Casal abandona emprego para viver com mais de 100 cães em casa no campo

Uma fotógrafa russa, que fazia muito sucesso com a profissão, e seu marido decidiram abandonar seus empregos para se dedicar integralmente a animais resgatados de maus-tratos e abandono. Daria Pushkareva trabalhou em filmes e se especializou em fotografia de casamento, tendo sido uma das fotógrafas da área mais solicitada na Rússia. Mas largou tudo pelos animais.

Foto: Reprodução / Zoorprendente

“Eu percebi que estava viciada em trabalhar”, disse a fotógrafa, cansada da rotina que levava. Foi então que ela decidiu começar a resgatar animais, lembrando de um sonho de infância: ter um abrigo para cães. As informações são do portal Zoorprendente.

Daria cresceu em uma casa modesta e, por isso, nunca teve condições de ter um animal. Já adulta, ela passou a ajudar cachorros trabalhando como voluntária em seu tempo livre. Os resgates, no entanto, começaram com os seis primeiros cães salvos pelo casal.

O primeiro cachorro salvo por eles foi um filhote que era preterido pelos adotantes porque não tinha um olho. “Agora eu sinto que não estou perdendo meu tempo e que minha vida tem sentido”, disse a fotógrafa.

Foto: Reprodução / Zoorprendente

Quando estava prestes a resgatar o sétimo cachorro, o casal enfrentou problemas. O animal tinha problemas comportamentais, era agressivo e tinha recomendações de veterinários para que fosse sacrificado. Os dois, porém, não concordavam em tirar a vida de um animal saudável e, após vários testes, descobriram que o comportamento dele era reflexo de um trauma craniocerebral.

“Eu perguntei se havia algo que eu pudesse fazer para deixar o cachorro feliz e o veterinário disse que seria melhor entregá-lo a um lugar fora da cidade com muito espaço”, contou Daria. Foi então que, ao invés de buscar um lar para o cão, o casal decidiu juntar todas as economias que possuíam, fazer empréstimos e comprar uma casa de campo nos arredores de Moscou. Os dois abandonaram os empregos e passaram a viver no local, dedicando-se em tempo integral aos animais resgatados.

“Eu não considero isso um refúgio. Eu até fico ofendida quando alguém o chama assim. Eles são nossos cães, nós os amamos. Nós não planejamos entregá-los a ninguém”, disse a fotógrafa, que na companhia do marido, cuida atualmente de mais de 100 cachorros, além de algumas raposas e guaxinins que receberam abrigo na casa para que não fossem mortos por pessoas interessadas em transformar suas peles em casacos.

Cachorros viram gandulas em torneio de tênis em SP

Cachorros viram ‘cãodulas’ e ajudam gandulas em torneio de tênis
| Imagem: Marcelo Zambrana/DGW Comunicação

Os “CãoDulas” estão de volta! Pelo quarto ano consecutivo, cães abandonados conquistaram o coração do público e viraram gandulas no torneio Brasil Open de Tênis, que chega ao fim neste domingo (4), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

As estrelas caninas do torneio são Pipoca, Teka, Thor, Kiara e Bob, que ajudam a buscar as pequenas bolas de tênis nas quadras, auxiliando os tenistas que participam do torneio internacional. Neste sábado (3), os cães fizeram seu trabalho no aquecimento de duas partidas da fase semifinal da competição.

Além de auxiliar em quadra, os cachorros, que são cuidados pela ONG Patinhas Unidas e têm histórico de abandono, também procuram conquistar novos adotantes.

“Ao levar os CãoDulas para o torneio pelo quarto ano consecutivo, queremos reforçar a mensagem de que os cães só precisam de um lar amoroso e nutrição de alta qualidade para serem os melhores amigos de seus tutores. Colocamos em evidência a causa da adoção com uma abordagem de alegria, em busca de uma nova oportunidade para estes e tantos outros cães que vivem em abrigos”, afirmou Madalena Spinazzola, diretora de marketing corporativo e planejamento estratégico da empresa PremieRpet, responsável por levar os cachorros ao Ginásdo Ibirapuera.

