PETA pede para que Leonardo DiCaprio resgate chimpanzé de “O lobo de Wall Street”

Por Rafaela Damasceno

O grupo ativista PETA está pedindo para que Leonardo DiCaprio, ator ambientalista e vencedor do Oscar, resgate o chimpanzé, Chance, que participou do filme “O lobo de Wall Street”.

Chance no colo de Leonardo Dicaprio

Foto: Livekindly

O filme recebeu muitas críticas na época de sua estreia, em 2013, com a organização em defesa dos direitos animais Amigos dos Animais pedindo um boicote. O grupo disse que o chimpanzé sofreria danos psicológicos permanentes por ser obrigado a atuar no filme.

Seis anos depois, Chance continua sofrendo. Agora ele pertence a um zoológico de beira de estrada, que o obriga a se apresentar e realizar truques. A ONG PETA pediu ajuda a DiCaprio e Martin Scorsese, o diretor do filme, para que o resgate seja possível.

A organização deseja que Chance seja realocado em um santuário, onde passaria o resto de sua vida sem ser forçado a entreter pessoas.

Explorar os animais em filmes, felizmente, parece algo que está diminuindo pouco a pouco, devido às tecnologias atuais. Jon Favreau, que dirigiu a adaptação do “Rei Leão” para uma versão mais realista, disse à Vanity Far: “O fato da tecnologia poder fazer parecer tão visualmente real torna mais e mais difícil precisar colocar animais em perigo para fazer um filme”.


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Chimpanzé foge de zoo em busca de liberdade

Por Rafaela Damasceno

Um chimpanzé, conhecido como Yang Yang, fugiu de sua jaula na última sexta-feira (15). Ele escalou uma árvore caída e conseguiu sair do ambiente em que ficava. Os funcionários do zoológico solicitaram aos visitantes que saíssem do local, mas diversos curiosos ficaram do lado de fora, espiando pelas grades.

Imagens tiradas do vídeo, que mostram o chimpanzé indo em direção do portão

Foto: India Today

Um vídeo publicado pela China Global Television Network (CGTN) mostra o animal claramente agitado, correndo em direção às pessoas do lado de fora do portão e dos funcionários que tentavam chamar sua atenção. Nenhuma tentativa de atraí-lo de volta para a cela obtiveram sucesso.

Sentindo-se ameaçado, Yang Yang correu de um lado para o outro. Assustado e nervoso, o chimpanzé chegou a chutar um funcionário, que caiu no chão.

Com toda a movimentação e perseguição, ele chegou a subir em um telhado, tentando se proteger e procurar uma rota de fuga, mas foi atingido por um dardo tranquilizante disparado por um policial.

Yang Yang passa bem, mas foi devolvido à sua cela. Infelizmente, ele retornou ao cativeiro, onde permanecerá por tempo indeterminado.

 

Restam apenas 250 mil chimpanzés no continente africano

Restam apenas 250 mil chimpanzés na África. O número, quando comparado ao que foi registrado há 10 anos, quando cerca de 2 milhões desses animais viviam em 25 países do continente africano, expõe uma grave queda na população da espécie.

Foto: Pixabay

A diretora adjunta do Instituto Jane Goodall, Laia Dotras, afirmou à agência EFE o declive populacional drástico que os chimpanzés vivenciam é provocado “sobretudo pela perda do habitat” devido à “exploração de madeira e recursos minerais”. A espécie é vítima também da caça.

Segundo Dotras, essa é “uma das maiores crises de biodiversidade” atuais e se não forem tomadas medidas urgentes, os chimpanzés “não tardarão a desaparecer”. As informações são do portal Público.

A diretora afirma que é “essencial educar e fazer entender os problemas socioambientais locais” para evitar a extinção da espécie. Para “assegurar a sustentabilidade a longo prazo”, Dotras sugere que seja incentivado o desenvolvimento sustentável em diferentes regiões africanas.

“A pobreza e o desconhecimento induzem muitos africanos a usar os recursos do seu meio ambiente de forma insustentável”, asseverou Dotras, que citou como exemplo o desmatamento, que faz com que áreas fiquem “quase desertas e a terra já não se pode aproveitar para cultivar”.


