1988 que a destruição da vida selvagem através da caça por lucro ou esporte foi banida. A solução foi a reprodução em cativeiro, “considerada uma alternativa sensível à conservação para exploração comercial da fauna nativa”. Assim, o último programa legal de caça ao pato no Estado do Rio Grande do Sul foi declarado inconstitucional e fechado em 2008.

Na ilegalidade, o contrabando tem causado baixas em nossa biodiversidade, o que, como se sabe, colabora sensivelmente para acelerar o processo das mudanças climáticas. Entre Brasil e Portugal, por exemplo, países que têm uma ligação com mais de 60 voos diretos por semana, é uma farra. Em vez de levarem as aves vivas, os marginais descobriram ser possível contrabandear ovos, atividade que começou por volta de 2002, segundo o estudo, já que papagaios e tucanos vivos, enviados sedados, costumavam chegar mortos a seu destino.

“Os ovos são transportados amarrados aos corpos dos passageiros para manter a temperatura de incubação durante o voo de 10 a 14 horas. Eles são embalados em papel de seda dentro da meia-calça feminina ou vão enrolados na cintura da pessoa”.
Organizações não governamentais têm sido importantes, junto com o Ibama e o ICMBio, para conter o desatino. Na conclusão de seu estudo de caso sobre as aves do Brasil, o autor diz que é um desafio muito grande tentar conter o contrabando ou mesmo o uso indevido de aves porque existe, entre outras coisas, uma falta de informação sobre a preciosidade desses animais para o planeta.

Foi com a Constituição de 1988 que a destruição da vida selvagem através da caça por lucro ou esporte foi banida. — Foto: Unsplash

“A estratégia para estancar os criadores comerciais parece estar tendo algum efeito, já que seus números continuam diminuindo, mas as centenas de milhares de amadores representam um desafio maior. A posse habitual de espécies de aves nativas como animais de companhia é muito difundida. A consciência ambiental geral aumentou em certos setores do Brasil, que constitui 70% da população. Mas a população rural e suburbana mais ampla ainda carece dos níveis de educação, motivação e conscientização. A pobreza sempre empurrará as pessoas para capturar a vida selvagem em busca de lucro ou de maneira oportunista para acessar alimentos ou outros bens”, conclui ele.

Vale para refletir.

Fonte: G1

valdir colatto

Integrante da bancada ruralista aceita convite para ser chefe do Serviço Florestal

O deputado Valdir Colatto (MDB-SC) confirmou hoje (17/01) ter aceitado o convite feito pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para ser o novo chefe do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Colatto é integrante da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso, conhecida como a bancada ruralista.

valdir colatto

Foto: Câmara dos Deputados

O deputado disse que já informou a ministra da Agricultura sobre sua decisão de aceitar o convite e que será um “grande desafio” assumir o comando do SFB. Colatto deve tomar posse do cargo em fevereiro.

De acordo com ele, nesta quinta-feira (17) haveria uma reunião com a ministra Tereza Cristina e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para discutir o trabalho do Serviço Florestal e como ele poderá ser dividido entre as duas pastas.

O Serviço Florestal Brasileiro, criado em 2006, era vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Após o presidente Jair Bolsonaro editar uma medida provisória (MP) no dia 01 de janeiro, o serviço passou a ser vinculado ao Ministério da Agricultura. Segundo o site do órgão, cabe ao Serviço Florestal “promover o conhecimento, o uso sustentável e a ampliação da cobertura florestal, tornando a agenda florestal estratégica para a economia do país”.

A cobertura de vegetação no Brasil é de pelo menos 67% do território, com 63% sendo de florestas e 4% de vegetação nativa, como os campos gaúchos, de acordo com o MapBioma, o maior levantamento sobre o assunto já feito no Brasil, que envolve o período de 1985 a 2017.

De acordo com o engenheiro florestal Tasso Rezende de Azevedo, coordenador do MapBioma e ex-diretor Serviço Brasileiro Florestal, considerando apenas a vegetação preservada desde 1985 até 2017, a cobertura passa para 48% do território do Brasil. Este percentual não considera áreas onde a vegetação foi desmatada e voltou a crescer.

