Trinta tubarões capturados e exportados para a França morrem em cativeiro

Fred Bavendam/Getty Images/Minden Pictures RM

Foto: Fred Bavendam/Getty Images/Minden Pictures RM

Trinta tubarões-martelo, capturados na Grande Barreira de Corais e exportados para um aquário francês durante um período de oito anos, morreram todos em cativeiro e o governo federal diz que não sabe nada a respeito.

As mortes, que são objeto de ação legal da Sea Shepherd França, podem colocar em foco o comércio de tubarões ameaçados capturados em águas australianas por causa de uma lei federal que lhes permite continuar a ser comercialmente pescados.

Os tubarões-martelo capturados estavam no maior aquário da Europa, o aquário Nausicaá, no porto francês de Boulogne, perto de Calais (França), e foram importados em dois grupos, o primeiro em 2011 e o segundo em 2018, segundo informações do jornal the Guardian.

O último dos 30 tubarões morreu há duas semanas, mas o cronograma preciso e a causa de todas as mortes não são claras.

O aquário Nausicaá disse à mídia européia que os tubarões morreram devido a uma infecção por fungos, mas relatos anteriores sugerem que alguns dos animais atacaram uns aos outros.

A Sea Shepherd France alega que os animais foram maltratados em cativeiro e está tomando medidas legais contra Nausicaá.

Lamya Essemlali, presidente da Sea Shepherd France, disse que a organização buscava acesso a todos os documentos relacionados aos cuidados com os tubarões em cativeiro, bem como todas as licenças emitidas para a importação dos animais.

“Para uma espécie ameaçada, todo indivíduo conta”, disse ela. “Queremos todos os documentos das pessoas que cuidaram deles e as autorizações para as importações”.

“Tudo que chegou até agora de Nausicaá esta muito confuso. É por isso que pedimos em nossa ação por uma investigação profunda de tudo o que aconteceu desde o momento em que foram importados em 2011. ”

Apesar da atenção internacional, o departamento de meio ambiente disse que “não estava ciente das mortes desses animais”.

O jornal The Guardian Australia perguntou à ministra do Meio Ambiente, Melissa Price, se ela estava ciente do caso e não recebeu resposta.

Os tubarões foram originalmente capturados via Pesca Aquática de Peixes Aquáticos de Queensland, uma operação aprovada de comércio de vida selvagem que se estende da ponta do cabo York até a fronteira de New South Wales.

A Cairns Marine, uma empresa que captura e vende animais da vida marinha (objetificação de vidas) para exibição e aquários, levou os animais para uma empresa de transporte em Amsterdã. De lá, eles foram exportados para Nausicaá.

Os tubarões-martelo capturados e vendidos foram listados apenas sob a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagens (CITES), um tratado internacional que regula o comércio de animais selvagens, em 2014, significando que Cairns Marine só precisava adquirir uma licença de exportação do departamento para o segundo grupo de tubarões que foi para a Europa no ano passado.

Um porta-voz do departamento disse que, de acordo com a legislação ambiental da Austrália, os exportadores não precisavam esclarecer a condição do peixe vivo na chegada ao seu destino.

“Por causa disso, o departamento recomenda que você esclareça os fatos mais profundamente com o aquário”, disse ela.

Ryan Donnelly, diretor financeiro da Cairns Marine, disse que Nausicaá não informou à empresa que os animais haviam morrido desde então e que qualquer informação que eles obtiveram foi através de relatos da mídia.

Ele disse que a empresa tinha “especialistas em criação de animais de primeira classe” e que toda a vida selvagem tinha uma avaliação completa da saúde antes de ser enviada.

“Não enviaremos um animal a menos que seja em condição premium (a melhor possível) absoluta”, disse Donnelly. “Eles voam para um ponto central em Amsterdã. Eles estão estabilizados e aclimatados lá e depois enviados para o destino”.

Das mortes ele disse: “É triste. É absolutamente triste.

Na Austrália, grupos ambientalistas querem que o departamento investigue. O caso é o segundo em menos de 12 meses que levantou preocupações sobre o comércio de vida selvagem da Austrália.