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Chimpanzé Black interage com ‘vizinhas’ de recinto em santuário com fim de quarentena

O chimpanzé Black, que foi transferido do Parque Zoológico Municipal de Sorocaba (SP) após uma determinação judicial para o Santuário dos Grandes Primatas em maio, começou a interagir com outros primatas com o fim da quarentena.

Foto: Arquivo pessoal

O local é uma propriedade particular, mantida por uma família fundadora, e é afiliado ao Great Ape Project/Projeto dos Grandes Primatas (GAP). Por meio de janelas, o Black consegue até tocar as “vizinhas” Margarete e Maria.

Atualmente ele vive em uma área com grama, uma estrutura de três andares e com um cesto panorâmico. O animal é considerado idoso e realiza exames regularmente para acompanhamento da saúde.

Anteriormente, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou a transferência do chimpanzé para o santuário.

A falta de convívio com a espécie foi um dos argumentos do pedido de transferência, feito pela Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda) e pela Associação Sempre Pelos Animais, de São Roque (SP).

Foto: Anderson Cerejo/TV TEM

Black chegou ao zoo de Sorocaba na década de 1970, quando foi resgatado de um circo. Segundo os veterinários do local, ele teve duas companheiras. Desde que a última morreu, há cerca de 10 anos, Black vive sozinho.

No recinto temporário também há um tipo de refeitório com uma mesa e um banco, onde ele faz as refeições, além de duas camas e cobertores.

Uma porta fica aberta 24 horas por dia para que Black possa sair para a área externa e só é fechada quando os funcionários precisam fazer a manutenção do local. Segundo os veterinários do GAP, a alimentação dele é baseada em frutas e legumes.

Santuário dos Grandes Primatas – Foto: Arquivo pessoal

Transferência

A transferência é discutida na Justiça há mais de um ano. Em primeira instância, a mudança foi negada, mas a nova decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo foi favorável.

Foto: Reprodução/GAP

Cerca de 12 manifestantes chegaram a manifestar no zoológico no dia da mudança para tentar impedir a entrada do caminhão que faria o transporte.

Ao G1, Jorge Marum, promotor do Meio Ambiente, comentou que a decisão judicial tinha que ser cumprida, mas pode haver a reversão dessa decisão no processo.

Fonte: G1


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Black, nosso irmão chimpanzé

Por Jorge Alberto de Oliveira Marum*

Black (GAP)

Tem causado polêmica a transferência do chimpanzé Black do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros para o Santuário de Grandes Primatas. A medida foi determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em decisão liminar expedida no âmbito de uma ação civil pública ajuizada por duas ONGs ligadas à defesa dos direitos dos animais. O argumento é o de que Black é idoso e vivia solitário no zoológico, que não é um local adequado para acolher chimpanzés.

Houve protestos contra a transferência, alegando que Black estava bem cuidado e adaptado no Zoológico, onde mora há 40 anos, sendo um símbolo do Zoológico e muito querido da população.

Primeiramente, é importante registrar que a decisão é provisória, podendo ser alterada a qualquer momento, desde que se verifique algum problema de adaptação do Black ao seu novo lar. Além disso, o processo segue, com amplo debate entre as partes, produção de laudos técnicos e possibilidade de recursos, até decisão final em última instância.

O Ministério Público, designado pela Constituição Federal como protetor dos animais contra crueldade e maus-tratos, participa do processo por meio da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, cabendo-lhe, no caso, zelar pelo bem-estar de Black e para que as decisões judiciais sempre o beneficiem.

Nesse sentido, no dia 6 de maio acompanhamos os trabalhos de transferência de Black do Zoológico para o Santuário. Tudo transcorreu sem incidentes, com os técnicos de ambas as instituições trabalhando em harmonia. Havia o temor de que o stress da mudança pudesse afetar a saúde de Black, porém logo nos primeiros dias recebemos notícias alentadoras de que ele estava calmo, saudável e se alimentando bem.

