Após cinco dias atolado, boi é salvo em Brumadinho (MG)

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Cinco dias após o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Região Metropolitana de BH, um boi foi desatolado e içado com a ajuda de um helicóptero na tarde de ontem (29).

O salvamento foi realizado pela equipe do CRMV-MG, a Brigada Animal, e contou com a participação dos veterinários Arthur, Carla Sássi, Eulalio e Pedro Pezoa. Após ser içado, o boizinho foi transportado para um chácara da região. Ele será submetido à avaliação veterinária e exames para verificar a existência de fraturas e intoxicação por metais pesados contidos nos rejeitos.

Outro boi está prestes a ser salvo. A equipe localizou outro animal atolado e, após uma grande operação e muito esforço, conseguiu retirá-lo dos rejeitos. Com o anoitecer, o resgate foi interrompido, mas há previsão para içá-lo hoje de manhã.

A equipe da Brigada Animal já resgatou até o momento 36 animais, que estão sob os cuidados de especialistas. Os animais salvos são enviados para uma chácara onde passam por um projeto de triagem e recebem cuidados emergenciais.

Veja abaixo vídeos dos resgates:

 

Conselho de Medicina Veterinária se posiciona sobre caso de animais mortos a tiros em MG

Diante da polêmica gerada pela decisão da Vale, de órgãos públicos e de médicos veterinários de atirar em animais para sacrificá-los em Brumadinho (MG), dias após o rompimento de uma barragem, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) decidiu se pronunciar sobre o assunto.

O Conselho disse entender que a situação é delicada, mas declarou apoio ao trabalho feito pelos médicos veterinários. Confira abaixo a nota do CFMV na íntegra:

Foto: Douglas Magno/AFP

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) informa que os médicos-veterinários da Comissão de Bem-Estar Animal, do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MG), estão acompanhando os trabalhos de resgate de animais em Brumadinho/MG, em função do rompimento da barragem do Córrego do Feijão.

Sob a supervisão de equipe veterinária, nesta segunda-feira (28/1), dois animais (um equino e um bovino), que estavam atolados há 4 dias em local de difícil acesso, tiveram de ser abatidos por meio de rifle sanitário.

Os animais encontravam-se em local sem condições de segurança para serem içados, presos em área que oferecia riscos aos socorristas e sem possibilidade de acesso para intervenção de outra técnica de eutanásia.

Com base na Resolução CFMV nº 1000/2012, a decisão da equipe envolvida foi estritamente técnica, uma vez que os animais já estavam debilitados, desidratados e em sofrimento.

De acordo com artigo 3º da Resolução 1000, a eutanásia pode ser indicada quando “o bem-estar do animal estiver comprometido de forma irreversível, sendo um meio de eliminar a dor ou o sofrimento dos animais, os quais não podem ser controlados por meio de analgésicos, de sedativos ou de outros tratamentos”.

E a norma ainda deixa claro, em seu artigo 10, que a escolha do método dependerá da espécie animal envolvida, da idade e do estado fisiológico dos animais, bem como dos meios disponíveis para a contenção.

Adicionalmente, a Resolução CFMV nº 1.236/2018 (art. 5º, XXIX, parágrafo 1º) excetua o abate e a eutanásia da condição de maus-tratos.

O CFMV entende que o momento é delicado, requer deliberação profissional complexa, envolve preceitos técnicos e éticos, não sendo uma decisão trivial, mesmo para médicos-veterinários experientes. No entanto, o CFMV reconhece e apoia o trabalho que vem sendo feito pela equipe do CRMV-MG, que segue comprometida com os protocolos e práticas de bem-estar animal. Os profissionais envolvidos possuem experiência em ocasiões de desastres ambientais e já atuaram, inclusive, no rompimento das barragens em Mariana e nas inundações do município de Rio Casca.

