Romênia quer exportar 70 mil ovelhas vivas para o Golfo Pérsico

Por Rafaela Damasceno

A Romênia causou atrito na União Europeia ao querer exportar cerca de 70 mil ovelhas vivas para o Golfo Pérsico, mesmo contra a vontade de Bruxelas, que afirmou que temperaturas extremas tornariam impossível que os animais não sofressem no caminho.

Três pessoas colocam uma ovelha no porta-malas de um carro

Foto: Animals International

“Recebemos imagens mostrando condições terríveis em que os animais foram transportados por navios para o Golfo Pérsico durante o verão”, afirmou Vytenis Andriukaits, comissário da União Europeia para Saúde e Segurança Alimentar. Ele pediu, em uma carta ao ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Romênia (Petre Daea), que impedisse a exportação. A previsão do tempo no Golfo Pérsico em julho informa temperaturas de até 46° C. Petre Daea afirmou que não impedirá a exportação sob nenhuma circunstância.

De acordo com o Eurogroup for Animals, as 70 mil ovelhas estão sendo enviadas para participar do “Festival do Sacrifício”, em agosto.

A Austrália, que já foi o maior país exportador de ovelhas, anunciou uma proibição de três meses (durante a temporada de intenso verão) na prática direcionada ao Oriente Médio. Ela ainda planeja eliminar completamente essa forma de comércio nos próximos cinco anos.

Em contrapartida, as exportações de ovelhas e cabras na Romênia estão em ascensão desde 2015, segundo dados do International Trade Center.

“Achamos lamentável que, enquanto outros países estão reconhecendo os horrores da exportação de animais vivos, a Romênia está ignorando completamente as centenas de milhares de animais que sofrem longas viagens ao Oriente Médio enfrentando calor intenso e sofrendo muito”, declarou Vanessa Hudson, líder do Partido do Bem-Estar Animal, à Euronews.

Ela ainda disse que o país se mostra em regresso, além de totalmente desconectado com o resto do mundo, que demonstra um crescente interesse na proteção dos animais.

Ativistas em defesa dos direitos animais consideram o transporte dos animais vivos uma crueldade sem tamanho, visto que eles viajam em navios lotados por mais de uma semana sob um calor escaldante, e são praticamente cozinhados vivos. Apesar de a União Europeia proibir a exportação de animais vivos quando as temperaturas excedem 30 °C, muitos continuam com a prática muito além disso.

Gravações da Animal International mostram que as ovelhas e outros animais morrem com as temperaturas elevadas, são brutalmente descarregados dos navios, espremidos em carros e mortos ainda conscientes por açougueiros despreparados no meio das ruas. As imagens foram apresentadas ao governo romeno.

Alguns países, como Israel, decidiram suspender as importações da Romênia. Devido às condições precárias, muitos animais chegavam mortos ou doentes ao seu destino. O país declarou que está atualizando suas legislações para evitar problemas futuros relacionados ao transporte dos animais.

Mesmo corrigindo alguns problemas em relação ao péssimo tratamento que os animais recebem em suas exportações, ainda sim eles serão enviados para a morte sob condições extremamente cruéis.


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Bruxelas reconhece animais como seres sencientes

Cecilia foi primeira chimpanzé libertada por Habeas Corpus. Foto: prensa.mendoza.gov.ar

O conceito de “senciência” vem sendo difundido aos poucos na tentativa de ampliar sua dimensão e atingindo a proteção animal, permitindo enxergar que se um não-humano possui a capacidade de sentir emoções ele é merecedor de uma tutela jurídica.

Recentemente o Parlamento de Bruxelas votou por unanimidade para reconhecer os animais, antes classificados como bens e bens imóveis, como uma categoria especial.

Com a nova legislação, os animais serão “seres vivos dotados de sensibilidade, interesses próprios e dignidade, que se beneficia de proteção especial”. A Bélgica também está considerando medidas semelhantes.

De acordo com a secretária de Estado de Bruxelas responsável pelo bem-estar animal, Bianca Debaets, “O objetivo final é que os animais se beneficiem, finalmente, do status legal que corresponde à sua natureza biológica”. As informações são da Animal Legal Defense Fund.

Além de Bruxelas, a França, Nova Zelândia e Quebec também alteraram suas leis para reconhecer animais como seres sencientes, em 2015.

Em setembro de 2018, a Eslováquia atualizou a definição de “animais” em seu Código Civil para refletir que eles são seres vivos, não coisas.Desde então, “os animais terão status e valor especiais como criaturas vivas que são capazes de perceber o mundo com seus próprios sentidos”

Outros países também incluíram disposições relativas à senciência animal, dignidade ou proteção em suas constituições, mais recentemente Áustria em 2013 e Egito em 2014 .