Neste sábado, os cães ajudaram os tenistas na semifinal de simples masculino do Brasil Open. O argentino Guido Pella venceu o sérvio Laslo Dere por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (12/10) e 7/6 (7/1), enquanto o chileno Christian Garin bateu o norueguês Casper Ruud por duplo 6/4. O sucesso dos ‘CãoDulas’ não é de hoje. Desde 2016, os cães ajudam os tenistas no Brasil Open de Tênis. Segundo os responsáveis, a ação repercutiu não apenas no Brasil, mas também em outros países, como Estados Unidos, Inglaterra e China.

Fonte: UOL 

Cães explorados para caça de animais são encontrados em veículo no PR

Dez cachorros explorados para a caça de animais silvestres foram resgatados pelo Batalhão de Polícia Ambiental – Força Verde (BPAmb – FV) no município de Cruzeiro do Oeste, no Paraná. Objetos utilizados nos crimes foram apreendidos e três pessoas foram levadas à delegacia. O caso foi descoberto após denúncia.

(Foto: BPAmb-FV)

A ação policial ocorreu no último domingo (24). Ao perceberem a presença das viaturas, dois homens tentaram fugir, mas foram contidos em uma rodovia. No carro usado para a fuga foram encontradas duas espingardas, cartuchos de arma de fogo intactos, facas, lanterna, sacos plásticos, nove rádios de comunicação e dois celulares – materiais supostamente usados para caça. As informações são do portal Bem Paraná.

Dentro do veículo estavam ainda os dez cachorros. De acordo com os policiais, os animais estavam com a saúde em estado precário. Todos eles sofriam de desidratação e apresentavam sinais de má alimentação e maus-tratos.

As pessoas detidas são moradoras dos municípios paranaenses de Maria Helena, Maringá e Paiçandu. Eles foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Cruzeiro do Oeste, para onde foram levados também os materiais apreendidos.

Não há informações sobre o destino dos cachorros resgatados pela polícia.

Cães explorados para venda são resgatados após maus-tratos em canil no PR

Vinte cachorros explorados para venda foram encontrados em situação de maus-tratos nos fundos de uma casa no bairro Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, no Paraná, na terça-feira (28). Onze deles foram resgatados pela ONG Vida Animal e receberão cuidados veterinários.

Foto: Reprodução / Rádio Cultura Foz

O caso foi descoberto após uma denúncia. Ao chegar no local, a Polícia Ambiental, acompanhada de servidores do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Vigilância Sanitária e de membros da entidade de proteção animal, confirmou os maus-tratos. As informações são da Rádio Cultura Foz.

A responsável pelo canil estava no local e recebeu as equipes. De acordo com o policial Marcos Giordani, o canil é clandestino, já que não possui liberação para funcionamento.

 

Segundo a direção da ONG, os cachorros eram mantidos molhados e ração de péssima qualidade era oferecida para eles, jogada no chão, sem qualquer vasilha. Alguns deles estavam com carrapatos, sarna e fungos.

“Hoje fizemos o resgate de 11 animais. Após todos os procedimentos medico-veterinário e de banho e tosa, eles serão encaminhados a lares temporários, sob responsabilidade da ONG”, afirmou um representante da entidade.

Chanel é acusada de maus-tratos após prender cães em pequenas gaiolas

A grife Chanel foi acusada de maus-tratos a animais por prender dois cachorros em pequenas gaiolas em uma loja da marca em Londres, no distrito de Knightsbridge, na Inglaterra.

O caso foi denunciado pela estrela do reality-show Made In Chelsea, Tabitha Willett, que publicou uma foto e um vídeo em redes social no qual é possível ver os dois cachorros presos, impossibilitados de se movimentar, dentro de gaiolas. Os cães estavam na boutique Chanel’s Sloane Square.

(Foto: Tabitha Willett)

“Alguém sabe o que esses cachorrinhos estavam fazendo em gaiolas no @ChanelOfficial Sloane Street na noite passada? Chanel, por que há dois cachorros em pequenas gaiolas, em sua loja às 11 da noite?”, disse Tabitha. “Telefonei para Chanel, que disse que os cães estavam lá por motivos de segurança, o que não entendo, pois estão trancados em caixas que são pequenas demais para seus tamanhos”, completou.