O engenheiro, responsável pela primeira estruturação do Serviço Florestal Brasileiro, criticou a escolha feita pela ministra para o cargo. “O Serviço Florestal foi criado para ser uma organização técnica, de alta capacidade técnica. Todos os dirigentes e funcionários, desde sua criação, em 2006, têm que ter alta capacidade técnica. Foi assim com todos os dirigentes. Se fazia comitê de busca para buscar os melhores profissionais. O que é o espanto é a gente ter abandonado isso num governo que diz que quer ter gente técnica para trabalhar.”

Nota da Redação: é inaceitável que um cargo de tamanha importância para a conservação da vida selvagem e de seu habitat seja dado a alguém que defende a caça de animais silvestres e o desmatamento da floresta amazônica. Os interesses humanos e capitalistas não devem jamais se sobrepor ao interesse dos animais e do meio ambiente. Esta foi uma decisão muito imprudente e perigosa, visto que o deputado Valdir Colatto poderá causar sérios estragos ambientais como o novo chefe do Serviço Florestal. Quando nem mesmo o governo reconhece a importância de se proteger a floresta e os animais, cabe a nós a função de salvar aqueles que não têm como se defender sozinhos.

Brasil matou mais de 40 milhões de porcos em 2018

(Foto: Anita Krajnc/Toronto Pig Save)

O Brasil matou mais de 40 milhões de suínos em 2018. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só no terceiro trimestre do ano passado foram mortos 11,56 milhões de porcos.

No mundo todo, cerca de 23 milhões de porcos são mortos por semana, segundo a organização Animal Ethics, do Reino Unido. China, União Europeia e Estados Unidos respondem por mais da metade da morte de suínos. Em seguida, vem o Brasil.

Dos mamíferos reduzidos a alimentos e produtos, os porcos estão no topo. Mata-se no mundo todo pelo menos três vezes mais suínos do que bois e vacas, de acordo com a AE. Sem dúvida, são dados chocantes, considerando o fato de que porcos são seres sociáveis que nascem com aptidão para interagir e viver em grupo, e podem ser mais inteligentes do que os cães.

Recentemente, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Messerli, vinculado à Universidade de Viena, na Áustria, provaram que os porcos são mais inteligentes do que pensamos. Segundo o estudo “Pigs (Sus scrofa domesticus) categorize pictures of human heads”, publicado pelo Jornal da Sociedade Internacional de Etologia Aplicada, os suínos não são apenas curiosos e têm boa capacidade de aprendizado, mas possuem uma boa memória de longo prazo. Também conseguem enganar deliberadamente outros porcos e podem antecipar necessidades e intenções.

Fonte: Vegazeta

Pesca assombra com morte e mutilação quase 70 mil animais por dia no Brasil

© AP Photo / Jose Ingnacio

O descarte e a perda de equipamentos de pesca nos mares do mundo inteiro criam um fenômeno chamado de “pesca fantasma”, que assola quase 70 mil animais marinhos todos dias no Brasil. A Sputnik Brasil conversou com o biólogo João Almeida, da ONG Proteção Animal Mundial, cujo relatório lançou luz sobre o problema no país.

“A pesca fantasma é aquela pesca que é realizada por equipamentos de pesca como redes, linhas, cabos, boias que foram perdidos no oceano e uma vez perdidos continuam fazendo pesca sem nenhuma utilidade. E é um tipo de pesca que no fim das contas acaba gerando um grande nível de sofrimento animal e também impacto em mortes de várias espécies marinhas, tendo grande impacto aí em termos de bem-estar e conservação para as espécies dos nossos oceanos”, explica o biólogo João Almeida.

Almeida faz parte da ONG Proteção Animal Mundial, que lançou em dezembro passado o relatório “Maré Fantasma — Situação atual, desafios e soluções para a pesca fantasma no Brasil”, revelando que o problema está presente em 12 dos 17 estados da costa brasileira. Segundo a publicação, o primeiro diagnóstico nacional feito sobre a questão, o fenômeno afeta 69 mil animais todos os dias ao longo de toda a costa do país.

