Animais são encontrados mortos dentro de sacos plásticos em Presidente Prudente (SP)

Corpos de animais mortos foram encontrados dentro de sacos plásticos em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O caso foi denunciado à Delegacia Participativa.

De acordo com um boletim de ocorrência registrado, é possível que os animais tenham vindo de clínicas veterinárias. Eles foram encontrados no Parque Alexandrina. As informações são do G1.

Foto: Sandro Bittencourt/TV Fronteira

O parque, que é uma área de preservação ambiental próxima a um rio, tornou-se um cemitério a céu aberto. No local, foram localizados inúmeros animais envoltos em sacos plásticos.

Em depoimento à polícia, um funcionário afirmou que descobriu que uma das pessoas envolvidas no caso trabalha em uma clínica veterinária.

De acordo com a Prefeitura de Presidente Prudente, a situação será levada ao conhecimento do Ministério Público e da Polícia Ambiental.


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Gato foge de casa para ir a cemitério acompanhar velório de tutora

Um gato fugiu de casa para ir ao velório da tutora que morreu em um acidente. A menina Júlia dos Santos, de três anos, foi vítima, assim como sua mãe, Luzia Aparecida Alencar dos Santos, de 32 anos, de um acidente com um ônibus de turismo que saía de Campos do Jordão (SP) com destino à Baixada Santista. Parentes relevaram que o gato foi escondido para o cemitério.

Foto: Carlos Nogueira/Jornal A Tribuna de Santos

Ópera, como foi batizado o gato pela tutora, a pequena Júlia, aproveitou que o portão da casa onde ele vive estava aberto, fugiu e encontrou dentro do carro da família, que seguia para o velório, e ficou escondido embaixo do banco. As informações são do G1.

Mãe e filha foram duas das 10 vítimas fatais do acidente, que aconteceu na serra de Pindamonhangaba (SP). Outras 51 pessoas se feriram. Os corpos de Júlia e Luzia foram velados na funerária Osan, em São Vicente, no litoral de São Paulo. Durante todo o velório, Ópera não saiu de perto do corpo da criança.

Durante toda a manhã desta terça-feira (11), o gato foi visto em volta dos caixões e até mesmo sentado em uma cadeira, ao lado dos familiares e amigos das vítimas. Em alguns momentos, Ópera saiu do interior da capela para beber água em uma vala localizada no entorno da funerária, mas depois voltou para perto dos corpos.

Foto: Nina Barbosa/G1

Cães comunitários permanecerão no Cemitério de Osasco (SP) em novas casinhas

A prefeitura de Osasco desistiu de expulsar os dez cães que viviam há mais de dez anos no cemitério Santo Antônio e ainda comprou novas casinhas de madeira para substituir as que tinham sido quebradas na tentativa de desalojar os animais. A situação dos cães mobilizou as redes sociais, afinal, todos já passam dos oito anos de idade e um deles, o Negão, é um idoso de 15 anos que certamente não resistiria à remoção do local para viver num canil municipal superlotado.

A protetora Janaína comemora com o cão Sorriso a volta das casinhas (Foto: Arquivo Pessoal)

Janaína Dornellas, a principal protetora responsável pela manutenção dos animais, respirou aliviada: “O canil de Osasco já tem 80 cães e seria improvável a adoção desses animais idosos. Além do mais, eles são comunitários e tem quem cuide deles. Estou muito feliz com a decisão da prefeitura que reconheceu que esses animais não fazem mal a ninguém e que o cemitério se tornou a casa deles”.

A decisão de remover os animais partiu das secretarias de Obras e Meio Ambiente. mas a Lei estadual 12.916/2008, conhecida como Lei Feliciano, que pôs fim às “carrocinhas”, também estabelece proteção aos animais comunitários. A Lei dita:

“O animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal. Para efeitos desta lei considera-se cão comunitário aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido”.

