Animais resgatados em Brumadinho (MG) são levados para fazenda

Os animais resgatados em Brumadinho (MG), após rompimento de barragem da Vale, foram levados para uma fazenda e estão recebendo os cuidados necessários. Foram salvos, até quinta-feira (31), 57 animais, entre cães, gatos, aves, bois e cavalos.

Foto: Nathália Bueno/TV Globo

Os resgates foram feitos por equipes do Corpo de Bombeiro, da Defesa Civil e por voluntários da causa animal. Na quinta-feira, um cachorro recebeu os cuidados de veterinários após ser resgatado. Ele foi amparado e teve o pelo escovado após ser encontrado sujo de lama. As informações são do portal G1.

Entre os animais que estão abrigados na fazenda, há uma ninhada de gatos, um cachorro e dezenas de aves, além de um boi, que agora descansa tranquilo em um curral. Ele foi resgatado da lama.

Os responsáveis pelos animais explicam que será feito um banco de imagens para tentar encontrar os tutores. Os animais que ficarem desamparados serão disponibilizados para adoção. De todos os resgatados, três foram adotados até o momento.

Foto: Nathália Bueno/TV Globo

Foto: Nathália Bueno/TV Globo

Protetora do meio ambiente morre em Brumadinho tentando salvar cadelinha

A tragédia de Brumadinho devastou a vida de milhares de pessoas, interrompeu sonhos e lutas. Enquanto bombeiros trabalham incessantemente em busca de corpos, famílias choram a perda de parentes e amigos.

Foto: Bárbara Fereira / O Globo

Não é apenas o sofrimentos do ser humano o que choca nisso tudo. Vítimas do descaso do governo e da Vale, milhares de animais sofreram até a morte soterrados na lama. Enquanto agonizavam esperando socorro, muitos deles foram friamente assassinados a tiros pela polícia.

Os dois lados se misturam em meio a tanta dor. O caso da advogada e secretária municipal de Desenvolvimento Social da cidade mineira, Sirlei Brito Ribeiro, de 47 anos, tem chamado a atenção da cidade em meio ao luto. Ela era defensora do meio ambiente e teve a chance de se salvar da tragédia, mas tentou levar consigo sua cadela e acabou ficando presa na lama de rejeitos.

O velório de Sirlei reuniu centenas de pessoas na Câmara Municipal do município durante a manhã da última quarta-feira(30).

De acordo com o jornal O Globo, Sirlei morava a 500 metros da barragem, na região do Córrego do Feijão, e convivia diariamente com os funcionários da mineradora. Ela costumava fazer abaixo-assinados contra os impactos da mina e estava sempre envolvida na luta pela melhoria de vida da população local. Eduardo Toscano lembra também que ela era muito apegada aos animais e cuidava de vários deles em casa e que militava pelo meio ambiente.

“Ela estava em casa com um jardineiro e uma empregada. O jardineiro nos contou que eles ouviram o barulho e viram a lama vindo. Correram. Mas ela voltou. Acreditamos que tenha ido buscar a cachorrinha. Era muito apegada — conta o cunhado de Sirlei, Eduardo Toscano, de 55 anos”.

“A dor é de centenas de pessoas. A revolta também não é só por ela, mas por todos. Sabemos agora é que a Vale é criminosa e é um crime reincidente. Quem sabe dessa vez vejamos uma postura de uma punição efetiva para este crime”, desejou Toscano.

Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

O marido de Sirlei é engenheiro e já foi funcionário da Vale. Segundo parentes, após sair do ramo de minérios, ele passou a apoiar a mulher em sua luta. Seja pelos caminhões que colocavam as pessoas do Córrego do Feijão em risco (por conta da velocidade em vias rurais), seja pela poeira que afetava a saúde da população, ou pelo risco iminente de rompimento das barragens. Ela sempre pediu por mudanças efetivas por parte da empresa, mas acabou vítima do “mar de lama” que tanto tentou combater.

O número de animais resgatados em Brumadinho aumentou para 57. A Brigada Animal acolheu 27 cães, 14 pássaros, oito galinhas, dois galos, dois bovinos, dois patos, um gato e um cágado. Todos foram encaminhados para o hospital de campanha, montado em uma fazenda da região.

