Cerca de 50% da população de cidade na Escócia corta o consumo de carne

Livekindy/Reprodução

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Quase metade dos moradores da cidade de Inverness, nas Terras Altas (Highlands) da Escócia, está se esforçando para reduzir o consumo de carne vermelha, revela uma nova pesquisa. A pesquisa foi realizada pela consultoria Quality Meat Scotland.

De acordo com os resultados, um número crescente de moradores de Inverness está preocupado com o bem-estar animal; 32% disseram que o tratamento de animais era uma razão para reduzir a carne, e 13% citaram o impacto ambiental da pecuária como motivo para reduzir o consumo de carne vermelha.

A preocupação não é levar os mercados em direção a outras proteínas animais, como ovos ou peixes. Em vez disso, eles disseram que tentam buscar opções veganas de proteína; 65% dos entrevistados disseram que estão incorporando carne vegana em suas dietas ao substituir a carne vermelha.

Infelizmente os moradores de Inverness dizem que ainda não querem que a indústria da carne desapareça completamente. De acordo com a pesquisa, 91% dos entrevistados disseram que ainda comem carne vermelha e valorizam a indústria de carne da região, que é reconhecida por seu compromisso com a agricultura sustentável e práticas de bem-estar animal.

Movimento Vegano da Escócia

E, apesar dos laços de Inverness com a herança da pecuária, a mudança espelha o movimento global em direção a uma dieta mais flexível e aumento do consumo de alimentos veganos.

Na Escócia, especificamente em Edimburgo, tornou-se um centro de opções veganas. A capital foi recentemente nomeada uma das três principais cidades do mundo para comida vegana, ostentando mais de 160 restaurantes veganos.

Glasgow ficou em décimo no ranking geral. Os chefs também têm veganizado os alimentos mais populares da região, como esses bolinhos de batata escoceses. Existem até opções de haggis (prato regional) veganos.

No ano passado, Edimburgo adotou a campanha de refeições Meatless Monday (Segunda-feira sem Carne) para todas as escolas primárias, removendo completamente a carne dos cardápios do almoço de segunda-feira e acrescentando opções totalmente veganas para os alunos.

“Incentivar a alimentação saudável é extremamente importante, por isso é fantástico que nossos alunos primários estejam sendo apresentados aos benefícios de comer menos carne em uma idade jovem”, disse em uma entrevista o conselheiro para crianças, educação e famílias, conselheiro Ian Perry.

“Ao participar do Meat Free de segunda-feira, as escolas também estão aumentando a conscientização sobre o impacto ambiental da produção pecuária, bem como os padrões cruéis em que alguns animais são criados”.

Mercado de carne vegana tem valorização de 42 bilhões de dólares

Foto: Livekindly/Reprodução

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O mercado de carne vegana pode valer mais de 40 bilhões de dólares na próxima década, segundo analistas do setor. E isso se deve em grande parte ao recente IPO da Beyond Meat.

A empresa de carne vegana, com sede na Califórnia (EUA), tornou-se pública na quinta-feira passada, fechando seu primeiro dia em mais de 163% de valorização. A Beyond Meat, listada na Nasdaq como BYND, viu os preços de suas ações subirem mais de 200% esta semana para quase 80 dólares por ação no início do pregão.

A companhia produz hambúrgueres realistas, carne moída e salsichas feitas à base de vegetais. Ela ganhou um grande número de fãs não-veganos – o fundador da empresa, Ethan Brown, diz que 93% dos seus clientes são flexitários – os consumidores que procuram mudar sua fonte de proteína por razões de saúde e ambientais.

Foto: Livekindly/Reprodução

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A empresa, que teve o maior IPO nos EUA em quase 20 anos, viu sua valorização saltar de 1,2 bilhão para mais de 3,8 bilhões de dólares. E esse pico parece estar sendo transferido para a indústria de carne vegana em geral também.

O mercado de carne vegana

“Enquanto a empresa enfrenta a concorrência de empresas como a Impossible Foods, a crescente demanda do consumidor deve permitir que várias marcas compartilhem o mercado”, observou Alexia Howard, analista da Bernstein, apontando também outros fatores, incluindo o aumento do preço da carne e o surto de febre suína na China.

Foto: Livekindly/Reprodução

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Concorrentes estão surgindo – sua principal rival, a Impossible Foods, conseguiu um grande marco no mês passado com o lançamento do Impossible Whopper no Burger King. Um teste bem sucedido no Missouri levou a um lançamento nacional. O hambúrguer também pode em breve ser vendido em outros restaurantes da rede como o Burger King do Canadá.