O Conselho alerta que os peritos oficiais estão coletando vestígios para apurar as causas do rompimento da barragem e, por isso, o acesso ao local está restrito às equipes previamente autorizadas. Para não interferir nas investigações, nem prejudicar a produção de provas, as autoridades pedem calma e paciência, pois as equipes de salvamento já estão empenhadas no resgate dos animais da melhor maneira possível e garantindo a segurança de todos.

Nota técnica da Comissão Nacional de Bem-Estar Animal do CFMV

Por convicção, inspiração cívica e comprometimento com o bem-estar dos animais envolvidos na catástrofe de Brumadinho (MG), os médicos-veterinários brasileiros em atividade no local, voluntários ou não, estão buscando minimizar os danos à saúde física e mental dos animais presentes na área do acidente.

Cabe frisar que todo médico-veterinário possui formação técnica para realizar o diagnóstico das condições de saúde dos animais e, em casos extremos, de acordo com as resoluções técnicas do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), proceder com o sacrifício humanitário ou com a eutanásia.

Ressalta-se que o método de escolha para o sacrifício passa também pelas condições em que o animal se encontra. Zonas de guerra, de acidentes de grandes magnitudes ou de catástrofes naturais muitas vezes são áreas cujas variáveis do ambiente não estão sob o controle do médico-veterinário. Assim sendo, e não havendo condições de segurança ou de acesso até o animal para remoção ou contenção química por anestésicos, o sacrifício com o uso de rifle é aceito.

Quando corretamente aplicado, por profissional apto e habilitado, o projétil produz dano cerebral grave e irreversível, induzindo o animal à imediata inconsciência e insensibilidade, eventos que antecedem e garantem morte rápida e indolor. Por ser uma técnica humanitária e por permitir mitigar de maneira rápida o sofrimento dos animais em zonas de catástrofes, este método é amplamente difundido e recomendado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), bem como pelo CFMV.

A decisão de sacrificar um animal não é algo fácil para nenhum profissional. Certamente é o momento mais difícil na vida de qualquer médico-veterinário. Possivelmente, os traumas produzidos em circunstâncias de sacrifício em massa e em áreas de catástrofes sejam similares aos traumas de guerra.

Sendo assim, neste momento, em que centenas de animais precisam de socorro e em que dezenas de veterinários estão assumindo para si esta responsabilidade, o que se espera da sociedade brasileira é o mais sincero apoio a cada um dos profissionais presentes hoje em Brumadinho (MG).

Conselho Federal de Medicina Veterinária

Voluntários alimentam bezerro para mantê-lo vivo em Brumadinho (MG)

Um bezerro que está isolado na lama de rejeitos, após rompimento de barragem da Vale, em Brumadinho (MG), passou a receber cuidados de voluntários de grupos de proteção animal, que estão levando água e feno para o animal, na intenção de mantê-lo vivo para que ele possa ser resgatado.

Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

No último domingo (27), uma vaca que estava perto dele foi sacrificada após uma tentativa de resgate. A esperança dos voluntários é de que o bezerro tenha um destino diferente e consiga sair do local sozinho, já que a lama começa a secar. As informações são do portal O Globo.

O animal está fraco e nervoso, segundo a medica veterinária Amélia Oliveira, que trabalhou no resgate de animais quando ocorreu um crime ambiental na cidade de Mariana (MG). De acordo com ela, o bezerro não tem condições de ser sedado para ser transportado de helicóptero.

(Foto: Divulgação)

“A lama começa a secar e pode ser que ele tenha forças para se libertar da lama e escapar por conta própria”, disse a veterinária.

Na segunda-feira (28), os voluntários comemoraram o resgate de um cachorro. “Ele passa horas parado no mesmo lugar e tenta impedir que se aproximem. E sabemos que há corpos nessa área. Achamos que o tutor está lá”, afirmou Amélia. Após receber cuidados e ser alimentado, o cachorro será solto.

De helicóptero, agentes matam a tiros animais presos à lama em MG

Um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez voos rasantes ontem, segunda-feira (28), em uma região atingida pela lama, após rompimento de barragem da Vale, no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), para que um agente armado com um fuzil pudesse atirar em animais e matá-los. Os policiais buscavam animais ilhados, presos na lama ou feridos.