Leonardo Guida, cientista especializado em tubarões e ativista sênior de tubarões da Sociedade Australiana de Conservação Marinha (AMCS, na sigla em inglês), disse que estava “chocado” com o fato de os tubarões poderem ser exportados para o exterior.

“Para começar, eles tecnicamente se qualificam como uma espécie em extinção em águas australianas”, disse ele. “Além disso, por experiência pessoal, tendo estudado tubarões-martelo e sua resposta ao estresse da pesca comercial … os tubarões-martelo, em particular, são criaturas muito sensíveis. Eles ficam exaustos muito rapidamente e isso muitas vezes leva à morte”.

A Humane Society International Australia vem tentando conseguir uma classificação no status “em perigo de extinção” na lista das espécies (Red List) para o tubarão-martelo excluído desde 2010. Juntamente com a AMCS, eles planejam apelar novamente para que ela receba esse status e seja retirada da lista de dependentes de conservação.

“Não há nenhum benefício para a conservação de tubarões da Grande Barreira de Corais na Austrália em enviá-los para aquários no exterior”, disse Nicola Beynon, chefe de campanhas da HSI Austrália. “Há sérios riscos ao bem-estar animal e isso não deve acontecer.

“As espécies qualificadas para proteção estão ameaçadas, mas não estão recebendo a proteção adequada porque são comercialmente exploradas. Se fosse um animal terrestre como um coala isso nunca teria acontecido”, disse o ativista.

O jornal The Guardian Australia, fonte dessa matéria, enviou perguntas para o aquário de Nausicaá e não recebeu resposta.

Girafa morre aos 23 anos sem jamais ter conhecido a liberdade

Benghazi ou Ben | L.A. Times

Benghazi ou Ben | L.A. Times

Benghazi, a girafa do sexo masculino, nasceu e passou a vida toda no zoológico de Oakland (EUA), onde além de ser explorado para entretenimento humano, servindo de enfeite para visitantes e suas ávidas máquinas fotográficas, ainda carregou uma câmera presa a cabeça para um documentário (do ponto de vista dos animais) e ainda pintou até quadros (que mais tarde foram vendidos, claro) – morreu depois de um ano lutando e sofrendo com uma lesão nas costas. Ele tinha 23 anos.

O zoológico de Oakland anunciou nas mídias sociais na quinta-feira última (9), que o animal foi “humanamente” sacrificado ou mortos por indução esta semana. A girafa, apelidada de Ben, nasceu no zoológico em 1996. Ele havia comemorado um aniversário apenas seis semanas antes de sua morte.

Benghazi ou Ben | L.A. Times

Benghazi ou Ben | L.A. Times

Ele estava sofrendo de lesões na região lombar e sacro, que os funcionários do zoológico acham que ele adquiriu enquanto se levantava após o sono ou após ficar deitado por muito tempo. Estava ficando difícil para o animal enorme descansar confortavelmente, disseram autoridades do zoológico.

“Fizemos tudo o que podíamos – tratamentos quiropráticos, medicação, tratamentos a laser e terapia de campo eletromagnético pulsado. Infelizmente, esse tipo de lesão não é reversível, e a mobilidade de Benghazi diminuiu bastante”, disse Jessica Chapman, a principal mantenedora de girafas, em um comunicado.

Ben era motivo de orgulho do zoológico que o considerava “um artista”, treinado (leia-se obrigado) desde a mais tenra idade para criar pinturas em telas que eram leiloadas posteriormente para – em teoria – apoiar a conservação das girafas na natureza, segundo autoridades do zoológico.

Muitos de seus familiares, incluindo irmãos, sobrinhas e sobrinhos, moravam com Ben no zoológico. Sua mãe, T’Keyah, outro antigo membro do zoológico, morreu em 2017, quando tinha 28 anos.

A expectativa de vida média para uma girafa presa em cativeiro é de 25 anos, segundo a Sociedade de Conservação da Califórnia, que administra o zoológico de Oakland.

Ben tinha uma enorme personalidade que era correspondida apenas por sua altura. Com 16 pés de altura (quase 5 metros), ele era a segunda girafa mais alta do zoológico, informou o SFGate.

