O zoológico do Bosque dos Jequitibás, em Campinas (SP), será desativado de forma progressiva. A estimativa é que o local coloque fim ao cativeiro de animais em um período máximo de dez anos. Para isso, não serão substituídos os animais que morrerem no zoológico.

Foto: Reprodução / Jornal Correio Popular
O local abriga cerca de 200 animais em cativeiro e outros 100 que vivem soltos, como macacos, bichos-preguiça, aves e cotias. A proposta de fechar o zoológico atende a reivindicações de ativistas da causa animal. As informações são do Correio Popular.
De acordo com o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, há animais mantidos em cativeiro no zoológico que já são idosos. “Os mamíferos que temos lá, como os felinos, hipopótamos e macacos são muito velhos e já não reproduzem mais. Quando morrerem, não serão substituídos”, informou.
Aves também não serão mais mantidas em cativeiro após a morte das que atualmente vivem no local. “As aves que temos em exposição foram encaminhados ao Bosque pela Polícia Ambiental a partir de apreensões ou de denúncias de maus-tratos. Elas chegam feridas, com asas quebradas e nossos veterinários cuidam e depois elas acabam ficando no recinto próprio em exposição”, disse. Idosas, as aves não têm condições de retornar à natureza.
No bosque, um recinto para receber e acolher animais encaminhados pela Polícia Ambiental será construído pelo Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal da Prefeitura, segundo o gabinete do prefeito Jonas Donizette (PSB). O local, no entanto, será um abrigo com caráter temporário, usado para tratar os animais que, depois, serão devolvidos à natureza.
O fim do zoológico também trará benefícios para o setor econômico. Isso porque a Prefeitura de Campinas economizará R$ 60 mil mensais, gastos para manter os animais.
O secretário do Verde, Rogério Menezes, explica que “o fechamento [do zoológico] será feito por lei, para evitar que, no futuro, outros empreendimentos do gênero venham a se instalar em Campinas”.

Foto: Reprodução / Jornal Correio Popular
Com o fechamento do zoológico, o Bosque dos Jequitibás poderá se transformar em um santuário de animais livres. Atualmente, cerca de 100 animais, como galinhas selvagens, patos, araras, macacos, bichos-preguiças e 40 cotias. Todos eles permanecerão no local.
“No futuro, quando não tivermos mais animais em exposição, as famílias que frequentam o Bosque, não terão mais felinos e grandes animais para ver, mas os animais de pequeno porte continuarão lá, livres na natureza”, disse o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella. Segundo ele, esses animais vivem no bosque por vontade própria, uma vez que os portões ficam abertos e a as aves têm liberdade para voar e ir embora, mas não o fazem.
“Já não cabe mais a existência de zoos como locais de exposição”, disse o secretário. “Esses locais adquiriram outra função: preservação de animais da fauna brasileira com risco de extinção, estudo das espécies e procriação”, completou.
Exploração de animais para venda
Outra questão que tem sido abordada em Campinas é a exploração de animais domésticos para reprodução e venda. Um projeto de lei está sendo preparado pelo gabinete do prefeito para proibir, em Campinas, o funcionamento de estabelecimentos que criam cachorros para fins comerciais. Caso seja aprovada, a proposta fará de Campinas a primeira cidade de grande porte do país a abolir criações em cativeiro para venda, segundo o prefeito Jonas Donizette.
De acordo com o secretário do Verde, Rogério Menezes, o Estatuto dos Animais, sancionado em 2017, já demonstrava preocupação em relação ao comércio de animais, tendo proibido a venda de filhotes não castrados e exigido o cadastramento de criadores de animais. Caso o projeto que proíbe o comércio se torne lei, o Estatuto sofrerá modificação.
O prefeito Jonas Donizette lembra que, além do Estatuto dos Animais – que prevê aspectos para boa convivência entre humanos e animais e visa o combate aos maus-tratos – Campinas tem outras políticas públicas voltadas para cachorros e gatos. Dentre elas, o Sistema de Microchipagem e Cadastramento Animal e o Programa de Castração de Animais Domésticos, por meio dos quais cães e gatos são cadastrados em um sistema que registra dados de sua saúde, vacinas, nome do tutor, através de um microchip implantado sob a pele. Isso garante que os veterinários tenham acesso a um histórico médico dos animais, além de facilitar a localização do tutor em caso de fuga do animal.
Outro programa implementado em Campinas, em 2017, foi o Samu Animal. Trata-se de uma ambulância que resgata animais vítimas de atropelamento, maus-tratos ou gravemente debilitados devido a doenças. No ano de implementação do programa, 312 cachorros e gatos foram atendidos. Em 2018, o número subiu para 600. A maior parte do casos envolvem lesões na coluna vertebral e fraturas de membros.