Caçadores de troféus importaram mais de 300 mil cadáveres de animais ameaçados de extinção

Leão Cecil morto por um caçador de troféus | Foto: Mirror

Leão Cecil morto por um caçador de troféus | Foto: Mirror

Caçadores de troféus enviaram para seus países lembranças horríveis em forma de partes do corpo de mais de 300 mil animais selvagens ameaçados de extinção ao redor do mundo na última década.

O comércio cruel de itens como crânios, chifres e presas inclui um número alarmante de 40 mil elefantes africanos, 14 mil de leões e 8 mil leopardos.

A Fundação Born Free divulgou os números para marcar o quarto aniversário da morte do leão Cecil, de 13 anos, morto com uma flecha no Zimbábue.

A morte do gato grande felino no Parque Nacional de Hwange causou indignação em todo o mundo e levou o caçador Walter Palmer, um dentista americano, a receber ameaças de morte.

O chefe da Born Free, Howard Jones, disse: “Os animais pertencem à natureza, e não a uma parede – e nós queremos um futuro onde nenhum animal sofra a mesma morte cruel e agonizante infligida a Cecil.

“Nós fazemos campanhas incansáveis e trabalhamos com companhias aéreas, empresas de viagens e navegação para proibir o transporte de troféus de caça, enquanto pressionamos o Reino Unido e outros governos a introduzirem uma proibição de sua importação.”

Estima-se que existam apenas 400 mil elefantes e 20 mil leões restantes na natureza.

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Após morte do leão Cecil, nova lei pode proibir troféus de caça nos EUA

Reprodução | Facebook

Já se passaram quatro anos desde a morte brutal de Cecil. O ato cruel praticado pelo dentista norte-americano Walter Palmer provocou protestos globais e possibilitou debates sobre as consequências da caça de animais selvagens. Cecil era monitorado pela Universidade de Oxford, no Parque Nacional de Hwange, no Zimbábue.

A familiaridade do leão com seres humanos o deixou extremamente amigável, o que rapidamente o tornou muito amado por moradores, guardas e turistas. Quando Cecil foi baleado e morto, a história explodiu nas redes sociais e legalidade da importação de troféus de caça ganhou a atenção mundial, sendo alvo de crítica de ativistas e organizações internacionais de proteção animal e ambiental.

Agora, a trágica história da vida e morte do leão criou um novo precedente. O presidente do Comitê de Recursos Naturais da Câmara, Raúl M. Grijalva, introduziu uma nova lei na Câmara dos Representantes em homenagem ao leão com o objetivo de restringir a importação da caça de troféus para os Estados Unidos. A Lei de Conservação dos Ecossistemas por Cessar a Importação de Troféus de Grandes Animais, também chamada Lei CECIL, proibirá a importação de troféus de caça de espécies ameaçadas, salvo em condições especiais.

A lei proposta promoverá a transparência dentro do Serviço de Pesca e Vida Selvagem (FWS, na sigla em inglês), exigindo que a agência publique cada pedido de importação para receber um animal ameaçado ou em perigo de extinção. A lei reverenciará várias das políticas do governo ao proibir troféus de elefantes ou leões da Tanzânia, Zimbábue ou Zâmbia.

A presidente do Animal Welfare Institute, Cathy Liss, elogiou a nova proposta e a possibilidade do assunto estar sendo discutido mesmo em um cenário político nebuloso. “Espécies como elefantes e leões africanos enfrentam graves ameaças à sua sobrevivência e não há provas científicas confiáveis de que a caça contribua positivamente para a conservação de animais selvagens”, disse.

E completou: “a receita gerada pela importação de troféus de caça muitas vezes não fornece nenhuma renda significativa para os moradores empobrecidos. Em vez disso, essas caçadas geralmente canalizam dinheiro para as mãos de um grupo seleto sem melhorar as proteções para as populações de animais selvagens caçados. Nenhuma espécie que enfrente a extinção deve ser vitimada por alguém que queira pendurar a cabeça do animal na parede”, concluiu.