Sua altura veio a calhar quando ele foi escolhido para ser apresentado em um documentário da National Geographic de 2016 chamado “Last of the Longnecks”, no qual ele tinha uma câmera GoPro amarrada à sua cabeça para mostrar sua perspectiva, informou o site de notícias.

Assim Ben deixa o mundo sem jamais ter corrido pelas savanas africanas seu habitat de origem, sem ter sentido a poderosa liberdade de correr a 56km/h, velocidade alcançada pela espécie em campo aberto, apenas por um capricho humano que acredita que animais podem ser dispostos como produtos em uma vitrine ou manuseados como marionete para entreter plateias entediadas.

Visitante joga maços de dinheiro para alimentar girafas em zoo

Câmeras flagram cédulas de dinheiro no cativeiro das girafas | Foto: Yunnan Wildlife Park

Câmeras flagram cédulas de dinheiro no cativeiro das girafas | Foto: Yunnan Wildlife Park

Girafas são animais selvagens, naturais das savanas africanas, belas, esbeltas e únicas, esses animais peculiares carregam o status de seres mais altos do planeta, podendo chegar a medir 6 metros de altura (aproximadamente o correspondente a uma casa de dois andares).

Acostumadas à liberdade e a percorrem grades extensões de terra em seus habitats naturais esses animais podem atingir a velocidade de 56 km/h ao correr de predadores.

Dada sua natureza social e suas longas pernas, esses animais sofrem terrivelmente sendo mantidos em cativeiro onde os ambientes são limitados e eles nada mais fazem que servir de atração para seres humanos omissos.

Além da perda de liberdade as girafas ficam expostas a uma série de riscos, muitas vezes inesperados e cruéis que acabam levando-as a morte como sacolas de plástico jogadas nos ambientes em que elas ficam presas ou alimentos que não combinam com sua alimentação e podem lhes fazer mal.

Há ainda casos mais grotescos e assustadores como o que ocorreu neste zoológico chinês onde um visitante do local tentou alimentar várias girafas com dinheiro jogando maços de notas em seus cativeiros.

Foram os guardas e os funcionários responsáveis pela manutenção dos animais do Yunnan Wildlife Park que notaram um grande número de cédulas no chão do cercado de girafas quando foram fazer a limpeza do local de manhã.

Ao notarem a presença do material estranho aos animais , eles rapidamente levaram as girafas para longe do local onde estavam as cédulas antes que elas pudessem pegar as numerosas notas de papel, que somadas chegaram a quase 10.000 yuanes (aproximadamente 6 mil reais), de acordo com informações do zoológico.

Nenhuma girafa ficou ferida como resultado do gesto absurdo, disse o zoológico em uma declaração publicada nas mídias sociais. O parque também divulgou imagens de trabalhadores limpando o dinheiro do chão no cativeiro dos animais.

O zoológico suspeita que as notas tenham sido jogadas por visitantes ricos que queriam oferecer comida para as girafas.

O Parque de Vida Selvagem de Yunnan, local do ocorrido, está situado em Kunming, a capital da província de Yunnan, no sul da China.

Foto: Yunnan Wildlife Park

Foto: Yunnan Wildlife Park

O parque importou mais de 30 girafas desde 2013 e elas são amplamente exploradas desde então, distantes de seus lares e como atrações principais do zoológico.

Depois de analisar as imagens das câmeras de vigilância, a gerência disse que o culpado havia jogado o dinheiro de um ponto cego do equipamento de filmagem, portanto, eles não tinham como rastreá-lo ou saber a aparência do criminoso.

O zoológico afirma na declaração que no momento esta procurando a pessoa para devolver o dinheiro.

O parque alertou o público contra dar “coisas estranhas” aos animais no mesmo comunicado.

Faz-se desnecessário e redundante ressaltar que esse tipo de exposição e riscos desnecessários jamais ocorreriam se os animais estivessem na natureza, de onde jamais deveriam ter sido tiradas.

Esta não é a primeira vez que animais mantidos presos no zoológico foram vítimas de abuso pelo público.