O biólogo explica que o problema do descarte irresponsável de materiais de pesca vai desde a pesca industrial até os pequenos pescadores. Essa situação é uma decorrência de uma falta de consciência ambiental, legislação específica, negligência governamental e também de conhecimento sobre os impactos causados pelo fenômeno.

“Grande parte do material de pesca que vai para os oceanos e fica perdido está relacionada a uma falta de consciência ambiental de quem realiza a pesca, e aí a gente pode incluir a indústria de pesca e também alguns pescadores tradicionais e artesanais”, ressalta o pesquisador.

A falta de conhecimento sobre o tema cria, segundo o pesquisador, uma necessidade de divulgação e educação geral para que haja maior cuidado com os materiais utilizados. Ele explica que, no entanto, isso não é suficiente, tendo em vista que a atividade no mar está sob o risco de diversas variáveis e é comum que decorra daí, também, a perda dos materiais que causam a pesca fantasma.

“Além da questão de consciência ambiental, a gente sabe que trabalhar no mar não é uma atividade fácil. O mar recorrentemente vira e entra em condições de difícil operação, então tem uma perda mesmo intrínseca ao fato do oceano ser um ambiente muitas vezes hostil para o trabalho”, lembra Almeida.

Mutilações e crueldade com os animais marinhos

A rede de pesca é provavelmente o material com maior nível de crueldade com os animais, explica o biólogo. Isso porque o equipamento é abrangente e arrasta tudo que estiver no caminho, fazendo uma “pesca inespecífica”, e afetando uma larga gama da diversidade da vida marinha.

Há dificuldades de estimativa de quantas espécias sofrem os impactos da pesca fantasma, mas o pesquisador cita casos de animais como as tartarugas, as baleias e os golfinhos, que precisam subir à superfície para respirar. Ele explica que além de mutilações, esses casos podem levar esses animais à morte por sufocamento.

Em outras situações, as mutilações causadas pelas redes podem fazer com o que os animais percam a capacidade de encontrar comida e morram em decorrência disso. Há também os animais que se emaranham nas redes e com isso atraem predadores que também ficam presos, em uma espécie de efeito cascata que chega a prender, inclusive, aves marinhas.

Segundo o biólogo, já há estudos que demonstram que entre determinadas espécies, o impacto da pesca fantasma chega a diminuir as populações em até 30%.

Estima-se que no mundo todo cerca de 640 mil toneladas de equipamentos de pesca sejam dispensadas anualmente. No Brasil a estimativa da ONG em que trabalha Almeida aponta para um descarte ou perda diária de 580 quilos desse tipo de ferramenta de trabalho. Animais como os tubarões, lagostas, pinguins e caranguejos estão entre as vítimas desse tipo de “lixo marinho”.

“O governo pode caminhar melhor na solução da pesca fantasma”

Almeida explica que os governos têm poucas iniciativas em relação ao problema e que há uma necessidade do aumento da atuação desse setor. É preciso, segundo ele, que haja um aumento de investimentos na estrutura de pesquisa para que se identifique com mais clareza o problema, apontando os locais mais críticos e as possibilidades de ação.

“Daí então definir estratégias para a remoção desses materiais, para trabalhar mais próximo dos moradores da região litorânea, dos atores da indústria, dos pescadores artesanais, para que estes, principalmente nas áreas críticas, contribuam fortemente para a mudança que é necessária”, apela o pesquisador.

Uma das ideias em voga é a implementação de certificação e auditorias para que os produtos de pescado vendidos ao consumidor final, encontrados nos supermercados, tenham selos ou identificações de pesca responsável. Dessa forma o consumidor poderia optar por produtos cuja produção abrace a consciência ambiental em relação aos oceanos e seus animais.

O biólogo também aponta que o consumidor pode escolher, por ora, diminuir seu consumo de pescado a fim de contribuir com o meio ambiente, que seria menos impactado pela pesca no formato atual.