Foto: Telmo Ferreira/Framephoto/Estadão Conteúdo

Foram mais de 20 disparos. Os animais mortos estavam em uma área próxima ao local em que mais de 20 brigadistas tentavam abrir um ônibus, com vítimas dentro, que estava coberto pela lama.

Muitos animais foram afetados pelo crime ambiental. Ao longo de todo trecho da cidade de Brumadinho, é possível encontrar bois ilhados ou com os corpos atolados à lama.

A decisão de matar os animais foi confirmada pelo chefe da Defesa Civil de Minas Gerais, o coronel Evandro Geraldo Borges. “O que vamos fazer? Deixar o animal sofrendo? Estamos sim, com equipe em campo executando esse trabalho, mas essa decisão só é tomada nos casos em que não há outra opção”, disse. “Não tem jeito. Tem animal preso, outro com perna quebrada. Temos de fazer escolhas, de retirar as pessoas, ir atrás de sobreviventes. Tudo que está sendo feito foi pensado. É isso”, completou.

Em nota, a Polícia Rodoviária Federal afirmou que os tiros foram dados seguindo protocolos de segurança, “a pedido e sob a coordenação de uma veterinária, integrante do Conselho de Veterinária de Minas Gerais e supervisionado pelo comando das operações de resgate”.

O coronel lembrou que há outra parte da equipe empenhada em socorrer animais “em condições de serem retirados” da lama. Um deles é o boi Resistente. O animal recebeu esse nome, dado pelos agentes, por lutar pela vida apesar das circunstâncias. O boi recebeu feno e água. Nesta terça-feira (29), ele deve ser sedado para que seja retirado, com vida, do local.

Para a Dra. Vânia Fátima de Plaza Nunes, médica veterinária do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, a opção de atirar nos animais se deve à impossibilidade de sacrificá-los de outra forma. “Pra você fazer uma injeção letal, você tem que ter acesso a um vaso. Em geral, a gente faz a administração da medicação na carótida e aí tem diferentes protocolos para fazer o sacrifício. Numa situação de risco, com o animal sofrendo, o tiro feito no local certo e da forma correta vai fazer com que o animal morra imediatamente. É por isso que existem estudos, em diferentes locais, para trabalhar esse tipo de questão. Os protocolos internacionais para sacrifício de animais em situações emergenciais e de risco oferecem essa possibilidade sim. Isso não é uma prática que começou agora e nem é uma irresponsabilidade”, afirmou.

 

Nota da Redação: a decisão da Vale e das autoridades públicas de sacrificar animais atirando contra eles, de dentro de um helicóptero, ao alegar não haver condições de salvá-los, evidencia a forma como a vida animal está sendo desvalorizada em Brumadinho. A atitude da empresa descumpre decisões do Ministério Público e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que, em atendimento a um pedido do deputado Noraldino Júniro (PSC), determinaram que os animais fossem resgatados e não mortos. A explicação, dada por médicos veterinários, de que sacrificar animais através de tiros de armas de fogo faz parte de um protocolo para situações emergenciais não minimiza a crueldade desse ato. Diante disso, a ANDA registra um posicionamento abolicionista favorável à vida e, portanto, espera que a Vale aja de forma ética, resgatando os demais animais. 

 

Animais são mortos a tiros em Brumadinho

A ordem é matar animais ilhados, presos na lama ou feridos (Foto: Alexandre Guzanshe/EM)

Ontem à tarde, os animais que ainda lutam pela vida após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, começaram a ser mortos. A ação foi confirmada ao Estadão pelo coronel Evandro Geraldo Borges, chefe da Defesa Civil de Minas Gerais.

“O que vamos fazer? Deixar o animal sofrendo? Estamos sim, com equipe em campo executando esse trabalho, mas essa decisão só é tomada nos casos em que não há outra opção”, argumentou Borges.

As execuções estão partindo de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Um agente armado com fuzil dispara contra os animais vivos que é capaz de identificar. A ordem é matar animais ilhados, presos na lama ou feridos.

