TripAdvisor continua promovendo lugares que maltratam animais

Por Rafaela Damasceno

Uma pata de elefante acorrentada ao chão

Foto: Old box studio/Shutterstock

O TripAdvisor é um site conhecido mundialmente por oferecer informações e opiniões de conteúdos relacionados ao turismo. Normalmente é procurado por pessoas que querem ver comentários dos lugares visitados por outros, fotos e preços. Infelizmente, muitos animais (especialmente os selvagens) são explorados pela indústria do turismo.

Os elefantes, principalmente, são forçados a passar por um processo denominado “phajaan” – isso significa que suas almas são “esmagadas”, suas esperanças são destruídas, para que se submetam aos humanos. Também são frequentemente mantidos aprisionados com correntes e costumam ser ameaçados com “bullhooks” (uma haste com um gancho na ponta).

Nenhum animal silvestre deve ser mantido em cativeiro. Existem necessidades básicas que nunca poderão ser atendidas quando se está enclausurado.

Lasah, um elefante de 37 que foi capturado na natureza ainda bebê e separado de sua família, é explorado e abusado na atração Langkawi Elephant Adventures, na Malásia.

Lasah deveria ser capaz de conviver com outros elefantes, dormir deitado, cobrir-se de lama para se proteger de queimaduras solares – comportamento comum da espécie -, regular a temperatura de seu corpo na água, vagar livremente. Em vez disso, ele vive sozinho, é acorrentado no chão, lavado constantemente porque turistas não querem ver os elefantes cobertos de lama, não pode mergulhar na água quando quer e é mantido acorrentado quando não está sendo forçado a carregar pessoas, entre outras coisas.

O TripAdvisor promove atividades que são cruéis para Lasah, além de divulgar críticas positivas em seu site. Esse tipo de coisa aumenta o interesse e a demanda pela exploração de elefantes no turismo.

Diversas petições foram criadas para que o TripAdvisor remova páginas que promovam abuso de animais. Há também uma petição pedindo pela liberdade de Lasah.

Se ele não for considerado apto para retornar à natureza depois de todos os abusos e explorações que sofreu, um santuário de elefantes local está mais do que preparado para acolhê-lo. Você pode assinar a petição pela liberdade de Lasah aqui.


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Mesmo moderno, um zoológico será sempre uma prisão

Por Conceição Freitas

Todos os fins de semana, aos domingos especialmente, forma-se longa fila de carros uma das margens da EPGU, a Estrada Parque Guará. É a espera para entrar no Zoológico de Brasília. Ao redor das guaritas, um colorido de balões, bolas, cata-ventos, bichos infláveis, pipocas, balinhas. Dentro dos carros, um alarido de crianças ansiosas.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Elas não sabem e talvez demorem muito a saber mas o que as espera é um cenário de solidão. Um zoo é um espetáculo trágico que, aos poucos, as sociedades mais civilizadas vão desmontando ou mudando a destinação. O zoo é uma exposição da soberba da espécie que domina o planeta há pelo menos 200 mil anos.

E quem primeiro se vê, quem é mais visitado no zoo, é o maior animal que ainda habita a Terra, um monumento de carne, ossos e marfim. Pesa entre 4 a 6 toneladas, mede em média 4 metros de altura, consegue levantar até 10 mil quilos e está aprisionado como passarinho na gaiola. Diante da espécie bípede e falante, passarinhos e elefantes têm o mesmo tamanho da indiferença.

Belinha é uma elefanta viúva. Faz pouco mais de um ano que Babu morreu de infarto fulminante. Os dois vieram do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Quando me aproximei, ela comia lascas de um capim comprido e espesso. Havia, aos meus olhos, um certo desinteresse pela refeição, como quem espalhava a comida pelo prato querendo outra coisa que ali não estava.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Então ela parou de remexer os matos com a tromba, levantou a cabeça e tive a impressão de que me olhou fixamente. Percebi tristeza naquele olhão do tamanho de um abacate – mas talvez eu visse nele o que estava em mim. Em seguida, ela me deu as costas e seguiu vagando como um sem destino – não havia muito aonde ir.

Os recintos do zoo de Brasília são bem cuidados – muitos deles seriam facilmente adaptados para atrações de parques ecológicos. Têm até redes feitas de cascas de árvore. Laguinhos, áreas sombreadas, bicas da água com volume de pequenas cachoeiras, passagens subterrâneas, pequenas elevações, árvores, cipós de Tarzan, tramas de cordas. Vi até uma espécie de barra de levantar peso, toda em madeira.