“O governo pode caminhar melhor na solução da pesca fantasma. O Brasil ainda engatinha nesse sentido, a gente conseguiu identificar isso muito bem no relatório Maré Fantasma — muito poucos estados com estrutura dedicada especificamente para mapear o problema da pesca fantasma”, destaca o biólogo.

Almeida destaca que São Paulo e Santa Catarina são os estados cujo trabalho nesse sentido se encontra em estado mais avançado, porém os outros estados ainda precisam de mais investimentos. Para João Almeida, só assim será possível criar um “grande diagnóstico nacional”, que vai subsidiar futuramente a elaboração de políticas públicas.

Primeiras ações desenham futuro melhor

Por outro lado, o Brasil tem demonstrado interesse em levar adiante a questão. Almeida destaca que, em 2018, pela primeira vez foi realizada no Brasil a reunião da Comissão Baleeira Internacional, na qual o país liderou uma inédita resolução contra a pesca fantasma.

“E o que significa essa vitória liderada pelo Brasil? Significa que de agora em diante a Comissão Baleeira Internacional vai precisar despender recursos financeiros e de equipe, de seus pesquisadores, para trabalhar no combate à pesca fantasma e reduzir o impacto desse tipo de pesca sobre as diferentes espécies de baleia ao redor do mundo”, comemora o pesquisador.

A exemplo da Comissão Baleeira Internacional e da própria Proteção Animal Mundial, João Almeida destaca o papel de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), que através da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), tem também apoiado o debate e ações de combate à pesca fantasma.

“Recentemente a gente teve um trabalho interessante de engajamento da ONU na agenda, que foi que, em julho, teve uma reunião da FAO, mais especificamente de seu comitê que discute a pesca. Nessa reunião, realizada em Roma, em julho [de 2018], nessa reunião, foi colocada para votação a proposta de que, daqui para frente, todos os materiais de pesca, como redes, cabos, linhas, já saiam da indústria com uma etiqueta em que seja possível registrar os dados do proprietário do equipamento de pesca e também que esses equipamentos já saiam das indústrias que os produzem com a marcação do tipo GPS”, informa o biólogo João Almeida.

A resolução da FAO foi aprovada durante a reunião e agora cabe à ONU trabalhar junto aos países para que a medida contra a pesca fantasma se torne parte da legislação mundo afora, e também da consciência dos cidadãos e das empresas.

Fonte: Sputnik

Caçador mata o próprio filho após confundi-lo com um alce, na Rússia

Um caçador matou seu filho de 18 anos depois de confundi-lo com um alce no norte da Rússia na última quinta-feira.

O homem estava caçando com pouca visibilidade, no deserto nevado de Khanty-Mansiysk, e apontou seu rifle para o que ele acreditava ser um alce e atirou.

Ao se aproximar da suposta carcaça do animal, ele encontrou seu filho, um jovem de 18 anos, deitado no chão da floresta. Ele morreu na hora.

“O caçador disparou um tiro de rifle em um objeto em movimento com pouca visibilidade, erroneamente acreditando que era um alce”, disseram investigadores ao jornal Moscow Times.

O pai foi acusado de causar a morte por negligência, que tem uma pena de até dois anos de prisão, de acordo com as leis russas.

Aconteceu no Brasil

Um homem foi morto, em 2018, por engano por um companheiro de caça na cidade de Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul. Segundo a Polícia Civil, Rodrigo de Freitas Miranda, 35 anos, estava em grupo caçando javalis.

O homem que atirou contra Miranda relatou que percebeu uma movimentação na mata e chegou a perguntar, em direção do movimento, se era outro caçador. Como não teria recebido resposta, acabou disparando, pensando se tratar de um javali.

Foto: Pixabay

Ele usava uma espingarda calibre 12, o que gerou diversos ferimentos no corpo da vítima. Rodrigo chegou a ser socorrido para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Segundo o delegado André Mendes, o autor do disparo foi autuado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Outro caso também aconteceu no ano passado, no sudoeste da Bahia. Um homem de 37 anos morreu após ser baleado acidentalmente por um amigo, enquanto os dois caçavam, na cidade de Iramaia. A informação foi divulgada pelo G1.

