Cágado tenta sobreviver em meio a rejeito de minério e é salvo em Brumadinho (MG)

O vídeo de cágado tentando sobreviver em meio a rejeito de minério em Brumadinho (MG), na região da Mina do Córrego do Feijão, onde uma barragem se rompeu, foi divulgado cinco meses após o rompimento.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

De acordo com o Corpo de Bombeiros, as imagens foram feitas no mês de junho. As informações são do jornal Estado de Minas.

O cágado foi encontrado durante uma operação de limpeza que os bombeiros realizavam para buscar por vítimas. Após ser localizado, o animal silvestre foi resgatado e encaminhado para receber atendimento veterinário.

As buscas por vítimas em Brumadinho continuam. Na quinta-feira (18), a operação chegou em seu 175º dia. Corpos de 22 pessoas são procurados. A operação conta com 145 bombeiros militares.

Lamentavelmente, a exploração animal permanece e um cachorro foi envolvido nas buscas mesmo após casos dramáticos com animais provarem o quão errado é forçá-los a buscar por vítimas – como o caso do cão Barney, explorado em Brumadinho que, depois, morreu afogado em outra operação de resgate e de Zeca, o cachorro que desenvolveu uma doença dermatológica após entrar em contato com os metais e resíduos da barragem de Brumadinho. Nestas operações, os cachorros são obrigados a aprender comandos anti-naturais, que eles não executariam por conta própria. E mesmo não tendo nascido para servir aos seres humanos, são submetidos a risco e tratados como objetos a serviço da humanidade, sem direito a viver suas vidas em paz.


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Embriões de peixe morrem e sofrem anomalias após testes sobre toxicidade da lama de Brumadinho (MG)

Embriões de peixe-zebra foram vítimas de um teste sobre a toxicidade da lama que atingiu Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem. Casos de anomalias e mortes foram registrados. O estudo foi feito por cientistas de universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro e de São Paulo e incluiu dosagem de poluentes, quantificação de micro-organismos potencialmente perigosos e testes ecotoxicológicos.

Rio Paraopeba 30 dias após a barragem romper em Brumadinho (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

A lama foi coletada cinco dias após a ocorrência do crime ambiental e, mesmo após ser diluída 6.250 vezes, matou embriões e causou defeitos graves neles, segundo Mônica Lopes-Ferreira, cujo laboratório funciona no Instituto Butantan, em São Paulo.

Os testes feitos com água retirada de locais mais próximos da área do rompimento da barragem resultaram em maior letalidade aos embriões. O material coletado junto à mina gerou mortalidade de até 100%. Deformações no cérebro, na boca, na coluna, na cauda e hemorragias foram causadas pela água retirada de todos os pontos abaixo do local onde a barragem rompeu.

“Para testar a lama tivemos que diluí-la até 6.250 vezes e ainda assim ela continuou letal para os embriões, o que atesta sem dúvida seus risco para a saúde”, diz Mônica Lopes-Ferreira. As informações são do O Globo.

Corpo de Bombeiros trabalhando em Brumadinho após crime ambiental (Foto: WASHINGTON ALVES / REUTERS)

No experimento, cinco embriões de peixe-zebra foram deixados dentro de 50 microlitros de água contaminada misturados com dois mililitros de água limpa. Cada mililitro é equivalente a mil microlitros. Os embriões tinham de 30 minutos a três horas de nascidos. Eles foram explorados nos testes por um período de 24 horas até 96 horas.

“Não há dúvida que um material tóxico foi lançado no [rio] Paraopeba. Não sabemos como a situação está agora, mas a área precisa ser acompanhada porque esse material é muito fino, pode permanecer por muitos anos. Ele fica no leito do rio, no solo e entra em contato com pessoas e animais”, destaca a pesquisadora do Butantan.

Por falta de dinheiro, os pesquisadores interromperam os testes, mas pretendem fazer novas coletas. “O dano potencial desse tipo de acidente perdura por décadas. Toda a região afetada precisa ser monitorada com extremo rigor”, frisa Rezende.

Manifestantes protestaram contra a Vale em São Paulo e no Rio de Janeiro ( Foto: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP)

Para Fabiano Thompson, as águas do Paraopeba representam uma ameaça à saúde pública. “A saúde do rio pode estar comprometida por décadas. Uma vergonha”, diz.

Com as coletas feitas, os cientistas identificaram uma concentração elevada de mercúrio, metal altamente tóxico, no Rio Paraopeba. A concentração encontrada é pelo menos 720 vezes maior que o máximo estabelecido como seguro pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para águas de classe 2, como a do rio. Essa classificação indica que a água é destinada ao abastecimento humano, após tratamento.