No tempo em que lá estive, não vi nenhum animal nos seus playgrounds.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Chocolate é o outro elefante do zoo. Ele tem uma história triste – como se as demais não o fossem também. Por maltratado, foi retirado de um circo, há onze anos. Vive sozinho num castelo com as dimensões de uma mansão do Lago Sul. E um quintal do tamanho da Praça dos Cristais.

Embora herbívoro, o elefante está no topo da cadeia alimentar. Poucos são os predadores que ousam saborear um naco da carne elefantídea. Têm o domínio da savana; as fêmeas vivem em bandos; os machos adultos, solitários. Quando perdem os molares, já sabem que é hora de parar e esperar a morte. Sem os dentes, não têm mais como se alimentar. Daí a lenda de que elefante, percebendo o fim, sai à procura de um cemitério. Não é bem assim. Os velhinhos, acima de 60 anos, se juntam para morrer de fome.

Alguma alegria se vê no zoo quando uma espécie de ave (não achei placa de identificação), em grupo de uns 70, nada no laguinho, coladinhos uns aos outros, numa coreografia de desenho animado. Olham todos na mesma direção, viram-se todos ao mesmo tempo. Estão sozinhos, fora de seu habitat, mas estão juntos.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Há um silêncio de cemitério nos recintos dos mamíferos. Nenhum grunido, nem bramido, nem rugido. As zebras, os cisnes, até os macacos estavam amortecidos na tarde friorenta da quinta-feira do dia 27 de junho. Até o rinoceronte, com sua cabeçorra disforme – de quem Dali tanto gostava – até ele parecia um fantasma de si mesmo.

As crianças faziam “miau” para a jaguatirica, os adolescentes sentiam asco dos urubus, livres visitantes do zoo. Os adultos tentavam fotografar o urso que comia um quarto de melão.

Tentei ver o lobo-guará e não consegui. A espécie que tanto diz de nós, brasilienses, quando em liberdade vagueia por mais de 100 km noite adentro. Precisa de distância, silêncio e vazios – como a estranha espécie humana que habita Brasília.

O primeiro zoo de que se tem notícia existiu há 4 mil anos, no Egito. O de Brasília nasceu antes da cidade, em 1957, com um presente do embaixador indiano, a elefanta Nely. Morreu em 1994.

O zoológico da capital do urbanismo moderno tentou criar prisões um pouco menos cruéis para os animais. E tem seguido a trilha dos novos tempos, com educação ambiental, pesquisa, tratamento e guarda de animais que já não sabem o que é a liberdade.

Um zoológico parece a Terra depois que Noé partiu levando consigo todos os animais que pôde salvar.

Fonte: Metrópoles


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Orcas mantidas em cativeiro têm mais chances de morrerem jovens

Baleias orcas mantidas em cativeiro têm mais chances de adoecerem e morrerem jovens, indicou uma nova análise realizada por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e da Nova Zelândia. De acordo com os especialistas, o maior causador do fenômeno é o estresse a que esses animais são submetidos.

(FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

As orcas (Orcinus orca) são predadoras ágeis e muito inteligentes que podem ser encontradas no mundo todo. Além disso, são criaturas sociais complexas com sistemas familiares estruturados que dependem umas das outras para caçar e cuidar de seus filhotes. Mesmo assim, essa é a terceira espécie mais comumente mantida em parques e aquários marinhos em todo o mundo, passando anos e até décadas vivendo em cativeiro.

“Os defensores da manutenção de orcas em parques marinhos alegam que, porque todas as suas ‘necessidades’ são atendidas — não precisam viajar para encontrar comida porque lhes é dado, eliminando a ‘preocupação’ e os ‘riscos’ associados a um estilo de vida livre — que elas estão melhores do que as orcas livres. Mas isso é uma profunda descaracterização de quem são as orcas”, contou Lori Marino, uma das autoras do estudo, ao site IFL Science.

Manter esses animais presos resulta em níveis de estresse tão altos que algumas acabaram se tornando agressivas, o que resultou na fama de violência das orcas. Contudo, de acordo com a especialista, a espécie é bem tranquila: “Nunca houve um caso de uma orca livre ferir um humano no oceano; mas em cativeiro, existiram numerosos episódios com mortes e feridos. Essa hiperagressão ocorre em função de estarem em um tanque”, disse Marino. As orcas evoluíram ao longo de milhões de anos para realizar longas viagens e enfrentar os desafios de encontrar comida. Privá-las dessa atividade resulta em estresse crônico.

Fonte: Revista Galileu


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