Empresa de tecnologia desenvolve linguiça a partir de células de porco cultivadas em laboratório

Salsichas feitas a partir de células de porco cultivadas em laboratório | Foto: New Age Meats

Salsichas feitas a partir de células de porco cultivadas em laboratório | Foto: New Age Meats

Empresa de tecnologia de alimentos New Age Meats desenvolve salsichas partir das células de um porco chamado Jessie.

Ao contrário de milhões de porcos que são mortos na indústria da carne a cada ano, Jessie – nomeada no site da New Age como Chief Sausage Officer – não é machucada ou prejudicada no processo de fazer as salsichas.

Os cientistas extraíram e depois multiplicaram as células de seu corpo. Estas células foram induzidas em músculo e gordura. O resultado final é um produto que parece, tem o mesmo sabor e textura que uma tradicional linguiça de porco, mas é livre de morte ou crueldade.

De acordo com o site This Is Money, a New Age Meats é a primeira empresa de carne limpa (termo usado para produção de carne que não envolve morte ou crueldade) a desenvolver linguiça.

Foto: StoryBlocks

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A Agronomics – uma empresa de investimento em carnes limpas, presidida pelo fundador da Innocent Drinks, Richard Reed – investiu na empresa, avaliando-a em 10 milhões de dólares.

“A carne cultivada aborda simultaneamente três grandes questões: a saúde humana, o meio ambiente e o bem-estar animal”, disse o fundador da New Age, Brian Spears, em um comunicado, de acordo com o This Is Money. “Este é o primeiro pequeno passo que estamos dando para reverter a mudança climática, parar de criar animais em uma vida que não vale a pena viver e ajudar os seres humanos a se tornarem mais saudáveis”.

Espera-se que as linguiças da New Age Meats estejam comercialmente disponíveis até 2021. Mas elas já foram testadas com sucesso, com jornalistas e colegas cientistas concluindo que as linguiças à base das células de Jessie têm o mesmo sabor da carne tradicional.

O site da New Age Meats diz: “Cerca de 7,4 bilhões de humanos vivem na Terra. Nós mantemos cerca de 40 bilhões de animais para alimentação. Alguns deles vivem vidas felizes, mas a grande maioria não. Nossas primeiras linguiças de porco foram feitas a partir de algumas células de uma porca chamada Jessie. No futuro, não precisaremos de células ou carne de animais, permitindo que eles vivam suas próprias vidas, livres na natureza”.

A ascensão da carne limpa

A indústria de carne limpa está se expandindo, mais e mais empresas estão investindo no desenvolvimento do cultivo de carne animal sem matar ou ferir nenhum animal.

A Agronomics espera construir um portfólio de dez a 15 empresas de carne limpas A New Age é seu segundo investimento, o primeiro foi a BlueNalu, uma empresa de carnes limpas especializada em frutos do mar.

A BlueNalu espera atender este ano peixes silvestres e mahi-mahi cultivados em laboratório, e espera ser a primeira empresa a lançar produtos de frutos do mar limpos em escala industrial. Lagosta, caranguejo, peixe-relógio e robalo chileno são os próximos na agenda da empresa.

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Cerca de 60% da “carne” consumida em 2040 não virá de animais mortos

Um relatório lançado recentemente pela consultoria global AT Kearney concluiu que cerca de 60% da “carne” consumida em 2040 não virá de animais explorados e mortos para consumo humano. O estudo foi feito com base em entrevistas com especialistas e analisado pelo jornal “The Guardian”.

Foto: Marco Massimo / Pixabay

De acordo com os autores do relatório, a “carne” será cultivada em laboratório ou será proveniente de produtos à base de vegetais com aparência e gosto de carne de origem animal, mas sem que tenha vindo de animais mortos. As informações são da Revista Planeta.

Essas alternativas, de acordo com os pesquisadores, são mais eficientes que a carne convencial – além de, conforme reforçam ativistas pelos direitos animais, serem éticas do ponto de vista do respeito à vida animal.