Um relatório oficial, recentemente divulgado pela ANA, Capasa, CPRM e Igam, aponta elevada concentração de mercúrio na água entre 25 de janeiro e 10 de março deste ano, além de indicar turbidez média (NTU), ferro dissolvido (mg/L) e mercúrio dissolvido (ug/L) acima dos limites estabelecidos pela resolução Conama 357. Os cientistas lembram, porém, que uma interpretação mais abrangente sobre a situação atual do rio está sendo dificultada pela ausência de dados a partir de 11 de março.

O estudo foi feito por pesquisadores do Instituto Butantan, da Uenf e da UFRJ e amostras foram coletadas em seis localidades ao longo do Paraopeba, incluindo pontos localizados 26 quilômetros antes da área atingida e até 150 quilômetros após o local.

Vaca fica presa à lama em Brumadinho. Foto: Mauro Pimentel/AFP

O resultado da pesquisa indicou concentração de ferro 100 vezes maior que a estabelecida pelo Conama e de alumínio, mil vezes superior. O mercúrio, no entanto, é o que preocupa os pesquisadores, devido à elevada toxicidade e persistência no ambiente. Fabiano Thompson, do Instituto de Biologia e da Coppe da UFRJ e autor de uma análise sobre os efeitos dos rejeitos da lama de Mariana (MG), acredita que uma possibilidade para explicar essa situação é que a forte lama lançada contra Brumadinho após o rompimento da barragem pode ter revirado o leito do rio e liberado sedimentos de antigos locais de extração de ouro.

Carlos Eduardo de Rezende, da Uenf, que é um dos coordenadores do estudo, lembra que o mercúrio é um dos piores poluentes existentes, já que causa uma espécie de contaminação crônica.

Além do metal, foram encontrados também micróbios potencialmente tóxicos na água do rio, com concentrações dez vezes superior à máxima tolerada pelo Conama.

O outro lado

De acordo com a Vale, após três meses do rompimento da barragem, “é possível avaliar que o rio Paraopeba poderá ser recuperado. Tal afirmação é baseada em estudos de quase 900 mil análises da água, solo, rejeitos e sedimentos.”

A empresa diz que está realizando um monitoramento detalhado do rio, com coletas diárias de amostras de água e solo, além de avaliação dos níveis de turbidez.

Ainda segundo a mineradora, análises feitas em 48 pontos mostraram que os rejeitos não são perigosos à saúde e que os níveis de toxicidade estão abaixo dos limites legais para “rejeitos de mineração, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”.

Um relatório feito em conjunto pela Agência Nacional de Águas (ANA), pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), concluiu que a concentração de mercúrio no local está “abaixo do limite de detecção do método analítico” e que a densidade de micro-organismos e toxinas derivadas deles está dentro do padrão legal.

Nota da Redação: explorar embriões de peixes em testes sobre a toxicidade da lama de rejeitos do rime ambiental de Brumadinho (MG) é uma prática antiética. Esses experimentos contrariam os direitos animais, já que tratam embriões de peixes como objetos e os condenam à morte e a anomalias. É de extrema necessidade avaliar o risco que a água do rio Paraopeba representa, após o rompimento da barragem, não só para os seres humanos, como também para os animais. Isso, no entanto, deve ser feito de forma ética, através da avaliação em laboratório de amostras da água, sem o envolvimento de seres vivos.

Rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) destruiu centenas de hectares

Dados obtidos pelo Ibama por meio de imagens de satélite (Imagem: Divulgação)

Dados obtidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por meio de imagens de satélite indicam que o rompimento de barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) causou a destruição de pelo menos 269,84 hectares.

Análise realizada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima) do Ibama aponta que os rejeitos de mineração devastaram 133,27 hectares de vegetação nativa de mata atlântica e 70,65 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo de cursos d’água afetados pelos rejeitos de mineração.

A avaliação de impacto foi realizada no trecho da barragem da Mina Córrego do Feijão até a confluência com o Rio Paraopeba. Foram comparadas imagens de satélite obtidas dois dias após o rompimento com imagens de três a sete dias antes da catástrofe.

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, antes do rompimento da barragem da Vale, Brumadinho possuía 15.490 hectares de remanescentes de mata atlântica acima de três hectares, o equivalente a 830 campos de futebol. Agora será preciso lidar com as consequências para uma área que representa 24,22% do bioma original.

A fundação defende que o Brasil precisa de um licenciamento ambiental mais sério e eficiente do ponto de vista técnico, que considere a vocação da região, características do entorno e riscos para as comunidades locais.