Na imagem, não há qualquer indício de que os animais tenham água e comida à disposição, o que agrava a situação de maus-tratos. “Você nunca deve ver os animais enjaulados e restritos por seu tamanho, sem água ou espaço para sentar, levantar ou esticar-se, muito menos tarde da noite, sob iluminação fluorescente, na Sloane Street, em uma janela da Chanel. Fiquei ainda mais chocada quando soube que as circunstâncias eram para fins de segurança, já que os animais enjaulados seriam incapazes de proteger a loja”, afirmou Tabitha.

Em resposta aos questionamentos, a Chanel afirmou que o cães eram mantidos nas gaiolas por poucas horas e que havia uma pessoa para cuidar deles.

Indignada, Tabitha procurou a entidade de proteção animal Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), que também se preocupou com o caso, assim como outras ONGs, e pediu uma explicação para a Chanel.

“Esta imagem levanta algumas questões e gostaríamos de ouvir as razões destes cães serem mantidos em caixas desta maneira. Caixas de cães podem ser úteis para transportar animais, para uso em treinamento, ou para confinamento de curto prazo, quando a supervisão não é possível. E devem ser um lugar onde o cão se sinta seguro e confortável”, afirmou um porta-voz da RSPCA. “No mínimo, as caixas precisam ser grandes o suficiente para que o cão possa se sentar e ficar de pé em toda sua altura, virar-se, esticar-se e deitar-se em uma posição natural. Adicionar roupa de cama macia e confortável e brinquedos de morder seguros ajudam os cães à se sentirem confortáveis, seguros e protegidos. Os cães precisam ter acesso à água o tempo todo, então uma tigela de água deve ser fornecida, quando um cachorro estiver dentro da caixa. Isso pode ser feito usando uma tigela de encaixe, para evitar que ela seja derrubada”, completou.

A Chanel, por sua vez, respondeu que entende a preocupação das pessoas e que os cães são mantidos no local para proteger a loja. “Devido a dois recentes incidentes sérios na boutique da Sloane Street, a Chanel decidiu reforçar as medidas de segurança buscando os serviços de um adestrador de cães. Nós entendemos a preocupação daqueles que se importam com o bem-estar animal e a compartilhamos. Queremos assegurar-lhes que estes dois cães, que são especialmente treinados para este propósito, são liberados de suas caixas regularmente para se esticarem e se exercitarem, e há um suprimento regular de comida e água durante o tempo que eles ficam na boutique”, disse um representante da grife.

Nota da Redação: a ANDA é totalmente contra a exploração de cães para segurança de imóveis e ressalta que cachorros existem por propósitos próprios, não para servir aos seres humanos. Dessa forma, é preciso lembrar que é inaceitável que esses animais sejam submetidos a treinamentos anti-naturais para que sejam explorados para proteger imóveis – o que, aliás, é uma prática falha, já que criminosos podem oferecer veneno ou tranquilizante aos animais para que consigam assaltar esses locais sem grandes dificuldades. No mais, além da exploração inerente ao envolvimento de cães em ações de segurança, manter cachorros presos em gaiolas pequenas configura crueldade ainda maior.

Cães extremamente desnutridos são salvos após maus-tratos em SC

Dois cachorros foram resgatados após serem submetidos a maus-tratos no município de São Joaquim, em Santa Catarina. O resgate foi feito pela Polícia Civil na quarta-feira (20).

Foto: Polícia Civil/Divulgação

Os cães foram encontrados em situação considerada degradante pela polícia. Extremamente desnutridos, eles estavam com os ossos das costelas expostos devido à magreza.

No local onde eram mantidos, não havia água nem comida. Um deles estava trancado dentro de uma garagem e o outro estava preso a uma corrente. As informações são do portal G1.

Após serem resgatados, os cachorros foram levados para receber atendimento veterinário. Eles ficarão no canil do município, recebendo os cuidados necessários.

Foto: Polícia Civil/Divulgação

O tutor dos animais, que não teve a identidade revelada, vai responder pelo crime de maus-tratos a animais.

É considerado maus-tratos:  abandono, envenenamento, prisão constante em correntes ou cordas muito curtas, manutenção em lugar anti-higiênico, mutilação, prisão em espaço incompatível ao porte do animal ou em local sem iluminação e ventilação, exploração em shows que possam causar lesão, pânico ou estresse, agressão física, exposição a esforço excessivo, rinhas, etc.

A Polícia Civil orienta a população a denunciar casos de maus-tratos ao presenciá-los e lembra que esse crime deve ser denunciado independentemente da espécie de animal envolvida – domésticos, domesticados, silvestres ou exóticos. O indicado é procurar a delegacia mais próxima para lavrar um boletim de ocorrência.