No dia 24 de maio, pela manhã, visitamos o Santuário. Também estava presente a ativista Luísa Mell, acompanhada de um biólogo de seu instituto. Pudemos verificar que Black estava tranquilo, bem tratado, com alimentação de boa qualidade, acolhido num recinto de alvenaria limpo e espaçoso e com acesso a uma ampla área verde.

Por enquanto, Black está em quarentena, conforme exige o protocolo, mas em breve ele poderá se integrar com outros chimpanzés, como é da natureza da espécie — e, talvez, até encontrar uma companheira. A principal candidata é Margarete, com quem ele já teve um romance há alguns anos, quando ficou temporariamente hospedado no Santuário.

A tranquilidade de Black só foi perturbada quando, ao receber alimentação do tratador, pessoas se aglomeraram para observar e filmar a cena, momento em que ficou agitado e chegou a ter diarreia.

No mesmo dia, à tarde, uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente esteve no local e foi impedida de entrar, o que gerou repercussões na mídia e nas redes sociais. Responsáveis pelo estabelecimento argumentaram que a visita ocorreu sem aviso prévio, num horário em que os funcionários especializados e o administrador estavam ausentes. A Sema, por sua vez, alegou a existência de um acordo pelo qual seu pessoal poderia visitar Black a qualquer momento e sem aviso. A visita acabou reagendada e já ocorreu, sem incidentes, exceto pelo fato de que Black, novamente, ficou agitado e teve diarreia — o que, para nós, reforça a percepção de que visitas o incomodam, a ponto de ele sofrer sintomas psicossomáticos.

Em razão disso, no dia 7 de junho a Promotoria realizou uma reunião entre as partes, ficando acertado um protocolo de visitas a fim de que possa haver o devido acompanhamento da adaptação de Black com o mínimo de desconforto para ele.

Esses fatos têm servido para aprendermos mais sobre esses seres tão especiais que são os chimpanzés. A biologia evolutiva demonstra que eles são os primatas mais próximos do ser humano. Ambos descendem de um ancestral comum e possuem 99% de genes idênticos, podendo até receber transfusões de sangue reciprocamente. Os chimpanzés possuem inteligência equivalente à de uma criança humana de 4 anos e são considerados seres “sencientes”, por terem consciência de si e de seus sentimentos. Eles formam grupos, fazem planos e têm relações sociais complexas e muito parecidas com as dos seres humanos.

São esses, aliás, os motivos pelos quais se considera que zoológicos não são locais adequados para abrigar chimpanzés. Não há, no processo em curso, qualquer acusação de maus-tratos contra o Zoológico Quinzinho de Barros, patrimônio de Sorocaba e referência no Brasil. O Santuário seria um local melhor porque não é aberto à visitação pública e propicia a socialização dos chimpanzés numa ampla área.

Em caso semelhante, ocorrido em Mendoza, na Argentina, a chimpanzé Cecília foi considerada um “sujeito de direitos não humano” e obteve um inédito habeas corpus da justiça local, sendo transferida para o mesmo Santuário que hoje abriga Black.

O ideal, em nossa opinião, seria que o desfecho do caso Black seguisse o exemplo de Mendoza, no qual houve acordo entre a ong autora da ação e a prefeitura local, possibilitando o encerramento amigável do processo. Afinal, depois de 10 anos de trabalho no circo e 40 no zoológico, Black merece gozar da justa aposentadoria!

*Promotor de Justiça do Meio Ambiente de Sorocaba


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Um ano sem Guga

Guga (GAP)

O chimpanzé macho Guga nasceu em um criadouro comercial no Paraná, no Brasil, em 1999. Quando ainda era bebê, foi “adotado” por uma família humana e a inspirou a dar início a um trabalho que, ao longo de 20 anos, ajudou a resgatar mais de uma centena de chimpanzés vítimas de maus tratos e a perpetuar as ideias do Projeto GAP no Brasil e no mundo.