“Não tem jeito. Tem animal preso, outro com perna quebrada. Temos de fazer escolhas, de retirar as pessoas, ir atrás de sobreviventes. Tudo que está sendo feito foi pensado. É isso”, justificou o coronel.

A iniciativa tem gerado muitos comentários negativos, de pessoas enfatizando que matar os animais em vez de tentar resgatá-los é apenas uma manifestação de indiferença em relação ao valor da vida animal.

Ontem, a ativista Luisa Mell denunciou que ela e outros ativistas foram voluntariamente até Brumadinho, compraram tapumes para o resgate, o que a Vale não quis comprar, e ainda assim não os deixaram entrar nem para fazer o mapeamento dos animais. Segundo Luisa, a única preocupação da empresa é com a própria imagem: “Eles não querem que as pessoas filmem a tragédia. Não queriam que entrássemos com celular”, lamentou.

É válido lembrar que no último domingo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu que a Vale elaborasse um plano emergencial de localização, resgate e cuidado dos animais atingidos pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão. No entanto, o pedido não foi atendido.

Eu Rejeito

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.
Bertolt Brecht

Foto: Douglas Magno

A cena do rio de lama de rejeito de mineração e toxicidade a avaliar, arrastando tudo que estava no seu caminho, causou profunda tristeza e lamento de todos nós. A terra literalmente vomitou aquilo que não lhe pertencia e escancarou nossa incompetência para o mundo. Enquanto assistia ao noticiário, me perguntava quanto daquela lama me pertencia e o que esse desastre humano, ambiental e animal nos diz de nosso modo de viver.

Um dos princípios-chave da ecologia são os processos cíclicos. Na natureza há produção de resíduos, entretanto o que é resíduo para um organismo é alimento para o outro. Logo não há “lixão” no mundo natural, muito menos barragem para conter rejeitos. Entre nós, ao contrário, os processos são lineares. Extraímos um bem natural, aproveitamos parte, descartamos em algum lugar o que não nos interessa. Por onde passamos, seja na praia ou em uma festa, deixamos um rastro de lixos que serão recolhidos, varridos e amontoados em algum lugar. Quanto mais consumimos mais acelerado é o processo de retirada de recursos naturais. Nesse sentido temos parte nesse rejeito.

O complexo do Paraopeba, onde estava a barragem da Mina do córrego do Feijão, era responsável por 7% da produção de minério de ferro, principal produto da Vale, que também produz minério de manganês, carvão, níquel, cobre, cobalto e ouro. Os minerais, em geral, são utilizados nas estruturas de indústrias, edifícios, aviões, cabo elétrico, celular, carro, geladeira etc. Ou seja, o conforto que demandamos e do qual não abrimos mão exige a existência de mineradoras, e, consequentemente, a produção de rejeitos. Queremos computadores e equipamentos eletrônicos de “última geração”, mesmo sabendo que ao sair da loja já estará ultrapassado? Sim! Então, onde fica a “barragem” para tanto resíduo eletrônico?
Segundo dados da United Nations Evnironmente Programme (Unep), das Nações Unidas, até 90% desse lixo são despejados de qualquer jeito no continente africano sem nenhum critério ou respeito pelas pessoas ou pela natureza, pois custa mais barato que reciclar devidamente no mundo industrializado de onde se originam. Nesse sentido, temos parte nesse rejeito.

Em nossas casas entram, junto com as compras as sacolas plásticas, embalagens inúteis, objetos mil, latas, vidros etc. Grande parte não tem relação alguma com aquilo que, de fato, iremos consumir ou mesmo precisar. O que é possível fazer? Recusar, reaproveitar, reduzir o consumo, buscar produtos a granel, fazer compostagem, participar da coleta seletiva dando, no mínimo, a destinação correta para todo o resíduo gerado. Pode-se também não fazer nada e deixar que tudo vá para o aterro “sanitário” (onde houver) e lá deixar que despejem os rejeitos. Contudo, o aterro não é eterno nem tão sanitário. Tem vida útil curta, em torno de dez anos ou mais anos, conforme a tecnologia, o volume e a localização, e soluciona apenas em parte os problemas causados pelos excessos que produzimos. Nesse sentido temos parte nesse rejeito.

