Futuro Burger, que imita carne, chega aos supermercados

Por David Arioch

O objetivo com o lançamento é conquistar principalmente o paladar dos consumidores de carne (Foto: Divulgação)

A partir desta semana, o Futuro Burger, hambúrguer vegetal da Fazenda Futuro que imita carne, chega aos supermercados. O produto pode ser adquirido nas lojas do Carrefour, Pão de Açúcar, St. Marche, La Fruteria, Zona Sul e Verdemar. A bandeja com duas unidades será vendida por 16,99 reais.

“Quem quiser também pode experimentar as receitas especiais nos cardápios do T.T. Burger, do premiado chef Thomas Troisgros, no Rio de Janeiro, e da Lanchonete da Cidade, em São Paulo”, informa a Fazenda Futuro.

Segundo o CEO Marcos Leta, ver o Futuro Burger ao lado de produtos de origem animal sempre foi um dos objetivos da empresa.

“Tivemos uma excelente recepção com a chegada nas hamburguerias e agora estamos confiantes com a venda nos supermercados. A carne vegetal deixou de ser só uma tendência e passou a ser uma realidade positivamente sem volta”, avalia.

E Acrescenta: “Cada vez mais as pessoas estão em busca de alternativas alimentares mais saudáveis e sustentáveis”. Sem glúten e transgênicos, o Futuro Burger é baseado em proteína de ervilha, proteína isolada de soja e de grão-de-bico, além de beterraba que ajuda a imitar o aspecto da carne.

O objetivo com o lançamento é conquistar principalmente o paladar dos consumidores de carne.

Cofundador do Twitter prefere investir em carnes vegetais

Williams e Biz Stone têm investido na Beyond Meat desde a formulação dos primeiros produtos (Fotos: USA Today/Beyond Meat/Divulgação)

O cofundador do Twitter, Evan Williams, que se desligou da mídia social de microblogging recentemente para se dedicar a outros projetos, está preferindo investir em carnes vegetais. A Bloomberg divulgou esta semana que, por meio da sua empresa de investimentos Obvious Ventures, Williams detém participação de 414 milhões de dólares na marca Beyond Meat, que supera de longe a sua atual participação de 10 milhões no Twitter.

Segundo a Bloomberg, tanto Evan Williams quanto o também cofundador do Twitter Christopher Isaac “Biz” Stone têm investido na marca de carnes vegetais desde a formulação dos primeiros produtos. No início do mês, o CEO da Beyond Meat, Ethan Brown, e seus seis principais acionistas arrecadaram 1,6 bilhão de dólares com a oferta pública inicial (IPO) em Wall Street.

Deputado Nelson Barbudo (PSL) quer proibir uso da palavra carne em referência a alimentos de origem vegetal

Por David Arioch

Segundo Barbudo, a palavra “carne” deve ser exclusivamente reservada a todos os tecidos comestíveis “de espécies de açougue” (Foto: Agência Câmara)

Na última terça-feira, o deputado Nelson Barbudo (PSL-MT) apresentou o projeto de lei 2876/2019, que prevê a proibição do uso da palavra carne em referência a alimentos de origem vegetal.

Segundo Barbudo, a palavra “carne” deve ser exclusivamente reservada a todos os tecidos comestíveis “de espécies de açougue, englobando as massas musculares, com ou sem base óssea, gorduras, miúdos, sangue e vísceras, podendo ser in natura ou processados”.

Por isso o deputado quer proibir o uso da palavra carne em embalagens, rótulos e publicidade de alimentos de origem não animal.

“A terminologia “carne” vem sendo utilizada de maneira equivocada pela grande mídia e pela população, de forma geral, em produtos como ‘carne de laboratório’, feita através de células-tronco de músculos de bovinos, ‘carne’, ‘picadinho’ e ‘filé’ de soja, originalmente a proteína texturizada do grão, ‘carne de jaca’, feita com a própria polpa da fruta (Artocarpus heterophyllus), entre diversos outros exemplos”, reclama Nelson Barbudo.