Dezenas de veterinários e organizações de direitos animais estão em Brumadinho cobrando e fiscalizando o trabalho de resgate. A ativista Luisa Mell tem sido fundamental para a divulgação das informações e da situação dos animais.

 

 

 

 

 

Leonardo DiCaprio endossa crítica ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho

“Isso acontece apenas três anos depois do maior desastre ambiental do país, quando outra barragem se rompeu” (Foto: Leonardo DiCaprio Foundation)

Ontem, o ator e produtor Leonardo DiCaprio lamentou no Instagram o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, e endossou uma crítica feita originalmente pelo Greenpeace. A publicação já recebeu mais de um milhão de curtidas.

“Na sexta-feira passada, uma barragem de mineração desmoronou em uma pequena cidade no Brasil, liberando quase 13 milhões de metros cúbicos de lama tóxica e deixando para trás um rastro de morte e tristeza. Isso acontece apenas três anos depois do maior desastre ambiental do país, quando outra barragem se rompeu”, destaca a mensagem, acrescentando que já basta, e que governos e corporações devem parar de colocar o lucro acima da vida das pessoas e da natureza.

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Cerca de 60 animais são resgatados com vida em Brumadinho (MG)

Foto: Reprodução | Facebook

Cerca de 60 animais atingidos pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, foram salvos com vida por bombeiros e veterinários. Entre os animais resgatados há bois, galinhas e cães.

Após o salvamento, eles são encaminhados para um hospital de campanha estruturado pela Vale, localizado em uma fazenda. No local, há alimento, medicamentos e uma estrutura hospitalar médico-veterinária.

Os resgates estão sendo realizados por bombeiros, veterinários e voluntários.

Vale monta estrutura para atender animais resgatados em Brumadinho

Foto: Mauro Pimentel/AFP

A mineradora Vale alugou uma grande propriedade rural para receber animais resgatados após o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Região Metropolitana de BH. No local foram instaladas baias, piquetes e gradis para acolher animais de grande e pequeno porte, além de um ponto de alimentação e medicação para os animais vítimas da tragédia.

A estrutura, que está sendo chamada de Hospital de Campanha, atualmente está abrigando 16 cães, quatro aves, um bovino e um gato. Lá, eles recebem avaliação e atendimento veterinário. “No setor de grandes animais, contamos com apoio de intensivistas e plantonistas que atendem por 24 horas. Além disso, temos um setor de lavagem para receber os animais e um estoque de ração, grãos e forragem fresca, que é oferecida diariamente”, disse a veterinária Mirella D’Ellia, responsável pelo hospital, em entrevista à EBC.

Segundo o veterinário e voluntário Alessandro Martins, o hospital conta com um setor de terapia intensiva, equipamentos para monitoramento de coração e pressão arterial, e ventiladores mecânicos. Segundo informações da Agência Brasil, cerca de 40 profissionais, biólogos, veterinários e voluntários, estão atuando no resgate de animais afetados pelo rompimento da barragem da Vale.

 

Quantos animais morreram em Brumadinho?

As pessoas estão acostumadas a não ver importância no que não é humano, e a Vale deveria agradecer por isso (Foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia/Futura Press)

Talvez para a Vale um alívio seja o fato de que jamais saberemos realmente quantas vidas foram ceifadas em consequência do rompimento da barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho, Minas Gerais, na sexta-feira. Só a área atingida pela lama equivale a 300 campos de futebol. As estimativas de mortes de pessoas estão sendo atualizadas diariamente, mas as de animais jamais serão. Não há qualquer possibilidade de nos aproximarmos de um número real de vítimas. Vertebrados, invertebrados, animais que vivem na terra, na água.

Talvez a Vale, que já comprometeu a mata atlântica da região e impactou na vida selvagem, tenha contribuído para aproximar alguma ou algumas pequenas espécies do risco de extinção, espécies que normalmente passam despercebidas pela desatenção humana. Mas é apenas uma reflexão. Afinal, nunca saberemos. E isso é benéfico para a mineradora, principalmente porque vivemos em uma sociedade em que a vida não humana é subvalorizada.