Um dos primeiros investidores da Beyond Meat, a gigante de carnes Tyson Foods, se desfez da ligação logo à frente do IPO. De acordo com Tyson, a Beyond Meat não queria um investidor que também fosse um concorrente. A Tyson planeja lançar sua própria linha de carne vegana neste verão.

Vendas da Beyond Meat

A Beyond Meat diz que está trabalhando para tornar suas opções de carne vegana mais baratas que os produtos animais tradicionais. Os produtos da empresa já estão atrapalhando as vendas de carne, exigindo que os parceiros varejistas vendam os hambúrgueres, carnes e salsichas veganos no corredor de carnes. E de acordo com o fundador da empresa, Ethan Brown, “não há razão para que a proteína baseada em vegetais não seja mais barata que a carne”.

O segredo para o sucesso da Beyond Meat – e a indústria que segue em seu caminho – pode estar na filosofia de Brown de que não há segredo para fazer carne de vegetais.

“Não há mistério na carne”, disse Brown à BBC no ano passado. “São aminoácidos, lipídios, minerais e água. E se você puder entregar essas quatro coisas no mesmo projeto ou arquitetura que um músculo – por que isso não pode ser chamado de carne?”

Foto: Divulgação

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Também não há mistério para o sucesso da marca.

O Beyond Burger é um bilhete de ouro para restaurantes e supermercados. A A & W, que lançou o hambúrguer no Canadá no ano passado, informou um aumento de 10% nas vendas após seu lançamento.

O hambúrguer também superou as vendas tradicionais de carne bovina na rede de supermercados norte-americanos Ralph no ano passado, durante um período de cinco semanas.

Não é só a América do Norte que está assistindo ao aumento das vendas de carne vegana. Quando Cingapura lançou os hambúrgueres veganos no ano passado, eles superaram os hambúrgueres de carne bovina de três para um.

Consumo de carne pode reduzir eficácia de medicamentos

Por David Arioch

Indústria farmacêutica lucra cinco bilhões de dólares por ano com a produção de antibióticos para animais criados para consumo (Foto: Shutterstock)

O consumo de carne pode reduzir a eficácia de medicamentos. Não é difícil chegar a essa conclusão considerando quatro trabalhos – um relatório da Animal Pharm, que desenvolve estudos globais sobre nutrição e saúde animal, uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e outra pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique e um estudo da ONU divulgado no final de abril.

O primeiro aponta que a indústria farmacêutica lucra cinco bilhões de dólares por ano com a produção de antibióticos para animais criados para consumo – como bovinos, suínos, aves, etc. Só nos Estados Unidos, o maior produtor de carne bovina, seguido pelo Brasil, cerca de 70% dos antibióticos comercializados são destinados a animais que mais tarde serão abatidos.

O problema é que o uso contínuo de antibióticos, antifúngicos e antivirais, ainda comum na produção mundial de carne, segundo a Animal Pharm, pode fazer com que tanto animais criados para consumo quanto seres humanos sejam afetados por doenças em que o tratamento consiste no uso de medicamentos já ineficazes em lidarem com as chamadas superbactérias.

Segundo a Animal Pharm, no mundo todo as empresas farmacêuticas continuam fazendo lobby contra a regulamentação mais rigorosa dos antimicrobianos que têm uma ampla gama de usos. De acordo com o diretor de políticas da organização Sustainable Food Trust, Richard Young, assim que as empresas produzem um antibiótico, surge o dever de ganhar o máximo possível de dinheiro para os seus acionistas.

“Essa é uma indústria muito sofisticada, com uma longa história de lobby. O problema é que grande parte dos dados usados ​​pelos reguladores é gerada por cientistas ligados às empresas farmacêuticas”, enfatiza o editor da Animal Pharm, Joseph Harvey.

Ele acrescenta que o uso excessivo de antibióticos tem despertado particular preocupação na Ásia, América Latina e África Austral, países que inclusive sustentam frágil legislação contra o uso de alguns tipos de antibióticos.

Harvey destaca que bactérias em humanos e animais criados para consumo continuam mostrando resistência aos antimicrobianos mais amplamente utilizados:

“Por exemplo, a resistência à ciprofloxacina é muito alta em [casos de] campilobacteriose, que causa infecções severas transmitidas por alimentos, e isso reduz a eficácia do tratamento. As salmonelas, que são resistentes a múltiplas drogas, também continuam a se espalhar por toda a Europa e isso tem sérias implicações para a saúde pública.”