O estudo concluiu que 35% de toda a carne consumida em 2040 será cultivada e outros 25% serão substituições vegetarianas e veganas.

Essas alternativas também são éticas do ponto de vista ambiental, já que a exploração de animais para consumo humano é responsável, segundo estudos científicos, por emissões de gases de efeito estufa, destruição de habitats e poluição de rios e oceanos.

“A mudança para estilos de vida flexitários, vegetarianos e veganos é inegável, com muitos consumidores reduzindo seu consumo de carne como resultado de se tornarem mais conscientes em relação ao meio ambiente e ao bem-estar animal”, observa Carsten Gerhardt, sócio da AT Kearney. “Para comedores de carne apaixonados, o aumento previsto de produtos de carne cultivados significa que eles ainda conseguem desfrutar da mesma dieta que sempre têm, mas sem o mesmo custo ambiental e animal associado”, completou.

Atualmente, já existem empresas voltadas para esse ramo. Entre elas está a Beyond Meat, a Impossible Foods e a Just Foods. De acordo com a AT Kearney, US$ 1 bilhão foi investido em produtos veganos – parte desse valor veio de empresas que trabalham, também, com carne advinda de animais.

Já existe, também, o desenvolvimento em laboratório de células de carne em cultura, feito com o intuito de fabricar carne com sabor, textura e aparência da carne convencional, mas sem precisar criar, explorar e matar animais.

De acordo com a AT Kearney, a carne cultivada em laboratório vai conquistar o mercado em longo prazo, já que conseguirá sabores e sensações mais próximos da carne convencial do que as alternativas à base de plantas.

Empresa anuncia lançamento de peixes e frutos do mar a partir de células cultivadas em laboratório

A empresa sediada em San Diego, California (EUA) afirma que sua alternativa baseada em células pode ser a solução para muitos dos desafios mundiais da oferta de frutos do mar

A empresa de aquicultura celular BlueNalu, que tem como objetivo criar produtos de frutos do mar a partir de células de peixe, comumente conhecido como “peixe limpo”, expandiu suas operações após se mudar para uma instalação de pesquisa maior para iniciar sua fase de comercialização.

A empresa, que planeja desenvolver produtos como peixes, crustáceos e moluscos que são pescados em excesso, importados principalmente, e difíceis de cultivar, dizem que seu alimento baseado em células é “praticamente indistinguível dos produtos naturais”.

Compaixão pela vida marinha

Lou Cooperhouse, presidente e CEO da BlueNalu, disse: “Pretendemos reduzir a pressão da pesca, substituir a necessidade de importações, criar empregos e melhorar a segurança alimentar em cada país em que vamos colocar nossos produtos no mercado, de uma forma que seja saudável para as pessoas, mais humano para a vida marinha e sustentável para o nosso planeta”.

“Estamos entusiasmados por nos estabelecermos e desenvolvermos este importante negócio em San Diego, e estar um passo mais perto do nosso objetivo de criar uma cadeia de fornecimento de frutos do mar muito mais estável”.

A missão da BlueNalu é: “Produzir produtos de frutos do mar de verdade, diretamente das células de peixe, que sejam tão deliciosos e nutritivos quanto os produtos cultivados convencionalmente, de uma maneira saudável para as pessoas, humana para os animais e sustentável para o nosso planeta.”

Sustentabilidade dos oceanos

O congressista norte-americano Scott Peters, que participará da cerimônia de inauguração da nova instalação resultado da recente expanção da empresa no Dia Mundial da Terra, descreve o BlueNalu como uma “nova oportunidade para a sustentabilidade dos oceanos, a preservação de espécies e, finalmente, a disponibilidade de frutos do mar”.

“San Diego é um foco de pesquisa e inovação, então não é nenhuma surpresa que o BlueNalu esteja crescendo aqui”, disse ele.

“Nossa economia azul inclui mais de 1.400 empresas que estão desenvolvendo novas tecnologias e produtos e estou ansioso para ver o sucesso contínuo da BlueNalu”, finalizou o congressista