O jovem de 18 anos fugiu após a ação.

Denúncias de violência contra animais crescem em Minas Gerais e no Brasil

Ela chegou no início de uma tarde de sol, recebida com alegria, muito carinho e abraços. Na cabeça, os curativos deram lugar a uma pequena coroa. E o abandono foi substituído por um novo lar, cheio de amor, cuidados e novos amigos, e longe da violência que atinge inúmeros animais em Minas Gerais e no restante do país, a exemplo de casos recentes que foram divulgados. Com a adoção, a cadela Serena, resgatada baleada em uma estrada que liga Caeté a Barão de Cocais, na Região Central de Minas, ganha um final feliz e é símbolo de uma mudança de comportamento na sociedade. As denúncias de maus-tratos contra os animais vêm aumentando e, no mesmo ritmo, a sociedade cobra punições mais rigorosas aos responsáveis.

(foto: Arquivo pessoal)

Números do Disque-Denúncia mostram um grande salto de 2014 até agora. Naquele ano, em Belo Horizonte, foram 134 denúncias de crimes contra os animais pelo telefone 181. Em 2015, o número subiu para 732 e em 2016 já eram 1.453, aumento de 98% em um único ano. Em 2017, houve pequena redução, com 1.347 denúncias em BH. Já em 2018, de janeiro a agosto foram 944 denúncias, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). O aumento também é observado em outros municípios mineiros. A pasta informa que os maus-tratos aos animais figuram entre as 10 denúncias mais frequentes no serviço telefônico.

Os registros de maus-tratos aos animais, ou seja, casos que geraram boletins de ocorrência, também aumentaram. Durante todo o ano de 2017, foram 1.487 registros em Minas Gerais. Desses, 1.232 foram feitos de janeiro a outubro. Em 2018, no mesmo período, foram 1.462, aumento de 18% em relação ao ano anterior. Na capital mineira, foram 164 registros de maus-tratos em 2016, sendo 140 de janeiro a outubro. Neste ano, de janeiro a outubro, foram 150 em BH.

Na Grande BH, a história da cadela atingida por um tiro na cabeça em julho comoveu a população e gerou grande mobilização tanto para o custeio do tratamento veterinário quanto para encontrar o responsável pelo crime. O inquérito foi encerrado em setembro e a Polícia Civil indiciou o dono de um sítio por maus-tratos e posse ilegal de arma de fogo. A corporação concluiu que ele deu a ordem para que a cadela fosse baleada. Em depoimento, o homem afirmou que havia um “acordo” entre vizinhos para atirar em animais que entrassem nas propriedades. Duas armas foram apreendidas na casa. Uma testemunha citada no inquérito disse à polícia que o tiro partiu do sítio do indiciado e que ele viu a cadela sangrando e “apavorada”.

SEQUELAS O tempo em que viveu nas ruas e a agressão não deixaram apenas sequelas físicas em Serena, que perdeu dentes e 40% da língua, mas também gerou traumas emocionais. “Ela não ficou com medo deles (cães). Ela tem medo de gente só”, conta a fotógrafa Solange Castilho sobre as primeiras horas com a cadelinha, que foi entregue a ela no condomínio onde mora em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela cuida de alguns cães e de uma gata no imóvel, mas a maioria deles – quase 50 – vive na fazenda que ela mantém com o marido em Boa Esperança, no Sul de Minas Gerais. Lá, cada animal tem uma casinha para dormir e comida à vontade.

Solange soube do caso por meio das redes sociais da clínica veterinária onde Serena estava internada após passar pela cirurgia de reconstrução da face, no Bairro Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O trabalho fez com que as cicatrizes externas praticamente desaparecessem. “Quase morro de tristeza ao ver um bichinho maltratado. Só não pego mais porque não tenho espaço. São todos adotados. Normalmente são cachorros deixados na porta da fazenda, ou encontrados na beira da estrada”, conta a fotógrafa.