Já falando especificamente do Brasil, no ano passado a organização World Animal Protection (WAP) financiou uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), que identificou a presença generalizada de bactérias resistentes a antibióticos em amostras de carne comercializadas em grandes redes de hipermercados do Brasil – como Carrefour, Extra, Pão de Açúcar e Walmart.

Pesquisas realizadas no Brasil, Austrália, Europa, EUA, China e Tailândia já haviam mostrado que quanto maior o uso de antibióticos, especialmente na ração ou água, maiores são as taxas de bactérias resistentes a antibióticos presentes entre animais criados em sistemas intensivos, segundo a WAP.

Há uma estimativa de que mais de 131 mil toneladas de antibióticos são utilizadas todos os anos nas cadeias de criação da pecuária mundial. Segundo levantamento do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, sediado na Suíça, os porcos são os animais que mais recebem antibióticos.

Após o desmame precoce, normalmente os leitões têm as caudas cortadas e são castrados sem anestesia, e é nessa etapa que começam a receber as primeiras doses de antibióticos, de acordo com informações do estudo comandado pelo pesquisador e epidemiologista Thomas van Boeckel.

Já as porcas mães são medicadas para que não desenvolvam infecções causadas por ferimentos e pelo estresse de viver por toda a vida em gaiolas do tamanho de uma geladeira comum.

O uso de medicamentos também é uma alternativa para evitar doenças em galpões superlotados de animais, onde o estresse é constante, e as condições facilitadoras da proliferação de superbactérias.

Se tratando da avicultura, um dos usos mais comuns são dos antibióticos ionóforos, que ajudam a estimular o crescimento e o ganho de peso do animal ao mesmo tempo em que se evita a coccidiose, doença intestinal que afeta frangos e galinhas quando ingerem os próprios excrementos ou de algum parceiro em confinamento. No entanto, com o uso frequente, os efeitos vão sendo minados.

No final do mês passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) também divulgou o seu próprio relatório sobre o assunto, destacando que nesse ritmo até 2050 dez milhões de pessoas no mundo poderão morrer a cada ano devido a doenças resistentes a medicamentos.

Segundo a publicação, infecções que não respondem a remédios são responsáveis por pelos menos 700 mil óbitos anualmente. Dessas mortes, 230 mil são causadas por formas de tuberculose capazes de sobreviver a diferentes fármacos.

O relatório aponta que doenças comuns, como infecções respiratórias, urinárias e também infecções sexualmente transmissíveis, estão se tornando cada vez mais difíceis de serem tratadas.

Argentinos estão consumindo cada vez menos carne

Por David Arioch

Em 2017, os funcionários da Casa Rosada, a sede presidencial argentina, começaram a experimentar o “Lunes Vegano” (Foto: Fernando de Andreis)

Os argentinos estão consumindo cada vez menos carne, segundo a Câmara da Indústria e Comércio de Carne e Derivados da Argentina (Ciccra). Só no primeiro trimestre de 2019, a entidade registrou queda de 15% em comparação a 2018. Em consequência dessa redução a produção de carne foi 6,1% menor do que no mesmo período do ano passado.

Embora a Argentina ainda seja um dos maiores consumidores de carne do mundo, hoje só a capital Buenos Aires já conta com mais de 60 restaurantes vegetarianos e veganos, além de outros que oferecem opções para quem não consome nada de origem animal.

Sem dúvida, a cultura da carne na Argentina ainda é muito forte, mas a busca por alternativas baseadas em vegetais está em ascensão no país. Uma prova disso é o sucesso de restaurantes como o La Reverde (Parrilita Vegana), especializado em carnes vegetais e que preza pelo “dirty eating”.

No local, entre os pratos preferidos dos clientes estão o choripán vegan (um sanduíche cheio de seitan) e o vacío (equivalente ao bife de fraldinha) emparelhado com chimichurri.

Outra curiosidade é que o primeiro restaurante orgânico certificado da Argentina, o Bio Solo Orgánico, que abriu suas portas há 17 anos no bairro boêmio de Palermo, tem entre seus pratos mais populares o risoto de quinoa, seitan à milanesa e escalope de pão ralado, além de um flan vegano de leite de coco com doce de leite.

Jogadores como Lionel Messi e Sergio Agüero também ajudaram a abrir espaço para uma nova consciência argentina em relação ao consumo de vegetais quando decidiram adotar uma alimentação vegetariana durante a última Copa do Mundo. Agüero chegou a dizer que não se alimentar de animais fez desaparecer suas recorrentes lesões musculares – o que serviu de incentivo principalmente aos mais jovens.