As pessoas estão acostumadas a não ver importância no que não é humano, e a Vale deveria agradecer por isso. O retrato desse crime ambiental, e suas consequências para os animais, e que chega à população, é baseado em imagens de alguns cães e gatos enlameados sendo resgatados; de alguns bovinos atolados. E quando alguém diz que naquela situação não há muito a ser feito, muita gente não vê problema em sacrificar “alguns animais”. Estão tão anestesiados por considerarem bois e vacas como fontes de alimentos que executá-los não parece algo a se lamentar.

Honestamente, se eu estivesse atolado, impossibilitado de sair de um local por minhas próprias forças, e de repente alguém dissesse que, porque quebrei algumas costelas ou as pernas, talvez o melhor a se fazer seja me matar, eu seria tomado por desespero inenarrável. Dizem que alguns animais são pesados demais e nessa situação o “melhor é sacrificar”. Isso me preocupa, porque fico imaginando se fosse eu naquela situação e de repente alguém dissesse que dependendo do meu peso pode ser que eu deva ser abatido, “porque o resgate seria impossível” ou “não haveria recursos o suficiente” para tal tarefa.

Não consigo ignorar que a objetificação dos animais é vantajosa para a Vale porque reduz responsabilidades; até porque sua reação é baseada na comoção. Não creio que a mineradora será cobrada legalmente pela morte de tantos animais que jamais quantificaremos. Milhares? Não saberemos. No Brasil é provável que a Vale não seja responsabilizada nem mesmo por crime ambiental. E daqui a algum tempo, quando as pessoas começarem a esquecer das vítimas humanas, menos ainda se lembrarão das não humanas.

Atriz Thaila Ayala critica morte a tiros de animais em Brumadinho (MG)

A atriz Thaila Ayala criticou a decisão da Vale de matar a tiros animais ilhados ou presos à lama em Brumadinho (MG), após rompimento de uma barragem da empresa.

(FOTO: Reprodução/Instagram)

“Assassina! Pelo amor de Deus. Ajudem, seus monstros! Caos: não há outro termo para descrever o que ocorre em Brumadinho com as pessoas e animais. Ontem, vários boatos de tiros disparados dos helicópteros em animais corriam por toda a cidade”, escreveu.

Thaila afirmou que gostaria de acreditar que a notícia de que os animais foram mortos a tiros era falsa, mas não era. “Do alto de helicópteros, animais estão sendo baleados. Sem precisão de tiro, após dias sofrendo, muitos podem estar agora caídos, baleados e vivos agonizando”, continuou.

A atriz lembrou ainda que profissionais que trabalham como atiradores evitam atirar à distância por saber dos riscos dessa ação. “Até snippers profissionais evitam o uso de helicóptero para tiros a distância quando podem, justamente pela falta de precisão causada pelo movimento e deslocamento do ar causado pela hélice. Mas em Brumadinho, parece que tanto faz”, disse.

“Nos acusam de estarmos ‘destruindo provas’ por tentarmos salvar vidas. Um grupo que sempre tem opinião sobre tudo, mas quase sempre está detrás de uma mesa apontando o dedo. De onde deveria haver apoio, vem críticas. No meio de tudo isso, os únicos inocentes: os animais.”, concluiu.

Time de futebol arrecada ração e água para animais de Brumadinho (MG)

O Cruzeiro Esporte Clube e o Instituto 5 Estrelas estão arrecadando ração e água para os animais afetados pelo rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG). Os pontos de arrecadação estão na cidade de Belo Horizonte.

Cão resgatado em Brumadinho (Foto: Alexandre Guzanshe/EM)

A água será destinada, também, às pessoas da cidade. O time de futebol já havia anunciado, no sábado, a doação de R$ 50 mil para atender as necessidades básicas dos moradores de Brumadinho. No mesmo dia, o Instituto 5 Estrelas doou R$ 20 mil. As informações são do portal Super Esportes.

Antes do último jogo de domingo (27), entre Cruzeiro e Atlético, foram coletados itens como água mineral, alimentos não perecíveis e alimentos prontos para consumo que não exijam preparo.

Em Belo Horizonte, há quatro pontos de coleta de ração e água. São eles:

  • Sede Administrativa do Cruzeiro: Rua dos Timbiras 2903
  • Sede Social Clube Barro Preto: Rua dos Guajajaras, 1722, Barro Preto.
  • Sede Social Campestre: Rua das Canárias, 254, Pampulha.
  • Comunidade Evangélica Nova Vida: Avenida Clóvis Salgado, 401, Bandeirantes.