(foto: Marlon Mendes/Divulgação – Arquivo pessoal)

“Há alguns dias, levei um que foi atropelado, quebrou a perninha. Estou sempre fazendo alguma coisa. Toda hora tem uma pessoa me chamando e pedindo ajuda.” A cadela foi entregue a ela pela equipe da clínica em 31 de outubro. Refletindo sobre o caso de Serena e o abandono de animais, Solange foi enfática: “Acho que o ser humano é muito cruel. Ele faz as piores atrocidades”.

PENA MAIS DURA No primeiro fim de semana de dezembro, a morte da cadela Manchinha gerou uma onda de protestos nas ruas e nas redes sociais. Imagens de câmeras de segurança em uma unidade do Carrefour de Osasco, na Grande São Paulo, mostraram um segurança terceirizado da loja atacando o animal com uma barra de alumínio. Ela acabou morrendo em decorrência dos ferimentos.

Um abaixo-assinado pedindo a prisão do responsável pela morte do animal chegou a mais de 1 milhão de assinaturas. Também foi proposto o boicote à rede de lojas, alvo de manifestações. Manchinha ficava solta no local do crime e recebia alimentos de clientes e funcionários. Informações dão conta de que um superior pediu que o funcionário “sumisse” com a cadela de lá, pois o local passaria por uma vistoria. A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso. O Ministério Público do estado também instaurou um inquérito civil para apurar a morte da cadela.

Diante da comoção e da pressão da sociedade civil, em 11 de dezembro, a Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram projetos semelhantes para endurecer a pena para maus-tratos aos animais domésticos, domesticados, nativos ou exóticos no Brasil. O texto aprovado pela Câmara aumenta a pena dos atuais três meses a um ano de prisão, além de multa, para entre um e quatro anos. A multa será mantida. Também há agravante se houver zoofilia.

A proposta será analisada pelos senadores, que, por sua vez, enviaram aos deputados o Projeto de Lei do Senado (PLS) 470, de 2018. Semelhante ao da Câmara, contempla aumento de pena para até quatro anos de detenção, com possibilidade de multa mantida, mas também estende a autuação aos estabelecimentos comerciais ligados ao crime, mesmo que por omissão ou negligência. A multa pode variar de um a mil salários mínimos. O projeto tramitou em caráter de urgência após ser apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede) motivado pelo caso de Manchinha. Mas é importante destacar que, segundo o Código Penal Brasileiro, para começar a cumprir a pena em regime fechado o criminoso deve ter sido condenado a pena superior a oito anos de reclusão.

População está mais atuante

Relatos de agressão ou negligência chegam constantemente às redes sociais do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA). A coordenadora, Adriana Araújo, destaca que a entidade, prestes a completar 15 anos, provoca os órgãos públicos para a criação de leis de proteção e também exige seu cumprimento. Um exemplo é a Lei Estadual 22.231, de 20 de julho de 2016, que define multa de até R$ 3 mil para quem maltratar algum animal em Minas. Adriana observa que as pessoas estão mais atuantes na proteção dos animais, mas, para ela, faltam ações mais contundentes do poder público. “A população está cada vez mais exercitando sua cidadania. Os crimes continuam e a gente percebe que o poder constituído só está agindo quando provocado. Não percebemos uma ação proativa, eles precisam ser acionados. Isso a gente não considera bom. Precisamos que eles cumpram o que é da sua competência.”

Entre as denúncias que chegam ao MMDA estão abandono de cães e gatos, animais de grande portes soltos nas ruas, rinhas (galos, cães e até canários), comércio de animais em más condições, tráfico de animais silvestres, caça, rodeios e vaquejadas e zoofilia. O caso envolvendo Serena foi um dos acompanhados de perto pela entidade. Adriana orienta que testemunhas de violência ou abandono de animais devem denunciar na Polícia Militar, Polícia Militar Ambiental, Polícia Militar Rodoviária (PMRv), se nas MGs, ou Polícia Rodoviária Federal (PRF), se nas BRs, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério Público de Minas Gerais ou também pelo telefone 181, Disque-Denúncia, de forma anônima. Vídeos e fotos também contribuem para a denúncia.