Além disso, em 2017, os funcionários da Casa Rosada, a sede presidencial argentina, começaram a experimentar o “Lunes Vegano”, que equivale à Segunda Sem Carne no Brasil. Quando realizada, uma lousa é colocada do lado de fora: “Segunda-feira sem carne: melhora sua saúde, desafia você a fazer algo novo, é boa para o planeta. Coma vegetais. Coma de maneira diferente.”

Empresa criadora do Lego recebe pedido pra lançar brinquedo retratando a realidade dos animais em matadouros

Foto: PETA

Foto: PETA

O status de alienação em que vive nossa sociedade em relação ao sofrimento animal é o resultados de séculos de especismo, doutrina arraigada na mente da população como crença predominante.

A melhor maneira de quebrar esse círculo vicioso é educar e conscientizar as crianças, futuros herdeiros do planeta, sobre a crueldade de que são vítimas esses seres sencientes, indefesos perante a ganância e a irresponsabilidade humana.

Criar animais com a intenção de matá-los para consumir sua carne ou roubar o leite de seus filhos é um ato cruel. Essas vacas, bois, porcos, galinhas e demais animais explorados são mantidos sob condições terríveis, em compartimentos superlotados, insalubres, sem tratamento veterinário e privados de sua liberdade para atender aos interesses humanos.

Brinquedos lançados pela franquia Lego da Playmobil mostram fazendas com animais felizes, rotinas tranquilas e bucólicas em harmonia com fazendeiros e animais.

Na intenção de conscientizar os pequenos e corrigir esse engano ativistas veganos estão pedindo à gigante de brinquedos Playmobil que lance um brinquedo de matadouro realista para crianças.

De acordo com os defensores da ONG PETA, a empresa de brinquedos enganou os consumidores no passado, retratando animais felizes em seu conjunto de brinquedos “Grande Fazenda”.

A PETA diz que essas figuras felizes “deturpam a realidade da vida dos animais de criação, que sofrem com o sofrimento e a violência muitas vezes passando a vida presos e só se libertando com a morte”.

Sem resposta

A ONG tentou contato com a Playmobil no passado, pedindo para que a empresa removesse os animais felizes, mas ainda não recebeu resposta.

Como resultado, a PETA tem uma nova proposta para a marca: pedir para lançar um conjunto na franquia de sucesso Lego, “My First Abattoir'”, que “mostraria às crianças como as vacas e bois são realmente tratadas na indústria de laticínios e carne para consumo”.

Mentir para as crianças

“Como as vacas usadas pela indústria de laticínios são enviadas para a morte uma vez que não produzem mais leite suficiente para serem lucrativas para os fazendeiros, o brinquedo “My First Abattoir”, idealizado pela ONG, incluiria duas figuras de vacas que foram penduradas de cabeça para baixo e cortadas”, disse PETA em uma declaração enviada ao Plant Based News.

“E porque os bezerros machos são considerados inúteis para a indústria de laticínios, o conjunto mostra um bezerro jogado em um carrinho de mão para ser descartado”.

“Se a Playmobil vai oferecer brinquedos que representem negócios que exploram animais para alimentação, ela não deve, no mínimo, deturpar as condições em que esses seres vivem e morrem”, acrescentou a diretora da PETA, Elisa Allen.

“A PETA está pedindo à companhia que pare de mentir para as crianças sobre o horror e a crueldade por trás de cada copo de leite de vaca e de cada hambúrguer de carne bovina que eles consomem”.

O site Plant Based News entrou em contato com a Playmobil para comentar mas não obteve resposta.

A realidade dos matadouros

Com o objetivo de mostrar a realidade dos matadouros uma organização australiana que atua pelos direitos animais, a Aussie Farms, disponibiliza em seu site um banco de dados com mais de 14 mil fotos, vídeos e documentos de investigações realizadas em fazendas, além de um mapa interativo que mostra a localização de mais de cinco mil fazendas industriais e matadouros.

O objetivo é mostrar que o sofrimento dos animais criados nesse sistema não se resume à exceções, fatos pontuais.

A iniciativa é resultado de um trabalho de oito anos do diretor-executivo da Aussie Farms, o cineasta Chris Delforce, que em 2018 lançou o documentário “Dominion”, que tem aproximadamente duas horas de duração e explora seis facetas primárias da relação humana com os animais – animais de companhia, vida selvagem, pesquisa científica, entretenimento, vestuário e alimentos. O filme se propõe a questionar a moralidade e a validade do nosso domínio sobre o reino animal.

