Grife Prada anuncia fim do uso de peles animais em suas coleções

Foto: Manfred Segerer

Seguindo o caminho de grandes grifes internacionais como a Gucci, a Chanel e a Versace, o Prada anunciou o fim do uso de peles de animais em suas próximas produções. A notícia é uma vitória importante para os direitos animais e demonstra que grandes empresas estão atentas a demandas de um público cada mais consciente e exigente.

A decisão foi tomada após uma campanha feita por ONGs e grupos de proteção animal, como a Fur Free Alliance e a PETA, que pediam que a grife italiana se conscientizasse sobre a dor e sofrimento animal envolvido na indústria da alta moda e investissem em matérias-primas sustentáveis.

A CEO da empresa, Miuccia Prada, acredita que esta foi decisão certa para o futuro da grife. “Focar em materiais inovadores vai permitir à companhia explorar novas fronteiras do design criativo, ao mesmo tempo em que atende à demanda por produtos éticos”, disse.

A primeira coleção livre de peles de animais será lançada em 2020. O produtos feitos com pele em estoque serão vendidos normalmente até serem esgotados.

Ativistas veganos pedem que a Prada abandone o uso de peles de animais exóticos

A casa de design Prada receberá um pedido formal para abandonar o uso de peles de animais exóticos em sua reunião anual em Milão, amanhã (01 de maio).

Ativistas veganos da PETA pedirão à Prada que alternativamente concorde em fazer visitas sem aviso prévio a seus fornecedores em conjunto com ONG para avaliar o bem-estar dos animais.

A gigante da moda admitiu no passado que não tem certeza de como os animais cuja pele a marca usa são tratados – o que levou a essa solicitação.

Animais exóticos e pele

“A PETA está confiante de que se os executivos da Prada puderem ver em primeira mão o sofrimento que é causado aos animais usados para fazer as malas, bolsas, pulseiras de relógio e sapatos da marca, eles acabariam com a venda de peles exóticas imediatamente”, diz a diretora da PETA, Elisa Allen.

“A Chanel baniu peles exóticas depois de reconhecer que não pode obtê-las eticamente, então a Prada deve seguir o exemplo e parar de lucrar com o sofrimento e a morte de avestruzes, crocodilos e outros animais selvagens”.

A ONG divulgou um vídeo, expondo as empresas que matam de avestruzes por sua pelugem, dizendo: “Como as imagens revelam, as jovens aves são mantidas em confinamentos insalubres antes de serem espremidas em caminhões de carga, transportadas para matadouros e finalmente eletrocutadas antes de suas gargantas serem cortadas”.

Foto: PETA Índia

Foto: PETA Índia

A instituição também investigou a indústria de peles de répteis, descrevendo as condições em que os animais eram mantidos em “pequenos e imundos cercados de concreto, alguns mais estreitos que o tamanho de seus corpos”, afirmando que “os crocodilos são mortos brutalmente por um corte imenso que abre seu pescoço de lado a lado e hastes de metal usadas para esmagar sua coluna vertebral.

Foto: PETA Índia

Foto: PETA Índia

Especialistas relatam que os crocodilos podem ficar conscientes por mais de uma hora após sua medula espinhal ter sido rompida.

Chanel e as peles exóticas

A PETA quer que a Prada siga os passos da gigante de moda francesa, Chanel, que anunciou ano passado que deixaria de usar peles de animais exóticos, incluindo peles de raposa; crocodilo; lagarto; serpente; e arraia. Enquanto alguns produtos ainda existem nas criações da Chanel, eles não serão mais usados nas próximas coleções.

Bruno Pavlovsky, presidente da Chanel Fashion e Chanel SAS, disse que se tornou cada vez mais difícil encontrar peles que atendam aos padrões da empresa em termos de ética e qualidade, e a marca voltará seu departamento de pesquisa sobre desenvolvimento de tecidos criados para as “indústrias agroalimentares”.

Ele acrescentou: “Nós fizemos isso porque a situação é óbvia, há muito sofrimento envolvido, ninguém nós impôs isso. É uma escolha livre”.