Guga foi o primeiro chimpanzé e fundador do Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, afiliado ao Projeto GAP e o maior da América Latina. Neste mesmo santuário, ele deu adeus a seus amigos chimpanzés e humanos há um ano, no dia 27 de maio de 2018, depois de lutar durante meses contra um câncer no pâncreas.

Sua inteligência e personalidade marcantes nunca serão esquecidas e para tal o santuário montou o Memorial do Guga, uma área na qual pinturas criadas pelo artista plástico Ernandes Bacvagio demonstram todas as suas habilidades. Guga folheava revistas, brincava de fazer comidinha com o que encontrava na natureza a sua volta, aprendeu a contar até 4, escovava os dentes, admirava-se no espelho… Foi um chimpanzé muito especial!

Descanse em paz, querido Guga!

Chimpanzé Black é transferido de zoológico para santuário em Sorocaba (SP)

O chimpanzé Black foi transferido do Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” para o Santuário de Grandes Primatas, em Sorocaba, no interior de São Paulo. A transferência foi feita na tarde desta segunda-feira (6) por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Foto: Divulgação/Prefeitura de Sorocaba

A decisão judicial atendeu a um pedido da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e da Associação Sempre Pelos Animais, de São Roque (SP). Entre os argumentos utilizados no processo que justificam a transferência do animal, está a falta de convívio do chimpanzé com outros animais da espécie. As informações são do G1.

O TJ-SP estabeleceu um prazo, até o dia 8 de maio, para a transferência de Black. Como o zoológico não abre de segunda-feira, essa foi a data escolhida para a retirada do animal do local. O caso tramita na Justiça há mais de um ano. Em primeira instância, o pedido das ONGs foi negado, mas um novo julgamento resultou em um parecer favorável.

Uma gaiola foi usada para transferir o animal. Para que o chimpanzé entrasse, alimentos foram colocados dentro dela. O objetivo era transferi-lo sem precisar usar sedativos, já que ele é idoso e tem cerca de 50 anos.

Explorado em circo

Black foi levado ao zoológico na década de 1970, após ser resgatado de um circo, que o explorava para entretenimento humano. No zoo, ele teve a companhia de outras duas chimpanzés. A última morreu há cerca de 10 anos e, desde então, ele vivia sozinho.

O promotor do Meio Ambiente Jorge Marum explicou que a promotoria deu parecer favorável para a transferência de Black e fez reuniões para viabilizar o cumprimento da decisão. Segundo ele, no entanto, a decisão pode ser revertida.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Sorocaba

“Não é uma decisão definitiva, é uma liminar. O processo continua, vão ser colhidas provas, vão ser ouvidos especialistas para que a decisão seja tomada com respaldo técnico da melhor forma possível”, explica o promotor.

O promotor lembrou que o chimpanzé é idoso, foi explorado em um circo, estava solitário e vivendo há muito tempo no zoológico. “Penso que seria uma aposentadoria merecida. Claro que também levei em conta os laudos técnicos anexados ao processo”, diz.

Luciano Ferro, representante jurídico das entidades que moveram a ação pedindo a transferência de Black, lembrou do período em que o chimpanzé viveu no Santuário dos Primatas, quando foi levado ao local temporariamente, em 2014, para que o recinto dele no zoológico passasse por manutenção.

“No zoológico ele vive em situação de isolamento, no santuário ele vai ter contato com outros animais. Ele já esteve no santuário e teve um bom histórico. O recinto do Black já está preparado para recebê-lo no santuário, ele vai ter paz”, comentou Ferro. Ativistas afirmam que, no período em que viveu no santuário, o chimpanzé se socializou com outros membros da espécie e conquistou uma amiga chamada Margarete.

Ferro criticou manifestações feitas no zoológico. “A gente estava bastante chateado por a prefeitura estar fazendo manifestação dentro do zoológico durante toda semana. Um zoológico que diz que prima pelo bem-estar dos animais não deveria permitir manifestação pública praticamente dentro do recinto dos animais, que era o que estava acontecendo com o Black”, disse.