A SOS Mata Atlântica enfatiza também que muitas barragens no Brasil estão em áreas de cabeceiras dos rios e, com isso, os deslizamentos podem afetar bacias inteiras, colocando em risco o meio ambiente e os serviços ambientais para a população.

Voluntários resgatam 350 animais após tragédia em Brumadinho

Foto: Mauro Pimentel/AFP

Aproximadamente 350 animais foram resgatados com vida após o desastre em Brumadinho, Região Metropolitana de BH. Estima-se que o rompimento da barragem da mineradora Vale tenha causado direta e indiretamente a morte e destruição de milhões de espécies de animais, plantas e árvores.

Rios, lagoas e lençóis freáticos foram contaminados com rejeitos tóxicos e só o tempo poderá dizer se os danos são ou não reversíveis. Entre os animais resgatados estão cães, gatos, bovinos, equinos, aves e répteis. Eles receberam cuidados de veterinários e psicólogos.

Entre as equipes responsáveis pelos salvamento dos animais estão a Brigada Animal, coordenada pelo CRMV MG, a Fraternidade Federação Humanitária Internacional (FFHI), além de bombeiros, voluntários, ativistas e protetores de animais.

O balanço foi feito pela Vale, que após pressão de ativistas em defesa dos direitos animais, montou um hospital de campanha para atender e acolher os animais. Um sítio foi alugado e todos os suprimentos necessários reunidos.

No local os animais tomaram banho, receberam atendimento veterinário e muitos já tiveram a oportunidade de reencontrar seus tutores através de um catálogo online criado pela mineradora.

Infelizmente, enquanto alguns se dedicam a salvar, ainda há aqueles que de forma inconsciente desrespeitam e ignoram os direitos animais. Segundo um balanço feito pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), maus-tratos a animais crescem assustadoramente em Minas Gerais. Um exemplo disso foi registrado no último domingo (03).

Uma equipe da Polícia Militar do Meio Ambiental resgatou 33 cães vítimas de maus-tratos e exploração em propriedades rurais da cidade de Araxá, em Minas Gerais. Segundo os militares, os cachorros eram forçados a participar de caçadas de animais silvestres.

Os cães foram encontrados durante uma operação de repressão à pesca e à caça nos povoados de Antinha, Vira Cuia e Mandioca. Maltratados e negligenciados, eles foram encaminhados para o Canil Municipal de Araxá, onde receberão cuidados veterinários.

Os responsáveis pelos animais serão autuados por crime ambiental. Uma arma foi apreendida e uma pessoa detida.

Vale deu remédio vencido para animais em Brumadinho (MG), diz Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) denunciou que a Vale negligenciou o atendimento aos animais resgatados em Brumadinho (MG), oferecendo medicamentos vencidos a eles. A denúncia foi feita nesta quinta-feira (14) pela coordenadora de Emergências Ambientais do Ibama, Fernanda Pirillo, durante audiência na comissão externa da Câmara de Deputados para apurar as circunstâncias do rompimento da barragem do Córrego do Feijão.

(foto: Gladyston Rodrigues/Estado de Minas)

“Temos feito vistorias diversas nas áreas que a Vale está implementando para o recebimento de animais e temos verificado a validade de medicamentos. Por incrível que pareça, nos primeiros dias, a Vale tinha providenciado medicamentos vencidos”, afirmou. As informações são do portal Correio Braziliense.

De acordo com a coordenadora, vistorias diárias estão sendo feitas por uma equipe do Ibama. “Temos mais de 60 relatórios e estamos com uma média de 20 servidores por dia em campo”, explicou.

O órgão está redirecionando o resgate de animais e tem trabalhado de forma integrada com o Ministério Público e órgãos ambientais estaduais. “Não só dos animais que foram impactados pela lama, como também dos que ficaram presos nas casas e nas instalações que foram abandonadas. E também daqueles que não haviam sido impactados, mas passaram a ser porque costumam buscar água nessas áreas e ficaram atolados”, finalizou.

Animais perceberam que a barragem da Vale estava prestes a se romper


Animais já sabiam que algo muito grave aconteceria (Foto: Wilton Júnior/Estadão)

Esta semana, inúmeros sobreviventes relataram que antes do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), animais como bovinos, aves e cães começaram a agir de forma estranha.

Em entrevista ao UOL, o professor de zoologia e comportamento animal da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Carlos Alberts explicou que os movimentos gerados pelo rompimento da barragem emitem infrassons ou sons extremamente baixos que vibram em uma frequência que o ouvido humano não consegue captar.