Caramelo vive há 8 anjos no cemitério Santo Antônio (Foto: Arquivo Pessoal)

Obviamente a lei se refere a animais comunitários instalados em locais públicos já que em áreas particulares quem decide se deve ou não ter animais são os proprietários dos imóveis.

São 30 milhões no Brasil e 600 milhões no mundo

É claro que todo animal deseja e merece uma família, mas não há possibilidade de se arranjar lar para 30 milhões de animais de rua no Brasil. No mundo são 600 milhões segundo estimativa da OMS – Organização Mundial da Saúde feita em 2014. Por isso, a própria OMS recomenda o controle populacional dos animais de rua por meio do método de CED – Captura, Esterilização e Devolução ao local de origem.

O método também é benéfico para a saúde humana já que animais castrados, vacinados e alimentados estão menos sujeitos a doenças transmissíveis ao homem. Além disso, remover um grupo de cães ou colônia de gatos de cemitérios, parques e outros locais públicos gera o chamado “efeito vácuo” possibilitando que novos animais rapidamente tomem o local. Nas remoções não há vantagem econômica para as prefeituras e muito menos para a saúde pública.

“O CED é uma ótima ferramenta para cães e gatos que não podem ser resgatados, sociabilizados ou adotados rapidamente. Infelizmente não existem lares para todos os animais que estão nas ruas e em algumas situações esta é uma estratégia de controle humanitária, sustentável e efetiva. Os programas CED ou CVED (capturar-vacinar- esterilizar-devolver) ajudam a diminuir a população de cães e gatos de uma determinada área, prevenindo a entrada de novos animais sem o controle reprodutivo ou sanitário”, explica Rosângela Ribeiro, gerente de campanhas veterinárias da Proteção Animal Mundial no Brasil.

Segundo a especialista, “vários estudos demonstram que em locais onde foram implantados projetos de CED, a população de cães ou gatos se estabilizou e até diminuiu ao longo dos anos, enquanto que a simples e ineficaz retirada de animais, sem nenhuma ação de castração, não contribui para o efetivo controle desta população”.
Prêmio para cidades “amigas dos animais”.

Pretico é um dos dez cães comunitários que permanecerão no cemitério de Osasco (Foto: Arquivo Pessoal)

Para identificar as melhores práticas no manejo humanitário de cães e gatos em cidades da América Latina, a Proteção Animal Mundial apresenta o prêmio “Cidade amiga dos animais”. As inscrições estão abertas para qualquer município latino americano, que deve submeter as suas estratégias, políticas e práticas para garantir um manejo ético, efetivo e sustentável de cães e gatos. O objetivo é premiar propostas inovadoras que possam ser adotadas e replicadas por outras cidades ao redor do mundo.

“Uma vez que os animais são abandonados, eles passam a ser responsabilidade de todos, ou seja, da comunidade, das ONGs e também do poder público. Mas é na esfera dos governos municipais, que o problema dos animais de rua pode ter soluções concretas com a implementação de políticas públicas que lidem com essas populações da forma coordenada, permanente e mais humanitária possível”, explica Rosângela.

O responsável/gestor do município mais bem avaliado irá ganhar uma viagem para participar da 3ª Conferência ICAM sobre Manejo Populacional de Cães, que acontecerá em setembro de 2019, em Mombasa, no Quênia. As inscrições estarão abertas até o dia 10 de junho de 2019 pelo site da World Animal Protection.

Gatos comunitários

Os Parques da Independência e do Ibirapuera em SP são referência no método de CED já adotado com gatos de Nova York, Paris e Roma. Mas os últimos relatórios internacionais apontam que o método de CED deve ser acompanhado por uma forte política pública contra o abandono. Estudo com 103 colônias de gatos em Roma, na Itália, onde houve a castração e devolução ao local de origem de cerca de 8 mil felinos em 10 anos, constatou-se que em paralelo a esse trabalho, as colônias cresceram em torno de 21% por conta de novos abandonos.