Precisamos nos alimentar, entretanto um terço da produção mundial de alimentos vai para o lixo em algum momento do processo de colheita até chegar à mesa. Isso equivale a 1,3 bilhão de toneladas por ano, o suficiente para alimentar todo o continente africano, segundo relatório das Nações Unidas (2011). Comprar aquilo que não irá consumir e que irá estragar antes de ir para o lixo me faz lembrar que temos parte nesse rejeito. Se a carne faz parte da minha alimentação, é preciso considerar que a produção de um quilo consome em torno de 16 mil litros de água, segundo a Water Footprint. Esse bife foi, um dia, um boi, mamífero de proximamente 520 quilos que comeu todos os dias. Ocupou espaço e, para isso, foi preciso desmatar para abrir pasto ou plantar soja para produzir ração. Quando vivo, arrotou gás metano, produziu, segundo o Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa, 30 quilos de fezes e urina por dia (21 kg de fezes e 9kg de urina) e viveu por volta de 18 meses. Se o rebanho bovino brasileiro está, segundo o Censo Agropecuário 2017 – IBGE, na casa de 214,9 milhões de cabeças, isso significa que são lançadas, diariamente, 6.447 bilhões de fezes em algum lugar do Brasil, no pasto ou na área de confinamento. Se ajuntássemos todo esse volume em um só lugar, precisaríamos de 537,25 represas/dia, como aquela que se rompeu em Brumadinho, somente para conter esse rejeito. Nesse sentido, é da nossa alçada, naquilo que servimos o nosso prato todos os dias, não fazer parte desse rejeito.

A tragédia de Brumadinho chega em um momento crítico para o meio ambiente quando, lamentavelmente, ouvimos ameaças de ampliar o desmatamento para monoculturas até na Amazônia; do Brasil sair do Acordo de Paris; de aprofundar a submissão da política ambiental às políticas da Agricultura; da indicação de nomes da bancada do Agronegócio para setores estratégicos em relação à preservação do meio ambiente; da abertura das reservas naturais e indígenas em favor da agricultura e da mineração; críticas às normas ambientais consideradas rigorosas demais e o fim das multas ao setor agrícola. A morte dos rios já denúncia este caminho suicida. A sensação beira ao desespero como ao ver um carro desgovernado na contramão da avenida. Em nome de todos e de tudo aquilo que deixou de existir em Brumadinho, pessoas, animais, árvores, rio e histórias, possamos despertar para ouvir os gemidos da natureza e nos colocarmos com urgência em sua defesa.

Rejeitos de minério da Vale comprometem a mata atlântica de Brumadinho

Agora será preciso lidar com as consequências em uma área que equivale a 24,22% do bioma original (Foto: Douglas Magno/AFP)

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, antes do rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão em Brumadinho, Minas Gerais, o município possuía 15.490 hectares de remanescentes de mata atlântica acima de três hectares, o equivalente a 830 campos de futebol. Agora será preciso lidar com as consequências para uma área que representa 24,22% do bioma original.

Ainda não é possível estimar a totalidade do impacto dos rejeitos de minério da Vale para o meio ambiente, assim afetando também a fauna na região, mas a SOS Mata Atlântica lembra que o deslizamento ocorreu na região da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, que é formadora da Bacia do Rio São Francisco, um dos principais mananciais de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“A qualidade da água do Rio Paraopeba antes da tragédia, segundo dados do Comitê de Bacias da região, era de regular para boa. Com o rompimento e a piora da qualidade do rio, a escassez hídrica poderá se agravar”, informa a fundação que defende que o Brasil precisa de um licenciamento ambiental mais sério e eficiente do ponto de vista técnico, que considere a vocação da região, características do entorno e riscos para as comunidades locais.