“A barragem não rompe de uma vez só. Ela tem movimentos anteriores ao rompimento completo”, explicou. Segundo Alberts, o que também pode ter influenciado a percepção dos animais foi o contato direto das patas ou dos pés com a terra.

“A galinha é uma ave, pode ter notado a mudança do ar. As massas de ar são deslocadas quando a barragem é rompida. Também podem notar modificações de cheiro. Elas são muito sensíveis e dependem de perceber essas coisas para sobreviver. Os animais não erram, eles percebem antes da gente”, enfatizou o professor ao UOL.

Quem também endossou a justificativa de Carlos Alberts foi o sondador Lieuzo Luis dos Santos em entrevista à TV Globo. O sobrevivente relatou que não ouviu nenhum som antes do rompimento da barragem, mas percebeu que bois e vacas correram antes que o chão abrisse.

Fonte: Vegazeta

Professora é encontrada morta abraçada à cadela em Brumadinho (MG)

A professora e secretária de Desenvolvimento Social de Brumadinho, Sirlei Brito Ribeiro, de 48 anos, foi encontrada morta abraçada ao corpo de uma cadela em meio à lama em Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem da Vale. A suspeita é de que Sirlei tenha entrado em uma caminhonete para fugir do local e, em seguida, ao lembrar da cadela, tenha voltado em casa para resgatá-la. A tentativa, no entanto, não deu certo, e as duas morreram juntas.

Professora era apaixonada pelos animais (Arquivo Pessoal)

O marido de Sirlei, o engenheiro geólogo Edson Albanez, conta que a professora trabalhava pelas pessoas e “amava os animais” que, para ela, “eram como filhos”. Ela é uma das 134 pessoas encontradas mortas em Brumadinho. Outras 199 estão desaparecidas. As informações são do portal BHAZ.

A suspeita em relação à caminhonete ocorreu devido à posição em que estava a chave do carro quando o veículo foi localizado pelo Corpo de Bombeiros – que indica que a caminhonete estava ligada.

A cadela Bibi, que Sirlei abraçava quando foi encontrada morta, foi o único animal da família a não sobreviver ao rompimento da barragem. Todos os outros conseguiram fugir, inclusive Lisbela, uma rottweiler de dois anos. Os animais foram levados para abrigos.

No momento do rompimento da barragem, a professora estava em casa com uma funcionária e um jardineiro que trabalhava para a família há uma década. De acordo com ele, Sirlei perguntou sobre o barulho que ouviu no momento em que a lama começou a tomar conta da cidade. Foi então que o jardineiro saiu correndo e gritou para que a professora e a funcionária fugissem também. Sirlei, no entanto, ficou. A equipe de resgate acredita que ela chegou até a caminhonete, mas voltou para salvar Bibi.

Casa da professora ficou destruída após rompimento de barragem (Reprodução/Facebook)

O marido havia ido a Belo Horizonte para participar de uma reunião de trabalho. Ele havia convidado a esposa para acompanhá-lo, já que ela estava de férias, mas ela não quis ir. “Parece que fui rejeitado por Deus. Saí às 11h para uma reunião às 12h. Reuniões são comuns às 10h, em outros horários, mas na hora do almoço, não. Eu fui tirado de lá. Sinto como se Ele tivesse dito pra mim ‘você ainda tem que ficar aí, tem muito a fazer. Ela já está com o exercício de vida resolvido’”, disse. “E eu acredito nisso pela pessoa especial, generosa que ela sempre foi. É uma solidão imensa, uma dor profunda por ficar sem ela. Mas eu agradeço pela oportunidade de amá-la”, acrescentou.

Edson conta que a esposa sempre trabalhou em prol da comunidade e era muito querida na região em que morava. “A Sirlei criou a associação comunitária, construiu um centro comunitário, trabalhou para a instalação de poste de iluminação, era advogada e fazia trabalhos sem cobrar. Todo mundo a conhecia. Resolvia tudo o que podia. Queria salvar o mundo ao redor dela”, contou.

Após a morte da esposa, com quem viveu por 13 anos, e a perda da casa, Edson decidiu mudar seu estilo de vida e se dedicar ao ativismo social, assim como Sirlei fazia. “Tudo o que eu construí em 40 anos de trabalho eu perdi. Tinha uma casa super luxuosa. Gastei uma fortuna na construção e nos artigos dentro dela. Fiquei com a roupa do corpo. Essas coisas todas não têm o menor significado. Vou viver uma vida simples, servindo às pessoas. Eu recebo uma mensagem que é pra eu começar de novo de outra forma”, concluiu.