Apesar da crítica, Ferro afirmou que o zoológico colaborou durante a transferência do animal. “Ao todo, foram 6 profissionais do projeto GAP que acompanharam o manejo do Black para entrar na caixa, mais 6 do zoológico. O zoológico colaborou, já tinha sido acertado que seria uma operação colaborativa entre as partes e foi o que aconteceu”, contou.

Ferro disse ainda que a transferência do chimpanzé foi um grande sucesso. “O Black ficou super bem adaptado, não teve nenhum problema. Todas aquelas mentiras que estavam sendo contadas a respeito do Black, de que o santuário iria jogá-lo em meio a um monte de primatas não era verdade. O Black vai ser socializado, a priori, apenas com uma companheira e isso no tempo certo, não vai ser agora. Tudo isso vai ser registrado”, concluiu.

O santuário, que é filiado ao Great Ape Project/Projeto dos Grandes Primatas (GAP), é uma propriedade particular mantida por sua família fundadora.

Chimpanzé morre aos 17 anos após viver aprisionado em zoo desde o nascimento

O chimpanzé Lunga morreu na última semana aos 17 anos, no Zoológico de Belo Horizonte, em Minas Gerais, após viver aprisionado desde que nasceu. No local, ele vivia com o pai e com a meia-irmã.

Divulgação / Prefeitura de BH / Suziane Fonseca

A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica afirmou que o macaco apresentou um comportamento alterado e estava sendo monitorado desde a segunda-feira (29) da última semana. Ele morreu no dia seguinte. As informações são do portal R7.

As possíveis causas da morte estão sendo investigadas. O corpo do animal será submetido a exames de necropsia e os resultados devem estar prontos em 30 dias.

Além de Lunga, que completaria 18 anos no mês de outubro, outros chimpanzés vivem presos no zoológico, privados da vida em liberdade, sendo explorados para entretenimento humano. Serafim, de 31 anos, é pai de Lunga e veio do zoológico de Barcelona, na Espanha. Já Dorothéia, de 39 anos, é meia irmã do chimpanzé e, assim como ele, também nasceu em Belo Horizonte.

Equipes organizam detalhes da transferência do chimpanzé Black para santuário

Ativistas e funcionários da Prefeitura de Sorocaba (SP) se reuniram na sexta-feira (3) para tratar dos últimos detalhes da transferência do chimpanzé Black do Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” para o Santuário dos Primatas. A transferência do animal, que tem 48 anos e já foi maltratado e explorado em um circo, será realizada na segunda-feira (6).

Black (Foto: Arquivo pessoal)

Ativistas afirmaram que equipes da prefeitura e do santuário trabalharão em conjunto na operação de transferência. O objetivo é transportar o animal sem fazer uso de sedativo, induzindo Black a entrar na gaiola onde ficará durante o percurso. As informações são do portal G1.

Em um primeiro momento, o chimpanzé deve ser mantido sozinho em um recinto, até que seja feito o processo de socialização com outros animais.

A transferência de Black foi decretada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), em atendimento a uma ação judicial movida pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e pela Associação Sempre Pelos Animais de São Roque.

Santuário para onde Black será levado (Foto: Arquivo pessoal)

Black vive aprisionado no zoológico, sendo explorado para entretenimento humano, há 40 anos. No santuário, ele viverá em um espaço mais adequado e não será tratado como um objeto em exposição. O local é uma propriedade particular mantida pela família fundadora.

Afiliado ao Great Ape Project/Projeto dos Grandes Primatas (GAP), o santuário já havia recebido Black em 2014, porém de forma temporária, apenas para que o zoológico pudesse fazer uma manutenção na jaula em que o animal vivia.

De acordo com os ativistas, o período em que o chimpanzé ficou no santuário foi importante para a socialização dele com outros animais da espécie que vivem no local, dentre eles, a companheira Margarete.

Após ação da ANDA, Justiça determina transferência de chimpanzé que vive sozinho em zoo para santuário do GAP

Foto: Divulgação/Prefeitura de Sorocaba

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, por unanimidade, a transferência do chimpanzé Black, de 48 anos, até o dia 5 de maio, do zoológico municipal Quinzinho de Barros, na cidade de Sorocaba, para santuário localizado no mesmo município. A decisão foi proferida na ação civil pública contra o Município de Sorocaba de autoria da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e pela Associação Sempre Pelos Animais de São Roque.