Gato em ponto turístico de Roma identificado por corte na orelha (Foto: Divulgação)

A fim de tornar as colônias mais estáveis foram inseridos câmeras e programas de conscientização nos principais pontos turísticos onde os gatos escolheram para viver. O governo italiano assimilou que, mesmo com esse residual de 21% de crescimento registrado ao longo dos anos, ainda é mais seguro, tanto para os animais quanto para a população humana, que os gatos sejam castrados pelos órgãos públicos e tratados pelos voluntários, afinal, com a retirada dos felinos, novas colônias sem tratamento veterinário se formariam e se reproduziriam rapidamente.

A Associação dos Animais de Rua de Lisboa já vem aplicando o método de CED em muitas colônias de gatos. A recém-criada Patrulha Gato aprimora esse trabalho dando uma chance de vida melhor aos felinos e, ao mesmo tempo, colaborando para que a Limpeza Pública trate da questão dos ratos de forma mais ética.

Gatos em cemitério de Paris viraram atração turística (Foto: Divulgação)

A medida se inspira no Programa “Blue Collar Cats” (gatos de colarinho azul) desenvolvido pela Humane Rescue Alliance em cidades dos Estados Unidos. O gato de colarinho azul é aquele que pertence a uma colônia, mas por razões de saúde (doenças crônicas, adquiridas ou acidente) vai parar em algum abrigo e passa a ter necessidade de cuidados especiais. Esse gato então pode ser adotado por uma empresa, escola ou outro estabelecimento. Para tanto, é preciso providenciar uma série de medidas com relação a nutrição, acomodação, cuidados com a saúde e higiene para ter o felino como uma espécie de “guardião” contra os ratos.

“Os estudos demonstram que os gatos não assumem o papel de predador, como seria de se esperar, mas que a sua presença já previne o aparecimento de ratos e outros roedores à superfície, coadjuvando assim, de forma ética e ambientalmente limpa, o trabalho da Higiene Urbana de Lisboa”, explica Marisa Quaresma dos Reis da Provedoria dos Animais de Lisboa.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista atuante na causa animal.

Depois do caso Manchinha, mais um episódio de crueldade animal está prestes a acontecer em Osasco (SP)

Tudo o que Sorriso (foto) quer é continuar vivendo no cemitério Santo Antônio de Osasco (SP) onde já está há oito anos. Como o próprio nome diz, ele é feliz, saudável e não incomoda ninguém ou, pelo menos, não incomodava até agora. Sorriso e outros nove cães correm o risco de serem despejados sumariamente, incluindo o Negão que vive no cemitério há 15 anos e, certamente, não aguentaria uma mudança brusca a essa altura da vida. Isso se ele não morrer de fome antes já que existe também a proibição dos cães serem alimentados por parte das secretarias de Meio Ambiente e de Obras de Osasco.

A protetora Janaína com o cão Sorriso, ameaçado de despejo (Foto: Arquivo Pessoal)

O município, que recentemente foi alvo de revolta nacional e internacional devido à morte do cão Manchinha no Carrefour, pode colecionar mais um triste episódio de crueldade animal se essas ações se concretizarem. Diante da repercussão que o caso está ganhando, na próxima segunda-feira, dia 13 de maio, a protetora Janaína Dornelas, responsável pela manutenção dos animais, se reúne com o secretário de Meio Ambiente Marcelo Silva, o secretário de Obras Lau Alencar e o diretor de Bem-Estar Animal de Osasco Fábio Cardoso. O objetivo é chegarem a uma solução sem prejuízo para os animais.

“O CCZ de Osasco não tem espaço. Já tem 80 animais lá esperando adoção. Não é justo levarem os cães do cemitério para uma baia lotada sendo que estão sendo bem tratados e não causam nenhum problema à comunidade. Já quebraram casinhas que eu tinha acabado de comprar. Agora estou tendo dificuldade de dar comida e água”, desabafa a protetora.