Celebração vegana

A notícia foi recebida com alegria e várias celebrações foram realizadas pelos ativistas veganos, incluindo os filiados à PETA.

“As rolhas de champanhe estão pipocando na PETA, graças ao anúncio da Chanel de que está abandonando o uso de pele e couro de animais exóticos – incluindo crocodilo, lagarto e cobra”, disse o diretor de Programas Internacionais da PETA, Mimi Bekhechi, em um comunicado enviado ao Plant Based News.

“Por décadas, a PETA e suas afiliadas vinham pedindo à marca que optasse pela moda livre de crueldade em que nenhum animal teve que sofrer e morrer para que suas coleções de moda ganhassem vida, e agora é hora de outras empresas, como a Louis Vuitton, seguirem o exemplo da marca icônica e adotarem o mesma atitude ética”.

Chanel é acusada de maus-tratos após prender cães em pequenas gaiolas

A grife Chanel foi acusada de maus-tratos a animais por prender dois cachorros em pequenas gaiolas em uma loja da marca em Londres, no distrito de Knightsbridge, na Inglaterra.

O caso foi denunciado pela estrela do reality-show Made In Chelsea, Tabitha Willett, que publicou uma foto e um vídeo em redes social no qual é possível ver os dois cachorros presos, impossibilitados de se movimentar, dentro de gaiolas. Os cães estavam na boutique Chanel’s Sloane Square.

(Foto: Tabitha Willett)

“Alguém sabe o que esses cachorrinhos estavam fazendo em gaiolas no @ChanelOfficial Sloane Street na noite passada? Chanel, por que há dois cachorros em pequenas gaiolas, em sua loja às 11 da noite?”, disse Tabitha. “Telefonei para Chanel, que disse que os cães estavam lá por motivos de segurança, o que não entendo, pois estão trancados em caixas que são pequenas demais para seus tamanhos”, completou.

Na imagem, não há qualquer indício de que os animais tenham água e comida à disposição, o que agrava a situação de maus-tratos. “Você nunca deve ver os animais enjaulados e restritos por seu tamanho, sem água ou espaço para sentar, levantar ou esticar-se, muito menos tarde da noite, sob iluminação fluorescente, na Sloane Street, em uma janela da Chanel. Fiquei ainda mais chocada quando soube que as circunstâncias eram para fins de segurança, já que os animais enjaulados seriam incapazes de proteger a loja”, afirmou Tabitha.

Em resposta aos questionamentos, a Chanel afirmou que o cães eram mantidos nas gaiolas por poucas horas e que havia uma pessoa para cuidar deles.

Indignada, Tabitha procurou a entidade de proteção animal Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), que também se preocupou com o caso, assim como outras ONGs, e pediu uma explicação para a Chanel.

“Esta imagem levanta algumas questões e gostaríamos de ouvir as razões destes cães serem mantidos em caixas desta maneira. Caixas de cães podem ser úteis para transportar animais, para uso em treinamento, ou para confinamento de curto prazo, quando a supervisão não é possível. E devem ser um lugar onde o cão se sinta seguro e confortável”, afirmou um porta-voz da RSPCA. “No mínimo, as caixas precisam ser grandes o suficiente para que o cão possa se sentar e ficar de pé em toda sua altura, virar-se, esticar-se e deitar-se em uma posição natural. Adicionar roupa de cama macia e confortável e brinquedos de morder seguros ajudam os cães à se sentirem confortáveis, seguros e protegidos. Os cães precisam ter acesso à água o tempo todo, então uma tigela de água deve ser fornecida, quando um cachorro estiver dentro da caixa. Isso pode ser feito usando uma tigela de encaixe, para evitar que ela seja derrubada”, completou.

A Chanel, por sua vez, respondeu que entende a preocupação das pessoas e que os cães são mantidos no local para proteger a loja. “Devido a dois recentes incidentes sérios na boutique da Sloane Street, a Chanel decidiu reforçar as medidas de segurança buscando os serviços de um adestrador de cães. Nós entendemos a preocupação daqueles que se importam com o bem-estar animal e a compartilhamos. Queremos assegurar-lhes que estes dois cães, que são especialmente treinados para este propósito, são liberados de suas caixas regularmente para se esticarem e se exercitarem, e há um suprimento regular de comida e água durante o tempo que eles ficam na boutique”, disse um representante da grife.