Vaca é resgatada após ficar 5 dias presa à lama em Brumadinho (MG)

Uma vaca que estava presa à lama em Brumadinho (MG) desde o rompimento de uma barragem da Vale, há cinco dias, foi resgatada com vida na terça-feira (29) e levada para uma área de pasto.

Foto: Reprodução/TV Globo

Durante o resgate do animal, um voluntário localizou um segundo ônibus soterrado. Enquanto os bombeiros retiravam os corpos do veículo, a vaca ficou ao lado da equipe. Bastante nervosa, devido à condição em que vivia há dias, ela foi alimentava e recebeu água antes de ser salva. As informações são do portal G1.

Até a noite de terça-feira, o tutor do animal não foi identificado. No local, há um centro de triagem de animais.

Foto: Reprodução/TV Globo

Uma decisão judicial determinou que a Vale resgate e cuide dos animais atingidos pela lama. No entanto, além de funcionários da empresa, há também no local voluntários da proteção animal trabalhando nos resgates.

Quando as equipes ponderam que não é possível resgatar um animal, devido à condição em que ele se encontra, a opção utilizada é o sacrifício. Foi o que aconteceu com um boi que estava atolado na mesma região de onde a vaca foi retirada.

Animais mortos a tiros em Brumadinho reafirmam o pouco valor que damos ao que não é humano

Não há como negar que quando se trata de vidas não humanas escolhe-se sempre o caminho mais fácil e mais barato (Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo)

Ontem e hoje, vários meios de comunicação do Brasil repercutiram que animais ilhados, presos na lama ou feridos estão sendo executados por agentes a bordo de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Brumadinho, Minas Gerais. A justificativa é que pouco pode ser feito por esses animais, então resta apenas matá-los.

Realmente não há nenhuma outra solução? Será que os animais afetados pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, e que já foram mortos a tiros não tinham nenhuma chance de salvação ou de, em último caso, serem eutanasiados? No domingo, o Ministério Público de Minas Gerais cobrou da Vale um plano de resgate de animais. Se os animais estão sendo mortos, isso deixa claro que não há um plano de resgate.

Veterinários, ativistas e outros voluntários que se deslocaram a Brumadinho, percorrendo centenas e até milhares de quilômetros, têm reclamado que o acesso aos animais tem sido não apenas dificultado, mas proibido. Se há pessoas dispostas a ajudar por que não aproveitar essa disponibilidade? Ainda que haja animais em áreas sensíveis ou que o acesso só possa ser permitido por via aérea, isso não significa que todos estejam na mesma situação ou que ninguém possa contribuir de alguma forma.

Desde domingo há reclamações sobre a falta de boa vontade da Vale e do poder público em disponibilizar aeronaves para ajudar no resgate de animais. A primeira reclamação partiu do deputado estadual Noraldino Junior e ontem da ativista Luisa Mell. E eles não são os únicos. Muita gente tem se queixado a respeito. No entanto, para matar os animais a tiros há helicópteros disponíveis.

Não há como negar que quando se trata de vidas não humanas escolhe-se sempre o caminho mais fácil e mais barato. Não há uma cobrança mais enfática de uma atitude por parte da Vale. Prova disso é que muitos jornais divulgaram que o Ministério Público recomendou ou sugeriu que a Vale resgate os animais. Recomendar ou sugerir, embora seja a prerrogativa do MP, não ajuda muito quando falamos de vidas, não de coisas inanimadas como objetos.

Infelizmente ainda vivemos em uma sociedade que qualifica os animais como alimentos, produtos, mão de obra, transporte, entretenimento, meios para um fim. Reconhecemos que eles existem e estão vivos, mas nem por isso atribuímos um valor mais do que superficial às suas vidas. Situações como essa descortinam a nossa hipocrisia. Afinal, é apenas mais uma comprovação de que os tratamos como sujeitos menores, substituíveis e mesmo insignificantes.

Os animais merecem que suas vidas sejam interrompidas a tiros? Os colocamos em situações lamentáveis que surgem em decorrência da nossa presunção, displicência, ganância e egotismo. Ainda assim, achamos justo e misericordioso matá-los a tiros, como se suas vidas não fossem tão importantes para eles como as nossas são importantes para nós. Nem assassinos em série são mortos dessa forma por iniciativa do Estado.