Para a coordenadora da entidade, além de leis mais rigorosas, é preciso investir na educação da sociedade para coibir os maus-tratos aos animais. “Os próprios servidores públicos não conhecem a legislação. A gente aborda os órgãos públicos de proteção dos animais e eles não conhecem a Lei 22.231, de 2016. Tem que criar leis, aumentar o rigor, dar ampla publicidade e capacitar os órgãos públicos.”

Criada em 2013 em Belo Horizonte, a Delegacia Especializada em Investigação de Crimes Contra a Fauna trata principalmente dos crimes de maus-tratos e também posse de animais silvestres em desacordo com a legislação vigente, segundo o delegado Vladimir Alessandro Soares, que responde pela delegacia e é chefe da Divisão de Meio Ambiente da Polícia Civil.

Para o delegado, não falta engajamento da população, mas muitas denúncias que chegam à delegacia acabam não sendo de maus-tratos, como cães que latem muito e chamam a atenção de vizinhos. Mesmo assim, a equipe sempre vai aos locais para verificar a situação. “Teve uma denúncia de que alguns animais estavam subnutridos em determinado local. A equipe foi e constatou que a raça era de porte esguio. Era uma característica do animal, que tem compleição mais magra, pernas compridas”, exemplificou. Ele aproveitou para orientar os cidadãos sobre situações que podem configurar o crime. “Maus-tratos podem ser desde agressão física, mutilação do animal, ao abandono. A má alimentação (deixar sem água, sem comida em determinado local), deixar em local insalubre e a falta de higienização do local onde os animais ficam também configuram maus-tratos. O que ajuda muito nosso trabalho é a excelente qualificação da equipe de investigadores. Entre eles temos uma veterinária e três biólogos. Dá uma tranquilidade saber que eles vão ao local e entendem da matéria que está sendo tratada”, ressaltou.

Casos que ganharam repercussão

Mortos pelo tutor

Em 12 de novembro, um homem de 43 anos foi preso pela morte de três cães em Sabará, na Região Metropolitana em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar (PM), os animais estavam sob os cuidados dele e foram encontrados mortos dentro de uma lixeira após a denúncia anônima de uma testemunha da agressão. Inicialmente, o homem negou a denúncia e disse que não havia animais na casa. No entanto, os policiais viram sangue e fezes no quintal do homem, que acabou confessando. Conforme a PM, ele disse ter matado os cães porque eles latiam muito e choravam à noite. De acordo com a Polícia Civil, ele foi autuado por maus-tratos no artigo 32 da Lei 9.605, a chamada Lei de Crimes Ambientais. Após ser ouvido por um delegado, teve a fiança arbitrada em R$ 2 mil. Como não pagou naquele momento, o agressor foi encaminhado ao sistema prisional. A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que ele recebeu alvará de soltura de liberdade provisória após o pagamento da fiança.

Manchinha

(foto: Reprodução da internet/Facebook)

Cadela que ficava em uma unidade do Carrefour foi morta após ser atingida por uma barra de alumínio por um segurança em Osasco, na Grande São Paulo. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu ao ferimento. O segurança foi afastado e disse que não tinha intenção de atingir o animal. O local foi alvo de protestos que mobilizaram a sociedade civil e famosos como a atriz e apresentadora Tatá Werneck e a também apresentadora e ativista da causa animal Luisa Mell. A Delegacia do Meio Ambiente de Osasco apontou o segurança como responsável pela agressão e ele deve responder em liberdade pelo crime de abuso e maus-tratos a animais. Após o episódio, a rede de supermercados anunciou iniciativas internas e externas para adoção de animais abandonados, castração, além de sensibilização e treinamento dos funcionários.

Filhote amarrado em lixeira

Um filhote de cachorro foi resgatado por policiais militares que patrulhavam o Bairro Guarani, Região Norte de Belo Horizonte, na madrugada de 12 de dezembro. Um dos militares se comoveu e adotou o animal, que estava chorando e muito assustado. O filhote estava amarrado em uma lixeira e quase se enforcando, segundo os policiais do 13º Batalhão da PM.