Cachorros acorrentados sem água e comida são resgatados no RS

Dois cachorros acorrentados sem água e sem comida em uma propriedade em São Sebastião do Caí, no Rio Grande do Sul, foram resgatados pela ONG Vira Lata do Caí na última semana após uma denúncia de maus-tratos.

(Foto: Reprodução / Facebook / ONG Vira Lata do Caí)

Os animais não tinham abrigo para se proteger das condições climáticas e um deles não conseguia deitar para descansar por estar preso a uma corrente curta. No local, havia apenas potes com água suja, as quais os cães não tinham acesso.

Os cães foram resgatados pela ONG, que não localizou o responsável por eles. Ao ser identificado, ele deve responder na Justiça pelo crime de maus-tratos a animais. As informações são do portal Fato Novo.

“A fêmea tinha tanta sede que tomou muita água, como mostra o vídeo, e passou a noite tomando água, o que constata-se muitos dias sem água, que é o básico”, escreveu a entidade em uma página no Facebook. “A denunciante ouvia o grito deles a quase um 1 km de distância, e demorou para localizar de onde vinha”, completou.

De acordo com a ONG, os cães foram encaminhados para entendimento veterinário. Eles estavam infestados de pulgas e vermes. Após receberem o tratamento necessário, os cachorros irão para lares temporários.

A entidade Vira Lata do Caí registrou um boletim de ocorrência sobre o caso.

Tutores descobrem que cães comprados vieram de canis envolvidos com maus-tratos

Casos de maus-tratos a animais em canis que os exploram para reprodução e venda são comuns. Apenas no estado de São Paulo, mais de 4,6 mil denúncias relacionadas a criadores foram registradas em 2018, segundo dados da Polícia Ambiental. Muitos tutores que optam por comprar animais, no entanto, não tem consciência dessa realidade. Outros, passam a descobrir com o tempo.

Nanaïs34/Creative Commons

É o caso da médica veterinária Daniela Mello, que comprou um chihuahua em uma das lojas da rede Petland e, recentemente, descobriu que o animal veio de um canil fechado por maus-tratos. Hoje, ela lamenta o sofrimento dos pais de Mogli, como é chamado o cão, devido aos maus-tratos que eles sofreram para que o chihuahua nascesse.

Um spitz alemão comprado por uma mulher que preferiu não se identificar também sofreu as consequências de ter nascido em um canil que ficou conhecido por maltratar animais. O filhote foi comprado em uma pet shop nos Jardins, em São Paulo, e pouco meses depois foi diagnosticado com alopecia, uma doença de pele sem cura. Pior foi saber que o animal vinha de um canil que praticava maus-tratos. As informações são do blog Comportamento Animal, do Estadão.

“Quando soube, chorei, chorei muito, porque nunca imaginei que um dia eu poderia ter financiado aquela barbárie”, disse. “Eu fiquei muito decepcionada, sempre me preocupei com essas questões de qualidade de vida dos pais do meu cachorro, é uma sensação de profunda tristeza saber que o meu bebê vive tão bem, enquanto os pais estavam naquelas condições insalubres”, completou.

A tutora afirma que os proprietários da pet shop que venderam o cachorro também não sabiam das condições do canil. “A dona do canil os recebia em um ambiente totalmente diferente daquele encontrado pela polícia”, explicou. Lidyane, proprietária da pet shop, está avaliando se continuará vendendo cães no estabelecimento.

Ao ser questionada se recomendaria que outras pessoas comprassem animais, a mulher respondeu que prefere indicar a adoção. “Com a quantidade de cães de abrigo, tanto SRD como os de raça, eu sugeriria adoção”, afirmou.

Pikakoko/Creative Commons

Assim como o spitz alemão, o buldogue francês comprado pela gerente de Estudos Clínicos, Camila Canale, também apresentou doenças devido a forma como foi criado no canil. O animal foi comprado em uma loja da Petz, que revendia cães do canil Céu Azul, fechado por maus-tratos na última semana. Camila pretendia comprar um pug, mas decidiu antes conversar com o marido. Quando retornou ao estabelecimento, o cão havia sido vendido e ela decidiu, então, levar o buldogue. A tutora conta que os vendedores não fizeram nenhuma pergunta para ela e nem a alertaram sobre problemas que poderiam ocorrer com o animal. “Foi uma compra impulsiva. Estava muito triste pela perda do meu cachorro e pensei que outro animal poderia me ajudar neste período difícil” contou Camila, que comprou o buldogue logo após a morte de um labrador da família.