Os outros eventos nefastos consequências mais sérias. Em 2016, dois pavões morreram em decorrência de trauma e choque com apenas dias de diferença entre um e outro, depois que turistas os retiraram de seus recintos para tirar fotos com eles e arrancaram suas penas “como recordação”. A agressão ocorreu em duas ocasiões diferentes.

Em outros locais da China, girafas morreram em zoológicos em Xangai e Wuxi depois de comerem sacolas plásticas oferecidas pelos visitantes.

Foto: Yunnan Wildlife Park

Foto: Yunnan Wildlife Park

Três anos atrás, trabalhadores do zoológico de Wuxi fizeram uma escultura gigante usando o corpo preservado da girafa que morreu ao comer plástico para alertar o público contra a alimentação de animais.

Animais que vivem em cativeiro sofrem de distúrbios nervosos já catalogados pela medicina veterinária. Zoocoses são desequilíbrios sintomáticos que fazem com que o animal se auto mutile, adquira comportamentos repetitivos e sem finalidade, como bater a cabeça contra as paredes do cativeiro ou a famosa e triste, “dança dos elefantes”, em que os animais ficam se movendo sem para e sem sair do mesmo local, apenas trocando o peso de uma pata para outra.

Todos esses comportamentos são sintomas de sofrimento mental e cedo ou tarde resultam na morte ou na incapacidade total desses animais.

Risco de Extinção

Populações de girafas caíram até 40% nos últimos 30 anos, em consequência da caça, perda de habitat e conflitos humanos que atingiram grande parte de sua área de circulação e habitação, de acordo com o jornal The Independent.

Mas, enquanto o comércio de produtos de elefantes e rinocerontes enfrentam controles cada vez mais rígidos, a “extinção silenciosa” das girafas até agora tem sido negligenciada.

Ativistas alertam que a enxurrada de troféus de caça, ornamentos de ossos de girafas e comércio de peles tem contribuído para a sua morte.

Um grupo de 30 estados africanos preocupados com a situação está fazendo pressão para que as girafas recebam proteção especial sob o CITES, um tratado internacional que controla o comércio de espécies ameaçadas de extinção.

Os membros da Coalizão de Elefantes Africanos – incluindo estados de ocupação de girafas, como Quênia, Chade e Níger – estão pedindo à UE que apoie sua proposta.

Abba Sonko, líder das atividades da CITES na coalizão representando o Senegal, disse que um item (apêndice II) da regulamentação já estabeleceria “o tão necessário controle” sobre o comércio internacional de produtos de girafa.

“Queremos fazer tudo o que pudermos para ajudar a proteger as girafas em nossos países e impedir a extinção da espécie”, disse ele. “A extinção das girafas já se tornou uma realidade no Senegal, infelizmente.”

Do jeito que está, o grupo não deve convencer a maioria necessária de dois terços na próxima reunião da CITES em maio para apoiar o movimento, mas o apoio do bloco europeu pode fazer a campanha ganhar força.

“A EU (União Europeia) é um influenciador de peso para que qualquer proposta seja aprovada”, disse o especialista em tráfico de vida selvagem pela Humane Society Internacional, Adam Peyman, que apoia a proposta.

A classificação da CITES não significa uma proibição total do comércio de produtos de girafa, mas permitiria que as autoridades rastreassem seus movimentos e garantissem que eles não estivessem contribuindo para o declínio das populações selvagens.

Até agora, a relutância da UE em apoiar a medida baseia-se, em parte, na falta de apoio de todos os países africanos e no fato de que o comércio de partes de girafas geralmente se origina em nações onde as populações são relativamente estáveis.

No entanto, a HSI disse que há evidências de produtos de girafas sendo transferidos de países com baixa população (de girafas) para países com população elevada antes de serem enviados para mercados estrangeiros.

Durante a última década, 40 mil itens de partes de girafa foram exportadas para os EUA, as investigações também revelaram demandas no Reino Unido e em outras partes da Europa.

Ao contrário de outros produtos exóticos, como o marfim – que tem sido objeto de proibições muito rigorosas no Reino Unido e na UE – os ossos e a pele de girafa não estão sujeitos a controle.

“A demanda por partes de girafa têm aumentado exatamente porque não há regulamentações protegendo esse animal – são itens fáceis de serem obtidos, você não precisa de uma permissão ou qualquer coisa para comprá-la”, disse Peyman.