O deputado estadual Delegado Bruno Lima (PSL) se prontificou a ajudar: “Os animais são cães comunitários e têm o direito de permanecerem no cemitério. Farei tudo que for possível e impossível para proteger esses animais”. De fato, a ordem vinda das duas secretarias contraria a Lei Feliciano ou 12.916 que desde 2008 instituiu a figura do “cão comunitário”.

A Lei dita: “O animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal. Para efeitos desta lei considera-se cão comunitário aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido”.

Obviamente a lei se refere a animais comunitários instalados em locais públicos já que em áreas particulares quem decide se deve ou não ter animais são os proprietários dos imóveis. “Estão infringindo a Lei Feliciano e também a lei federal 9.605/98 por não permitir que alimentem os animais. Isso pode ensejar um pedido de cassação de mandato do Prefeito por improbidade administrativa por conta de descumprimento de lei.”, comenta Feliciano Filho autor da Lei 12.916 que também pôs fim as terríveis “carrocinhas”.

Prêmio

Vale lembrar que o controle populacional de cães e gatos por meio da castração, vacinação e monitoramento é, aliás, a recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde. Por isso, o método de CED – Captura, Esterilização e Devolução ao local de origem tem sido uma tendência no mundo todo. Até mesmo em importantes pontos turísticos de Roma o governo investe em CED. Cemitérios da França estão cheios de gatos que viraram até atração turística.
Por conta dessa tendência, a Proteção Animal Mundial recebe até 10 de junho inscrições para o prêmio “Cidade Amiga dos Animais”. Voltado para cidades latino-americanas, o prêmio irá identificar as melhores estratégias para lidar com as populações de cães e gatos de forma humanitária. O reconhecimento faz parte da campanha “A vida é melhor com cães”, que visa celebrar a convivência com o “melhor amigo do homem”.

O cão Caramelo é um dos dez cães que vivem há mais de 8 anos no cemitério de Osasco (Foto: Arquivo Pessoal)

O gestor responsável pela inscrição da cidade vencedora ganhará uma viagem para a 3a Conferência em Manejo de Populações de Cães – ICAM, que acontecerá em Mombasa, no Quênia, de 18 a 20 de setembro deste ano. Segundo e terceiro lugar receberão uma placa de reconhecimento “Cidade Amiga dos Animais”. As dez primeiras colocadas terão seus projetos publicados em um livro digital, que será divulgado em toda a América Latina. O regulamento está disponível do site da World Animal Protection.

O prêmio conta com o apoio do Centro Colaborador da OIE em Bem-Estar Animal e Sistemas de Produção Pecuária do Chile, Uruguai e México, da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), do Instituto Técnico de Educação e Controle Animal (ITEC), do Conselho Federal de Medicina Veterinária e Zootecnia do Brasil (CFMV) e da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA).

Questão de saúde pública

Castrar, cuidar e monitorar os animais de áreas públicas não é só uma medida humanitária. É também uma questão de saúde pública já que animais castrados, alimentados e saudáveis impedem a proliferação de doenças. Além disso, quando se “remove” um grupo de animais saudáveis, rapidamente outro grupo não-castrado nem vacinado toma conta do lugar. É o chamado o “efeito vácuo”.

Cães comunitários são protegidos por lei no estado de SP (Foto: Arquivo Pessoal)

Assim, proibir que esses animais sejam tratados, alimentados e investir em sua “remoção” não é nada inteligente e muito menos eficaz. O que deve ser feito é o monitoramento desses animais no local onde vivem e o aumento do controle de segurança para que as pessoas não fiquem abandonando cães e gatos em cemitérios e parques. Alguns cemitérios já possuem câmeras para impedir abandonos.

A volta da “carrocinha”

Lamentavelmente, parece que algumas prefeituras de SP estão navegando contra a maré e tentando resgatar as antigas e terríveis “carrocinhas”, com o intuito de “remover” animais de lugares públicos como se fossem lixo. O Departamento da Prefeitura que cuida dos cemitérios da capital de SP também já assinalou que não quer que funcionários e munícipes alimentem animais e está proibindo caixas, casinhas e outros objetos que sirvam de abrigo ou para se colocar comida e água.