O buldogue, porém, veio muito doente. Durante os oito anos de vida dele, diversos tratamentos foram feitos para várias patologias, algumas associadas a fatores genéticos. “Conversei muito com meu marido sobre a origem dos próximos animais que teríamos e quando nos interessamos pelo filhote na Petz, tínhamos uma falsa segurança que ele viria de um criador responsável e que seria saudável. Só percebemos que algo estava errado depois de mais ou menos 2 meses com o filhote. Levamos ao veterinário e veio a confirmação de displasia femoral”, lamentou. O buldogue veio do canil Sakura Kennel, ainda em atividade.

“Hoje sou totalmente contra a venda de animais em pet shop. A forma como ele é vendido o transforma em objeto. Se alguém compra por impulso e não tem noção da responsabilidade de cuidar de um animal, certamente devolve ou ‘se livra’ de alguma forma. Acredito que hoje, as ONGs que fazem adoção, tenham mais cuidado com a escolha dos tutores de animais que os pet shops que vendem”, alertou Camila.

Foto: Camila Canale

Portas abertas para a adoção

Nas últimas décadas, a forma como os animais são tratados por empresas do ramo tem mudado. A Cobasi é um exemplo dessa mudança. Há 21 anos, a empresa começou a trabalhar com a adoção de cachorros e gatos.

“Em 1998 fiz uma viagem aos Estados Unidos e observei a forma que eles trabalham a adoção nas lojas e achei importante trazer um projeto desse para o Brasil. Assim que retornei da viagem quis implementar as adoções nas lojas e criei o primeiro centro de adoções na Cobasi Villa Lobos, primeiro dentro de um pet shop”, contou Ricardo Nassar, Sócio Diretor da Cobasi.

Atualmente, a empresa é parceira de 27 entidades de proteção animal e eventos de adoção são organizados em 28 lojas no país. O objetivo é ampliar as unidades com eventos de adoção. “Nesses 21 anos de centros de adoções já conseguimos lares para mais de 30 mil animais”, comemorou Ricardo.

Na terça-feira (19), a Petz anunciou que também não irá mais vender filhotes de cães e gatos em suas lojas. A decisão, tomada tardiamente, veio após um escândalo tornar pública a parceria da empresa com o canil Céu Azul, fechado na última semana por maus-tratos. A pressão feita por ativistas e internautas para que a empresa parasse de vender cachorros e gatos surtiu efeito.

Rex Sorgatz/Creative Commons

“É uma decisão assertiva, seguindo o caminho que a Cobasi tomou há alguns anos de não comercializar esses animais e promover a adoção”, disse Ricardo, da Cobasi.

O fim das vendas de cachorros e gatos na Petz foi cobrado durante cinco anos pela entidade Ampara Animal, que levou profissionais à empresa, apontou a existência de grandes redes, brasileiras e americanas, que não vendem animais. Porém, o presidente da Petz, Sergio Zimerman, mostrava-se irredutível. Foi necessário um lamentável caso de maus-tratos ligado à empresa ocorrer para que as vendas fossem finalizadas. Esse tipo de comércio era realizado pela Petz desde a inauguração da empresa, há 16 anos.

As últimas ninhadas que estão nas lojas permanecerão à venda, segundo o presidente. O dinheiro arrecadado com a venda dos filhotes será destinado a ONGs – prática, no mínimo, controversa, que opta por doar a entidades dinheiro adquirido com base na exploração e crueldade animal ao invés de disponibilizar os cães e gatos para adoção.

No entanto, apesar das mudanças, nem todas as lojas puseram fim às vendas. É o caso da Petland, que ainda comercializa animais, mostrando que está desalinhada com a luta pela defesa dos animais, amplamente difundida em todo o mundo. “Estamos avaliando os possíveis cenários e desdobramentos, antes de tomar qualquer decisão”, afirmou um porta-voz da empresa.