Orangotango mantido preso em jaula por três anos é resgatado

Um orangotango que viveu três anos preso em uma jaula, saindo do local apenas aos finais de semana, foi resgatado na Indonésia. Bom Bom, como é chamado, foi vítima do tráfico. Ele foi comprado por Sri Lia quando era apenas um filhote, após a mãe dele ser morta.

Foto: BBC

Bom Bom deveria ter vivido toda a vida na floresta Leuser, com outros animais selvagens da ilha de Sumatra. Porém, uma parte da floresta foi devastada nos últimos 20 anos devido a plantações de palmeiras, fazendas e obras de infraestrutura. Com isso, os animais ficaram mais próximo das pessoas.

Muitos orangotangos são traficados, inclusive enviados a outros países, o que é considerado ilegal na Indonésia. As informações são da BBC.

“Muitos de nossa equipe já confiscaram orangotangos. Mas, se os colocarmos em um centro de reabilitação, o custo será alto”, afirma Wiratno, um diretor do Ministério do Meio Ambiente.

O trabalho de resgate desses animais, e seus respectivos custos, acabam ficando sob responsabilidade de ONGs. Foi uma delas que salvou Bom Bom.

“Todos os orangotangos que estão aqui, suas mães estão provavelmente mortas”, diz Ian Singleton, do Programa de Conservação de Orangotangos de Sumatra.

Após o resgate, os orangotangos ficam em jaulas de quarentena. “Eles terão uma chance de serem orangotangos selvagens e de viver na floresta. Então, isso é uma etapa necessária de um processo positivo e que traz esperança”, diz.

No entanto, para filhote de orangotango resgatado, outros tantos são traficados.

Ameaçadas de extinção, lontras vivem aprisionadas em cativeiro

Lontras estão sendo traficadas e criadas em cativeiro para atender ao desejo humano de tratar esses animais como domésticos, ignorando a necessidade da espécie de viver em liberdade. No Japão, a presença de lontras em cafeterias nas quais os clientes interagem com os animais é crescente. No país, muitos desses estabelecimentos, e também pet shops, vendem as lontras para qualquer um.

“A demanda e a popularidade são crescentes. Mas a oferta não acompanha”, disse um atendente em um café. Esses animais também tem sido vítimas do tráfico na Indonésia, Tailândia, Vietnã e Malásia. As informações são da Folha de S. Paulo.

Lontras exploradas por um café em Tóquio  – Noriko Hayashi/The New York Times

Segundo a bióloga conservacionista da Oregon State University e co-presidente do comitê de lontras da União Internacional para a Conservação da Natureza, Nicole Duplaix, a internet é a responsável por aumentar a popularidade da espécie, condenando-a à vida no cativeiro.

“Vendedores anunciam online e pessoas postam fotos fofas de lontras. Isso difunde a ideia de que seriam ótimos animais domésticos, o que não é o caso”, diz Duplaix.

Por ser difícil reproduzir lontras em cativeiro, conservacionistas suspeitam que a maior parte desses animais está sendo retirada da natureza.

As lontras lisas e as lontras-de-nariz-peludo são vítimas do tráfico. Mas a principal espécie traficada é a lontra-anã-oriental, segundo Duplaix. Todas elas estão ameaçadas de extinção.

Não há informações precisas sobre como começou o tráfico de lontras. O antropólogo Vincent Nijman, da Oxford Brookes University, no Reino Unido, acredita que o início foi há cinco anos, na Indonésia. No país, a lontra-anã-oriental não é protegida, mas todo comércio de animais silvestres não protegidos possui cotas. No entanto, não há cotas para a lontra.

De acordo com Nijman, isso significa que comercializar lontras sem autorização é ilegal. “Agora vemos centenas sendo vendidas no Facebook e Instagram. Nenhuma com autorização”, diz.

Apesar da ilegalidade e da crueldade existente na manutenção de lontras em cativeiro, Nijman conta que tutores de lontras se unem em comunidades e desfilam pelas ruas de Jacarta, na Indonésia, carregando os animais. “Nos noticiários isso é descrito como aceitável, divertido, inovador”, afirma. “Para quem quer algo diferente de um cão ou gato comum”, completa.