Uma longa batalha se travou no judiciário e, apesar da recomendação favorável do Ministério Público em primeira instância, o juiz negou a liminar pleiteada na ação, e as entidades tiveram que recorrer até conseguir o acordão dado pela corte paulista. As ONG’s argumentaram na ação que o primata, por ser uma espécie gregária, está sendo privado de seus instintos mais básicos ao ser afastado da companhia de outros chimpanzés. Também é submetido a uma rotina distinta à da sua espécie e ao assédio do público frequentador do zoológico, problema comum sofrido pelos animais que vivem nesse ambiente.

Tendo em vista a rara coincidência de o município de Sorocaba abrigar o maior santuário de chimpanzés da América Latina, o pedido principal das entidades foi de que Black fosse transferido imediatamente para o local. Afiliado ao Projeto Grandes Primatas, o santuário reúne mais de 80 chimpanzés num espaço dedicado de 5.000 metros, onde desfrutam de uma vida mais próxima àquela que teriam na natureza.

Logo após ser publicada a segunda instância, favorável à transferência, as entidades procuraram se reunir com o secretário de Meio Ambiente de Sorocaba, Jessé Lourese, e com o promotor de justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum, a reunião teve o propósito de encontrar uma saída ágil e eficaz para o cumprimento da decisão. Contudo, até o momento, não houve manifestação do secretário em relação à Prefeitura de Sorocaba realizar uma transferência amigável e rápida, embora o prazo de 30 dias estipulado pelo Tribunal de Justiça já esteja transcorrendo.

“Não acredito ser da índole do prefeito querer estender essa ‘disputa’, que só faz aumentar o sofrimento de Black e o priva de ter uma vida melhor no santuário, na companhia de outros membros da sua espécie. Black já passou por muita coisa, foi até explorado num circo, e é chegada a hora de amenizarmos um pouco do que a espécie humana lhe causou”, pondera Leandro Ferro, procurador das entidades e um dos ativistas à frente da ação para a transferência de Black.

Situação protelada

Em 2014, Black esteve temporariamente no santuário, a pedido do próprio zoológico, para manutenção de sua jaula. Naquele ano, ele se socializou com outros membros de sua espécie e conquistou até uma companheira, a chimpanzé Margarete. Contudo, o zoológico exigiu sua volta, e o mantenedor do santuário, Pedro A. Ynterian, iniciou uma campanha pública pela permanência de Black, sem ter obtido sucesso naquela época.

“Apesar dos esforços empreendidos pelo movimento GAP, juntamente com a sociedade civil e até outra ONG vinculada diretamente à Organização das Nações Unidas, o GRASP – GREAT APES SURVIVAL –, por uma disputa política e de vaidade, o chimpanzé Black acabou não sendo transferido para o santuário”, relata Leandro Ferro.

Parentes mais próximos

Entre as espécies com mais semelhanças à humana, o chimpanzé chega a ter 98% do DNA em comum. Vários testes confirmam inteligência significativamente elevada desse animal, comparada por vezes com a das crianças de até três anos. Na natureza, comem durante o dia todo e, à noite, descansam em ninhos nas copas das árvores.

Em um zoológico, seu ciclo biológico de alimentação e sono são alterados. Na maioria desses locais, ficam oito horas em exposição e 16 horas dentro de cubículos fechados. Em vez de comer várias vezes durante o dia, como é recomendado para primatas humanos, só são alimentados antes de anoitecer, após serem forçados a entrar nesses cubículos, no fim do expediente, onde comem e ficam trancafiados.

GAP

O Great Ape Project (GAP), ou Projeto dos Grandes Primatas, é um movimento internacional que trabalha para garantir direitos básicos à vida, liberdade dos grandes primatas chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos. Criado em 1994, está presente em 13 países, entre eles o Brasil.