A Petland, porém, também realiza ações sociais voltadas aos animais. São mais de 150 eventos de adoção realizados por ano, parcerias com 23 entidades, doações feitas para as ONGs por franqueados e pela franqueadora através do programa sócio-colaborador & ONG Aila, além da empresa reverter parte das vendas dos produtos da PET CHOICE, marca própria, para ONGS parceiras, realizar o SRDay, no último sábado do mês de outubro, quando o valor arrecadado em royalties das lojas é destinados a três entidades parceiras e fazer o programa voluntários por um dia, no qual ONGs são visitadas para que os animais recebam amor e carinho dos voluntários. Todas essas ações, no entanto, não anulam a exploração animal perpetuada pela empresa ao comercializar seres vivos.

Dona de canil que explorava cães em Piedade (SP) é multada em mais de 5 milhões

A dona do canil Céu Azul, interditado em Piedade, no interior de São Paulo, foi multada pela Polícia Militar Ambiental em R$ 5.124.000, o equivalente a R$ 3 mil por cada cachorro mantido em condições de maus-tratos no local. Nena Miyazaki Kubaiassi deve ser autuada ainda em mais R$ 13.240 pelo Procon.

Foto: Divulgação/PM

As instalações do local foram vistoriadas pela Polícia Ambiental, Vigilância Sanitária Municipal e Sub-secretaria do Bem-estar Animal da Casa Militar do Governo do Estado. A vistoria concluiu que os animais sofriam maus-tratos.

Irregularidades nos cuidados veterinários também foram encontradas. No local, havia medicamentos vencidos e outras condições inadequadas de recintos atestadas por um médico veterinário que avaliou o canil.

A polícia contabilizou 1.743 cães no local, sendo 1.708 em situação de maus-tratos. A ocorrência levou cinco dias para ser concluída. As informações são do portal G1.

O canil vendia filhotes de cachorro para a Petz, loja do seguimento animal, que os revendia aos clientes. Após o caso de maus-tratos ser descoberto, a empresa anunciou, na quarta-feira (20), que não vai mais vender cães e gatos nas 82 lojas espalhadas pelo Brasil. “A partir de agora, a rede de pet shop só terá cães e gatos para adoção em parceria com ONGs do projeto Adote Petz”, diz a nota.

Foto: Reprodução/TV TEM

O caso é investigado pela Polícia Civil e está sendo acompanhado pelo Ministério Público Estadual, que solicitou à polícia que mais pessoas sejam ouvidas sobre as denúncias de maus-tratos. No processo, o MP afirma que é necessário também analisar documentos e ouvir pessoas e empresas que compraram animais para saber se elas tinham conhecimento das condições em que eles eram mantidos no canil. O delegado responsável pelo caso aguarda o resultado dos laudos da perícia. Policiais que atenderam à ocorrência e agentes da Vigilância Sanitária já foram ouvidos.

Entenda o caso

O canil funcionava em um sítio na zona rural de Piedade, no bairro Goiabas, e o caso de maus-tratos foi descoberto após uma denúncia anônima. Uma equipe da polícia esteve no local na última quarta-feira (13). Após confirmação da denúncia, os policiais solicitaram o fechamento do canil.

Foto: Divulgação/PM

Um auto de infração e interdição foi lavrado pela Prefeitura de Piedade, por meio da Vigilância Sanitária. De acordo com a administração municipal, o canil não tem alvará de funcionamento, inscrição municipal e não paga impostos. Um relatório da Vigilância Sanitária apontou ainda que a proprietária não avisou a Zoonoses sobre três casos suspeitos de leishmaniose em humanos. O resultado feito em homens, que ficou pronto na segunda-feira (18), descartou a doença. Outros dois exames são aguardados.

No local, foram encontrados cães cegos, sem dentes e doentes. Havia também um espaço de incineração de animais que funcionava de forma irregular, já que o canil não tinha autorização para cremar corpos.

Antes da retirada dos cães do canil, a proprietária do local assinou um termo doando-os. Em seguida, ela acionou a Justiça com um mandado de segurança para barrar a retirada dos animais, mas o pedido foi negado pela juíza Luciana Mahuad. O local funcionava há 20 anos e nunca foi alvo de fiscalização.

Em 2018, mais de 4,6 mil denúncias de maus-tratos em canis foram registradas no estado de São Paulo, segundo a Polícia Ambiental.