Reuniões estão sendo agendadas com protetores e associações de defesa animal para se chegar a uma solução. Que tal atender a órgãos internacionais que já estudam há décadas os métodos mais eficientes de controle populacional nas grandes cidades? Fica a dica.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal.

Cães comunitários podem ser expulsos de cemitério de Osasco (SP), onde vivem há mais de dez anos

Negão é um cão idoso que dificilmente sobreviverá ao impacto de uma expulsão do Cemitério Santo Antônio de Osasco (SP), onde vive há 15 anos. Aliás, Negão é protegido pela lei estadual 12.916/2008, que institui a figura do “cão comunitário”, mas talvez ele sofra e até morra antes de uma remoção abrupta, já que a Secretaria de Meio Ambiente – SEMA quer proibir também que ele e outros 9 cães do cemitério continuem sendo alimentados.

O cão Negão vive há 15 anos no Cemitério Santo Antônio (Foto: Arquivo Pessoal)

Janaína Dornelas é uma das responsáveis pela manutenção dos cães. Ela faz parte da ONG “Animais Alzira”, que tem sob sua tutela mais 35 animais em lares temporários e na casa de uma antiga protetora da região. “Fui surpreendida com a triste notícia de que a secretaria de meio ambiente tinha retirado as casinhas dos cães, algumas que eu havia acabado de comprar e que estavam lá com autorização da antiga administração. Também pediu a retirada dos animais e não quer deixar que a gente dê comida e água”, conta.

A protetora diz ainda que cuida dos cães há oito anos e que não há registro de incidente com eles: “Nunca atacaram ninguém. São conhecidos dos funcionários do cemitério e da comunidade”. Além do Negão tem o Sorriso, Vermelhinho, Orelha, Pretico, Caramelo 1 e 2, Preta, Gorda e Mãe.

As castrações e cuidados médicos saem do bolso da protetora que se mostra apreensiva com o futuro dos cães. “O CCZ de Osasco disse que não tem espaço para eles, então o que farão com esses cachorros que não atrapalham ninguém? A casa deles é o cemitério!”.

Caramelo é um dos cães comunitários que pode ser expulso (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo a lei 12.916, “o animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal”. Isso significa que esses animais podem e devem ser oficializados como comunitários nos CCZs de SP.
A lei também diz que “cão comunitário é aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido”, ou seja, exatamente a condição de Negão e de seus companheiros.

Cão Grandão voltou para o Cemitério da Saudade

Caso semelhante ocorreu ano passado com o cão Grandão, morador do Cemitério da Saudade de Poços de Caldas (MG) . Grandão adotou o cemitério como sua casa depois que seu tutor morreu. Ficou cuidando do túmulo durante muito tempo, virou notícia, ganhou fãs, mas mesmo assim a secretaria de meio ambiente da cidade pediu a “remoção” dele.

Lei 12.916 de 2008 institui a figura do cão comunitário (Foto: Arquivo Pessoal)

Numa tentativa de evitar que Grandão fosse parar numa baia do CCZ, por três vezes conseguiram adoção para ele. Tudo em vão. Grandão dava um jeito de fugir e voltar para o cemitério. Vale lembrar que em MG também existe a lei 21.970/2016 garantindo aos cães comunitários o direito de permanecerem em locais públicos desde que mantidos e monitorados pela comunidade.

Em novembro de 2018, a guerra parecia perdida quando Grandão foi finalmente arrastado para o CCZ. A depressão o fez emagrecer, definhar. Uma petição em favor de sua permanência no cemitério angariou quase 10 mil assinaturas e Grandão voltou para o cemitério em janeiro deste ano.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal.