Veterinários atendem mais de 350 animais em Brumadinho (MG)

Médicos veterinários voluntários da Brigada Animal atenderam, até o último domingo (3), mais de 350 animais em Brumadinho (MG). O número se refere a animais que foram devolvidos aos tutores após serem resgatados ou levados a uma fazenda onde funciona um hospital de campanha, além dos que receberam atendimento veterinário na casa dos tutores.

(Foto: Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais)

Dos animais atendidos, 145 estão abrigados na fazenda. No local, eles recebem os cuidados necessários e, após tratados, são devolvidos aos lares de origem ou, em caso de animais que não possuem tutores, por viverem em situação de abandono antes do rompimento da barragem ou por terem perdido a família devido ao crime ambiental, são disponibilizados para adoção responsável. As informações são do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais.

Na fazenda, há dois patos, três galos, dez galinhas, sete canarinhos, cinco trinca-ferros, um azulão, um tico-tico, um filhote de pássaro de espécie não identificada, um cágado, uma serpente e um ouriço encaminhados para soltura, cinco gatos adultos e três filhotes, 60 cachorros – quatro submetidos a cuidados intensivos e três encaminhados para a UFMG, dois para realização de raio-x e o outro para internação –, 13 equinos entre éguas e cavalos, 33 bovinos entre vacas, bois e bezerros – sendo quatro filhotes desidratados e sem apetite, uma vaca debilitada recebendo antibiótico e fluído oral e uma vaca com membro posterior lesionado que não consegue se levantar.

ONG repudia exploração de cães em buscas por vítimas em Brumadinho (MG)

A União Internacional Protetora dos Animais (UIPA) publicou nota, através das redes sociais, por meio da qual repudiou a exploração de cachorros em buscas por vítimas em Brumadinho (MG) e expôs o risco ao qual esses animais são submetidos. A entidade lembrou ainda que solicitou ao Comando Operacional do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais para que não levasse cães “nas buscas por desaparecidos”, mas que foi “desatendida”.

Foto: MAURO PIMENTEL / AFP

“Sabe-se que os bombeiros se valem de roupas e de aparatos de segurança próprios para atuarem em ocorrências de risco, ao passo que os cães são expostos, sem segurança alguma, à nocividade dos rejeitos tóxicos. A absorção, pela pele, de metais pesados é certa”, escreveu a ONG. “Animal algum deveria ser obrigado a enfrentar um risco, capaz de lesar sua integridade física e até a sua vida, como aconteceu a vários cães usados pelas equipes de salvamento do World Trade Center”, completou.

A ONG disse também que policiais e bombeiros trabalham no resgate de vítimas “por opção, consentindo no risco de aquisição de sequelas e até de morte”. Ao contrário de um cachorro, “que não tem escolha, que não consente no enfrentamento de uma situação de risco. Sem capacidade de entender e de reagir, simplesmente aceita uma conjuntura que lhe é imposta”.

A UIPA citou, também, a vedação à crueldade animal contida na Constituição Federal. “A vida do animal também é tutelada, inclusive juridicamente. Vale lembrar que a Constituição da República impõe ao Poder Público vedar as práticas que submetam animal à crueldade. Cabe, pois, às autoridades, salvaguardá-lo de riscos, e não submetê-lo, diretamente, a tal situação”, disse.

O parecer de especialistas, que reforçam que cães atolados não farejam por se sentirem ameaçados, já que a preocupação com a sobrevivência fala mais alto, também foi apontada pela entidade. “E a lama, por sua liquefação, também não permite a subida à superfície dos gases da putrefação”, escreveu a ONG, que lembrou que “não existe justificativa moral nem técnica” para explorar cachorros em buscas por corpos e sobreviventes.

“Triste exploração sem fim a dos animais. Sem defesa e sem protesto”, finalizou.

Cerca de 150 animais estão sendo atendidos em fazenda em Brumadinho

Segundo o CRMV-MG, após a recuperação, os animais são encaminhados para os tutores, caso sejam localizados, ou então encaminhados para adoção (Foto: CRMV-MG/Divulgação)

De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais (CRMV-MG), 145 animais afetados pelo rompimento da barragem da Vale estão sendo atendidos em uma fazenda em Brumadinho (MG). Na propriedade rural foi montado um hospital de campanha que conta com o trabalho de voluntários.

Entre os animais abrigados no local estão cães, gatos, bois, cavalos e aves. Segundo o CRMV-MG, após a recuperação, os animais serão encaminhados para os tutores, caso sejam localizados, ou então disponibilizados para adoção.