Infelizmente, nos EUA, os animais são classificados como propriedade e, na maioria das vezes, considerados “objetos” sob a lei. No entanto, algumas legislaturas estaduais abordaram a senciência animal. Por exemplo, como resultado da legislação que o Animal Legal Defense Fund ajudou a redigir e aprovar em 2013, a lei do Oregon reconhece que “os animais são seres sencientes capazes de sentir dor, estresse e medo”.

A primeira conquista

O grande marco da luta aconteceu 1993, com a criação do GAP Projeto Grandes Macacos, pelo filósofo australiano Peter Singer e por sua colega italiana Paola Cavalieri.

Cecilia foi primeira chimpanzé libertada por Habeas Corpus. Ela é a única sobrevivente de um grupo de quatro chimpanzés que morava no Zoológico de Mendoza, Argentina e foi transferida para Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, afiliado ao Projeto GAP, local que abriga cerca de 50 outros chipanzés.

Na prática

O efeito que esse reconhecimento tem na prática nem sempre é como o esperado como no caso do elefante, “Happy”, que mora no Zoológico do Bronx, em Nova Iorque, desde 1977, e ainda espera o julgamento de seu habeas corpus para obter a liberdade.

Já em alguns países como na Argentina, as decisões têm sido favoráveis aos animais. Uma sentença da Câmara Federal de Cassação Penal reconheceu o direito à liberdade de Sandra, um orangotango, sem necessitar de alteração legislativa, mas partindo de uma interpretação dinâmica do Direito.

Na Bahia, a proteção de um chimpanzé não obteve o mesmo êxito. O juiz Edmundo Lúcio, da 9ª Vara Criminal de Salvador, negou liminar em Habeas Corpus que pedia a transferência da chimpanzé chamada Suíça, que vive em uma jaula no zoológico de Salvador, para uma reserva ecológica do GAP. Um dos argumentos do promotor Heron José Santana foi de que “a ciência já provou que os chipanzés têm capacidade de raciocínio tal qual o homem, portanto, trata-se de uma pessoa que não pode permanecer enjaulada”.

Com vitórias e derrotas, sem dúvidas, estamos na direção certa pelo fim da escravidão animal.

Semáforos incentivam motoristas e pedestres a ser tornarem veganos

Foto: LiveKindly

A cidade se tornou um dos epicentros da Europa para o ativismo climático nas últimas semanas e a iniciativa parece ser um apoio ao movimento da ativista sueca de 16 anos, Greta Thunberg, que convoca estudantes de todo o mundo a uma greve escolar para chamar a atenção de líderes sobre a mudança climática. Alunos em toda a Europa já começaram a faltar aulas às sextas-feiras.

Segundo o Independent, em agosto do ano passado, ela se recusou a ir à escola todos os dias até as eleições suecas, pedindo aos políticos que tomassem medidas contra as mudanças climáticas”.

“Desde então, ela protestou do lado de fora do parlamento do Riksdag toda sexta-feira, provocando o movimento #FridaysForFuture, e agora é acompanhada por centenas de outros estudantes toda semana.”

No início deste mês, dezenas de milhares de pessoas se reunindo nas ruas de Bruxelas pedindo a renúncia de um dos ministros de Meio Ambiente. As marchas começaram depois que o país aprovou medidas de redução de carbono em dezembro.

Os protestos estão sendo estimulados por outra adolescente de 17 anos, Anuna De Wever. Inspirado por Thunberg, De Wever e um amigo – ambos ainda não tinham idade suficiente para votar – compartilharam um vídeo online que se tornou viral incentivando as pessoas a se juntarem a eles na marcha. Milhares apareceram. E o número de participantes vem crescendo a cada semana.

Foto: LiveKindly

“Nossa geração não aceitará mais mudanças catastróficas que estão afetando negativamente o nosso futuro”, afirmou a ativista britânica Lottie Tellyn em um editorial para o Independent.

“Anos de ação limitada contra a mudança climática, anos de informações encobertas sobre a crise climática e agora estamos finalmente dizendo que basta.”

Mudança climática

A pecuária é a maior emissora de gás de efeito estufa – mais do que os setores de transporte juntos. Algumas estimativas colocam a produção de carne como responsável por 51% de todas as emissões.

A ONU já reconheceu o problema como a maior ameaça ao futuro do planeta e recomenda uma mudança urgente para a dieta à base de plantas.

Grandes reduções no consumo de carne são essenciais para evitar mudanças climáticas perigosas. Nos países ocidentais, o consumo de carne bovina precisa cair 90% e ser substituído por cinco vezes mais grãos e leguminosas”, relatou o Guardian sobre um estudo publicado na revista Nature, em outubro do ano passado.

“Mas sem ação, seu impacto será muito pior à medida que a população mundial aumentar em 2,3 bilhões de pessoas até 2050 e a renda global triplica, permitindo que mais pessoas comam dietas ocidentais ricas em carne”.