Após morte de cachorro, tutor funda cemitério para animais na Alemanha

Após a morte de um cachorro, Ralf Hendrichs decidiu fundar um cemitério para animais na Alemanha. O local, administrado por ele há 16 anos, foi construído em um grande terreno após Hendrichs descobrir que, após deixar o corpo do seu cachorro em uma clínica veterinária, ele foi triturado. Na busca por um destino melhor para os animais após a morte, ele criou o cemitério de Tierhimmel, o único na Alemanha que propõe enterros e cremações para animais e também oferece apoio psicológico para os tutores.

Túmulo de animal no cemitério de animais de Tierhimmel – AFP

“Muitas vezes vemos cenas muito tristes aqui”, reconhece Hendrichs. “As pessoas choram muito […] entram em choque e às vezes têm ideias suicidas”, completa. As informações são da AFP.

Com 10 mil m², o cemitério localizado em Teltow, ao sul de Berlim, oferece lenços de papel, disponíveis em todos os locais do estabelecimento, para os tutores. Na chamada “sala silenciosa”, fotos dos animais que partiram são colocadas na parede.

Quando é preciso, o cemitério também oferece ajuda aos tutores. “O trabalho de acompanhamento no luto é imenso. É preciso ouvir e levar as pessoas a sério”, explica Hendrichs. “Temos uma veterinária com formação em psicologia que organiza discussões em pequenos grupos”, explica.

De acordo com o dono do cemitério, o cachorro ou gato que divide a vida com uma família não é apenas um animal, “mas um companheiro, um membro da família”, que merece ser enterrado com “dignidade”.

“Enorme vazio”

Tutor do gato Hiro, Sebastian Oehlandt, de 27 anos, vai três vezes na semana ao cemitério para visitar o túmulo do animal, que o “acompanhou por quase 15 anos”.

“De repente, houve um enorme vazio”, conta Oehlandt, que é tutor de outro gato.

O vazio também é sentido por Karla Lemke, de 63 anos, que perdeu um cachorro da raça pinscher. O túmulo do animal é o mais decorado e colorido do cemitério. “Há 14 meses ele morreu. Venho aqui todos os dias, duas vezes por dia”, diz.

Censo animal

Os lares alemães contam atualmente com 34,3 milhões de animais domésticos. Cerca de metade das casas tem um animal, em comparação com um terço há 10 anos.

“Um animal doméstico como companheiro social, sobretudo para os solteiros, é cada vez maior em nossa sociedade”, afirma o presidente da IVH Georg Müller em um estudo.

Os serviços prestados pelo cemitério aumentaram de 120, no primeiro ano, para mais de 4 mil atualmente – sendo 3,5 mil cremações e 500 enterros.

Para ter um túmulo individual no cemitério é preciso pagar 180 euros por dois anos renováveis. A cremação custa de 105 a 370 euros, dependendo do peso do animal. O local vende também urnas e objetos personalizados, como a pegada da pata do animal em gesso, um medalhão com cinzas e até um diamante sintético criado a partir das cinzas do animal morto – o último, vendido a partir de 2.500 euros. “Assim, os tutores podem ter seu ex-parceiro sempre perto”, diz Hendrichs.

O sonho de Hendrichs é fundar um cemitério no qual as cinzas dos animais e dos tutores possam ser enterradas juntas. “Temos muitos pedidos há anos”, concluiu.

Prefeitura de SP revoga a ordem que proibia funcionários de cemitérios de alimentar animais

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), revogou nesta quarta-feira (16) a ordem interna que proibia servidores dos cemitérios municipais de alimentar e dar abrigo a animais abandonados.

Cachorro abandonado no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo

A determinação tinha sido publicada na última terça-feira (15) no Diário Oficial do Município.

A ordem interna do Departamento Técnico de Cemitérios também bania objetos como caixas de papelão ou madeira que serviriam como toca a cães e gatos.

Com a revogação, os funcionários e visitantes dos cemitérios poderão alimentar e providenciar abrigo aos animais, sem risco de punições.

Covas determinou, ainda, aos responsáveis pelos cemitérios para que entrem em contato com ONGs para procurar um lugar melhor para eles.

Fonte: G1