A SOS Mata Atlântica enfatiza também que muitas barragens no Brasil estão em áreas de cabeceiras dos rios e, com isso, os deslizamentos podem afetar bacias inteiras, colocando em risco o meio ambiente e os serviços ambientais para a população.

Fonte: Vegazeta

Cão encontrado em casa cercada por lama é salvo em Brumadinho (MG)

Um cachorro que estava abandonado há dois dias em uma casa cercada pela lama em Brumadinho (MG), após rompimento de barragem da Vale, foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros.

Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Os militares faziam o reconhecimento de uma área atingida pela lama quando um deles decidiu se aproximar de uma casa, onde encontrou um cachorro preto preso a uma corrente. Leoncio Valverdes emitiu, então, um sinal de alerta com um assobio.

O animal estava sem água e comida. Bastante assustado, ele fugiu após ter a corrente arrebentada pelos bombeiros. Momentos depois, o animal retornou ao local onde estavam os militares, que colocaram uma toalha nos olhos do cão para acalmá-lo.

Além do cachorro, pássaros vivos presos em gaiolas também foram resgatados. No entanto, devido à falta de espaço no helicóptero da polícia, que minutos antes do resgate das aves havia dado um alerta sobre outro cão abandonado, quatro dos pássaros encontrados foram libertados por ordem do sargento do Corpo de Bombeiros.

“Estamos aqui com um helicóptero nos auxiliando a levar esses animais para um lugar mais seguro”, disse Valverdes.

Plano de resgate

O Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) solicitou que a Vale estabeleça um plano de resgate dos animais presos ao lamaçal – vacas, cães, galinhas e até macacos.

O MP pede que faça parte do plano a composição de uma equipe técnica qualificada, além da disponibilização de equipamentos, veículos aéreos ou terrestres e suprimentos necessários à busca, resgate e cuidado dos animais.

Veterinários resgatam animais de casas evacuadas em Brumadinho (MG)

Médicos veterinários resgataram animais de casas evacuadas no Parque da Cachoeira, em Brumadinho (MG). O resgate foi feito após os moradores dos imóveis saírem do local devido ao risco de rompimento de uma nova barragem da Vale.

(Foto: Renan Damasceno/EM/D.A.Press)

Os animais de pequeno porte foram encaminhados para um posto em Brumadinho, de onde seguirão para uma fazenda disponibilizada pela Vale. As informações são do Correio Braziliense.

De acordo com a médica veterinária Carla Sássi, que trabalhou nos resgates, foram salvos cachorros, gatos e animais de grande porte, como vacas e cavalos.

Um grupo de voluntários da Brigada Animal, do Conselho Regional de Medicina Veterinária, que atua em desastres desde 2011, estava, até a noite do último domingo (27), aguardando liberação do Corpo de Bombeiros para tentar salvar animais que foram atingidos pela lama após o rompimento da barragem.

Bombeiros fazem voo para procurar animais em Brumadinho (MG)

O Corpo de Bombeiros iniciou, na manhã desta segunda-feira (28), um voo de helicóptero para procurar animais atingidos pela lama ou ilhados após o rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG).

Foto: Mauro Pimentel/AFP

Os trabalhos de busca e resgate de animais contam com a participação da médica veterinária Carla Sassi, da coordenação de campo da Comissão de Desastres do Conselho de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais. As informações são do Diário de Pernambuco.

Segundo a profissional, quatro equipes estão em campo fazendo buscas pelos animais. Sassi lembrou ainda do caso da vaca que foi sacrificada. De acordo com a veterinária, a demora da Vale para autorizar o resgate do animal fez com que a vaca entrasse em sofrimento. Por essa razão e devido à dificuldade para retirar o animal da lama, optou-se pelo sacrifício. A morte foi acompanhada por médicos veterinários.

“Ela foi sacrificada da forma mais ética possível, não era o que queríamos, mas é o que podíamos fazer por ela enquanto médicas veterinárias. Antes de realizar o sacrifício, só nos restou pedir perdão a ela. Ela descansou”, disse.