Ao disponibilizar os arquivos envolvendo as fazendas industriais e os matadouros, a intenção da organização também é forçar as empresas a atuarem com transparência, já que a realidade da cadeia de produção de alimentos de origem animal normalmente está bem distante dos consumidores.

“Acreditamos na liberdade de informação como uma ferramenta poderosa na luta contra o abuso e a exploração de animais. Defendemos que os consumidores têm o direito de saber da existência, localização e operações desses negócios”, afirmou Delforce em um comunicado oficial da Aussie Farms.

Escola inglesa vai mostrar às crianças a origem da carne

Por David Arioch

Na instituição, porcos têm sido criados desde setembro de 2018, com a participação dos alunos (Foto: Yorkshire Evening Post)

A escola primária Farsley Farfield, situada no norte da Inglaterra, vai mostrar às crianças a origem da carne, como parte de um projeto sobre a produção de alimentos.

A instituição tem criado porcos desde setembro de 2018 com a participação dos alunos. Os animais serão mortos a partir de junho e as crianças vão testemunhar o processo.

“Os porcos não serão animais domésticos e só estarão conosco por nove meses. Os porcos viverão o dobro das raças comerciais modernas e terão uma vida verdadeiramente livre”, alegou o diretor da Farsley Farfield, Peter Harris, segundo o jornal britânico The Guardian.

O projeto foi criticado por um ex-estudante da instituição de ensino, Ix Willow, que atua em defesa dos animais.

“[Porcos] são animais amigáveis ​​que podem viver por cerca de 12 anos. As escolas têm o dever de cuidar das crianças. Ao ensinar que não há problema em explorar e matar animais, isso está sendo violado, e também pode ser traumatizante para as crianças conhecerem os animais e saber que eles vão morrer”, criticou Willow.

Em sua justificativa, o diretor da escola disse que a iniciativa de mostrar o processo de criação e abate de animais teve grande apoio dos pais.

“Há conselhos educacionais em produção que explicam que esses porcos são mais bem tratados do que a grande maioria dos porcos”, declarou o diretor da escola.

Cafeteria se torna vegana após proprietária ter assistido o documentário Dominion

Foto: Dominion

Foto: Dominion

A proprietária do High Note em Idaho (EUA) diz que vai vender todos os produtos de origem animal que tem em seu estoque e, a partir de então, só servirá “comida vegana excelente e de boa qualidade que todos possam desfrutar”

O estabelecimento que é uma cafeteria e também serve refeições está pronta para se tornar completamente vegano depois que sua dona assistiu ao documentário Dominion.

Dominion, dirigido por Chris Delforce e lançado há pouco mais de um ano, usa imagens de câmeras escondidas em fazendas-fábricas e matadouros para mostrar os horrores da criação de animais em escala industrial.

Maria, a gerente geral do café High Note, em Boise, revelou que estava “aterrorizada” com a mudança repentina e impactante de seu negócio – mas não estava disposta a apoiar o sofrimento dos animais por mais tempo.

Café vegano

“Quaisquer produtos de carne que tenhamos agora serão os últimos vendidos, a menos que encontre uma maneira melhor de se produzir carne, com oa carne cultivada em laboratório”, disse Maria em um comunicado. “Vou tornar o High Note Cafe um estabelecimento completamente vegano nas próximas semanas”.

“Eu prometo ainda servir comida excelente que todos possam desfrutar. Se der certo, ótimo, se não der certo e me custar o meu sustento, então que assim seja. Eu não posso mais ir adiante sabendo que tenho apoiado grande sofrimento e práticas indesculpáveis pela indústria de carne, ovos e laticínios.

“Estou apavorada, mas sei que estou fazendo a coisa certa, e a coisa certa nem sempre é lucrativa ou segura”.

Retorno positivo

O anúncio foi recebido com muitas respostas positivas, como um comentário postado nas mídias sociais da empresa dizendo: “Precisamos de pessoas mais corajosas e compassivas como você! Obrigado. Aquece o meu coração quando as pessoas realmente se importam além de seus lucros e paladar. Você é o futuro que precisamos. Desejo a você muito amor e sucesso”.

Outro acrescentou: “Sua decisão de avançar com uma abordagem mais compassiva é exatamente o que Chris Delforce tinha em mente quando criou o documentário Dominion. Muito obrigado”.