Na Tailândia, capturar, vender ou exportar lontras é ilegal, mas isso não impede que o tráfico ocorra. Ao “Journal of Asia-Pacific Biodiversity”,  Penthai Siriwat, doutoranda da Oxford Brookes University que monitorou páginas do Facebook que vendiam o animal, afirmou que mais da metade das lontras traficadas são ninhadas de recém-nascidos que nem abriram os olhos.

Da Tailândia, a prática de aprisionar lontras em cativeiro se disseminou, principalmente para o Japão, onde, segundo a entidade Traffic Japan, uma série de TV ajudou a popularizar a espécie ao retratar uma lontra como animal doméstico.

“Temos uma cultura que valoriza o bonitinho, o que tem um grande papel nisso”, diz a pesquisadora Yui Naruse, da Traffic Japan.

Em maio, representantes vão decidir, durante uma reunião da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (Cites), se a lontra-anã-oriental e a lontra lisa vão receber uma proteção maior, com proibição do comércio internacional dessas espécies.

STJ diz reconhecer direitos animais, mas decide por permanência de papagaio em cativeiro

A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu uma decisão controversa na última segunda-feira (29). Sob a alegação de estar garantindo os direitos e a dignidade de um papagaio, a corte decidiu pela permanência do animal em cativeiro, o que contraria as necessidades básicas da espécie, que precisa viver em liberdade, no habitat.

Foto: Pixabay

O papagaio foi retirado da guarda de Maria Angélica Caldas Uliana após serem constatadas condições de maus-tratos na casa onde ele era mantido, em Ubatuba, no litoral de São Paulo. O Ibama, no entanto, não tem infraestrutura para garantir o bem-estar de Verdinho, como é chamada a ave. Diante disso, a tutora acionou a Justiça, que concedeu a guarda provisória do animal a ela até que o órgão conseguisse abrigar o papagaio adequadamente.

Devido ao estado da gaiola em que vivia o papagaio e ao risco que ele corria de morte caso os tutores se ausentassem, Maria foi multada por maus-tratos. Um laudo veterinário atestou que ela não tinha condições de manter a ave. Ao recorrer na Justiça, ela apresentou novo documento por meio do qual afirma que pode oferecer boas condições para o animal. As informações são do portal R7.

Mesmo diante da possibilidade do papagaio ter sido vítima do tráfico, e sabendo que ele viverá aprisionado em cativeiro, o STJ concedeu à Maria a guarda definitiva do animal. O ministro Og Fernandes alegou que a espera e indefinição do encaminhamento do papagaio ao Ibama causaria sofrimento emocional ao animal e à tutora. “Impõe o fim do vínculo afetivo e a certeza de uma separação que não se sabe quando poderá ocorrer”, afirmou o ministro.

Ao invés de exigir que o Ibama se adeque às necessidades da ave, para poder reabilitá-la e devolvê-la à natureza, o STJ estabeleceu regras para que Maria permaneça com o animal. Ela terá que receber visitas semestrais de veterinários especialistas em animais silvestres, que deverão ser comprovadas documentalmente, e se submeter a uma fiscalização anual para verificar as condições do recinto da ave.

Para justificar a decisão tomada pela corte, Fernandes afirmou que existe um novo conceito de dignidade “intrínseco aos seres sensitivos não humanos, que passariam a ter reconhecido o status moral e dividir com o ser humano a mesma comunidade moral”. Segundo ele, animais não devem ser tratados como coisas, como demonstrou acontecer em partes do Código Civil.

O ministro disse ainda que há uma incongruência nos trechos do Código Civil que tratam os animais como coisas em relação à Constituição, já que ela “coloca os demais seres vivos como bens fundamentais a serem protegidos”. Afirmou também que esse tratamento dificulta a mudança na visão humana no que se refere aos direitos animais.

“Essa objetificação acaba por dificultar a mudança de paradigma com relação aos seres não humanos, para que passem de criaturas inferiorizadas à portadoras de direitos fundamentais de proteção”, afirmou.