E acrescenta: “Além de criar uma concorrência dos produtos de origem vegetal com os de origem animal, o consumidor é induzido a crer que, ao adquirir um produto de origem vegetal, está ingerindo alimento similar à carne quando, na verdade, está ingerindo extratos, polpas de frutas e etc., que não possuem o mesmo caráter nutricional.”

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Startup brasileira aposta na nova geração de carnes à base de vegetais

Produtos da Behind the Foods em fase de desenvolvimento (Fotos: Divulgação)

Em 2016, o publicitário Leandro Mendes optou por mudar de vida quando soube do impacto da produção e do consumo de carne para o planeta. Conciliando isso com o anseio por mais qualidade de vida, ele decidiu buscar entender a indústria de alimentos.

“Tive acesso a relatórios de tendências e estudos profundos de comportamento de consumo na área. Me mudei para os Estados Unidos, me tornei vegano e mergulhei nesse universo para entender exatamente como funciona”, conta.

Nos EUA, depois de conhecer muitos produtos e fornecedores, Leandro compreendeu o que é viável e o que não é no mercado de produtos à base de vegetais. Mas foi o impacto da cadeia produtiva da carne que o motivou a querer fazer parte de uma mudança.

Assim surgiu a ideia de fundar a Behind the Foods, idealizada em Atlanta e em San Diego, mas que nasceu oficialmente em São Paulo. Voltada à produção de carnes à base de vegetais ou réplicas de carne, a startup tem utilizado matérias-primas como batata konjac (típica da culinária japonesa), ervilhas, proteína isolada de soja, fécula de batata, óleo de coco e beterraba.

“São quase três anos pesquisando uma maneira de desenvolver uma ‘carne’ saudável de baixa caloria com valor nutricional equivalente à carne bovina. Depois de muitos estudos e testes em laboratório, definimos uma combinação de ingredientes que cumpre esse papel”, garante Leandro Mendes.

Em parceria com um sócio, que é engenheiro agrônomo e responsável pela produção, Mendes vai lançar no mercado réplicas de carne bovina em três formatos – carne moída, hambúrguer e linguiça. “Para o futuro, pensamos em réplicas de carne de frango e de porco”, revela.

Para quem acha que é impossível conseguir apoio no Brasil para investir em alternativas aos alimentos de origem animal, o fundador da Behind the Foods diz que não é bem assim. “Inclusive alguns investidores já vieram conversar com a gente. Já ficou claro para todo mundo que não se trata de modismo, mas de um futuro que está acontecendo. Muitas empresas estão de olho nesse mercado, mas ainda não desenvolveram tecnologia o suficiente para entrar”, avalia.

Até porque é preciso estudar antes de desenvolver o produto e ter cuidado com a proteção de propriedade intelectual (patente). Em relação às prioridades, Leandro Mendes cita o respeito ao conceito “nothing from animals”, ou seja, nada de animais em qualquer parte do processo de idealização e produção, além da saudabilidade e sabor.

“Fidelidade na construção de uma réplica se tratando de aparência, textura, sabor e aroma também faz a diferença, assim como conquistar o coração de quem consome carne”, observa Mendes, acrescentando que priorizar extratos naturais também é importante.

A Behind the Foods realiza um trabalho de aperfeiçoamento de textura por meio de inteligência artificial, que consiste em colocar a carne que vai ser replicada em uma máquina TA.HDplusC Texture Analyser que gera um gráfico que permite reconhecer semelhanças e diferenças.

“Depois colocamos a nossa textura e comparamos com os gráficos para chegar na mesma curva. A parte mais difícil é que depois de cozidos os ingredientes originários de plantas sobrem muita variação no aroma e textura. Dificilmente você chega no resultado com um único ingrediente. Tem que testar combinações”, explica Leandro Mendes.

A previsão é de que em maio a Behind the Foods lance no mercado a sua primeira linha de produtos. “No Brasil, esse mercado ainda é embrionário. Não existe nenhum produto como o nosso. Nos EUA é outra realidade. A concorrência é grande, estimula a evolução das empresas e quem ganha é o consumidor. Queremos que seja assim aqui no Brasil, que esse mercado seja líder na produção de proteínas”, afirma.