Mesmo aqueles que não são veganos aderiram, com um entrevistado dizendo: “Eu sou um comedor de carne, mas eu amo o High Note o suficiente para que eu ame e respeite essa decisão e continue a visitá-lo”.

Dominion

O longa-metragem que causou toda esse impacto em Maria e mudou não só sua vida como seu negócio, é um documentário que mostra como os animais são usados e abusados na Austrália, além de contar com filmagens exclusivas de matadouros e fazendas.

O documentário mostra as proporções catastróficas da realidade cruel vivida por animais de criação, do início da vida até a morte terrível – história essa que é escondida das população. Ele acompanha desde a situação em uma escala mais ampla, até chegar em casos individuais, bem específicos.

É um diferencial em Dominion o tipo de filmagem: câmera na mão, escondida, e os drones – muitas das técnicas nunca antes vistas. Esta é uma maneira de mostrar que tudo aquilo que está lá dentro, de fato, não deve sair de lá – e por isso a filmagem é feita de maneira clandestina.

O filme chamou a atenção do público ao anunciar uma série de celebridades veganas entre seus narradores, incluindo Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Sia, Sadie Sink e Kat Von D.

O documentário estreou no Reino Unido com uma exibição no centro de Londres, organizada pela Plant Based News e pela Surge Activism. ”Foi um enorme privilégio trabalhar com a equipe da Dominion para ajudar a levar este filme aos espectadores no Reino Unido”, disse o co-fundador da Plant Based News, Robbie Lockie.

“Embora seja doloroso testemunhar o sofrimento documentado, acreditamos que Dominion tem o potencial de abrir corações e mentes em todo o mundo. Ajudar a colocá-lo na frente de um público é exatamente quem somos como ativistas”.

“Eu acho que tem potencial para causar um grande impacto. O problema é fazer as pessoas sentarem e assistirem. Se conseguirmos que eles assistam, o impacto é inegável, inquestionável”, finaliza o diretor de Dominion, Chris Delforce.

Empresa que atua há 44 anos na venda de carne aposta num futuro vegano

Foto: Bobeldijk Food Group

A empresa holandesa esta investindo em carne vegana | Foto: Bobeldijk Food Group

Antes de 2015, a empresa Bobeldijk Food Group (Grupo de Alimentos Bobeldijk), com sede na Holanda, costumava usar outro nome: Bobeldijk Meat Company (Empresa de carnes Bobeldijk). Fundada em 1975, a marca começou no ramo de açougues. Mas uma recente mudança na empresa levou a marca a se concentrar na demanda crescente por carne sem-carne.

A empresa introduziu sua linha de carne vegetariana e vegana chamada Vegafit em 2008, com opções como rissóis sem carne, schnitzel, almôndegas e peixe empanado. Tudo é feito de soja ou proteína de trigo (também conhecida como seitan).

“Na Holanda, mais e mais pessoas estão se tornando flexitárias. Eles conscientemente não comem carne um ou dois dias por semana e, em seguida, optam por alternativas à base de vegetais”, explica a marca em seu site. “Com esses conceitos, fornecemos uma demanda cada vez maior por alternativas à carne à base de vegetais”, menciona o site.

Embora a empresa trabalhe com carne tradicional há 44 anos, ela está lentamente mudando seus negócios para se concentrar predominantemente em plantas, de acordo com o Vegan Strategist. Bobeldijk Food Group anunciou que deixaria de investir em carne e espaço de fábrica foi liberado para ajudar a crescer a divisão livre de carne.

O que faz um açougueiro se tornar vegano?

A clara de ovo – um ingrediente comum de ligação na carne vegetariana – foi substituído pela proteína da batata em alguns produtos, de acordo com um comunicado de imprensa de abril de 2018. Eventualmente, Bobeldijk Food Group pretende tornar-se totalmente vegano.

“Daqui a vinte anos, não haverá carne suficiente para alimentar mais ninguém. Então, precisaremos de algo mais ”, explicou Remko Vogelenzang, CEO da Bobeldijk Food Group, em uma visita em vídeo da fábrica em abril de 2018.

Foto: Bobeldijk Food Group

Foto: Bobeldijk Food Group

Especialistas preveem que a população mundial chegará a 10 bilhões até 2050. De acordo com um estudo publicado na revista Nature em outubro passado, a mudança para uma dieta baseada em vegetais não apenas ajudará a manter um sistema alimentar sustentável, mas também ajudará a combater a mudança climática.