Fernandes também reproduziu um trecho da Constituição da Bolívia, sobre cumprir o mandato com os povos por meio da força da “Mãe Natureza” e reiterou que é preciso que “esses seres vivos não humanos deixem de ser apenas meios para que a espécie humana possa garantir a sua própria dignidade e sobrevivência”.

O posicionamento do ministro, no entanto, é contraditório, já que usa da premissa dos direitos animais para reforçar uma situação de exploração e crueldade promovida contra uma ave. A própria objetificação criticada por Fernandes é reforçada por ele ao permitir que um ser vivo continue a viver aprisionado, dentro de uma gaiola, para atender aos desejos do ego humano.

Polícia resgata filhote de macaco-prego mantido em cativeiro em MG

Um filhote de macaco-prego que era mantido em cativeiro, privado da liberdade e da vida no habitat, foi encontrado em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, informou a Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (26).

Foto: Polícia Federal/Divulgação

O animal silvestre vivia aprisionado em uma residência. Ele foi resgatado por uma equipe da Polícia Federal.

Segundo os agentes, o macaco-prego não apresentava sinais de maus-tratos e foi encaminhado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na quinta-feira (25).

O macaco será submetido à perícia e, depois, será devolvido à natureza. As informações são do portal G1.

Um inquérito foi instaurado pela Polícia Federal para investigar a origem do macaco. A pessoa que o mantinha em cativeiro também será investigada.

Caso seja comprovada alguma ilegalidade, o suspeito poderá ser condenado a até um ano de detenção. No entanto, por se tratar de um crime de menor potencial ofensivo, a pena costuma ser substituída, por exemplo, por prestação de serviços à comunidade.

Quati é encontrado amarrado em quintal de casa em Santa Mariana (PR)

Um quati foi encontrado amarrado no quintal de uma casa em Santa Mariana, no Paraná. O animal usava coleira e foi localizado na quarta-feira (24).

Foto: PM/Divulgação

Os policiais encontraram o quati enquanto cumpriam um mandado de busca na residência vizinha ao imóvel onde ele estava. No local, haviam também onze pássaros silvestres. As informações são do G1.

A Polícia Militar contou que o quati é domesticado e interage facilmente com as pessoas. Ele foi retirado da natureza ainda filhote. As informações são do portal G1.

Todos os animais foram resgatados e levados para a delegacia de Polícia Civil de Santa Mariana. Eles serão encaminhados pela Polícia Ambiental para a sede do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Cornélio Procópio.

O homem responsável por manter os animais silvestres aprisionados em cativeiro assinou um termo circunstanciado de ocorrência e deve responder por crime ambiental.

Foto: PM/Divulgação

Foto: PM/Divulgação

Homem é multado em R$ 21,5 mil por maltratar cães e manter ave em cativeiro

Um pedreiro de 51 anos foi multado em R$ 21,5 mil por maltratar sete cachorros e manter uma ave silvestre em cativeiro em uma casa em Barretos (SP). Ele poderá recorrer da autuação e deve responder por crime ambiental.

Foto: Polícia Ambiental/Divulgação

O caso foi descoberto devido a uma denúncia. Ao chegar no imóvel na sexta-feira (19), no bairro Centenário, policiais da PM Ambiental encontraram sete cachorros da raça foxhound americano, entre eles cinco filhotes, em local insalubre. Os animais viviam em meio a fezes e urina e estavam sem alimento. Apenas potes de água foram encontrados.

Na casa, havia também uma ave da espécie papa-capim, presa em uma gaiola. Além disso, a PM apreendeu no local uma focinheira em mau estado de conservação, 21 cartuchos de diversos calibres, um cano de espingarda, uma coronha – peça que encaixa no cano – e uma bandoleira – correia usada para prender arma. As informações são do portal G1.

O homem, que foi levado ao Plantão da Polícia Civil, responderá em liberdade por maus-tratos a animais e posse ilegal de arma de fogo e de munição.

Os cachorros foram resgatados e levados para uma ONG de proteção animal. Não há informações sobre o destino da ave.