Nota da Redação: a ANDA é totalmente contra a exploração de cães para segurança de imóveis e ressalta que cachorros existem por propósitos próprios, não para servir aos seres humanos. Dessa forma, é preciso lembrar que é inaceitável que esses animais sejam submetidos a treinamentos anti-naturais para que sejam explorados para proteger imóveis – o que, aliás, é uma prática falha, já que criminosos podem oferecer veneno ou tranquilizante aos animais para que consigam assaltar esses locais sem grandes dificuldades. No mais, além da exploração inerente ao envolvimento de cães em ações de segurança, manter cachorros presos em gaiolas pequenas configura crueldade ainda maior.

Emporio Armani lança peles veganas masculinas para o inverno 2019

Acompanhando a crescente demanda do mercado da moda cruelty free, a grife de luxo Armani acaba de lançar uma gama de peles veganas masculinas no seu desfile de outono / inverno de 2019, em Milão.

Foto: Emporio Armani

Fundada por Giorgio Armani, a grife italiana compartilhou imagens do desfile Emporio Armani Outono Inverno 2019-2020, em que a moda masculina de peles artificiais foi o “centro das atenções”, escreveu a marca no Twitter .

A coleção se concentra na “liberdade e energia inspirada no mundo animal”, disse a marca, que está ajudando a “libertar o urbanista de suas restrições geográficas”.

As fotos mostram os modelos usando casacos masculino de pele falsa, botas e um xales.

A grife abandonou a pele em 2016 e, de acordo com a Vogue, Armani disse que ficou “satisfeito” em fazer o anúncio, explicando que “o progresso tecnológico feito ao longo dos anos nos permite ter alternativas válidas à nossa disposição que tornam desnecessário o uso de práticas cruéis em relação aos animais “.

“Prosseguindo o processo positivo empreendido há muito tempo, minha empresa está dando um grande passo à frente, refletindo nossa atenção para as questões críticas de proteção e cuidado com o meio ambiente e os animais”, observou Armani.

Após a mudança, Joh Vinding, presidente da Fur Free Alliance que está em campanha por um mundo livre de pelos de animais na moda e em outros produtos, nomeou Armani como uma “formadora de tendências no mundo da moda”.

Vinding explicou que a decisão de Giorgio Armani concretiza a ideia de que “designers e consumidores podem ter liberdade criativa e luxo, sem apoiar a crueldade contra os animais”.

Pele animal está fora de moda

Um número crescente de grifes famosas está se afastando da pele e do pelo animal devido a preocupações com o bem-estar animal.

Violações dos direitos dos animais na indústria de peles levaram os designers  Jean Paul Gaultier e Diane von Furstenberg  a pararem de usar o material cruel. A Burberry fez o mesmo movimento para se tornar mais “social e ambientalmente responsável”.

Após Asos, Nike, H&M, Puma, Arcadia Group e L Brands anunciarem o fim do uso de pele de animais, a Chanel também prometeu adotar a prática. Em dezembro do ano passado, ela fez seu primeiro livre de peles animais.

Desfile Chanel sem peles animais, em dezembro de 2018. Foto: Angela Weiss | AFP

Também em dezembro, Michael Kors oficialmente deixou de usar peles, uma política que também inclui Jimmy Choo.

Da mesma forma, o CEO da Gucci, Marco Bizzarri, disse que a grife abandonaria a pele, nomeando o produto como “fora do prazo de validade”.

O abandono da pele é uma vitória para os animais em todo o mundo, mas muitas dessas marcas, como a Armani, ainda usam outros materiais derivados, como e couro.

No entanto, alguns designers, como Stella McCartney, estão se voltando para a moda totalmente livre de animais, em uma tentativa de se tornar totalmente sustentável e livre de crueldade.