“Uma das alternativas é obter proteína de fontes vegetais em vez de carne”, disse Vogelenzang. “Para que isso aconteça, a ideia aqui é que nós queremos enfocar totalmente a produção baseada em vegetais. E isso parece um pouco estranho para uma empresa que se originou em Deventer como um açougue”.

Startup levanta mais de 4 milhões de dólares para desenvolver carne de camarão cultivada em laboratório

Foto: VegNews/Reprodução

Foto: VegNews/Reprodução

A startup de biotecnologia Shiok Meats, sediada em Cingapura, fechou recentemente uma rodada de financiamento que arrecado 4,6 milhões de dólares, liderada pela Monde Nisson (controladora da marca de carne baseada em vegetais Quorn) e a incubadora Y Combinator.

Liderada pelos biólogos Sandhya Sriram e Ka Yi Ling, a Shiok pretende quebrar a indústria global de camarão com seus camarões feitos de um pequeno número de células animais cultivadas em laboratório, por meio da técnica em desenvolvimento em outras partes do mundo, conhecida como agricultura celular.

“O sabor é muito bom, muito promissor”, disse o CEO da Monde Nissin, Henry Soesanto, sobre o camarão Shiok que foi exibido pela primeira vez na Cúpula da Inovação em Alimentos e Sustentabilidade em 29 de março no hotel Grand Hyatt Singapore.

Camarões são tratados com crueldade pela indústria de frutos do mar | Foto: Wet Tropics Healthy Waterways Partnership

Camarões são tratados com crueldade pela indústria de frutos do mar | Foto: Wet Tropics Healthy Waterways Partnership

A empresa usará o financiamento conseguido como resultado dessa rodada de investimentos para aumentar sua equipe, investir em pesquisa e desenvolvimento de combustíveis e ampliar a produção com o objetivo de começar a comercializar os produtos em dois ou três anos.

Além de camarão, a Shiok planeja desenvolver caranguejo e lagosta para combater a cruel indústria de crustáceos na região da Ásia-Pacífico, onde a Associated Press informa que o trabalho escravo continua a ser também uma questão de direitos humanos.

A Ásia e o consumo de carne

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) o vegetarianismo já se estabeleceu há muito tempo na Ásia, e a “culinária do templo” apresenta carne vegana feita de glúten de trigo e preparada especialmente para se parecer com peixe, camarão e carne. Para muitos não-veganos ou não-vegetarianos que apreciam a carne de origem animal, no entanto, carne vegana é apenas carne falsa. Muitos nem tocam no prato.

Defensor do meio ambiente, Yeung, 42, co-fundador e CEO da empresa Green Monday (Segunda-feira Verde, na tradução livre), diz que seu produto substituto da carne de porco é feito com cogumelos shiitake, proteína de soja, proteína de ervilha e arroz, para obter uma textura e um sabor mais robustos.

Ele faz parte de uma nova onda de empreendedores e investidores da Ásia que estão em uma corrida de tecnologia X preço, para criar substitutos de carne capazes de convencer os consumidores a mudar para alternativas desenvolvidas com base em vegetais.

Nos últimos seis anos, eles lançaram substitutos de carne, frango, porco e frutos do mar que podem ser transformados em tudo, de hambúrgueres a filé de peixe e arroz de frango Hainanese.
Seus esforços levam em conta as preocupações com segurança alimentar, meio ambiente, surtos de doenças em animais, como a gripe aviária e a peste suína africana, e questões sobre como alimentar a crescente população mundial.

Um relatório recente, publicado na revista médica The Lancet, diz que a adoção de uma alimentação com mais alimentos à base de vegetais e menos alimentos de origem animal “melhora a saúde e evitará danos potencialmente catastróficos ao planeta”.

Michelle Teodoro, analista de ciência alimentar e nutrição da empresa de pesquisa de mercado, Mintel, com sede em Londres, afirma que a tendência da carne à base de vegetais está acontecendo em um momento em que as pessoas também estão preocupadas com o impacto ambiental de criar e comer animais e com os maus-tratos aos animais criados na agricultura industrial.

“O mercado asiático, com sua imensa população e aumento crescente da classe média e por consequência do consumo de carne, tem investidores lambendo os lábios por antecipação”, diz ela.

Para empresas que trabalham com os novos produtos de carne vegana, há muito dinheiro a ser feito.

O mercado global de substitutos de carne foi avaliado em 4,1 bilhões de dólares em 2017 e deve dobrar de valor para 7,5 bilhões até 2025, com a região da Ásia-Pacífico projetada para crescer à taxa mais alta em termos de valor (9,4%) de 2018 a 2025, de acordo com a Allied Market Research.