Alimentar peixes criados em cativeiro com peixes selvagens está causando um prejuízo imenso ao oceano, diz relatório

O uso de peixes selvagens como alimento para peixes de criação tem causado enormes danos ambientais e sociais, de acordo com um novo relatório

O estudo “Até que os mares sequem: como a aquicultura industrial está saqueando os oceanos”, mostra como milhões de toneladas de peixes estão sendo tirados da natureza todos os anos para produzir farinha e óleo de peixe (FMFO) – que são ingredientes chave na alimentação de peixes de cativeiro e criação.

Essa fato está ameaçando a segurança alimentar e colocando em risco de colapso a vida marinha, diz o relatório publicado pela Changing Markets Foundation, o grupo de campanha Feedback e a Compassion in World Farming, que analisa as últimas pesquisas científicas sobre o impacto da pesca em que peixes selvagens são transformados em FMFO e a falta de transparência e sustentabilidade no setor de alimentos marinhos

Preocupações graves

O relatório destaca “preocupações graves” em torno dos impactos causados pelo uso de FMFO em alimentos para a aquicultura tanto no meio ambiente quanto para os seres humanos, e recomenda o fim desta prática.

“A aquicultura é o setor de produção de alimentos que mais cresce no mundo, e os projetos da FAO fornecerão 60% do consumo mundial de peixe até 2030, aumentando significativamente sua participação atual de pouco mais de 50%”, diz o relatório.

“Paradoxalmente, a indústria é fortemente dependente de peixes selvagens com mais de 69% da farinha de peixe e 75% da produção de óleo de peixe usados para alimentar peixes. O mercado mundial de farinha de peixe valia aproximadamente 6 bilhões de dólares em 2017 e a previsão é de que atinja 10 bilhões até 2027”.

O texto do estudo acrescenta que a multibilionária indústria de alimentos para aquicultura, não está apenas tendo um impacto na segurança alimentar e no meio ambiente marinho, mas está impulsionando a a pesca excessiva e os abusos dos direitos humanos nas operações de pesca silvestre.

Ações urgente são necessárias

“A aquacultura tem sido aclamada como fornecedora de proteína saudável e acessível, além de desviar a pressão sobre os peixes de captura selvagem”, disse Natasha Hurley, gerente de campanha da Changing Markets Foundation. “Este relatório mostra que a indústria não está cumprindo essa promessa como resultado de sua contínua dependência de peixes capturados em áreas selvagens”.

“Medidas urgentes são necessárias para aumentar a transparência e a sustentabilidade na cadeia de fornecimento da indústria de alimentos para aquicultura além de retirá-la completamente de sua dependência de peixes capturados na natureza”.

“Está claro que a abordagem ‘negócios são negócios’ feita pela indústria da aquicultura à farinha e ao óleo de peixe está esgotando perigosamente os recursos do oceano e ameaçando a integridade dos ecossistemas marinhos. A indústria está buscando alternativas de proteína sustentáveis, mas não tão rápido o suficiente para evitar as conseqüências potencialmente catastróficas para o oceano, a saúde e a segurança alimentar “, acrescentou Carina Millstone, diretora executiva da Feedback.

Existem enormes implicações para o bem-estar animal quando se trata de consumir peixe

Bem-estar animal

Há fatores adicionais a serem considerados, como ressalta o Dr. Krzysztof Wojtas, Chefe de Políticas de Peixes da ONG Compassion in World Farming.

“Ao considerar as conseqüências negativas do uso de peixes capturados em meio selvagem para a FMFO, não devemos esquecer o enorme impacto que essas indústrias têm no bem-estar animal”, disse Wojtas.

“À medida que a aquicultura industrial cresce, o número de animais que sofrem nesses sistemas agrícolas intensivos se multiplica e traz outra camada oculta à tona”.

“A maioria das pessoas não tem consciência do sofrimento de centenas de bilhões de peixes pequenos que morrem horrivelmente em enormes embarcações de pesca industrial para abastecer essas fazendas industriais submarinas. A indústria precisa enfrentar urgentemente essa crise”, conclui Wojtas.

A campanha Compaixão na Revisão da Agricultura Mundial de Peixes compartilha mais detalhes sobre as questões que cercam o consumo de peixes selvagens e de criação.