Governo australiano enfrenta pressão para proibir golfinhos em cativeiro

Golfinhos em cativeiro no SeaWorld | Foto: afrugalchick.com/Reprodução
Uma ONG internacional que atua em prol bem-estar animal está pedindo ao governo de Queensland (Austrália) que proíba definitivamente a criação de golfinhos em cativeiro no Sea World, na Gold Coast.
A World Animal Protection lançou uma petição pública que será posteriormente apresentada ao governo de Queensland.
“Nós queremos que esses golfinhos que ficam Sea World sejam a última geração mantida em cativeiro em Queensland. A aceitação de lugares como esse está em vias de extinção ”, afirmou o gerente sênior de campanha da World Animal Protection, Ben Pearson, ao canal de notícias australianas Nine News.
O SeaWorld da Gold Coast é apenas um dos dois locais que mantêm golfinhos em cativeiro na Austrália, e com mais de 30 golfinhos no mesmo local, é um dos maiores do mundo.
O outro local é o Dolphin Marine Magic em Coffs Harbour.
“Não estamos falando em fechar o Sea World, não estamos falando de prejudicar a economia de Queensland, estamos dizendo que não há justificativas a reprodução”, disse Pearson.
“Um dos problemas na criação de animais em cativeiro é que você não pode liberá-los na natureza”.
Mas o Sea World defende o seu programa de criação de golfinhos justificando que o foco dele é a “conservação”.
O parque aquático alega que alguns desses animais já estão na terceira geração em cativeiro. Ou seja, jamais viram o mar, desfrutaram da liberdade ou percorrem diversos quilômetros nadando a toda velocidade como nasceram biologicamente adaptados para fazer.
Pearson disse que o programa de criação do Sea World vai contra o princípio básico de conservação das espécies e derrubou o argumento do parque lembrando que os golfinhos não estão ameaçados de extinção para serem “conservados”.
Não há nada de conservação no que eles fazem ali”, disse ele.
Se eles resgatassem os golfinhos na natureza, os reabilitassem em seguida, e os devolvessem ao mar, eles teriam o nosso apoio, mas a criação em cativeiro não faz isso”, esclarece Pearson.
O gerente da ONG também apontou que nenhum cativeiro jamais satisfará satisfazem as necessidades dos animais e indiretamente esse programa endossa a caça aos golfinhos.
“Um golfinho em cativeiro pode viver 50 anos. Na natureza, um golfinho nariz de garrafa nadaria 100km por dia e poderia mergulhar até 450 metros. Eles têm um ambiente rico no mar. Não há como uma pequena piscina de concreto no Sea World conseguir se igualar a isso” definiu ele.
Pearce afirma que uma das maiores ameaças aos golfinhos na natureza é a caça, como a que acontece em Taiji no Japão, onde eles realmente capturam golfinhos na natureza para exibí-los em aquários.
“O Sea World não faz isso, eles não caçam golfinhos, mas exibindo esses animais em um tanque essas práticas são endossadas indiretamente”, disse ele.
O governo de Queensland apoia o Sea World, alegando que eles estão operando segundo a lei do país.
O Ministro da pasta de Agricultura e Pescaria, Mark Furner, alega que o Sea World mantém o número máximo de golfinhos que é permitido criar em cativeiro no país, e desde que eles não excedam esses números “esta tudo certo”.
No entanto, o governo de Queensland não comentou nada sobre a petição iniciada pela World Animal Protection.
A petição conseguiu 5.500 assinaturas desde o seu lançamento ontem. Ainda não foi definida uma data para o envio do documento ao governo.
“Esperamos que o governo de Queensland aja rapidamente nesse caso. Se eles se recusarem a fazê-lo, insistiremos e protestaremos até que isso aconteça”, concluiu Pearson.


