Festival de Carne de Cachorro de Yulin será no mês que vem

Por David Arioch

Não são poucos os cães servidos no festival que são abatidos aos olhos do público (Foto: Billy H.C.Kwok)

A cada ano, ativistas dos direitos animais têm livrado pelo menos mil animais da morte no Festival de Lichia e Carne de Cachorro, onde cerca de dez mil cães são mortos para consumo. Com duração de dez dias, o festival que ocorre em Yulin no mês que vem, na província de Guangxi, oferece carne de cachorro, carne de gato, lichias frescas e licores.

O primeiro festival foi realizado em 2009, e surgiu a partir da crença de que comer carne de cachorro durante o verão chinês traz sorte e boa saúde. Há até mesmo uma crença de que afasta doenças e aumenta o desempenho sexual dos homens.

O problema é que o custo disso é a morte violenta de milhares de cães, que com certeza não gostariam de ter suas vidas precocemente usurpadas para atender interesses humanos não imprescindíveis, assim como fazemos com bois, vacas, porcos, frangos, galinhas, etc.

Afinal, senciência é senciência, não é mesmo? E todos os animais que os seres humanos comem partilham dessa mesma capacidade. Embora tenha se tornado tradicional, já tem alguns anos que o Festival de Lichia e Carne de Cachorro, mais conhecido internacionalmente como Festival de Yulin, conquistou má fama fora da China, inclusive por práticas nada ortodoxas de abate de animais.

Não são poucos os cães e gatos servidos no festival que são abatidos aos olhos do público. Outro problema é que o festival incentiva o roubo de cães. Prova disso é que visitantes de passagem pelo festival já testemunharam que viram animais com coleira de identificação – cães que também foram mortos para consumo.

No entanto, o que não pode ser desconsiderado é que o Festival de Yulin representa muito pouco quando analisamos o cenário nacional chinês. Há uma estimativa de que pelo menos 10 milhões de cães são mortos por ano na China para serem reduzidos a pedaços de carne, segundo a Humane Society International.

E talvez a prática tenha alguma relação com a Revolução Cultural Chinesa iniciada em 1966, e idealizada por Mao Tsé-tung, que à época proibia que cães fossem criados como animais de estimação, impedindo o desenvolvimento de vínculos afetivos.

Por outro lado, e felizmente, a China se tornou um país onde muitos não concordam nem com a realização do festival nem com o consumo de carne de cachorro. Uma prova disso é que há mais de 62 milhões de cães e gatos domésticos registrados no país.

Há uma estimativa de que mais de 60% dos chineses são contra o festival, incluindo a maioria dos moradores de Yulin. Mas se há tantas pessoas que não concordam com o festival, por que ele continua sendo realizado?

(Foto: Billy H.C.Kwok)

Provavelmente porque muitos o reprovam, mas não o suficiente para deixarem suas casas e protestarem contra a matança de animais iguais aqueles que eles mantêm ao seu lado. Quem sabe, com exceção dos ativistas chineses que fazem o que podem, impere algo como o clichê:

“O que os olhos não veem o coração não sente.” Sobre a possibilidade de se interromper o festival, o governo municipal de Yulin alega que não “há nada a ser feito porque o festival não existe como evento oficial”. Em síntese, o clássico “lava mãos”.

Talvez o Festival de Yulin, que hoje é um evento que ocorre em uma época auspiciosa, afinal, é isso que o verão também simboliza para os chineses, tivesse um potencial muito maior se fosse transformado em um festival só de lichias frescas e licores.

Acredito que atrairia muito mais visitantes. Afinal, lichia e licor combinam muito mais com a fausta representatividade do verão, com sua luz e cores, do que o sangue derramado de criaturas que gostariam de viver.

Claro, não há como negar que a oposição ao festival tem o seu aspecto positivo, de conscientização em relação à coisificação de cães e gatos, mas talvez seja válido ir um pouquinho além, e estender essa mesma preocupação a outros animais que todos os dias matamos aos milhões mais para satisfazer os nossos paladares que sem muitas dificuldades poderiam ser reeducados.

Saiba mais

Desde 2017, uma campanha criada no site Avaaz pede o fim do Festival de Yulin, que normalmente é realizado no dia 21 de junho. A iniciativa já conta com mais de 3,4 milhões de apoiadores. Se você também é contra, clique aqui e assine a petição.