Abandonados no Santa Lúcia

(foto: Marcos Vieira/EM/DA Press – 12/12/2018)

Reportagem do Estado de Minas publicada em 14 de dezembro mostra que cerca de 30 cães e 20 gatos, entre filhotes e adultos, foram deixados para trás na Avenida Nossa Senhora do Carmo, na saída para a BR-356, depois da desapropriação de imóveis para as obras da Via do Bicão, no Aglomerado Santa Lúcia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. As famílias foram transferidas para apartamentos. Atualmente, eles são alimentados por uma moradora do Morro do Papagaio que precisa de apoio para tratar dos animais.

Agredida a chineladas

Em 25 de dezembro, uma jovem publicou no Facebook um vídeo que mostra a vizinha agredindo uma cadela chamada Cindy, no Bairro Providência, Região Norte de Belo Horizonte. Ao notar que estava sendo filmada dando chineladas no animal, a mulher ainda jogou água na direção da moça. Dois dias depois, de posse de um mandado de busca e apreensão, a Polícia Civil resgatou a cadela, que foi entregue a uma mulher que terá a guarda temporária dela até definição da Justiça. A agressora será intimada a prestar depoimento e o resultado da investigação será encaminhado ao Ministério Público.

(foto: Reprodução da internet/Facebook)

Alguns canais de denúncia

Disque-Denúncia: 181

Ibama: 0800 61 8080

Polícia Militar: 190

Companhia de Polícia Militar de Meio Ambiente em BH: (31) 2123-1600/1605/1615

Delegacia Especializada em Investigação de Crimes Contra a Fauna: Rua Benardo Guimarães, 1.571, 2º andar, Bairro Funcionários. Belo Horizonte. Funciona das 8h30 às 18h30. Telefone: (31) 3212-1356

Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna (do Ministério Público de Minas Gerais): (31) 3330-9911. E-mail cedef@mpmg.mp.br

Movimento Mineiro pelos Direitos Animais: https://www.facebook.com/movimentomineiroDA

Fonte: Estado de Minas

Conheça a ave símbolo de cada estado do Brasil

As aves sempre foram consideradas símbolos representativos de um grupo, local, país, etc. A ave símbolo do Brasil é o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris).

E no Brasil, cada estado tem uma ave símbolo que o representa. Veja abaixo.

(Foto: Reprodução / Portal Ornithos)

Sul:

Rio Grande do Sul – Quero-quero (Vanellus chilensis)
Santa Catarina – Araponga (Procnias nudicollis)
Paraná – Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus)

Sudeste

São Paulo – Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris)
Rio de Janeiro – Tucano-de-papo-amarelo ou de-bico-preto (Ramphastos vitellinus)
Espírito Santo – Beija-flor (Colibri serrirostris)
Minas Gerais – Seriema (Cariama cristata)

Centro-Oeste

Mato Grosso do Sul – Tuiuiú (Jabiru mycteria)
Mato Grosso – Tachã (Chauna torquata)
Goiás – Anhuma (Anhima cornuta)
Distrito Federal – Gavião-real (Harpia harpyja)

Norte

Tocantins – Cigana (Opisthocomus hoazin)
Pará – Pavãozinho-do-Pará (Eurypyga helias)
Amapá – Flamingo (Phoenicopterus sp.)
Rondônia – Jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis)
Acre – Arara-vermelha (Ara chloropterus)
Amazonas – Uirapuru (Cyphorhinus arada)
Roraima – Galo-da-serra (Rupicola rupicola)

Nordeste

Maranhão – Sabiá-da-praia (Mimus gilvus)
Piauí – Surucuá-de-barriga-vermelha (Trogon curucui)
Bahia – curió (Sporophila angolensis)
Sergipe – Corrupião (Icterus jamacaii)
Alagoas – Mutum-do-nordeste (Pauxi mitu)
Pernambuco – Tesourão (Fregata magnificens)
Paraíba – Pomba-de-bando (Zenaida auriculata)
Rio Grande do Norte – Ema (Rhea americana)
Ceará – Jandaia (Aratinga jandaya)

Fonte: Ornithos